USANDO O SOFRIMENTO PARA REVELAR ESPERANÇA, VITÓRIA E VIDA ETERNA

“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz. No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” João 16:33 (NAA)

O sofrimento entrou no mundo pela porta aberta pelo pecado. Desde a queda no Éden, a humanidade passou a conviver com a dor, a morte e a separação de Deus. Ele se apresenta de muitas formas e atinge a todos, sem distinção. Muitas vezes nos vemos perguntando a Deus: “por quê?” ou “por que eu?”. Em outros momentos, em meio à revolta, alguns chegam a acusar injustamente o Senhor, dizendo que Ele é indiferente ao que estamos passando.

Mas a verdade é que Deus nunca foi indiferente. A cruz de Cristo é a maior prova do Seu amor e cuidado. O Pai não poupou o Seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós (Romanos 8:32). Se o sofrimento é consequência da porta que o pecado abriu, a salvação é a porta que Cristo escancarou ao mundo. Em Jesus encontramos perdão, consolo e a esperança de um futuro sem lágrimas.

Se hoje ainda enfrentamos dores, perdas e tristezas, uma certeza nos sustenta: não estamos sozinhos. O Senhor caminha conosco no vale da sombra da morte (Salmos 23:4), enxuga as nossas lágrimas (Apocalipse 21:4) e nos fortalece com a promessa de que nada poderá nos separar do Seu amor (Romanos 8:38-39). Essa é a esperança que nos permite prosseguir mesmo quando o coração se enche de dúvidas e a dor parece sem explicação.

Alguns se incomodam com o fato de que a Bíblia não oferece uma explicação completa sobre a origem do mal. Ela menciona o pecado e o sofrimento do Gênesis ao Apocalipse, mas seu maior interesse não é nos dar uma resposta filosófica ou detalhada sobre o porquê do mal. Seu propósito é nos mostrar como enfrentá-lo e vencê-lo em Cristo. A Palavra de Deus não foi escrita para satisfazer curiosidades intelectuais, mas para revelar o caminho da vida. O foco das Escrituras não está em descrever em detalhes a razão do sofrimento, mas em apontar para Aquele que sofreu em nosso lugar e venceu o pecado e a morte.

Por isso, o mal não deve ser visto como um enigma sem solução, mas como uma realidade temporária que será vencida pela obra redentora de Deus. Enquanto caminhamos neste mundo caído, experimentamos dores, injustiças e lágrimas. No entanto, somos convidados a olhar para Cristo, que declarou: “No mundo vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo.” João 16:33 (NAA).

A Bíblia não é um tratado filosófico sobre o mal, mas uma carta de amor do Criador. Ela mostra que, mesmo em meio ao sofrimento e ao pecado, existe um caminho de esperança, perdão e vitória. O sofrimento é uma intrusão estranha no bom mundo de Deus e não terá parte na Jerusalém Celestial. Não faz parte do projeto original do Criador, mas é também uma investida violenta do diabo contra o Senhor e a Sua criação.

O livro de Jó nos mostra isso de forma clara. Por trás das perdas e dores daquele homem estava a ação maligna de satanás. Jesus também confirmou essa verdade ao falar da mulher enferma, descrevendo-a como alguém que estava “presa por satanás” (Lucas 13:16). E Paulo, ao mencionar o seu “espinho na carne”, declarou tratar-se de um mensageiro de satanás que o esbofeteava (2 Coríntios 12:7 NAA). Em todos esses exemplos, o sofrimento aparece como fruto da atuação do inimigo e da realidade de um mundo ferido pelo pecado.

É certo que muitas vezes conseguimos enxergar o bem que Deus tira da dor. No entanto, precisamos lembrar que esse bem é sempre extraído do mal. A glória de Deus está em transformar aquilo que o inimigo planejou para destruição em instrumento de fortalecimento e amadurecimento espiritual. Mas nunca podemos confundir a origem: o sofrimento não vem de Deus como parte do Seu plano original; ele é uma distorção que só existe por causa do pecado e da ação do adversário.

Assim, mesmo quando o coração está cheio de perguntas e a dor não faz sentido, podemos descansar na certeza de que Cristo conhece nosso sofrimento. Ele já venceu o mundo. No fim, a cruz nos lembra que a porta aberta pelo pecado não terá a última palavra. A vida triunfará sobre a morte, a esperança vencerá o desespero, e a eternidade em Cristo nos aguarda.

O mundo moderno, sem Deus, oferece outra explicação. Muitos existencialistas seculares acreditam que tudo — inclusive a vida, o sofrimento e a morte — é sem sentido e, portanto, absurdo. Mas como cristãos, não podemos seguir por esse beco sem saída. Jesus mesmo afirmou que o sofrimento pode ser para “a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dele.” João 11:4 (NAA), e também “para que se manifestem nele as obras de Deus.” João 9:3 (NAA).

Isso mostra que, embora o sofrimento não fizesse parte do plano original da criação, Deus pode transformá-lo em instrumento de revelação. Ele manifesta a Sua glória por meio da dor, como fez de maneira incomparável na cruz de Cristo. O que para o mundo é apenas absurdo, para nós é oportunidade de ver a mão soberana de Deus escrevendo uma história de redenção.

O sofrimento é consequência do pecado, mas em Cristo ele se transforma em palco da glória de Deus. O que o mundo chama de absurdo, Deus usa para revelar esperança, vitória e vida eterna.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

01/set/25


 

O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA

“Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14:6 (NAA)

Certa vez, Jesus estava reunido com os discípulos e lhes falou sobre a Sua ida ao Pai. A notícia encheu seus corações de angústia, mas Jesus os consolou com palavras cheias de esperança: “Não fiquem aflitos... vou preparar um lugar para vocês. E, quando eu for e preparar esse lugar, voltarei e os receberei para mim mesmo, para que onde eu estiver vocês estejam também.”  João 14:1-3 (NAA).

Que promessa maravilhosa! Naquele momento, Ele não apenas confortava os discípulos, mas também revelava uma verdade que vai além desta vida. Mostrava o caminho que Ele mesmo percorreria, afirmava ser a própria verdade e garantia que a vida eterna já estava à disposição deles.

Não sabemos se os dois discípulos que voltavam para Emaús estavam presentes quando Jesus disse essas palavras. A narrativa não nos informa. Mas, se estavam, é certo que não compreenderam o que ouviram, pois saíram de Jerusalém cabisbaixos, carregando a dor da incredulidade. Acreditavam numa mentira: que o Mestre estava morto e que toda a esperança havia terminado.

Com o coração abatido, entraram num caminho de retorno. Com a esperança perdida, passaram a acreditar em uma mentira. Com a alma arrasada, guardavam apenas a lembrança de que o Mestre fora pregado no madeiro até a morte. O Caminho, a Verdade e a Vida, para eles, haviam sido substituídos por mentira, morte e por uma vereda de volta à mesmice.

Eles não conseguiam perceber que o Senhor estava vivo, caminhando ao lado deles. O Caminho, a Verdade e a Vida estava bem ali, mas a pouca fé cegou seus olhos para a maior de todas as verdades: Cristo havia ressuscitado.

Esse episódio, narrado em Lucas 24:13-35, é um retrato de muitos de nós. Quantas vezes caminhamos com Jesus ao nosso lado, mas não O reconhecemos? Quantas vezes carregamos o peso de perdas, dúvidas e decepções, acreditando que o Mestre não está mais presente? Os discípulos estavam com a própria Verdade andando junto deles, mas não conseguiam percebê-la.

Jesus havia dito claramente: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6). E, mesmo assim, aqueles homens caminhavam tristes, porque olhavam para os fatos com os olhos da carne e não da fé. Eles viam o túmulo, mas não viam a ressurreição. Viam a morte, mas não percebiam a vida.

Isso acontece também nos dias de hoje. Muitas pessoas acreditam em mentiras que roubam a esperança. Uns acreditam que a vida perdeu o sentido, outros pensam que seus pecados são grandes demais para serem perdoados, outros ainda acham que o sofrimento será eterno. Mas a verdade é outra: Jesus está vivo, caminha conosco e é a resposta para tudo o que precisamos. Ele é o caminho para não nos perdermos, a verdade que nos liberta das ilusões e a vida que vence até a morte.

Os discípulos de Emaús carregavam nos ombros o peso da morte e diziam: “Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de redimir a Israel.” (Lc 24:21). Percebam amados: todos os verbos estavam no passado — esperávamos, fosse, havia. Eles haviam enterrado a esperança junto com o corpo do Mestre. Mas a verdadeira esperança não pode ficar presa ao passado, porque ela se ancora na promessa de Deus e se projeta para o futuro. Nossa esperança está viva em Cristo, o Ressuscitado, que é eterno.

Quantos hoje vivem de esperanças quebradas, de promessas humanas que nunca se cumpriram, de sonhos que morreram ou de dons usados na carne e esquecidos no passado, entregues apenas para alimentar o ego? Quando olhamos apenas para as circunstâncias, acreditamos que tudo chegou ao fim. Mas, ao abrirmos os olhos da fé, reconhecemos que Jesus está vivo — e, nEle, nada se perde.

Enquanto caminhavam, aquele “viajante” começou a falar com eles. E não falava qualquer coisa. Falava somente a verdade. A Bíblia diz que Ele lhes explicou, em todas as Escrituras, o que a respeito dEle estava escrito (Lc 24:27). O coração deles começou a arder. Era a Palavra da verdade penetrando em meio à mentira da dor e do desânimo. Assim também acontece conosco. Quando nos expomos à Palavra de Deus, ela acende esperança em nós.

Finalmente, quando estavam à mesa e Jesus partiu o pão, os olhos deles se abriram, e O reconheceram (Lc 24:31). Foi nesse momento que a vida venceu a morte dentro deles. Já não havia mais lugar para tristeza, porque a presença do Ressuscitado havia sido revelada.

Hoje também é assim. Quantas vezes carregamos sobre nós a sombra da morte, mas basta um toque da presença de Cristo para que a vida se revele! Quantas vezes caminhamos sem direção, mas basta abrir os olhos para enxergar que o Caminho está ao nosso lado! Quantas vezes acreditamos em mentiras — “não tem mais jeito”, “não há perdão”, “é o fim” — quando a Verdade está bem diante de nós, dizendo: Não se turbe o coração de vocês; creiam em Deus, creiam também em mim.”  João 14:1(NAA):

A verdadeira fé não se apoia em circunstâncias, mas na presença viva de Jesus, que não promete ausência de dores, mas garante estar conosco em cada passo. Como os discípulos de Emaús, muitas vezes pensamos que Ele não está ao nosso lado diante das crises e lutas da vida, porém é na Palavra e no partir do pão que nossos olhos se abrem e descobrimos que nunca estivemos sozinhos. Essa é a Sua promessa: “E eis que estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos.”  Mateus 28:20 (NAA).

Não se deixe enganar pelas mentiras do mundo ou pelas circunstâncias: Cristo ressuscitou! Ele é o Caminho que nos leva ao Pai, a Verdade que liberta da confusão e a Vida que enche nosso coração de esperança. Nele encontramos segurança, libertação e a transformação que nos conduz da morte para a eternidade.

“Então, os dois contaram o que lhes acontecera no caminho e como fora por eles reconhecido no partir do pão.” Lucas 24:35 (ARA)

A Verdade: “Então, os dois contaram o que lhes acontecera…” — eles testemunharam a realidade do Cristo ressuscitado.

O Caminho: “…no caminho…” — simboliza a jornada da fé, onde Jesus se revela ao andar conosco.

A Vida: “…e como fora por eles reconhecido no partir do pão.” — o gesto da ceia aponta para a vida que Cristo nos dá, o alimento verdadeiro que sustenta a nossa esperança.

Que hoje possamos abrir os olhos da fé, reconhecer a presença do Senhor ao nosso lado e permitir que a alegria dEle renove nossas forças e nos conduza no caminho da verdade e da vida eterna.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

31/ago/25

 

O TEMPO E A ETERNIDADE

“Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.” Salmos 90:12 (NAA)

Quem nunca ouviu alguém dizer: “Tenho tanta coisa para fazer que bem que o dia poderia ter mais quatro horas”? Esse é o desejo de ter tempo acrescentado — mas para nós, simples mortais, isso é impossível. A Bíblia nos mostra com clareza que o tempo está nas mãos de Deus, e que nós, seres humanos, não temos poder de controlá-lo. Entre as medidas que conhecemos na vida — altura, largura e profundidade — o tempo é a que mais nos escapa. Ele avança sem pedir licença e, a cada dia, nos lembra da nossa fragilidade.

Quando o pecado entrou no mundo, passamos a viver aprisionados dentro desse espaço chamado tempo. Antes da queda, Adão e Eva desfrutavam de plena comunhão com Deus no Éden. O ciclo dos dias já existia (Gênesis 1:5,14), mas não havia o limite imposto pela morte. O homem vivia no tempo, mas não estava preso a ele. Com o pecado, tudo mudou. A desobediência trouxe consigo a morte (Romanos 5:12), e foi a morte que transformou o tempo em prisão. Desde então, os dias passaram a ter limite, e a vida, um fim. Não podemos voltar ao passado para corrigi-lo, nem avançar ao futuro para contemplá-lo; estamos restritos ao presente, e essa limitação nos lembra constantemente de nossa dependência de Deus.

Moisés descreveu essa condição de forma clara: “Os dias da nossa vida sobem a setenta anos, ou, em havendo vigor, a oitenta; neles, o melhor é canseira e enfado, porque tudo passa rapidamente, e nós voamos.” Salmos 90:10 (NAA).
A morte, que não fazia parte do plano original de Deus, passou a marcar a existência humana. No Éden, o Senhor havia advertido: “No dia em que dela comer, certamente você morrerá.” Gênesis 2:17 (NAA). Paulo confirma: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” Romanos 6:23 (NAA). A morte é o pagamento de uma vida em rebelião contra Deus.

A Bíblia nos mostra três dimensões da morte: a física, que todos enfrentamos (Hebreus 9:27); a espiritual, que separa o homem de Deus desde o Éden (Efésios 2:1); e a eterna, a condenação final da qual Cristo nos livra (Apocalipse 20:14-15). Em todas as suas formas, a morte é consequência do pecado. Mas a boa notícia é que, em Cristo, recebemos a dádiva da vida eterna. Ele disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.” João 11:25(NAA). Em Cristo, o tempo deixa de ser prisão e se torna preparação para a eternidade.

Vivemos em um tempo linear — passado, presente e futuro — marcados pelo relógio, pelo calendário e pelo envelhecimento do corpo. Como disse Tiago: “Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa.” Tiago 4:14 (NAA).
Esse é o tempo humano: limitado, breve e passageiro. Mas Deus não está sujeito a ele. Para nós, um ano pode ser longo; para Ele, “um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia.” 2 Pedro 3:8 (NAA). Deus vê toda a história de uma só vez — passado, presente e futuro estão diante dEle como um quadro completo.

E a Escritura registra que o Senhor, soberano sobre o tempo, pode intervir nele quando quiser. Em Josué 10:12-13, o sol parou até que Israel vencesse a batalha. Em 2 Reis 20:9-11, o relógio de Acaz retrocedeu dez graus como sinal a Ezequias. Esses milagres mostram que o tempo não nos pertence, mas está inteiramente nas mãos do Criador.

Não se trata de dois tempos diferentes, mas de duas perspectivas: o nosso tempo, limitado pela finitude, e a eternidade de Deus, onde Ele governa todas as coisas. Nós contamos os dias, mas é o Senhor quem os administra de acordo com Seu propósito perfeito. Salomão declarou: “Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu.” Eclesiastes 3:1 (NAA). E Davi reconheceu: “Em tua mão estão os meus dias.” Salmos 31:15 (NAA). O tempo é criação de Deus, mas Ele não é limitado por ele: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim.” Apocalipse 22:13 (NAA).

Até a ciência aponta para nossa limitação. A teoria da relatividade mostra que, quanto mais próximo um objeto se move da velocidade da luz, mais o tempo desacelera para ele em relação a quem está parado. Esse fenômeno é chamado de dilatação do tempo. No limite, se algo pudesse atingir a velocidade da luz, o tempo para esse objeto pararia. Para nós, o tempo flui linearmente; mas para Deus, que é eterno, ele é apenas instrumento. A física sugere que o tempo é relativo; a fé nos lembra que o tempo está totalmente nas mãos do Senhor.

O pecado nos aprisionou ao tempo e trouxe a morte. Mas em Cristo, essa prisão é quebrada. Ele é a Luz, e viver com Ele é viver além do tempo, rumo à eternidade, é viver no tempo de Deus. Nele, a contagem dos dias deixa de ser desespero e se torna sabedoria. Como orou Moisés: “Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.” Salmos 90:12 (NAA). O tempo passa, mas em Cristo temos destino certo: a eternidade com Deus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

30/ago/25

 

O CÂNTICO DA TERCEIRA IDADE

“Não me rejeites na minha velhice; quando me faltarem as forças, não me desampares.” Salmo 71:9 (NAA)

O Brasil está envelhecendo rapidamente. Estima-se que, em 2025, haverá mais de 31 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o que corresponde a cerca de 15% a 16% da população. As projeções indicam que, por volta de 2045, esse número pode alcançar 50 a 60 milhões de idosos, quase um terço dos brasileiros.

Esse cenário mostra que nossa sociedade precisará se organizar cada vez mais para atender com dignidade esse grupo em crescimento. Governos e famílias terão de se unir para garantir saúde, assistência e inclusão. Mas, acima de tudo, é preciso lembrar que, mais do que as estruturas humanas, está o cuidado de Deus. E, naturalmente, a igreja não pode ficar de fora desse chamado, sendo instrumento de acolhimento, amor e esperança.

A Bíblia deixa claro que o Senhor se preocupa com o idoso. Um dos textos mais belos sobre isso é o Salmo 71, muitas vezes chamado de “o salmo do idoso” ou “a oração na velhice”. O salmista, já avançado em idade, faz uma oração sincera pedindo a Deus que não o abandone quando suas forças se esgotarem. Ele declara: “Não me rejeites na minha velhice; quando me faltarem as forças, não me desampares.” Sl 71:9 (NAA). Há uma brandura nesse salmo, uma serenidade que nasce de uma vida inteira vivida na dependência do Senhor. Apesar de ser um salmo anônimo, muitos estudiosos acreditam que pode ter sido escrito por Davi, talvez em seus últimos anos de vida, quando enfrentava duras crises, como a rebelião de Absalão, seu próprio filho.

Nesse contexto, percebemos que o salmista não estava cansado de Deus; muito pelo contrário, seu receio era que Deus estivesse cansado dele. É como se ele dissesse: “Senhor, não me abandones agora que estou frágil e tão necessitado de Ti”. Essa é uma oração que ecoa até hoje. A velhice nos rouba a beleza física e nos tira a energia para muitos serviços ativos, mas nunca diminui o amor e o favor de Deus para conosco. As marcas do tempo podem afetar o corpo, mas não apagam a graça do Senhor, que renova a alma e mantém viva a esperança.

Quem já não viu um idoso debilitado no físico, mas cheio de vida espiritual, irradiando fé e transmitindo sabedoria aos mais jovens? É isso que o salmista pede: que mesmo em sua fragilidade, Deus o sustente para que ele possa continuar deixando testemunho às próximas gerações. Ele ora: “Agora, na velhice e de cabelos brancos, não me desampares, ó Deus, até que eu tenha anunciado a força do teu braço à presente geração, o teu poder a todos os que hão de vir.”  Sl 71:18 (NAA). Aqui está a essência da fé madura: não apenas querer ser cuidado, mas continuar sendo útil, servindo como exemplo vivo da fidelidade de Deus.

É comovente pensar na imagem dos cabelos embranquecidos que o tempo pinta como se fossem “as neves de muitos invernos”. Cada fio branco é memória de lutas, lágrimas e vitórias. E embora as doenças se multipliquem e as limitações se tornem maiores, existe também a certeza de que, no mundo da graça, Deus amplia seus privilégios para compensar a perda da força natural. A velhice se torna, assim, não apenas tempo de limitações, mas também de um relacionamento mais íntimo com o Senhor, de uma confiança mais profunda e de uma esperança ainda mais viva.

Infelizmente, em nossa realidade vemos muitos idosos sendo abandonados, esquecidos em asilos ou isolados por suas famílias. Isso é doloroso. Mas diante desse abandono humano, permanece a verdade imutável da Palavra: Ainda na sua velhice darão frutos, serão cheios de seiva e de verdor.” Sl 92:14 (NAA). O Senhor jamais abandona aqueles que nele confiam. Mesmo quando a sociedade falha, Deus não falha. Mesmo quando a família se afasta, o Pai Celestial permanece ao lado dos seus filhos.

Nos dias de hoje, em que o número de idosos cresce rapidamente, é importante que cada um de nós reflita sobre nossa responsabilidade diante desse grupo. Não apenas como sociedade ou governo, mas como igreja e como cristãos. Precisamos valorizar os mais velhos, ouvir suas histórias, aprender com sua experiência e honrar sua caminhada. Muitos deles são como colunas invisíveis que sustentam famílias inteiras em oração. Se a cultura atual valoriza apenas a juventude, a força e a beleza exterior, a Palavra de Deus nos ensina a valorizar a fé madura, a sabedoria acumulada e o testemunho perseverante dos idosos.

Me alegro pela iniciativa da minha igreja em formar uma classe voltada para a terceira idade, onde irmãos e irmãs são acompanhados de perto e recebem ensino adaptado à sua realidade e capacidade de compreensão. Também me alegro pelo empenho dos jovens, que visitam os idosos e procuram suprir suas necessidades com carinho e dedicação.

Isso é integrar o idoso à vida diária da igreja, mostrando que cada geração tem seu valor diante de Deus. Assim como o salmista do Salmo 71, cada idoso pode orar: “Senhor, não me abandones agora”. E a resposta do Senhor é sempre fiel: “E até a vossa velhice eu serei o mesmo, e ainda até as cãs eu vos carregarei; já o tenho feito, levar-vos-ei, pois eu vos carregarei e vos salvarei.”  Is 46:4 (NAA). Essa promessa garante segurança e paz a todo aquele que envelhece em Cristo.

A velhice pode enfraquecer o corpo, mas nunca diminui o amor e o cuidado de Deus; pelo contrário, é o tempo em que sua fidelidade se mostra ainda mais visível, sustentando-nos para que sejamos testemunhas vivas às gerações que vêm depois de nós.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

29/ago/25

 

VER AS PESSOAS COM OS OLHOS DE JESUS

“O homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração.” 1 Samuel 16:7 (NAA)

Juízo de valor é um tema intrigante. Desde cedo aprendemos a observar e emitir opiniões sobre os outros, muitas vezes sem perceber. Julgar alguém pelo modo como se veste, pelo jeito de falar ou pelo comportamento é algo natural da nossa condição humana. Criamos padrões baseados em nossas próprias referências e, a partir deles, medimos os outros, quase sempre de forma injusta.

O teólogo Anthony Hoekema relata a experiência de um jovem negro norte-americano que, cansado de se sentir inferior e rejeitado, pendurou em seu quarto uma faixa com os dizeres: Eu sou eu e sou bom, porque Deus não produz lixo.” Essa frase, simples e direta, traduz uma grande verdade bíblica: cada ser humano tem valor porque foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:27). Em Cristo descobrimos que não somos fruto do acaso nem resultado de um erro, mas feitura do Senhor, preparados para uma vida de propósito (Efésios 2:10). Essa consciência nos ajuda a olhar para nós mesmos e para os outros com os olhos da graça, reconhecendo a dignidade que Deus concedeu a cada pessoa.

O problema é que muitas vezes nossos julgamentos são superficiais. Enxergamos apenas a aparência e não percebemos a história, as dores e as lutas que cada pessoa carrega dentro de si. Enquanto nos apressamos em formar opiniões rápidas, Deus vê o que está oculto: as intenções, os sentimentos e a verdade do interior.

Além disso, nossos juízos quase sempre são influenciados por preconceitos, pela cultura ou por experiências pessoais. Isso pode gerar injustiça, afastamentos desnecessários e até o pecado da arrogância. Jesus nos advertiu claramente sobre isso quando disse: “Não julguem, para que vocês não sejam julgados.”  Mateus 7:1 (NAA) Ele não nos chama à indiferença, mas à humildade de reconhecer que só Deus é justo para julgar plenamente.

Refletir sobre esse tema nos leva a exercitar a empatia. Em vez de sermos rápidos em criticar, somos convidados a ouvir mais, compreender mais e amar mais. Se lembrarmos quantas vezes Deus nos olhou com misericórdia mesmo quando falhamos, aprenderemos a tratar os outros com a mesma graça.

Ao observarmos a vida de Jesus nos Evangelhos, vemos que Ele nunca tratou as pessoas com desprezo ou animosidade. Pelo contrário, Ele se aproximava delas, acolhia, ensinava e amava. Sua firmeza não era contra as pessoas em si, mas contra a hipocrisia e a injustiça dos líderes religiosos (Mateus 23:27-28). Ele acolheu crianças quando os discípulos tentaram afastá-las (Marcos 10:14), tratou com dignidade a mulher samaritana (João 4:9-10), tocou em leprosos rejeitados (Mateus 8:3), perdoou os que o crucificavam (Lucas 23:34) e permitiu que uma mulher pecadora o ungisse e beijasse seus pés. Honrou aqueles que o mundo desonrava, foi cortês com as mulheres em público, fez amizade com os rejeitados, falou palavras de esperança a samaritanos e gentios, ministrou aos pobres e caminhou entre os esquecidos da sociedade. Em tudo, despertava esperança, reconciliação e o desejo de transformação e vida nova.

Em todo o seu ministério, vemos um respeito compassivo, sem barreiras de preconceito ou desprezo. Esse é o exemplo que o nosso Mestre nos deixou. Se Ele, que é o Senhor, tratou cada pessoa com dignidade, como poderíamos agir de forma diferente? O cristão é chamado a reproduzir esse olhar de graça, sem se deixar dominar por juízos superficiais.

Na vida prática, isso significa dar espaço para ouvir quem pensa diferente, respeitar quem vem de outra cultura, tratar com bondade quem carrega marcas que não conhecemos. Significa lembrar, em cada situação, que diante de nós não está “um rótulo”, mas alguém criado por Deus e amado por Ele.

O jovem que pendurou a frase em seu quarto entendeu uma verdade fundamental: ele não era lixo, mas criação preciosa do Senhor. Esse é o lembrete que também precisamos carregar em nossos corações e transmitir aos outros.

Quem aprende a ver as pessoas com os olhos de Jesus descobre que ninguém é descartável, porque todo ser humano carrega em si a marca da dignidade dada por Deus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

28/ago/25

 

A FORMOSURA DE MOISÉS

“Naquele tempo nasceu Moisés, que era formoso aos olhos de Deus. Ele foi criado três meses na casa de seu pai.” Atos 7:20 (NAA)

Você já se olhou no espelho e se perguntou: Será que eu sou bonito?” Essa pergunta parece simples, mas mexe com todos nós em algum momento da vida. A psicologia ensina que é importante desenvolver uma autoimagem positiva. Isso não significa se achar perfeito ou melhor do que os outros, mas aprender a reconhecer o próprio valor sem cair na armadilha das comparações destrutivas. Quem vive acreditando que não tem valor algum acaba sofrendo mais com insegurança, ansiedade e até depressão.

Por isso, terapeutas incentivam a cultivar uma visão saudável de si mesmo, lembrando que os padrões de beleza são relativos. Eles mudam com o tempo e de cultura para cultura. O que é considerado belo hoje pode não ter sido no passado, e talvez não seja amanhã. Assim, o mais importante não é o que o mundo pensa sobre a nossa aparência, mas como nos vemos e, sobretudo, como Deus nos vê.

A diferença entre autoestima e vaidade é muito clara. Autoestima saudável é quando a pessoa se cuida, se respeita e reconhece sua dignidade. Já a vaidade exagerada acontece quando alguém coloca sua identidade apenas na aparência e busca o tempo todo a aprovação dos outros.

A Bíblia também fala desse equilíbrio: Paulo lembra que o corpo é templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19), ou seja, devemos cuidar dele com responsabilidade. Mas Pedro adverte que a verdadeira beleza não está nos enfeites exteriores, e sim “no ser interior, do coração, no espírito amável e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus.” 1 Pedro 3:3-4 (NAA)

Trago esse assunto porque a Bíblia nos apresenta dois olhares sobre a beleza de Moisés. Em Êxodo 2:2, lemos: “A mulher concebeu e deu à luz um filho; vendo que era formoso, escondeu-o por três meses.” Aqui, Joquebede, sua mãe, percebeu a formosura de seu bebê e teve coragem de escondê-lo do decreto de morte de Faraó. Já em Atos 7:20, Estêvão declara: “Naquele tempo nasceu Moisés, que era formoso aos olhos de Deus.” Perceba a diferença: um olhar humano e outro divino.

Que mãe não acha o filho bonito? Aos olhos de sua mãe, Moisés era um menino gracioso, saudável, cheio de vida. Essa percepção deu a ela coragem para lutar por sua sobrevivência. Mas, aos olhos de Deus, Moisés era formoso por uma razão ainda mais profunda: havia sobre ele um chamado eterno. Sua beleza não estava apenas na aparência, mas no propósito divino que carregava — seria o libertador de Israel, o instrumento através do qual o Senhor realizaria sinais e maravilhas.  

Essa distinção é poderosa para nós. A formosura humana é passageira, limitada à aparência e sujeita ao tempo. Quantas pessoas hoje se preocupam apenas com a estética? A sociedade valoriza o que impressiona aos olhos, mas a Bíblia nos lembra: “O homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração.” 1 Samuel 16:7 (NAA) A beleza que permanece não é a do rosto ou do corpo, mas a de um caráter moldado por Deus.

Moisés nos mostra que a verdadeira formosura é estar nos planos de Deus. Aos olhos humanos, ele era apenas um bebê bonito. Aos olhos de Deus, ele era alguém separado para mudar a história. O mesmo acontece conosco e com nossos filhos. Podemos vê-los bonitos, inteligentes, talentosos — mas o mais importante é que sejam formosos aos olhos do Senhor, crescendo debaixo da vontade d’Ele e preparados para cumprir sua missão.

Nos dias de hoje, essa lição continua muito atual. Muitos pais se preocupam em oferecer aos filhos roupas da moda, boa educação e oportunidades de carreira — e tudo isso tem o seu valor. Mas, acima de tudo, é necessário plantar neles os valores espirituais que permanecem. Joquebede não teve muito tempo com Moisés, mas o pouco que ensinou ficou gravado em seu coração e fez toda a diferença quando ele se tornou adulto (Hebreus 11:24-25). Ela não desejava que seu filho fosse moldado pela cultura do Egito, mas trabalhou para que sua mente fosse conformada aos valores eternos.

Da mesma forma, cada um de nós precisa cultivar em si e em seus filhos uma beleza que vai além do espelho. Não é errado cuidar do corpo, da aparência e da saúde, mas se não cuidarmos do coração e não vivermos em obediência ao Senhor, toda beleza externa perde o valor. Como disse Pedro, o que realmente importa é o “espírito amável e tranquilo, de grande valor diante de Deus.” 1 Pedro 3:4 (NAA)

É por isso que a Palavra nos adverte: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12:2 (NAA) A verdadeira beleza não está em seguir padrões impostos pela sociedade, mas em refletir a vontade do Senhor na vida diária.

A beleza física passa, mas a beleza do caráter moldado por Deus permanece para sempre. Quando aprendemos isso, conseguimos viver com dignidade e propósito, sem sermos prisioneiros da opinião dos outros. O segredo da verdadeira formosura é estar dentro da vontade de Deus, refletindo Sua graça e Seu propósito em nossa vida.

Aos olhos dos homens, a beleza pode impressionar; aos olhos de Deus, a beleza é propósito. O que torna alguém verdadeiramente formoso não é a aparência, mas o coração rendido ao Senhor e a vida alinhada com Sua vontade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

27/ago/25

 

O VERDADEIRO VALOR DA VIDA

“Vocês sabem que não foi mediante coisas perecíveis, como prata ou ouro, que vocês foram resgatados da vida inútil que seus pais lhes legaram, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem defeito e sem mácula.” 1 Pedro 1:18-19 (NAA)

Costumamos afirmar que a vida não tem preço. Essa frase aparece em campanhas, discursos e até em conversas simples do dia a dia. Mas e se eu lhe dissesse que, para Deus, a vida tem um preço? E não qualquer preço: um valor imensurável, pago de forma única e definitiva. A Bíblia mostra que o valor da sua vida e da minha não é medido pelo que possuímos ou conquistamos, mas pelo que representamos para Deus. E esse valor é tão grande que custou o sangue precioso de Jesus Cristo.

À primeira vista, pode parecer contraditório falar em valorizar a nós mesmos quando Jesus disse: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”  Marcos 8:34 (NAA). Como conciliar o ensino de que temos valor com o chamado para negar a nós mesmos? Esse aparente paradoxo se resolve quando entendemos o que a Bíblia diz sobre quem realmente somos.

Nossa identidade é composta de duas realidades. De um lado, fomos criados à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:27). De outro, fomos afetados pela queda, que distorceu essa imagem e nos tornou incapazes de refletir plenamente a glória do Criador. Em nós convivem a beleza da criação e as marcas do pecado.

Por isso, o ego que precisamos negar, rejeitar e crucificar é aquele marcado pela queda: o orgulho, a vaidade, o egoísmo, a vontade de viver longe de Deus. Esse é o “eu” que precisa ser colocado na cruz todos os dias. Mas o ego que devemos afirmar e valorizar é aquele que foi criado por Deus, a identidade moldada à sua imagem, que encontra plenitude quando é conformada a Cristo. Negar a si mesmo, portanto, não é anular-se, mas entregar-se para que a vida de Deus seja revelada em nós.

Nossa humanidade traz muitos aspectos que fazem parte do projeto original de Deus e não devem ser desprezados: a vida em família, a capacidade de apreciar a beleza, a criatividade artística, a responsabilidade de cuidar da criação, a fome de amor e o desejo de viver em comunidade. Tudo isso foi afetado pelo pecado, mas em Cristo pode ser restaurado. Por isso, ao pensar no nosso valor, não devemos nos ver apenas como criaturas caídas, mas como seres criados, caídos e redimidos pelo sangue do Cordeiro.

Na prática, isso nos ajuda a lidar com as pressões do mundo. A sociedade insiste em medir o valor das pessoas pelo status, pelos bens ou pela aparência, e descarta quem não se encaixa nesses padrões. Ao mesmo tempo, muitos cristãos vivem culpados, achando que negar a si mesmos significa anular seus talentos ou sua dignidade. Mas nenhuma dessas visões é bíblica. O evangelho nos mostra que temos valor porque fomos comprados por alto preço e que, por isso, já não vivemos para nós mesmos, mas para aquele que morreu e ressuscitou por nós (2 Coríntios 5:15).

Um exemplo pode ilustrar. Pense em uma joia de família herdada. Ela tem valor pelo material de que é feita, mas pode estar suja, desgastada e marcada pelo tempo. Ainda assim, continua sendo preciosa. Basta o trabalho de um ourives para restaurar seu brilho. Assim somos nós: criados com valor, mas marcados pelo pecado. E Cristo é o Redentor que nos purifica e nos devolve a dignidade de filhos de Deus.

Outro exemplo prático é a vida em comunidade. No lar, na igreja, na escola ou no trabalho, enfrentamos a tensão entre o egoísmo e a doação. Negar a si mesmo não é anular sua identidade, mas permitir que Cristo seja o centro, usando nossos dons, criatividade e capacidade de amar para servir. Isso é valorizar quem somos em Cristo sem idolatrar o “eu” corrompido.

O valor da vida não se mede por diplomas, contas bancárias ou curtidas em redes sociais. Ele é definido pelo preço pago: o sangue de Jesus. Essa verdade nos dá segurança em meio às crises de identidade e esperança em meio às lutas. Quando Jesus nos chama a negar a nós mesmos, Ele não nos convida ao desprezo, mas à entrega, onde descobrimos o verdadeiro valor que temos aos olhos de Deus.

A cruz é a medida que o próprio Deus nos deu do valor do nosso ser, pois nela Cristo demonstrou o seu amor morrendo por nós. Diante dela, contemplamos ao mesmo tempo o nosso valor e a nossa indignidade: de um lado, a grandeza do amor e do sacrifício do Salvador; de outro, a gravidade do nosso pecado que o levou à morte.

O valor da vida é infinito porque custou o sangue de Cristo; e negar a si mesmo não é perder valor, mas encontrar a verdadeira identidade naquele que nos criou, nos redimiu e nos amou até o fim.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

26/ago/25

 

O CAMINHO DA VERDADEIRA GRANDEZA

“Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” Marcos 10:45 (NAA)

O versículo 35 de Marcos 10 faz uma introdução quase chocante, enquanto o verso 45 encerra a cena revelando o absurdo do pedido dos filhos de Zebedeu. O contraste é tão grande que parece colocar dois mundos em choque: de um lado, Tiago e João, e do outro, o próprio Filho do Homem – Jesus. É como se falassem línguas diferentes, respirassem espíritos diferentes e buscassem ambições opostas.

Enquanto Tiago e João sonhavam com tronos de poder e glória, Jesus tinha plena consciência de que em breve seria erguido em um madeiro, em fraqueza e vergonha. O pedido dos irmãos soa paradoxal, inconveniente e totalmente fora de lugar. Na mente deles talvez estivesse o quadro de uma corrida insana pelos lugares mais honrosos do céu, a ponto de acharem válido fazer uma “reserva antecipada”. No fundo, o pedido não passava de um reflexo brilhante da vaidade humana.

E como essa realidade continua atual! O mundo, e até mesmo muitas igrejas, ainda estão cheios de “Tiagos e Joões” em busca de posição. Pessoas sedentas por honra, poder e prestígio, que medem a vida pelo acúmulo de conquistas e vivem sonhando com sucesso. Ambicionam de forma desmedida o reconhecimento para si mesmas, esquecendo-se de que o verdadeiro caminho é o do serviço humilde — o mesmo caminho que Jesus trilhou.

Infelizmente, ainda persiste em muitos uma mentalidade que é incompatível com o caminho da cruz. O evangelho que Jesus nos apresenta não é sobre se exaltar, mas sobre se humilhar. Ele mesmo renunciou a tudo, abriu mão da sua glória e se fez servo. Agora, chama-nos para segui-lo — não em busca de grandes coisas para nós, mas para colocar o Reino de Deus e a sua justiça em primeiro lugar.

Tiago e João desejavam tanto o poder quanto a honra. Não lhes bastava estar ao lado de Jesus; não aceitavam assentar-se em almofadas no chão ou em cadeiras comuns nas últimas fileiras, pois sonhavam com tronos ao lado do Mestre. A Bíblia mostra que eles vinham de uma família relativamente abastada, já que seu pai, Zebedeu, possuía empregados em seu negócio de pesca no lago da Galileia (Marcos 1:20). É provável que tenham crescido acostumados ao conforto e à presença de servos. Talvez estivessem dispostos a abrir mão de alguns privilégios terrenos por um tempo, mas, no íntimo, esperavam ser recompensados com privilégios ainda maiores na eternidade.

O mundo ama o poder — e, infelizmente, muitos dentro das igrejas também. É o poder que exalta, que coloca alguém em posição intocável, que oprime os que estão abaixo e que se impõe com autoritarismo. Esse poder humano é buscado em todas as áreas da sociedade: na política, nos negócios, nas redes sociais, nas lideranças eclesiásticas e até nos púlpitos. Muitos confundem esse poder com autoridade espiritual, quando, na verdade, estão apenas reproduzindo a lógica do mundo.

Mas Jesus foi categórico: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.”  Marcos 10:45(NAA). Isso é profundo demais. Em Daniel 7:13-14, o Filho do Homem recebe poder, glória e reino para que todas as nações o sirvam. E, ainda assim, Jesus toma esse título para si e redefine o papel: Ele veio para servir. Ele sabia que a entrada em sua glória passava necessariamente pela via do sofrimento. Ele une em si duas realidades: o Jesus glorioso e o Servo sofredor. Exaltação só vem pela cruz.

É por isso que Jesus disse aos discípulos: Mas entre vocês não será assim.” Marcos 10:43 (NAA). A igreja não pode se estruturar segundo a lógica do mundo. O modelo de liderança ensinado por Cristo é totalmente diferente: uma liderança que serve, que edifica, que ama; uma autoridade que não se impõe pela força, mas que se expressa em humildade — sempre fundamentada na Palavra.

Liderança e senhorio são conceitos distintos. Jesus nos deixou o exemplo de uma liderança autenticamente cristã. Não a veste púrpura de um imperador, mas o avental gasto de um escravo. Não um trono de marfim cravejado de pedras preciosas, mas uma bacia com água para lavar os pés dos discípulos. Esse é o modelo do Reino: grandeza no serviço, glória na humildade e poder no amor que se doa.

Nos dias de hoje, quando tudo parece girar em torno de prestígio, influência e visibilidade, o chamado de Jesus soa quase revolucionário. Muitos medem sua importância pelo número de seguidores, pelos cargos que ocupam na igreja ou pela quantidade de aplausos que recebem. Mas, no Reino de Deus, o verdadeiro líder não é aquele que se coloca acima dos outros, decidindo de forma autoritária e opressiva, e sim aquele que se coloca humildemente a serviço deles.

Esse é o convite de Jesus: trocar a busca insaciável por poder pela alegria de servir; abrir mão da vaidade que consome para abraçar a humildade que edifica; deixar de medir a vida pelo sucesso humano e começar a vivê-la pelo padrão da cruz.

Afinal, a verdadeira grandeza não está em conquistar tronos, mas em carregar a cruz; não em ser servido, mas em servir; não em buscar glória para si, mas em seguir os passos do Mestre que se fez servo.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

25/ago/25

 

LIBERDADE RELIGIOSA: UMA ESCOLHA DIANTE DE DEUS

“Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente.” Romanos 14:5 (NAA)

Nesta semana, vimos na imprensa o caso de alunos de uma universidade no sul do país que foram impedidos de realizar um culto no campus. Esse episódio é apenas um exemplo de como o debate sobre a liberdade religiosa ainda está presente em nossa sociedade.

Nos últimos tempos, esse debate tem se intensificado, especialmente por causa do estado laico em que vivemos no Brasil. Muitos, porém, interpretam esse conceito de maneira equivocada. Alguns pensam que estado laico significa ausência de fé; outros acreditam que o governo deve controlar ou limitar as expressões religiosas, chegando a supor que não se pode anunciar o evangelho em um ambiente de trabalho ou em uma universidade.

Mas a verdade é justamente o contrário: a laicidade existe para garantir que cada cidadão tenha o direito de escolher em que crer — ou mesmo de não crer — sem sofrer qualquer tipo de coerção externa. Esse princípio está em plena harmonia com a Bíblia, que sempre defendeu a liberdade de consciência como parte da dignidade que Deus concedeu ao ser humano.

A Palavra de Deus ensina que a fé deve ser fruto de uma decisão pessoal, e não de imposição. Ao declarar que cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente, ou ainda, que cada um tenha a sua própria opinião bem definida em sua mente, (Romanos 14:5) Paulo deixa claro que ninguém pode ser forçado a adotar práticas ou crenças que contrariem sua consciência. A verdadeira fé nasce de um coração livre, que responde ao chamado de Deus com amor e entrega. Sempre que a religião se transforma em pressão ou obrigação, ela perde sua essência e se reduz a um ritual vazio, sem vida nem significado diante do Senhor. É por isso que a Palavra declara: “... Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito...”  Zacarias 4:6 (NAA)

Ao mesmo tempo, o cristão é chamado a respeitar as autoridades civis e as leis estabelecidas. Paulo escreveu: “Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus.” Romanos 13:1-2 (NAA). Esse princípio mostra que a obediência civil é parte da vida cristã e que a ordem social deve ser preservada.

No entanto, esse respeito não é absoluto. Quando as ordens humanas se chocam com a fidelidade a Deus, a Bíblia nos ensina a escolher pelo Senhor. Os apóstolos foram claros: Antes, é preciso obedecer a Deus do que aos homens.” Atos 5:29 (NAA). Foi essa mesma postura que Daniel e seus amigos assumiram na Babilônia. Eles respeitavam o rei Nabucodonosor, mas se recusaram a adorar a estátua imposta pelo decreto real, preferindo enfrentar a fornalha ardente a negar sua fé (Daniel 3:16-18). Daniel, da mesma forma, continuou orando a Deus mesmo quando a lei do império proibia, sendo lançado na cova dos leões por sua fidelidade (Daniel 6:10). Esses exemplos nos lembram que o Estado tem poder legítimo, mas nunca soberano sobre a consciência religiosa. A última palavra sempre pertence a Deus.

Desde os primeiros dias, os cristãos exerceram sua fé reunindo-se livremente para adorar e ensinar (Atos 2:46-47). O próprio Jesus confirmou esse direito ao ordenar: Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações...” Mateus 28:19 (NAA) O direito de culto e de proclamação da fé não é apenas uma questão social, mas um mandamento divino. Mesmo com perseguições ao longo da história, homens e mulheres de fé nunca abriram mão desse direito. No Brasil, ainda desfrutamos dessa liberdade, mas basta olhar para países onde igrejas são proibidas ou crentes são presos para entendermos a preciosidade dessa dádiva.

Outro princípio fundamental da fé cristã é a igualdade. Paulo escreveu: “Nisto não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos.” Colossenses 3:11 (NAA). O Evangelho derruba barreiras culturais, sociais e étnicas, colocando todos no mesmo nível diante de Deus. Essa verdade combate toda forma de discriminação, inclusive a religiosa. Infelizmente, ainda vemos igrejas que desrespeitam outras denominações e preferem erguer muros de hostilidade em vez de construir pontes de diálogo. Isso não é bíblico. O chamado de Cristo é viver em amor, sem abrir mão da verdade, mas sempre com respeito às diferenças.

A liberdade religiosa também inclui o direito de não ser coagido. A fé não pode ser imposta. Jesus sempre convidava, mas nunca obrigava. Ele disse: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” Marcos 8:34 (NAA). O detalhe das Suas palavras — se alguém quiser — mostra que o discipulado é uma escolha livre e consciente. Nos dias de hoje, isso é um lembrete importante. Ninguém deve ser forçado a participar de cultos, a seguir tradições religiosas ou a adotar um discurso apenas para agradar a outros. A fé que agrada a Deus é aquela que nasce da convicção pessoal, nasce no coração.

Esse tema é extremamente atual. Basta observar as discussões sobre ensino religioso nas escolas, a relação entre fé e política, o diálogo entre ciência e fé ou ainda os debates sobre símbolos religiosos em espaços públicos. De um lado, há quem queira silenciar toda e qualquer manifestação cristã, como se a fé fosse restrita apenas ao âmbito privado. De outro, há quem tente impor sua crença como regra para todos, esquecendo que cada pessoa é responsável diante de Deus por suas próprias escolhas. O caminho seguro está no ensino bíblico: liberdade de consciência, respeito ao próximo e fidelidade inegociável ao Senhor.

A liberdade religiosa é um presente que precisa ser preservado. Ela nos dá a chance de viver e anunciar o Evangelho com alegria, sem medo, mas também nos chama à responsabilidade de respeitar quem pensa diferente. Como cristãos, somos chamados a proclamar a verdade em amor, a não abrir mão da obediência a Deus e a defender a dignidade de toda pessoa, pois todos foram criados à imagem e semelhança do Senhor.

A verdadeira fé não nasce da imposição, mas da liberdade; não floresce no medo, mas no amor; e não se curva diante da coerção, mas diante de Deus, que é Senhor da consciência e Rei da eternidade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

24/ago/25

 

A COVA VAZIA MUDOU TUDO

“Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos.” Salmo 40:2 (ARA)

A vida é marcada por momentos em que nos sentimos dentro de uma cova. São situações de desespero, de injustiça, de pecado ou até de perseguição. A Bíblia nos mostra que muitos servos de Deus passaram por experiências semelhantes, e cada uma delas carrega lições profundas para nós.

Lembremos primeiro da cova em que José foi lançado por seus irmãos (Gênesis 37:23-24). Movidos pela inveja, alguns queriam matá-lo. No entanto, um deles interveio e o jogaram em uma cisterna vazia. Foi duro, foi cruel, mas, paradoxalmente, aquele ato foi também um livramento de morte. Deus já estava conduzindo a história. Quantas vezes também passamos por situações em que somos rejeitados, injustiçados, mas que, na verdade, são parte de um plano maior que não enxergamos no momento. Talvez uma demissão, uma amizade que se rompe, um projeto que não deu certo. Aparentemente é uma cova, mas pode ser o início do cumprimento dos sonhos de Deus.

Depois, temos Daniel, lançado na cova dos leões (Daniel 6:16-17). Ele não caiu ali por causa de inveja de irmãos, mas por um decreto injusto. Sua única “culpa” era ser fiel ao Senhor. Daniel orava três vezes ao dia, como sempre havia feito, e por isso foi condenado. Mas Deus enviou o Seu anjo e fechou a boca dos leões. Esse episódio nos ensina que a fidelidade a Deus pode nos colocar em situações de perigo e até de perseguição, mas nunca estaremos sozinhos. Nos dias de hoje, talvez não enfrentemos leões de verdade, mas enfrentamos pressões para negar nossa fé, zombarias, exclusão social e até restrições em lugares públicos. O mesmo Deus que esteve com Daniel está conosco.

Jeremias também conheceu a experiência amarga de ser lançado em uma cova (Jeremias 38:6). Foi jogado em uma cisterna cheia de lama, e ali quase morreu sufocado. O profeta estava lá não porque havia feito mal, mas porque anunciou a verdade de Deus. Sua fidelidade incomodou. Quantas vezes também sofremos consequências por nos posicionarmos com integridade, falando a verdade mesmo quando não é agradável. A lama de Jeremias nos lembra daqueles momentos em que parece que estamos afundando, sem saída, presos em depressão, angústia ou injustiça. Mas assim como Deus levantou homens para tirá-lo dali, o Senhor também levanta pessoas para nos socorrer.

Esses três exemplos — José, Daniel e Jeremias — apontam para algo ainda maior: todos nós, sem exceção, também conhecemos a experiência da cova. A Bíblia ensina que o pecado nos lançou em um poço de perdição. Davi descreve essa realidade com precisão: “Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos.” Salmo 40:2 (ARA). Antes de conhecer a Cristo, assim estávamos nós: afundados, sem esperança e sem forças para sair por conta própria. Talvez você se lembre de momentos assim — escolhas erradas, vícios, culpas ou feridas profundas. O pecado abre fossos dos quais tentamos escapar sozinhos, mas quanto mais nos esforçamos, mais nos afundamos.

Mas há uma cova que mudou toda a nossa história: o sepulcro vazio de Jesus. Naquele túmulo escavado na rocha, Ele foi colocado após a crucificação, e uma grande pedra foi rolada para fechar a entrada. Porém, ao terceiro dia, a morte não pôde detê-lo: Ele ressuscitou (Mateus 27:59-60, NAA). E ali, diante da pedra removida, o anjo anunciou: Ele não está aqui; ressuscitou, como havia dito.” Mateus 28:6 (NAA).

Essa é a grande diferença. José saiu da cisterna e foi levado ao Egito; Daniel saiu da cova dos leões com vida; Jeremias foi resgatado de um poço cheio de lama; mas Jesus venceu a morte e deixou para sempre vazio aquele túmulo escavado na rocha. E é justamente por causa dessa cova vazia que hoje temos esperança.

Hoje, eu só estou livre da minha cova porque há outra que está vazia. O túmulo vazio de Cristo me garante que nenhuma prisão do pecado, nenhuma lama da vergonha, nenhum decreto humano ou injustiça final têm a última palavra. Quando olho para o sepulcro vazio, posso declarar com confiança: “Jesus me tirou de um poço de lama e perdição e firmou os meus passos nEle, que é a minha Rocha.”

Nos dias de hoje, enfrentamos muitas “covas” simbólicas: a depressão que paralisa, a crise familiar que parece não ter saída, a doença que rouba as forças, a perseguição silenciosa no trabalho ou na escola. Mas se Cristo venceu a maior de todas as covas — a morte — podemos confiar que Ele também nos dará vitória sobre todas as outras. A mensagem da ressurreição é clara: não estamos condenados à lama, à escuridão ou ao desespero do fundo de uma cova. Existe uma saída, e essa saída tem nome: Jesus.

Pode até haver muitas covas no caminho do servo, mas há uma que está vazia e mudou tudo: a de Cristo. É por causa dela que nenhuma outra cova pode nos aprisionar.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

23/ago/25


 

UMA FAMÍLIA QUE INFLUENCIA GERAÇÕES

“Pela fé, Moisés, recém-nascido, foi escondido pelos seus pais durante três meses, porque viram que a criança era formosa; também não ficaram com medo do decreto do rei.” Hebreus 11:23 (NAA)

Por dois anos exerci a função de Juiz de Paz em nossa cidade. Nesse período, tive a oportunidade de realizar aproximadamente dois mil casamentos. Foram momentos singulares, marcados por emoção, alegria e expectativas. Naquele ambiente solene, os noivos chegavam com o brilho nos olhos, carregando a esperança de construir uma nova vida juntos. Sempre que possível, aproveitava para conversar com eles, sobretudo com os mais jovens, e fazia uma pergunta que parecia simples, mas guardava grande significado: Vocês sonham em formar uma família com filhos?”

Essa questão, apesar de breve, abria espaço para reflexões profundas. Afinal, a chegada de um filho não apenas acrescenta à vida do casal, mas redefine a história de toda uma família.

A Bíblia nos ensina que “os filhos são herança do Senhor.” Salmo 127:3 (NAA) Isso significa que eles não pertencem apenas aos pais, mas são confiados por Deus como um presente precioso. O Senhor os entrega em nossas mãos para criarmos, educarmos e ensinarmos a caminhar com Ele. No entanto, muitos pais ainda não compreendem essa verdade. Pensam que os filhos são apenas “seus”, e se esquecem de que um dia prestarão contas a Deus por essa herança. Por isso, ser pai e mãe vai muito além de oferecer alimento e educação formal. É transmitir valores eternos, ensinar a temer ao Senhor e preparar cada filho para viver como cidadão do Reino.

Lembro-me de como alguns casais me respondiam quando eu perguntava sobre filhos. Muitos diziam que não tinham coragem de trazer crianças a um mundo tão difícil, marcado por violência, inversão de valores, competição sufocante, alto custo de vida e tantas incertezas.

Essa preocupação é legítima. Aos olhos humanos, parece quase impossível colocar filhos em um cenário tão caótico. Mas é nesse ponto que a fé entra. Se olharmos apenas para as circunstâncias, realmente poderíamos desistir. Mas quando olhamos para o Senhor, entendemos que cada criança é uma resposta de esperança, uma prova de que Deus continua escrevendo Sua história no mundo. Como diz a Escritura: “A geração dos justos será abençoada.” Salmo 112:2 (NAA)

Esse dilema não é novo. No tempo de Anrão e Joquebede, os pais de Moisés, a situação também parecia impossível. O povo de Israel vivia como escravo no Egito, debaixo de leis cruéis e de uma ordem terrível: todo menino hebreu deveria ser morto (Êxodo 1:22). Em meio a essa opressão, Anrão e Joquebede tiveram que decidir se iriam temer ao decreto de Faraó ou confiar em Deus. Pela fé, esconderam Moisés por três meses, sem medo do decreto do rei (Hebreus 11:23). Esse foi o primeiro ato de resistência de uma família que escolheu crer no Senhor.

O lar deles se tornou um refúgio de fé. Joquebede preparou um cesto de junco, colocou o menino dentro e o lançou sobre as águas do Nilo, confiando que Deus cuidaria dele (Êxodo 2:3). Foi um ato de entrega. Ela compreendia que Moisés não era apenas “seu filho”, mas herança do Senhor. Esse gesto de fé mudou a história, porque daquele bebê nasceria o libertador de Israel.

Hoje não vivemos mais sob o jugo de Faraó, mas continuamos enfrentando novos “decretos de morte”. São forças que tentam roubar a fé e a pureza de nossos filhos: ideologias contrárias à Palavra, a violência, a pornografia, o relativismo moral, o consumismo e até o mau uso da internet, cujos efeitos devastadores temos visto nos últimos acontecimentos. Assim como Joquebede fez de sua casa um abrigo de fé em tempos de opressão, também precisamos transformar nosso lar em um espaço de resistência e proteção espiritual. Os filhos pertencem ao Senhor, e a nós cabe a responsabilidade de instruí-los no caminho de Deus (Provérbios 22:6).

Daquela família de escravos nasceram três grandes líderes: Moisés, o libertador; Arão, o sumo sacerdote; e Miriã, a profetisa. Não era uma família perfeita, mas era uma família de fé. O legado deles alcançou toda a nação de Israel. Isso nos mostra que quando pais temem ao Senhor, Ele levanta filhos e filhas com propósitos eternos. O que Deus fez na casa de Anrão e Joquebede, Ele continua fazendo hoje em nossos lares.

Essa lição é extremamente prática para os nossos dias. Muitos pais, ao olharem para a realidade dura em que vivemos, desanimam e pensam que não conseguirão criar filhos para Deus em meio a tanta pressão do mundo. No entanto, a fé nos ensina que o futuro não está nas mãos do sistema, nem da cultura, nem da violência, mas nas mãos do Senhor. Cada filho que nasce é uma nova oportunidade para Deus revelar o Seu poder, levantar uma geração de servos fiéis e dar continuidade à Sua obra. Nosso papel é preparar os filhos para que sejam melhores do que nós em todos os aspectos — especialmente no espiritual.

Ainda hoje ouvimos histórias de famílias que, mesmo enfrentando pobreza ou vivendo em ambientes hostis à fé, decidiram ensinar seus filhos nos caminhos do Senhor. O resultado é surpreendente: muitos desses filhos se tornaram pastores, missionários, líderes, professores e profissionais que marcam a sociedade com valores firmados em Deus. Isso nos mostra que a fidelidade de uma família pode influenciar gerações inteiras. John Locke se enganou ao afirmar que é o meio que forma a criança; na verdade, quando os filhos são instruídos na Palavra, eles é que impactam e transformam o meio em que vivem.

A grande diferença entre o tempo de Anrão e Joquebede e o nosso é que hoje temos a plena revelação de Cristo. Ele venceu a morte e conquistou a vitória na cruz. Por isso, mesmo em meio às lutas, podemos criar nossos filhos com a certeza de que o Senhor os guarda e tem planos de paz para eles. (Jeremias 29:11)

Assim como Anrão e Joquebede colocaram seus filhos nas mãos de Deus, também nós precisamos consagrar os nossos ao Senhor. Eles não pertencem apenas a nós — são uma herança preciosa que recebemos do Pai. Quando vivemos com fé, como aquela família viveu, experimentamos a mesma verdade: o Senhor é poderoso para levantar, a partir de nossos lares, homens e mulheres que impactarão gerações e glorificarão o Seu nome.

 “Uma família que teme ao Senhor pode transformar não apenas sua própria história, mas também a de gerações inteiras.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

22/ago/25

 

O EVANGELHO COMEÇA NA PORTA DE CASA

O segundo mandamento é este: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Não existe mandamento maior do que estes.” Marcos 12:31 (NAA)

Nasci e cresci em uma comunidade simples, onde aprendi bem cedo o valor de ter vizinhos. Alguns eram uma bênção: ajudavam nas horas difíceis, emprestavam o que faltava, ofereciam companhia, segurança e até amizade verdadeira. Outros, porém, traziam problemas: brigas, barulho, fofocas, invasões de privacidade e até rivalidade. Foi nesse contexto que percebi como a convivência pode ser uma espada de dois gumes: capaz de gerar alegria ou tristeza, paz ou conflito.

A Bíblia nos mostra que vizinho não é apenas quem mora ao lado. Quando Jesus foi questionado sobre quem seria o próximo, Ele respondeu com a parábola do bom samaritano (Lucas 10:25-37). Ali entendemos que vizinho é qualquer pessoa que cruza o nosso caminho e precisa de compaixão.

Podemos enxergar pelo menos três tipos de vizinhos. O vizinho imediato, que mora ao lado de nossa casa ou no mesmo bairro. O vizinho circunstancial, que encontramos no ônibus, no trabalho, na universidade ou até na fila do mercado. E o vizinho social, que não está fisicamente perto, mas com quem nos conectamos de alguma forma — especialmente pelas redes sociais, que ampliam nossos relacionamentos. Cada um deles é uma oportunidade que Deus nos concede para exercitarmos o amor e refletirmos o caráter de Cristo no cotidiano. É um campo já preparado para a semeadura do evangelho.

No segundo mandamento de Jesus encontramos um chamado desafiador: amar o próximo. Muitas vezes imaginamos isso como algo distante, ligado a missões em outros países ou a pessoas que talvez nunca conheceremos. No entanto, Jesus começa pelo mais próximo — literalmente — aqueles que estão ao lado da nossa porta. E a grande pergunta que fica é: como tenho tratado os meus vizinhos? Tenho demonstrado cuidado por eles? Tenho sido uma verdadeira testemunha de Cristo ou, pelo contrário, tenho envergonhado o evangelho com meu comportamento dentro de casa? Tenho orado por eles?

A Bíblia traz exemplos claros sobre essa convivência. O bom samaritano nos ensina que o próximo é qualquer pessoa que precisa de ajuda, mesmo que seja alguém diferente de nós. Abraão e Ló também nos dão um grande exemplo: quando os pastores de ambos começaram a disputar pastagens, Abraão disse: Não haja contenda entre mim e você, nem entre os meus pastores e os seus, porque somos irmãos (Gênesis 13:8). Ele escolheu a paz em vez da briga, mostrando sabedoria no trato com o vizinho mais próximo, que era seu próprio parente.

Outro exemplo inspirador está em 2 Reis 4. Diante da necessidade, a viúva foi orientada a pedir vasilhas emprestadas aos vizinhos. Eles atenderam ao seu pedido, e aquele gesto simples de solidariedade se tornou parte do milagre que transformou sua vida. Se ela fosse uma mulher briguenta e de má convivência, certamente teria encontrado muitas portas fechadas. Essa história nos ensina que a boa relação com os vizinhos pode se tornar uma ponte para a provisão de Deus.

O livro de Provérbios também nos adverte: “Não diga ao seu próximo: ‘Volte amanhã, e eu lhe darei algo’, se pode ajudá-lo hoje. Não planeje o mal contra o seu próximo, que confiantemente mora perto de você.” Provérbios 3:28-29 (NAA). Essas lições se destacam: não adiar o bem e buscar viver em paz.

Na prática, amar o vizinho pode começar de forma simples. Cumprimentar, sorrir, oferecer ajuda em pequenas coisas. Ter uma palavra de paz, abrir a porta da hospitalidade, mostrar interesse verdadeiro. E, acima de tudo, orar por eles — inclusive pelos mais difíceis. Nosso testemunho se mostra, antes de tudo, na convivência diária.

Amar a Deus e amar ao próximo são mandamentos inseparáveis. O evangelho não começa em púlpitos, nem em missões distantes. Ele começa na porta de casa. Quando tratamos os vizinhos com bondade, mostramos que a fé não é só discurso, mas vida.

Embora nossos vizinhos devam sempre estar em nossa lista diária de oração, neste mês em especial nossa igreja tem sido despertada a interceder por eles de maneira ainda mais intencional. Oramos para que experimentem o amor de Deus que já transformou a nossa vida, para que conheçam o mesmo Jesus que conhecemos e sejam alcançados pela esperança bendita da Sua vinda. Afinal, o maior presente que podemos oferecer aos que moram ao nosso redor não é apenas simpatia, amizade ou ajuda material, mas a oportunidade de também se tornarem participantes da graça salvadora de Cristo.

É sempre bom lembrar que o evangelho se torna real não apenas nas palavras ditas de longe, mas no amor vivido de perto — começando justamente com aqueles que Deus colocou ao lado da nossa porta.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

21/ago/25

 

MULHERES QUE MARCAM GERAÇÕES

“Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis.” Provérbios 31:10 (NAA)

Na Bíblia encontramos muitas histórias de fé e coragem, mas uma que chama atenção é a de Moisés. Quando olhamos para sua trajetória, percebemos que quatro mulheres tiveram papel decisivo em sua vida: sua mãe Joquebede, sua irmã Miriã, a filha de Faraó e sua esposa Zípora. Cada uma delas, em momentos diferentes, foi usada por Deus para proteger, instruir, sustentar e até confrontar Moisés, moldando o homem que seria o libertador de Israel. Essas histórias nos ensinam sobre a importância das mulheres de fé e também sobre como Deus usa pessoas comuns para cumprir Seus grandes propósitos.

Ao ler Êxodo 2, vemos que o destaque recai sobre Joquebede, a mãe de Moisés. O nome de Anrão, seu pai, aparece em listas genealógicas (Êxodo 6:20; Números 26:59), mas quem assume o protagonismo é a mãe. Foi ela quem teve a coragem de esconder o menino, preparar o cesto e colocá-lo no rio, confiando que Deus cuidaria dele. Hebreus 11:23 resume essa fé: “Pela fé, Moisés, apenas nascido, foi escondido por seus pais durante três meses, porque viram que a criança era formosa; também não ficaram com medo do decreto do rei.” (NAA). Embora o versículo mencione os dois pais, a narrativa mostra as atitudes práticas da mãe, revelando sua fé viva.

Em meio à opressão do Egito e cercada por deuses falsos, Joquebede, enquanto pôde amamentar e criar Moisés, lançou nele fundamentos espirituais que moldariam toda a sua vida. Transmitiu-lhe a identidade de hebreu, apresentou o Deus verdadeiro e plantou valores que jamais se apagariam. Quando adulto, Moisés rejeitou os prazeres da corte egípcia e escolheu se identificar com o povo de Deus (Hebreus 11:24-25). Assim como naquele tempo, hoje também vivemos dias de opressão, em que falsos deuses e ideologias tentam roubar o coração de nossos filhos. A lição é clara: não podemos terceirizar o ensino espiritual. Escola e igreja ajudam, mas a responsabilidade principal é dos pais. A fé de Joquebede nos inspira a ensinar em casa os princípios eternos, certos de que o que plantamos no coração dos filhos permanecerá.

Outra mulher importante foi Miriã, a irmã mais velha de Moisés. Ela aparece logo na infância, vigiando o cesto no Nilo e sugerindo à filha de Faraó que chamasse uma ama hebreia — o que permitiu que Moisés fosse cuidado pela própria mãe. Mais tarde, Miriã surge como profetisa e líder no louvor, conduzindo o povo em adoração após a travessia do Mar Vermelho (Êxodo 15:20-21). Houve também momentos de falha, como quando murmurou contra Moisés (Números 12), mas até nisso aprendemos sobre humildade e respeito à autoridade de Deus. Miriã mostra como irmãos podem ser instrumentos de proteção, inspiração e até de lições de vida dentro do plano divino.

A filha de Faraó também teve um papel fundamental. Foi ela quem encontrou o bebê no Nilo, moveu-se de compaixão e decidiu criá-lo como filho. Por meio dela, Moisés foi poupado da morte e introduzido no palácio egípcio. Ali recebeu uma formação privilegiada, aprendendo a ciência, a cultura e a disciplina do Egito, o império mais poderoso de sua época. Esses conhecimentos foram importantes para sua missão, dando-lhe preparo intelectual e visão de governo. Porém, o mais bonito é ver como Deus usou tanto os valores espirituais recebidos da mãe quanto os conhecimentos do palácio para preparar Moisés como líder. É um lembrete de que Deus pode usar tanto a simplicidade do lar quanto a estrutura de grandes instituições para moldar Seus servos.

Zípora, a esposa de Moisés, também teve relevância em sua história. Filha de Jetro, sacerdote de Midiã, ela foi apoio e sustento para Moisés quando ele fugiu do Egito e encontrou abrigo em sua casa. Mais tarde, em um momento decisivo, quando o Senhor confrontou Moisés a caminho do Egito, foi Zípora quem, em obediência, circuncidou o filho e poupou a vida do marido (Êxodo 4:24-26). Esse gesto mostra sua sensibilidade espiritual e coragem em agir prontamente. Além disso, como esposa e mãe, Zípora acompanhou Moisés nos primeiros desafios de sua missão, mostrando que o apoio da família é essencial no cumprimento do chamado de Deus.

Olhando para essas quatro mulheres, percebemos que nenhuma delas agiu em busca de reconhecimento. No entanto, suas atitudes moldaram a vida de um dos maiores líderes da história bíblica. Joquebede, com sua fé; Miriã, com sua ousadia; a filha de Faraó, com sua compaixão; e Zípora, com sua coragem. Todas foram instrumentos nas mãos de Deus para preservar e fortalecer Moisés.

Ainda hoje, nossa vida e lares dependem da influência de mulheres sábias e tementes a Deus. Quantos de nós devemos às orações silenciosas de uma mãe, ao apoio de uma esposa fiel, ao encorajamento de uma irmã ou ao exemplo de uma mulher virtuosa que deixou marcas eternas em nossa caminhada? Essas histórias nos lembram que mulheres comuns podem ter papéis extraordinários no plano de Deus.

Mulheres sábias são instrumentos de Deus para suas famílias e para o mundo. Elas sustentam com fé, coragem e amor, e suas marcas atravessam gerações.

“Deus levanta mulheres comuns para cumprir propósitos extraordinários, e através delas molda vidas, famílias e gerações inteiras para a eternidade.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

20/ago/25



  QUANDO TUDO FALHA, DEUS CONTINUA NO CONTROLE “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.” Jó 42:2 (NAA) A d...