A IGREJA QUE NÃO PODEMOS ABANDONAR
“Não deixemos
de nos congregar, como é costume de alguns; pelo contrário, façamos
admoestações e tanto mais quanto vocês veem que o Dia se aproxima.”
Hebreus 10:25 (NAA)
No início da
caminhada cristã, muitas pessoas enxergam a fé de forma individual. Pensam que
seguir a Cristo é algo apenas entre elas e Deus. Oram sozinhas, leem a Bíblia
quando podem e acreditam que isso já é suficiente. Com o tempo, porém, a
Palavra nos ensina que a vida cristã não foi feita para ser vivida de maneira
isolada. Deus nos chamou para fazer parte de um corpo, e esse corpo é a igreja.
A Bíblia mostra que
a igreja não é um prédio, nem um evento semanal. A igreja é formada por pessoas
que foram alcançadas por Cristo e agora vivem conectadas umas às outras. “Assim
como o corpo é um e tem muitos membros… assim também é Cristo.” 1
Coríntios 12:12 (NAA). Isso significa que cada pessoa tem um papel, uma função,
uma importância. Quando alguém se afasta, não é apenas ela que perde, todo o
corpo sente.
Muitos ainda não
perceberam o quanto os cultos e as reuniões da igreja contribuem para o
crescimento espiritual. Há quem vá por hábito, como quem faz algo automático,
sem refletir. Outros participam apenas quando sentem necessidade. O problema
não está apenas em ir pouco, e sim em não entender o valor da comunhão.
Um exemplo simples
ajuda a entender isso. Algumas pessoas tratam a igreja como um posto de
combustível. Param quando estão “vazias”, recebem uma palavra, uma oração, um
momento de adoração, e depois seguem sua vida normalmente. Escolhem o dia mais
conveniente, o culto que mais agrada, e voltam para seus próprios planos sem
compromisso com o corpo. Essa postura revela uma fé centrada em si mesma, e não
em Deus.
Na prática, vemos
isso acontecer com frequência. Há igrejas com cultos em vários dias da semana,
porém o grupo de pessoas muda constantemente. Alguns vão apenas no culto mais
animado, outros apenas no dia em que esperam receber alguma bênção específica. O
culto de ensino, por exemplo, muitas vezes fica vazio. Já o culto de domingo
costuma encher. Isso revela uma escolha baseada no interesse pessoal, e não no
entendimento do que é ser igreja.
Essa realidade
levanta uma pergunta importante: se somos corpo de Cristo, por que tantas
partes estão ausentes? Por que tantos vivem desconectados? Em muitos casos,
porque perderam a visão do que a igreja realmente é. Passaram a enxergar a
igreja como um lugar que deve oferecer algo, e não como um ambiente onde também
devem servir.
Esse tipo de
pensamento transforma o cristão em consumidor. Ele chega perguntando: “O que
essa igreja tem para me oferecer?” Em vez de perguntar: “Como posso servir
aqui?” Isso é perigoso, porque afasta a pessoa do propósito de Deus. A fé passa
a ser guiada por sentimentos, experiências ou conveniência, e não pela direção
da Palavra.
A verdade é que a
igreja não nasceu da vontade humana. Ela surgiu no coração de Deus. Antes mesmo
da criação do mundo, o Senhor já tinha um plano de formar um povo para si. A
igreja é preciosa, porque pertence a Cristo. A Bíblia diz que Ele “amou a
igreja e se entregou por ela.” Efésios 5:25 (NAA). Isso mostra o valor
que Deus dá ao seu povo.
Quando alguém
rejeita a igreja, na prática está rejeitando aquilo que Jesus ama. Não é
possível amar a Cristo e desprezar o corpo ao qual Ele pertence. A igreja não é
perfeita, pois é formada por pessoas em processo de transformação. Ainda assim,
continua sendo o instrumento que Deus usa para manifestar sua graça ao mundo.
É por meio da
igreja que aprendemos, crescemos, somos corrigidos e encorajados. É na
convivência com outros irmãos que desenvolvemos paciência, perdão e amor.
Sozinho, ninguém amadurece plenamente. Deus usa pessoas para tratar pessoas.
Ele usa a comunhão para moldar o nosso caráter.
Há uma citação de
Jonh Stott que diz o seguinte: “Se a igreja do Senhor Jesus é central nos
propósitos de Deus, como vemos tanto na história como no Evangelho ela deve ser
também central em nossa vida. Como podemos tratar com leviandade o que Deus
trata com tanta seriedade? Como ousamos relegar à periferia aquilo que Deus
colocou no centro?”
Nos dias atuais,
isso se torna ainda mais necessário. Vivemos em um tempo de distrações,
isolamento e individualismo. Muitos preferem viver uma fé “à distância”, sem
compromisso real. No entanto, a Bíblia nos alerta que, quanto mais o Dia da
volta de Cristo se aproxima, mais precisamos estar juntos, fortalecendo uns aos
outros.
A caminhada cristã
não é uma corrida solitária. É uma jornada em família. Somos chamados para
caminhar lado a lado, ajudando uns aos outros a permanecer firmes. Cada culto,
cada reunião, cada momento de comunhão é uma oportunidade de crescimento e
edificação.
Talvez você perceba
que tem se afastado, ou que sua participação tem sido superficial. Ainda há
tempo de ajustar isso. Deus continua chamando seu povo para perto, não apenas
dEle, e também uns dos outros. Voltar-se para a comunhão é voltar ao plano de
Deus.
No final,
precisamos lembrar de uma verdade simples e profunda: não existe Evangelho
verdadeiro sem igreja. O que será arrebatado não é um grupo isolado, e sim um
corpo. Um povo unido, preparado, vivendo em comunhão.
Quem entende o
valor da igreja deixa de apenas frequentar um lugar e passa a viver como parte
de um corpo que Deus ama, sustenta e prepara para a eternidade.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
22/abr/26