MUITO ALÉM DO QUE IMAGINAMOS

“Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós,” Efésios 3:20 (NAA)

Uma das maiores dificuldades do ser humano é reconhecer os seus limites. Gostamos de planejar, calcular, prever e organizar o futuro. Fazemos projetos para a família, para a carreira, para as finanças e para os sonhos que carregamos no coração. Porém, por mais cuidadosos que sejamos, cedo ou tarde descobrimos que não temos controle sobre todas as coisas.

A Bíblia ensina que essa limitação faz parte da condição humana. Quando o pecado entrou no mundo, trouxe consigo a morte, o sofrimento, as enfermidades e a fragilidade que hoje experimentamos. Nossa capacidade tornou-se limitada. Nossa visão alcança apenas uma pequena parte do caminho. Muitas vezes não sabemos o que acontecerá amanhã, nem mesmo daqui a algumas horas.

Por isso, é comum fazermos planos que não se concretizam. Sonhamos com uma direção e a vida segue por outra. Imaginamos uma solução rápida para um problema e a resposta demora a chegar. Oramos por algo específico e Deus trabalha de uma maneira completamente diferente daquela que esperávamos. “O coração do ser humano pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor.” Provérbios 16:1 (NAA)

No entanto, aquilo que para nós é motivo de preocupação revela uma grande verdade: nós somos limitados, mas Deus não é.

Paulo escreveu aos efésios para lembrar que o Senhor não está preso às limitações humanas. Deus não depende dos recursos que possuímos. Ele não está sujeito às circunstâncias que nos cercam. Ele não encontra obstáculos impossíveis de superar.

Enquanto nós vemos apenas o presente, Deus contempla o começo, o meio e o fim da história. Enquanto enxergamos portas fechadas, Ele conhece caminhos que ainda nem imaginamos. Enquanto nossos recursos acabam, o Seu poder permanece infinito.

Essa verdade aparece diversas vezes nas Escrituras. Abraão e Sara já eram idosos quando Deus lhes prometeu um filho. Humanamente falando, aquilo parecia impossível. Entretanto, o Senhor cumpriu exatamente o que havia prometido.

Moisés encontrava-se diante do mar Vermelho, sem saída aparente. Atrás dele vinha o exército egípcio. À frente havia apenas águas profundas. O povo acreditava que tudo havia terminado. Porém Deus abriu o mar e transformou o impossível em caminho.

Anos depois, uma pequena pedra lançada por Davi derrubou o gigante Golias. Não foi a força do jovem pastor que produziu aquela vitória. Foi o poder de Deus agindo além da lógica humana. O mesmo continua acontecendo em nossos dias.

Quantas pessoas receberam um diagnóstico difícil e encontraram forças que não imaginavam possuir? Quantas famílias passaram por crises profundas e foram restauradas pela graça de Deus? Quantos servos do Senhor testemunham que portas inesperadas se abriram justamente quando toda esperança parecia perdida?

Talvez você também tenha vivido algo semelhante. Talvez tenha olhado para uma situação e pensado: "Não existe saída." Porém, algum tempo depois, percebeu que Deus já estava trabalhando quando tudo parecia parado.

O Senhor costuma agir de maneiras que ultrapassam nossa compreensão. Muitas vezes pedimos uma solução pequena, enquanto Deus prepara algo muito maior. Oramos por uma porta, e Ele abre várias. Pedimos alívio para uma dificuldade, e Ele transforma aquela luta em crescimento espiritual.

Isso não significa que Deus realizará todos os nossos desejos exatamente como imaginamos. Também não significa que teremos uma vida sem dificuldades. Significa que Seus planos são maiores que os nossos e que Sua sabedoria supera nossa compreensão.

Por essa razão, a oração continua sendo um dos maiores privilégios da vida cristã. Podemos apresentar nossos pedidos ao Senhor, sabendo que Ele ouve cada palavra. Contudo, também podemos descansar, porque Deus não está limitado ao tamanho da nossa fé, ao alcance da nossa imaginação ou à profundidade do nosso entendimento.

Quando não conseguimos enxergar uma solução, Ele continua vendo. Quando não encontramos forças para prosseguir, Ele continua sustentando. Quando nossas possibilidades terminam, Seu poder permanece intacto.

Efésios 3:20 nos convida a olhar para além das circunstâncias e confiar naquele que governa todas as coisas. O Deus que criou os céus e a terra continua operando na vida dos seus filhos. Nada foge ao Seu controle. Nada é grande demais para o Seu poder. Por isso, não permita que os limites humanos determinem o tamanho da sua esperança. Continue orando. Continue confiando. Continue caminhando pela fé.

O mesmo Deus que fez maravilhas no passado continua sendo poderoso hoje. E Ele ainda é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos.

Deus não está limitado por aquilo que conseguimos enxergar. Quando nossas possibilidades terminam, Seu poder continua operando, transformando o impossível em testemunho e a esperança em realidade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

03/ago/26

 

A SALVAÇÃO QUE NÃO PODE SER ADIADA

“Como escaparemos nós, se não levarmos a sério tão grande salvação?” Hebreus 2:3 (NAA).

Existem perguntas feitas porque alguém deseja receber uma informação. Há outras, porém, cuja resposta já está evidente. A pergunta de Hebreus 2:3 é desse segundo tipo. O autor não está pedindo que procuremos diferentes possibilidades. Ele apresenta uma pergunta retórica, uma advertência solene cuja resposta é uma só: não escaparemos.

A Bíblia não pergunta como escaparemos se não conhecermos a salvação, mas como escaparemos se não a levarmos a sério. Isso significa que uma pessoa pode ouvir o Evangelho, conhecer os ensinamentos de Jesus, frequentar cultos, possuir uma Bíblia e, ainda assim, tratar a salvação como um assunto que sempre pode ser deixado para depois.

Talvez alguém diga: “Um dia entregarei minha vida a Jesus.” Outro pode pensar: “Quando eu estiver mais velho, mudarei meu caminho.” Há ainda quem reconheça que precisa de Deus, mas continue adiando sua decisão. O problema é que ninguém tem a garantia de que terá outra oportunidade.

Negligenciar não é necessariamente declarar que Jesus não existe. É não dar a ele a importância que merece. É ouvir sua voz e continuar indiferente. É reconhecer o perigo e não buscar abrigo. É saber que existe um remédio e não tomá-lo. É perceber que o barco está afundando, ver o bote de resgate ao lado e decidir permanecer onde está.

O texto de Hebreus começa orientando os cristãos a se apegarem com mais firmeza às verdades que haviam ouvido, para que não fossem levados para longe delas. A imagem é semelhante à de alguém sendo arrastado lentamente pela correnteza. O afastamento espiritual nem sempre acontece de maneira repentina. Muitas vezes, começa com pequenas distrações, abandono da oração, falta de interesse pela Palavra e tolerância ao pecado.

A salvação é chamada de “tão grande” porque não foi planejada pelo ser humano. Ela nasceu no coração de Deus e foi realizada por Jesus Cristo. O Filho de Deus veio ao mundo, viveu sem pecado, tomou sobre si nossa culpa, morreu na cruz e ressuscitou. Por sua morte, abriu o caminho para que pecadores fossem perdoados e reconciliados com Deus.

Não podemos salvar a nós mesmos. Boas obras são importantes, mas não apagam nossos pecados. A religião não pode substituir um encontro verdadeiro com Cristo. Ser filho de pais cristãos, conhecer hinos, frequentar uma igreja ou ajudar pessoas necessitadas não concede automaticamente a salvação.

A Palavra declara que somos salvos pela graça, mediante a fé. A salvação não nasce do mérito humano; é um presente de Deus. Efésios 2:8-9 (NAA).

Imagine alguém que recebe um presente precioso, mas nunca abre a embalagem. O presente está perto, foi oferecido com amor, porém não é desfrutado. Assim também acontece com quem ouve sobre a graça de Deus, mas nunca recebe Jesus pela fé. Conhecer a mensagem não é o mesmo que responder a ela.

Jesus não afirmou ser apenas um dos caminhos possíveis. Ele declarou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14:6 (NAA).

Por isso, Hebreus pergunta: “Como escaparemos?” Se rejeitarmos o único Salvador, a quem recorreremos? Se desprezarmos o único caminho, por onde iremos? Se recusarmos o perdão oferecido por Deus, como seremos livres da culpa?

Talvez você reconheça que se afastou do Senhor. Pode ser que tenha deixado a oração, abandonado a comunhão da igreja ou permitido que outras coisas ocupassem o lugar de Deus em seu coração. A mensagem de Hebreus não foi escrita apenas para condenar, mas para despertar. Enquanto a voz do Senhor ainda fala ao coração, existe oportunidade de arrependimento.

Jesus não chama você porque deseja aumentar sua culpa. Ele o chama porque deseja perdoar, restaurar e dar uma vida nova. Você não precisa primeiro consertar tudo para depois se aproximar dele. Venha como está, reconhecendo seus pecados e sua necessidade de salvação.

Não diga que é pecador demais, porque Jesus veio justamente para salvar pecadores. Não diga que já foi longe demais, porque a graça de Deus alcança quem se volta sinceramente para ele. Não espere sentir-se merecedor, pois ninguém recebe a salvação por merecimento.

A pergunta permanece diante de cada coração: como escaparemos se não levarmos a sério tão grande salvação?

Não existe outra resposta, outro Salvador ou outro caminho. Entretanto, hoje a porta da graça continua aberta. Hoje você pode reconhecer seus pecados, confiar em Jesus e entregar-lhe sua vida. A Escritura apresenta o tempo presente como a oportunidade de receber a salvação. “... Eis agora o tempo oportuno! Eis agora o dia da salvação!” 2Coríntios 6:2 (NAA).

Não transforme a maior decisão da sua vida em um compromisso continuamente adiado. O amanhã não nos pertence, mas Jesus está chamando hoje. Receba a salvação que ele conquistou, entregue seu coração ao Senhor e comece uma nova caminhada.

A salvação é grande demais para ser ignorada, preciosa demais para ser desprezada e urgente demais para ser deixada para depois.

A maior tragédia não é desconhecer o caminho da salvação, mas ouvi-lo repetidamente e deixar para amanhã a decisão que precisa ser tomada hoje.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

02/ago/26

 

HOJE É O DIA DE ESCOLHER A VIDA

“Remindo o tempo, porquanto os dias são maus.” Efésios 5:16 (ARC).

Talvez você já tenha ouvido a expressão latina carpe diem. Ela pode ser traduzida como “colha o dia”, “aproveite o dia” ou “valorize o momento presente”. A expressão ficou conhecida por meio do poeta romano Horácio e traz a ideia de não desperdiçarmos o tempo que temos diante de nós.

Entretanto, muitas pessoas interpretam essa expressão como um convite para viver sem limites, sem responsabilidade e sem pensar nas consequências. Elas dizem: “A vida é curta, por isso preciso experimentar tudo o que puder.” Dessa forma, usam o presente apenas para buscar prazeres, aventuras, dinheiro, reconhecimento e satisfação pessoal.

Alguns também aplicam esse pensamento à salvação. Um jovem pode dizer: “Sou muito novo. Ainda tenho muito tempo. Quero aproveitar a vida, conhecer o mundo e fazer tudo o que tenho vontade. Quando estiver mais velho, procurarei uma igreja e entregarei minha vida a Jesus.”

O problema é que ninguém sabe quanto tempo ainda tem. A juventude não é uma garantia de que haverá muitos anos pela frente. Da mesma maneira, chegar à idade adulta ou à velhice também não significa que sempre haverá outra oportunidade. A vida é um presente de Deus, mas não está sob nosso controle.

A Bíblia nos lembra dessa verdade: “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco e depois se desvanece.” Tiago 4:14 (ARC).

O vapor aparece por alguns instantes e logo desaparece. Assim é a nossa passagem por este mundo. Parece que foi ontem que éramos crianças, corríamos pelas ruas e fazíamos planos para o futuro. Depois, percebemos que os anos passaram, os filhos cresceram, os cabelos ficaram brancos e muitas oportunidades já não podem ser recuperadas.

Por isso, aproveitar o dia, segundo a Palavra de Deus, não significa viver de qualquer maneira. Significa reconhecer que hoje é uma oportunidade concedida pelo Senhor. É tempo de amar, perdoar, reconciliar-se, ajudar alguém, cuidar da família, abandonar o pecado e buscar a presença de Deus.

Aproveitar o dia também significa não deixar a salvação para depois. A salvação é a decisão mais importante da vida, porque todas as outras escolhas estão relacionadas apenas ao tempo presente, enquanto ela está ligada à eternidade.

Uma pessoa pode decidir amanhã onde trabalhará, que curso fará ou qual bem deseja comprar. Porém, não deveria adiar o momento de entregar sua vida a Jesus. A Palavra declara: “Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação.” 2 Coríntios 6:2 (ARC).

Observe que a Bíblia não diz que amanhã será o dia da salvação. Ela diz: “Agora”. Deus nos chama no presente. Quando o Espírito Santo toca o coração, mostra o pecado e revela a necessidade de Jesus, a resposta também deve ser dada no presente.

Talvez alguém pense: “Ainda não estou preparado. Preciso primeiro mudar algumas coisas em minha vida.” Mas ninguém consegue tornar-se perfeito antes de aproximar-se de Cristo. Nós vamos a Jesus porque precisamos ser perdoados e transformados. É Ele quem recebe o pecador arrependido, limpa seu coração e começa uma nova obra em sua vida.

Outros adiam a decisão porque temem perder os prazeres do mundo. Porém, Jesus não veio para roubar nossa alegria. Ele veio para nos libertar daquilo que parece agradável no início, mas depois produz vazio, culpa, escravidão e sofrimento. A vida com Cristo não é uma vida perdida; é uma vida que finalmente encontrou seu verdadeiro sentido.

Jesus fez uma pergunta que continua atual: “Pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?” Marcos 8:36 (ARC).

Alguém pode conquistar uma carreira admirada, uma casa confortável, muitos seguidores nas redes sociais e uma boa condição financeira. Pode viajar, participar de festas e receber elogios. Mas, se viver distante de Deus e perder sua alma, todas essas conquistas serão insuficientes.

Isso não significa que estudar, trabalhar, viajar ou desfrutar bons momentos seja errado. Deus também nos permite viver alegrias nesta terra. O problema começa quando essas coisas ocupam o lugar que pertence ao Senhor e fazem a pessoa esquecer-se de sua necessidade espiritual.

A Palavra aconselha especialmente os jovens: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento.” Eclesiastes 12:1 (ARC).

Buscar a Deus na juventude não é desperdiçar os melhores anos da vida. É entregar ao Senhor nossa força, nossos sonhos e nosso futuro. É permitir que Ele nos livre de caminhos que deixam cicatrizes profundas e nos conduza a uma vida com propósito.

Há também pessoas mais velhas que continuam dizendo: “Um dia pensarei nisso.” Não importa a idade, o chamado de Deus permanece o mesmo. Enquanto há vida, existe oportunidade de arrependimento. Contudo, não devemos endurecer o coração quando ouvimos sua voz.

“Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como na provocação.” Hebreus 3:15 (ARC).

O verdadeiro carpe diem cristão é viver o presente diante de Deus. É agradecer pelo dia que começou, fazer o bem enquanto há oportunidade, reparar os erros que podem ser reparados e receber hoje a salvação oferecida por Jesus.

Não espere ficar mais velho, mais tranquilo, mais preparado ou mais digno. O dia de buscar o Senhor é hoje. O dia de abandonar o pecado é hoje. O dia de perdoar é hoje. O dia de voltar para a casa do Pai é hoje.

O ontem já passou e não pode ser mudado. O amanhã ainda não nos pertence. Mas Deus colocou o hoje em nossas mãos. Aproveite-o da melhor maneira possível: entregue sua vida a Jesus e permita que Ele transforme não apenas o seu dia, mas toda a sua eternidade.

Aproveitar verdadeiramente o dia não é viver como se Deus não existisse, mas receber hoje a graça que pode transformar toda a nossa eternidade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

01/Ago/26

 

ONDE VOCÊ ESTÁ? — A PERGUNTA QUE NOS CHAMA DE VOLTA

“E o Senhor Deus chamou o homem e lhe perguntou: — Onde você está?” Gênesis 3:9 (NAA).

A Bíblia está repleta de perguntas. Algumas receberam resposta imediatamente; outras atravessaram gerações e continuam falando ao nosso coração. Há perguntas feitas por pessoas a Deus e perguntas feitas por Deus às pessoas. Nenhuma palavra do Senhor é vazia. Quando Deus pergunta, não é porque lhe falta conhecimento, mas porque deseja levar o ser humano a pensar, reconhecer sua condição e tomar uma decisão.

Depois de criar o homem e a mulher, Deus os colocou no jardim do Éden. Ali havia comunhão, segurança e liberdade. Adão e Eva desfrutavam da presença do Senhor sem medo, culpa ou vergonha. Contudo, eles desobedeceram à ordem divina, comeram do fruto proibido e perceberam que estavam nus. Tentaram cobrir-se com folhas e, ao ouvirem a voz de Deus, esconderam-se entre as árvores.

Foi nesse momento que o Senhor chamou Adão e perguntou: “Onde você está?” Embora não seja a primeira pergunta registrada na Bíblia, essa é a primeira pergunta de Deus dirigida ao ser humano. O Senhor sabia exatamente onde Adão estava escondido. Ele conhecia a árvore, o lugar e tudo o que havia acontecido. A pergunta não procurava descobrir a localização física do homem, mas revelar sua situação espiritual.

Era como se Deus estivesse dizendo: “Adão, onde você chegou? O que aconteceu com a nossa comunhão? Por que agora sente medo de mim? Por que está tentando esconder aquilo que precisa confessar?”

Adão continuava dentro do mesmo jardim, mas já não estava na mesma posição espiritual. Antes do pecado, caminhava em comunhão com Deus. Depois da desobediência, escondeu-se. Antes, ouvia a voz do Senhor com alegria. Depois, ouviu a mesma voz e sentiu medo. O problema não estava na voz de Deus, mas na culpa que havia entrado no coração do homem.

O pecado continua produzindo o mesmo efeito em nossos dias. Ele leva a pessoa a se afastar, esconder-se e tentar encobrir aquilo que fez. Alguém pode continuar frequentando a igreja, cantando, trabalhando e cumprimentando os irmãos, mas, interiormente, estar distante do Senhor. Pode estar no mesmo lugar, porém sem a comunhão que possuía antes.

Talvez a pessoa tenha deixado pouco a pouco a oração. A Bíblia permanece fechada durante a semana. O coração já não se alegra na presença de Deus. Uma mágoa foi alimentada, um hábito errado passou a ser escondido ou uma decisão contrária à Palavra começou a ser justificada. Ninguém percebeu, mas, por dentro, essa pessoa está entre as árvores, tentando não ser encontrada.

Há também quem se esconda atrás da aparência. Nas redes sociais, tudo parece bem. As fotos mostram sorrisos, viagens e momentos felizes, mas o coração está cansado, vazio e cheio de culpa. Outros se escondem atrás do trabalho, das atividades religiosas ou de frases como: “Está tudo bem comigo.” Contudo, Deus continua perguntando: “Onde você está?”

Essa pergunta não deve ser respondida com o nome da nossa igreja, com o cargo que ocupamos ou com o tempo que temos de Evangelho. Deus não perguntou a Adão em que parte do jardim ele estava. A pergunta era sobre sua condição diante do Criador.

Onde você está em sua comunhão com Deus? Em que ponto de sua caminhada começou a se afastar? Que escolha levou você a se esconder? O que precisa ser confessado, abandonado e restaurado?

A pergunta do Senhor não foi apenas uma acusação. Foi também um chamado. Deus poderia ter deixado Adão escondido, mas foi procurá-lo. Chamou-o pelo nome, deu-lhe a oportunidade de falar e revelou as consequências de sua escolha. Mesmo diante do pecado, Deus tomou a iniciativa de aproximar-se.

Depois disso, a Bíblia diz: “O Senhor Deus fez roupas de peles, com as quais vestiu Adão e sua mulher.” Gênesis 3:21 (NAA).

As folhas que Adão e Eva haviam usado não eram suficientes para cobrir sua vergonha. Elas representavam uma tentativa humana de esconder as consequências do pecado. Deus, porém, providenciou roupas feitas de peles. Para que aquelas peles fossem obtidas, um animal precisou morrer. Embora o texto não afirme diretamente que tenha ocorrido ali um sacrifício ritual, podemos enxergar nessa cena uma figura daquilo que seria plenamente realizado na cruz.

O pecado trouxe culpa, vergonha e morte, mas Deus providenciou uma cobertura que o próprio ser humano não poderia produzir. As folhas apontavam para o esforço inútil do homem de encobrir sua culpa; as vestes oferecidas pelo Senhor revelavam a graça de Deus, que toma a iniciativa de cuidar do pecador e abrir diante dele um caminho de restauração.

Essa cena também nos ensina que não conseguimos resolver sozinhos o problema do pecado. Podemos esconder nossos erros, justificar nossas atitudes e construir uma boa aparência diante das pessoas, mas nenhuma dessas tentativas pode apagar nossa culpa ou restaurar nossa comunhão com Deus. Somente o Senhor pode oferecer o perdão e a cobertura de que necessitamos.

Essa verdade encontra seu cumprimento perfeito em Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus. Ele entregou sua vida em nosso lugar e, por meio de seu sacrifício, tomou sobre si a culpa dos nossos pecados, cobriu nossa vergonha e nos reconciliou com Deus. Aquilo que o homem jamais poderia fazer por si mesmo foi realizado por Cristo na cruz.

Deus não permaneceu distante, esperando que o ser humano perdido encontrasse sozinho o caminho de volta. Em Jesus, ele veio ao nosso encontro, procurou-nos em nosso esconderijo, tomou sobre si nossos pecados, morreu na cruz e ressuscitou para nos conceder perdão, restauração e uma nova vida. “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.” Lucas 19:10 (NAA).

Talvez hoje você ouça a mesma pergunta: “Onde você está?” Não fuja, não se esconda e não tente apresentar desculpas. Responda ao Senhor com sinceridade. Diga onde você caiu, por que se afastou e o que tem ferido seu coração.

Deus já sabe tudo, mas deseja ouvir sua confissão e conduzir você de volta. A voz que perguntou por Adão continua chamando pecadores para fora do esconderijo. É uma voz que confronta, mas também oferece graça. É uma voz que revela o pecado, mas aponta o caminho do perdão.

Deus não perdeu você de vista. Mesmo que tenha se afastado, ele sabe onde encontrá-lo. A grande questão é: ao ouvir sua voz, você continuará escondido ou sairá para encontrar-se novamente com ele?

Deus pergunta onde estamos não porque nos perdeu de vista, mas porque deseja que reconheçamos a distância que o pecado criou e voltemos para a sua presença.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

31/jul/26

 

QUEM É JESUS PARA VOCÊ?

“Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou?” Mateus 16:15 (ARC).

Jesus chegou com seus discípulos às regiões de Cesareia de Filipe e fez uma pergunta importante: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Os discípulos responderam que as pessoas tinham diferentes opiniões. Alguns diziam que Ele era João Batista; outros pensavam que fosse Elias, Jeremias ou algum dos profetas.

A multidão admirava Jesus. Muitos haviam visto seus milagres, ouvido seus ensinamentos e participado da multiplicação dos pães. Sabiam que Ele não era um homem comum. Porém, ainda não compreendiam plenamente quem Ele era.

As respostas da multidão estavam baseadas em referências humanas. João Batista, Elias e Jeremias foram grandes servos de Deus. No entanto, Jesus não era apenas mais um profeta. Ele era muito maior do que todos eles.

Depois de ouvir as opiniões do povo, Jesus voltou-se para os discípulos e perguntou: “Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou?” Mateus 16:15 (ARC).

Jesus tornou a pergunta pessoal. Não bastava aos discípulos saberem o que os outros pensavam. Eles precisavam declarar aquilo que havia sido revelado ao próprio coração.

Pedro respondeu: “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” Mateus 16:16 (ARC).

Essa resposta não nasceu apenas da inteligência ou da observação de Pedro. O próprio Jesus explicou: “..._Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus.” Mateus 16:17 (ARC).

Pedro reconheceu que Jesus era o Cristo, o Messias prometido e o Filho do Deus vivo. Ele não era apenas alguém capaz de fazer milagres. Era o Salvador enviado por Deus.

Essa diferença continua importante em nossos dias. Muitas pessoas possuem uma opinião positiva sobre Jesus. Dizem que Ele foi um grande mestre, um profeta, um exemplo de amor ou um defensor dos necessitados. Tudo isso reconhece aspectos verdadeiros de sua vida, mas ainda não expressa completamente quem Ele é.

Jesus é o Filho de Deus, o Salvador e o Senhor.

Há também pessoas que procuram Jesus somente pelas coisas que Ele pode fazer. Aproximam-se quando estão doentes, desempregadas, endividadas ou enfrentando problemas na família. Pedem oração, desejam uma resposta e esperam um milagre.

Jesus continua tendo compaixão. Ele cura, liberta, consola, abre portas e supre necessidades. Não despreza quem chega ferido ou cansado. Contudo, seu propósito não é apenas resolver os problemas desta vida. Ele deseja transformar pessoas comuns em discípulos e conduzi-las ao seu Reino eterno.

Uma pessoa pode receber uma bênção e ainda não conhecer verdadeiramente o Senhor. Pode experimentar uma cura, uma porta aberta ou um livramento e continuar vivendo sem compromisso com Cristo.

Imagine alguém que procura uma igreja porque seu casamento está quase terminando. Recebe oração, orientação e vê sua família restaurada. Aquilo é uma grande bênção. Porém, a pergunta permanece: quem é Jesus para essa pessoa? Apenas aquele que salvou seu casamento ou o Senhor que agora governará toda a sua vida?

Outro exemplo é o de alguém que pede um emprego. Depois de algum tempo, Deus abre uma porta. A pessoa agradece, mas logo deixa de buscar ao Senhor. Ela desejou a provisão, mas não compreendeu que o maior presente era o próprio Cristo.

A multidão conhecia os feitos de Jesus, mas os discípulos estavam sendo conduzidos a conhecer Sua identidade. Existe diferença entre saber o que Jesus faz e compreender quem Ele é.

Quando o Espírito Santo revela Jesus ao nosso coração, nossa maneira de viver começa a mudar. Deixamos de vê-lo apenas como alguém que atende necessidades e passamos a reconhecê-lo como Senhor. Isso significa permitir que Ele governe nossas decisões, nossos relacionamentos, nossos pensamentos e nossos planos.

Conhecer Jesus como Senhor também nos dá direção. Em um mundo cheio de vozes, opiniões e caminhos diferentes, Cristo nos orienta por meio de Sua Palavra. Ele não apenas mostra uma estrada; Ele próprio é o Caminho.

Quem conhece Jesus como Salvador entende que sua maior necessidade não é financeira, emocional ou física. O maior problema do ser humano é o pecado, que o separa de Deus. Cristo veio para morrer em nosso lugar, perdoar nossos pecados e conceder vida eterna.

Por isso, a vida abundante que Jesus oferece vai além de conforto e prosperidade. “O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância.” João 10:10 (ARC).

A vida abundante é uma vida reconciliada com Deus. É ter perdão, paz, esperança, direção e a certeza da eternidade. Isso não significa ausência de lutas, mas a presença de Cristo em todas elas.

A pergunta de Jesus continua atravessando os séculos: “E vós, quem dizeis que eu sou?”

Não podemos responder apenas com aquilo que nossos pais, pastores ou amigos dizem. A fé pode começar pelo testemunho de alguém, mas precisa tornar-se pessoal. Cada um deve reconhecer Jesus e entregar-lhe a própria vida.

A Igreja tem a missão de apresentar Jesus às multidões. Deve acolher os necessitados, orar pelos enfermos, ajudar os que sofrem e anunciar a verdade. Porém, seu maior propósito é conduzir as pessoas ao conhecimento de Cristo como Filho do Deus vivo.

As necessidades podem levar alguém até à igreja, mas é a revelação do Espírito Santo que transforma um interessado em discípulo.

A multidão perguntava e formava opiniões. Pedro recebeu uma revelação e fez uma confissão. Essa confissão mudou sua relação com Jesus. Ele já não seguia apenas um mestre admirável, mas o Cristo, o Filho do Deus vivo.

Hoje, a pergunta não é apenas o que o mundo pensa sobre Jesus. A pergunta é pessoal: quem é Ele para você?

Muitos conhecem os milagres de Jesus e buscam aquilo que Ele pode oferecer; mas somente pela revelação do Espírito reconhecemos quem Ele é, entregamos-lhe a vida e deixamos de ser apenas parte da multidão para nos tornarmos seus discípulos.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

30/jul/26

 

MÃOS QUE SUSTENTAM A VITÓRIA

Quando Moisés levantava a mão, Israel vencia; quando, porém, ele abaixava a mão, os amalequitas venciam.” Êxodo 17:11 (NAA).

Israel estava atravessando o deserto quando foi atacado pelos amalequitas. Moisés ordenou que Josué escolhesse alguns homens e fosse ao campo de batalha. Enquanto Josué e os soldados enfrentavam o inimigo no vale, Moisés subiu ao alto do monte levando consigo o bordão de Deus. Arão e Hur também o acompanharam.

Aquela cena apresentava duas partes da mesma batalha. No vale, havia homens lutando com espadas. No monte, havia um homem com as mãos levantadas diante de Deus. Josué precisava agir com coragem, mas a vitória não dependia apenas de sua habilidade militar. Moisés precisava interceder, mas também não podia ignorar a necessidade de homens dispostos a entrar na batalha.

Quando Moisés mantinha a mão levantada, Israel prevalecia. Quando o cansaço o fazia abaixá-la, os amalequitas avançavam. Isso não significa que existisse algum poder mágico nas mãos de Moisés. O gesto representava dependência, oração, entrega e confiança no poder do Senhor. A vitória vinha de Deus, mas todos precisavam ocupar seu lugar.

Essa passagem nos ajuda a compreender como a Igreja deve funcionar. Nem todos exercem a mesma tarefa, mas todos são importantes. Há quem esteja na linha de frente pregando, evangelizando, ensinando ou visitando. Há quem permaneça em oração, sustentando espiritualmente aqueles que estão enfrentando grandes lutas. Há também quem ofereça uma palavra de ânimo, uma ajuda material, um abraço ou simplesmente sua presença.

A Bíblia compara a Igreja a um corpo: “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, constituem um só corpo, assim também é com respeito a Cristo.” 1 Coríntios 12:12 (NAA).

Um corpo não é formado apenas pelas partes que aparecem. Alguns membros são mais visíveis, outros trabalham silenciosamente, mas todos são necessários. Do mesmo modo, a obra de Deus não pertence somente ao pastor, aos diáconos e obreiros, ao professor ou ao dirigente. Toda a Igreja precisa estar envolvida.

Na batalha contra os amalequitas, Josué não poderia dizer que venceria sem Moisés. Moisés também não poderia afirmar que venceria sem Josué. Além disso, nenhum dos dois poderia desprezar Arão e Hur. Cada um ocupou uma posição diferente, mas todos participaram da mesma vitória. Moisés, porém, cansou-se.

Esse detalhe é muito importante. Ele era um grande servo de Deus, mas continuava sendo humano. Seus braços ficaram pesados. Sua força chegou ao limite. A Bíblia diz que Arão e Hur colocaram uma pedra debaixo dele e sustentaram suas mãos, um de cada lado, até o pôr do sol. Êxodo 17:12

Isso nos ensina que até os líderes mais experientes precisam de apoio. Pastores se cansam. Pais e mães se cansam. Pessoas que cuidam de familiares enfermos se cansam. Quem está enfrentando o desemprego, uma separação, um luto ou uma longa enfermidade também pode chegar ao limite.

Reconhecer o cansaço não é falta de fé. Moisés não deixou de ser um homem de Deus porque seus braços enfraqueceram. Naquele momento, ele precisava permitir que outros o ajudassem.

Há pessoas que têm dificuldade de receber auxílio. Elas sempre cuidaram de todos e acreditam que precisam continuar fortes o tempo inteiro. Entretanto, chega o momento em que também necessitam de uma pedra para se sentar e de mãos amigas para sustentá-las.

Arão e Hur nos mostram que ajudar alguém a permanecer firme também é participar da vitória. Eles não estavam no vale, empunhando espadas, nem receberam o mesmo destaque de Josué. Ainda assim, sua participação foi indispensável, pois, sem o apoio deles, Moisés não teria conseguido manter as mãos levantadas até o fim. O que também fica evidente nessa passagem é a participação de todo o corpo nas lutas enfrentadas pela Igreja.

Podemos sustentar as mãos de alguém por meio de uma ligação, uma visita, uma oração ou uma palavra de esperança. Podemos preparar uma refeição para uma família que atravessa um momento difícil, acompanhar alguém ao médico ou simplesmente ouvi-lo sem julgamento. Às vezes, a pessoa não precisa de uma grande resposta; precisa apenas saber que não está sozinha.

A Palavra nos orienta: “Levem as cargas uns dos outros e, assim, estarão cumprindo a lei de Cristo.” Gálatas 6:2 (NAA).

Também precisamos compreender que, quando um membro sofre, o sofrimento não deveria ser tratado como problema apenas dele. “De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, todos os outros se alegram com ele.” 1 Coríntios 12:26 (NAA).

A vitória vem do Senhor, mas Ele frequentemente usa pessoas para nos manter de pé. Enquanto uns lutam, outros oram. Enquanto uns avançam, outros oferecem apoio. Enquanto alguns estão cansados, outros se aproximam para sustentar suas mãos.

Na Igreja de Cristo, ninguém deveria lutar sozinho. Também ninguém deveria considerar pequena a função que recebeu. Toda oração, todo gesto de amor e todo serviço sincero têm valor diante de Deus.

Quando cada membro ocupa seu lugar, o corpo permanece firme, os cansados são fortalecidos e a batalha deixa de ser de uma única pessoa. Torna-se a batalha de todos, enfrentada em unidade e vencida pelo poder do Senhor.

Deus concede a vitória, mas muitas vezes escolhe realizá-la por meio de um povo unido, no qual alguns lutam, outros intercedem e outros sustentam as mãos cansadas.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

29/jul/26

 

A NOITE NÃO DURARÁ PARA SEMPRE

Porque a sua ira dura só um momento, mas o seu favor dura a vida inteira. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” Salmos 30:5 (NAA).

Há momentos em que a vida parece ter escurecido completamente. Recebemos uma notícia difícil, enfrentamos uma enfermidade, perdemos alguém querido, vemos uma porta se fechar ou percebemos que não temos forças para resolver aquilo que está diante de nós. Nessas horas, a noite parece longa e o coração começa a perguntar: “Será que isso nunca vai passar?”

O Salmo 30 não nega a existência do sofrimento. Ele não diz que o servo de Deus nunca chorará. Pelo contrário, reconhece que existe uma noite de lágrimas. A fé verdadeira não nos transforma em pessoas incapazes de sentir dor. Homens e mulheres que confiam em Deus também adoecem, ficam cansados, enfrentam perdas, sentem medo e choram. A diferença é que não atravessam a noite sem esperança.

O salmista declara que a ira de Deus dura apenas um momento, mas o seu favor dura a vida inteira. Isso mostra que o Senhor não tem prazer em manter seus filhos debaixo de condenação. Ele corrige, disciplina e chama ao arrependimento, mas sua disposição é restaurar. Deus não deseja apenas mostrar o nosso erro; deseja conduzir-nos de volta ao caminho da vida.

O pecado separou a humanidade de Deus. Por nossas próprias forças, jamais conseguiríamos reconstruir essa comunhão. Contudo, o Pai nos ofereceu o maior favor que poderíamos receber: entregou seu Filho para morrer por nós. Na cruz, Jesus tomou sobre si a nossa culpa e abriu o caminho da reconciliação.

A Bíblia afirma: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo.” Romanos 5:1 (NAA).

Em Cristo, deixamos de viver como inimigos de Deus e somos recebidos em sua família. Essa é a vida que existe no favor do Senhor. Não é apenas respirar, trabalhar, conquistar bens e passar alguns anos nesta terra. É possuir uma vida reconciliada com Deus agora e a certeza da vida eterna ao lado dele.

Mesmo depois de conhecer Jesus, ainda atravessaremos noites. Há a noite de quem espera o resultado de um exame. A noite da mãe que ora por um filho afastado. A noite do trabalhador que perdeu o emprego e não sabe como pagará as contas. A noite de quem entra em casa e sente a ausência de alguém que partiu. A noite de quem luta contra a ansiedade, mesmo tentando demonstrar força diante dos outros.

Talvez ninguém perceba o que está acontecendo dentro daquela pessoa. Ela participa do culto, cumprimenta os irmãos e até sorri, mas carrega uma batalha silenciosa. O Senhor, porém, vê cada lágrima. Ele conhece os pensamentos que não conseguimos explicar e ouve até as orações que saem apenas como suspiros.

O versículo não diz que o choro dura somente alguns minutos. Diz que ele pode durar uma noite. Algumas noites são curtas; outras parecem demoradas. Há respostas que chegam rapidamente, mas existem processos que exigem paciência. Deus nem sempre muda a situação no momento em que pedimos, mas pode sustentar-nos enquanto a situação ainda não mudou.

A alegria que chega pela manhã pode ser experimentada de várias maneiras. Às vezes, é uma oração respondida, uma enfermidade vencida, uma família restaurada ou uma oportunidade que se abre. Em outras ocasiões, a circunstância continua difícil, mas Deus coloca paz no coração, renova as forças e nos ajuda a dar mais um passo. A manhã começa dentro de nós antes mesmo de surgir ao nosso redor.

Entretanto, há uma manhã ainda maior. É o dia em que Jesus receberá para si todos os que nele confiaram. Ele prometeu preparar um lugar para os seus e voltar para buscá-los. Na presença do Senhor, todas as noites da existência humana chegarão definitivamente ao fim.

A Palavra nos dá esta esperança: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima. E já não existirá mais morte, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.” Apocalipse 21:4 (NAA).

Essa será a manhã eterna. Não haverá despedidas, hospitais, cemitérios, medo, solidão nem notícias capazes de ferir o coração. Estaremos na presença de Deus e ao lado de Jesus para sempre. Aquilo que hoje nos faz chorar não poderá entrar nesse novo tempo preparado pelo Senhor.

Por isso, não desista durante a noite. Continue orando, confiando e caminhando. Talvez você ainda não veja os primeiros raios do amanhecer, mas isso não significa que a manhã não esteja chegando. A noite possui limites estabelecidos por Deus. O sofrimento não tem a palavra final. Para aqueles que estão em Cristo, a última palavra será sempre vida, consolo e alegria.

A fé não nega as lágrimas da noite; ela nos faz atravessá-la com a certeza de que Deus permanece conosco e de que, em Cristo, toda noite terminará diante da luz de uma manhã eterna.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

28/jul/26

  MUITO ALÉM DO QUE IMAGINAMOS “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, conforme o...