A VOZ QUE NOS TIRA PARA FORA

“E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas, de modo nenhum, seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. Jesus disse-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que era que lhes dizia.” João 10:4-6 (ARC).

Jesus usou a figura de um pastor e de Suas ovelhas para explicar o cuidado de Deus com seu povo. Naquele tempo, era comum o pastor caminhar à frente do rebanho. Ele não empurrava as ovelhas de longe. Ia adiante, mostrava o caminho e enfrentava primeiro os perigos que poderiam aparecer.

Assim também acontece conosco. Jesus não apenas nos chama para segui-lo. Ele vai à nossa frente. Antes que enfrentemos nossas lutas, Ele já conhece o caminho. Antes que cheguemos aos dias difíceis, Ele já está lá. Antes que passemos pelo vale da morte, Ele mesmo entrou nesse vale, venceu a morte e ressuscitou.

O texto diz que o pastor “tira para fora as suas ovelhas”. Essa expressão fala de mudança. A pessoa que encontra Jesus é chamada para sair de tudo aquilo que a separa de Deus. Alguns são tirados de uma vida de pecado. Outros são libertos de vícios, ressentimentos, mentiras, relacionamentos destrutivos ou de uma religião sem comunhão verdadeira com Deus.

A igreja de Jesus é formada por pessoas que foram chamadas para fora. Não significa que todas tenham o mesmo passado ou as mesmas experiências. Significa que todas ouviram a voz do mesmo Pastor e decidiram segui-lo.

Talvez alguém tenha vivido muitos anos sem esperança. Trabalhava, cuidava da família e procurava parecer forte, mas por dentro estava vazio. Um dia, ouviu a Palavra de Deus, reconheceu sua necessidade e entregou a vida a Jesus. O Senhor o tirou de uma existência sem direção e passou a conduzi-lo por um novo caminho.

Jesus também disse: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.” João 10:9 (ARC). Ele não afirmou ser uma das portas. Disse que é a Porta. A salvação não está em tradições, rituais ou méritos humanos. Está somente em Jesus.

Ele foi adiante de nós de uma maneira que nenhum outro poderia ir. Entregou a própria vida na cruz, levou sobre si nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia. Por isso, declarou: “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” João 10:11 (ARC).

A voz do Bom Pastor continua sendo ouvida hoje por meio da Palavra e da ação do Espírito Santo. Quando lemos a Bíblia com humildade, Deus nos corrige, consola e orienta. Quando oramos, o Espírito Santo trabalha em nosso coração. Ele nos mostra aquilo que precisa ser abandonado e fortalece nossa fé para continuar.

Mas existem também muitas vozes estranhas. Há vozes que dizem que o pecado não tem importância. Outras afirmam que cada pessoa pode criar sua própria verdade. Algumas prometem felicidade sem arrependimento, vitória sem obediência e bênção sem compromisso com Deus.

Por isso, precisamos conhecer a voz de Jesus. Uma ovelha não segue o estranho porque não reconhece sua voz. Do mesmo modo, o cristão precisa comparar tudo o que ouve com a Palavra de Deus. Nem toda mensagem emocionante vem do Senhor. Nem todo conselho popular conduz à vida.

Nos nossos dias, uma pessoa pode ouvir dezenas de opiniões em poucos minutos pelas redes sociais. Um vídeo diz uma coisa, outro ensina o contrário. Se não conhecermos a Palavra, poderemos seguir qualquer voz que fale com confiança.

Conhecer a voz de Jesus não significa depender apenas de sentimentos. Significa viver em comunhão com Ele, ler as Escrituras, orar e permitir que o Espírito Santo nos conduza. A Bíblia diz: “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.” Romanos 8:14 (ARC).

Os religiosos que ouviram a parábola de Jesus não entenderam o que Ele dizia. Conheciam muitas regras, mas não reconheceram a voz do Pastor. Estavam presos às tradições e perderam a sensibilidade espiritual. Isso também pode acontecer hoje. Uma pessoa pode frequentar cultos, conhecer hinos e repetir palavras bíblicas, mas ainda assim não ter uma vida de comunhão com Deus.

A verdadeira ovelha não apenas escuta; ela segue. Seguir Jesus significa obedecer mesmo quando o caminho parece difícil. É perdoar quando o coração deseja guardar mágoa. É dizer a verdade quando seria mais fácil mentir. É abandonar aquilo que desagrada a Deus, mesmo que todos ao redor considerem normal.

Jesus declarou: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos.” João 10:27-28 (ARC).

Que segurança maravilhosa! O Pastor conhece cada ovelha. Ele conhece nossa história, nossas fraquezas, nossas lágrimas e nossas lutas. Mesmo assim, chama-nos pelo nome, vai à nossa frente e nos conduz para a vida eterna.

Talvez hoje você esteja cercado por muitas vozes e não saiba qual caminho seguir. Pare por alguns minutos. Abra a Bíblia. Ore com sinceridade. Peça ao Senhor que silencie as vozes estranhas e torne clara a direção do Bom Pastor.

Jesus continua chamando Suas ovelhas para fora: para fora do pecado, da culpa, do medo e da confusão. Sua voz não nos conduz à perdição, mas à salvação, à segurança e à vida eterna.

A voz de Jesus nos chama para fora de tudo o que nos separa de Deus, caminha à nossa frente e nos conduz com segurança até a vida eterna.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

07/ago/26

 

QUANDO O TEMPO PARECE NÃO PASSAR

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.” Eclesiastes 3:1 (NAA).

O tempo marcado pelo relógio passa da mesma maneira para todos, mas a forma como o percebemos pode mudar de acordo com nossos pensamentos e sentimentos.

Algumas obras de ficção imaginam que, durante um sonho, poucos minutos no mundo real podem parecer horas ou até dias para quem está sonhando. Essa ideia não descreve literalmente a realidade, mas ajuda a ilustrar algo que todos experimentamos: quando estamos ansiosos, com medo ou sofrendo, o tempo parece passar mais devagar; quando estamos felizes, tranquilos ou envolvidos em algo agradável, as horas parecem passar rapidamente. Portanto, o tempo não muda; o que muda é a maneira como nossa mente e nosso coração o experimentam.

Por exemplo: cinco minutos numa fila podem passar rapidamente quando estamos tranquilos. Porém, os mesmos cinco minutos na porta de uma sala de cirurgia podem parecer uma eternidade. Uma noite ao lado de um filho doente parece não terminar. Em contrapartida, uma tarde agradável com pessoas queridas pode passar tão depressa que quase não percebemos.

O relógio não mudou. Foram as nossas emoções que mudaram a maneira como experimentamos aquele período.

A ansiedade faz o tempo parecer mais lento. A tristeza prolonga os dias. O medo transforma segundos em horas. A expectativa de uma notícia importante pode nos deixar olhando constantemente para o telefone. Já a alegria, a paz e a boa companhia produzem a impressão de que o tempo voou.

Isso nos ensina que não vivemos apenas aquilo que acontece ao nosso redor. Vivemos também a maneira como interpretamos cada situação. Duas pessoas podem atravessar dificuldades semelhantes e reagir de formas muito diferentes. Uma pode sentir-se completamente consumida pelo medo; a outra, embora também sofra, pode encontrar forças para caminhar com esperança.

A Bíblia apresenta muitas pessoas que precisaram esperar. Abraão recebeu a promessa de um filho, mas o cumprimento não aconteceu imediatamente. José teve sonhos sobre o futuro, porém atravessou anos de escravidão e prisão antes de ocupar uma posição de autoridade no Egito. Davi foi ungido para ser rei, mas ainda enfrentou perseguições, perigos e um longo período de incerteza.

Nenhum deles conhecia antecipadamente todos os detalhes do caminho. Houve momentos de fraqueza, dúvida e decisões erradas. Ainda assim, Deus permaneceu fiel e conduziu Sua vontade no tempo determinado.

Esperar em Deus não significa acreditar que toda demora foi diretamente provocada por Ele. Algumas esperas são consequência de nossas próprias escolhas; outras surgem de limitações humanas, enfermidades, injustiças ou circunstâncias que não conseguimos controlar. Ainda assim, em qualquer dessas situações, podemos confiar que Deus não nos abandona. A Bíblia declara: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações.” Salmos 46:1 (NAA).

Mesmo quando não podemos mudar imediatamente aquilo que estamos vivendo, o Senhor permanece ao nosso lado. Ele nos sustenta em nossa fraqueza, fortalece-nos nos dias difíceis e pode usar até os períodos mais dolorosos para nos ensinar, corrigir e amadurecer. A espera nem sempre será fácil ou compreensível, mas nunca será enfrentada sem a presença e o cuidado de Deus.

Vivemos numa geração acostumada à rapidez. Enviamos mensagens e esperamos respostas imediatas. Fazemos uma compra e queremos recebê-la no mesmo dia. Pesquisamos uma dúvida e encontramos a resposta em poucos segundos. A tecnologia acelerou muitas coisas, mas não consegue apressar a formação do caráter.

Não existe aplicativo capaz de produzir maturidade instantânea. Não há atalho para aprender paciência, perseverança, humildade e domínio próprio. Essas qualidades são desenvolvidas ao longo da caminhada, enquanto dependemos da graça de Deus e respondemos com fé e obediência.

Esperar no Senhor também não significa cruzar os braços. Quem aguarda uma oportunidade de trabalho pode orar, mas também deve preparar um currículo, estudar e procurar vagas. Quem espera a restauração de um relacionamento pode buscar a Deus, mas talvez precise conversar, pedir perdão e mudar atitudes. Quem enfrenta uma enfermidade pode confiar no Senhor e, ao mesmo tempo, seguir corretamente o tratamento e procurar os cuidados necessários.

A fé não substitui a responsabilidade. Ela nos dá forças para agir sem permitir que a ansiedade governe o coração.

Talvez você esteja atravessando um período em que nada parece mudar. Uma oração ainda não foi respondida como esperava. Uma porta permanece fechada. Um tratamento está demorando. Um familiar continua distante. Nesses momentos, não é errado sentir tristeza, cansaço ou medo. Confiar em Deus não significa deixar de sentir. “Em me vindo o temor, hei de confiar em Ti.” Salmos 56:3 (NAA).

A fé nos ensina a levar esses sentimentos ao Senhor e dizer: “Eu não compreendo este tempo, mas continuo confiando em Ti.”

O tempo de espera não garante que receberemos exatamente aquilo que desejamos. Deus não é obrigado a seguir o nosso calendário nem a cumprir todos os nossos projetos. Entretanto, podemos ter a certeza de que Ele permanece presente, mesmo quando não percebemos mudanças. “E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos.” Mateus 28:20 (NAA).

Por isso, não permita que o medo transforme o tempo num inimigo. Viva fielmente o dia que Deus lhe concedeu. Faça aquilo que está ao seu alcance, cuide das responsabilidades de hoje e entregue a Ele aquilo que você não consegue controlar.

O relógio continuará marcando as horas da mesma maneira. A diferença estará no lugar em que o coração repousa. Quando somos dominados pela ansiedade, o tempo torna-se um peso. Quando confiamos no Senhor, a espera pode continuar difícil, mas deixa de ser completamente vazia. “Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme, porque ele confia em ti.” Isaías 26:3 (NAA).

Nas mãos de Deus, até o tempo que parece parado pode tornar-se um lugar de crescimento, aprendizado e preparação.

A espera não é vazia quando o coração descansa em Deus; nas mãos dEle, até o tempo que parece parado pode se transformar em preparação.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

06/ago/26

 

A MORTE QUE NOS RECONCILIA E A VIDA QUE NOS SALVA

“Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” Romanos 5:10 (ARC).

A obra realizada por Jesus no Calvário é maior do que conseguimos compreender. Ele não morreu apenas para nos livrar da condenação eterna. Por meio de Sua morte, Jesus retirou a barreira que existia entre nós e Deus. Aqueles que estavam afastados puderam se aproximar. Os que eram considerados inimigos puderam ser reconciliados com o Pai.

Reconciliação significa restaurar um relacionamento que estava quebrado. Podemos pensar em dois amigos que deixaram de conversar depois de uma grande ofensa. Durante muito tempo, existe entre eles silêncio, mágoa e distância. Para que voltem a ter comunhão, alguém precisa tomar a iniciativa de buscar a paz.

Foi isso que Deus fez por nós. O pecado havia quebrado nossa comunhão com Ele. Não tínhamos condições de resolver esse problema por nossos próprios esforços. Nenhuma boa ação poderia apagar nossa culpa. Então, Deus tomou a iniciativa. Ele enviou Seu Filho para morrer em nosso lugar e abrir um caminho de volta para Sua presença.

Na cruz, Jesus recebeu a condenação que nós merecíamos. Seu sangue foi derramado para o perdão dos nossos pecados. Quando cremos nEle e nos arrependemos, já não precisamos viver fugindo de Deus ou tentando esconder nossa culpa. Podemos nos aproximar do Pai, porque Jesus pagou o preço de nossa reconciliação.

Essa reconciliação muda nosso relacionamento com Deus. Jesus disse aos Seus discípulos: “Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.” João 15:15 (ARC).

Isso não significa que deixamos de servir ao Senhor. Significa que nosso serviço agora nasce da comunhão. Não obedecemos apenas por medo, mas porque O amamos. Jesus nos aproxima do Pai, revela-nos Sua vontade e permite que conheçamos as verdades do Seu Reino. O pecador perdoado deixa de ser um estranho e passa a fazer parte da família de Deus.

Entretanto, a obra de Jesus não terminou na cruz. Depois de morrer e ser sepultado, Ele ressuscitou ao terceiro dia. A cruz nos mostra o preço pago pelo pecado, mas o túmulo vazio nos mostra que o pagamento foi aceito. Jesus venceu a morte e vive para sempre.

Por isso, Paulo declarou que fomos reconciliados pela morte de Jesus e que seremos salvos por Sua vida. Nossa esperança não está em alguém que morreu e permaneceu no túmulo. Nossa esperança está em Cristo vivo. Ele ressuscitou, está com o Pai e continua cuidando daqueles que Lhe pertencem.

A ressurreição de Jesus transformou o medo dos discípulos em coragem. Eles haviam visto Seu sofrimento e Sua morte. Pensaram que tudo havia terminado. Porém, quando encontraram Jesus vivo, compreenderam que a morte não teve a última palavra. A tristeza deu lugar à esperança, e homens antes amedrontados passaram a anunciar o evangelho.

A Bíblia declara: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.” 1 Pedro 1:3 (ARC).

Essa esperança continua viva em nossos dias. Uma pessoa pode receber o diagnóstico de uma doença grave e, ainda assim, confiar que sua vida está nas mãos do Senhor. Uma família pode enfrentar o luto e encontrar forças na certeza da ressurreição. Alguém pode perder o emprego, passar por uma crise no casamento ou ver um projeto desmoronar, mas não precisa acreditar que tudo terminou. Porque Cristo vive, sempre existe esperança.

Talvez você nem sempre sinta a presença de Deus. Há dias em que o coração parece vazio e as orações parecem não passar do teto. Entretanto, a ausência de sentimento não significa ausência de Deus. Ele continua perto. O Senhor vê aquilo que ninguém percebe, conhece nossas lágrimas silenciosas e cuida até dos detalhes que escapam aos nossos olhos.

A maior necessidade do ser humano não é apenas resolver seus problemas materiais. Antes de Cristo, estávamos espiritualmente mortos. A Bíblia afirma: “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo.” Efésios 2:4-5 (ARC).

Jesus não veio apenas melhorar uma vida antiga. Ele veio nos dar uma vida nova. Quem está em Cristo recebe um novo começo, uma nova identidade e um novo propósito. Já não vive apenas para si mesmo, mas para Aquele que o amou e o resgatou.

A vida eterna não é conquistada por nossos méritos. Ela está no Filho de Deus. A Palavra declara: “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.” 1 João 5:11-12 (ARC).

A mensagem é simples e poderosa: quem recebe Jesus recebe a vida. Não apenas uma existência mais tranquila, mas uma vida reconciliada com Deus, sustentada por Sua graça e destinada à eternidade.

Não estamos mais perdidos. O Bom Pastor nos procurou, encontrou-nos e nos trouxe de volta. Por Sua morte, fomos reconciliados. Por Sua ressurreição, recebemos uma esperança viva. Agora pertencemos a Deus, somos cuidados por Ele e caminhamos na certeza de que um lugar eterno está preparado para os que creem em Seu Filho.

A cruz declara que fomos perdoados. O túmulo vazio anuncia que Jesus venceu. Cristo morreu para nos trazer de volta a Deus e ressuscitou para que nunca mais precisássemos viver sem esperança.

A morte de Jesus abriu para nós o caminho de volta ao Pai, e Sua vida nos garante que esse caminho termina na eternidade ao Seu lado.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

05/ago/26

 

O CORAÇÃO QUE VOLTA A VER DEUS

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.” Mateus 5:8 (ARC).

Quando Jesus falou sobre os limpos de coração, Ele não estava dizendo que algumas pessoas nunca pecaram ou nunca cometeram erros. Todos nós nascemos marcados pelo pecado e precisamos da graça de Deus. Jesus estava falando de pessoas que tiveram o coração purificado e que agora desejam viver em sinceridade diante do Senhor.

O coração, na Bíblia, representa o nosso interior. É onde estão os pensamentos, os desejos, as intenções, os sentimentos e as decisões. Podemos cuidar muito bem da nossa aparência e, ainda assim, carregar dentro de nós sentimentos que não agradam a Deus. Podemos sorrir para alguém, mas guardar rancor. Podemos frequentar a igreja, cantar louvores e conhecer muitos versículos, mas alimentar orgulho, inveja, mentira ou falta de perdão.

Por isso, a pureza de coração não é apenas uma mudança exterior. É uma obra que Deus realiza dentro de nós. O Senhor não olha somente para aquilo que fazemos diante das pessoas. Ele conhece as intenções escondidas, os pensamentos que ninguém ouve e os desejos que tentamos ocultar.

O pecado contaminou o coração do ser humano e criou uma separação entre ele e Deus. A Bíblia declara: “Mas as vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.” Isaías 59:2 (ARC).

O pecado é como uma sujeira colocada sobre uma janela. A luz continua existindo do lado de fora, mas já não entra com a mesma clareza. Quanto mais sujeira se acumula, mais difícil se torna enxergar. Da mesma forma, quando uma pessoa se acostuma com o pecado, sua visão espiritual fica prejudicada. Ela começa a achar normal aquilo que antes incomodava sua consciência.

Isso acontece em nossos dias quando alguém começa com uma pequena mentira e, depois, passa a viver escondendo a verdade. Acontece quando uma pessoa guarda uma mágoa durante tantos anos que já não percebe quanto aquele ressentimento está prejudicando sua vida. Acontece quando alguém mantém conversas escondidas no celular, visita conteúdos impróprios na internet ou vive uma aparência de santidade diante das pessoas, enquanto alimenta pecados em segredo.

Nenhum produto de limpeza pode purificar o coração humano. Boas obras, promessas, sacrifícios pessoais e práticas religiosas também não podem apagar o pecado. Podemos tentar melhorar nosso comportamento, mas somente Jesus pode transformar verdadeiramente o nosso interior.

Foi por isso que Ele veio ao mundo. Jesus morreu na cruz e derramou Seu sangue para nos perdoar, reconciliar-nos com Deus e nos dar uma nova vida. A Palavra declara: “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” 1 João 1:7 (ARC).

Observe que a Bíblia diz “de todo pecado”. Isso significa que não existe mancha tão profunda que o sangue de Jesus não possa purificar. Talvez alguém carregue a culpa de escolhas erradas, palavras duras, infidelidade, vícios, desobediência ou pecados escondidos. Quando há arrependimento sincero e confissão, Jesus perdoa e purifica.

Ser limpo de coração não significa nunca mais enfrentar tentações. Também não significa tornar-se perfeito de um dia para o outro. Significa ter um coração sincero, que não deseja viver escondido de Deus. Quando essa pessoa erra, ela não procura justificar o pecado. Ela reconhece, confessa, pede perdão e busca forças no Senhor para não continuar no mesmo caminho.

Davi compreendeu essa necessidade depois de cometer pecados graves. Ele não pediu apenas que Deus melhorasse sua imagem diante do povo. Sua oração foi: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto.” Salmos 51:10 (ARC).

Essa também deve ser a nossa oração. Não basta pedir que Deus mude as pessoas ao nosso redor. Precisamos permitir que Ele comece a mudança dentro de nós. Às vezes, desejamos que Deus transforme nosso esposo, nossos filhos, nossos irmãos ou nossos companheiros de trabalho, mas não percebemos que também existem áreas em nosso coração que precisam ser tratadas.

Jesus afirmou que os limpos de coração “verão a Deus”. Isso significa que um coração purificado passa a perceber com mais clareza a presença, o cuidado e a vontade do Senhor. Deus sempre esteve presente, mas o pecado impedia a pessoa de reconhecê-lo. Agora, reconciliada com Ele, começa uma nova comunhão.

Ver a Deus também aponta para a esperança eterna. A maior felicidade do salvo não será apenas escapar do sofrimento, mas estar para sempre na presença do Senhor. Aquele que teve o coração purificado pelo sangue de Jesus poderá contemplar a glória de Deus e viver eternamente com Ele.

Por isso, não devemos cuidar apenas daquilo que as pessoas conseguem enxergar. É possível manter uma boa aparência enquanto o coração está adoecido. Jesus deseja entrar no lugar onde ninguém mais consegue chegar. Ele quer retirar a culpa, o orgulho, a maldade e a falta de perdão, criando em nós um coração novo.

Felizes são os limpos de coração porque já não precisam viver escondidos. Eles foram alcançados pela graça, purificados pelo sangue de Jesus e reconciliados com Deus. Seus olhos, antes obscurecidos pelo pecado, agora podem reconhecer a presença do Senhor e esperar pelo dia em que o verão face a face.

O pecado escurece os olhos da alma, mas o sangue de Jesus purifica o coração e devolve ao homem a alegria de enxergar a presença de Deus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

04/ago/26

 

MUITO ALÉM DO QUE IMAGINAMOS

“Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós,” Efésios 3:20 (NAA)

Uma das maiores dificuldades do ser humano é reconhecer os seus limites. Gostamos de planejar, calcular, prever e organizar o futuro. Fazemos projetos para a família, para a carreira, para as finanças e para os sonhos que carregamos no coração. Porém, por mais cuidadosos que sejamos, cedo ou tarde descobrimos que não temos controle sobre todas as coisas.

A Bíblia ensina que essa limitação faz parte da condição humana. Quando o pecado entrou no mundo, trouxe consigo a morte, o sofrimento, as enfermidades e a fragilidade que hoje experimentamos. Nossa capacidade tornou-se limitada. Nossa visão alcança apenas uma pequena parte do caminho. Muitas vezes não sabemos o que acontecerá amanhã, nem mesmo daqui a algumas horas.

Por isso, é comum fazermos planos que não se concretizam. Sonhamos com uma direção e a vida segue por outra. Imaginamos uma solução rápida para um problema e a resposta demora a chegar. Oramos por algo específico e Deus trabalha de uma maneira completamente diferente daquela que esperávamos. “O coração do ser humano pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor.” Provérbios 16:1 (NAA)

No entanto, aquilo que para nós é motivo de preocupação revela uma grande verdade: nós somos limitados, mas Deus não é.

Paulo escreveu aos efésios para lembrar que o Senhor não está preso às limitações humanas. Deus não depende dos recursos que possuímos. Ele não está sujeito às circunstâncias que nos cercam. Ele não encontra obstáculos impossíveis de superar.

Enquanto nós vemos apenas o presente, Deus contempla o começo, o meio e o fim da história. Enquanto enxergamos portas fechadas, Ele conhece caminhos que ainda nem imaginamos. Enquanto nossos recursos acabam, o Seu poder permanece infinito.

Essa verdade aparece diversas vezes nas Escrituras. Abraão e Sara já eram idosos quando Deus lhes prometeu um filho. Humanamente falando, aquilo parecia impossível. Entretanto, o Senhor cumpriu exatamente o que havia prometido.

Moisés encontrava-se diante do mar Vermelho, sem saída aparente. Atrás dele vinha o exército egípcio. À frente havia apenas águas profundas. O povo acreditava que tudo havia terminado. Porém Deus abriu o mar e transformou o impossível em caminho.

Anos depois, uma pequena pedra lançada por Davi derrubou o gigante Golias. Não foi a força do jovem pastor que produziu aquela vitória. Foi o poder de Deus agindo além da lógica humana. O mesmo continua acontecendo em nossos dias.

Quantas pessoas receberam um diagnóstico difícil e encontraram forças que não imaginavam possuir? Quantas famílias passaram por crises profundas e foram restauradas pela graça de Deus? Quantos servos do Senhor testemunham que portas inesperadas se abriram justamente quando toda esperança parecia perdida?

Talvez você também tenha vivido algo semelhante. Talvez tenha olhado para uma situação e pensado: "Não existe saída." Porém, algum tempo depois, percebeu que Deus já estava trabalhando quando tudo parecia parado.

O Senhor costuma agir de maneiras que ultrapassam nossa compreensão. Muitas vezes pedimos uma solução pequena, enquanto Deus prepara algo muito maior. Oramos por uma porta, e Ele abre várias. Pedimos alívio para uma dificuldade, e Ele transforma aquela luta em crescimento espiritual.

Isso não significa que Deus realizará todos os nossos desejos exatamente como imaginamos. Também não significa que teremos uma vida sem dificuldades. Significa que Seus planos são maiores que os nossos e que Sua sabedoria supera nossa compreensão.

Por essa razão, a oração continua sendo um dos maiores privilégios da vida cristã. Podemos apresentar nossos pedidos ao Senhor, sabendo que Ele ouve cada palavra. Contudo, também podemos descansar, porque Deus não está limitado ao tamanho da nossa fé, ao alcance da nossa imaginação ou à profundidade do nosso entendimento.

Quando não conseguimos enxergar uma solução, Ele continua vendo. Quando não encontramos forças para prosseguir, Ele continua sustentando. Quando nossas possibilidades terminam, Seu poder permanece intacto.

Efésios 3:20 nos convida a olhar para além das circunstâncias e confiar naquele que governa todas as coisas. O Deus que criou os céus e a terra continua operando na vida dos seus filhos. Nada foge ao Seu controle. Nada é grande demais para o Seu poder. Por isso, não permita que os limites humanos determinem o tamanho da sua esperança. Continue orando. Continue confiando. Continue caminhando pela fé.

O mesmo Deus que fez maravilhas no passado continua sendo poderoso hoje. E Ele ainda é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos.

Deus não está limitado por aquilo que conseguimos enxergar. Quando nossas possibilidades terminam, Seu poder continua operando, transformando o impossível em testemunho e a esperança em realidade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

03/ago/26

 

A SALVAÇÃO QUE NÃO PODE SER ADIADA

“Como escaparemos nós, se não levarmos a sério tão grande salvação?” Hebreus 2:3 (NAA).

Existem perguntas feitas porque alguém deseja receber uma informação. Há outras, porém, cuja resposta já está evidente. A pergunta de Hebreus 2:3 é desse segundo tipo. O autor não está pedindo que procuremos diferentes possibilidades. Ele apresenta uma pergunta retórica, uma advertência solene cuja resposta é uma só: não escaparemos.

A Bíblia não pergunta como escaparemos se não conhecermos a salvação, mas como escaparemos se não a levarmos a sério. Isso significa que uma pessoa pode ouvir o Evangelho, conhecer os ensinamentos de Jesus, frequentar cultos, possuir uma Bíblia e, ainda assim, tratar a salvação como um assunto que sempre pode ser deixado para depois.

Talvez alguém diga: “Um dia entregarei minha vida a Jesus.” Outro pode pensar: “Quando eu estiver mais velho, mudarei meu caminho.” Há ainda quem reconheça que precisa de Deus, mas continue adiando sua decisão. O problema é que ninguém tem a garantia de que terá outra oportunidade.

Negligenciar não é necessariamente declarar que Jesus não existe. É não dar a ele a importância que merece. É ouvir sua voz e continuar indiferente. É reconhecer o perigo e não buscar abrigo. É saber que existe um remédio e não tomá-lo. É perceber que o barco está afundando, ver o bote de resgate ao lado e decidir permanecer onde está.

O texto de Hebreus começa orientando os cristãos a se apegarem com mais firmeza às verdades que haviam ouvido, para que não fossem levados para longe delas. A imagem é semelhante à de alguém sendo arrastado lentamente pela correnteza. O afastamento espiritual nem sempre acontece de maneira repentina. Muitas vezes, começa com pequenas distrações, abandono da oração, falta de interesse pela Palavra e tolerância ao pecado.

A salvação é chamada de “tão grande” porque não foi planejada pelo ser humano. Ela nasceu no coração de Deus e foi realizada por Jesus Cristo. O Filho de Deus veio ao mundo, viveu sem pecado, tomou sobre si nossa culpa, morreu na cruz e ressuscitou. Por sua morte, abriu o caminho para que pecadores fossem perdoados e reconciliados com Deus.

Não podemos salvar a nós mesmos. Boas obras são importantes, mas não apagam nossos pecados. A religião não pode substituir um encontro verdadeiro com Cristo. Ser filho de pais cristãos, conhecer hinos, frequentar uma igreja ou ajudar pessoas necessitadas não concede automaticamente a salvação.

A Palavra declara que somos salvos pela graça, mediante a fé. A salvação não nasce do mérito humano; é um presente de Deus. Efésios 2:8-9 (NAA).

Imagine alguém que recebe um presente precioso, mas nunca abre a embalagem. O presente está perto, foi oferecido com amor, porém não é desfrutado. Assim também acontece com quem ouve sobre a graça de Deus, mas nunca recebe Jesus pela fé. Conhecer a mensagem não é o mesmo que responder a ela.

Jesus não afirmou ser apenas um dos caminhos possíveis. Ele declarou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14:6 (NAA).

Por isso, Hebreus pergunta: “Como escaparemos?” Se rejeitarmos o único Salvador, a quem recorreremos? Se desprezarmos o único caminho, por onde iremos? Se recusarmos o perdão oferecido por Deus, como seremos livres da culpa?

Talvez você reconheça que se afastou do Senhor. Pode ser que tenha deixado a oração, abandonado a comunhão da igreja ou permitido que outras coisas ocupassem o lugar de Deus em seu coração. A mensagem de Hebreus não foi escrita apenas para condenar, mas para despertar. Enquanto a voz do Senhor ainda fala ao coração, existe oportunidade de arrependimento.

Jesus não chama você porque deseja aumentar sua culpa. Ele o chama porque deseja perdoar, restaurar e dar uma vida nova. Você não precisa primeiro consertar tudo para depois se aproximar dele. Venha como está, reconhecendo seus pecados e sua necessidade de salvação.

Não diga que é pecador demais, porque Jesus veio justamente para salvar pecadores. Não diga que já foi longe demais, porque a graça de Deus alcança quem se volta sinceramente para ele. Não espere sentir-se merecedor, pois ninguém recebe a salvação por merecimento.

A pergunta permanece diante de cada coração: como escaparemos se não levarmos a sério tão grande salvação?

Não existe outra resposta, outro Salvador ou outro caminho. Entretanto, hoje a porta da graça continua aberta. Hoje você pode reconhecer seus pecados, confiar em Jesus e entregar-lhe sua vida. A Escritura apresenta o tempo presente como a oportunidade de receber a salvação. “... Eis agora o tempo oportuno! Eis agora o dia da salvação!” 2Coríntios 6:2 (NAA).

Não transforme a maior decisão da sua vida em um compromisso continuamente adiado. O amanhã não nos pertence, mas Jesus está chamando hoje. Receba a salvação que ele conquistou, entregue seu coração ao Senhor e comece uma nova caminhada.

A salvação é grande demais para ser ignorada, preciosa demais para ser desprezada e urgente demais para ser deixada para depois.

A maior tragédia não é desconhecer o caminho da salvação, mas ouvi-lo repetidamente e deixar para amanhã a decisão que precisa ser tomada hoje.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

02/ago/26

 

HOJE É O DIA DE ESCOLHER A VIDA

“Remindo o tempo, porquanto os dias são maus.” Efésios 5:16 (ARC).

Talvez você já tenha ouvido a expressão latina carpe diem. Ela pode ser traduzida como “colha o dia”, “aproveite o dia” ou “valorize o momento presente”. A expressão ficou conhecida por meio do poeta romano Horácio e traz a ideia de não desperdiçarmos o tempo que temos diante de nós.

Entretanto, muitas pessoas interpretam essa expressão como um convite para viver sem limites, sem responsabilidade e sem pensar nas consequências. Elas dizem: “A vida é curta, por isso preciso experimentar tudo o que puder.” Dessa forma, usam o presente apenas para buscar prazeres, aventuras, dinheiro, reconhecimento e satisfação pessoal.

Alguns também aplicam esse pensamento à salvação. Um jovem pode dizer: “Sou muito novo. Ainda tenho muito tempo. Quero aproveitar a vida, conhecer o mundo e fazer tudo o que tenho vontade. Quando estiver mais velho, procurarei uma igreja e entregarei minha vida a Jesus.”

O problema é que ninguém sabe quanto tempo ainda tem. A juventude não é uma garantia de que haverá muitos anos pela frente. Da mesma maneira, chegar à idade adulta ou à velhice também não significa que sempre haverá outra oportunidade. A vida é um presente de Deus, mas não está sob nosso controle.

A Bíblia nos lembra dessa verdade: “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco e depois se desvanece.” Tiago 4:14 (ARC).

O vapor aparece por alguns instantes e logo desaparece. Assim é a nossa passagem por este mundo. Parece que foi ontem que éramos crianças, corríamos pelas ruas e fazíamos planos para o futuro. Depois, percebemos que os anos passaram, os filhos cresceram, os cabelos ficaram brancos e muitas oportunidades já não podem ser recuperadas.

Por isso, aproveitar o dia, segundo a Palavra de Deus, não significa viver de qualquer maneira. Significa reconhecer que hoje é uma oportunidade concedida pelo Senhor. É tempo de amar, perdoar, reconciliar-se, ajudar alguém, cuidar da família, abandonar o pecado e buscar a presença de Deus.

Aproveitar o dia também significa não deixar a salvação para depois. A salvação é a decisão mais importante da vida, porque todas as outras escolhas estão relacionadas apenas ao tempo presente, enquanto ela está ligada à eternidade.

Uma pessoa pode decidir amanhã onde trabalhará, que curso fará ou qual bem deseja comprar. Porém, não deveria adiar o momento de entregar sua vida a Jesus. A Palavra declara: “Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação.” 2 Coríntios 6:2 (ARC).

Observe que a Bíblia não diz que amanhã será o dia da salvação. Ela diz: “Agora”. Deus nos chama no presente. Quando o Espírito Santo toca o coração, mostra o pecado e revela a necessidade de Jesus, a resposta também deve ser dada no presente.

Talvez alguém pense: “Ainda não estou preparado. Preciso primeiro mudar algumas coisas em minha vida.” Mas ninguém consegue tornar-se perfeito antes de aproximar-se de Cristo. Nós vamos a Jesus porque precisamos ser perdoados e transformados. É Ele quem recebe o pecador arrependido, limpa seu coração e começa uma nova obra em sua vida.

Outros adiam a decisão porque temem perder os prazeres do mundo. Porém, Jesus não veio para roubar nossa alegria. Ele veio para nos libertar daquilo que parece agradável no início, mas depois produz vazio, culpa, escravidão e sofrimento. A vida com Cristo não é uma vida perdida; é uma vida que finalmente encontrou seu verdadeiro sentido.

Jesus fez uma pergunta que continua atual: “Pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?” Marcos 8:36 (ARC).

Alguém pode conquistar uma carreira admirada, uma casa confortável, muitos seguidores nas redes sociais e uma boa condição financeira. Pode viajar, participar de festas e receber elogios. Mas, se viver distante de Deus e perder sua alma, todas essas conquistas serão insuficientes.

Isso não significa que estudar, trabalhar, viajar ou desfrutar bons momentos seja errado. Deus também nos permite viver alegrias nesta terra. O problema começa quando essas coisas ocupam o lugar que pertence ao Senhor e fazem a pessoa esquecer-se de sua necessidade espiritual.

A Palavra aconselha especialmente os jovens: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento.” Eclesiastes 12:1 (ARC).

Buscar a Deus na juventude não é desperdiçar os melhores anos da vida. É entregar ao Senhor nossa força, nossos sonhos e nosso futuro. É permitir que Ele nos livre de caminhos que deixam cicatrizes profundas e nos conduza a uma vida com propósito.

Há também pessoas mais velhas que continuam dizendo: “Um dia pensarei nisso.” Não importa a idade, o chamado de Deus permanece o mesmo. Enquanto há vida, existe oportunidade de arrependimento. Contudo, não devemos endurecer o coração quando ouvimos sua voz.

“Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como na provocação.” Hebreus 3:15 (ARC).

O verdadeiro carpe diem cristão é viver o presente diante de Deus. É agradecer pelo dia que começou, fazer o bem enquanto há oportunidade, reparar os erros que podem ser reparados e receber hoje a salvação oferecida por Jesus.

Não espere ficar mais velho, mais tranquilo, mais preparado ou mais digno. O dia de buscar o Senhor é hoje. O dia de abandonar o pecado é hoje. O dia de perdoar é hoje. O dia de voltar para a casa do Pai é hoje.

O ontem já passou e não pode ser mudado. O amanhã ainda não nos pertence. Mas Deus colocou o hoje em nossas mãos. Aproveite-o da melhor maneira possível: entregue sua vida a Jesus e permita que Ele transforme não apenas o seu dia, mas toda a sua eternidade.

Aproveitar verdadeiramente o dia não é viver como se Deus não existisse, mas receber hoje a graça que pode transformar toda a nossa eternidade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

01/Ago/26

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