FÉ QUE SE MOVE

“Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.” Tiago 2:17 (NAA)

Nestes últimos dias, caminhando pelas ruas da cidade, compreendi de forma muito prática a verdade dessas palavras. Aquilo que antes parecia apenas um ensino bíblico ganhou rosto, movimento e vida diante dos meus olhos. A fé verdadeira não fica parada. Ela se levanta. Ela se move. Ela age.

Vi garagens de casas abertas, transformadas em pontos de arrecadação. Onde antes havia apenas carros estacionados, agora havia pilhas de donativos organizados com cuidado. Pessoas simples, muitas delas anônimas, separando roupas, alimentos e produtos de higiene como quem prepara algo precioso. Não havia holofotes. Havia compaixão.

Também observei igrejas completamente mobilizadas. Homens e mulheres num corre-corre bem coordenado, carregando caixas de um lado para o outro. Jovens formando filas para agilizar a distribuição. Irmãs na cozinha preparando café para os voluntários. Pastores orientando as equipes com cuidado e atenção.

E o que mais tocava o coração: até crianças e adolescentes estavam envolvidos, ajudando como podiam, aprendendo desde cedo o valor de servir ao próximo.

Era bonito de ver. Era a fé deixando o discurso dos púlpitos e ganhando forma na prática.

Em vários pontos da cidade, veículos eram abastecidos não para viagens de lazer, mas para levar socorro aos desabrigados. Motoristas se colocavam à disposição. Pessoas que poderiam estar descansando escolheram servir. O domingo à tarde, que para muitos seria tempo de conforto com a família, tornou-se tempo de missão. O cochilo depois do almoço foi trocado por passos apressados, mãos ocupadas e corações disponíveis.

Tudo isso me fez lembrar que a fé bíblica nunca foi apenas sentimento. Nunca foi apenas palavras bonitas. A fé verdadeira sempre produz movimento. Quando Tiago escreveu que a fé sem obras é morta, ele não estava fazendo poesia. Estava descrevendo uma realidade espiritual muito séria.

Nos nossos dias, é possível frequentar cultos, conhecer versículos e ainda assim viver uma fé que pouco se manifesta no cuidado com o próximo. Mas quando o amor de Deus realmente enche o coração, algo muda por dentro. A pessoa começa a olhar ao redor com mais sensibilidade. Começa a perceber a dor do outro. Começa a agir.

Foi exatamente isso que vi nestes dias difíceis em nossa cidade. Vi gente comum fazendo coisas extraordinárias. Vi irmãos que talvez não subam ao púlpito, mas que pregam com as próprias atitudes. Vi a igreja sendo igreja fora das quatro paredes.

Isso nos ensina algo muito importante para o nosso tempo. Em momentos de crise, o mundo observa a reação do povo de Deus. As pessoas talvez não leiam a Bíblia todos os dias, mas leem nossas atitudes. Elas percebem quando a fé é apenas discurso e quando é vida vivida.

Talvez alguém que lê estas palavras pense: “Eu não tenho muito para oferecer.” Mas a verdade é que Deus usa aquilo que colocamos em Suas mãos. Às vezes é uma cesta básica. Às vezes é uma carona. Às vezes é uma oração sincera. Às vezes é apenas presença ao lado de quem sofre. Pequenos gestos, quando movidos por amor, tornam-se grandes aos olhos de Deus.

O que estamos vendo em nossa cidade nestes dias é um lembrete vivo de que o evangelho continua transformando pessoas. Ainda existem corações sensíveis. Ainda existe gente disposta a sair da zona de conforto para aliviar a dor de alguém. Ainda existe fé que se move.

Que não deixemos esse momento passar sem aprendizado. Que nossa fé não seja apenas bem falada, mas bem vivida. Que, quando houver necessidade ao nosso redor, sejamos encontrados disponíveis. Porque, no fim, a fé que mais impacta o mundo não é a que apenas se declara com os lábios — é a que se revela pelas mãos.

A fé verdadeira não faz barulho para aparecer; ela se levanta em silêncio para servir.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

04/mar/26

 

TÃO GRANDE SALVAÇÃO

“Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? Esta salvação, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi depois confirmada pelos que a ouviram.” Hebreus 2:3 (NAA)

A Bíblia nos mostra uma verdade que precisa ser compreendida com seriedade: a humanidade se afastou de Deus por causa do pecado. Desde a queda dos primeiros seres humanos, abriu-se um abismo entre o Criador santo e a criatura pecadora. O que antes era comunhão tornou-se separação. O que antes era vida tornou-se morte espiritual.

A própria Escritura declara que o mundo vive distante de Deus. Em 1 João 5:19 lemos que “o mundo inteiro jaz no Maligno”. Isso explica por que vemos tanta violência, injustiça, corrupção e sofrimento ao nosso redor. Basta olhar as notícias, as famílias destruídas, a ansiedade que domina tantas pessoas e a sensação de vazio que muitos carregam mesmo tendo conquistas materiais. O problema humano não é apenas social ou emocional — é espiritual.

Jesus deixou claro que existe uma condição séria para quem permanece longe da fé. Em João 3:18 está escrito: “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado”. Essas palavras não foram ditas para assustar, e sim para despertar. Deus não ignora o pecado, porque Ele é justo. A justiça faz parte de quem Deus é.

Ao mesmo tempo, a Bíblia revela algo maravilhoso: Deus não tem prazer na perdição do ser humano. Ele é amor, mas também é justiça perfeita. A Escritura afirma: “a alma que pecar, essa morrerá.” Ezequiel 18:4 (NAA) e também que “o salário do pecado é a morte.” Romanos 6:23 (NAA). Isso mostra que o problema do pecado é sério demais para ser resolvido por esforço humano.

Muitas pessoas hoje tentam preencher o vazio do coração com religião, boas obras ou filosofia de vida. Outras pensam que ser uma pessoa “boa” já é suficiente. Porém, a Palavra de Deus ensina que nossas próprias obras não conseguem nos salvar. Em Isaías 64:6 lemos que nossas justiças são como “trapo da imundícia”. Ou seja, por nós mesmos não conseguimos atravessar o abismo que nos separa de Deus.

É exatamente nesse ponto que brilha a grande notícia do evangelho. Quando a humanidade não tinha saída, Deus tomou a iniciativa. A salvação não começou na terra — começou no coração de Deus. Se o salário do pecado é a morte, alguém sem pecado precisaria morrer no lugar dos pecadores. E foi isso que Jesus fez.

O próprio Senhor declarou em João 10:18: “Ninguém tira a minha vida de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou”. Cristo se entregou voluntariamente. Ele não morreu por acaso. Não foi vítima das circunstâncias. Foi um ato consciente de amor e redenção.

Talvez alguém pergunte: por que Deus fez isso? A resposta está em uma das declarações mais conhecidas e mais profundas da Bíblia. Em João 3:16 lemos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. A expressão “de tal maneira” revela a dimensão desse amor. É um amor que não pode ser medido por palavras humanas.

Hoje vemos exemplos claros da necessidade dessa salvação. Pessoas bem-sucedidas que vivem angustiadas. Jovens cheios de informação, mas vazios por dentro. Famílias com recursos, porém sem paz. Tudo isso confirma que o problema do ser humano não é apenas externo — é o coração distante de Deus.

A mensagem do evangelho continua atual porque a necessidade humana continua a mesma. Sem Cristo, o ser humano permanece perdido. Com Cristo, encontra perdão, reconciliação e nova vida. Por isso o alerta de Hebreus é tão sério: não podemos negligenciar uma salvação tão grande.

Deus já fez a parte que ninguém poderia fazer. A porta está aberta. O convite foi feito. Agora cada pessoa precisa responder pela fé. A salvação não pode ser comprada, merecida ou herdada — precisa ser recebida.

Que ninguém trate com indiferença aquilo que custou o sangue do Filho de Deus. Porque, no fim, a maior tragédia não é ter poucos recursos nesta vida. A maior tragédia é ignorar a salvação que Deus, em seu amor e justiça, ofereceu de forma tão grandiosa.

A salvação é a maior prova de que, quando o ser humano não podia subir até Deus, Deus desceu até o ser humano.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

03/mar/26

 

ESCOLHA A VIDA HOJE

“Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vocês: que coloquei diante de vocês a vida e a morte, a bênção e a maldição. Portanto, escolham a vida, para que vivam, vocês e os seus descendentes.”  Deuteronômio 30:19 (NAA)

A vida é feita de escolhas. Desde as coisas simples do dia a dia até decisões que mudam completamente o rumo da nossa história. Algumas parecem pequenas, como o que vamos comer ou para onde vamos sair. Outras carregam um peso muito maior. A verdade é clara: toda escolha traz uma consequência.

Quando alguém decide se alimentar mal por muito tempo, o corpo sente os efeitos. Quando uma pessoa entra em um relacionamento sem cuidado ou sem oração ou sem a orientação de Deus, muitas vezes colhe dor e conflitos. Essas decisões afetam a vida aqui na terra, dentro daquilo que a Bíblia chama de vida “debaixo do sol”. São consequências reais, visíveis e, muitas vezes, difíceis de reverter. “Que proveito tem o trabalhador naquilo em que se esforça debaixo do sol?”  Eclesiastes 1:3 (NAA)

No entanto, existem escolhas ainda mais sérias. São aquelas que ultrapassam esta vida e alcançam a eternidade. Infelizmente, muita gente vive sem pensar nisso. Escolhe caminhos espirituais sem examinar, segue qualquer ensino religioso, repete práticas sem conhecer a verdade. Vive como se tudo terminasse aqui.

A Palavra de Deus nos alerta que isso é perigoso. Não podemos tratar nosso destino eterno com descuido. Cada pessoa responderá diante de Deus por suas próprias decisões. A Bíblia afirma: “Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.” Romanos 14:12 (NAA). Naquele dia, não haverá desculpas nem como transferir a culpa.

Josué entendeu bem essa realidade. Quando o povo de Israel já estava na terra prometida, ele fez um apelo direto e corajoso. Colocou diante deles duas opções claras: seguir os deuses falsos dos povos ao redor ou servir ao Senhor, o Deus vivo que sempre havia cuidado deles. Era uma decisão espiritual, profunda e definitiva.

Essa mesma escolha continua diante de nós hoje. Todos os dias, pessoas decidem em quem confiar. Alguns colocam a esperança apenas no dinheiro. Outros vivem presos ao orgulho, aos vícios ou a uma religiosidade vazia. Porém, nada disso pode salvar a alma.

Jesus Cristo apresentou o único caminho seguro. Ele declarou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14:6 (NAA). Não se trata de mais uma opção religiosa. Trata-se da única porta para a vida eterna.

Veja um exemplo bem atual. Quantas pessoas vivem correndo atrás de sucesso profissional e conquistas materiais, acreditando que isso trará paz ao coração? Conquistam bens, cargos e reconhecimento, porém continuam vazias por dentro. Outras vivem adiando a decisão de se voltar para Deus, pensando: “Depois eu vejo isso.” O problema é que o “depois” nem sempre chega.

Por outro lado, também vemos histórias lindas. Pessoas simples, que um dia decidiram entregar a vida a Cristo. Gente que vivia perdida, presa a vícios ou sem direção, e que encontrou nova vida ao ouvir o evangelho. Não significa que passaram a viver sem lutas. Significa que agora caminham com esperança, perdão e propósito.

A escolha por Cristo muda o destino eterno e também transforma o presente. Quando alguém se rende a Jesus, recebe perdão, nova vida e uma nova direção. O coração ganha paz. A consciência encontra descanso. A vida passa a ter sentido.

Por isso, a Bíblia faz um convite urgente: “Hoje, se ouvirem a voz dele, não endureçam o coração.”  Hebreus 3:7-8 (NAA). Deus continua falando. Continua chamando. Continua oferecendo vida.

Talvez você tenha feito escolhas difíceis no passado. Talvez carregue arrependimentos. A boa notícia é que hoje ainda existe oportunidade. Enquanto há vida, há chance de escolher o caminho certo.

Escolher a vida é escolher Cristo. É confiar nele. É permitir que Ele conduza seus passos a partir de hoje. Essa decisão começa no coração, com fé simples e sincera.

Grandes destinos começam com uma decisão silenciosa no coração — e a escolha pela vida sempre passa por Cristo.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

02/mar/26

 

QUANDO O CORAÇÃO DESANIMA

“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.” Isaías 41:10 (NAA)

O desânimo costuma chegar em silêncio. Ele não bate à porta nem avisa com antecedência. De repente, a pessoa que seguia firme começa a perder a motivação. A oração diminui. A alegria some. Pensamentos de desistência começam a rondar a mente. Muitos cristãos sinceros passam por isso e, quando acontece, surge a pergunta: será que minha fé enfraqueceu?

A Bíblia mostra que o desânimo não significa ausência de fé. Homens e mulheres que amavam a Deus também atravessaram dias difíceis. Davi, por exemplo, em vários salmos abriu o coração diante do Senhor e falou de sua angústia. Em um momento ele disse: “Por que estás abatida, ó minha alma?” Salmos 42:5 (NAA). Davi não escondia sua dor. Ele a levava para Deus.

O desânimo pode nascer de muitas situações comuns da vida. Às vezes vem depois de uma oração que parece não ter resposta. Em outras ocasiões surge por causa de problemas financeiros que se acumulam. Há também o peso dos conflitos familiares, das decepções com pessoas próximas ou simplesmente do cansaço de quem vem lutando há muito tempo. Quem nunca se sentiu assim?

Pense em uma mãe que ora há anos por um filho afastado dos caminhos do Senhor. Pense em um trabalhador que perde o emprego e não consegue recolocação. Pense em alguém que enfrenta uma enfermidade longa e desgastante. Essas situações são reais e acontecem todos os dias ao nosso redor. O desânimo costuma encontrar terreno justamente nesses momentos.

Contudo, a Palavra de Deus funciona como alimento para a alma cansada. Quando o coração se encontra fraco, a palavra revelada fortalece. Quando a mente se enche de medo, a promessa divina traz paz. Deus conhece a nossa estrutura e sabe que, em certos dias, precisaremos de encorajamento especial.

O versículo base deste texto mostra isso com clareza. Em Isaías 41:10 (NAA), o Senhor não manda o seu povo simplesmente ser forte. Ele oferece a própria presença: “Eu sou contigo.” Depois, apresenta três ações que vêm dele: “eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento”. Observe que não depende apenas da nossa força. O sustento vem de Deus.

Nos dias atuais, vemos muitos cristãos tentando vencer o desânimo apenas com esforço próprio. Tentam se animar sozinhos, ocupar a mente ou ignorar a dor. Embora algumas atitudes práticas ajudem, a verdadeira renovação começa quando voltamos o coração para o Senhor. Foi isso que Davi fez repetidas vezes.

Outro texto que consola muito está em Salmos 55:22 (NAA): “Lance os seus cuidados sobre o Senhor, e ele o susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado.” Esse versículo nos ensina algo simples e profundo: não precisamos carregar tudo sozinhos. Deus nos convida a lançar sobre Ele aquilo que pesa.

Na prática, isso pode acontecer em uma oração sincera, mesmo que seja curta. Pode acontecer quando alguém abre a Bíblia em um dia difícil e lê apenas alguns versículos. Pode acontecer quando um irmão da igreja envia uma mensagem de encorajamento no momento certo. Deus usa meios simples para renovar o ânimo do seu povo.

Também é importante lembrar que o desânimo costuma ser passageiro quando permanecemos perto do Senhor. O apóstolo Paulo escreveu: “Não nos cansemos de fazer o bem, porque, no tempo certo, faremos a colheita, se não desanimarmos.” Gálatas 6:9 (NAA). Existe um tempo de colheita preparado por Deus, mesmo que agora só vejamos luta.

Se você ou alguém próximo atravessa um período de desânimo, não conclua que tudo terminou. Continue buscando ao Senhor com simplicidade. Fale com Ele como quem fala com um Pai amoroso. Alimente a mente com a Palavra. Caminhe um dia de cada vez. O mesmo Deus que sustentou Davi, Paulo e tantos outros continua sustentando seus filhos hoje.

O desânimo pode visitar o coração, porém não precisa fazer morada. Quem se apega às promessas de Deus descobre que a força volta pouco a pouco, como a luz da manhã que cresce devagar até iluminar tudo outra vez.

Quando o desânimo sussurra que tudo terminou, a Palavra de Deus responde com mansidão: ainda estou sustentando você.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

01/mar/26

 

QUANDO DEUS USA O QUE PARECE PEQUENO

“E Deus escolheu as coisas vis do mundo, e as desprezadas, e as que não são, para reduzir a nada as que são.” 1 Coríntios 1:28 (NAA)

Deus surpreende. Ele não pensa como nós pensamos nem valoriza as mesmas coisas que o mundo valoriza. Enquanto as pessoas costumam olhar para aparência, posição, força e inteligência, o Senhor olha para o coração. A Bíblia mostra que, depois da queda, o ser humano passou a inclinar-se facilmente para o orgulho e para a autossuficiência. Basta observar a vida ao nosso redor. Ainda hoje muitos querem ser vistos, reconhecidos e considerados superiores.

O apóstolo Paulo descreve a condição humana quando afirma que o mundo se afastou de Deus e se encheu de todo tipo de maldade. Romanos 1:29–32. O orgulho faz parte desse quadro. O Salmo também afirma que o ímpio, em sua soberba, não busca a Deus. Salmos 10:4. Isso explica por que a humildade verdadeira se tornou tão rara.

Na sociedade, não é difícil encontrar pessoas que se consideram mais importantes que as outras. No ambiente religioso, infelizmente, isso também acontece. Jesus advertiu contra esse espírito quando confrontou os religiosos que valorizavam mais a aparência do que o coração. O problema desse comportamento é que ele cria uma ilusão perigosa: a pessoa começa a pensar que é indispensável. Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas! Porque vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e têm negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé. Vocês devem fazer estas coisas, sem omitir aquelas.” Mateus 23:23 (NAA)

A Palavra de Deus, porém, desmonta essa ideia. O Senhor declarou à igreja de Laodiceia que eles pensavam ser ricos e autossuficientes, quando na verdade eram necessitados. Essa advertência continua atual. Todos nós dependemos completamente da graça de Deus.  “Pois você diz: ‘Sou rico, estou enriquecido e não preciso de coisa alguma.’ E nem sabe que você é infeliz, miserável, pobre, cego e nu.” Apocalipse 3:17 (NAA)

É por isso que a forma como Deus age ao longo da Bíblia é tão impressionante. Repetidas vezes, Ele escolhe o que parece pequeno para cumprir grandes propósitos. Em vez de um grande navio, Deus ordenou a Noé que construísse uma arca simples. Gênesis 6:14. Quando quis falar com Moisés, não usou um palácio nem um fenômeno grandioso, e sim uma sarça ardente no deserto. Êxodo 3:2. Quando escolheu um povo, não começou por uma grande nação, e sim por um grupo pequeno e frágil. “Não tenha medo, ó verme de Jacó, povozinho de Israel; eu o ajudo, diz o Senhor, e o seu Redentor é o Santo de Israel.” Isaías 41:14 (NAA)

 

 

O mesmo princípio aparece quando o Senhor decidiu habitar no meio do povo. Em vez de um palácio luxuoso, mandou construir um tabernáculo simples. Êxodo 26:1. E a maior demonstração disso veio com a chegada de Jesus. O Filho de Deus não veio cercado de aparência majestosa. A profecia já dizia que Ele não tinha beleza nem formosura que chamasse a atenção. Isaías 53:2. Deus escolheu o caminho da simplicidade.

Tudo isso tem um propósito muito claro: que ninguém se glorie diante dEle. A glória pertence somente ao Senhor. Ao mesmo tempo, Deus se agrada de conceder graça àqueles que reconhecem sua dependência. Jesus mesmo falou da glória que compartilha com os seus. “Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura.” Isaías 42:8 (NAA)

Essa verdade continua muito prática para nós hoje. Pense em quantas vezes Deus usa pessoas simples para realizar coisas importantes. Uma mãe que ora diariamente pelos filhos. Um irmão que serve discretamente na igreja. Um obreiro que ninguém vê, porém permanece fiel. Aos olhos do mundo, esses gestos podem parecer pequenos. Para Deus, têm grande valor.

Humilhar-se não é algo que o ser humano aprecia naturalmente. Porém a Palavra afirma: “Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará.” Tiago 4:10 (NAA). O apóstolo Pedro reforça: “Humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, os exalte.” 1 Pedro 5:6 (NAA). No Reino de Deus, o caminho da exaltação passa pela humildade.

Jesus também declarou que os pobres de espírito são bem-aventurados, porque deles é o Reino dos Céus. Mateus 5:3. Isso significa que Deus se move com graça especial na vida de quem reconhece sua necessidade.

Talvez você se sinta pequeno, comum ou até esquecido, porém, Deus continua escolhendo o que o mundo considera insignificante. Quando um coração se coloca nas mãos do Senhor com humildade e fé, Ele é capaz de fazer muito mais do que imaginamos.

Nas mãos de Deus, aquilo que o mundo chama de pequeno se torna o instrumento silencioso por meio do qual Ele revela a sua grandeza.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

28/fev/26

 

SEGURADOS PELA MÃO QUE NÃO FALHA

A minha alma te segue de perto; a tua destra me sustem." Salmos 63:8 (ARC)

Vivemos dias difíceis. Em Juiz de Fora e em tantas cidades da região, famílias têm enfrentado perdas dolorosas. Casas foram levadas pelas águas. Histórias inteiras se misturaram à lama. Em alguns lares, o choro chegou mais fundo, porque vidas preciosas se foram. Diante de cenários assim, o coração humano se pergunta: onde está o nosso sustento? Em quem podemos confiar quando tudo ao redor parece desabar?

O salmista nos entrega uma resposta simples e poderosa: “A minha alma te segue de perto; a tua destra me sustem.” Salmos 63:8 (ARC). Ele não fala de uma vida sem crises. Ele fala de uma vida sustentada no meio delas. Davi escreveu essas palavras em tempo de dificuldade, longe do conforto e cercado por incertezas. Ainda assim, havia dentro dele uma certeza maior: a mão de Deus continuava firme.

Quando a Bíblia diz que a alma segue de perto, ela nos mostra um movimento de confiança. Não se trata de seguir de longe, com medo ou dúvida. É caminhar perto de Deus, mantendo o coração ligado a Ele em todo tempo. Em dias tranquilos isso parece simples. Nos dias de perda, de enchente, de desmoronamentos e de notícias difíceis, essa proximidade se torna ainda mais necessária.

A segunda parte do versículo traz um consolo profundo: “a tua destra me sustem”. A destra, na linguagem bíblica, fala da mão forte de Deus — a mão que age, que protege e que levanta quem caiu. O salmista não afirma que sua própria força o mantinha de pé. Ele reconhece que o sustento vinha do Senhor.

Essa verdade se conecta com outra cena poderosa das Escrituras. Quando o povo de Israel atravessava o deserto, a arca da aliança seguia adiante do povo. A Palavra diz: “Partiram, pois, do monte do Senhor, caminho de três dias; e a arca da aliança do Senhor ia adiante deles… para lhes procurar lugar de descanso.” Números 10:33 (NAA). A arca representava a presença do Senhor guiando, protegendo e abrindo caminho.

Que imagem forte para os nossos dias. O povo caminhava pelo deserto cercado de incertezas. Ainda assim, havia segurança, porque a presença de Deus ia à frente deles. O sustento não vinha da força do povo, e sim da presença que os conduzia.

Não é por coincidência que o nosso lema fala justamente de tempestades e chuvas. Em tempos como os que estamos vivendo, essa verdade se torna ainda mais viva diante dos nossos olhos. Por isso lembramos o lema tão precioso que ecoa em nossa caminhada de fé: há um tabernáculo que é o nosso refúgio. A própria Escritura declara: “Haverá um abrigo para sombra contra o calor do dia e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e a chuva.” Isaías 4:6 (NAA).

Em meio às tempestades da vida, existe um lugar seguro na presença do Senhor. O tabernáculo aponta para esse lugar de encontro, de abrigo e de cuidado divino — o lugar onde o coração encontra descanso mesmo quando o mundo lá fora segue em agitação.

Nos dias que estamos vivendo, essa mensagem precisa alcançar o coração do povo de Deus. Há famílias que perderam móveis, roupas e documentos. Outras perderam o próprio lar. E algumas enfrentam o luto mais profundo. Nessas horas entendemos com mais clareza: nossa segurança nunca esteve nas paredes da casa nem nas coisas que juntamos ao longo da vida. Nosso verdadeiro sustento sempre veio do Senhor.

Tenho visto, nestes dias, exemplos que falam alto ao coração. Famílias acolhendo vizinhos que perderam tudo. Igrejas e escolas abrindo as portas para receber desabrigados. Irmãos se mobilizando para levar alimento, roupas e oração. Mesmo em meio à dor, a mão de Deus continua agindo por meio do seu povo. O Senhor não apenas sustenta; Ele também usa pessoas para sustentar outras.

Talvez alguém pergunte: como seguir de perto quando o coração está ferido? A resposta não está em sentimentos fortes, e sim em passos simples. É continuar orando, mesmo com lágrimas. É continuar confiando, mesmo sem entender tudo. É lembrar, todos os dias, que a arca — a presença do Senhor — continua indo à nossa frente e que há um tabernáculo que permanece como nosso refúgio seguro.

Se hoje você olha ao redor e vê insegurança, volte o coração para esta verdade: o nosso livramento e o nosso sustento estão no Senhor. Casas podem ser abaladas. Planos podem ser interrompidos. O chão pode até tremer sob nossos pés. Porém, a destra de Deus continua firme, sustentando aqueles que se achegam a Ele. A presença do Senhor segue adiante do seu povo.

Que, em meio a estes dias difíceis, nossa oração seja a mesma do salmista. Que nossa alma continue seguindo de perto. E que nossos olhos permaneçam voltados para a mão que nunca falha, nunca se atrasa e nunca solta aqueles que nela confiam.

Quando a presença do Senhor vai à frente e o Seu tabernáculo se torna nosso refúgio, até as tempestades mais fortes encontram um coração que permanece em pé pela fé.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

27/fev/26

 

QUANDO A CIDADE PARA E SÓ DEUS PERMANECE

“Olho à minha direita e vejo; não há quem me reconheça; refúgio me falta; ninguém se importa comigo.”  Salmos 142:4 (NAA)

Nos últimos dias, nossa querida Juiz de Fora, bem como a cidade de Ubá e toda a região viveram momentos que jamais serão esquecidos. As chuvas fortes caíram sem trégua. Ruas ficaram alagadas, bairros isolados, famílias inteiras tiveram de deixar suas casas às pressas. Alguns perderam bens. Outros perderam o lar. E, com muita dor no coração, sabemos que houve também perdas de vidas.

A cidade, que costuma viver seu ritmo normal, de repente parou. Sirenes, alertas, medo e incerteza tomaram conta de muitos lares. Em horas assim, o sentimento que surge em muitos corações se parece muito com as palavras de Davi: “refúgio me falta; ninguém se importa comigo.”  Salmos 142:4 (NAA).

O Salmo 142 nasceu em um cenário de extrema aflição. Davi se encontrava escondido em uma caverna, fugindo e sem apoio humano. Ele não disfarçou a dor. Não tentou parecer forte. Ele simplesmente abriu o coração diante de Deus. A Bíblia registra: “Derramo diante dele a minha queixa, à sua presença exponho a minha tribulação.” . Salmos 142:2 (NAA).

Esse salmo fala diretamente conosco neste momento. Quantas famílias, nestes dias, se sentiram exatamente assim? Pessoas olhando ao redor e vendo a água subir. Gente sem conseguir voltar para casa. Mães aflitas tentando proteger seus filhos durante a madrugada sem energia elétrica. Idosos sendo retirados às pressas de lugares onde viveram por tantos anos.

Em situações como essa, percebemos o quanto somos frágeis. Aquilo que parecia seguro pode mudar de um dia para o outro. Porém há uma verdade que continua firme: Deus não perde o controle.

Davi declarou algo precioso: “Quando dentro de mim esmorece o espírito, conheces a minha vereda.” Salmos 142:3 (NAA). Mesmo quando ninguém mais vê, Deus vê. Mesmo quando as águas sobem, o Senhor continua presente. Mesmo quando a cidade para, Ele continua trabalhando.

Talvez você tenha passado por momentos de medo nesses últimos dias. Talvez tenha visto de perto o perigo, ou tenha chorado ao ver o sofrimento de alguém próximo. Saiba de uma coisa: o Senhor continua sendo refúgio seguro.

O salmo avança e nos mostra a virada do coração de Davi. Em meio à caverna, ele declara: “A ti clamo, Senhor, e digo: tu és o meu refúgio, o meu quinhão na terra dos viventes.”  Salmos 142:5 (NAA). A caverna ainda existia. O perigo ainda rondava. Mesmo assim, a fé encontrou um lugar firme.

Essa continua sendo nossa esperança hoje. Nem sempre Deus impede a tempestade. Muitas vezes, Ele sustenta seus filhos no meio dela. Quantos, nestes dias em Juiz de Fora, podem testemunhar livramentos claros? Quantas famílias conseguiram sair a tempo? Quantas vidas foram preservadas pela misericórdia do Senhor?

Isso não diminui a dor de quem perdeu. Pelo contrário, nos move à compaixão, à oração e ao cuidado uns com os outros. Como igreja e como povo de Deus, somos chamados não apenas a confiar, porém também a estender a mão.

Davi termina com um clamor cheio de esperança: “Livra-me da minha prisão, para que eu dê graças ao teu nome.”  Salmos 142:7 (NAA). Ele cria que Deus ainda escreveria novos capítulos.

Nós também cremos. A cidade vai se levantar. As famílias serão consoladas. A ajuda chegará. E, acima de tudo, o Senhor continuará sendo nosso abrigo seguro.

Se seu coração ainda se encontra apertado por tudo que vimos nesses dias, faça o que Davi fez: fale com Deus. Abra sua dor. Apresente sua ansiedade. O mesmo Deus que ouviu na caverna continua ouvindo hoje.

Em tempos em que não há para onde correr, descobrimos algo precioso: sempre existe um lugar seguro — a presença do Senhor.

Quando as águas sobem e os caminhos se fecham, quem se abriga em Deus descobre que o verdadeiro refúgio nunca desmorona.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

25/fev/26

  FÉ QUE SE MOVE “Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.” Tiago 2:17 (NAA) Nestes últimos dias, caminhando pelas ...