DESCANSO NA SOMBRA DO ONIPOTENTE

“Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.” Salmos 91:1 (NAA)

Sentir-se seguro faz bem para a alma. Quando alguém se sente protegido, o coração desacelera e o peso da vida parece menor. Vivemos em um tempo cheio de notícias difíceis, violência e muitas incertezas. Muita gente dorme preocupada e acorda ansiosa, sem saber o que o dia seguinte trará. Em meio a esse cenário, a Palavra de Deus nos mostra que existe um lugar de descanso verdadeiro: a sombra do Onipotente.

O Salmo 91 não promete uma vida sem lutas. Ele apresenta algo ainda melhor: a presença constante de Deus cuidando dos seus filhos. O texto diz que quem habita no esconderijo do Altíssimo descansa. Habitar fala de permanência, de relacionamento contínuo. Não se trata de visitar Deus apenas em momentos de aperto, e sim de viver perto dEle todos os dias.

A figura da “sombra” ajuda muito a entender essa verdade. Imagine alguém caminhando no sol forte do meio-dia. O calor aperta, o cansaço chega e a sede aumenta. De repente, essa pessoa encontra a sombra de uma grande árvore. Ali o corpo se refresca e a respiração se acalma. É essa a imagem que o salmo transmite. A presença de Deus não elimina o sol da vida, porém oferece abrigo em meio ao calor das lutas.

Muitos de nós já passamos por momentos assim. O coração dispara quando chega uma mensagem inesperada no celular tarde da noite. A ansiedade aparece quando as contas se acumulam sobre a mesa. A preocupação aperta quando alguém que amamos demora a dar notícias. Nessas horas, percebemos como somos frágeis e limitados. É exatamente aí que aprendemos uma verdade preciosa: a segurança verdadeira não nasce do que temos nas mãos, nem do quanto conseguimos controlar. A paz que sustenta de verdade brota quando o coração aprende a descansar em Deus.

A Bíblia inteira reforça essa certeza. O salmista declara: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações.” Salmos 46:1 (NAA). Em outro momento lemos: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.” Salmos 23:1 (NAA). Essas promessas não são palavras bonitas apenas para leitura. São verdades para a vida real, para dias comuns e também para dias difíceis.

Quando o povo de Israel ficou diante do mar, sem saída aparente, Moisés disse: “O Senhor lutará por vocês; fiquem calmos.” Êxodo 14:14 (NAA). Essa palavra continua viva. Deus continua lutando por seus filhos. Em momentos de confusão e medo, Ele continua sendo refúgio seguro.

Talvez alguém pergunte: isso significa que nada difícil jamais vai acontecer comigo? A própria Bíblia mostra que não é assim. Servos fiéis também atravessam vales escuros. Existe, porém, uma diferença enorme: quem caminha com Deus nunca enfrenta as lutas sozinho. O Senhor prometeu: “Quando você passar pelas águas, eu estarei com você… quando passar pelo fogo, você não se queimará.” Isaías 43:2 (NAA).

Nos dias de hoje vemos muitos corações cansados. Pessoas vivem cercadas de informações, pressões e preocupações. Há quem tenha boa condição financeira e, ainda assim, não consiga dormir em paz. Isso revela uma verdade simples: segurança verdadeira não nasce das circunstâncias externas. Ela nasce da confiança em Deus.

O apóstolo Paulo também trouxe consolo quando escreveu que Deus é fiel e não permitirá que sejamos provados além das nossas forças, sempre providenciando livramento. 1 Coríntios 10:13 (NAA). Que promessa preciosa! O Senhor conhece nossos limites e cuida de nós com atenção de Pai.

Por isso, o convite do Salmo 91 continua atual. Deus não oferece apenas ajuda de longe. Ele oferece abrigo, cuidado e presença. Quem decide viver perto do Senhor descobre uma paz que o mundo não consegue explicar.

Hoje, em meio às correrias e preocupações da vida, existe um lugar de descanso para você. Não é um endereço físico. É a presença do Deus Todo-Poderoso. Ali o coração encontra alívio. Ali a alma respira. Ali o medo perde força.

Aproxime-se do Senhor em oração, confie na Palavra e caminhe diariamente com Ele. A sombra do Onipotente continua aberta para todo aquele que decide habitar perto do Altíssimo.

Quem aprende a viver perto de Deus descobre que a verdadeira segurança não está na ausência de problemas, e sim na certeza de nunca caminhar sozinho.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

23/fev/26

 

QUANDO O PROBLEMA PASSA A SER NOSSO

“Então Davi falou aos homens que estavam com ele: — Que farão àquele homem que ferir este filisteu e tirar a afronta de sobre Israel? Quem é, pois, este incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus vivo?” 1 Samuel 17:26 (NAA)

A cena é conhecida, porém continua cheia de lições para os nossos dias. Davi não foi ao campo de batalha para lutar. Seu pai o enviou apenas para levar comida aos irmãos e voltar para casa. Era uma tarefa simples. Nada indicava que aquele dia mudaria sua história.

Quando chegou ao acampamento, encontrou um exército inteiro paralisado pelo medo. Golias desafiava Israel todos os dias, e ninguém se apresentava para enfrentá-lo. Havia soldados experientes ali. Havia homens treinados. Havia armaduras, estratégias e experiência de guerra. Ainda assim, todos recuavam.

Foi então que algo aconteceu dentro de Davi.

Ao ouvir as palavras do gigante, ele não reagiu como espectador. Não disse: “Isso não é comigo.” Não pensou: “Alguém mais vai resolver.” Em vez disso, seu coração se levantou. A afronta contra o povo de Deus passou a incomodá-lo profundamente.

Na prática, Davi assumiu uma postura que define pessoas que Deus usa: ele tomou para si uma responsabilidade que ninguém queria. Era apenas um jovem pastor. Não tinha posição militar. Não tinha armadura própria. Mesmo assim, decidiu agir.

Isso fala muito com a nossa realidade hoje.

Quantas vezes vemos situações que claramente precisam de alguém disposto — porém todos preferem se afastar? No trabalho, por exemplo, surge um problema e cada um tenta transferir a responsabilidade. Na família, aparece uma crise e muitos escolhem o silêncio. Na igreja, há necessidades evidentes, e poucos se dispõem.

Davi nos ensina que, muitas vezes, o agir de Deus começa quando alguém diz, no coração: “Se ninguém vai fazer, eu me disponho.”

Depois de se apresentar, Davi não saiu correndo de forma impulsiva. O texto mostra que ele foi ao ribeiro e escolheu as pedras. Isso revela algo importante: fé não exclui preparo. Confiança em Deus não dispensa atitude prática.

Ele usou o que já conhecia. Como pastor, estava acostumado ao estilingue. Não tentou vestir a armadura de Saul por muito tempo. Preferiu lutar com as ferramentas que Deus já havia colocado em suas mãos.

Aqui existe uma lição preciosa para os nossos dias.

Muitas pessoas esperam ter condições perfeitas para agir. Pensam que precisam de mais recursos, mais reconhecimento ou mais preparo antes de dar um passo de fé. Davi mostra outro caminho. Ele avançou com o que tinha. Cinco pedras lisas, um estilingue e uma confiança firme no Senhor. E venceu.

Golias caiu não apenas por causa da pedra, e sim por causa da postura do coração de Davi. Ele não lutava por fama. Não lutava por recompensa. Lutava porque não suportava ver o nome do Deus vivo sendo afrontado.

Outro detalhe bonito na vida de Davi aparece quando olhamos sua trajetória completa. Antes de ser rei, ele cuidava de ovelhas. Depois de se tornar rei, continuou com coração de pastor. Sua preocupação nunca foi apenas vencer batalhas. Sempre foi cuidar do povo.

Isso também fala conosco hoje. Deus não procura apenas pessoas capazes. Ele procura corações disponíveis e responsáveis. Gente que não foge quando vê um problema. Gente que se levanta, busca direção em Deus e usa com fidelidade aquilo que já recebeu.

Talvez você não se sinta forte o suficiente. Talvez se veja apenas como alguém comum, sem grande destaque. Davi também parecia assim naquele dia. Porém foi exatamente ali, no momento em que decidiu se posicionar, que sua história começou a mudar.

Ainda hoje, Deus continua usando pessoas que não ignoram a necessidade diante delas.

Grandes mudanças começam quando alguém comum decide não apenas observar o problema, mas assumir, diante de Deus, a coragem de enfrentá-lo.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

22/fev/26

 

FRUTÍFERO, MESMO SOB PRESSÃO


“José é ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus galhos se estendem sobre o muro.” Gênesis 49:22 (NAA)

A bênção que Jacó declarou sobre José, em seus últimos dias de vida, carrega uma das mensagens mais bonitas e encorajadoras de toda a Bíblia. Não foi apenas a fala de um pai emocionado. Foram palavras proféticas que revelam como Deus havia conduzido a vida de José e como continuaria agindo por meio dele e de seus descendentes.

Quando lemos Gênesis 49, percebemos que Jacó fala a todos os filhos. Porém, quando chega a vez de José, algo muda. As palavras se tornam mais longas, mais ricas e cheias de imagens de vida e abundância. Isso mostra que havia sobre José uma graça especial. Embora não tenha nascido como o primeiro filho, recebeu a porção dobrada da bênção, que mais tarde se cumpre por meio de seus filhos, Efraim e Manassés.

Jacó começa dizendo que José é como um ramo frutífero junto à fonte. A imagem é simples e muito forte. Uma árvore plantada perto da água não depende apenas da chuva. Suas raízes alcançam a fonte e, por isso, continuam vivas e produtivas mesmo em tempos difíceis. Foi assim com José. Ele prosperou na casa de Potifar, prosperou na prisão e prosperou no governo do Egito. O ambiente mudava, as circunstâncias se tornavam duras, porém a vida dele continuava produzindo.

Isso fala muito conosco hoje. Há pessoas que só vão bem quando tudo está favorável. Se o trabalho complica, desanimam. Se surge uma injustiça, perdem a esperança. José mostra outro caminho. A força dele não vinha do lugar onde se encontrava. Vinha da fonte à qual estava ligado. Quando alguém mantém comunhão verdadeira com Deus, continua frutificando mesmo em dias difíceis.

Jacó também lembra que José sofreu ataques. O texto diz: “Os flecheiros lhe deram amargura, atiraram contra ele e o hostilizaram.” Gênesis 49:23 (NAA). José conheceu a dor da inveja dos irmãos, a mentira da mulher de Potifar e o esquecimento dentro da prisão. A Bíblia não esconde isso. A vida de quem anda com Deus não fica livre de lutas.

Nos dias atuais, muitos servos de Deus passam por situações parecidas. Um trabalhador honesto pode sofrer perseguição no emprego. Uma pessoa íntegra pode ser mal interpretada. Um cristão fiel pode ser esquecido por quem prometeu ajudar. Essas flechas continuam sendo lançadas. Porém a história de José nos lembra que as flechas não têm a palavra final.

Jacó declara algo poderoso: “O seu arco, porém, permaneceu firme… porque as mãos do Poderoso de Jacó o fortaleceram.” Gênesis 49:24 (NAA). Que verdade consoladora! José foi ferido, pressionado e injustiçado. Ainda assim, não foi quebrado. A firmeza dele não nasceu de força emocional nem de habilidade pessoal. Veio da mão de Deus sobre sua vida.

Quantas vezes vemos isso hoje. Há mães que sustentam a casa com fé, mesmo em meio a dificuldades. Há idosos que atravessam enfermidades sem perder a esperança. Há jovens que permanecem firmes, mesmo cercados de pressões. Quando Deus sustenta alguém, o arco continua firme.

Jacó prossegue derramando uma sequência de bênçãos sobre José. Ele fala de bênçãos dos céus, das profundezas e das gerações futuras. A ideia é clara: Deus não abençoa pela metade. Quando Ele decide agir, sua bênção alcança todas as áreas da vida.

Por fim, José é chamado de “o consagrado entre seus irmãos”. Gênesis 49:26 (NAA). Isso não aponta para orgulho, e sim para propósito. Deus o separou para cumprir algo maior. A vida de José prova que Deus pode levantar alguém que passou por rejeição e transformá-lo em instrumento de vida para muitos.

Essa mensagem continua viva hoje. Quem permanece ligado à fonte que é o Senhor pode atravessar injustiças, dias difíceis e momentos de silêncio sem perder a capacidade de frutificar. A presença de Deus não impede as flechas, porém sustenta o coração no meio delas.

Quem vive ligado à Fonte pode ser ferido pelas circunstâncias, porém nunca será impedido de frutificar no tempo de Deus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

21/fev/26

 

VOLTE AO PRIMEIRO AMOR

“Tenho, porém, contra você que abandonou o seu primeiro amor.” Apocalipse 2:4 (NAA)

Existe algo muito especial no começo da nossa caminhada com Deus. Quando alguém se converte, tudo parece vivo. A oração flui com facilidade. A Bíblia chama a atenção. O coração fica sensível. Há alegria em servir. Esse é o chamado “primeiro amor”.

Foi exatamente sobre isso que Jesus falou à igreja de Éfeso. Aquela igreja tinha muitas qualidades. Trabalhava muito, perseverava e defendia a verdade. Aos olhos humanos, parecia uma igreja exemplar. Porém, Jesus viu algo que ninguém mais via: o amor havia esfriado.

Eles continuavam fazendo a obra, porém sem o mesmo coração. Continuavam ativos, porém menos apaixonados por Cristo e pelas pessoas. O problema não estava na falta de trabalho. Estava na falta de amor.

Anos antes, o apóstolo Paulo havia escrito aos efésios incentivando-os a viver em unidade e amor. Ele ensinou que o corpo de Cristo é formado por pessoas diferentes, com dons diferentes, funcionando juntas em harmonia. O amor seria a força que manteria esse corpo vivo e saudável.

Com o passar do tempo, porém, a igreja de Éfeso se tornou correta, organizada e zelosa — mas perdeu a ternura espiritual. O zelo pela doutrina permaneceu. O cuidado com o amor diminuiu. E Jesus não ignorou isso.

Essa mensagem continua muito atual.

Hoje também existem cristãos muito ativos na igreja. Participam de cultos, trabalham em ministérios, defendem a fé nas redes sociais. Tudo isso é importante. Porém, existe um perigo silencioso: fazer muitas coisas para Deus e, ainda assim, se afastar do coração de Deus.

É possível cantar e não amar. É possível servir e não cuidar das pessoas. É possível conhecer a Bíblia e, mesmo assim, tratar irmãos com frieza.

Vemos isso em situações bem reais. Por exemplo, quando alguém da igreja se afasta. Em vez de procurar, alguns apenas comentam. Em vez de estender a mão, apenas julgam. Em vez de lutar pela pessoa, simplesmente a descartam. Esse não é o espírito do primeiro amor.

Isso não significa aceitar o erro como se fosse normal. Deus é amor, porém também é justo. Ele corrige quem ama. O verdadeiro amor não passa a mão no pecado, mas também não abandona quem caiu. Jesus contou sobre a ovelha perdida justamente para mostrar que o coração de Deus busca restaurar, não descartar.

O primeiro amor é um amor vivo, sensível e disposto a cuidar. É o amor que nos leva a orar por quem está fraco. A visitar quem sumiu. A perdoar quem falhou. A insistir quando seria mais fácil desistir.

Esse amor não nasce do esforço humano. Ele vem de Deus. Por isso, Pedro nos orienta a amar uns aos outros de coração puro, porque fomos transformados por Cristo (1 Pedro 1:22).

Quando o amor de Deus enche o coração, a nossa postura muda. Passamos a olhar menos para nós mesmos e mais para as pessoas ao nosso redor. O orgulho diminui. A compaixão cresce. O julgamento perde espaço para a graça.

Talvez você esteja lendo isto e pensando: “Eu amo a Deus, porém sinto que algo esfriou.” Se isso aconteceu, há esperança. Jesus não escreveu para Éfeso para condenar sem saída. Ele chamou a igreja ao arrependimento e ao recomeço.

O primeiro amor pode ser reacendido.

Começa com uma decisão simples: voltar o coração para Cristo. Voltar à oração sincera. Voltar à Palavra com fome. Voltar a olhar para as pessoas com misericórdia. O amor de Deus não secou. Ele continua disponível.

Mesmo que nem todos correspondam ao seu amor, continue amando. O primeiro amor não depende da resposta das pessoas. Ele nasce da presença de Cristo em nós.

Quando o amor de Cristo volta a ocupar o centro, a fé ganha vida novamente. O serviço ganha sentido. A igreja volta a ser família. E o coração volta a arder como no começo.

Quem permanece perto de Jesus nunca perde o primeiro amor — apenas precisa voltar ao lugar onde o coração começou a esfriar.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

20/fev/26

 

PERFEIÇÃO QUE AGRADA A DEUS

“Sede vós perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste.” Mateus 5:48 (NAA)

Muita gente já ouviu, ou até já falou, a frase: “ninguém é perfeito”. Geralmente ela aparece quando alguém erra. É quase um jeito de aliviar a culpa. De certa forma, a frase está correta. Todos nós falhamos. Desde que o pecado entrou no mundo, o ser humano carrega limitações, fraquezas e imperfeições. Ainda assim, quando lemos as palavras de Jesus em Mateus 5:48, surge uma pergunta sincera: como Ele pode nos mandar ser perfeitos se sabe que somos falhos?

Para entender isso, precisamos mudar o jeito de pensar sobre perfeição. Hoje, quando falamos em alguém perfeito, pensamos em alguém que não erra nunca, que não tem defeito algum. Só que, na Bíblia, a ideia de perfeição não está ligada à ausência total de erros, e sim à maturidade, à integridade, ao cumprimento do propósito de Deus.

Quando Jesus disse “sede vós perfeitos”, Ele estava ensinando sobre amor. Nos versículos anteriores, Ele fala sobre amar os inimigos, orar por quem nos persegue e agir com misericórdia. A perfeição ali tem a ver com um coração completo, inteiro, que reflete o caráter do Pai. É viver de maneira coerente com a fé que professamos.

Veja o exemplo de Moisés. Quando Deus o chamou para libertar o povo do Egito, ele respondeu: “Ah! Senhor! Eu nunca fui eloquente, nem no passado nem depois que falaste a teu servo; pois sou pesado de boca e pesado de língua.” Êxodo 4:10 (NAA). Moisés reconheceu suas limitações. Ele não se achava capaz. Porém o Senhor respondeu: “Quem fez a boca do homem? [...] Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que deves falar.” Êxodo 4:11–12 (NAA). Moisés não era perfeito no sentido humano, porém cumpriu o propósito para o qual Deus o chamou. Aos olhos de Deus, isso é perfeição: viver dentro da vontade divina.

O mesmo acontece hoje. Um pai que trabalha duro, cuida da família e ensina seus filhos a amar a Deus pode errar em muitas coisas. Pode perder a paciência em algum momento. Pode tomar decisões que depois precisa corrigir. Ainda assim, se o coração dele busca obedecer ao Senhor, ele está caminhando na direção da perfeição bíblica.

Uma mãe que se sente cansada, que acha que não faz o suficiente, pode pensar que falhou. Porém, quando ora pelos filhos, ensina valores cristãos e vive com sinceridade diante de Deus, ela está cumprindo seu propósito. Isso é maturidade. Isso é integridade.

A perfeição absoluta pertence somente a Deus. A Bíblia declara: “O caminho de Deus é perfeito.” Salmo 18:30 (NAA). Nele não há erro, nem falha, nem injustiça. Também lemos: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.” Tiago 1:17 (NAA). Deus é perfeito em tudo. Nós não somos. Porém fomos chamados para refletir algo do Seu caráter.

Essa perfeição cresce com o tempo. A vida cristã é uma caminhada. Provérbios 4:18 (NAA) diz: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.” Não é um salto repentino. É um crescimento diário. Cada decisão de obedecer, cada escolha de perdoar, cada atitude de amor nos torna mais maduros.

Romanos 12:2 (NAA) ensina: “E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” A vontade de Deus é perfeita. Quando nos submetemos a ela, nossa vida encontra sentido. Não significa que nunca mais erraremos. Significa que estamos alinhados com o propósito do Senhor.

No trabalho, por exemplo, um cristão pode não ser o mais talentoso da equipe. Pode não ter os melhores resultados sempre. Porém, se age com honestidade, responsabilidade e amor ao próximo, está vivendo de forma íntegra. Na igreja, alguém pode não saber falar bonito, nem ter grande conhecimento teológico. Ainda assim, se serve com humildade e sinceridade, agrada ao Senhor.

Portanto, quando alguém disser “ninguém é perfeito”, lembre-se: diante de Deus, perfeição não é ausência de falhas, e sim um coração inteiro, comprometido, que busca cumprir o propósito para o qual foi criado. Em Cristo, crescemos. Em Cristo, amadurecemos. Em Cristo, caminhamos rumo ao alvo.

A perfeição que Deus pede não é a do orgulho humano, e sim a da obediência humilde. É viver cada dia dizendo: “Senhor, usa minha vida conforme a tua vontade.”

Perfeição, na medida de Deus, não é nunca errar; é nunca desistir de viver segundo o propósito para o qual fomos criados.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

19/fev/26

 

O ALTAR NÃO PODE FALTAR

 Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas.” Mateus 6:33 (NAA)

Todos nós estamos construindo algo. A pergunta não é se estamos edificando — é o que estamos colocando em primeiro lugar na construção da nossa vida. Essa construção não tem a ver com paredes, telhados ou qualquer obra visível. Trata-se da arquitetura invisível da alma — aquilo que forma nosso caráter, influencia as pessoas ao nosso redor e aponta para a eternidade.

A Bíblia nos mostra um contraste muito claro entre dois homens que caminharam juntos por um tempo: Abraão e Ló. Enquanto Abraão levantava tendas e altares, Ló levantava apenas tendas. A tenda fala da vida na terra — do lugar onde moramos, trabalhamos e organizamos nossa rotina. O altar fala do céu — do lugar onde reconhecemos que Deus está no controle de tudo.

Em Gênesis, vemos que Abraão tinha o hábito de edificar altares por onde passava. “Abraão mudou as suas tendas e foi morar nos carvalhais de Manre, que estão junto a Hebrom; e edificou ali um altar ao Senhor.” Gênesis 13:18 (NAA). Antes de se sentir totalmente instalado em um lugar, ele estabelecia um espaço de adoração. Era sua forma de declarar: “Deus vem primeiro.”

A tenda podia ser desmontada a qualquer momento, mas o altar representava uma decisão permanente do coração.

Ló, por sua vez, parecia mais atento às oportunidades visíveis. Quando surgiu um conflito entre os pastores, ele escolheu a campina do Jordão porque era bem regada e tinha aparência de prosperidade. “Ló levantou os olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada.” Gênesis 13:10 (NAA). Seus olhos decidiram o caminho.

Aqui aprendemos algo importante: nem tudo que parece bom é direção de Deus. Nem toda oportunidade é propósito. O altar mantém nosso coração alinhado; sem ele, nossas escolhas passam a ser guiadas apenas pela conveniência.

O texto bíblico diz ainda que Ló “armou as suas tendas até Sodoma.” Gênesis 13:12 (NAA). Primeiro ele olhou, depois se aproximou, e quando percebeu já estava vivendo dentro de uma cidade marcada pela corrupção. A queda quase nunca acontece de uma vez — geralmente começa com pequenas aproximações.

O altar nos mantém a uma distância segura. Sua ausência torna a adaptação ao mundo algo quase imperceptível. A distância entre o altar e Sodoma costuma revelar a saúde da nossa alma.

Deus chamou Abraão para algo muito maior do que prosperidade. “Sê tu uma bênção.” Gênesis 12:2 (NAA). Sua vida não seria apenas sobre possuir terras, mas sobre transmitir vida às próximas gerações. Abraão entendeu que sucesso verdadeiro não é apenas conquistar coisas — é deixar um legado espiritual.

Ló prosperou por um tempo, mas sua história não deixou a mesma marca. Isso nos leva a uma pergunta necessária: estamos construindo apenas patrimônio ou também estamos construindo legado?

O altar não era apenas um monte de pedras. Era um sinal visível de dependência. Mostrava que Deus vinha antes da segurança, antes dos planos e antes da estabilidade. A tenda abrigava o corpo; o altar guardava o coração.

Talvez o maior risco da vida espiritual não seja rejeitar Deus, mas simplesmente não lhe dar o primeiro lugar.

Isso continua extremamente atual. Há pessoas construindo carreiras brilhantes, mas perdendo a família. Outras acumulam bens, porém vivem vazias por dentro. Também há aquelas que decidiram priorizar Deus — e essas constroem algo que o tempo não consegue destruir.

Jesus contou uma parábola que ilustra bem essa verdade. “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha.” Mateus 7:24 (NAA). O problema nunca foi construir — ambos os homens da parábola construíram. A diferença estava no fundamento.

A vida que teremos amanhã está sendo construída nas decisões que tomamos hoje. Construímos uma história por meio das nossas escolhas, um caráter nas provas silenciosas e uma influência que alcança nossos filhos, amigos e irmãos na fé. Mesmo quem não ocupa posição de liderança influencia alguém.

Filhos observam mais do que escutam. Amigos percebem nossas prioridades. A igreja enxerga onde colocamos nosso coração. Por isso, nunca subestime o poder silencioso da sua influência.

O altar define o futuro, porque revela quem ocupa o primeiro lugar. Uma vida sem altar pode até crescer por fora, mas começa a esvaziar por dentro.

No fim das contas, não seremos lembrados pelo tamanho das tendas que levantamos, mas pelo altar que nunca deixamos cair. Tendas abrigam a vida presente; altares sustentam a vida inteira.

Todos somos construtores — a diferença está naquilo que escolhemos levantar. Há quem construa uma carreira e perca a alma. Há quem construa conforto e perca o propósito. Mas há quem construa um altar — e esses nunca constroem em vão.

Porque, quando Deus ocupa o centro, todo o resto encontra o seu lugar.

“A tenda revela onde vivemos; o altar revela a quem pertencemos.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

18/fev/26

  

PRIMEIRO A VOZ, DEPOIS A PORTA.

 “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” João 10:27 (NAA)

A vida cristã começa com algo muito simples, porém profundamente transformador: aprender a ouvir a voz de Deus. Antes de grandes experiências espirituais, antes de respostas extraordinárias e até antes de compreender muitas coisas da fé, Deus deseja encontrar um coração disposto a escutar.

Em Apocalipse, vemos isso com muita clareza na experiência do apóstolo João. Ele escreve: “Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês, escreve em livro…” Apocalipse 1:10–11 (NAA). Observe que tudo começa no ouvir. João não vê primeiro — ele ouve primeiro. A revelação nasce de um coração atento.

Mais adiante, o texto diz: “Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui…” Apocalipse 4:1 (NAA). A mesma voz que João ouviu no início agora o convida a subir. Existe uma ordem espiritual muito bonita aqui: primeiro a voz, depois a resposta, então a porta se abre e, por fim, vem a revelação.

Isso nos ensina que Deus não se revela aos curiosos, mas àqueles que aprendem a ouvir e obedecer. João ouviu, respondeu ao chamado e foi conduzido a algo maior. O mesmo acontece conosco. Muitas vezes queremos que Deus nos mostre tudo de uma vez, mas Ele começa falando ao nosso coração.

Jesus deixou isso ainda mais claro quando afirmou: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” João 10:27 (NAA). Ouvir a voz de Cristo não é algo raro ou reservado para pessoas especiais — é a marca daqueles que pertencem a Ele. O povo de Deus vive, decide e caminha a partir dessa escuta.

Ouvir a voz do Senhor define nossa identidade. Jesus não disse que suas ovelhas tentam ouvir — Ele disse que elas ouvem. Isso significa que reconhecer a voz do Pastor faz parte de quem somos. A igreja não se sustenta apenas em programações, estruturas ou atividades. Sua verdadeira força está em permanecer sensível ao que Deus está dizendo.

Essa voz também nasce do relacionamento. Jesus afirmou: “Eu as conheço.” Não se trata apenas de saber coisas sobre Deus, mas de caminhar com Ele diariamente. Quanto mais nos aproximamos do Senhor por meio da oração e da leitura da Palavra, mais fácil se torna reconhecer Sua direção. É como acontece em uma família: quanto mais convivemos com alguém, mais identificamos sua voz, mesmo em meio a muitos sons.

Vivemos, porém, em um tempo cheio de barulho. São opiniões, notícias, conselhos e tantas vozes tentando nos guiar. Por isso, precisamos aprender a discernir o que realmente vem de Deus. A voz de Cristo nunca nos leva à confusão, ao orgulho ou ao afastamento do amor. Pelo contrário, ela sempre nos conduz à verdade, à humildade e à vida.

Um exemplo simples dos nossos dias pode ajudar. Pense em alguém que está prestes a tomar uma decisão importante — trocar de emprego, iniciar um relacionamento ou mudar de cidade. Muitos olham apenas para salário, oportunidades ou aparência. Mas quem aprende a ouvir a voz de Deus pergunta primeiro: “Senhor, esse é o caminho?” Nem tudo que parece bom é direção do céu.

Outro exemplo está nas pequenas escolhas diárias. Às vezes Deus fala ao nosso coração para perdoar alguém, pedir desculpas ou ajudar quem está passando por necessidade. Não são decisões grandiosas aos olhos humanos, mas revelam um coração que aprende a seguir o Pastor.

E aqui está uma verdade importante: ouvir implica obedecer. Não adianta apenas escutar uma mensagem, sentir-se tocado e continuar vivendo da mesma maneira. Jesus disse que suas ovelhas ouvem e seguem. A voz do Senhor sempre nos chama para um caminho — mesmo quando esse caminho exige fé, mudança ou renúncia.

Quando a igreja aprende a viver assim, experimenta segurança. A voz de Cristo não apenas orienta — ela sustenta. Em tempos de dúvida, ela traz paz. Em momentos de medo, ela oferece direção. Seguir essa voz não significa ausência de dificuldades, mas certeza de que não estamos caminhando sozinhos.

Talvez hoje a maior necessidade da igreja não seja mais informação, nem mais atividades, mas corações sensíveis. Deus continua falando. A pergunta é: estamos ouvindo?

Quem ignora a voz do Senhor pode até continuar andando, mas corre o risco de se perder. Quem ouve e responde descobre que sempre existe uma porta aberta preparada por Deus.

Assim como João, somos convidados a subir — a viver uma fé mais profunda, mais consciente e mais dependente do Senhor. Tudo começa quando decidimos silenciar o coração para escutar.

Porque, quando Deus fala e alguém responde, novos caminhos se abrem, e o céu deixa de ser apenas uma promessa distante para se tornar direção presente.

“A porta do céu se abre para quem aprende a ouvir a voz de Deus.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

17/fev/26

  DESCANSO NA SOMBRA DO ONIPOTENTE “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.” Salmos 91:1 (NAA) ...