QUANDO CADA UM FAZ O QUE ACHA CERTO
“Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais
certo.”
Juízes 21:25 (NAA)
O período dos
juízes foi um dos momentos mais difíceis da história de Israel. A Bíblia mostra
que, após a morte de Josué, levantou-se uma nova geração que não conhecia o
Senhor, nem as obras que Ele havia feito pelo povo. Isso é algo muito sério.
Não se tratava apenas de falta de informação, mas de falta de relacionamento
com Deus. “E toda aquela geração também foi reunida aos seus pais; e
outra geração se levantou depois deles, que não conhecia o Senhor, nem as obras
que havia feito por Israel.” Juízes 2:10 (NAA)
A Palavra de Deus
nos alerta quanto a esse abandono e a esse desconhecimento. Como é lamentável e
perigoso quando uma geração inteira cresce sem conhecer Deus de verdade. Eles
ouviram falar, talvez, mas não viveram. Não tiveram experiência. E quando não
há experiência com Deus, as decisões passam a ser guiadas apenas pelo próprio
coração.
E é exatamente isso
que acontece: cada um passa a fazer o que acha certo aos seus próprios olhos.
Sem direção, sem referência espiritual, sem temor. O resultado disso foi um
afastamento gradual de Deus.
Mas surge uma
pergunta importante: onde estava a falha? A resposta não está apenas nos
filhos, mas na geração anterior. A Bíblia diz que eles deixaram o Senhor, o
Deus de seus pais. Isso significa que o Deus dos pais não se tornou, de fato, o
Deus dos filhos. Houve transmissão de informação, mas não de experiência.
E aqui cabe uma
reflexão muito séria. Em outro momento da história, vemos o próprio rei Davi
enfrentando consequências dentro de sua casa por falhas na condução de seus
filhos. “Seu pai nunca o havia contrariado, perguntando: ‘Por que você
faz assim?’” 1 Reis 1:6 (NAA)
Esse texto fala de
Adonias, filho de Davi. Perceba: não foi falta de conhecimento, nem de
estrutura, mas falta de correção, de acompanhamento, de orientação. Isso nos
mostra que até mesmo um homem segundo o coração de Deus pode falhar na condução
da família. E quando isso acontece, os frutos aparecem.
Isso também nos faz
refletir sobre os nossos dias. Vivemos em um tempo em que muitos pais desejam o
melhor para seus filhos: boa educação, conforto, oportunidades. Mas, muitas
vezes, deixam de lado o mais importante: ensinar o caminho do Senhor e conduzir
os filhos a uma experiência real com Deus. “Ensine a criança no caminho
em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.”
Provérbios 22:6 (NAA)
Ensinar não é
apenas falar. É viver, é mostrar, é acompanhar. Não basta dizer “Deus existe”.
É necessário ajudar os filhos a conhecerem esse Deus de forma pessoal.
Hoje vemos muitos adolescentes
e jovens crescendo dentro das igrejas, mas sem uma vida com Deus. Sabem cantar,
sabem participar, sabem até falar de Bíblia, mas não têm relacionamento. E,
quando chegam os momentos difíceis, não têm base para permanecer firmes.
A sociedade também
influencia muito. Muitos dizem que as gerações passadas foram mais fortes
emocionalmente porque aprenderam a lidar com dificuldades desde cedo. Hoje,
muitas vezes, tentamos proteger tanto nossos filhos que acabamos não ensinando
a eles a depender de Deus. O resultado disso pode ser perigoso: jovens que não
sabem enfrentar lutas, não sabem buscar direção e acabam fazendo aquilo que
parece certo aos seus próprios olhos. E foi exatamente isso que aconteceu com
Israel. “Deixaram o Senhor, o Deus
de seus pais, que os havia tirado da terra do Egito, e foram após outros
deuses...” Juízes 2:12 (NAA)
Quando o povo
deixou o Senhor, as consequências vieram. Eles passaram por opressão,
dificuldades e sofrimento. Foram dominados por inimigos e viveram tempos de
grande angústia. Isso nos mostra que abandonar a Deus nunca traz bons
resultados. Mas esse texto não é apenas uma história do passado. É um alerta
para nós hoje.
Qual tem sido a
nossa posição? Temos ensinado nossos filhos no caminho do Senhor? Temos levado
nossa família a viver uma experiência com Deus? Ou estamos apenas transmitindo
religião, sem vida espiritual? Não podemos esperar que nossos filhos amem a
Deus se não mostramos isso em nossa própria vida. Não podemos esperar que
permaneçam firmes se não ensinamos a buscar a Deus nos momentos difíceis.
Ainda há tempo.
Ainda podemos ajustar o caminho. Ainda podemos decidir viver de forma
diferente.
Que o Deus dos pais
seja também o Deus dos filhos. Que não sejamos apenas uma geração que ouviu
falar, mas uma geração que conhece, vive e testemunha o agir de Deus. Porque,
quando Deus é conhecido de verdade, as escolhas mudam. E quando as escolhas
mudam, o futuro também muda.
Quando Deus deixa
de ser uma experiência pessoal, cada um passa a viver guiado por si mesmo — mas
quando Ele é conhecido de verdade, a vida encontra direção.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
25/abr/26