CEIA DO SENHOR, UM ENCONTRO VIVO COM CRISTO

“Pois quem come o pão ou bebe o cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor. Examine-se, pois, cada um a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si.”  1 Coríntios 11:27-29 (NAA)

Esta semana, em algumas de nossas igrejas, o povo do Senhor foi convidado pelo próprio Senhor a nos assentamos à Sua mesa para participar da Ceia. Este é um dos momentos mais profundos da vida cristã. Não se trata apenas de um ritual da igreja nem de um costume que repetimos por tradição; é um memorial vivo que nos conduz ao sacrifício de Cristo, fortalece a comunhão do Seu povo e reacende em nós a esperança da Sua volta.

Ao nos aproximarmos da mesa, somos convidados a lembrar, com reverência e gratidão, do amor que nos alcançou na cruz. A Ceia nos chama a desacelerar o coração, a examinar a vida e a renovar nossa fé naquele que se entregou por nós. Mais do que um ato litúrgico, é um encontro espiritual — um momento em que a graça nos reúne, a esperança nos sustenta e o amor de Cristo nos recorda que pertencemos a Ele.

O apóstolo Paulo foi muito claro ao corrigir a igreja de Corinto porque muitos participavam da Ceia sem entender o seu verdadeiro sentido. Ele usou uma expressão forte: “discernir o corpo”. Isso significa reconhecer que a Ceia nos faz olhar para o passado, lembrando a cruz, para o presente, vivendo a unidade como igreja, e para o futuro, proclamando com fé que Jesus voltará para nos buscar.

Discernir o corpo significa perceber espiritualmente o que está acontecendo ali. O pão não é apenas um pedaço de alimento, e o cálice não é apenas uma bebida. Eles representam a entrega de Cristo na cruz, sua morte em nosso lugar, e ao mesmo tempo lembram que nós, a igreja, somos o corpo de Cristo unidos pela fé e que aguardamos Sua volta. Participar da Ceia sem compreender isso é tratá-la como algo comum, vazio, sem reverência e sem esperança no futuro prometido por Cristo.

No tempo de Paulo, a Ceia acontecia em meio a refeições comunitárias. Cada família levava algo para compartilhar, mas em Corinto os mais ricos comiam em excesso e até se embriagavam, enquanto os mais pobres ficavam sem nada. Essa falta de consideração feria a comunhão e desrespeitava o sentido da Ceia. Paulo então os repreendeu e disse: “Se alguém tem fome, coma em casa.”  1 Coríntios 11:34(NAA) Ele queria deixar claro que a Ceia não era para satisfazer o estômago, mas para recordar Cristo, afirmar a unidade da igreja e reafirmar a esperança de sua volta.

Esse problema não ficou no passado. Ainda hoje corremos o risco de participar da Ceia sem discernir o corpo. Podemos nos acostumar tanto ao momento que o fazemos de forma automática, sem reflexão. Há quem veja apenas como uma tradição, um rito repetido, mas não como um encontro profundo com Cristo e com a expectativa da sua vinda. Outros participam sem examinar o coração, sem confessar pecados, sem lembrar que ali renovamos nossa fé na obra da cruz e reafirmamos nossa esperança na volta de Jesus.

Discernir o corpo também significa reconhecer a unidade da igreja. Paulo nos lembra que não podemos participar da Ceia enquanto desprezamos nossos irmãos. O cálice que partilhamos é o mesmo para todos, e o pão que comemos aponta para um só corpo. Isso nos ensina que não há lugar para divisões, rancores ou indiferença. Quando um cristão participa da Ceia guardando mágoa contra outro, ou ignorando o sofrimento do próximo, ele não está discernindo o corpo, nem vivenciando a esperança da vinda do Senhor.

Nos dias de hoje, isso pode ser visto em atitudes como desprezar os irmãos mais simples, alimentar rivalidades dentro da igreja, ou até mesmo participar da Ceia sem se importar com a vida comunitária. É como se disséssemos que estamos em comunhão com Cristo, mas não com o corpo que é a sua igreja e sem olhar para a promessa de sua volta. O apóstolo João nos lembra: “Aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.”  1 João 4:20 (NAA)

A palavra usada por Paulo no grego é “diakrinó”, que significa distinguir, perceber e compreender espiritualmente. Não é apenas um ato racional, mas uma percepção espiritual que reconhece o valor da Ceia, que nos conecta ao sacrifício de Cristo, à unidade do corpo e à expectativa de sua vinda. É olhar para o pão e o cálice e ver além dos elementos físicos, enxergando Cristo crucificado e aguardando sua volta.

Discernir o corpo é, portanto, um chamado a participar com fé, gratidão e reverência. Antes de tomar do cálice, somos convidados a examinar nossa vida diante de Deus. Não se trata de afastar-nos da mesa do Senhor por causa da nossa indignidade, mas de nos aproximarmos em arrependimento, reconhecendo nossa necessidade da graça. A Ceia não é para os perfeitos, mas para aqueles que confessam sua fraqueza, dependem do sacrifício de Cristo e esperam a sua vinda.

Podemos pensar em exemplos práticos para os nossos dias. Imagine alguém que, no momento da Ceia, está distraído com o celular, preocupado apenas com a pressa do culto terminar. Ele não está discernindo o corpo nem proclamando a esperança da volta de Cristo. Ou uma pessoa que participa apenas porque todos ao redor estão participando, sem refletir sobre o significado do pão e do cálice. Também não está discernindo o corpo. Por outro lado, quando alguém se ajoelha em oração, pedindo perdão pelos pecados, agradecendo pela cruz e lembrando que Cristo voltará, ele participa com discernimento. Quando uma igreja celebra a Ceia cuidando uns dos outros, lembrando-se dos mais fracos e acolhendo a todos, ela discerne o corpo.

Participar da Ceia do Senhor é um ato de fé que nos conecta à obra de Cristo, à vida em comunidade. É um momento de renovar nossa esperança, reafirmar nossa união com os irmãos e celebrar que pertencemos a um só corpo. Paulo queria que os coríntios e também nós entendêssemos que a Ceia não é apenas um símbolo, mas um encontro real com a graça de Deus e um anúncio vivo da vinda de Jesus.

Que possamos nos aproximar sempre da mesa do Senhor com reverência, discernindo o corpo de Cristo. Assim viveremos a Ceia não como um hábito vazio, mas como um memorial vivo que nos fortalece, nos une, nos lembra do amor que nos salvou e nos mantém firmes na esperança de que Jesus voltará.

A Ceia do Senhor não é apenas um rito, mas um encontro vivo com Cristo e com o corpo da igreja; participar dela com discernimento é reconhecer a cruz, confessar nossa dependência da graça, viver em comunhão verdadeira com os irmãos e anunciar com fé a esperança da sua vinda.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

11/fev/26

 

QUANDO TUDO FALHA, DEUS CONTINUA NO CONTROLE

“Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.” Jó 42:2 (NAA)

A declaração de Jó nasce depois de um período de perdas profundas, dor e muitas perguntas sem resposta. Ele perdeu bens, saúde e filhos, viu sua vida mudar de forma brusca e, por muito tempo, não compreendeu o motivo de tanto sofrimento. Ainda assim, ao final de sua jornada, Jó reconhece algo que sustenta todo cristão: Deus continua no controle, mesmo quando não entendemos o que acontece.

Nossa vida também passa por momentos assim. Existem dias em que tudo parece caminhar bem, porém, de repente, surge uma notícia difícil, um problema na família, uma enfermidade ou uma perda inesperada. Nessas horas, a primeira reação costuma ser perguntar: “Por quê?” Queremos explicações rápidas e soluções imediatas. Só que nem sempre recebemos respostas na hora que desejamos. É nesse ponto que aprendemos que fé não depende de explicações completas, e sim de confiança em quem Deus é.

Muitas pessoas, em nossos dias, enfrentam crises semelhantes às de Jó. Há pais preocupados com filhos que se afastaram de casa ou da fé. Existem trabalhadores que perdem o emprego após anos de dedicação. Outros lutam contra doenças longas que cansam o corpo e o coração. Nessas horas, percebemos como somos pequenos diante da dor.

Esta semana recebi uma mensagem de uma irmã e amiga - uma mãe aflita - contando que seu filhinho havia sido internado na UTI. A angústia, o medo e a sensação de impotência diante daquela situação podiam ser sentidos até mesmo na breve mensagem enviada pelo WhatsApp.

Nesses momentos não há palavras capazes de explicar o sofrimento nem respostas prontas que tragam alívio imediato. Resta apenas confiar, orar e colocar tudo nas mãos de Deus. E é justamente em situações assim que aprendemos que o Senhor continua presente, sustentando quando nossas forças acabam.

Também aprendemos que nem sempre compreendemos os caminhos pelos quais Deus nos conduz. Existem fases em que tudo parece confuso. Planos falham, portas se fecham e sonhos parecem distantes. Contudo, o tempo revela que muitas dessas experiências produzem crescimento e maturidade.

Quantas pessoas, após uma demissão, descobriram um novo caminho profissional? Quantas famílias se aproximaram depois de uma enfermidade? Quantos cristãos passaram a buscar mais a Deus depois de uma dificuldade? Aquilo que parecia derrota se transforma em aprendizado e fortalecimento.

Outro ponto importante aparece quando percebemos que não caminhamos sozinhos. A graça de Deus sustenta cada passo. A vida cristã não é livre de lutas. Pelo contrário, muitas vezes surgem pressões, tentações e momentos de cansaço. Por isso, precisamos pedir forças diariamente ao Senhor. Há dias em que mal conseguimos fazer outra coisa além de orar: “Senhor, ajuda-me a continuar”. E essa oração sincera encontra resposta no cuidado de Deus, que, pouco a pouco, renova nossas forças.

Pense em alguém que enfrenta uma luta silenciosa, como uma mãe que ora todos os dias por um filho distante, ou um trabalhador que sai cedo de casa buscando sustento digno para a família. Essas pessoas continuam caminhando porque confiam que Deus cuida de cada detalhe. A fé não elimina a dificuldade, porém dá coragem para seguir em frente.

Quando reconhecemos o cuidado e o amor do Senhor, nosso coração encontra um novo caminho: a adoração e a entrega. Em vez de viver apenas reclamando das dificuldades, aprendemos a colocar tudo nas mãos de Deus. Entregar não significa desistir, e sim confiar. Significa dizer: “Senhor, minha vida pertence a Ti, e eu continuo caminhando sob a Tua direção”.

Adorar em meio às lutas transforma nosso interior. O problema pode continuar existindo, só que o coração encontra paz para atravessar a situação. A confiança em Deus muda nossa maneira de enfrentar a vida. Em vez de desespero, nasce esperança. Em vez de revolta, surge confiança. E, aos poucos, percebemos que Deus esteve presente em cada etapa do caminho.

Jó começou sua jornada cheio de perguntas e terminou cheio de reverência. Ele compreendeu que Deus sempre soube o que fazia. O mesmo acontece conosco. Um dia também olharemos para trás e perceberemos que o Senhor nunca perdeu o controle de nossa história.

No fim, nossa maior segurança não está na ausência de problemas, e sim na presença constante de Deus ao nosso lado, conduzindo cada passo com amor e propósito.

Quanto ao amado Heitor, ele está nas mãos de Deus, que irá curá-lo e fazê-lo crescer, e isso será testemunho do grande amor do Senhor por todos nós.

Quando não entendemos o caminho, podemos descansar sabendo que Deus entende, conduz e sustenta cada passo da nossa jornada.

Pr Decio Fonseca

 

A FELICIDADE QUE NINGUÉM PODE ROUBAR

“Bem-aventurados são vocês quando, por minha causa, os insultarem e os perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vocês. Alegrem-se e exultem, porque é grande a recompensa de vocês nos céus.” Mateus 5:11–12 (NAA)

Com essas palavras, Jesus encerra as bem-aventuranças de forma direta, pessoal e profunda. Ele deixa de falar apenas sobre “os que” e passa a falar sobre “vocês”. O ensino agora toca a vida real dos discípulos. Jesus mostra que seguir a Ele não é apenas adotar bons valores, mas assumir um compromisso que pode gerar oposição.

Aqui, Jesus amplia o significado da perseguição. Ele fala de insultos, perseguições e mentiras. Nem sempre a perseguição vem em forma de violência física. Muitas vezes, ela aparece em palavras que ferem, acusações injustas, zombarias e rejeição. É quando alguém é mal interpretado, criticado ou excluído simplesmente por viver de acordo com a fé em Cristo.

Jesus é muito claro ao dizer: “por minha causa”. Não se trata de sofrer por atitudes erradas, falta de sabedoria ou orgulho pessoal. Trata-se de sofrer por viver uma fé coerente, por amar a verdade, por escolher obedecer a Deus. Essa distinção é importante, especialmente para quem está começando na caminhada cristã.

O mais surpreendente é que Jesus chama essas pessoas de bem-aventuradas. Aos olhos do mundo, elas parecem derrotadas. Aos olhos de Deus, são felizes. Não porque o sofrimento seja bom, mas porque ele revela pertencimento. Sofrer por causa de Jesus é sinal de que a vida está alinhada com o Reino dos Céus.

Jesus não manda negar a dor. Ele não diz que insultos e mentiras não machucam. Mas Ele convida a olhar além do momento presente. “Alegrem-se e exultem, porque é grande a recompensa de vocês nos céus.” Mateus 5:12 (NAA). A alegria aqui não é superficial. É a alegria de quem sabe que Deus vê, conhece e honra cada ato de fidelidade.

Essa palavra traz consolo e firmeza para a caminhada. Muitos novos convertidos se frustram quando descobrem que seguir Jesus não elimina os problemas. Jesus, porém, nunca escondeu isso. Ele disse claramente: “No mundo vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo.” João 16:33 (NAA). A vitória de Cristo não significa ausência de lutas, mas certeza de esperança.

Jesus também lembra que esse caminho não é novo. Os profetas que vieram antes também foram perseguidos. Homens e mulheres fiéis, que falaram a verdade e obedeceram a Deus, enfrentaram rejeição. Isso nos mostra que a fé verdadeira sempre teve um custo. Ainda assim, sempre valeu a pena.

Esse fechamento nos ajuda a entender todo o Sermão do Monte. Jesus começa falando de humildade, dependência, arrependimento, mansidão, justiça, misericórdia, pureza e paz. Ele termina mostrando que viver assim pode trazer oposição. O mundo nem sempre aceita esses valores. Mas o Reino de Deus permanece.

Para o cristão, essa palavra traz equilíbrio. Não vivemos para agradar a todos, mas para agradar a Deus. Não buscamos conflitos, mas não abrimos mão da verdade. Não provocamos perseguição, mas também não negociamos a fé para sermos aceitos.

A felicidade que Jesus promete não depende de aplausos, reconhecimento ou aprovação humana. Ela nasce da certeza de que pertencemos a Deus. Pode até haver lágrimas no caminho, mas há esperança firme no coração. Pode haver rejeição aqui, mas há recompensa eterna prometida.

Assim, Mateus 5:11–12 fecha as bem-aventuranças com um chamado à perseverança. Jesus nos lembra que o Reino dos Céus pertence àqueles que permanecem fiéis, mesmo quando isso custa caro. Essa é uma felicidade que ninguém pode roubar.

A fidelidade a Jesus pode custar aceitação na terra, mas garante pertencimento eterno no Reino dos Céus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pastor Décio Fonseca

            10/fev/26

 

FELICIDADE QUE RESISTE À OPOSIÇÃO

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.” Mateus 5:10 (NAA)

Ninguém gosta de sofrer perseguição. A rejeição dói, a crítica machuca e a oposição cansa. Mesmo quando sabemos que estamos fazendo o que é certo, o sofrimento nunca parece algo desejável. Ainda assim, Jesus surpreende ao afirmar que existe felicidade para aqueles que sofrem perseguição por causa da justiça. No Sermão do Monte, Ele nos convida a olhar além do momento difícil e a compreender o valor eterno de permanecer fiel a Deus.

Quando Jesus fala de perseguição, Ele não está se referindo a qualquer tipo de problema ou consequência de erros pessoais. Ele fala da perseguição que surge por causa da justiça, ou seja, por viver de forma correta diante de Deus. É o sofrimento que nasce quando alguém decide obedecer, mesmo sabendo que isso pode gerar rejeição, zombaria ou prejuízo.

Nos dias de Jesus, isso era muito claro. Seus seguidores eram rejeitados por não se encaixarem no sistema religioso da época. Eles não viviam para agradar os homens, mas para obedecer a Deus. Hoje, essa realidade continua. Quem escolhe viver segundo os valores do Reino muitas vezes é visto como estranho, ultrapassado ou inconveniente.

Ser perseguido por causa da justiça pode acontecer de várias formas. Às vezes, não envolve violência física, mas palavras duras, exclusão, ironia ou perda de oportunidades. Um cristão pode ser ridicularizado por não participar de práticas desonestas no trabalho. Um jovem pode ser pressionado por não seguir certos comportamentos comuns entre os amigos. Uma família pode ser criticada por defender valores bíblicos. Tudo isso também é perseguição.

Jesus não promete que Seus seguidores terão uma vida fácil. Pelo contrário, Ele prepara o coração para enfrentar dificuldades com fé e esperança. A felicidade que Jesus anuncia não está no sofrimento em si, mas no sentido desse sofrimento. Sofrer por fazer o bem é diferente de sofrer por fazer o mal. Quando a perseguição vem por causa da justiça, ela revela que estamos caminhando no rumo certo.Estas coisas eu lhes tenho dito para que tenham paz em mim. No mundo vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo.” João 16:33 (NAA)

Por isso, Jesus repete aqui a mesma promessa feita aos pobres em espírito: “porque deles é o Reino dos Céus.” O Reino pertence àqueles que confiam em Deus mesmo quando o caminho se torna estreito. A perseguição não é sinal de abandono, mas de pertencimento. Quem vive para agradar a Deus não será sempre compreendido por um mundo que vive segundo outros valores.

É importante lembrar que Jesus não nos chama a procurar perseguição ou a provocá-la. O cristão não deve ser ofensivo, agressivo ou orgulhoso. A perseguição que Jesus menciona surge quando a vida coerente com o Evangelho entra em choque com um mundo que rejeita a verdade. É a fidelidade silenciosa, firme e constante que, muitas vezes, incomoda.

Nos nossos dias, isso se manifesta quando alguém escolhe a verdade em vez da mentira, a honestidade em vez do ganho fácil, o perdão em vez da vingança. Essas escolhas nem sempre são aplaudidas. Muitas vezes, geram oposição. Mas Jesus nos ensina que nenhuma dessas dores passa despercebida aos olhos de Deus.

A felicidade prometida por Jesus aponta para algo maior do que o presente. Ele nos lembra que a vida não se resume ao aqui e agora. O Reino dos Céus é a herança daqueles que permanecem firmes. Deus vê cada lágrima, cada renúncia e cada ato de fidelidade. Nada é em vão.

Essa bem-aventurança também fortalece o coração nos dias difíceis. Quando somos perseguidos por fazer o que é certo, podemos lembrar que Jesus passou por isso antes de nós. Ele foi rejeitado, acusado injustamente e condenado, mesmo sendo perfeito. Seguir Jesus é, muitas vezes, caminhar pelo mesmo caminho que Ele percorreu.

Assim, Jesus nos ensina que a verdadeira felicidade não depende da aprovação dos homens, mas da certeza de que pertencemos a Deus. A perseguição pode tirar conforto, reconhecimento ou vantagens momentâneas, mas não pode tirar o Reino dos Céus. Quem vive para Deus pode até sofrer agora, mas vive com esperança, paz interior e promessa eterna.

A fidelidade a Deus pode trazer oposição na terra, mas garante pertencimento ao Reino dos Céus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pastor Décio Fonseca

09/fev/26

 

FILHOS DA PAZ EM UM MUNDO FERIDO

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” Mateus 5:9 (NAA)

A paz é buscada por muitos. Em um mundo marcado por conflitos, pressa, ansiedade e palavras duras, quase todos dizem desejar paz. No entanto, nem sempre ela é compreendida em sua profundidade. A Bíblia nos ensina que a verdadeira paz não nasce das circunstâncias favoráveis, mas do agir de Deus no coração. Por isso, a paz é apresentada como fruto do Espírito, algo que Deus produz dentro de nós quando caminhamos com Ele.

A paz traz descanso à alma. Ela acalma o coração, organiza os pensamentos e nos ajuda a enfrentar os dias difíceis com equilíbrio. Quando Jesus fala sobre os pacificadores no Sermão do Monte, Ele não está se referindo apenas a pessoas tranquilas ou que evitam problemas. Ele fala de algo muito mais profundo e ativo. Em Mateus 5:9, Jesus declara: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” (NAA).

Ser pacificador, segundo Jesus, não é fugir de conflitos a qualquer custo, nem fingir que os problemas não existem. O pacificador não é alguém passivo ou indiferente. Pelo contrário, é alguém que carrega a paz de Deus no coração e trabalha para que essa paz alcance os relacionamentos e os ambientes onde vive. É uma paz que se move, que age e que transforma.

A paz ensinada por Jesus começa dentro. Não é possível promover paz fora se o coração está cheio de inquietação, raiva ou ressentimento. Por isso, o pacificador é alguém que permite que Deus trate primeiro o seu interior. Ele aprende a lidar com suas emoções, a controlar suas palavras e a não agir movido pela ira. Essa paz interior se reflete naturalmente nas atitudes.

Jesus é o maior exemplo de pacificador. Ele entrou em um mundo marcado pelo pecado e pela separação entre Deus e os homens. Sua missão foi reconciliar. Pela cruz, Ele fez a paz entre Deus e a humanidade. Essa reconciliação nos ensina que a paz verdadeira muitas vezes exige sacrifício, humildade e disposição para amar.

Nos nossos dias, ser pacificador é algo muito prático. É escolher o diálogo em vez da discussão. É falar com calma quando o outro fala com dureza. É buscar reconciliação quando há afastamento. É não espalhar fofocas, não alimentar intrigas e não aumentar conflitos com palavras impensadas. Muitas brigas se prolongam não pelo problema em si, mas pela forma como as pessoas reagem.

Ser pacificador também significa agir com sabedoria dentro da família. Quantos lares vivem em tensão constante por falta de diálogo, perdão e paciência? O pacificador não ignora os problemas, mas busca resolvê-los com amor, respeito e verdade. Ele entende que a paz não se constrói com gritos, mas com atitudes firmes e serenas.

No trabalho, o pacificador é aquele que não entra em disputas desnecessárias, não provoca conflitos e não responde ofensa com ofensa. Ele procura ser justo, respeitoso e equilibrado. Mesmo quando enfrenta injustiça, escolhe agir com maturidade, confiando que Deus vê e cuida de todas as coisas.

Jesus afirma que os pacificadores serão chamados filhos de Deus. Essa expressão revela identidade. Quem promove a paz se parece com o Pai. Deus é o Deus da paz, e Seus filhos refletem Seu caráter. Não é um título dado por homens, mas um reconhecimento espiritual. O pacificador revela, com sua vida, que pertence a Deus.

É importante lembrar que promover a paz não significa abrir mão da verdade. Jesus nunca sacrificou a verdade para manter uma falsa paz. A paz do Reino caminha junto com a justiça, a misericórdia e a pureza de coração. O pacificador fala a verdade, mas o faz com amor. Corrige, mas não humilha. Confronta, mas não destrói.

Em um tempo em que muitos alimentam divisões, Jesus chama Seus seguidores a serem instrumentos de reconciliação. Isso não é fácil. Exige maturidade espiritual, domínio próprio e dependência de Deus. Mas é justamente por isso que essa bem-aventurança aponta para uma vida abençoada. Quem vive espalhando paz colhe paz no coração.

Assim, Jesus nos ensina que a verdadeira felicidade não está em vencer discussões, mas em promover reconciliação. Não em impor razão, mas em refletir o caráter do Pai. Os pacificadores carregam no coração a paz que o mundo não pode dar — e essa paz se torna testemunho vivo do Reino de Deus.

Quem carrega a paz de Deus no coração se torna instrumento de reconciliação nas mãos do Pai.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

08/fev/26

 

CORAÇÃO LIMPO, OLHOS ABERTOS

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” Mateus 5:8 (NAA)

Ver a Deus é tudo o que realmente desejamos. No fundo, é isso que move o coração humano. Assim como Bartimeu clamou para ver Jesus e não se conformou em continuar na escuridão, nós também precisamos desejar, a cada dia, enxergar o Senhor com mais clareza. Não apenas com os olhos físicos, mas com o coração. É nesse caminho que Jesus nos conduz ao declarar: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” Mateus 5:8 (NAA).

Quando Jesus fala de pureza de coração, Ele não está se referindo à perfeição moral absoluta, como se apenas pessoas sem falhas pudessem se aproximar de Deus. Pureza de coração, na linguagem de Jesus, significa sinceridade, inteireza e transparência diante de Deus. É um coração sem duplicidade, que não vive dividido entre agradar a Deus e agradar ao próprio ego.

O coração puro é aquele que não usa máscaras espirituais. Não vive uma fé de aparência. Não finge ser algo que não é. É o coração que se apresenta diante de Deus como realmente é, com suas lutas, fraquezas e desejos, pedindo transformação. Deus não rejeita um coração imperfeito, mas rejeita um coração fingido.

Nos dias de Jesus, muitos líderes religiosos tinham aparência de santidade, mas o coração estava longe de Deus. Cumpriam regras, seguiam tradições e faziam orações públicas, mas tudo isso era feito para serem vistos pelos homens. Jesus confronta esse tipo de religiosidade e ensina que Deus olha para dentro, não para fora.

Ser puro de coração significa ter um desejo sincero de agradar a Deus. É buscar fazer o que é certo, não para receber elogios, mas porque se ama o Senhor. É quando a fé deixa de ser apenas comportamento externo e passa a ser relacionamento verdadeiro.

Bartimeu nos ajuda a entender isso. Ele não pediu dinheiro, não pediu posição, não pediu reconhecimento. Ele pediu para ver. Seu clamor foi simples e direto. Ele sabia o que precisava. Da mesma forma, um coração puro sabe o que deseja: ver Deus agir, conhecer Sua vontade e caminhar em Sua presença.

Na prática, pureza de coração se manifesta em escolhas diárias. É dizer a verdade quando a mentira parece mais conveniente. É resistir a pensamentos e desejos que afastam de Deus. É tratar as pessoas com sinceridade, sem segundas intenções. É viver uma fé coerente dentro e fora da igreja.

Um coração dividido perde a sensibilidade espiritual. Começa a justificar erros, a normalizar o pecado e a se acostumar com aquilo que entristece a Deus. Aos poucos, a visão espiritual fica embaçada. Jesus ensina que só quem tem o coração limpo consegue ver Deus com clareza.

Ver a Deus não significa vê-lo fisicamente, mas perceber Sua presença, discernir Sua vontade e experimentar Sua ação na vida diária. Quem tem o coração puro reconhece Deus nas pequenas coisas, nas decisões simples, nos momentos difíceis e também nas alegrias.

Nos nossos dias, vivemos cercados de distrações, informações e pressões. Tudo isso tenta ocupar o coração. Por isso, a pureza de coração exige vigilância. Não se trata de isolamento do mundo, mas de cuidado com aquilo que permitimos entrar na mente e permanecer no coração.

A boa notícia é que Deus não exige pureza sem oferecer ajuda. Ele mesmo limpa o coração de quem se aproxima com sinceridade. Quando confessamos nossos pecados, quando abrimos o coração em oração e quando buscamos viver segundo Sua Palavra, o Senhor nos transforma de dentro para fora. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” 1 João 1:9 (NAA)

Jesus promete algo precioso aos puros de coração: eles verão a Deus. Essa promessa começa aqui, na vida diária, e se completa na eternidade. Quanto mais o coração é purificado, mais clara se torna a visão espiritual. Quanto mais nos rendemos a Deus, mais percebemos Sua presença.

Assim, Jesus nos ensina que a verdadeira felicidade não está em aparentar santidade, mas em ter um coração alinhado com Deus. Um coração limpo vê mais longe. Vê Deus onde outros não veem. E essa visão transforma a vida.

Um coração sincero diante de Deus enxerga aquilo que os olhos não conseguem ver.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

07/fev/26

 

FELIZES OS QUE APRENDERAM A TRATAR COM GRAÇA

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” Mateus 5:7 (NAA)

Dando continuidade às reflexões sobre o Sermão do Monte, procurando compreender o que Jesus transmitia à multidão, chegamos agora à felicidade declarada sobre os misericordiosos, os puros de coração e os pacificadores. Nessas palavras, Jesus apresenta um tipo de vida que revela, de forma prática, o caráter do Reino de Deus. Ele não fala de sentimentos isolados, mas de atitudes que nascem de um coração transformado.

No sentido comum, ser misericordioso já significa ter compaixão, perceber a dor do outro e agir com bondade. Esse conceito, por si só, já é importante. Porém, no Sermão do Monte, Jesus aprofunda a misericórdia e lhe dá um peso espiritual muito maior. Ele mostra que misericórdia não é apenas uma qualidade humana, mas uma marca de quem foi alcançado pela graça de Deus.

Em Mateus 5:7, Jesus declara: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” (NAA). Essa palavra revela uma relação direta entre receber e oferecer misericórdia. Jesus não está ensinando que conquistamos o favor de Deus por boas obras, mas que quem experimenta a misericórdia divina passa a viver de forma misericordiosa.

Para Jesus, misericórdia não é apenas sentir pena ou ter um coração sensível. Ela nasce da experiência pessoal com a graça de Deus. O misericordioso é alguém que reconhece que foi perdoado, alcançado e tratado com paciência pelo Senhor. Por isso, passa a olhar os outros com o mesmo olhar que recebeu de Deus.

No ensino de Jesus, a misericórdia começa pelo olhar. É enxergar a pessoa além do erro, da fraqueza ou da aparência. Jesus via pessoas feridas, não apenas pecadores. Ele não ignorava o pecado, mas também não ignorava a dor humana. Esse olhar muda a forma como lidamos com quem falha, com quem erra e com quem decepciona.

A misericórdia também envolve sentir. Ela não é fria nem distante. É permitir que o sofrimento do outro toque o coração. Muitas vezes, é mais fácil julgar do que se compadecer. É mais simples apontar o erro do que caminhar junto. Jesus nos chama a um coração sensível, capaz de se importar, mesmo quando isso exige esforço emocional.

Mas a misericórdia ensinada por Jesus não para no olhar e no sentir. Ela se expressa em ação. No Sermão do Monte, misericórdia sempre se transforma em atitude concreta. Não é apenas perdoar com palavras, mas agir com paciência, oferecer ajuda, estender a mão e dar novas oportunidades. É o oposto de uma religião dura, que cobra muito, mas oferece pouco.

Nos nossos dias, isso se torna muito prático. Ser misericordioso é perdoar alguém da família que nos feriu. É tratar com respeito quem falhou no trabalho. É ajudar alguém sem esperar reconhecimento. É responder com calma quando somos provocados. É lembrar que nós mesmos já erramos muitas vezes e fomos alcançados pela graça de Deus.

Jesus não chama de bem-aventurados os que apenas exigem justiça dos outros, mas os que sabem equilibrar justiça com misericórdia. Ele não nos ensina a passar por cima da verdade, mas a tratar a verdade com amor. A misericórdia não ignora o erro, mas oferece caminho de restauração.

Por isso, a misericórdia ensinada por Jesus vai além do conceito humano. Ela inclui perdoar quando há motivo para ressentimento, ajudar quando não há obrigação e tratar com graça quem falhou. Esse tipo de misericórdia não nasce do esforço humano, mas de um coração moldado pelo Espírito de Deus.

Jesus não redefine a misericórdia; Ele a leva à sua essência. Quem foi alcançado pela misericórdia de Deus aprende a oferecê-la aos outros. E essa prática revela um coração alinhado com o Reino dos Céus.

Assim, Jesus nos ensina que a verdadeira felicidade não está em julgar menos por conveniência, mas em amar mais por convicção. O misericordioso vive de forma leve, porque entende que a graça recebida precisa ser compartilhada. E sobre esses, Jesus declara: são felizes.

Quem experimenta a misericórdia de Deus aprende a olhar, sentir e agir com graça diante dos outros.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

06/fev/26

  CEIA DO SENHOR, UM ENCONTRO VIVO COM CRISTO “Pois quem come o pão ou bebe o cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o...