UMA IGREJA QUENTE NÃO PODE FICAR PARADA
“Conheço as suas obras, que você não é nem frio nem
quente. Quem dera você fosse frio ou quente!” Apocalipse 3:15 (NAA).
A igreja de Laodiceia tinha um problema gravíssimo: estava
satisfeita consigo mesma. Achava que possuía tudo de que precisava, mas Jesus
enxergava outra realidade. Havia aparência de prosperidade, porém faltava vida
espiritual. Aquela igreja havia perdido a percepção de quanto precisava de
Cristo. Essa advertência continua atual.
O próprio nome Laodiceia é associado à ideia de “justiça do
povo” ou “direitos do povo”. Isso chama atenção quando olhamos para os nossos
dias. Nunca se falou tanto em direitos, dignidade, proteção dos vulneráveis,
justiça e respeito às pessoas. Muitas dessas preocupações são legítimas. A
Igreja de Cristo não pode olhar para a fome, a violência, a solidão, a pobreza
e o abandono como se nada disso tivesse relação com sua missão.
Mas a missão da Igreja não termina aí. Ela não foi chamada
apenas para defender direitos ou aliviar necessidades temporais. Foi chamada
para ir, anunciar o Evangelho, fazer discípulos e proclamar o Reino de Deus.
Uma Igreja viva estende a mão a quem sofre, mas também aponta para Cristo.
Jesus deixou uma ordem clara: “Portanto, vão e façam
discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a
vocês.” Mateus 28:19-20 (NAA). A Igreja nasceu para ir.
Ir até quem não conhece Cristo. Ir até quem perdeu a
esperança. Ir até quem nunca ouviu o Evangelho com clareza. Ir até quem está
perto, mas espiritualmente distante. Ir às casas, às ruas, aos hospitais, às
escolas e aos locais de trabalho, porque ainda existem pessoas que precisam
ouvir que não há salvação em nenhum outro, senão em Jesus.
Na parábola da grande ceia, o senhor manda o servo sair e
buscar justamente aqueles que estavam à margem: “Saia depressa para as
ruas e becos da cidade e traga para cá os pobres, os aleijados, os cegos e os
coxos.” Lucas 14:21 (NAA). E, quando ainda havia lugar, ordenou: “Saia
pelos caminhos e atalhos e obrigue todos a entrar, para que a minha casa fique
cheia.” Lucas 14:23 (NAA).
Jesus não está ensinando coerção, mas mostrando a urgência
do convite. O servo não podia ficar dentro da casa esperando. Precisava sair. A
Igreja também não pode permanecer dentro de seus templos esperando que os
perdidos encontrem sozinhos o caminho. O “Ide” continua sendo uma ordem para
sair. A Igreja foi chamada por Cristo, mas não para permanecer parada; foi
chamada para pertencer a Ele e enviada para alcançar aqueles que ainda estão do
lado de fora.
Uma igreja pode ficar tão ocupada cuidando de si mesma que
se esquece de por que existe. Pode ter bons templos, cultos organizados e
agendas cheias, mas já não alcançar ninguém fora de suas paredes. Isso também
pode ser mornidão.
Uma Igreja quente não é apenas uma Igreja que canta com
entusiasmo. É uma Igreja que carrega no coração aquilo que estava no coração de
Cristo: alcançar pessoas.
Jesus disse: “E será pregado este evangelho do Reino
por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim.” Mateus
24:14 (NAA). O Reino precisa ser anunciado. Cada vez que a Igreja vai,
evangeliza e anuncia Cristo, participa do propósito de Deus que conduz a
história para sua consumação e para a volta do Senhor Jesus.
Evangelizar não é aumentar o número de pessoas dentro de uma
igreja. É cumprir uma ordem de Cristo. É anunciar que Deus não abandonou o
pecador, que Cristo veio ao mundo, morreu e ressuscitou, e que nEle há perdão,
nova vida e esperança eterna.
Mas esse anúncio precisa caminhar junto com aquilo que
pregamos. Não adianta falar do amor de Deus e permanecer indiferente diante de
uma família sem alimento. Não podemos anunciar que Cristo acolhe o pecador e
tratar com desprezo alguém destruído pela vida. Não podemos falar de
misericórdia e ignorar um idoso sozinho, um enfermo ou um jovem preso às
drogas.
Por isso, uma Igreja viva trabalha em duas direções que
nunca deveriam ser separadas: estende a mão ao homem e aponta o caminho para
Cristo. Quando encontra alguém com fome, oferece alimento, mas não esconde o
Pão da Vida. Quando encontra alguém ferido, oferece acolhimento, mas apresenta
Aquele que pode restaurar o coração.
Uma igreja pode errar dos dois lados. Pode preocupar-se
apenas com questões sociais e esquecer-se de anunciar arrependimento e
salvação. Ou pode falar de salvação enquanto fecha os olhos para a dor que está
diante de sua porta. Jesus não nos chamou para nenhum desses extremos. A ordem
não foi: “Esperem que eles venham.” Foi: “Vão.”
Então precisamos perguntar: estamos indo? Quantos afastados
foram procurados? Quantos enfermos foram visitados? Quantos necessitados
receberam ajuda? Quantas pessoas foram convidadas não apenas para um culto, mas
para conhecer Cristo?
Uma Igreja quente não vive fechada em si mesma. Ela ora, mas
também vai. Adora, mas também anuncia. Ensina os que estão dentro, mas procura
os que estão fora. Socorre a necessidade do corpo, mas não se esquece da
eternidade da alma.
Laodiceia precisava voltar para Cristo. Nós também
precisamos. Somente uma Igreja aquecida pela presença de Jesus terá amor
suficiente para olhar para a dor humana e paixão suficiente para continuar
anunciando o Seu Reino.
Uma Igreja aquecida pela presença de Cristo não vive para si
mesma: estende a mão a quem sofre, vai ao encontro de quem está perdido e
anuncia, com palavras e atitudes, que somente em Jesus há salvação e vida.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca