O NOME DIANTE DO QUAL TODOS SE CURVARÃO

“Por isso também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.” Filipenses 2:9-11 (NAA).

Ao longo da história, muitos nomes se tornaram conhecidos. Alguns são lembrados por suas descobertas, outros pelo poder que exerceram, pelas riquezas que acumularam ou pela influência que tiveram. Porém, todos esses nomes passam. Impérios desaparecem, governos terminam, riquezas perdem o valor e até as maiores realizações humanas acabam sendo esquecidas. Existe, entretanto, um nome que jamais perderá sua autoridade: o nome de Jesus.

Quando o apóstolo Paulo escreveu que Deus deu a Jesus o nome que está acima de todo nome, ele não estava falando apenas da maneira como pronunciamos esse nome. Estava falando de sua autoridade, de sua posição e de seu senhorio. Jesus foi exaltado porque, antes, humilhou-se profundamente.

Ele existia na forma de Deus, mas veio ao mundo como homem. Assumiu a condição de servo, viveu entre pessoas comuns, sentiu fome, cansaço, tristeza e dor. Mesmo sendo santo, permitiu que o tratassem como culpado. Foi rejeitado, humilhado e pregado numa cruz.

A cruz não foi um acidente nem uma derrota. Ela fazia parte do plano de Deus para salvar pecadores. Jesus entregou-se voluntariamente. Tomou sobre si a culpa que era nossa e sofreu a condenação que nós merecíamos. Depois de sua morte, ressuscitou e foi exaltado pelo Pai. Por isso, hoje Ele reina soberanamente.

A Bíblia diz que Jesus está assentado à direita do trono de Deus. Hebreus apresenta Cristo como aquele que suportou a cruz e venceu a vergonha, permanecendo agora em posição de honra e autoridade.

Essa verdade deve encher nosso coração de gratidão. Não fomos salvos porque éramos bons, fortes ou merecedores. Não compramos a salvação por meio de obras, esforços ou sacrifícios pessoais. Fomos alcançados pela graça.

Quando olhamos para a cruz, entendemos que nossa salvação custou um preço que jamais conseguiríamos pagar. Jesus carregou nossos pecados para que recebêssemos perdão. Ele abriu o caminho para que pessoas afastadas de Deus fossem reconciliadas com o Pai. Por isso, a adoração não deve acontecer apenas durante um culto. Ela é a resposta de uma vida que reconhece tudo o que Cristo fez.

Louvamos porque fomos perdoados. Louvamos porque não estamos mais condenados. Louvamos porque Jesus venceu a morte. Louvamos porque temos uma esperança que não termina no túmulo. Louvamos porque, mesmo em nossos dias mais difíceis, o Senhor continua sendo digno e sempre será.

Muitas vezes, as pessoas agradecem a Deus principalmente quando recebem uma resposta desejada. Louvam por uma cura, pela chegada de um emprego, pela restauração do casamento, pela compra de uma casa ou pela solução de um problema financeiro. E devemos realmente agradecer por todas essas coisas. Mas existe uma razão ainda maior para adorá-lo: nossa salvação.

Talvez alguém esteja atravessando uma enfermidade sem resposta, enfrentando desemprego, vivendo um luto ou esperando por algo que ainda não aconteceu. Mesmo nesses dias, Jesus continua sendo digno de louvor. A cruz não perdeu seu valor porque a vida ficou difícil. A ressurreição não deixou de ser verdadeira porque uma oração ainda não foi respondida.

Mesmo que não recebêssemos nenhuma outra bênção nesta vida, o fato de Cristo ter morrido e ressuscitado por nós já seria motivo suficiente para uma vida inteira de gratidão.

Quando Jesus entrou em Jerusalém, a multidão o recebeu com alegria e declarou: “E as multidões, tanto as que iam adiante dele como as que o seguiam, clamavam: — Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!” Mateus 21:9 (NAA).

Aquela declaração mostrava a esperança de que Jesus era o Messias prometido. Porém, muitos esperavam apenas uma libertação política e terrena. Jesus veio realizar algo muito maior: libertar o ser humano do pecado e conduzi-lo de volta a Deus.

Hoje, glorificamos o nome de Jesus quando reconhecemos sua autoridade e vivemos de acordo com sua vontade. A verdadeira adoração não se limita às palavras, às músicas ou às emoções. Ela aparece em nossas escolhas.

Adoramos quando perdoamos alguém que nos feriu. Adoramos quando permanecemos fiéis em meio às dificuldades. Adoramos quando recusamos uma prática errada, mesmo que ninguém esteja olhando. Adoramos quando servimos ao próximo sem buscar reconhecimento. Adoramos quando colocamos Cristo acima de nossos desejos, interesses e opiniões.

O dia chegará em que toda a criação reconhecerá a autoridade de Jesus. O livro de Apocalipse mostra o céu proclamando que o Cordeiro é digno de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor.

Alguns se curvam hoje por amor, fé e gratidão. Outros reconhecerão sua soberania apenas no dia do juízo. Entretanto, ninguém poderá negar que Jesus Cristo é o Senhor.

Por isso, enquanto temos oportunidade, devemos entregar a Ele o melhor de nossa vida. Que o nome de Jesus ocupe o primeiro lugar em nosso coração. Que nossas palavras, decisões e atitudes mostrem que pertencemos a Ele.

A maior bênção que recebemos não foi uma conquista terrena. Foi a salvação eterna conquistada por Cristo na cruz. Quem entende essa verdade sempre encontrará motivos para dizer, em qualquer circunstância: Jesus Cristo é Senhor.

Quem compreende o que Jesus fez na cruz não precisa esperar uma nova bênção para adorá-lo; encontra no próprio Cristo motivos suficientes para uma vida inteira de gratidão.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

23/jul/26

 

A GRAÇA QUE SILENCIA AS PEDRAS

“Levantando-se, Jesus perguntou a ela: — Mulher, onde estão eles? Ninguém condenou você? Ela respondeu: — Ninguém, Senhor! Então Jesus disse: — Também eu não a condeno; vá e não peque mais.” João 8:10-11 (NAA).

Uma mulher foi levada até Jesus em uma das situações mais humilhantes de sua vida. Ela havia sido surpreendida em adultério e colocada no meio de todos. Não lhe deram a oportunidade de explicar nada. Para aqueles homens, ela não era mais uma pessoa, mas apenas uma pecadora que deveria ser castigada.

Os escribas e fariseus conheciam a Lei. Sabiam citar os mandamentos e apresentavam-se como defensores da santidade. Contudo, não estavam interessados em restaurar aquela mulher. Eles queriam usá-la como instrumento para colocar Jesus à prova. Enquanto falavam sobre justiça, seus corações estavam cheios de acusação, orgulho e falta de misericórdia.

Essa cena também pode acontecer em nossos dias. Uma pessoa comete um erro, e rapidamente sua história se espalha. Fotografias, mensagens e comentários são compartilhados. Alguém que caiu passa a ser conhecido apenas por sua queda. Poucos procuram saber o que aconteceu. Poucos oferecem ajuda. Muitos apenas pegam suas pedras em forma de críticas, julgamentos e palavras cruéis.

Jesus não ignorou o pecado daquela mulher. Ele sabia exatamente o que ela havia feito. No entanto, também conhecia os pecados escondidos daqueles que a acusavam. Por isso, disse: “Quem de vocês estiver sem pecado seja o primeiro a atirar uma pedra nela.” João 8:7 (NAA).

Depois dessas palavras, ninguém conseguiu permanecer ali como juiz. Um por um, os acusadores foram embora. As pedras caíram das mãos porque a Palavra de Jesus revelou a verdade: todos eram pecadores e necessitavam da misericórdia de Deus.

É muito fácil perceber o erro do outro e esquecer as próprias fraquezas. Podemos condenar alguém por um pecado diferente do nosso e pensar que somos melhores. Mas diante da santidade de Deus, ninguém pode declarar-se justo por seus próprios méritos. Todos precisamos de perdão.

Quando os acusadores foram embora, a mulher ficou diante de Jesus. Esse foi o momento mais importante de sua vida. Ela estava diante daquele que conhecia todo o seu passado, mas também tinha poder para lhe dar um novo futuro.

Jesus perguntou: “Ninguém condenou você?” Ela respondeu: “Ninguém, Senhor!” Então ouviu palavras que jamais esqueceria: “Também eu não a condeno; vá e não peque mais.”

Jesus não disse que o pecado não tinha importância. Também não afirmou que ela poderia continuar vivendo da mesma maneira. Ele ofereceu perdão e, ao mesmo tempo, chamou-a para uma vida transformada. A graça não diz: “Continue como está.” A graça diz: “Você pode começar novamente, mas agora siga por um caminho diferente.”

Essa verdade é muito importante. Algumas pessoas pensam que Deus não pode mais recebê-las por causa dos erros que cometeram. Carregam culpa por muitos anos. Lembram-se de decisões erradas, palavras que feriram, relacionamentos destruídos ou oportunidades perdidas. Mesmo depois de pedirem perdão, continuam vivendo como se ainda estivessem no meio da praça, cercadas por acusadores. Mas a Palavra declara: “Agora, pois, já não existe nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus.” Romanos 8:1 (NAA).

Isso não significa que não haverá consequências por nossas escolhas. Significa que, em Cristo, a sentença da morte eterna foi retirada. Jesus tomou sobre si a nossa culpa e nos oferece uma nova vida. A lei do Espírito da vida nos liberta da lei do pecado e da morte. Romanos 8:2

Imagine alguém que viveu durante anos preso a um vício. Depois de muitas quedas, essa pessoa conhece Jesus, pede ajuda e inicia um caminho de restauração. Talvez alguns continuem lembrando seu passado. Jesus, porém, não a reduz ao que ela foi. Ele a chama para aquilo que pode se tornar pela graça.

Pense também em alguém que destruiu um relacionamento por causa de suas atitudes. O arrependimento verdadeiro não apaga imediatamente todas as consequências, mas abre a porta para uma nova maneira de viver. Em vez de mentir, começa a falar a verdade. Em vez de ferir, aprende a pedir perdão. Em vez de fugir de Deus, aproxima-se dele.

Jesus é a Palavra viva que não veio para destruir o pecador, mas para salvá-lo. Ele revela o pecado, oferece perdão e mostra o caminho da transformação. Logo depois daquele encontro, Jesus declarou: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas.” João 8:12 (NAA).

A mulher chegou cercada por acusadores, mas saiu com uma nova oportunidade. Chegou marcada pelo pecado, mas encontrou aquele que podia libertá-la. Chegou esperando uma sentença de morte, mas ouviu uma palavra de vida.

Talvez ainda existam pedras apontadas para você. Talvez a pedra mais pesada esteja em suas próprias mãos, porque você não consegue perdoar a si mesmo. Hoje, Jesus o convida a deixar a culpa aos seus pés, receber seu perdão e abandonar o pecado.

A voz dos acusadores pode ser forte, mas a palavra de Jesus é maior. Quando Ele perdoa, ninguém pode condenar. Quando Ele liberta, o passado não pode manter a pessoa presa. Quando Ele chama, sempre existe um novo caminho a seguir.

A graça de Jesus não esconde o pecado, mas retira a condenação, levanta o pecador e lhe oferece forças para começar uma nova vida.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

22/jul/26

 

VOCÊ SE LEMBROU DO SEU MELHOR AMIGO?

“Já não chamo vocês de servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz; mas tenho chamado vocês de amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes dei a conhecer.” João 15:15 (NAA)

Ontem foi o Dia do Amigo. Muitas pessoas enviaram mensagens, publicaram fotografias, recordaram histórias e agradeceram pela presença daqueles que caminham ao seu lado. Foi um dia bonito, porque a amizade é um presente de Deus. Ter alguém que nos ouve, nos aconselha, compartilha nossas alegrias e permanece perto nas horas difíceis é uma grande bênção.

A Bíblia diz que “há amigo mais chegado que um irmão”. Provérbios 18:24 (NAA). Existem amizades que atravessam o tempo, suportam a distância e permanecem firmes mesmo quando a vida muda. São pessoas que talvez não estejam conosco todos os dias, mas ocupam um lugar especial em nosso coração. No entanto, em meio a tantas mensagens enviadas ontem, uma pergunta precisa ser feita: você se lembrou de falar com Jesus?

Muitos dizem que Jesus é o seu melhor Amigo. Cantam isso, publicam frases sobre Ele e afirmam que confiam em sua presença. Mas amizade não é apenas uma palavra bonita. Amizade envolve conversa, proximidade, confiança, atenção e permanência.

Um amigo verdadeiro não é procurado apenas quando precisamos de ajuda. Não nos lembramos dele somente quando estamos doentes, com medo ou enfrentando problemas. Queremos também compartilhar os dias tranquilos, as pequenas alegrias, os planos e os sentimentos mais simples. Com Jesus deveria ser assim.

Ele não deseja ser apenas aquele a quem recorremos quando tudo dá errado. Ele quer participar da nossa caminhada diária. Deseja ouvir nossa gratidão, nossas dúvidas, nossos sonhos e até aquilo que não conseguimos explicar a ninguém.

Talvez ontem você tenha enviado dezenas de mensagens, mas não tenha separado alguns minutos para dizer: “Jesus, obrigado porque o Senhor nunca me abandonou. Obrigado porque me ouviu quando ninguém mais compreendia. Obrigado porque permaneceu comigo nos dias em que eu mesmo pensei em desistir.”

Jesus chamou seus discípulos de amigos. Isso é algo extraordinário. Ele é o Senhor, o Salvador e o Filho de Deus, mas decidiu aproximar-se de nós. Não nos tratou com distância. Compartilhou sua Palavra, revelou o coração do Pai e entregou a própria vida por amor.

Nenhum amigo terreno poderia fazer por nós o que Jesus fez. Seu sacrifício foi muito mais do que uma demonstração de amizade: foi uma entrega salvadora. Ele morreu por nós quando ainda éramos pecadores, não porque merecíamos, mas porque nos amou.

Os amigos podem caminhar conosco, segurar nossa mão no hospital, chorar ao nosso lado e permanecer perto durante uma grande perda. A presença deles é preciosa e pode tornar os dias difíceis mais suportáveis.

Contudo, existem dores escondidas, medos profundos e batalhas silenciosas que somente Jesus conhece por completo. Ele alcança os lugares mais profundos da alma, cura feridas que ninguém consegue ver e, por meio de sua morte e ressurreição, nos conduz à vida eterna.

Ele sabe o que sentimos antes mesmo de encontrarmos palavras. Conhece nossas fraquezas, nossos erros e nossas contradições. Mesmo assim, continua nos chamando para perto.

Talvez alguém diga: “Mas Jesus já sabe que eu o amo.” É verdade que Ele conhece o coração. Entretanto, também é verdade que o amor precisa ser demonstrado. Uma amizade não sobrevive apenas de pensamentos não expressados.

Quando foi a última vez que você conversou com Jesus sem fazer pedidos? Quando foi a última vez que abriu a Bíblia apenas para ouvi-lo? Quando foi a última vez que agradeceu pela salvação, pela presença e pelo cuidado diário?

Jesus continua dizendo: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.” Apocalipse 3:20 (NAA).

Essa imagem fala de comunhão. Jesus não deseja uma visita apressada. Ele deseja entrar, sentar-se à mesa e compartilhar a vida conosco. Entretanto, muitas vezes deixamos nosso melhor Amigo do lado de fora enquanto corremos atrás de tantas outras coisas.

Temos tempo para as redes sociais, para as notícias, para conversas longas e para muitas distrações. Porém, quando chega o momento de orar, dizemos que estamos cansados ou ocupados.

Uma amizade enfraquece quando não há diálogo. Da mesma forma, nossa comunhão com Jesus se torna distante quando deixamos de falar com Ele e de ouvir sua Palavra.

Isso não significa que Jesus abandone aquele que se afasta. Pelo contrário, Ele continua chamando, esperando e convidando para uma nova aproximação. Sua amizade é fiel, paciente e cheia de graça.

Hoje, mesmo depois do Dia do Amigo, você pode parar por alguns minutos e conversar com Jesus. Não precisa usar palavras difíceis. Fale com sinceridade: “Senhor Jesus, obrigado por ser meu Amigo. Perdoe-me pelas vezes em que me lembro de todos, mas me esqueço de falar com o Senhor. Quero ouvir sua voz, andar ao seu lado e viver de maneira que demonstre meu amor.”  

O Dia do Amigo passou, mas a amizade de Jesus permanece. Ele está presente nos dias de festa e também nas noites de choro. Permanece quando outros se afastam. Corrige-nos quando estamos errados, fortalece-nos quando estamos fracos e continua amando mesmo quando falhamos.

Jesus é, de fato, o melhor Amigo. Mas a pergunta permanece: você falou isso para Ele?

Muitos se lembram dos amigos em uma data especial, mas Jesus, nosso melhor Amigo, entregou a própria vida para nos salvar e deseja ser lembrado, amado e ouvido todos os dias.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

21/jul/26

 

O DEUS QUE SE REVELOU EM JESUS

"Deus disse a Moisés: — Eu Sou o Que Sou. Disse mais: — Assim você dirá aos filhos de Israel: 'Eu Sou me enviou a vocês.'" Êxodo 3:14 (NAA)

Uma das verdades mais profundas da Bíblia é que Deus é infinitamente maior do que a nossa capacidade de compreendê-Lo. O ser humano consegue estudar a criação, admirar o universo e aprender muitas coisas sobre Deus por meio das Escrituras, mas jamais conseguirá entender completamente toda a grandeza do Senhor.

Deus é eterno. Não teve princípio e não terá fim. Ele existia antes da criação do mundo e continuará existindo por toda a eternidade. Por isso, quando tentamos compreender plenamente quem Deus é, logo percebemos os limites do nosso entendimento.

Isso não significa, porém, que Deus tenha permanecido distante ou escondido da humanidade. Pelo contrário. Em Seu amor, Ele escolheu revelar-Se ao homem.

Quando Moisés recebeu a missão de libertar o povo de Israel da escravidão do Egito, fez uma pergunta importante. Ele queria saber qual era o nome daquele que o estava enviando.

A resposta de Deus foi extraordinária. "Deus disse a Moisés: — Eu Sou o Que Sou. Disse mais: — Assim você dirá aos filhos de Israel: 'Eu Sou me enviou a vocês.'" Êxodo 3:14 (NAA)

Essa declaração revela algo maravilhoso sobre Deus. Ele não depende de ninguém para existir. Não foi criado por ninguém. Não recebe vida de nenhuma fonte externa. Ele simplesmente é.

O "Eu Sou" revela a autossuficiência, a eternidade e a plenitude de Deus. Tudo aquilo que Deus é encontra-se nEle mesmo. Seu poder não tem limites. Sua sabedoria não tem falhas. Seu amor não diminui. Sua fidelidade não muda.

Ao longo da Bíblia, Deus foi se revelando por meio dos Seus atributos. Embora nenhum homem possa compreender plenamente Sua essência, podemos conhecê-Lo por aquilo que Ele revela de Si mesmo.

A Bíblia apresenta Deus como Criador de todas as coisas. Ele é santo, justo e misericordioso. É poderoso para salvar, fiel para cumprir Suas promessas e amoroso para cuidar dos Seus filhos. Mas existe uma diferença entre saber informações sobre Deus e conhecer Deus de verdade.

Muitos sabem que Deus é misericordioso. Outros já experimentaram Sua misericórdia. Muitos sabem que Deus é provedor. Outros já foram sustentados por Ele em momentos difíceis. Muitos sabem que Deus é consolador. Outros já sentiram Seu consolo em meio às lágrimas. É através dessas experiências que passamos a conhecer mais profundamente o Senhor.

Quando Deus responde uma oração, conhecemos Sua fidelidade. Quando nos perdoa, conhecemos Sua graça. Quando nos fortalece nas lutas, conhecemos Seu poder. Quando nos sustenta em meio às dificuldades, conhecemos Seu cuidado. Cada experiência com Deus revela um pouco mais do Seu caráter. Entretanto, a maior revelação de Deus à humanidade aconteceu em Jesus Cristo.

O evangelho de João declara: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai." João 1:14 (NAA). Jesus não foi apenas um profeta, um mestre ou um homem extraordinário. Ele é o próprio Deus revelado aos homens.

O evangelho começa afirmando: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." João 1:1 (NAA). Aquele que criou todas as coisas entrou na história humana. O Deus invisível tornou-Se visível em Cristo.

Por isso o escritor aos Hebreus afirma: "O Filho, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela sua palavra poderosa..." Hebreus 1:3 (NAA)

Jesus é a expressão perfeita do Pai. Quem deseja conhecer Deus deve olhar para Cristo.

Quando observamos Seu amor pelos pecadores, vemos o amor de Deus. Quando observamos Sua compaixão pelos necessitados, vemos a compaixão de Deus. Quando observamos Seu poder sobre as enfermidades, sobre a natureza e até sobre a morte, vemos o poder de Deus.

Não é por acaso que Isaías apresentou o Messias com títulos tão extraordinários. "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu. O governo está sobre os seus ombros, e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." Isaías 9:6 (NAA). Cada um desses nomes revela um aspecto da pessoa de Cristo.

Ele é o Maravilhoso Conselheiro, cuja sabedoria nunca falha. Ele é o Deus Forte, para quem nada é impossível. Ele é o Pai da Eternidade, Senhor do tempo e da vida. Ele é o Príncipe da Paz, que oferece descanso ao coração aflito.

Quanto mais conhecemos Jesus, mais conhecemos o próprio Deus. E quanto mais experimentamos Sua graça, mais entendemos o significado daquele nome revelado a Moisés: "Eu Sou".

O Deus eterno não permaneceu distante. Ele escolheu revelar-Se ao homem e aproximar-Se de nós por meio de Seu Filho.

Por isso, a maior busca da vida não deve ser conhecer mais coisas sobre Deus, mas conhecer o próprio Deus através de Jesus Cristo.

Deus é grande demais para ser plenamente compreendido, mas é amoroso o bastante para Se revelar. E a mais perfeita revelação do 'Eu Sou' não está em um conceito, mas na pessoa de Jesus Cristo.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

20/jul/26

 

DOIS CAMINHOS, DOIS DESTINOS

“Os filhos de Hete responderam a Abraão, dizendo: — Escute: o senhor é príncipe de Deus em nosso meio...” Gênesis 23:5-6 (NAA).

Interessante notar que Abraão e Ló começaram sua caminhada em condições muito parecidas. Os dois possuíam rebanhos, servos, tendas e muitos bens. A prosperidade havia se tornado tão grande que a terra já não conseguia sustentar os dois juntos. Por isso, surgiu uma discussão entre os pastores de Abraão e os pastores de Ló.

Abraão, mesmo sendo o mais velho e tendo recebido a promessa de Deus, não usou sua posição para impor uma escolha. Com humildade, permitiu que Ló decidisse primeiro para onde desejava ir. Foi então que os dois revelaram, por suas escolhas, o que havia dentro do coração.

Ló levantou os olhos e viu a campina do Jordão. Era uma região bem regada, fértil e aparentemente perfeita para os seus rebanhos. Tudo indicava prosperidade, crescimento e segurança. Aos olhos humanos, parecia a melhor escolha possível.

A Bíblia, porém, mostra que Ló escolheu guiado principalmente pelo que viu. Ele considerou a fertilidade da terra, mas não avaliou com o mesmo cuidado o ambiente espiritual daquela região. Próximo dali estavam Sodoma e Gomorra, cidades conhecidas pela maldade de seus habitantes. “Ora os moradores de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o Senhor.” Gênesis 13:13 (NAA).

Ló não entrou em Sodoma de uma só vez. Primeiro, escolheu a campina. Depois, armou suas tendas até Sodoma. Mais tarde, passou a morar dentro da cidade. Por fim, apareceu sentado à porta de Sodoma, ocupando um lugar de reconhecimento entre os seus moradores.

Esse processo revela uma verdade importante: muitas quedas não começam com uma decisão escandalosa, mas com pequenas aproximações. Primeiro, a pessoa olha. Depois, considera inofensivo. Em seguida, aproxima-se. Quando percebe, já está envolvida com aquilo que antes observava de longe.

Ló entrou naquela região cercado por riquezas, pastores, servos e grandes rebanhos. No entanto, quando Sodoma foi destruída, ele saiu apenas com a roupa do corpo e acompanhado de duas filhas. A esposa ficou pelo caminho. Os genros não acreditaram em sua advertência. Seus bens desapareceram da narrativa, e seu testemunho havia perdido a força dentro da própria família.

Quando Ló avisou aos genros que a cidade seria destruída, eles pensaram que ele estivesse brincando. Isso mostra que sua palavra já não possuía autoridade entre os seus. Talvez ele ainda fosse considerado um homem importante na cidade, mas havia perdido algo muito mais precioso: a influência espiritual.

Abraão seguiu um caminho diferente. Ele permaneceu na terra de Canaã, vivendo em tendas, sem possuir cidades, palácios ou grandes construções. Aos olhos humanos, talvez sua vida parecesse mais simples e insegura. Entretanto, Abraão tinha algo que Ló estava deixando para trás: a presença de Deus, a promessa e a comunhão com o Senhor.

Depois que Ló se separou dele, Deus falou novamente com Abraão e reafirmou tudo o que lhe daria. O homem que não escolheu pela aparência recebeu de Deus uma visão muito maior do que aquela que Ló teve ao olhar para a campina.

Abraão permaneceu como peregrino, mas sua influência cresceu. Reis o respeitaram. Povos reconheceram sua grandeza. Quando precisou sepultar Sara, os habitantes da terra o chamaram de “príncipe de Deus”. Ele não tinha um trono, mas carregava autoridade. Não usava coroa, mas era reconhecido como alguém sobre quem repousava a bênção do Senhor.

Ló buscou um lugar que pudesse aumentar seus bens. Abraão buscou permanecer no lugar da promessa. Ló escolheu uma terra fértil, mas perdeu quase tudo. Abraão viveu em tendas, mas tornou-se pai de uma grande nação.

No fim, Ló praticamente desaparece da narrativa bíblica. Depois dos acontecimentos envolvendo suas filhas, sua história se encerra de maneira triste. Abraão, porém, continua sendo lembrado como o pai da fé. Seu nome atravessou séculos e permanece como referência de confiança em Deus até os nossos dias.

Essa comparação não significa que Abraão nunca tenha errado. Ele também enfrentou momentos de fraqueza, tomou decisões equivocadas e precisou ser corrigido. A diferença estava na direção de sua vida. Quando falhava, voltava ao altar. Quando tinha medo, aprendia novamente a confiar. Sua caminhada era marcada pelo relacionamento com Deus.

A história dos dois nos faz pensar em nossas escolhas. Muitas vezes, somos atraídos por aquilo que parece mais vantajoso: um emprego melhor, uma oportunidade financeira, um relacionamento, uma mudança de cidade ou um ambiente que promete conforto. Nada disso é necessariamente errado. O perigo está em decidir apenas pelo que os olhos veem, sem perguntar o que aquela escolha fará com nossa fé, nossa família e nosso testemunho.

Nem toda campina verde é o lugar preparado por Deus. Algumas oportunidades aumentam nossos recursos, mas diminuem nossa comunhão. Algumas portas parecem boas, mas nos aproximam lentamente de ambientes que enfraquecem nossos valores.

Antes de escolher, precisamos perguntar: isso me aproxima de Deus? Preservará minha família? Fortalecerá meu testemunho? Poderei continuar servindo ao Senhor com liberdade e fidelidade?

Ló desejou a melhor terra e terminou numa caverna. Abraão aceitou viver em tendas e foi chamado de príncipe de Deus.

A grande diferença não estava na riqueza que possuíam, mas na direção para a qual cada um conduziu o coração. Um escolheu pela aparência. O outro aprendeu a viver pela promessa.

A vida nos coloca diariamente diante dessas duas possibilidades. Podemos correr atrás daquilo que parece melhor aos nossos olhos ou confiar naquele que enxerga o caminho inteiro. No fim, não será lembrado aquele que acumulou mais, mas aquele que permaneceu fiel a Deus e deixou uma herança de fé.

Quem escolhe apenas pelo que os olhos veem pode conquistar uma boa paisagem e perder o futuro; quem caminha pela fé pode viver em tendas, mas deixa uma herança que atravessa gerações.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

19/jul/26

 

O TESTEMUNHO DIANTE DAS TELAS

“Abstenham-se de toda forma de mal.” 1 Tessalonicenses 5:22 (NAA).

Em traduções mais antigas, esse versículo aparece da seguinte forma: “Abstende-vos de toda aparência do mal.” O sentido principal do texto é que o cristão deve afastar-se de toda espécie, manifestação ou prática do mal. Não se trata apenas de evitar aquilo que parece errado aos olhos das pessoas, mas de rejeitar tudo o que, de fato, não agrada a Deus.

Essa palavra nos convida a examinar a própria vida. Precisamos observar nossas vestimentas, nosso modo de falar, nossas atitudes, os lugares que frequentamos, os conteúdos que assistimos e aquilo que permitimos entrar em nossa mente e em nosso coração. A fé não deve ser demonstrada somente dentro da igreja, mas em todas as áreas da vida.

Isso inclui nossa presença nas redes sociais. Atualmente, muitas pessoas conhecem parte de nossa vida por meio das fotografias, dos vídeos, dos comentários e das mensagens que publicamos. Por essa razão, aquilo que colocamos na internet também faz parte do nosso testemunho cristão.

Às vezes, pessoas que se apresentam como cristãs publicam fotografias com roupas, poses ou comportamentos que não combinam com os valores que afirmam seguir. Em outros casos, escrevem palavras agressivas, compartilham conteúdos impróprios, envolvem-se em discussões ofensivas, expõem excessivamente sua intimidade ou fazem comentários que ferem e humilham outras pessoas.

Precisamos compreender que a rede social não é um mundo separado da vida real. Aquilo que fazemos diante da tela também revela algo sobre nosso coração. Podemos apagar uma publicação, mas talvez não consigamos apagar a impressão que ela causou em quem a viu.

Não se trata de criar regras humanas sobre roupas ou de viver preocupado apenas com a opinião dos outros. A questão é muito mais profunda. Devemos perguntar se aquilo que mostramos glorifica a Deus, revela modéstia, transmite respeito e combina com a identidade de alguém que pertence a Cristo.

A roupa, por si mesma, não transforma o coração. Uma pessoa pode estar vestida de maneira adequada e, ainda assim, alimentar orgulho, inveja, maldade ou falta de amor. Entretanto, aquilo que escolhemos vestir e aquilo que estamos mostrando em uma fotografia também transmite uma mensagem. Por isso, tanto homens quanto mulheres devem agir com equilíbrio, dignidade, sabedoria e bom senso, evitando a ostentação e a exposição inadequada do corpo.

Nosso corpo não deve ser usado como instrumento de provocação, disputa ou busca exagerada por atenção. Ele pertence ao Senhor e deve ser tratado com honra. Isso não significa desprezar a beleza ou impedir alguém de se apresentar bem. Significa entender que a beleza do cristão não precisa estar ligada à sensualidade, à vaidade exagerada ou à necessidade constante de aprovação.

O mesmo cuidado deve existir com aquilo que falamos nas redes sociais. Não podemos publicar um versículo pela manhã e, pouco depois, usar a mesma página para espalhar ofensas, mentiras, intrigas ou palavras cheias de rancor. Nossa fé também é revelada pela maneira como respondemos a quem pensa diferente, pela forma como tratamos as pessoas e pelo conteúdo que decidimos compartilhar.

Antes de publicar alguma coisa, seria sábio fazer algumas perguntas: isso agrada a Deus? Esta fotografia preserva minha dignidade? Estas palavras edificam alguém? Estou mostrando Cristo ou apenas procurando atenção? Aquilo que publico fortalece ou enfraquece meu testemunho?

Nem tudo o que podemos publicar deve ser publicado. Nem tudo o que recebe aplausos, curtidas e elogios tem a aprovação do Senhor. A quantidade de pessoas que admiram determinada atitude não transforma o errado em certo. A Palavra de Deus, e não as tendências da sociedade, deve orientar nossas escolhas. “Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus, peço que ofereçam o seu corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Este é o culto racional de vocês. E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12:1,2 (NAA)

Devemos zelar pelo testemunho porque não representamos somente a nós mesmos. Pertencemos ao Reino de Deus e carregamos o nome de Cristo. Quando alguém sabe que somos cristãos, passa a observar se nossas atitudes combinam com a fé que professamos. Isso não significa que seremos perfeitos, mas que devemos demonstrar o desejo sincero de viver de maneira diferente.

O Senhor nos chamou para sermos santos. A Bíblia declara: “Pelo contrário, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, porque está escrito: ‘Sejam santos, porque eu sou santo.’” 1 Pedro 1:15-16 (NAA).

Ser santo não significa nunca cometer erros, mas pertencer a Deus e permitir que Ele transforme diariamente nosso caráter, nossas escolhas e nossos desejos. A santificação alcança o que fazemos no templo, em casa, no trabalho, na rua e também diante da tela do celular.

A Palavra ainda nos adverte: “Procurem viver em paz com todos e busquem a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.” Hebreus 12:14 (NAA).

A santificação não é um detalhe da vida cristã. Ela é uma busca diária. Por isso, devemos pedir ao Espírito Santo que nos mostre aquilo que precisa ser abandonado. Quando identificarmos uma prática, um hábito, uma publicação, uma foto inadequada que nos apresenta ou uma atitude que não agrada ao Senhor, precisamos ter humildade para mudar.

Abster-se do mal é escolher, todos os dias, aquilo que é puro, correto e digno da presença de Deus. Não fazemos isso apenas para preservar nossa imagem diante das pessoas, mas porque desejamos honrar a Cristo em tudo o que somos, falamos, vestimos, publicamos e fazemos.

O verdadeiro testemunho não termina quando o culto acaba. Ele continua em nossa casa, em nossas conversas, em nossas escolhas, em nossas fotografias e diante da tela de um celular. Onde quer que estejamos, nossa vida deve apontar para Jesus.

Quem pertence a Cristo deve revelar, até nas escolhas mais simples, a beleza de uma vida que deseja agradar a Deus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

18/jul/26

 

O TOQUE QUE JESUS RECONHECEU

“Então Jesus lhe disse: — Filha, a sua fé salvou você. Vá em paz e fique livre desse mal.” Marcos 5:34 (NAA).

Havia uma grande multidão ao redor de Jesus. As pessoas caminhavam muito próximas, apertando-o por todos os lados. No meio daquele povo estava uma mulher que carregava uma dor havia doze anos. Ela sofria de uma hemorragia que não parava. Durante todo aquele tempo, procurou muitos médicos, enfrentou tratamentos dolorosos e gastou tudo o que possuía. Mesmo assim, não melhorou. Pelo contrário, seu estado ficou ainda pior. Marcos 5:25-26

Doze anos é muito tempo para conviver com uma enfermidade. Imagine acordar todos os dias sentindo a mesma fraqueza, a mesma preocupação e a mesma frustração. A cada novo tratamento, talvez surgisse uma esperança. Porém, quando nada mudava, vinha mais uma decepção. Além da dor física, aquela mulher provavelmente enfrentava vergonha, solidão e afastamento das pessoas.

Talvez ela tivesse chegado ao ponto de pensar que não existia mais solução. O dinheiro havia acabado, os tratamentos não haviam funcionado e sua força estava diminuindo. Entretanto, certo dia, ela ouviu falar de Jesus. Alguém lhe contou que o Senhor curava enfermos, libertava os oprimidos e acolhia aqueles que todos rejeitavam. Uma pequena esperança nasceu em seu coração.

Ela não podia perder aquela oportunidade. Jesus estava passando, mas havia uma multidão entre ela e o Senhor. Mesmo enfraquecida, entrou no meio das pessoas e avançou como pôde. Em seu coração, repetia que, se apenas tocasse na roupa de Jesus, seria curada.

Aquela mulher não confiava em um tecido mágico. O poder não estava na roupa. Sua fé estava em Jesus. Ela acreditava que nele havia poder suficiente para mudar uma situação que ninguém mais conseguira resolver.

Muitas pessoas tocavam em Jesus naquele momento. Algumas esbarravam nele por causa do movimento da multidão. Outras caminhavam ao seu lado apenas por curiosidade. Mas o toque daquela mulher foi diferente. Ela não tocou apenas com a mão; tocou com fé. No mesmo instante, a hemorragia parou, e ela percebeu em seu corpo que estava curada.

Então Jesus parou e perguntou: — Quem tocou na minha roupa?

Os discípulos acharam aquela pergunta estranha. Havia tanta gente apertando Jesus que seria quase impossível saber quem o havia tocado. Mas o Senhor não estava falando de um contato comum. Ele havia reconhecido o toque de alguém que se aproximara crendo.

Essa cena nos ensina que é possível estar perto de Jesus sem realmente buscá-lo. Uma pessoa pode frequentar a igreja, conhecer hinos, ouvir mensagens e até carregar uma Bíblia, mas nunca abrir verdadeiramente o coração para Cristo. A multidão estava perto, mas somente aquela mulher se aproximou reconhecendo sua necessidade e confiando no poder do Senhor.

Quando percebeu que não poderia permanecer escondida, a mulher se aproximou com medo e tremendo. Prostrou-se diante de Jesus e contou toda a verdade. Talvez esperasse uma repreensão, pois havia tocado nele sem pedir autorização. Contudo, Jesus não a humilhou. Ele a recebeu com amor. Jesus a chamou de “filha”.

Depois de tantos anos sendo conhecida por sua enfermidade, ela recebeu uma nova palavra sobre sua vida. Para as pessoas, talvez fosse apenas “a mulher doente”. Para Jesus, ela era filha. O Senhor não queria apenas curar seu corpo; queria restaurar sua dignidade, trazer paz ao seu coração e mostrar que ela não precisava mais viver escondida.

Ainda hoje existem pessoas como aquela mulher. Algumas enfrentam uma doença há muitos anos. Outras gastaram grande parte de seus recursos em tratamentos. Há quem sofra com ansiedade, tristeza profunda, crises familiares, vícios ou feridas que ninguém consegue ver. Muitas tentaram de tudo e chegaram ao ponto de pensar que não há mais esperança.

Buscar Jesus não significa abandonar médicos, medicamentos ou tratamentos. Deus também pode agir por meio da medicina e dos profissionais de saúde. A fé verdadeira não despreza os recursos disponíveis. Ela reconhece, porém, que nossa segurança final não está nos recursos humanos, mas no Senhor.

Também precisamos entender que nem sempre Jesus responderá exatamente como desejamos. Nem toda enfermidade será curada imediatamente. Contudo, nenhuma pessoa que se aproxima sinceramente de Cristo permanece da mesma forma. Ele pode curar o corpo, fortalecer a alma, renovar a esperança, conceder paz e sustentar-nos durante a caminhada.

Talvez você se sinta perdido no meio da multidão. Talvez pense que Jesus não perceberá sua presença porque existem muitas pessoas ao redor dele. Mas o Senhor conhece sua história. Ele sabe há quanto tempo você sofre, quantas lágrimas derramou, quantas tentativas fez e quanto cansaço existe em seu coração.

A mulher queria apenas tocar e sair em silêncio. Jesus, porém, desejava dar-lhe muito mais. Ela recebeu cura, salvação, paz e uma nova identidade. Entrou naquela multidão como uma mulher ferida e saiu de lá chamada de filha.

Aproxime-se de Jesus com sinceridade. Conte-lhe toda a verdade. Não esconda suas dores, seus medos nem suas fraquezas. O mesmo Senhor que reconheceu o toque daquela mulher continua percebendo o coração que o procura com fé.

A fé não é uma mão que obriga Deus a fazer o que desejamos; é o coração que atravessa a multidão, toca em Jesus e descobre que, antes mesmo de receber a resposta, já foi visto, acolhido e chamado de filho.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

17/jul/26

  O NOME DIANTE DO QUAL TODOS SE CURVARÃO “Por isso também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para ...