O PÃO DE HOJE NAS MÃOS DE DEUS
“..._o pão
nosso de cada dia nos dá hoje.” Mateus 6:11 (NAA).
Depois de ensinar
Seus discípulos a pedir que o nome de Deus seja santificado, que venha o Seu
Reino e que seja feita a Sua vontade, Jesus chega às necessidades da vida. Pela
primeira vez na oração aparece um pedido diretamente relacionado àquilo de que precisamos:
“o pão nosso de cada dia nos dá hoje”.
É uma frase
pequena, mas cheia de ensinamentos. Jesus não ensinou a pedir o pão para o ano
inteiro. Ele falou do pão de cada dia. Assim, ensina-nos a viver dependendo de
Deus um dia de cada vez.
O pão representa
aquilo que é necessário para nossa vida. É o alimento sobre a mesa, mas também
nos lembra do trabalho, da casa, da saúde, da roupa, do remédio e de tantas
outras necessidades. Quando pedimos o pão diário, reconhecemos que não
dependemos apenas do nosso salário, da nossa capacidade ou dos recursos que
conseguimos juntar. Por trás de tudo está o cuidado de Deus.
Isso não significa
deixar de trabalhar, economizar ou planejar. A Bíblia não ensina
irresponsabilidade. Jesus está falando da dependência do coração. Podemos
planejar o amanhã sem permitir que a preocupação com o amanhã roube nossa paz
hoje.
Esse ensino é muito
atual. Há pessoas preocupadas com a prestação que vencerá no fim do mês.
Famílias fazem contas no supermercado para que o dinheiro seja suficiente. Pais
pensam nas despesas dos filhos. Aposentados se preocupam com medicamentos.
Trabalhadores temem perder o emprego. São situações reais, e Deus não despreza
nenhuma delas.
Quando oramos “o
pão nosso de cada dia nos dá hoje”, estamos dizendo: “Pai, preciso de
Ti para atravessar este dia. Dá-me força para trabalhar, sabedoria para
administrar o que tenho e fé para não ser dominado pelo medo.”
Mas existe ainda
uma aplicação espiritual muito preciosa nessa palavra “pão”. O pão de
Mateus 6:11 fala primeiro das nossas necessidades diárias, porém a Bíblia
também nos apresenta um alimento sem o qual nossa alma não pode viver: Jesus
Cristo.
O próprio Jesus
declarou: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim jamais terá fome, e quem crê
em mim jamais terá sede.” João 6:35 (NAA).
Precisamos do pão
material para alimentar o corpo, mas precisamos de Jesus para alimentar a alma.
Podemos ter a mesa cheia e, ainda assim, carregar um coração vazio. Podemos
possuir bens, segurança financeira e conforto e continuar sentindo uma fome
interior que nenhuma coisa deste mundo consegue satisfazer. Essa fome só
encontra resposta em Cristo.
Isso nos faz
lembrar do povo de Israel no deserto. Durante sua caminhada, Deus enviava o
maná para sustentá-lo. Não era necessário guardar alimento para muitos meses. O
povo precisava confiar que Deus daria novamente a provisão necessária. A
Escritura diz: “Colhiam-no, pois, manhã após manhã, cada um quanto
conseguia comer.” Êxodo 16:21 (NAA). O maná caía de manhã, e o povo
precisava recolhê-lo. Havia, portanto, uma dependência diária.
Essa imagem nos
ajuda a compreender nossa vida espiritual. Assim como Israel precisava receber
diariamente o alimento enviado por Deus no deserto, nós também precisamos
alimentar nossa comunhão com Cristo todos os dias. Não podemos viver hoje
apenas da experiência que tivemos com Deus muitos anos atrás. O alimento de
ontem foi importante, mas precisamos do pão de hoje.
Jesus continua
presente para alimentar Sua Igreja. Ele nos alimenta por meio de Sua Palavra,
da comunhão com Ele, da oração e da ação do Espírito Santo em nossa vida. Cada
manhã é uma nova oportunidade de nos aproximarmos dEle e dizermos: “Senhor,
alimenta hoje a minha alma.”
Por isso, o pão
diário possui uma aplicação muito profunda. Precisamos perguntar não apenas: “Há
pão sobre minha mesa?”, mas também: “Minha alma está sendo alimentada por
Cristo?”
Há cristãos que
cuidam cuidadosamente do corpo, da profissão, da casa e das finanças, mas
passam dias sem abrir a Bíblia, sem orar e sem separar um momento para estar
diante de Deus. Aos poucos, a alma enfraquece. Não porque Jesus tenha deixado
de ser suficiente, mas porque deixamos de buscar nEle o alimento de que
necessitamos.
Há ainda uma
palavra muito importante nessa oração. Jesus não disse “o meu pão”,
mas “o pão nosso”. Isso nos fala de comunhão.
O mesmo Pai que
cuida de mim é o Pai que cuida dos meus irmãos, e o pão que pedimos não é
pensado apenas de forma individual. Na oração ensinada por Jesus, ninguém
caminha sozinho. Somos uma família que depende do mesmo Pai e recebe dEle o
sustento para a caminhada. Por isso, o pão é “nosso”: lembra-nos de que
pertencemos uns aos outros e de que a fé cristã não pode ser vivida de maneira
isolada.
Quando um irmão
sofre, a Igreja se importa; quando alguém tem necessidade, os outros são
chamados a compartilhar; quando Deus coloca provisão em nossas mãos, podemos
nos tornar instrumentos para que o pão também chegue à mesa de quem precisa. O
pão que vem do Pai alimenta a vida, mas o “nosso” nos lembra de que essa
vida é vivida em comunhão.
E há ainda uma
ligação muito bonita com o que você acrescentou sobre Cristo: Jesus é o Pão
da Vida dado não apenas a indivíduos isolados, mas à Sua Igreja. Assim, o “pão
nosso” pode conduzir naturalmente à ideia de um povo reunido em torno do
mesmo Cristo, alimentado diariamente por Ele.
O pão é de cada
dia, mas não é apenas meu: é nosso, porque o Pai que nos sustenta também nos
ensina a caminhar, repartir e viver em comunhão.
Mateus 6:11,
portanto, ensina-nos uma dependência completa: pão para o corpo e Cristo para a
alma; provisão para a caminhada e presença de Deus para o coração.
A cada manhã, Deus
continua nos chamando a confiar nEle. Como o maná no deserto, Sua graça nos
encontra no caminho. E como o Pão da Vida, Jesus continua sendo suficiente para
sustentar Sua Igreja até o fim da jornada.
Precisamos do pão
de Deus para atravessar o dia e do Pão da Vida para atravessar a vida; o corpo
necessita da provisão de Suas mãos, mas a alma só encontra verdadeira
satisfação na presença de Jesus.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
21/ago/26