LOUVOR: UM PRIVILÉGIO DE SERVIR

“Quanto aos cantores, chefes das famílias entre os levitas, ficavam alojados nas câmaras do templo e estavam isentos de outros serviços; porque, dia e noite, estavam ocupados no seu serviço.” 1 Crônicas 9:33 (NAA).

Vocês ainda vão se cansar de me ouvir dizer o quanto amo o louvor! Minha ligação com a música na Igreja vem desde que me entendo por gente. Lembro-me de que, aos seis anos de idade, já tocava acordeão na Igreja Metodista da minha comunidade. De lá para cá, como costuma dizer um irmão da igreja que frequento atualmente, “foi só louvor!”

Ao longo de tantos anos, aprendi a amar não apenas a música, mas principalmente aquilo que ela representa na nossa comunhão com Deus. O louvor sempre ocupou um lugar especial em minha vida. Por isso, confesso que fico preocupado quando observo a maneira como ele é tratado em algumas igrejas.

Também reconheço que o grupo de louvor costuma ser, como dizemos popularmente, um verdadeiro calo no sapato de muitos pastores. É uma área que exige orientação, paciência e sabedoria. Afinal, quando a vaidade, a competição, os desentendimentos e a falta de compromisso encontram espaço entre aqueles que deveriam conduzir a Igreja à adoração, aquilo que deveria promover comunhão pode acabar produzindo divisões.

O texto de 1 Crônicas 9:33 apresenta uma realidade que merece nossa atenção. Naquele tempo, alguns levitas tinham a responsabilidade de cuidar dos cânticos no templo. Essa tarefa era tão importante que ficavam dispensados de outras atividades para se dedicarem ao serviço do Senhor.

Observe que não eram dispensados porque trabalhavam menos, mas porque tinham uma responsabilidade que exigia dedicação constante. A expressão “dia e noite” destaca a importância desse compromisso, sem significar que permanecessem cantando durante vinte e quatro horas. Estavam dispensados de outras tarefas, mas jamais da responsabilidade de servir.

E aqui surge uma pergunta: se aqueles cantores se dedicavam tanto ao serviço do Senhor, como compreender a atitude de quem hoje deseja participar do louvor, mas não demonstra disposição para se preparar?

Infelizmente, há pessoas que desejam estar à frente da congregação, mas faltam aos ensaios sem justificativa, chegam atrasadas e pouco se preocupam com a responsabilidade assumida. Algumas parecem mais interessadas no reconhecimento pessoal do que em conduzir a Igreja à adoração.

Entretanto, existe algo ainda mais preocupante: alguém pode possuir uma bela voz, grande talento musical e excelente desempenho diante da congregação, mas não demonstrar, em sua vida particular, o mesmo compromisso com os ensinamentos de Jesus.

De que adianta cantar sobre santidade e viver desprezando a Palavra de Deus? De que adianta louvar sobre o amor e tratar os irmãos com arrogância? O verdadeiro louvor não pode estar separado da vida daquele que o oferece ao Senhor.

Não estou dizendo que os integrantes do louvor precisam ser pessoas perfeitas. Nenhum de nós é. Todos necessitamos diariamente da graça e da misericórdia de Deus. Mas existe uma grande diferença entre reconhecer nossas fraquezas e viver sem disposição para mudar.

Também precisamos compreender que muitos irmãos trabalham o dia inteiro, cuidam de suas famílias e chegam cansados aos ensaios. Outros enfrentam enfermidades e problemas pessoais. Esses irmãos merecem compreensão e carinho. Não podemos confundir uma dificuldade verdadeira com falta de compromisso. O problema não é alguém faltar porque realmente não pode comparecer, mas assumir uma responsabilidade e tratá-la com indiferença.

Existe ainda outro perigo: transformar o louvor em espetáculo.

Isso acontece quando o interesse principal deixa de ser a adoração a Deus e passa a ser o destaque individual, os solos, os instrumentos ou os aplausos recebidos.

Não há nada de errado em cantar bem, utilizar bons instrumentos ou buscar excelência musical. Devemos oferecer nosso melhor ao Senhor. Entretanto, a excelência perde seu verdadeiro sentido quando deixa de servir à Igreja e passa a alimentar a vaidade.

Jesus ensinou: “Mas vem a hora — e já chegou — em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade.” João 4:23 (NAA).

Observe que Jesus falou sobre verdadeiros adoradores, não simplesmente sobre bons cantores. Deus não procura apenas vozes afinadas ou músicos habilidosos. Ele procura pessoas que O adorem com sinceridade.

É importante lembrar que os levitas mencionados em 1 Crônicas pertenciam a uma tribo de Israel, com responsabilidades específicas no culto daquela época. Os músicos cristãos de hoje não são levitas nesse mesmo sentido, mas podemos aprender muito com sua dedicação.

Também seria injusto afirmar que todos os cantores do passado eram dedicados e que os atuais são negligentes. Existem muitos irmãos que servem ao Senhor com amor, humildade e responsabilidade, sacrificando horas de descanso para ensaiar e colocando seus talentos à disposição da Igreja sem buscar reconhecimento. Esses irmãos merecem nossa gratidão. Nossa advertência é dirigida àqueles que perderam de vista o verdadeiro propósito do louvor.

O profeta Amós já denunciava uma adoração repleta de cânticos, mas distante da justiça e da fidelidade a Deus, conforme Amós 5:23-24. Isso nos ensina que é possível haver muita música em um culto e pouca adoração no coração.

O serviço de louvor não começa quando alguém pega o microfone, toca um instrumento ou se apresenta diante da congregação. Começa muito antes, na preparação, na oração, na dedicação e, principalmente, na maneira como vivemos diante de Deus.

E aqui surge uma pergunta necessária: se o Senhor observasse nossa dedicação durante a semana, encontraria o mesmo entusiasmo que demonstramos quando chega o momento de cantar ou tocar na Igreja?

O louvor não deve ser uma oportunidade de aparecer, mas um privilégio de servir. Não é um espaço para demonstrar superioridade, mas para expressar gratidão Àquele que merece toda a honra.

Quanto mais amo o louvor, mais compreendo que ele exige não apenas talento, mas humildade, disciplina, consagração e fidelidade.

Afinal, uma bela voz pode impressionar as pessoas, mas é a sinceridade do coração que dá verdadeiro sentido ao louvor. A verdadeira adoração não começa quando abrimos os lábios para cantar, mas quando dispomos nossa vida a obedecer ao Senhor. Porque o louvor que oferecemos publicamente só encontra sua verdadeira beleza quando é acompanhado por uma vida dedicada a Deus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

30/out/26

 

GUARDANDO O QUE É FUNDAMENTAL

 “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.” 2 Timóteo 4:7 (ARC).

Chegamos, neste terceiro dia, ao final de nossa reflexão sobre o dito de Paulo e agora vamos a uma pergunta muito interessante que pode nos conduzir à parte mais profunda da declaração de Paulo em 2 Timóteo 4:7: Se a fé é algo que não podemos tocar com as mãos, mas podemos perder ao longo da caminhada, o que estamos fazendo hoje para preservá-la até o fim?

Observe que Paulo utiliza três expressões: combater, completar e guardar.

Combater pressupõe uma luta. Completar pressupõe um percurso. Mas guardar pressupõe algo que desejamos conservar e proteger. E aqui surge sua pergunta: como guardar a fé, se ela não é um objeto que podemos tocar, colocar em uma caixa ou trancar em um cofre? O que significa guardar a fé?

No texto grego, Paulo utiliza o verbo tēréō (τηρέω), que significa guardar, conservar, preservar, observar ou manter fielmente. Portanto, quando afirma que guardou a fé, Paulo não está falando de guardar um objeto, mas de preservar aquilo que recebeu e permanecer fiel a esse compromisso. A palavra fé, nesse contexto, pode envolver tanto sua confiança pessoal em Jesus Cristo quanto sua fidelidade à mensagem do Evangelho.

Paulo estava dizendo que, apesar das perseguições, prisões, sofrimentos e dificuldades, não havia abandonado sua confiança no Senhor nem renegado a verdade que anunciava.

Onde guardamos aquilo que não é material?

Essa é uma grande questão e ela encontra uma resposta muito bonita nas Escrituras. Senão vejamos a declaração do salmista: “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti.” Salmos 119:11 (ARC). A Palavra de Deus não foi literalmente escondida dentro do coração físico do salmista. O coração, na linguagem bíblica, representa o centro da vida interior, incluindo nossos pensamentos, desejos, sentimentos e decisões.

Assim, guardar a fé no coração significa permitir que ela permaneça viva em nossa consciência, oriente nossas escolhas e sustente nossa confiança em Deus.

Pense em algo semelhante ao amor. Não podemos colocar o amor dentro de uma gaveta, mas podemos conservá-lo por meio do cuidado, da dedicação e da fidelidade. Também não podemos tocar a esperança, mas podemos alimentá-la e preservá-la mesmo diante das dificuldades. Com a fé acontece algo semelhante. Surge então a questão: Como podemos guardar a fé?

A fé é preservada quando continuamos confiando em Deus, mesmo quando as circunstâncias parecem contrariar nossas expectativas.

Guardamos a fé quando permanecemos firmes na Palavra, quando cultivamos a oração, quando não abandonamos a comunhão com os irmãos e quando procuramos viver segundo os ensinamentos de Jesus. Mas existe algo importante: guardar a fé não significa nunca enfrentar dúvidas, tristezas ou momentos de fraqueza.

O próprio Paulo enfrentou situações em que suas forças pareciam se esgotar. Entretanto, continuou confiando no Senhor.

A fé não é guardada porque a colocamos em um lugar onde nada possa atingi-la. Ela é preservada enquanto a exercitamos em nossa caminhada com Deus.

Partimos para uma outra questão não menos relevante: Quando devemos guardar a fé? Aqui encontramos outro aspecto muito importante deste questionamento.

A fé não deve ser guardada apenas quando estamos enfrentando dificuldades. Ela precisa ser cultivada durante toda a nossa caminhada. Precisamos guardá-la quando tudo está bem, para que a prosperidade não nos faça esquecer de Deus. Precisamos guardá-la quando enfrentamos perdas, para que o sofrimento não destrua nossa esperança. Precisamos guardá-la quando somos contrariados, para que o ressentimento não ocupe o lugar do amor. E, finalmente, precisamos guardá-la quando envelhecemos, quando nossas forças diminuem e quando já não conseguimos realizar tudo aquilo que fazíamos na juventude.

Paulo chegou ao final de sua vida podendo declarar que havia guardado a fé. Isso significa que ele não começou a guardá-la naquele momento. Ele a preservou ao longo de toda a caminhada.

Há Uma distinção muito importante a ser analisada: guardar não significa esconder. Há uma diferença entre guardar a fé e escondê-la.

Uma pessoa pode guardar um objeto precioso em um cofre, impedindo que outros tenham acesso a ele. Entretanto, a fé cristã não foi recebida para permanecer escondida. Ela deve ser anunciada, compartilhada e demonstrada por meio da nossa maneira de viver.

Por isso, guardar a fé não significa retê-la somente para nós, mas preservá-la em nossa vida e transmiti-la fielmente às próximas gerações. Paulo fez exatamente isso. Guardou a fé e, ao mesmo tempo, dedicou sua vida a anunciá-la.

Há algo extraordinário nas três declarações de Paulo. Ele havia enfrentado muitas batalhas, mas não perdeu de vista a causa pela qual lutava. Havia percorrido uma longa caminhada, mas não abandonou a missão que recebera. E havia atravessado açoites, prisões, perseguições, sofrimentos e perdas, mas conservou aquilo que possuía de mais precioso: sua fé em Jesus Cristo.

Paulo não guardou a fé em um lugar físico. Guardou-a em sua vida, em suas convicções, em sua fidelidade e em seu relacionamento com o Senhor. E talvez aqui esteja a maior lição dessa passagem. Podemos perder muitas coisas ao longo da vida: bens materiais, posições, oportunidades, saúde e até pessoas que amamos. Mas não devemos permitir que as circunstâncias nos afastem dAquele em Quem depositamos nossa fé.

A fé não se guarda em cofres, gavetas ou lugares protegidos dos olhos humanos. Ela é preservada no coração, alimentada pela Palavra, fortalecida na oração e demonstrada nas escolhas de cada dia. Guardar a fé é chegar ao final da caminhada sem abandonar Aquele que nos sustentou desde o começo.

Ao final da caminhada, Paulo não destacou aquilo que havia conquistado, mas aquilo que havia preservado. Porque, entre tantas coisas que podemos ganhar ou perder durante a vida, permanecer fiel a Jesus Cristo é o que verdadeiramente importa.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

29/out/26

 

NÃO BASTA COMEÇAR, É PRECISO CHEGAR AO FIM

“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.” 2 Timóteo 4:7 (ARC).

Dando continuidade à bela declaração do apóstolo Paulo, registrada em 2 Timóteo 4:7, vamos refletir hoje sobre a segunda expressão: “Acabei a carreira.”

Depois de compreendermos o significado de combater o bom combate, somos convidados a pensar em outro aspecto fundamental da vida cristã: não basta começar a caminhada com entusiasmo; é preciso perseverar até o fim. Afinal, a vida com Deus é uma jornada que exige fé, dedicação e perseverança, mesmo quando surgem obstáculos que nos fazem pensar em desistir.

Essa é uma reflexão muito importante. Entretanto, precisamos fazer uma distinção: quando Paulo afirma que completou a carreira, isso não significa, necessariamente, que estivesse comparando sua trajetória com a daqueles que ficaram pelo caminho. Ele estava testemunhando que havia perseverado até o fim na missão que recebera do Senhor.

Mas existe algo que é fato: nem todos os que começam chegam ao final.

A vida cristã é frequentemente comparada a uma corrida. Entretanto, não basta começar bem; é necessário perseverar.

Ao escrever aos coríntios, Paulo declarou: “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis.” 1 Coríntios 9:24 (ARC). O apóstolo estava ensinando sobre disciplina, perseverança e compromisso espiritual.

Há pessoas que começam a caminhada cristã com entusiasmo, mas, diante das dificuldades, do desânimo ou das atrações deste mundo, acabam abandonando o compromisso que assumiram.

Lembra-se da semente que caiu entre os espinhos, na parábola do semeador? Jesus explicou que os cuidados deste mundo, as riquezas e os prazeres da vida podem sufocar a Palavra, impedindo que ela produza frutos maduros, conforme Lucas 8:14.

Paulo conheceu pessoas que ficaram pelo caminho, e um exemplo que ele mesmo apresenta é o de Demas. “Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica.” 2 Timóteo 4:10 (ARC). Demas havia sido colaborador de Paulo, conforme Filemom 1:24. Entretanto, posteriormente o abandonou.

É importante observar que o texto não declara expressamente que Demas perdeu a salvação ou abandonou definitivamente a fé. Afirma que deixou Paulo por amar o presente século. Mesmo assim, seu exemplo demonstra como alguém pode começar participando da Obra e depois se afastar de determinado compromisso.

Então, o que significa, afinal, completar a carreira? Significa permanecer fiel ao chamado.

Paulo não estava afirmando que nunca havia enfrentado dificuldades, cometido erros ou experimentado momentos de fraqueza. Sua declaração significava que, apesar de todas as adversidades, não havia abandonado a missão que Deus lhe confiara.

Em Atos 20:24, ele já havia demonstrado esse desejo de concluir sua carreira e cumprir o ministério recebido do Senhor Jesus. Portanto, completar a carreira não significa ter uma caminhada sem tropeços, mas perseverar na fé e no propósito de Deus até o fim. O perigo não está apenas em abandonar a corrida, mas também em perder de vista sua finalidade.

Podemos permanecer muitos anos envolvidos em atividades religiosas e, ainda assim, perder de vista o propósito da nossa caminhada. O objetivo de Paulo não era simplesmente continuar ocupado com alguma atividade ministerial. Era permanecer fiel a Cristo.

Por isso, as três declarações de 2 Timóteo 4:7 estão profundamente relacionadas:

“Combati o bom combate” — lutei por uma causa digna.

“Acabei a carreira” — não abandonei a missão antes de concluí-la.

“Guardei a fé” — permaneci fiel ao Senhor.

Observe que o apóstolo não destaca a quantidade de coisas que realizou, mas a fidelidade com que chegou ao final.

Em nossos dias, talvez esteja aqui uma das maiores advertências dessa passagem.

Muitos começam a vida cristã com entusiasmo. Participam dos cultos, envolvem-se nos ministérios, assumem responsabilidades e demonstram grande disposição para servir. Entretanto, ao longo dos anos, surgem dificuldades, decepções, conflitos, enfermidades e momentos de desânimo. Alguns se afastam. Outros continuam caminhando, mesmo que suas forças já não sejam as mesmas.

O importante não é apenas como começamos, mas se permaneceremos fiéis até o final. Sabe aquela frase que já se transformou em um jargão, mas que expressa uma grande verdade? “Não importa apenas como você começa, mas como você termina.”

E há algo que considero especialmente significativo: Paulo não disse que terminou a carreira porque era mais forte que os outros. Sua perseverança estava fundamentada na graça e na fidelidade do Senhor.

O que temos visto é que muitos começam a corrida, mas nem todos perseveram até o fim. Paulo não se gloriou simplesmente por ter começado bem, mas por haver completado a missão e guardado a fé.

Nossa maior vitória não é chegar primeiro, mas chegar ao final permanecendo fiel a Jesus. E isso nos conduz naturalmente à terceira declaração de Paulo: “Guardei a fé.”

Porque alguém pode participar de muitas batalhas e percorrer uma longa caminhada religiosa, mas a pergunta decisiva será: ao chegar ao final, terá conservado a fé em Jesus Cristo?

Na reflexão de amanhã, falaremos sobre o significado de guardar algo tão precioso e intangível como a fé, e como podemos preservá-la ao longo de nossa caminhada com o Senhor.

Até lá!

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

28/out/26

 

QUE COMBATE VOCÊ TEM COMBATIDO?

“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.” 2 Timóteo 4:7 (ARC).

Nem toda batalha merece nossas forças, nem toda vitória significa que agradamos a Deus. O importante não é apenas lutar, mas chegar ao final da caminhada com a certeza de que combatemos por aquilo que realmente vale a pena diante do Senhor.

Percebemos em nosso texto básico três declarações que resumem a caminhada de um servo de Deus e revelam a profundidade de uma vida dedicada ao Senhor – combati, acabei e guardei.

Ao pronunciá-las, o apóstolo Paulo não estava apenas recordando sua trajetória, mas testemunhando que havia permanecido fiel até o fim. Suas palavras nos convidam a refletir sobre três aspectos fundamentais da vida cristã: há um combate que precisamos enfrentar, uma carreira que devemos percorrer até o fim e uma fé que precisamos preservar ao longo de toda a caminhada.

Ao longo desses três dias, vamos compreender melhor o significado de cada uma dessas declarações e descobrir o que elas nos ensinam sobre nossa própria jornada na presença do Senhor.

Se o apóstolo Paulo afirma que combateu o “bom combate”, podemos entender que existem também combates que não são bons. E essa distinção é muito importante para compreendermos a vida cristã.

Ao fazer essa declaração, Paulo não disse simplesmente: “Combati um combate.” Ele acrescentou o adjetivo “bom”, qualificando a natureza da luta que havia enfrentado.

Isso nos leva a entender que existem lutas que enfrentamos por motivos legítimos, mas também existem aquelas que nós mesmos provocamos por orgulho, vaidade, ressentimento, inveja ou desejo de demonstrar superioridade.

Uma pessoa pode passar a vida inteira lutando por reconhecimento, posições, dinheiro ou poder, sem perceber que está desperdiçando suas forças em batalhas que não possuem valor espiritual. Até mesmo dentro da Igreja podemos encontrar pessoas envolvidas em disputas por cargos, influência e prestígio, confundindo seus interesses pessoais com a defesa da Obra de Deus.

Nem toda luta que travamos é uma luta que Deus deseja que enfrentemos. Mas, então, o que torna um combate bom?

A palavra grega utilizada por Paulo é kalós (καλός), que pode significar bom, belo, nobre ou digno. Portanto, Paulo não estava dizendo que sua caminhada havia sido agradável ou livre de sofrimento. Estava simplesmente afirmando que havia dedicado sua vida a uma causa digna: permanecer fiel a Jesus Cristo e cumprir o ministério que recebera.

Concluímos, daí, que o combate era bom não porque tivesse sido fácil, mas porque era justa e preciosa a causa pela qual havia lutado.

Na verdade, podemos lutar muito e, ainda assim, lutar pelas coisas erradas. Esse é um dos aspectos mais importantes dessa reflexão.

Há pessoas que passam anos lutando para provar que estão certas, vencer discussões, defender interesses pessoais ou conquistar reconhecimento. Entretanto, vencer uma discussão não significa necessariamente ter glorificado a Deus.

O próprio Paulo advertiu Timóteo contra discussões inúteis que produziam contendas, conforme 2 Timóteo 2:23-24. Isso nos ensina que nem toda batalha merece nossa participação. Às vezes, a maior vitória espiritual não está em enfrentar determinada luta, mas em reconhecer que ela não deveria ser travada. O bom combate é uma luta pela fidelidade, não pela superioridade.

Em 1 Timóteo 6:12 (ARC), Paulo orienta: “Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado [...]”

O bom combate é o combate da fé. É lutar contra aquilo que procura nos afastar do Senhor, resistir às tentações, permanecer fiel à Palavra e perseverar mesmo diante das dificuldades. É continuar amando quando somos desprezados, permanecer honestos quando a desonestidade parece vantajosa e defender a verdade sem abandonar o amor.

O verdadeiro adversário do cristão não é simplesmente alguém que pensa de maneira diferente. Paulo nos lembra, em Efésios 6:12, que nossa luta espiritual não é contra carne e sangue. O que será, então, que Paulo quis dizer ao afirmar que combateu o bom combate?

Ao chegar ao final da vida, Paulo não destacou suas conquistas materiais, o número de viagens que realizou ou as pessoas que conseguiu convencer. Ele destacou, sim, três realidades:

“Combati o bom combate” — dedicou-se a uma causa digna.

“Acabei a carreira” — perseverou na missão que havia recebido.

“Guardei a fé” — permaneceu fiel a Cristo.

Observe que Paulo não afirmou ter vencido todas as discussões ou superado todas as dificuldades, pois sua vitória estava em chegar ao final da caminhada permanecendo fiel ao Senhor.

E, em nossos dias, o que podemos aprender com essa disposição de Paulo?

A pergunta que precisamos fazer não é apenas se estamos lutando, mas por que estamos lutando, contra o que estamos lutando e para quem estamos lutando.

Podemos gastar nossas forças em batalhas que alimentam nosso orgulho ou dedicá-las àquilo que verdadeiramente glorifica a Deus.

Nem todo combate é bom, ainda que seja travado com muita determinação. O valor de uma batalha não está na intensidade da luta, mas na nobreza da causa.

O bom combate não é aquele em que conseguimos derrotar nossos semelhantes, mas aquele em que permanecemos fiéis a Cristo até o fim.

Quando chegarmos ao final da nossa caminhada, poderemos dizer, como Paulo, que combatemos o bom combate, ou descobriremos que gastamos nossas forças em batalhas que nunca deveríamos ter travado?

Na reflexão de amanhã, daremos continuidade a essa questão, tratando da carreira que precisamos completar.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

27/out/26

 

AINDA JOVENS POR DENTRO

Memórias do nosso reencontro — UMP Maria da Graça, anos 70/80
24 de outubro de 2026

Oi, pessoal!

Que dia memorável foi o dia de ontem - o nosso reencontro!

Depois de tantos anos, tantas conversas, expectativas e preparativos, finalmente chegou o momento de estarmos juntos novamente. Foi uma alegria imensa rever amigos, irmãos e irmãs tão queridos, recordar histórias e reviver momentos que, apesar da passagem do tempo, jamais deixaram de ocupar um lugar especial em nossos corações.

Confesso que ainda estou emocionado.

Há acontecimentos que terminam quando as pessoas se despedem, mas há outros que continuam acontecendo dentro de nós. Tenho a impressão de que nosso reencontro pertence a essa segunda categoria. As conversas terminaram, as portas da igreja se fecharam, cada um seguiu seu caminho, mas alguma coisa daquele dia continua viva em meu coração.

Desde os primeiros abraços, percebi que estávamos vivendo algo muito maior do que uma simples reunião de antigos companheiros. Alguns não se viam havia décadas. Outros mantiveram contato ao longo dos anos, mas raramente tiveram a oportunidade de estar reunidos daquela maneira.

E foi interessante perceber como o tempo pareceu perder a importância. Bastava um sorriso, uma voz conhecida, um abraço apertado ou uma lembrança compartilhada para que os anos desaparecessem por alguns instantes.

Os cabelos embranqueceram, os rostos ganharam as marcas do tempo, alguns passos ficaram mais lentos, mas os olhos ainda revelavam aqueles jovens que, décadas atrás, enchiam os espaços da nossa querida Igreja de Maria da Graça com alegria, amizade e disposição para servir ao Senhor.

Para aquele dia, tínhamos uma programação cuidadosamente planejada, com horários e atividades definidos. Entretanto, ao longo do encontro, percebemos que o Espírito Santo tinha outros planos para nós. E foi maravilhoso permitir que nossa vontade desse lugar à vontade dEle!

Nem tudo aconteceu como havíamos imaginado. Os testemunhos, as lembranças, as emoções e a comunhão foram conduzindo o encontro de uma maneira que nenhuma programação seria capaz de prever.

Planejamos aquilo que desejávamos fazer, mas o Espírito Santo nos conduziu àquilo que precisávamos viver.

E como foi precioso ouvir os testemunhos! Cada história revelava um pouco da caminhada de alguém que conhecemos na juventude. Ouvimos relatos de vitórias, dificuldades, perdas, superações e experiências com Deus.

Descobrimos, mais uma vez, que os anos não passaram da mesma maneira para todos nós. Cada um enfrentou suas próprias batalhas, percorreu caminhos diferentes e escreveu capítulos que os antigos companheiros nem sempre conheciam. Mas havia algo que nos unia: a certeza de que, durante todos esses anos, o Senhor não deixou de cuidar de nós.

A comida preparada pelas irmãs da SAF estava deliciosa! E o café? Ah, que maravilha! Tudo feito e servido com tanto carinho! Cada detalhe revelava dedicação e amor. Nossa gratidão a todas aquelas irmãs que trabalharam na cozinha, prepararam as mesas e cuidaram de nós com tanto zelo.

Nossa sincera gratidão ao Conselho da Igreja Presbiteriana de Maria da Graça, especialmente aos queridos pastores Rev. Marcelo e Rev. Josias, que tão gentilmente colocaram as dependências da igreja à nossa disposição e nos acolheram com tanto carinho e atenção. 

Mais do que abrir as portas do templo, vocês nos proporcionaram a alegria de retornar a um lugar onde vivemos momentos inesquecíveis da nossa infância e juventude, onde tantas amizades nasceram e onde nossa fé foi fortalecida. Obrigado por nos permitirem voltar àquela casa que, de alguma maneira, continua sendo também um pedacinho da nossa própria história. Que o Senhor abençoe grandemente os pastores, o Conselho e toda a querida Igreja de Maria da Graça por esse gesto tão generoso e fraterno!

E, naturalmente, nossa gratidão se estende a todos que participaram da organização, da recepção, da programação e dos preparativos. Às vezes, quem comparece a um encontro não imagina quanto trabalho existe por trás de cada detalhe. Houve pessoas que dedicaram tempo, esforço e recursos para que aquele sonho pudesse se transformar em realidade. Nada disso será esquecido.

Mas, entre tantos momentos especiais, houve um que nos transportou diretamente ao passado: nosso passeio pelos espaços da igreja. Ah, aquele passeio!

Foi muito mais do que revisitar salas e corredores. Foi como abrir um antigo álbum de fotografias, daqueles que guardamos durante décadas e que, ao folhearmos, nos fazem reencontrar pessoas, lugares e acontecimentos que pareciam adormecidos na memória.

Foi emocionante rever aquele cantinho onde ficava o bebedouro, próximo à escada que dava acesso ao antigo salão da UMP. Era ali que depositávamos, às escondidas, nossas cartinhas do amigo oculto, sempre com o maior cuidado para que ninguém descobrisse quem havia escrito cada mensagem!

Ah, como eram importantes aqueles pequenos mistérios da nossa juventude! Coisas tão simples, mas que nos proporcionavam tanta alegria!

E o antigo salão da UMP?

Quantas reuniões, conversas, brincadeiras e amizades nasceram naquele espaço! Quantos olhares se encontraram, quantos namoros começaram e quantos desses relacionamentos acabaram se transformando em casamentos e famílias!

Quem poderia imaginar, naquela época, que algumas daquelas conversas e aproximações dariam origem a histórias de amor que atravessariam décadas?

E o lugar onde jogávamos nossas animadas partidas de pingue-pongue? Quantas disputas, quantas gargalhadas e quantos momentos de descontração!

E o quartinho do Vilmar? Só de mencionar aquele lugar, certamente muitas lembranças já começam a surgir na memória de alguns.

E aquele armário no segundo andar do prédio antigo, onde, quando éramos crianças e adolescentes, nos escondíamos dos presbíteros e do zelador?

Ah, se aquelas paredes pudessem falar! Quantas histórias seriam reveladas! E talvez algumas fossem melhor continuar guardadas, não é mesmo? rsrs!

Talvez nossos filhos e netos nem consigam compreender o valor que aqueles pequenos espaços tinham para nós. Afinal, para quem olha de fora, eram apenas salas, corredores, armários e cantinhos de uma igreja. Mas, para nós, eram os cenários onde uma parte preciosa da nossa vida aconteceu.

Lembram-se dos domingos em que praticamente passávamos o dia inteiro na igreja? Parecia que nunca tínhamos pressa de ir embora. Sempre havia alguma atividade, uma conversa que se prolongava, uma reunião ou simplesmente o prazer de estarmos juntos.

E as reuniões do ECCO — Estudar, Cantar, Compartilhar e Orar?

Quanta coisa aprendemos naqueles encontros! Ali fortalecíamos amizades, compartilhávamos preocupações, cantávamos louvores e aprendíamos, ainda jovens, a importância de caminhar na presença de Deus.

O louvor, aliás, ocupava um lugar muito especial em nossa convivência. Quantas músicas cantamos juntos! Algumas delas continuam trazendo à memória, mesmo depois de tantos anos, pessoas, acontecimentos e sentimentos que jamais desapareceram completamente.

E o nosso querido templo?

Ali, muitos de nós fomos batizados, outros se casaram e tantos viveram experiências que marcaram para sempre sua caminhada com o Senhor.

E quantos de nós entregamos nossa vida a Jesus naquele lugar! Não é mesmo, Tereza? Você se lembra daquele culto à noite, quando, tocada pela Palavra de Deus, tomou a decisão de entregar sua vida a Jesus?

Ah, quantas histórias de conversão, quantas orações, quantas lágrimas e quantos encontros verdadeiros com o Senhor aconteceram naquele templo!

Para muitos de nós, aquele lugar não foi apenas o cenário de momentos importantes da juventude, mas o ambiente onde começou uma nova história de vida com Cristo.

E quantas vigílias de oração realizamos ali! Quantas noites passamos juntos, entre louvores, orações e mensagens da Palavra de Deus!

E quem não se lembra do Haroldo, que tinha a incrível capacidade de dormir de olhos abertos enquanto tocava seu violão durante as vigílias?

Não é mesmo, Haroldo? Até hoje não sei como você conseguia fazer aquilo! rsrs!

Quantas orações foram feitas naquele templo! Quantas respostas recebemos do Senhor, testemunhando Seu cuidado e Sua fidelidade! Quantas mensagens ouvimos, quantos louvores cantamos e quantas decisões importantes tomamos diante de Deus!

Quantas vezes chegamos com o coração apertado, carregando preocupações, dúvidas e dificuldades, e saímos renovados, fortalecidos e consolados pela Sua Palavra!

Naquele passeio, cada parede, cada corredor e cada espaço parecia guardar um pedacinho da nossa história.

Houve momentos em que as palavras já não eram suficientes e os olhos se encheram de lágrimas.

Não é mesmo, Mauro?

Aliás, Mauro, sempre com aquele seu sorriso Colgate! Ah, que menino de ouro!

“Você está feliz, Mauro?”   Sei que sim.

E pensar que aquele jovem tão alegre de nossa juventude hoje já passou dos 70 anos, mas continua com o mesmo sorriso encantador! Meu querido irmão, eu não perderia aqueles momentos por nada neste mundo! Ver sua emoção, sua felicidade e aquele sorriso tão espontâneo foi um dos presentes mais bonitos que recebi naquele dia. Quando olho para você, ainda consigo enxergar aquele menino querido de tantos anos atrás.

E a alegria contagiante do Carlinhos, com seus mais de 80 anos? Que coisa maravilhosa!

E o que dizer do nosso querido Rev. Oliveiros? Com mais de 90 anos, continua dando exemplo de vitalidade e disposição, caminhando cerca de 12 quilômetros por dia!

Olhando para esses irmãos tão queridos, só consigo pensar em uma coisa: É assim que eu quero envelhecer! Com alegria no coração, disposição para viver, um sorriso no rosto e, acima de tudo, gratidão a Deus por cada novo dia que Ele nos concede. Afinal, envelhecer é inevitável, mas perder a alegria de viver não precisa fazer parte dessa caminhada.

E o nosso querido presbítero Isaías? Que memória extraordinária! Foi emocionante ouvi-lo recordar, com tanta clareza, acontecimentos de décadas atrás, trazendo à tona histórias e detalhes que muitos de nós já nem lembrávamos. Como foi bom reviver, por meio de suas palavras, tantos momentos daquele passado tão precioso da Igreja de Maria da Graça!

Ah, presbítero Isaías, que privilégio poder contar com sua presença e suas lembranças para manter viva uma parte tão bonita da nossa história!

E o nosso querido regente Carlos e sua esposa, Gláucia? Como foi bom revê-los depois de tantos anos! Quantas lembranças vieram à memória ao reencontrar aquele que, com tanta dedicação, conduzia nossos louvores ao Senhor! Foi uma pena que, desta vez, não tivemos a oportunidade de vê-lo reger um hino, como fazia nos velhos tempos. Mas tudo bem, querido Carlos, fica para o próximo encontro! Quem sabe não teremos novamente a alegria de cantar juntos, acompanhando seus gestos tão familiares? Afinal, há melodias que o tempo não apaga e pessoas cuja presença continua fazendo parte da música da nossa história.

E a agitação da Adriene, sempre tão animada, contagiando a todos com sua energia? E a descontração da Martinha, com seu jeito espontâneo e alegre de transformar qualquer momento em motivo para sorrir?

Ah, o que dizer de tantos momentos especiais?

E os coelhos fujões, que quase deixaram Ronaldo e Soraia de fora da nossa festa? rsrs! Quem diria que, depois de tantos preparativos, alguns coelhinhos resolveriam aprontar justamente naquele dia! Ainda bem que tudo deu certo e pudemos contar com a presença desses amigos tão queridos. Agora, Ronaldo e Soraia, vocês já têm mais uma história para contar quando nos reunirmos novamente!

E como foi bom rever meus queridos primos e primas: Marta, Nilson e Zélia! Que alegria poder abraçá-los novamente e recordar tantos momentos que compartilhamos desde a infância e a juventude! Afinal, além dos laços de sangue, temos também uma história de fé, amizade e convivência construída ao longo de tantos anos naquela querida igreja. O tempo passou, cada um seguiu seu caminho, mas o carinho permanece o mesmo.

Reencontrar amigos já é uma grande alegria, mas reencontrar aqueles que, além de amigos, fazem parte da nossa própria família torna tudo ainda mais especial.

E as minhas queridas madrinhas de casamento, Betinha e Márcia? Ah, que alegria imensa poder reencontrá-las! Vocês não fizeram parte apenas da minha juventude. Estiveram presentes em um dos momentos mais importantes da minha vida: o dia em que Tereza e eu começamos nossa caminhada como marido e mulher. E pensar que tantos anos se passaram desde aquele dia! Reencontrá-las foi também reviver um pedacinho da nossa história de amor, uma história da qual vocês fazem parte de maneira tão especial.

Enquanto observava aqueles rostos conhecidos, fiquei pensando em quantos caminhos diferentes nossas vidas tomaram.

Daquela juventude reunida em torno da Palavra de Deus, surgiram tantas histórias! Alguns constituíram família, criaram filhos, receberam netos, enfrentaram perdas, venceram dificuldades e precisaram recomeçar muitas vezes. Outros seguiram caminhos que jamais poderíamos imaginar quando éramos adolescentes.

Entre nós, há também aqueles que receberam o chamado para o ministério pastoral. Recordar a caminhada de Nilson, Mauro e a minha própria história é reconhecer como Deus já estava trabalhando em nossas vidas quando ainda éramos jovens e nem imaginávamos por quais caminhos Ele nos conduziria.

Naquela época, talvez não tivéssemos ideia da dimensão que nossas escolhas alcançariam. Hoje, olhando para trás, percebemos que muitos ensinamentos recebidos naquela igreja nos acompanharam por toda a vida. Mas, em meio à alegria de rever tantos amigos, também sentimos algumas ausências.

Não podemos esquecer aqueles que fizeram parte da nossa história, mas que, por diferentes motivos, não puderam estar presentes. Sérgio, Anderson, Verinha, Ozalene, Vilmar, Joel, Soninha, Rita, Márcia, Alexandre e tantos outros amigos queridos que gostaríamos imensamente de ter abraçado naquele dia!

Alguns não puderam viajar, outros tinham compromissos ou enfrentavam limitações pessoais. Sentimos a falta de cada um de vocês, pois cada nome representa uma história, uma amizade e muitas lembranças que continuam vivas em nossos corações.

E como não recordar, com carinho e saudade, daqueles queridos irmãos que já partiram para a eternidade? Solange, Fátima, Marcos, Olyene, Fernando e tantos outros que também escreveram conosco capítulos tão bonitos dessa história! Ah, quantos momentos preciosos compartilhamos com eles! Quantas conversas, brincadeiras, orações, louvores e experiências vividas juntos permanecem guardados em nossa memória! A saudade é uma forma de reconhecer que alguém deixou marcas profundas em nossa vida.

E, quando recordamos aqueles companheiros, percebemos que sua presença não desapareceu completamente. Ela continua nas histórias que contamos, nos ensinamentos que recebemos e no carinho com que pronunciamos seus nomes.

Porque a história da UMP Maria da Graça não foi construída apenas por aqueles que estiveram presentes em nosso reencontro. Ela pertence a todos que, em algum momento, caminharam conosco, compartilharam nossa fé e ajudaram a escrever aquelas páginas tão bonitas da nossa infância e juventude.

Aos que não puderam comparecer, fica nosso carinho e a esperança de que, pela graça de Deus, possamos nos abraçar no próximo encontro.

E, quanto aos que já partiram, permanecem a saudade, a gratidão pelas marcas de amor e amizade que deixaram em nossas vidas e, acima de tudo, a bendita esperança que temos em Cristo, de que a morte não terá a última palavra. Nossa esperança é a de um reencontro eterno, na presença do Senhor, onde não haverá mais separações, lágrimas ou despedidas.

Mas, voltando ao nosso encontro, nem tudo foi facilidade!

Para alguns, a viagem foi bastante cansativa, não é mesmo, Arlene? Ficar mais de três horas na rodoviária, esperando o ônibus para voltar para casa, depois de um dia tão intenso e emocionante, não foi nada fácil!

E o que dizer da turma de Campos, que enfrentou uma longa viagem e só chegou em casa quase no dia seguinte? Quanta disposição para participar desse reencontro!

E ainda tivemos a travessia de barca para Paquetá, balançando naquele vai e vem das águas, não é mesmo, Martinha?

Quanto a mim, que curto de montão pegar a estrada, a subida da serra foi calma, serena e tranquila. Suave na nave, pela graça de Deus! Ao meu lado, Tetê, minha fiel copiloto, seguia preocupada com a possibilidade de chuva e neblina na serra. Mas, graças ao Senhor, nem uma coisa nem outra aconteceu, e tivemos uma viagem muito tranquila.

Chegamos em Juiz de Fora bem antes das nove da noite, a tempo até de passar no Burger King e comprar um lanche. Mas confesso que ainda trazíamos na lembrança aquele nosso farto e delicioso café da tarde, preparado com tanto carinho pelas irmãs. Até na estrada de volta para casa, as conversas e as lembranças do reencontro continuavam nos acompanhando.

E vocês? Como foi o retorno de cada um?

Confesso que, apesar de toda a alegria vivida, fiquei preocupado e um tanto tenso com as viagens de volta. Sabia que alguns enfrentariam longas horas na estrada, esperas em rodoviárias e o cansaço de um dia tão movimentado. Por isso, meu coração só ficou verdadeiramente tranquilo quando recebi a notícia de que todos haviam chegado bem às suas casas. Graças a Deus, tudo deu certo! Foi somente naquele momento que consegui descansar, agradecendo ao Senhor por Seu cuidado e proteção durante cada viagem.

Depois de tantos anos esperando por esse reencontro, minha alegria não estava apenas em saber que conseguimos estar juntos, mas também em ter a certeza de que todos haviam retornado em segurança para suas famílias.

E agora quero fazer uma pergunta, esperando que respondam com toda a sinceridade:

Valeu ou não valeu a pena?

Será que todos vocês, assim como eu, sentiram que cada momento do nosso reencontro valeu a pena?

Tenho a impressão de que a resposta já foi dada pelos abraços apertados, pelos sorrisos espontâneos, pelas lágrimas de emoção e pela alegria estampada no rosto de cada um. Afinal, depois de tantos anos, algumas horas de viagem, o cansaço e até os pequenos imprevistos parecem tão insignificantes diante da felicidade de reencontrar pessoas que fizeram parte da nossa história.

Eu voltei para casa com o coração transbordando de gratidão. Mas, agora que o encontro terminou, uma pergunta insiste em permanecer:

O que ficou daquele dia?

Ficaram as fotografias, os vídeos, as mensagens, as histórias recontadas e tantas outras lembranças que ainda serão compartilhadas em nosso grupo. Ficaram os abraços que gostaríamos de ter prolongado, as conversas que terminaram antes que tivéssemos contado tudo e a vontade de permanecer mais um pouco ao lado de pessoas tão queridas. Mas ficou, sobretudo, algo que nenhuma fotografia consegue registrar por inteiro: o sentimento de pertencimento a uma história que começou há muitas décadas e continua viva dentro de nós.

Envelhecemos. Sim, é verdade!  Nossas forças já não são as mesmas, e muitas das coisas que fazíamos na juventude hoje pertencem ao mundo das lembranças.

O tempo passou, os cabelos embranqueceram, os filhos cresceram, vieram os netos, enfrentamos alegrias e tristezas, vitórias e perdas. Alguns de nós já experimentaram a dor de despedidas que jamais imaginaram enfrentar. Outros tiveram de reconstruir sonhos, adaptar-se a novas realidades e aprender a viver de maneira diferente.

A vida seguiu seu curso, como precisava seguir. Mas naquele sábado, por algumas horas, voltamos a ser os jovens de tantos anos atrás. Não porque o tempo tivesse voltado, mas porque descobrimos que ele não havia conseguido levar tudo. Ainda estavam ali a amizade, o carinho, a alegria, o respeito, as lembranças e a fé que um dia nos aproximaram. E talvez essa tenha sido uma das descobertas mais bonitas do nosso reencontro: o tempo modificou muita coisa em nós, mas não conseguiu apagar aquilo que construímos juntos.

O mais precioso de tudo foi perceber que, embora nossa juventude tenha ficado no passado, o Deus a Quem servíamos naquela época continua sendo o mesmo Senhor a Quem servimos hoje. Foi Ele Quem nos sustentou ao longo dessas décadas. Foi Sua graça que nos acompanhou pelos diferentes caminhos que percorremos. E foi por Sua misericórdia que tivemos a oportunidade de nos abraçar novamente.

Lembro-me agora do lema que tantas vezes repetimos em nossa juventude: “Alegres na esperança. Fortes na fé. Dedicados no amor e unidos no trabalho.” Como essas palavras continuam atuais!

No dia de ontem fomos alegres na esperança, fortes na fé, dedicados no amor e unidos na realização de um sonho que parecia tão distante. E talvez essa seja uma das maiores lições que podemos levar desse encontro: a juventude passa, mas os valores que aprendemos diante do Senhor podem nos acompanhar por toda a vida.

A todos que estiveram presentes, meu carinho e minha gratidão. Aos que trabalharam na organização, na alimentação, na recepção, na programação e nos preparativos, meu reconhecimento pelo esforço e pela dedicação. Aos que viajaram de longe, meu agradecimento por não terem medido esforços para estar conosco. Aos que não puderam participar, quero dizer que também fizeram parte daquele dia, porque estiveram presentes em nossas conversas, lembranças e em nosso coração. E, acima de tudo, nossa gratidão ao Senhor, que nos permitiu viver um reencontro tão especial.

Não sabemos quando teremos novamente a oportunidade de reunir tantos amigos daquela época, mas uma coisa é certa: queremos nos reencontrar no próximo ano!

E vocês, o que acham? Depois de tudo o que vivemos, de tantos abraços, sorrisos e emoções, não vale a pena fazermos mais esse esforço para estarmos juntos novamente? Eu, particularmente, acho que vale, e muito! Afinal, o tempo passa depressa, e cada oportunidade de reencontrar pessoas tão queridas é um presente precioso que Deus nos concede. Que tal começarmos a sonhar com nosso próximo reencontro?

Esse é o nosso desejo, e esperamos que o Senhor nos conceda essa alegria mais uma vez.

Sabemos, porém, que o futuro pertence a Deus e que cada novo encontro será sempre um presente de Sua graça e misericórdia.

Por isso, enquanto Ele nos permitir, queremos continuar cultivando essa amizade tão preciosa, fortalecendo nossos laços e escrevendo novos capítulos de uma história que começou há tantos anos e que, pela bondade do Senhor, ainda não terminou.

Sei de uma coisa: o dia 24 de outubro de 2026 já ocupa um lugar muito especial na história de todos nós. Naquele dia, não estivemos reunidos apenas para recordar o passado. Estivemos juntos para agradecer pelo presente e reconhecer que nossa história continua sendo escrita pelas mãos de Deus.

Talvez nunca mais sejamos capazes de correr pelos corredores da igreja como fazíamos quando crianças, passar horas jogando pingue-pongue ou atravessar a madrugada em uma vigília com o mesmo vigor da juventude. Mas ainda podemos nos abraçar, cantar juntos, compartilhar experiências, fortalecer amizades e agradecer ao Senhor por tudo o que Ele nos permitiu viver.

Isso é muito bom! E isso é maravilhoso!

Há uma beleza própria em cada fase da vida. A juventude nos deu entusiasmo, sonhos e disposição. Os anos nos trouxeram experiências, maturidade e a compreensão de que o tempo é um presente precioso demais para ser desperdiçado.

Talvez seja por isso que aquele reencontro tenha sido tão emocionante. Quando éramos jovens, tínhamos a impressão de que haveria sempre outro domingo, outra reunião, outro passeio, outra oportunidade de estarmos juntos. Hoje, sabemos que cada oportunidade merece ser valorizada.

Por isso, se eu pudesse voltar àquele sábado e viver tudo novamente, não pediria um encontro mais elaborado, uma programação mais rigorosa ou uma festa diferente. Pediria apenas um pouco mais de tempo.

Mais tempo para conversar, recordar e rir juntos. Mais alguns abraços apertados, mais alguns beijos carinhosos, mais alguns instantes ao lado de pessoas que tanto amamos. Gostaria de ter ouvido com mais calma aqueles com quem quase não consegui conversar, escutado mais uma história do presbítero Isaías, contemplado por mais alguns instantes o sorriso do Mauro, compartilhado outras risadas com os amigos e cantado mais um louvor com aquelas vozes tão familiares que marcaram nossa juventude.

Ah, como eu gostaria que, naquele dia, o tempo tivesse passado um pouquinho mais devagar!

Porque, depois de tantos anos, compreendemos que a verdadeira riqueza de um reencontro não está na programação, nas atividades ou na duração da festa, mas nas pessoas com quem temos o privilégio de compartilhar cada momento.

E talvez seja justamente por isso que o dia de ontem tenha sido tão especial: voltamos para casa felizes por tudo o que vivemos, mas com aquela saudade gostosa de quem ainda tinha tantos abraços para dar, tantas histórias para ouvir e tanto amor para compartilhar.

E, se alguém me perguntar o que senti ao reencontrar aqueles companheiros e companheiras da juventude, creio que responderei de maneira muito simples: O tempo levou nossos anos de juventude, mas não conseguiu envelhecer tudo aquilo que a amizade e a fé conservaram dentro de nós.

Continuamos sendo, de alguma maneira, aqueles meninos e meninas de Maria da Graça.

Com mais histórias para contar, mais cabelos brancos para mostrar, algumas saudades para carregar e muita gratidão a Deus para expressar.

Ainda jovens por dentro!

Com carinho e gratidão,

APDSJ, Pr. Décio Fonseca.

26 de outubro de 2026

 

 

 


 

 

O POUCO SE TORNA MUITO NAS MÃOS DE DEUS

“Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isso para tantos?” João 6:9 (ARC).

A história da multiplicação dos pães nos ensina uma verdade extraordinária: Deus é especialista em transformar aquilo que parece pequeno e insuficiente em instrumentos poderosos para a realização da Sua Obra.

Diante de uma multidão faminta, cinco pães e dois peixinhos pareciam não representar quase nada. Foi por isso que André perguntou: “Mas que é isso para tantos?” Aos olhos humanos, aqueles alimentos eram insuficientes. Entretanto, quando foram entregues a Jesus, tornaram-se o ponto de partida de um milagre que alimentou milhares de pessoas.

E aqui encontramos uma lição preciosa: o pouco nas nossas mãos pode continuar sendo pouco, mas, quando o colocamos nas mãos do Senhor, Ele pode realizar coisas que jamais conseguiríamos fazer sozinhos.

Essa não foi a primeira vez que Deus utilizou algo aparentemente insignificante para realizar grandes coisas.

Quando Moisés recebeu a missão de libertar o povo de Israel, tinha em suas mãos apenas um cajado, um simples instrumento utilizado por pastores. Entretanto, aquele cajado se tornou um sinal do poder de Deus. Diante do mar Vermelho, Moisés estendeu sua mão, conforme a ordem do Senhor, e Deus abriu um caminho onde parecia não existir saída. Não havia poder especial naquela madeira. O poder estava em Deus, que utilizou um instrumento tão simples para manifestar Sua grandeza.

Anos depois, um jovem chamado Davi enfrentou Golias, um guerreiro experiente que aterrorizava o exército de Israel. Davi não possuía a experiência militar de seus adversários. Levava consigo uma funda e algumas pedras.

Aos olhos dos homens, aquilo parecia insuficiente para enfrentar um gigante armado. Mas Davi sabia que sua vitória não dependeria da força de seus braços nem da qualidade de suas armas. Sua confiança estava no Senhor. E o gigante caiu!

Perceba o que essas histórias têm em comum: Moisés tinha um cajado, Davi tinha uma funda e algumas pedras, e o rapaz mencionado por João tinha cinco pães e dois peixinhos.

Nenhum deles possuía recursos que, por si mesmos, fossem suficientes para enfrentar os desafios que estavam diante deles. Mas todos nos ensinam que a grandeza daquilo que Deus realiza não depende necessariamente da grandeza daquilo que temos para oferecer. Essa verdade continua atual.

Quantas vezes deixamos de fazer alguma coisa para o Senhor porque acreditamos que não temos capacidade, conhecimentos, talentos ou recursos suficientes? Olhamos para nossas limitações e concluímos que somos pequenos demais para realizar algo importante.

Entretanto, Deus pode utilizar uma palavra simples para restaurar a esperança de alguém, uma pequena oferta para socorrer uma família necessitada, uma oração para fortalecer um coração abatido ou uma pessoa desconhecida para alcançar muitas vidas. O apóstolo Paulo compreendeu essa verdade quando declarou: “Porque, quando estou fraco, então, sou forte.” 2 Coríntios 12:10 (ARC).

Paulo não estava dizendo que a fraqueza humana produz força por si mesma. Ele havia aprendido que, quando reconhecemos nossas limitações e dependemos do Senhor, podemos experimentar o poder da Sua graça. Há também uma lição de humildade em tudo isso.

Jesus ensinou que aquele que se humilha será exaltado, conforme Lucas 14:11. Não precisamos procurar reconhecimento, aplausos ou posições de destaque para sermos úteis a Deus.

O rapaz dos cinco pães e dois peixinhos, por exemplo, nem sequer teve seu nome registrado nas Escrituras. Não sabemos quem ele era ou o que aconteceu com ele depois daquele dia. Mas sabemos que aquilo que possuía foi utilizado por Jesus para alimentar uma multidão. O nome do rapaz permaneceu desconhecido, mas o milagre realizado por Jesus continua sendo anunciado até hoje.

E aqui está uma das mais belas lições dessa história: Deus não precisa da nossa grandeza para realizar Seus propósitos. Ele deseja nossa disposição, nossa humildade e nossa confiança em Seu poder.

Jesus poderia ter alimentado aquela multidão sem utilizar os alimentos do rapaz. Entretanto, escolheu realizar o milagre a partir daquilo que estava disponível. Isso nos ensina que Deus não depende de nós, mas, por Sua graça, permite que participemos daquilo que Ele está fazendo.

Por isso, quero terminar com uma pergunta muito simples: O que você tem em suas mãos?

Talvez não seja um cajado como o de Moisés, uma funda como a de Davi ou cinco pães e dois peixinhos como os daquele rapaz.  Pode ser um talento, algum conhecimento, um recurso financeiro, algumas horas disponíveis, uma palavra de encorajamento ou simplesmente a disposição de ajudar alguém. Não despreze aquilo que você tem apenas porque lhe parece pequeno.

O Senhor não exige que você possua tudo o que é necessário para realizar grandes coisas. Ele deseja que você confie nEle e coloque à Sua disposição aquilo que recebeu.

Não fique esperando ter muito para começar a servir a Deus. Coloque o seu pouco nas mãos do Senhor e permita que Ele faça, conforme a Sua vontade, aquilo que você jamais conseguiria realizar sozinho.

Moisés tinha um cajado, Davi tinha uma funda e um rapaz tinha cinco pães e dois peixinhos. Aos olhos humanos, eram recursos insignificantes diante de desafios tão grandes. Mas, nas mãos de Deus, tornaram-se instrumentos de Sua grandeza. O importante não é o tamanho daquilo que temos, mas a grandeza dAquele a Quem entregamos o que temos.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

26/out/26

 

O TRONO ONDE O CANSADO ENCONTRA SOCORRO

“Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” Hebreus 4:16 (ARC)

Existem momentos em que não sabemos o que fazer. Procuramos conselhos, conversamos com pessoas experientes, tentamos resolver o problema com nossas próprias forças e, mesmo assim, continuamos aflitos. Nessas horas, a Palavra de Deus nos apresenta um lugar de socorro: o trono da graça.

Um trono normalmente nos faz pensar em autoridade, poder e julgamento. Porém, o texto não o chama de trono da condenação, mas de trono da graça. É o lugar onde Deus reina e, ao mesmo tempo, recebe aqueles que se aproximam dele por meio de Jesus. Ali encontramos um Pai que conhece nossas fraquezas, ouve nossas orações e oferece misericórdia.

No Antigo Testamento, o lugar mais reservado do Tabernáculo era chamado de Santo dos Santos. O acesso era limitado, e somente o sumo sacerdote podia entrar ali uma vez por ano. Isso mostrava a santidade de Deus e a separação causada pelo pecado. O homem não podia aproximar-se do Senhor de qualquer maneira.

Entretanto, Jesus abriu um novo caminho. Por meio de seu sacrifício, aquilo que nos separava de Deus foi removido. A carta aos Hebreus declara que temos ousadia para entrar no Santuário pelo sangue de Jesus, através do novo e vivo caminho que ele nos abriu. Hebreus 10:19-22.

Quando Jesus morreu, o véu do Santuário se rasgou de alto a baixo. Não foi o homem tentando subir até Deus; foi Deus abrindo o caminho para que o homem pudesse aproximar-se dele. Mateus 27:51. Por isso, não precisamos de méritos pessoais nem de palavras bonitas para entrar na presença do Senhor. Aproximamo-nos confiando naquilo que Cristo fez por nós.

O convite de Hebreus é para que nos aproximemos com confiança. Isso não significa arrogância ou falta de reverência. Significa que não precisamos fugir de Deus por causa de nossas fraquezas. Podemos chegar diante dele com sinceridade, reconhecendo nossos erros, confessando nossos pecados e contando aquilo que está em nosso coração.

Muitas pessoas só oram quando acreditam estar vivendo corretamente. Quando falham, sentem vergonha e se afastam. Contudo, é justamente quando estamos fracos que mais precisamos do trono da graça. O doente não evita o médico porque está enfermo; ele o procura porque precisa de tratamento. Da mesma maneira, não devemos fugir de Deus quando caímos. Devemos correr para ele, arrependidos e confiantes em sua misericórdia.

No trono da graça encontramos misericórdia. Misericórdia é Deus não nos tratar segundo aquilo que merecíamos. Também encontramos graça, que é receber dele aquilo que jamais conseguiríamos conquistar por nossas próprias forças. A misericórdia cuida da nossa culpa; a graça supre a nossa necessidade.

Imagine uma mãe que passa a noite no hospital acompanhando um filho. Ela está cansada, assustada e não sabe o que acontecerá pela manhã. Talvez não consiga fazer uma oração longa. Porém, pode dizer: “Senhor, ajude-nos.” Essa oração simples chega ao trono da graça.

Pense também no homem que perdeu o emprego e precisa voltar para casa sem saber como contará a notícia à família. Ou na pessoa que enfrenta uma crise no casamento, recebeu um diagnóstico difícil ou luta contra pensamentos que ninguém conhece. Em todas essas situações, existe um lugar onde podemos derramar o coração sem medo de sermos rejeitados.

O texto afirma que encontramos ajuda “em momento oportuno”. Isso nos ensina que Deus conhece o tempo certo de agir. Muitas vezes, desejamos uma resposta imediata. Oramos hoje e esperamos que tudo esteja resolvido amanhã. Quando isso não acontece, podemos imaginar que Deus não nos ouviu.

Entretanto, o silêncio de Deus não significa ausência, e a espera não significa abandono. O Senhor pode estar trabalhando em circunstâncias que ainda não conseguimos enxergar. Pode também estar preparando nosso coração, fortalecendo nossa fé e produzindo maturidade em nós.

Às vezes, uma bênção recebida antes do tempo poderia ser desperdiçada. Uma pessoa pode pedir uma responsabilidade para a qual ainda não está preparada, um relacionamento que ainda não sabe cuidar ou uma oportunidade que sua maturidade ainda não consegue sustentar. Deus não deseja apenas entregar algo; ele quer preparar-nos para receber, administrar e preservar aquilo que vier de suas mãos.

O momento oportuno pertence ao Senhor. Isso não significa que devemos permanecer parados. Enquanto esperamos, continuamos orando, obedecendo, trabalhando e confiando. A oração não é uma forma de obrigar Deus a seguir nosso calendário. É uma maneira de entregar nosso tempo nas mãos dele.

Talvez a resposta de Deus venha mudando a circunstância. Talvez venha fortalecendo você para atravessá-la. Em alguns casos, ele abrirá a porta desejada; em outros, fechará essa porta porque conhece um caminho melhor. Mas, em todas as situações, Sua graça será suficiente para sustentar aqueles que permanecem junto ao Seu trono.

Aproxime-se, portanto. Não espere sentir-se forte, digno ou preparado. Vá como você está, mas vá por meio de Jesus. Leve suas lágrimas, seus medos, suas dúvidas e suas necessidades. No trono da graça, há misericórdia para o passado, graça para o presente e socorro para o momento certo.

O trono da graça é o lugar onde nossas fraquezas encontram a misericórdia de Deus, nossa espera encontra o tempo perfeito do Senhor e nosso coração cansado descobre que, por meio de Jesus, nunca está distante do socorro.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

25/out/26


  LOUVOR: UM PRIVILÉGIO DE SERVIR “Quanto aos cantores, chefes das famílias entre os levitas, ficavam alojados nas câmaras do templo e est...