VOLTE AO PRIMEIRO
AMOR
“Tenho, porém, contra você que abandonou o seu
primeiro amor.” Apocalipse 2:4 (NAA)
Existe algo muito especial no começo da nossa caminhada com
Deus. Quando alguém se converte, tudo parece vivo. A oração flui com
facilidade. A Bíblia chama a atenção. O coração fica sensível. Há alegria em
servir. Esse é o chamado “primeiro amor”.
Foi exatamente sobre isso que Jesus falou à igreja de Éfeso.
Aquela igreja tinha muitas qualidades. Trabalhava muito, perseverava e defendia
a verdade. Aos olhos humanos, parecia uma igreja exemplar. Porém, Jesus viu
algo que ninguém mais via: o amor havia esfriado.
Eles continuavam fazendo a obra, porém sem o mesmo coração.
Continuavam ativos, porém menos apaixonados por Cristo e pelas pessoas. O
problema não estava na falta de trabalho. Estava na falta de amor.
Anos antes, o apóstolo Paulo havia escrito aos efésios
incentivando-os a viver em unidade e amor. Ele ensinou que o corpo de Cristo é
formado por pessoas diferentes, com dons diferentes, funcionando juntas em
harmonia. O amor seria a força que manteria esse corpo vivo e saudável.
Com o passar do tempo, porém, a igreja de Éfeso se tornou
correta, organizada e zelosa — mas perdeu a ternura espiritual. O zelo pela
doutrina permaneceu. O cuidado com o amor diminuiu. E Jesus não ignorou isso.
Essa mensagem continua muito atual.
Hoje também existem cristãos muito ativos na igreja.
Participam de cultos, trabalham em ministérios, defendem a fé nas redes
sociais. Tudo isso é importante. Porém, existe um perigo silencioso: fazer
muitas coisas para Deus e, ainda assim, se afastar do coração de Deus.
É possível cantar e não amar. É possível servir e não cuidar
das pessoas. É possível conhecer a Bíblia e, mesmo assim, tratar irmãos com
frieza.
Vemos isso em situações bem reais. Por exemplo, quando
alguém da igreja se afasta. Em vez de procurar, alguns apenas comentam. Em vez
de estender a mão, apenas julgam. Em vez de lutar pela pessoa, simplesmente a
descartam. Esse não é o espírito do primeiro amor.
Isso não significa aceitar o erro como se fosse normal. Deus
é amor, porém também é justo. Ele corrige quem ama. O verdadeiro amor não passa
a mão no pecado, mas também não abandona quem caiu. Jesus contou sobre a ovelha
perdida justamente para mostrar que o coração de Deus busca restaurar, não
descartar.
O primeiro amor é um amor vivo, sensível e disposto a
cuidar. É o amor que nos leva a orar por quem está fraco. A visitar quem sumiu.
A perdoar quem falhou. A insistir quando seria mais fácil desistir.
Esse amor não nasce do esforço humano. Ele vem de Deus. Por
isso, Pedro nos orienta a amar uns aos outros de coração puro, porque fomos
transformados por Cristo (1 Pedro 1:22).
Quando o amor de Deus enche o coração, a nossa postura muda.
Passamos a olhar menos para nós mesmos e mais para as pessoas ao nosso redor. O
orgulho diminui. A compaixão cresce. O julgamento perde espaço para a graça.
Talvez você esteja lendo isto e pensando: “Eu amo a Deus,
porém sinto que algo esfriou.” Se isso aconteceu, há esperança. Jesus não
escreveu para Éfeso para condenar sem saída. Ele chamou a igreja ao
arrependimento e ao recomeço.
O primeiro amor pode ser reacendido.
Começa com uma decisão simples: voltar o coração para
Cristo. Voltar à oração sincera. Voltar à Palavra com fome. Voltar a olhar para
as pessoas com misericórdia. O amor de Deus não secou. Ele continua disponível.
Mesmo que nem todos correspondam ao seu amor, continue
amando. O primeiro amor não depende da resposta das pessoas. Ele nasce da
presença de Cristo em nós.
Quando o amor de Cristo volta a ocupar o centro, a fé ganha
vida novamente. O serviço ganha sentido. A igreja volta a ser família. E o
coração volta a arder como no começo.
Quem permanece perto de Jesus nunca perde o primeiro amor —
apenas precisa voltar ao lugar onde o coração começou a esfriar.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
20/fev/26