QUANDO VOLTAR É O COMEÇO DE UMA NOVA HISTÓRIA

O seu povo é o meu povo, e o seu Deus é o meu Deus.” Rute 1:16 (NAA).

Quando voltar se faz necessário? Há momentos em que percebemos que estamos no lugar errado, seguindo uma direção que já não deveríamos seguir ou insistindo em algo que Deus está mostrando que precisa mudar. Às vezes isso acontece porque não esperamos o tempo do Senhor. Queremos resolver depressa aquilo que Ele está usando para nos ensinar, fortalecer e amadurecer. Em vez de esperar, tomamos decisões precipitadas, como se Deus precisasse de nossa ajuda para cumprir Seus planos.

O primeiro capítulo de Rute começa com fome. Elimeleque sai de Belém com Noemi e seus dois filhos e vai morar em Moabe. A Bíblia não diz diretamente que aquela mudança foi um pecado, e por isso precisamos ter cuidado para não afirmar o que o texto não afirma. O que sabemos é que uma família saiu de Belém procurando sobrevivência e, em Moabe, Noemi enfrentou perdas terríveis. Primeiro morreu seu marido. Depois morreram seus dois filhos. Aquela mulher, que havia partido acompanhada da família, agora estava viúva e sem filhos.

Então alguma coisa mudou. Noemi soube que o Senhor havia novamente dado alimento ao Seu povo e decidiu voltar para Belém. Essa decisão nos ensina algo precioso: o retorno começa quando reconhecemos que chegou a hora de voltar.

Isso também acontece conosco. Uma pessoa pode perceber que se afastou de Deus, abandonou a comunhão da igreja, deixou a oração de lado e quase não abre mais a Bíblia. Outra pode ter tomado uma decisão precipitada, rompido um relacionamento que poderia ter sido restaurado ou escolhido um caminho profissional apenas por ansiedade. Talvez não seja possível desfazer tudo o que aconteceu, mas sempre podemos perguntar: “Senhor, onde estou e para onde Tu queres me conduzir agora?”

Reconhecer que precisamos voltar exige humildade. Muitas vezes permanecemos em situações ruins simplesmente porque não queremos admitir que fizemos uma escolha errada. Temos medo de voltar e ouvir perguntas, enfrentar comentários ou reconhecer que as coisas não aconteceram como imaginávamos. Noemi também teria de retornar a Belém e encontrar pessoas que a conheceram antes de sua partida. Mesmo carregando tristeza, ela voltou.

O retorno também exige decisões e renúncias. Rute poderia permanecer em Moabe. Ali estavam sua origem, seus costumes e tudo aquilo que lhe era conhecido. No entanto, ela decidiu acompanhar Noemi e fez uma declaração que revelou algo muito maior do que amor por sua sogra: escolheu também o Deus de Israel.

Há coisas que não podemos levar conosco quando decidimos voltar para Deus. Não podemos desejar uma vida nova continuando presos aos mesmos hábitos que nos afastaram dEle. Quem deseja reconstruir o casamento talvez precise abandonar o orgulho. Quem deseja restaurar a comunhão com Deus talvez precise reorganizar seu tempo. Quem deseja uma vida diferente talvez tenha de se afastar de ambientes e escolhas que continuamente o conduzem para longe do Senhor. Não é possível caminhar em direção a Belém mantendo o coração preso a Moabe.

Entretanto, voltar não significa que a dor desaparecerá imediatamente. Noemi chegou a Belém ainda profundamente ferida. Em Rute 1:20-21, ela revela às mulheres da cidade toda a amargura que carregava e afirma que havia saído plena, mas estava retornando vazia.

Esse detalhe é muito importante. Podemos voltar para o lugar certo ainda carregando lágrimas. Podemos retornar à igreja e ainda ter perguntas. Podemos recomeçar um casamento e ainda precisar tratar feridas. Podemos voltar a orar depois de muito tempo e perceber que nossa fé ainda está enfraquecida. Deus não exige que estejamos completamente restaurados para iniciarmos o caminho de volta. Muitas vezes, a restauração começa justamente enquanto estamos voltando.

E há algo extraordinário na história de Noemi: ela dizia estar voltando vazia, mas Rute estava caminhando ao seu lado. Noemi ainda não conseguia perceber, porém uma parte da providência de Deus já a acompanhava pela estrada.

Ela ainda não conhecia Boaz. Não sabia o que aconteceria nos campos de Belém. Não imaginava o casamento de Rute, o nascimento de Obede nem tudo o que Deus ainda faria por meio daquela família. Muito menos poderia imaginar que, daquela linhagem, muitas gerações depois, viria Jesus, o Salvador. Via apenas aquilo que havia perdido, enquanto Deus já estava preparando aquilo que viria depois.

O primeiro capítulo de Rute termina no começo da colheita da cevada. O capítulo que começou com fome termina com colheita; a história que começou com uma saída termina com um retorno; e a mulher que acreditava estar chegando vazia estava, sem perceber, entrando exatamente no lugar onde Deus começaria Sua obra de restauração. “Assim, Noemi voltou, e com ela, Rute, a moabita, sua nora, que voltava dos campos de Moabe; e chegaram a Belém no princípio da sega das cevadas.” Rute 1:22 (ARC)

Talvez hoje também seja tempo de voltar. Não para tentar recuperar exatamente o que ficou para trás, mas para colocar novamente a vida na direção de Deus. Quem volta talvez ainda carregue feridas, perguntas e consequências de escolhas passadas. Mas uma coisa muda: está novamente caminhando na direção certa.

O retorno não apaga todas as marcas do caminho que percorremos, mas nos coloca novamente no lugar onde a providência de Deus pode transformar nosso vazio em começo de uma nova história.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

13/set/26

 

VOTO É COISA SÉRIA

E Jefté fez um voto ao Senhor e disse: Se totalmente deres os filhos de Amom na minha mão, aquilo que, saindo da porta de minha casa, me sair ao encontro, voltando eu dos filhos de Amom em paz, isso será do Senhor, e o oferecerei em holocausto.” Juízes 11:30-31 (ARC).

Tenho quase certeza de que já tratamos desse tema em algum momento, mas alguns assuntos são sérios demais para serem esquecidos. E um deles é aquilo que prometemos a Deus.

Encontramos em Juízes 11, a partir do versículo 29, um acontecimento que marcaria profundamente a vida de Jefté como consequência de uma palavra precipitada. Ele era um homem valente e havia sido escolhido para liderar Israel na batalha contra os filhos de Amom. O momento era de tensão, responsabilidade e perigo.

Mas existe um detalhe que não pode passar despercebido. Antes de Jefté fazer seu voto, a Bíblia diz que o Espírito do Senhor veio sobre ele. Somente depois disso ele pronunciou aquelas palavras: se Deus lhe desse a vitória, aquilo que primeiro saísse da porta de sua casa ao seu encontro seria do Senhor. Mal sabia ele as consequências daquela promessa.

Esse detalhe nos ensina algo muito importante: não precisamos negociar com Deus para receber aquilo que Ele já decidiu fazer. O Espírito do Senhor já estava sobre Jefté antes do voto. Deus já estava agindo. A promessa de Jefté não fez o Senhor começar a trabalhar.

Quantas vezes fazemos algo parecido? Surge uma doença, uma dificuldade financeira, um problema com um filho, uma ameaça no emprego ou alguma situação que parece não ter saída, e começamos a negociar: “Senhor, se o Senhor fizer isso, eu prometo aquilo.” “Se meu filho ficar bom, vou fazer isto.” “Se eu conseguir esse emprego, nunca mais vou deixar de fazer aquilo.” “Se o Senhor me tirar desta situação, vou dedicar isto a Ti.”

É como se tentássemos dar uma “ajudinha” a Deus, imaginando que o problema fosse difícil demais para o Criador e Todo-Poderoso resolver sem a nossa negociação.

A oração é bíblica e necessária. A Palavra nos ensina que a oração do justo pode muito em seus efeitos (Tiago 5:16). Devemos apresentar a Deus nossas necessidades, nossas dores, nossos temores e nossos pedidos. Mas existe uma grande diferença entre oração e barganha.

Orar é colocar nossa necessidade diante de Deus e confiar nEle. Barganhar é tentar estabelecer uma troca: “Senhor, se fizeres isso por mim, eu farei aquilo por Ti.”

E há outro problema: muitas promessas são feitas durante a tempestade e esquecidas quando o céu volta a ficar azul.

No hospital, alguém promete. Diante de uma crise, promete. Quando está com medo, promete. Quando parece que tudo será perdido, promete. Mas, depois que a resposta chega e a vida volta ao normal, aquilo que parecia tão sério começa a desaparecer da memória. É exatamente aí que Salmo 76:11 completa a advertência de Juízes: “Fazei votos e pagai ao Senhor, vosso Deus...” Salmo 76:11 (ARC).

Jefté nos ensina a ter cuidado antes de prometer; o salmista nos lembra de nossa responsabilidade depois que prometemos.

A Bíblia não trata o voto como brincadeira espiritual. Eclesiastes 5:4-5 também nos adverte que, quando fazemos um voto a Deus, não devemos demorar em cumpri-lo. O princípio é muito claro: é melhor pensar antes de prometer do que prometer impulsivamente e depois procurar uma maneira de escapar daquilo que dissemos. A emoção de alguns minutos pode produzir compromissos para muito tempo.

Jefté estava diante de uma guerra. Havia tensão, perigo e expectativa. Foi justamente naquele ambiente que pronunciou sua promessa. Por isso precisamos ter cuidado com aquilo que dizemos nos momentos de maior aflição. Uma frase pode ser pronunciada em poucos segundos, mas suas consequências podem permanecer quando a emoção já passou.

Há ainda algo especialmente sério no voto de Jefté: ele prometeu algo sem saber exatamente quem seria alcançado por sua promessa. Quando voltou da batalha, quem saiu de casa para recebê-lo foi sua própria filha.

Há diferentes interpretações entre os estudiosos sobre a maneira como esse voto foi cumprido, mas uma lição permanece independentemente dessa discussão: não devemos comprometer irresponsavelmente a vida de outras pessoas por causa de decisões espirituais tomadas por nós.

Também não devemos pensar que promessas grandiosas impressionam Deus. O Senhor não Se deixa convencer por nossos discursos. Ele deseja obediência.

Às vezes imaginamos que uma promessa extraordinária seja sinal de grande fé. Nem sempre. Pode ser apenas precipitação. A verdadeira fidelidade normalmente aparece nas coisas simples: obedecer à Palavra, cumprir aquilo que assumimos, tratar corretamente as pessoas, ser fiel quando ninguém está olhando e manter nossa palavra quando já não existe emoção alguma nos empurrando.

Provérbios 20:25 também nos alerta sobre o perigo de consagrar alguma coisa precipitadamente e somente depois pensar no que foi feito. A ordem deveria ser exatamente o contrário: primeiro pensamos; depois prometemos.

Jesus também nos ensina a importância de uma palavra confiável. Em Mateus 5:37, Ele mostra que nosso “sim” deve ser sim e nosso “não”, não. A vida do cristão deve possuir tamanha seriedade que sua palavra não dependa de grandes juramentos para ser digna de confiança. Por isso, talvez antes de dizermos: “Senhor, eu prometo”, precisemos aprender a dizer: “Senhor, seja feita a Tua vontade.”

Podemos pedir. Podemos chorar. Podemos clamar. Podemos colocar diante dEle aquilo que parece impossível. Mas não precisamos negociar com Deus. Podemos confiar que Ele sabe o que faz e que Sua vontade continua sendo boa mesmo quando não compreendemos tudo. E, se fizermos um voto, não devemos tratá-lo com leviandade.

Não prometa no calor da aflição aquilo que pretende esquecer quando a tempestade passar. Diante de Deus, a palavra não deve nascer da precipitação nem terminar no esquecimento: antes de prometer, pense; depois de prometer, seja fiel.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

12/set/26

 

                                    UMA IGREJA QUENTE NÃO PODE FICAR PARADA

“Conheço as suas obras, que você não é nem frio nem quente. Quem dera você fosse frio ou quente!” Apocalipse 3:15 (NAA).

A igreja de Laodiceia tinha um problema gravíssimo: estava satisfeita consigo mesma. Achava que possuía tudo de que precisava, mas Jesus enxergava outra realidade. Havia aparência de prosperidade, porém faltava vida espiritual. Aquela igreja havia perdido a percepção de quanto precisava de Cristo. Essa advertência continua atual.

O próprio nome Laodiceia é associado à ideia de “justiça do povo” ou “direitos do povo”. Isso chama atenção quando olhamos para os nossos dias. Nunca se falou tanto em direitos, dignidade, proteção dos vulneráveis, justiça e respeito às pessoas. Muitas dessas preocupações são legítimas. A Igreja de Cristo não pode olhar para a fome, a violência, a solidão, a pobreza e o abandono como se nada disso tivesse relação com sua missão.

Mas a missão da Igreja não termina aí. Ela não foi chamada apenas para defender direitos ou aliviar necessidades temporais. Foi chamada para ir, anunciar o Evangelho, fazer discípulos e proclamar o Reino de Deus. Uma Igreja viva estende a mão a quem sofre, mas também aponta para Cristo.

Jesus deixou uma ordem clara: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês.” Mateus 28:19-20 (NAA). A Igreja nasceu para ir.

Ir até quem não conhece Cristo. Ir até quem perdeu a esperança. Ir até quem nunca ouviu o Evangelho com clareza. Ir até quem está perto, mas espiritualmente distante. Ir às casas, às ruas, aos hospitais, às escolas e aos locais de trabalho, porque ainda existem pessoas que precisam ouvir que não há salvação em nenhum outro, senão em Jesus.

Na parábola da grande ceia, o senhor manda o servo sair e buscar justamente aqueles que estavam à margem: “Saia depressa para as ruas e becos da cidade e traga para cá os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.” Lucas 14:21 (NAA). E, quando ainda havia lugar, ordenou: “Saia pelos caminhos e atalhos e obrigue todos a entrar, para que a minha casa fique cheia.” Lucas 14:23 (NAA).

Jesus não está ensinando coerção, mas mostrando a urgência do convite. O servo não podia ficar dentro da casa esperando. Precisava sair. A Igreja também não pode permanecer dentro de seus templos esperando que os perdidos encontrem sozinhos o caminho. O “Ide” continua sendo uma ordem para sair. A Igreja foi chamada por Cristo, mas não para permanecer parada; foi chamada para pertencer a Ele e enviada para alcançar aqueles que ainda estão do lado de fora.

Uma igreja pode ficar tão ocupada cuidando de si mesma que se esquece de por que existe. Pode ter bons templos, cultos organizados e agendas cheias, mas já não alcançar ninguém fora de suas paredes. Isso também pode ser mornidão.

Uma Igreja quente não é apenas uma Igreja que canta com entusiasmo. É uma Igreja que carrega no coração aquilo que estava no coração de Cristo: alcançar pessoas.

Jesus disse: “E será pregado este evangelho do Reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim.” Mateus 24:14 (NAA). O Reino precisa ser anunciado. Cada vez que a Igreja vai, evangeliza e anuncia Cristo, participa do propósito de Deus que conduz a história para sua consumação e para a volta do Senhor Jesus.

Evangelizar não é aumentar o número de pessoas dentro de uma igreja. É cumprir uma ordem de Cristo. É anunciar que Deus não abandonou o pecador, que Cristo veio ao mundo, morreu e ressuscitou, e que nEle há perdão, nova vida e esperança eterna.

Mas esse anúncio precisa caminhar junto com aquilo que pregamos. Não adianta falar do amor de Deus e permanecer indiferente diante de uma família sem alimento. Não podemos anunciar que Cristo acolhe o pecador e tratar com desprezo alguém destruído pela vida. Não podemos falar de misericórdia e ignorar um idoso sozinho, um enfermo ou um jovem preso às drogas.

Por isso, uma Igreja viva trabalha em duas direções que nunca deveriam ser separadas: estende a mão ao homem e aponta o caminho para Cristo. Quando encontra alguém com fome, oferece alimento, mas não esconde o Pão da Vida. Quando encontra alguém ferido, oferece acolhimento, mas apresenta Aquele que pode restaurar o coração.

Uma igreja pode errar dos dois lados. Pode preocupar-se apenas com questões sociais e esquecer-se de anunciar arrependimento e salvação. Ou pode falar de salvação enquanto fecha os olhos para a dor que está diante de sua porta. Jesus não nos chamou para nenhum desses extremos. A ordem não foi: “Esperem que eles venham.” Foi: “Vão.”

Então precisamos perguntar: estamos indo? Quantos afastados foram procurados? Quantos enfermos foram visitados? Quantos necessitados receberam ajuda? Quantas pessoas foram convidadas não apenas para um culto, mas para conhecer Cristo?

Uma Igreja quente não vive fechada em si mesma. Ela ora, mas também vai. Adora, mas também anuncia. Ensina os que estão dentro, mas procura os que estão fora. Socorre a necessidade do corpo, mas não se esquece da eternidade da alma.

Laodiceia precisava voltar para Cristo. Nós também precisamos. Somente uma Igreja aquecida pela presença de Jesus terá amor suficiente para olhar para a dor humana e paixão suficiente para continuar anunciando o Seu Reino.

Uma Igreja aquecida pela presença de Cristo não vive para si mesma: estende a mão a quem sofre, vai ao encontro de quem está perdido e anuncia, com palavras e atitudes, que somente em Jesus há salvação e vida.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

11/set/26

 

QUANDO O DESERTO NÃO SIGNIFICA ABANDONO

“O Senhor ia adiante deles, durante o dia, numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho; durante a noite, numa coluna de fogo, para os iluminar, a fim de que caminhassem de dia e de noite.” Êxodo 13:21 (NAA).

Quando pensamos no deserto, normalmente imaginamos um lugar seco, difícil, solitário e sem caminhos bem definidos. Na vida também passamos por períodos assim. Há momentos em que não sabemos o que fazer, não entendemos o que Deus está permitindo e nem conseguimos enxergar como será o dia seguinte. Podemos chamar essas fases de desertos da alma.

Foi justamente para o deserto que o povo de Israel caminhou depois de sair do Egito. Eles haviam experimentado uma grande libertação, mas isso não significava que, dali em diante, tudo seria fácil. À frente havia areia, sede, calor, noites frias, inimigos e muitas incertezas. Entretanto, havia algo ainda mais importante: Deus estava com eles.

Durante o dia, o Senhor ia adiante do povo numa coluna de nuvem. Durante a noite, numa coluna de fogo. A nuvem orientava o caminho e a coluna de fogo iluminava a escuridão. O deserto continuava sendo deserto, mas agora havia uma Presença dentro dele.

Isso nos ensina algo precioso: estar no deserto não significa ter sido abandonado por Deus.

Talvez alguém esteja vivendo um deserto porque perdeu uma pessoa querida. Outro não sabe como pagará as contas no próximo mês. Alguém procura trabalho e as portas parecem permanecer fechadas. Uma família espera o resultado de um exame médico. Pais choram por um filho que se afastou. Um casamento atravessa dias difíceis. Há também quem esteja cercado de pessoas, mas se sinta profundamente sozinho.

Nesses momentos, podemos pensar: “Onde está Deus?”

Israel poderia ter feito a mesma pergunta. Porém, bastava levantar os olhos. A nuvem continuava ali durante o dia e o fogo continuava brilhando durante a noite.

A Bíblia acrescenta algo ainda mais bonito: “A coluna de nuvem nunca se afastou do povo durante o dia, nem a coluna de fogo durante a noite.” Êxodo 13:22 (NAA). Observe a expressão: “nunca se afastou.”

Deus não retirou a coluna quando o povo estava cansado. Não a retirou porque começaram a surgir dificuldades. Não esperou que chegassem à Terra Prometida para estar com eles. Sua presença foi justamente com eles durante a caminhada.

Às vezes imaginamos que a presença de Deus será percebida somente quando o problema acabar. Pensamos que Deus estará conosco quando o emprego aparecer, quando a enfermidade passar, quando a família se reconciliar ou quando finalmente recebermos a resposta pela qual estamos orando. Mas a coluna de fogo nos ensina que Deus não está apenas no final do deserto. Ele está conosco enquanto atravessamos o deserto.

Talvez Ele não explique imediatamente por que estamos passando por determinada situação, mas continua indicando o próximo passo. Nem sempre ilumina todo o caminho de uma vez, mas oferece luz suficiente para continuarmos andando.

Isso também é fé. Fé não é possuir todas as respostas. É continuar caminhando porque sabemos Quem vai à nossa frente.

Há ainda um detalhe maravilhoso. A coluna de fogo aparecia justamente quando a noite chegava. Quando o povo mais precisava de luz, Deus providenciava luz. Assim também acontece conosco. Existem experiências que jamais escolheríamos viver, mas é nelas que muitas vezes aprendemos verdades sobre Deus que antes conhecíamos apenas de ouvir falar.

Na noite da tristeza descobrimos que Ele consola. Na incerteza descobrimos que Ele guia. Na fraqueza descobrimos que Ele sustenta. Na solidão descobrimos que Sua presença não depende da presença de outras pessoas.

Hoje não vemos uma coluna de nuvem no céu nem uma coluna de fogo diante de nossa casa, mas temos uma promessa ainda maior. Jesus declarou: “E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos.” Mateus 28:20 (NAA).

Todos os dias incluem os dias bons e os ruins, os dias de celebração e os de lágrimas, os dias em que entendemos o caminho e aqueles em que tudo parece confuso.

Por isso, se você está atravessando um deserto, não conclua que Deus Se esqueceu de você. Talvez o cenário ao seu redor ainda não tenha mudado, mas olhe novamente pela fé: Ele continua presente.

A coluna de fogo não eliminou o deserto, mas mostrou que Israel não o atravessaria sozinho. E a presença de Cristo também não significa que jamais teremos desertos. Significa algo muito melhor: nenhum deserto precisará ser atravessado sem Ele.

O deserto pode esconder de nossos olhos o caminho, mas nunca consegue esconder a presença de Deus; quando não sabemos para onde ir, Ele continua indo à nossa frente.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

10/set/26

 

A PALAVRA QUE SE TORNA ALICERCE

“Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha.” Mateus 7:24 (NAA).

Quando Jesus terminou o Sermão do Monte, as multidões ficaram maravilhadas. Elas estavam acostumadas a ouvir mestres que conheciam profundamente a Lei e citavam antigas tradições. Jesus, porém, ensinava de maneira diferente. “Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, as multidões estavam maravilhadas com a sua doutrina, porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas.” Mateus 7:28-29 (NAA).

A autoridade de Jesus não estava no volume de Sua voz nem em palavras difíceis. Ele falava como Aquele que conhece perfeitamente a vontade do Pai. Durante aquele sermão, falou sobre perdão, oração, ansiedade, pureza, amor, sinceridade, julgamento, prioridades e relacionamento com Deus. Seus ensinamentos não foram dados apenas para aumentar o conhecimento das pessoas, mas para transformar a maneira como elas viviam.

Por isso, Jesus terminou Seu discurso falando de duas casas. Uma foi construída sobre a rocha e a outra sobre a areia. As duas enfrentaram chuva, rios transbordando e ventos fortes. A diferença não estava na tempestade, porque ela chegou para ambas. A diferença estava no alicerce.

Jesus explicou claramente quem constrói sobre a rocha: aquele que ouve Suas palavras e as pratica. Portanto, não basta ouvir uma boa pregação, concordar com o pregador, anotar um versículo ou sair emocionado de um culto. A Palavra precisa encontrar lugar nas nossas decisões.

Imagine alguém que ouve uma mensagem sobre perdão. Durante o culto, sente-se tocado e reconhece que guarda ressentimento há muito tempo. No entanto, volta para casa e continua alimentando a mesma mágoa, repetindo as mesmas acusações e recusando qualquer possibilidade de reconciliação. A Palavra chegou aos ouvidos, mas ainda precisa alcançar as atitudes. Construir sobre a rocha começa quando aquela pessoa decide obedecer a Jesus, mesmo que perdoar seja difícil.

O mesmo acontece com a honestidade. Alguém recebe por engano um dinheiro que não lhe pertence e percebe que poderia ficar calado. Ninguém provavelmente descobriria. É justamente ali, longe do culto e sem ninguém observando, que o alicerce aparece. A Palavra que ouvimos no domingo precisa orientar também aquilo que fazemos na segunda-feira. Jesus disse: “O Espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita. As palavras que eu lhes tenho falado são espírito e são vida.” João 6:63 (NAA).

Vivemos cercados por palavras. Todos os dias chegam ao nosso celular opiniões, vídeos, notícias, conselhos e mensagens. Algumas despertam medo, outras alimentam a revolta, o orgulho ou a ansiedade. Há tanta informação disponível que uma pessoa pode passar horas ouvindo muitas vozes e, ainda assim, terminar o dia espiritualmente vazia.

Por isso precisamos conhecer cada vez mais a Palavra de Deus. Nem toda mensagem emocionante vem dEle. Nem toda pessoa que cita um versículo está ensinando corretamente. A Palavra não existe apenas para nos fazer sentir bem; algumas vezes ela consola, mas outras vezes confronta. Ela nos mostra o amor de Deus, mas também revela nosso pecado e nos chama ao arrependimento. Jesus falou sobre a obra do Espírito Santo: “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo:” João 16:8 (NAA).

É por isso que alguém pode entrar num culto carregando uma decisão errada e, durante a pregação, perceber que precisa mudar. Outra pessoa pode chegar desanimada, pensando que não conseguirá continuar, e encontrar na Palavra forças para enfrentar mais um dia. Não é simplesmente a habilidade de quem fala. É o Espírito Santo usando a verdade para alcançar o coração.

O profeta Amós anunciou um tempo em que haveria “fome — não de pão, e sede — não de água, mas de ouvir as palavras do Senhor.” Amós 8:11 (NAA). Essa advertência também nos faz pensar em nossos dias. Temos acesso a milhares de mensagens, mas quantidade de conteúdo religioso não significa necessariamente alimento espiritual.

Há pessoas cansadas de promessas fáceis e de mensagens que falam somente de prosperidade, sucesso e ausência de problemas. Jesus nunca prometeu uma casa sem tempestades. Ele prometeu algo melhor: um fundamento capaz de sustentá-la quando a tempestade chegar.

Aquele que construiu sobre a rocha também enfrentou chuva, rios e ventos. Ser cristão não significa viver sem enfermidades, perdas, problemas familiares ou dias de ansiedade. Significa que, quando essas coisas chegarem, existe um fundamento que não depende das circunstâncias.

Por isso, o maior resultado de uma pregação não é ouvirmos alguém dizer: “Que mensagem bonita!” A multidão ficou maravilhada com Jesus, mas Ele esperava algo além da admiração: obediência.

Quando a Palavra consola, recebamos o consolo. Quando corrige, aceitemos a correção. Quando revela um pecado, arrependamo-nos. Quando mostra um caminho, sigamos por ele. Ouvir aproxima a Palavra dos nossos ouvidos; obedecer permite que ela desça ao coração e se transforme em alicerce para a vida.


Quando a Palavra de Jesus deixa de ser apenas aquilo que ouvimos e passa a ser aquilo que vivemos, nossa vida encontra na Rocha um alicerce que nenhuma tempestade poderá destruir.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

09/set/26

 

NÃO PRECISAMOS SER A CÓPIA DE NINGUÉM

“Mas que cada um examine o seu próprio modo de agir e, então, terá motivo de gloriar-se unicamente em si e não em outro.” Gálatas 6:4 (NAA).

Vivemos em uma época em que nunca foi tão fácil olhar para a vida dos outros. Abrimos o celular e, em poucos minutos, vemos pessoas viajando, comprando casas, mudando de carro, alcançando posições profissionais, mostrando corpos perfeitos, famílias sorridentes e rotinas que parecem sempre melhores do que a nossa.

O problema não está em admirar alguém. Podemos aprender com outras pessoas, reconhecer qualidades e até nos inspirar em bons exemplos. O perigo começa quando a admiração se transforma em comparação e a comparação começa a nos convencer de que precisamos ser outra pessoa para ter valor. A Bíblia nos ensina algo diferente.

Paulo escreve que cada um deve examinar o seu próprio modo de agir. Ele não manda medir nossa vida pela vida do vizinho, do amigo, do irmão da igreja ou daquela pessoa que acompanhamos nas redes sociais. Deus não nos chamou para viver tentando reproduzir a história de outra pessoa.

Há pessoas sofrendo porque estão tentando ocupar uma vida que não lhes pertence.

O jovem olha para alguém que alcançou sucesso rapidamente e começa a considerar a própria caminhada um fracasso. Uma mulher observa outra nas redes sociais e passa a sentir que sua aparência não é boa o suficiente. Um homem compara sua situação financeira com a de amigos e passa a desprezar aquilo que conseguiu construir. Até dentro da igreja isso pode acontecer: alguém gostaria de cantar como outro, pregar como outro, ter a desenvoltura de outro ou possuir os mesmos dons de determinada pessoa.

A comparação tem uma característica perigosa: ela quase sempre nos faz esquecer aquilo que Deus já colocou em nossas mãos.

Davi poderia ter tentado ser Saul quando enfrentou Golias. Aliás, Saul até lhe ofereceu sua própria armadura. Mas Davi percebeu que não conseguiria lutar vestido como outra pessoa. Aquela armadura não correspondia à sua experiência. Ele a retirou e enfrentou Golias usando aquilo que Deus já havia ensinado a utilizar.

Existe uma grande lição nisso: não precisamos usar a armadura de outra pessoa para cumprir aquilo que Deus espera de nós. Deus não precisa de uma segunda versão de alguém que já existe. Ele quer trabalhar em nós.

Isso não significa dizer: “Eu sou assim e nunca vou mudar.” Esse pensamento não é bíblico. Cristo nos chama à transformação. Existem comportamentos que precisam mudar, pecados que precisam ser abandonados, atitudes que precisam amadurecer e áreas de nossa vida que precisam ser tratadas.

Ser você mesmo não significa permanecer exatamente como está. Significa permitir que Deus transforme você, e não viver tentando transformar você em outra pessoa.

Há uma diferença enorme o salmista reconheceu isso quando disse: “Graças te dou, visto que de modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem.” Salmos 139:14 (NAA).

Nossa identidade não começa diante do espelho, nem diante da opinião dos outros. Ela começa diante dAquele que nos criou.

Isso nos ajuda a compreender a verdadeira autoestima à luz da Bíblia. O cristão não precisa dizer: “Eu sou maravilhoso porque decidi pensar assim.” Nossa segurança possui fundamento muito maior: fomos criados por Deus, somos conhecidos por Ele e, em Cristo, somos chamados para uma vida com propósito. Por isso, não precisamos gastar a vida inteira tentando impressionar pessoas.

Também não precisamos construir uma personalidade para sermos aceitos.

É possível dizer “não sei” quando não sabemos. É possível reconhecer uma fraqueza. É possível admitir que precisamos aprender. É possível não possuir aquilo que os outros possuem e, ainda assim, agradecer pelo que Deus nos confiou.

As redes sociais tornam essa batalha ainda mais difícil porque normalmente comparamos nossa vida completa com pequenos recortes cuidadosamente escolhidos da vida de outras pessoas. Vemos a fotografia, mas não conhecemos as lágrimas. Vemos a conquista, mas não sabemos quanto custou. Vemos o sorriso, mas não sabemos o que acontece quando a câmera é desligada.

Por isso, Paulo nos direciona novamente para nossa própria caminhada: examine o seu próprio modo de agir.

A pergunta mais importante não é: “Estou tão bem quanto aquela pessoa?” A pergunta é: “Estou me tornando aquilo que Deus deseja que eu seja?”

Talvez você não tenha os mesmos dons. Talvez sua história tenha começado de maneira diferente. Talvez seu ritmo seja outro. Talvez sua oportunidade ainda não tenha chegado. Mas Deus nunca lhe pediu para viver a vida de outra pessoa.

Ele deseja que você coloque diante dEle exatamente quem você é — suas qualidades, limitações, medos, sonhos, talentos e fraquezas — e permita que Sua graça transforme essa vida. Porque maturidade espiritual não é tornar-se parecido com todo mundo. É tornar-se cada vez mais parecido com Cristo, sem deixar de ser a pessoa única que Deus criou.

Você não precisa viver tentando ser outra pessoa para provar que tem valor. Deus não o chamou para ser uma cópia de alguém; Ele o chamou para entregar a Ele quem você é e permitir que Cristo transforme essa vida naquilo que ela foi criada para ser.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

08/set/26

 

QUANDO A ALMA NÃO QUER INDEPENDÊNCIA

“— Eu sou a videira, vocês são os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim vocês não podem fazer nada.” João 15:5 (NAA).

Hoje é 7 de setembro, o Brasil celebra sua independência. A palavra independência costuma trazer uma ideia muito positiva. Fala de liberdade, autonomia, capacidade de seguir o próprio caminho sem estar debaixo do domínio de outro. Para uma nação, isso tem grande importância. Mas, quando pensamos na vida espiritual, encontramos uma verdade aparentemente contrária: a alma não foi criada para viver independente de Deus.

Nosso problema começou justamente quando o ser humano desejou autonomia em relação ao Criador. No Éden, a tentação apresentada à humanidade foi, em essência, esta: “Vocês podem decidir por si mesmos o que é certo e errado. Não precisam depender de Deus.” Desde então, o coração humano continua sendo atraído por essa mesma ideia.

Queremos controlar a própria vida, definir os próprios caminhos, escolher nossos valores e, muitas vezes, procurar Deus apenas quando aquilo que planejamos não funciona.

Jesus, porém, apresentou uma imagem completamente diferente. Ele disse que é a videira e nós somos os ramos. Um ramo pode até parecer independente depois de ser cortado da árvore, mas aquela independência é apenas o começo da morte. Durante algum tempo ele ainda conserva a aparência de vida, mas perdeu a fonte que o sustentava.

Assim acontece conosco. Podemos trabalhar, estudar, construir uma família, fazer planos, administrar dinheiro e tomar muitas decisões sem perguntar nada a Deus. Aos olhos humanos, talvez pareçamos fortes e autossuficientes. Mas Jesus foi muito claro: sem mim vocês não podem fazer nada.” João 15:5 (NAA).

Isso não significa que uma pessoa sem Cristo seja incapaz de trabalhar ou realizar coisas importantes. Significa que, separados dEle, não conseguimos produzir aquilo que possui verdadeiro valor espiritual e eterno. Podemos construir uma vida inteira e, ainda assim, descobrir que construímos longe da Fonte da vida.

Pense numa pessoa que recebe uma proposta profissional excelente. O salário é maior, o cargo é melhor e tudo parece perfeito. Ela pode simplesmente decidir olhando para os números ou pode parar e perguntar: “Senhor, isso realmente é bom para mim e para minha família? Este caminho me aproxima ou me afasta de Ti?”

Outra pessoa enfrenta um problema no casamento. Sua vontade é agir impulsivamente, responder na mesma medida ou desistir. Depender de Deus é reconhecer: “Senhor, meus sentimentos estão me dizendo uma coisa, mas quero saber o que Tua Palavra me ensina.”

Dependência de Deus não significa falta de personalidade ou incapacidade de tomar decisões. Pelo contrário. Significa reconhecer que somos livres, mas não somos suficientes em nós mesmos.

Há uma independência da qual realmente precisamos: a independência do pecado. Jesus veio nos libertar daquilo que nos escravizava. Mas essa liberdade não nos transforma em pessoas que não precisam mais de ninguém. Cristo nos liberta do pecado para que possamos viver ligados a Ele.

Esse talvez seja um dos grandes enganos da nossa geração. O mundo nos ensina a dizer: “Eu não preciso de ninguém. Eu me basto. Eu decido minha verdade. Eu faço meu próprio caminho.” O Evangelho nos ensina outra oração: “Senhor, eu preciso de Ti.”

Existe uma enorme diferença entre viver escravizado aos homens e viver voluntariamente dependente de Deus. A primeira condição oprime; a segunda sustenta. A primeira rouba liberdade; a segunda nos conduz à verdadeira liberdade.

Até nossa oração revela essa dependência. Quando pedimos o pão de cada dia, estamos reconhecendo que nossa vida continua nas mãos de Deus. Quando pedimos direção, admitimos que nem sempre sabemos qual caminho escolher. Quando pedimos perdão, reconhecemos que não conseguimos resolver sozinhos o problema do pecado. Quando pedimos forças, confessamos que existem batalhas maiores do que nós.

A criança pequena segura a mão do pai não porque perdeu sua liberdade, mas porque confia naquele que conhece melhor o caminho. Talvez seja essa uma boa imagem da vida cristã. Deus não deseja nos transformar em pessoas incapazes de pensar ou decidir. Ele deseja que aprendamos a caminhar sabendo em Quem estamos segurando.

No Dia da Independência, celebramos a liberdade de uma nação. Mas também podemos fazer uma pergunta ao nosso coração: de quem estamos tentando nos tornar independentes?

Se for do pecado, das paixões que nos dominam, do medo, da opinião dos outros e de tudo aquilo que nos afasta de Deus, devemos desejar essa liberdade cada vez mais.

Mas, se estamos tentando nos tornar independentes do Senhor, estamos deixando justamente Aquele de Quem nossa alma mais precisa.

Há independências que são conquistas. E há uma dependência que é privilégio.

A verdadeira liberdade não é aprender a viver sem Deus, mas ser libertado de tudo aquilo que nos impede de reconhecer que, sem Ele, nossa alma nunca será verdadeiramente livre.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

07/set/26

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