AS ESCRITURAS NOS LEVAM ATÉ JESUS

“E, começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.” Lucas 24:27 (ARC).

Dois discípulos caminhavam para Emaús depois da morte de Jesus. Estavam tristes, confusos e decepcionados. Haviam colocado grande esperança nEle, mas agora tudo parecia terminado. Eles ainda não compreendiam que a cruz não havia sido o fracasso do plano de Deus. Pelo contrário, fazia parte daquilo que já havia sido anunciado nas Escrituras.

Enquanto caminhavam, o próprio Jesus Se aproximou e começou a conversar com eles. O mais impressionante é que estavam falando sobre Ele, mas não perceberam que Ele caminhava ao lado deles. Seus olhos ainda não O reconheciam.

Isso também pode acontecer conosco. Podemos falar sobre Jesus, ouvir mensagens sobre Ele, participar de cultos e até conhecer muitos versículos, mas ainda precisar que nosso entendimento seja aberto para compreendermos Quem Ele realmente é.

Jesus poderia simplesmente ter dito: “Sou Eu. Ressuscitei.” Mas fez algo diferente. Começou pelas Escrituras. “E, começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.” Lucas 24:27 (ARC).

Ele mostrou àqueles discípulos que Sua morte e ressurreição não eram acontecimentos isolados. Faziam parte do propósito de Deus anunciado muito antes. A Lei, os profetas e as promessas apontavam para Cristo.

Essa verdade combina perfeitamente com aquilo que Jesus já havia afirmado: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam.” João 5:39 (ARC).

A Bíblia não é apenas um conjunto de histórias antigas. Ela revela o agir de Deus na história e nos conduz até Jesus. Por isso, devemos tomar cuidado para não transformar a leitura bíblica apenas em busca de curiosidades, regras ou respostas rápidas para nossos problemas. O grande centro das Escrituras é Cristo.

Imagine alguém que recebe uma carta muito importante, mas passa horas admirando o papel, a letra e a tinta sem prestar atenção na mensagem. Pode conhecer cada detalhe da carta e, mesmo assim, perder aquilo que ela queria comunicar. Da mesma forma, podemos estudar muitos detalhes da Bíblia e deixar de perceber para Quem ela aponta.

Jesus também ensinou que Suas palavras estavam em perfeita comunhão com o Pai: “Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.” João 14:10 (ARC).

Ao ouvir Jesus, aqueles discípulos estavam ouvindo a verdade de Deus sendo explicada diante deles. Pouco a pouco, algo começou a acontecer no coração dos dois. A tristeza não desapareceu imediatamente, mas as Escrituras começaram a ganhar sentido.

Isso também acontece conosco. Há momentos em que abrimos a Bíblia carregando preocupações, dúvidas e decepções. Talvez não encontremos imediatamente a resposta que esperávamos, mas, à medida que compreendemos a Palavra, nosso coração começa a mudar. Às vezes Deus não muda primeiro as circunstâncias; muda nossa maneira de enxergá-las.

O Espírito Santo também participa dessa obra de revelar a verdade ao coração humano. Jesus afirmou: “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo.” João 16:8 (ARC).

É o Espírito Santo Quem nos faz perceber nossa necessidade de Cristo, ilumina nosso entendimento e nos conduz à verdade. Ele não chama atenção para Si mesmo de maneira isolada, mas nos leva a reconhecer Jesus e aquilo que Ele realizou por nós.

Ao chegarem a Emaús, Jesus entrou com aqueles discípulos. Então, durante a refeição, algo extraordinário aconteceu: “Abriram-se-lhes, então, os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes.” Lucas 24:31 (ARC).

Eles finalmente perceberam Quem havia caminhado com eles durante todo aquele tempo.

Logo depois disseram: “Porventura, não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava e quando nos abria as Escrituras?” Lucas 24:32 (ARC).

A tristeza deu lugar à esperança. O caminho que parecia apenas uma viagem marcada pela decepção tornou-se um encontro com o Cristo ressuscitado.

Quantas vezes também caminhamos sem perceber que Jesus está mais perto do que imaginamos? Podemos estar atravessando uma perda, uma enfermidade, uma frustração familiar ou um período de dúvidas. Talvez ainda não consigamos entender tudo. Mas podemos abrir as Escrituras e pedir ao Espírito Santo: “Mostra-me Cristo nesta Palavra. Abre meu entendimento.”

A Bíblia cumpre seu propósito mais profundo quando não apenas aumenta nosso conhecimento, mas faz nosso coração reconhecer Jesus.

As Escrituras são o caminho pelo qual Deus abre nossos olhos para reconhecer Cristo; e, quando Jesus deixa de ser apenas um nome conhecido e passa a ser revelado ao coração, a tristeza pode dar lugar à esperança e o caminho voltar a fazer sentido.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

19/out/26

 

O PÁSSARO CONTINUA CANTANDO

“Quanto a mim, esperarei sempre e te louvarei cada vez mais.” Salmo 71:14 (NAA).

O que dizer da esperança?

A esperança é como alguém que continua olhando para o horizonte mesmo quando tudo ao redor parece vazio. É como um pássaro que canta em um galho coberto de neve, mesmo quando o cenário parece frio e sem vida. A esperança não depende de um lugar perfeito, de uma data certa ou de circunstâncias favoráveis. Ela continua existindo porque está firmada em algo maior do que aquilo que os nossos olhos conseguem enxergar.

Quem espera no Senhor sempre encontra motivos para continuar. Nem sempre temos respostas. Nem sempre sabemos quando uma situação vai mudar. Nem sempre entendemos por que certas portas permanecem fechadas. Mas sabemos em Quem temos crido. E isso faz toda a diferença.

O salmista declara: “Quanto a mim, esperarei sempre e te louvarei cada vez mais.” Salmo 71:14 (NAA).  Observe a força dessas duas expressões: “esperarei sempre” e “cada vez mais.”

Ele não diz: “Esperarei enquanto tudo estiver indo bem.” Também não diz: “Louvarei enquanto receber aquilo que pedi.” Sua decisão é outra: continuar esperando e continuar louvando. Essa é uma esperança madura.

A esperança cristã não é simples otimismo. Não é dizer que tudo vai dar certo apenas porque desejamos isso. É confiar que, mesmo quando não entendemos o caminho, Deus continua sendo fiel. É saber que nossa vida está nas mãos dEle e que nenhuma circunstância é maior do que Sua presença.

Há momentos em que esperamos por uma resposta médica, por uma oportunidade de trabalho, pela restauração de uma família, pela conversão de alguém que amamos, por uma porta que parece não se abrir ou pela solução de um problema que se arrasta há anos. Nessas horas, a esperança pode parecer pequena. Mas esperança não precisa fazer barulho para estar viva.

Às vezes, esperança é apenas levantar pela manhã e continuar. É orar novamente. É abrir a Bíblia mais uma vez. É voltar a dizer: “Senhor, eu ainda confio em Ti.”

O salmo 71 é especialmente bonito porque fala de alguém que já havia atravessado muitos anos. O salmista olha para trás e percebe que Deus o acompanhava desde a juventude. Mais adiante, ele declara: “Tu me tens ensinado, ó Deus, desde a minha mocidade; e até agora tenho anunciado as Tuas maravilhas.” Salmo 71:17 (NAA).

Ele tinha motivos para se lembrar das dificuldades, mas escolheu também se lembrar da fidelidade de Deus. É isso que sustenta a esperança: memória.

Quando recordamos quantas vezes Deus já nos sustentou, começamos a enxergar o futuro de maneira diferente. Talvez ainda não saibamos como Ele agirá amanhã, mas sabemos que Ele não nos abandonou ontem. Por isso, esperança e louvor aparecem juntas. Quem espera em Deus encontra razões para adorá-Lo mesmo antes da resposta chegar.

O salmista parecia nunca considerar suficiente o louvor que já havia oferecido. Ele diz: “te louvarei cada vez mais.” É como se dissesse: “Senhor, tudo o que já fiz ainda não expressa toda a minha gratidão. Enquanto eu viver, quero Te louvar mais.” Esse também deveria ser o nosso lema: mais e mais.

Mais esperança quando o desânimo chegar. Mais confiança quando as circunstâncias parecerem difíceis. Mais oração quando a resposta demorar. Mais gratidão quando lembrarmos de tudo o que Deus já fez. Mais louvor enquanto houver fôlego.

Nossa tendência muitas vezes é fazer o contrário. Quando as dificuldades aumentam, diminuímos a oração. Quando a espera se prolonga, diminuímos a esperança. Quando nos frustramos, diminuímos o louvor.

O salmista escolhe outro caminho.

Quanto maior a caminhada, mais esperança. Quanto mais experiências com Deus, mais louvor. Quanto mais anos passam, mais razões para confiar.

Talvez estejamos atravessando um inverno da vida e olhando apenas para os galhos cobertos de neve. Mas o pássaro continua cantando porque o inverno não é eterno. A esperança também canta.

Ela canta porque conhece o Deus que continua trabalhando mesmo quando ainda não conseguimos enxergar os primeiros sinais da primavera.

Por isso, não permita que a demora mate sua esperança. Continue esperando. Continue confiando. Continue louvando. E faça das palavras do salmista o seu lema: “Esperarei sempre e Te louvarei cada vez mais.”

A esperança verdadeira não espera apenas dias melhores; ela espera no Senhor e transforma cada dia de espera em mais um motivo para louvá-Lo.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

18/out/26

 

NÃO DEIXE A MÁGOA MORAR EM VOCÊ

“Cuidem para que ninguém fique afastado da graça de Deus, e que nenhuma raiz de amargura, brotando, cause perturbação, e, por meio dela, muitos sejam contaminados.” Hebreus 12:15 (NAA).

A mágoa começa quase sempre com uma ferida. Pode ser uma palavra dura, uma traição, uma injustiça, uma decepção, uma promessa quebrada ou algo que esperávamos de alguém e não aconteceu.

No começo, sentimos dor. Isso é humano. O problema começa quando essa dor não é tratada e passa a ocupar espaço dentro de nós. Então a mágoa vira ressentimento, o ressentimento vira amargura e a amargura começa a mudar nossa maneira de pensar, sentir e agir.

Há muita gente vivendo assim. Trabalha, conversa, sorri, frequenta a igreja, convive com a família, mas por dentro está cheia de feridas antigas. São pessoas que guardaram tantas palavras, tantas decepções e tantos acontecimentos dolorosos que quase não conseguem mais separar o que aconteceu no passado daquilo que estão vivendo hoje.

Guardar mágoa não é sabedoria. É carregar dentro de nós algo que continua nos ferindo, mesmo depois que o acontecimento já passou.

Quando guardamos ressentimento, é como se mantivéssemos um arquivo aberto no “HD” do coração. A pessoa que nos feriu passa a ocupar nossos pensamentos sem nem estar presente. Lembramos do que ela fez de manhã, durante o dia, antes de dormir. Às vezes perdemos o sono, a alegria, a paz e até a vontade de estar perto de outras pessoas. Sem perceber, começamos a viver presos àquilo que nos machucou.

É por isso que Hebreus fala de uma “raiz de amargura”. A raiz fica escondida debaixo da terra, mas aquilo que ela produz aparece do lado de fora. Assim também acontece com a mágoa. Às vezes ela ficou escondida durante anos, mas começa a aparecer na irritação, na dureza, na desconfiança, na dificuldade de receber carinho, no afastamento e na incapacidade de perdoar – são os frutos.

A primeira atitude para lidar com a mágoa é reconhecê-la. Não adianta dizer: “Não foi nada”, quando foi. Não adianta fingir que não doeu. Diante de Deus, podemos ser sinceros. Podemos dizer: “Senhor, isso me feriu. Eu ainda me lembro. Eu ainda sofro quando penso nisso.” Deus conhece nosso coração e não precisamos esconder dEle aquilo que está doendo. Depois vem um passo difícil, mas necessário: o perdão.

Perdoar não significa dizer que aquilo que fizeram conosco estava certo. Não significa fingir que nada aconteceu. Também não significa que toda relação precisa voltar a ser exatamente como era antes. Há situações em que a prudência exige limites e até distância.

Perdoar significa decidir não continuar alimentando a dívida dentro do coração. Significa entregar a justiça a Deus e deixar de viver escravo daquele acontecimento.

Paulo ensina: “Que não haja no meio de vocês qualquer amargura, indignação, ira, gritaria e blasfêmia, bem como qualquer maldade. Pelo contrário, sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando uns aos outros, como também Deus, em Cristo, perdoou vocês.” Efésios 4:31-32 (NAA). A medida do perdão cristão está aqui: “como também Deus, em Cristo, perdoou vocês.”

Perdoar é tratar a outra pessoa a partir da graça que nós mesmos recebemos de Deus. Não fazemos isso porque somos superiores, mas porque também fomos perdoados.

Às vezes pensamos que perdão é esquecer completamente. Nem sempre é assim. Existem coisas que nossa memória não apaga. O verdadeiro sinal de cura não é necessariamente esquecer o que aconteceu, mas lembrar sem permitir que aquela lembrança continue governando nossa vida.

Há perdões que acontecem em um momento. Outros precisam ser reafirmados muitas vezes. A memória volta, a dor tenta reaparecer e, novamente, precisamos dizer diante de Deus: “Eu não quero alimentar isso. Eu entrego novamente essa pessoa e essa situação em Tuas mãos.”

Também existem feridas profundas que precisam de ajuda. Algumas precisam de conversa. Outras de aconselhamento pastoral. Em certos casos, a pessoa pode precisar de acompanhamento psicológico. Buscar ajuda não significa falta de fé. Pelo contrário, pode ser parte do processo de cura. Jesus não nos chamou para viver presos ao passado. Ele nos chamou para a liberdade.

Por isso, não permita que alguém que o feriu no passado continue comandando suas emoções no presente. Não entregue a essa pessoa o poder de roubar sua paz todos os dias.

A mágoa começa como uma ferida causada por alguém, mas, quando a alimentamos, passa a morar dentro de nós e a nos ferir continuamente.

Deixe Deus tocar nessa ferida. Perdoe. Coloque limites quando necessário. Procure ajuda quando precisar. E permita que a graça de Cristo faça no seu coração aquilo que o ressentimento nunca poderá fazer: curar, libertar e devolver a paz.

Perdoar não muda aquilo que aconteceu no passado, mas impede que o passado continue decidindo como viveremos o presente.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

17/out/26

 

O QUE AINDA FALTA?

 “E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei, para conseguir a vida eterna?” Mateus 19:16 (ARC).

 A pergunta daquele jovem continua muito atual: “Que bem farei, para conseguir a vida eterna?” Ele não parecia ser uma pessoa indiferente às coisas de Deus. Conhecia os mandamentos, tinha formação religiosa e demonstrava preocupação com a eternidade.  Aos olhos de muitas pessoas, provavelmente seria considerado um bom homem. Entretanto, havia algo que ainda precisava ser tratado em seu coração.

Depois de ouvir Jesus mencionar os mandamentos, ele respondeu: “Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?” Mateus 19:20 (ARC).  Essa talvez seja a pergunta mais importante daquele encontro: “Que me falta ainda?”

O jovem possuía religião, conhecimento e riquezas. Sabia muitas coisas a respeito da Lei e acreditava que havia procurado obedecê-la. Mesmo assim, alguma coisa dentro dele dizia que ainda faltava algo. Ele tinha muito, mas não tinha encontrado a segurança da vida eterna.

Também hoje alguém pode crescer em uma família cristã, frequentar cultos durante muitos anos, conhecer hinos, decorar versículos e participar das atividades da igreja. Pode ser uma pessoa correta, respeitada e generosa. Tudo isso possui valor, mas nenhuma dessas coisas substitui um relacionamento verdadeiro com Jesus.

Os religiosos dos dias de Cristo também conheciam as Escrituras. No entanto, Jesus lhes disse: “..._mas bem vos conheço, que não tendes em vós o amor de Deus.” João 5:42 (ARC).

O problema não estava em conhecer a Lei. O problema estava em conhecer a Lei sem permitir que ela os conduzisse Àquele para Quem ela apontava.

Jesus então tocou exatamente no ponto mais sensível daquele jovem: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem e segue-me.” Mateus 19:21 (ARC).

A questão principal não era simplesmente possuir dinheiro. A Bíblia apresenta pessoas de fé que possuíam bens. O problema era o lugar que aqueles bens ocupavam no coração daquele jovem. Jesus mostrou que havia algo que ele não estava disposto a entregar. O texto nos diz que ele “..._retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades.” Mateus 19:22 (ARC).  Ele queria a vida eterna, mas não estava disposto a seguir Jesus acima de todas as coisas.

Isso nos leva a uma pergunta pessoal: o que ocupa em nosso coração um lugar que deveria pertencer a Cristo?

Para alguém pode ser o dinheiro. Para outro, uma posição profissional. Pode ser um relacionamento, o orgulho, uma tradição, o desejo de reconhecimento ou simplesmente a vontade de continuar conduzindo a própria vida sem permitir que Jesus seja Senhor sobre ela.

Imagine uma pessoa que diz: “Quero seguir Jesus, desde que Ele não interfira nesta área da minha vida.” Na prática, ela está fazendo algo semelhante ao jovem rico. Está dizendo: “Senhor, podes ter quase tudo, mas isto continua sendo meu.”

Jesus não chamou aquele jovem apenas para abrir mão de alguma coisa. Chamou-o para algo muito maior: “vem e segue-me.”

Ali estava a verdadeira riqueza que ele não conseguiu perceber. A vida eterna não estava em suas propriedades, em suas boas obras nem em sua capacidade de cumprir regras. A vida estava diante dele, na Pessoa de Jesus. Por isso Cristo declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14:6 (ARC).  Jesus não disse: “Eu conheço um caminho.” Ele disse: “Eu sou o caminho.”

Essa verdade é especialmente importante em nossos dias. Vivemos em uma sociedade que oferece muitos caminhos para a realização pessoal. Algumas pessoas confiam no dinheiro; outras, na carreira, na religião, na própria bondade ou em experiências espirituais. Mas nenhuma dessas coisas pode fazer aquilo que somente Cristo pode realizar.

Pedro declarou: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” Atos 4:12 (ARC).

O jovem rico estava procurando alguma coisa que pudesse fazer para alcançar a vida eterna. Jesus mostrou que, antes de tudo, ele precisava aprender a seguir.

Talvez esse seja também o nosso desafio. Podemos passar muito tempo perguntando: “O que mais preciso fazer?”, quando Jesus continua dizendo: “Vem e segue-me.” Segui-Lo significa confiar nEle, reconhecer Sua autoridade, permitir que Ele ocupe o primeiro lugar e compreender que nada deste mundo pode substituir aquilo que somente Ele pode oferecer.

O jovem chegou perto da vida eterna, conversou com Jesus, ouviu Seu convite e, mesmo assim, foi embora triste. Não porque possuísse pouco. Mas porque possuía algo de que não conseguiu abrir mão para seguir Aquele que poderia lhe dar tudo aquilo de que realmente precisava.

Podemos possuir muitas coisas e ainda sentir que falta algo; o vazio mais profundo do coração só encontra resposta quando deixamos de confiar no que temos e decidimos seguir Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

16/out/26

 

LEVE A TUA DOR A JESUS

“Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e Eu os aliviarei.” Mateus 11:28 (NAA).

Vivemos dias em que muitas pessoas enfrentam ansiedade, depressão, medo, esgotamento, solidão e outros sofrimentos emocionais. Consultórios médicos e psicológicos estão cheios, famílias procuram respostas e muita gente tenta continuar a rotina enquanto, por dentro, trava batalhas que ninguém vê. Diante disso, surgem perguntas importantes: por que tantas pessoas sofrem? Como lidar com aquilo que acontece dentro de nós? Onde encontrar esperança quando a mente parece não conseguir descansar?

A Bíblia não trata o sofrimento humano com desprezo. Jesus nunca agiu como se a dor fosse falta de fé ou fraqueza moral. Pelo contrário, Ele Se aproximava de pessoas cansadas, feridas, angustiadas e sobrecarregadas. Seu convite continua atual: “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e Eu os aliviarei.” Mateus 11:28 (NAA).

No versículo seguinte, Jesus acrescenta: “Tomem sobre vocês o Meu jugo e aprendam de Mim, porque sou manso e humilde de coração; e vocês acharão descanso para a sua alma.” Mateus 11:29 (NAA).

Esse descanso não significa que todos os problemas desaparecerão imediatamente. Significa que não precisamos enfrentar tudo sozinhos. Podemos colocar diante dEle aquilo que nos preocupa, aquilo que nos assusta e até aquilo que não conseguimos explicar.

Há pessoas que acordam pela manhã já cansadas. Outras deitam-se, mas a mente continua trabalhando sem parar. Algumas conseguem sorrir diante dos outros, trabalhar, cuidar da família e cumprir suas responsabilidades, enquanto carregam por dentro uma dor profunda. Deus conhece também essa parte da nossa vida. Ele vê aquilo que as pessoas não enxergam e conhece aquilo que muitas vezes nem conseguimos colocar em palavras.

Isso, porém, não significa que a fé elimine automaticamente todo sofrimento emocional ou psicológico. O próprio Jesus deixou claro que a vida teria momentos difíceis. A presença de Deus não significa ausência de aflições. Significa que, mesmo dentro delas, não estamos abandonados.

A promessa de Isaías mostra isso de maneira muito bonita: “Quando você passar pelas águas, Eu estarei com você; quando passar pelos rios, eles não o submergirão; quando passar pelo fogo, você não se queimará; as chamas não o atingirão.” Isaías 43:2 (NAA). Observe que Deus não diz: “Você nunca passará pelas águas.” Ele diz: “Eu estarei com você.” Essa diferença é muito importante.

Às vezes, nossa oração é para que Deus retire imediatamente o problema, mas Sua resposta pode ser nos sustentar enquanto atravessamos a dificuldade. Há dores que desaparecem rapidamente; outras exigem tempo, tratamento, acompanhamento, paciência e perseverança.

Por isso, buscar ajuda não é sinal de falta de fé. Uma pessoa com sofrimento emocional pode orar, ler a Bíblia, conversar com irmãos maduros e, ao mesmo tempo, procurar um médico, psicólogo ou outro profissional capacitado. Deus pode cuidar de nós por diferentes meios. Assim como não consideramos falta de fé tratar uma enfermidade física, também não devemos desprezar o cuidado com a mente.

Paulo fala sobre uma transformação que alcança também nossos pensamentos: “E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12:2 (NAA).

Renovar a mente é permitir que a verdade de Deus confronte pensamentos que nos aprisionam. Muitas vezes pensamos: “Não há saída”, “ninguém se importa comigo”, “eu nunca vou melhorar”, “minha vida perdeu o sentido”. A Palavra nos ensina a não permitir que esses pensamentos tenham a última palavra. Mas renovar a mente não é simplesmente repetir frases positivas. É aprender a olhar para a vida à luz daquilo que Deus diz. Também significa reconhecer nossos limites.

Há momentos em que precisamos parar. Há situações em que precisamos dizer “não”. Há dias em que precisamos descansar. Há ocasiões em que precisamos admitir: “Eu não estou conseguindo sozinho.” Isso também é humildade.

Deus não nos criou para carregar o peso do mundo nas costas. Ele nos criou para depender dEle e também para caminharmos uns com os outros.

Talvez hoje alguém esteja lendo estas palavras enquanto enfrenta uma luta silenciosa. Continue buscando o Senhor, mas não esconda sua dor. Converse com alguém de confiança. Aceite ajuda. Procure acompanhamento quando necessário. Não transforme o sofrimento em segredo quando ele pode ser compartilhado e cuidado.

Jesus continua dizendo: “Venham a Mim.” Ele não promete que nunca teremos dias difíceis, mas promete Sua presença. E, muitas vezes, é justamente quando nossas forças diminuem que descobrimos que ainda podemos continuar porque não estamos caminhando sozinhos.

A fé não nos ensina a fingir que a dor não existe; ela nos ensina a levá-la a Cristo, aceitar o cuidado necessário e descobrir que, mesmo quando a mente se cansa, Sua presença ainda pode sustentar a nossa alma.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

15/out/26

 

DO TRONCO DE JESSÉ BROTOU A ESPERANÇA

“Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará.” Isaías 11:1 (ARC).

Talvez alguém considere Jessé uma figura pouco expressiva na Bíblia, principalmente quando comparado a seu filho Davi. Afinal, Davi foi pastor, guerreiro, rei, salmista e um dos personagens mais conhecidos das Escrituras. Jessé, por outro lado, aparece de maneira muito mais discreta. Mesmo assim, sua importância é muito maior do que pode parecer à primeira vista.

Jessé era filho de Obede, neto de Boaz e Rute e pai de Davi. Isso já o coloca numa linhagem muito especial. Sua família fazia parte da história que, muitos séculos depois, chegaria até Jesus Cristo. É justamente por isso que o nome de Jessé aparece com tanta força nas profecias messiânicas.

O profeta Isaías escreveu: “Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará.” Isaías 11:1 (ARC).

A imagem é muito bonita. Isaías fala de um tronco que parece ter sido cortado, como se aquela árvore já não tivesse futuro. A casa de Davi passaria por tempos de queda, enfraquecimento e aparente fim. Mas Deus prometeu que, daquele tronco, surgiria um novo rebento. Esse Renovo aponta para o Messias.

Poucos versículos depois, Isaías volta a falar de Jessé: “E acontecerá, naquele dia, que a raiz de Jessé, a qual estará posta por estandarte dos povos, será buscada pelas nações...” Isaías 11:10 (ARC).

Séculos mais tarde, o apóstolo Paulo cita essa profecia e a relaciona diretamente com Cristo: “Uma raiz em Jessé haverá, e, naquele que se levantar para reger os gentios, os gentios esperarão.” Romanos 15:12 (ARC).

Portanto, Jessé não aparece na Bíblia apenas como pai de Davi. Seu nome passa a fazer parte da própria linguagem usada por Deus para anunciar a vinda do Messias. Mas sua importância também aparece em outro momento marcante da história bíblica.

Em 1 Samuel 16, Deus envia o profeta Samuel à casa de Jessé, em Belém, para ungir o futuro rei de Israel. Jessé apresenta seus filhos mais velhos, um após outro, e Samuel chega a imaginar que alguns deles seriam os escolhidos. Mas Deus rejeita todos.

Então Samuel pergunta se havia mais algum filho. Jessé responde que ainda faltava o menor, Davi, que estava cuidando das ovelhas. Davi é chamado do campo, entra na presença do profeta e então Deus diz: “Levanta-te e unge-o, porque este mesmo é.” 1 Samuel 16:12 (ARC).

Assim, foi dentro da casa de Jessé que Deus revelou aquele que se tornaria o maior rei de Israel. Isso ajuda a entender por que, tantas vezes, Davi é chamado simplesmente de “filho de Jessé”.

A expressão aparece repetidamente nas Escrituras e servia para identificar sua origem. Davi era rei, mas continuava sendo o filho daquele homem de Belém. Seu título lembrava de onde ele havia vindo. E há algo muito bonito nisso.

Davi foi exaltado, mas sua história começou numa família simples, numa pequena cidade e numa casa onde ninguém imaginaria que Deus levantaria um rei.

Jessé talvez nunca tenha ocupado um trono, nunca tenha liderado um exército e nunca tenha escrito um salmo. Mesmo assim, seu nome ficou ligado para sempre à linhagem de Davi e, sobretudo, à linhagem do Messias. Isso fica ainda mais claro nas genealogias de Jesus.

Mateus registra: “E Obede gerou a Jessé, e Jessé gerou ao rei Davi.” Mateus 1:5-6 (ARC). Lucas também inclui Jessé na genealogia de Jesus em Lucas 3:32.

Portanto, longe de ser irrelevante, Jessé ocupa um lugar importante na história da redenção. Ele foi filho de Obede, neto de Boaz e Rute, pai de Davi e antepassado de Jesus segundo a carne. Seu nome atravessa a história bíblica desde Belém até as profecias messiânicas.

Por isso, quando lemos em 2 Samuel 23:1: “Diz Davi, filho de Jessé...” não estamos diante apenas de uma informação familiar. Há toda uma história por trás desse nome. Jessé representa uma família simples que Deus inseriu em Seu plano eterno.

De sua casa saiu Davi. Da linhagem de Davi veio o Messias. E aquilo que parecia apenas o nome de um pai tornou-se também parte da promessa de salvação.

Jessé talvez tenha sido discreto aos olhos dos homens, mas seu nome foi colocado por Deus dentro da história que conduziu até Jesus Cristo.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

14/out/26

 

AFINAL, DEUS TIRA A VIDA OU DÁ A VIDA?

“Porque certamente morreremos e seremos como águas derramadas na terra, que não se ajuntam mais. Deus, pois, lhe não tirará a vida, mas ideará pensamentos, para que se não desterre dele o seu desterrado.” 2 Samuel 14:14 (ARC).

A vida é um presente de Deus. O fôlego de vida soprado nas narinas do homem formado no Éden continua sendo, desde o princípio, uma lembrança de que nossa existência vem dEle. É Deus quem nos dá capacidade para viver, pensar, agir e nos relacionar. Ele é o Senhor da vida; Ele a concede e tem autoridade sobre ela.

A própria Escritura declara: “O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir.” 1 Samuel 2:6 (ARC).

Surge então uma pergunta que para muitos parece difícil: se Deus é amor, como entender os textos bíblicos nos quais Ele exerce juízo e esse juízo resulta na morte de alguém?

A Bíblia não esconde essa realidade. Nadabe e Abiú morreram quando saiu fogo de diante do Senhor. Ananias caiu morto depois de mentir a Deus. Herodes foi ferido por um anjo do Senhor porque não deu glória a Deus. Portanto, não podemos afirmar que Deus jamais tira a vida. A própria Palavra mostra que Ele é soberano sobre a vida e pode exercer juízo.

Mas aqui precisamos compreender uma diferença fundamental: uma coisa é Deus exercer juízo; outra é Deus ter prazer na morte do pecador.

O profeta Ezequiel deixa isso muito claro: “Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? Diz o Senhor Jeová; não desejo, antes, que se converta dos seus caminhos e viva?” Ezequiel 18:23 (ARC).

Deus pode julgar, mas Seu prazer não está na destruição. Seu desejo é que o pecador se arrependa, abandone seus caminhos e viva. A maior prova disso foi o envio de Seu próprio Filho. Deus não apenas declarou que desejava salvar o homem; Ele providenciou o meio pelo qual o homem poderia ser reconciliado com Ele.

É nesse ponto que 2 Samuel 14:14 se torna especialmente interessante.

Absalão havia fugido depois de matar seu irmão Amnom. Joabe desejava trazê-lo de volta e, para convencer Davi, enviou uma mulher de Tecoa ao rei. Portanto, é importante perceber que as palavras do nosso texto-base não são uma declaração direta de Deus. Elas fazem parte do argumento daquela mulher diante de Davi. Ela começa dizendo: “Porque certamente morreremos e seremos como águas derramadas na terra, que não se ajuntam mais.”

A figura é muito forte. Quando a água é derramada sobre a terra, não conseguimos recolhê-la novamente. Da mesma maneira, quando a vida termina, existem oportunidades que não podem ser recuperadas.

A mulher estava, em outras palavras, dizendo: “Davi, todos nós vamos morrer. Você morrerá, Absalão morrerá, todos morreremos. Por isso, enquanto ainda existe vida, há tempo para buscar a reconciliação.” É então que aparece a expressão: “Deus, pois, lhe não tirará a vida.”

Essa frase merece cuidado, porque o texto hebraico admite alguma dificuldade de tradução. A expressão contém o verbo nāśāʾ, que pode assumir diversos sentidos, e a palavra nefeš, que pode significar “vida”, “pessoa” ou “ser vivente”. Por isso, algumas traduções seguem a ideia de que “Deus não tira a vida”, enquanto outras entendem o texto de maneira diferente.

Isso é importante porque não devemos pegar essa frase isoladamente e concluir: “A Bíblia está dizendo que Deus nunca tira a vida.” Se fizéssemos isso, criaríamos uma contradição com 1 Samuel 2:6 e com muitos outros textos das Escrituras.

O ponto principal do versículo aparece logo depois: “...mas ideará pensamentos, para que se não desterre dele o seu desterrado.” Aqui está o coração da mensagem.

Deus é justo, mas também é misericordioso. Ele julga o pecado, porém providencia um caminho para o pecador afastado voltar. Ele não olha para o desterrado apenas para condená-lo; oferece-lhe a possibilidade de reconciliação. É exatamente isso que encontramos de maneira plena no Evangelho.

O pecado nos afastou de Deus. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” Romanos 6:23 (NAA).

Nós éramos os desterrados. O pecado criou uma separação que não conseguiríamos vencer por nossos próprios esforços. Mas Deus providenciou o meio para que pudéssemos voltar. Esse meio é Jesus Cristo.

Por isso, existe uma diferença enorme entre dizer “Deus nunca tira uma vida” e afirmar “Deus não tem prazer na morte do pecador e providencia um caminho para reconciliar aquele que está afastado.”

A segunda afirmação expressa muito melhor o conjunto da revelação bíblica.

Há ainda uma lição séria na história. Davi permitiu que Absalão voltasse para Jerusalém, mas a verdadeira reconciliação entre pai e filho não aconteceu. Absalão voltou fisicamente, mas seu coração permaneceu distante. Mais tarde, a história terminou tragicamente.

O Evangelho oferece algo muito maior. Deus não apenas permite que o desterrado retorne. Ele perdoa, transforma e restaura.

Afinal, Deus tira a vida ou dá a vida?

Ele é o Senhor da vida. Ele a dá e tem autoridade sobre ela. Como Juiz, pode tirá-la; como Deus misericordioso, não tem prazer na morte do pecador. Por isso, enquanto há vida, oferece ao afastado um caminho de volta.

E esse Caminho tem Nome: Jesus Cristo.

A morte nos lembra que o tempo para voltar é limitado; a graça nos revela que, enquanto há vida, Deus ainda mantém aberto o caminho da reconciliação.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

13/out/26

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