NÃO PRECISAMOS SER
A CÓPIA DE NINGUÉM
“Mas que cada um examine o seu próprio modo de agir e,
então, terá motivo de gloriar-se unicamente em si e não em outro.”
Gálatas 6:4 (NAA).
Vivemos em uma época em que nunca foi tão fácil olhar para a
vida dos outros. Abrimos o celular e, em poucos minutos, vemos pessoas
viajando, comprando casas, mudando de carro, alcançando posições profissionais,
mostrando corpos perfeitos, famílias sorridentes e rotinas que parecem sempre
melhores do que a nossa.
O problema não está em admirar alguém. Podemos aprender com
outras pessoas, reconhecer qualidades e até nos inspirar em bons exemplos. O
perigo começa quando a admiração se transforma em comparação e a comparação
começa a nos convencer de que precisamos ser outra pessoa para ter valor. A
Bíblia nos ensina algo diferente.
Paulo escreve que cada um deve examinar o seu próprio modo
de agir. Ele não manda medir nossa vida pela vida do vizinho, do amigo, do
irmão da igreja ou daquela pessoa que acompanhamos nas redes sociais. Deus não
nos chamou para viver tentando reproduzir a história de outra pessoa.
Há pessoas sofrendo porque estão tentando ocupar uma vida
que não lhes pertence.
O jovem olha para alguém que alcançou sucesso rapidamente e
começa a considerar a própria caminhada um fracasso. Uma mulher observa outra
nas redes sociais e passa a sentir que sua aparência não é boa o suficiente. Um
homem compara sua situação financeira com a de amigos e passa a desprezar
aquilo que conseguiu construir. Até dentro da igreja isso pode acontecer:
alguém gostaria de cantar como outro, pregar como outro, ter a desenvoltura de
outro ou possuir os mesmos dons de determinada pessoa.
A comparação tem uma característica perigosa: ela quase
sempre nos faz esquecer aquilo que Deus já colocou em nossas mãos.
Davi poderia ter tentado ser Saul quando enfrentou Golias.
Aliás, Saul até lhe ofereceu sua própria armadura. Mas Davi percebeu que não
conseguiria lutar vestido como outra pessoa. Aquela armadura não correspondia à
sua experiência. Ele a retirou e enfrentou Golias usando aquilo que Deus já
havia ensinado a utilizar.
Existe uma grande lição nisso: não precisamos usar a
armadura de outra pessoa para cumprir aquilo que Deus espera de nós. Deus
não precisa de uma segunda versão de alguém que já existe. Ele quer trabalhar
em nós.
Isso não significa dizer: “Eu sou assim e nunca vou mudar.”
Esse pensamento não é bíblico. Cristo nos chama à transformação. Existem
comportamentos que precisam mudar, pecados que precisam ser abandonados,
atitudes que precisam amadurecer e áreas de nossa vida que precisam ser
tratadas.
Ser você mesmo não significa permanecer exatamente como
está. Significa permitir que Deus transforme você, e não viver tentando
transformar você em outra pessoa.
Há uma diferença enorme o salmista reconheceu isso quando
disse: “Graças te dou, visto que de modo assombrosamente maravilhoso me
formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem.”
Salmos 139:14 (NAA).
Nossa identidade não começa diante do espelho, nem diante da
opinião dos outros. Ela começa diante dAquele que nos criou.
Isso nos ajuda a compreender a verdadeira autoestima à luz
da Bíblia. O cristão não precisa dizer: “Eu sou maravilhoso porque decidi
pensar assim.” Nossa segurança possui fundamento muito maior: fomos criados
por Deus, somos conhecidos por Ele e, em Cristo, somos chamados para uma vida
com propósito. Por isso, não precisamos gastar a vida inteira tentando
impressionar pessoas.
Também não precisamos construir uma personalidade para
sermos aceitos.
É possível dizer “não sei” quando não sabemos. É possível
reconhecer uma fraqueza. É possível admitir que precisamos aprender. É possível
não possuir aquilo que os outros possuem e, ainda assim, agradecer pelo que
Deus nos confiou.
As redes sociais tornam essa batalha ainda mais difícil
porque normalmente comparamos nossa vida completa com pequenos recortes
cuidadosamente escolhidos da vida de outras pessoas. Vemos a fotografia, mas
não conhecemos as lágrimas. Vemos a conquista, mas não sabemos quanto custou.
Vemos o sorriso, mas não sabemos o que acontece quando a câmera é desligada.
Por isso, Paulo nos direciona novamente para nossa própria
caminhada: examine o seu próprio modo de agir.
A pergunta mais importante não é: “Estou tão bem quanto
aquela pessoa?” A pergunta é: “Estou me tornando aquilo que Deus deseja
que eu seja?”
Talvez você não tenha os mesmos dons. Talvez sua história
tenha começado de maneira diferente. Talvez seu ritmo seja outro. Talvez sua
oportunidade ainda não tenha chegado. Mas Deus nunca lhe pediu para viver a
vida de outra pessoa.
Ele deseja que você coloque diante dEle exatamente quem você
é — suas qualidades, limitações, medos, sonhos, talentos e fraquezas — e
permita que Sua graça transforme essa vida. Porque maturidade espiritual não é
tornar-se parecido com todo mundo. É tornar-se cada vez mais parecido com
Cristo, sem deixar de ser a pessoa única que Deus criou.
Você não precisa viver tentando ser outra pessoa para provar
que tem valor. Deus não o chamou para ser uma cópia de alguém; Ele o chamou
para entregar a Ele quem você é e permitir que Cristo transforme essa vida
naquilo que ela foi criada para ser.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
08/set/26