FRUTÍFERO, MESMO
SOB PRESSÃO
A bênção que Jacó declarou sobre José, em seus últimos dias
de vida, carrega uma das mensagens mais bonitas e encorajadoras de toda a
Bíblia. Não foi apenas a fala de um pai emocionado. Foram palavras proféticas
que revelam como Deus havia conduzido a vida de José e como continuaria agindo
por meio dele e de seus descendentes.
Quando lemos Gênesis 49, percebemos que Jacó fala a todos os
filhos. Porém, quando chega a vez de José, algo muda. As palavras se tornam
mais longas, mais ricas e cheias de imagens de vida e abundância. Isso mostra
que havia sobre José uma graça especial. Embora não tenha nascido como o
primeiro filho, recebeu a porção dobrada da bênção, que mais tarde se cumpre
por meio de seus filhos, Efraim e Manassés.
Jacó começa dizendo que José é como um ramo frutífero junto
à fonte. A imagem é simples e muito forte. Uma árvore plantada perto da água
não depende apenas da chuva. Suas raízes alcançam a fonte e, por isso,
continuam vivas e produtivas mesmo em tempos difíceis. Foi assim com José. Ele
prosperou na casa de Potifar, prosperou na prisão e prosperou no governo do
Egito. O ambiente mudava, as circunstâncias se tornavam duras, porém a vida
dele continuava produzindo.
Isso fala muito conosco hoje. Há pessoas que só vão bem
quando tudo está favorável. Se o trabalho complica, desanimam. Se surge uma
injustiça, perdem a esperança. José mostra outro caminho. A força dele não
vinha do lugar onde se encontrava. Vinha da fonte à qual estava ligado. Quando
alguém mantém comunhão verdadeira com Deus, continua frutificando mesmo em dias
difíceis.
Jacó também lembra que José sofreu ataques. O texto diz: “Os
flecheiros lhe deram amargura, atiraram contra ele e o hostilizaram.” Gênesis
49:23 (NAA). José conheceu a dor da inveja dos irmãos, a mentira da mulher de
Potifar e o esquecimento dentro da prisão. A Bíblia não esconde isso. A vida de
quem anda com Deus não fica livre de lutas.
Nos dias atuais, muitos servos de Deus passam por situações
parecidas. Um trabalhador honesto pode sofrer perseguição no emprego. Uma
pessoa íntegra pode ser mal interpretada. Um cristão fiel pode ser esquecido
por quem prometeu ajudar. Essas flechas continuam sendo lançadas. Porém a
história de José nos lembra que as flechas não têm a palavra final.
Jacó declara algo poderoso: “O seu arco, porém,
permaneceu firme… porque as mãos do Poderoso de Jacó o fortaleceram.”
Gênesis 49:24 (NAA). Que verdade consoladora! José foi ferido, pressionado e
injustiçado. Ainda assim, não foi quebrado. A firmeza dele não nasceu de força
emocional nem de habilidade pessoal. Veio da mão de Deus sobre sua vida.
Quantas vezes vemos isso hoje. Há mães que sustentam a casa
com fé, mesmo em meio a dificuldades. Há idosos que atravessam enfermidades sem
perder a esperança. Há jovens que permanecem firmes, mesmo cercados de
pressões. Quando Deus sustenta alguém, o arco continua firme.
Jacó prossegue derramando uma sequência de bênçãos sobre
José. Ele fala de bênçãos dos céus, das profundezas e das gerações futuras. A
ideia é clara: Deus não abençoa pela metade. Quando Ele decide agir, sua bênção
alcança todas as áreas da vida.
Por fim, José é chamado de “o consagrado entre seus
irmãos”. Gênesis 49:26 (NAA). Isso não aponta para orgulho, e sim para
propósito. Deus o separou para cumprir algo maior. A vida de José prova que
Deus pode levantar alguém que passou por rejeição e transformá-lo em
instrumento de vida para muitos.
Essa mensagem continua viva hoje. Quem permanece ligado à
fonte que é o Senhor pode atravessar injustiças, dias difíceis e momentos de
silêncio sem perder a capacidade de frutificar. A presença de Deus não impede
as flechas, porém sustenta o coração no meio delas.
Quem vive ligado à Fonte pode ser ferido pelas
circunstâncias, porém nunca será impedido de frutificar no tempo de Deus.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
21/fev/26