A FRASE QUE NINGUÉM QUER OUVIR DE JESUS
“Então lhes
direi claramente: ‘Eu nunca conheci vocês. Afastem-se de mim, vocês que
praticam o mal.’” Mateus 7:23 (NAA).
Poucas palavras de
Jesus são tão fortes quanto estas: “Eu nunca conheci vocês.” Talvez, ao
lê-las pela primeira vez, alguém se pergunte: Como Jesus pode dizer que não
conhece uma pessoa? Deus não conhece todas as coisas? Não sabe quem somos, onde
vivemos, o que pensamos e tudo o que fizemos?
É claro que sim.
Deus conhece perfeitamente cada ser humano. Portanto, quando Jesus diz “Eu
nunca conheci vocês”, Ele não está falando de conhecimento no sentido de
informação. Não significa que aquelas pessoas eram desconhecidas para Ele. A
palavra “conhecer”, nesse contexto, fala de relacionamento, comunhão e
pertencimento. É como se Jesus estivesse dizendo: “Vocês falaram a Meu
respeito, usaram o Meu Nome, fizeram coisas religiosas, mas nunca tiveram uma
verdadeira vida comigo.”
Isso se torna ainda
mais sério quando observamos o contexto. As pessoas mencionadas por Jesus não
eram ateias. Elas O chamavam de “Senhor”. Algumas haviam profetizado, expulsado
demônios e realizado obras impressionantes em Seu nome. Mesmo assim, Jesus
mostra que atividades religiosas não substituem um relacionamento verdadeiro
com Ele.
Esse alerta
continua muito atual. Uma pessoa pode frequentar uma igreja durante muitos
anos, conhecer hinos, participar da Ceia, ensinar uma classe bíblica, ocupar um
cargo, cantar no louvor ou até pregar a Palavra e, ainda assim, precisar
examinar sinceramente como está sua relação com Cristo. Podemos aprender a
linguagem da igreja sem permitir que Jesus transforme nosso coração.
Hoje existe ainda
outra possibilidade. Alguém pode publicar versículos todos os dias nas redes
sociais, compartilhar mensagens cristãs, escrever “Deus é fiel” em suas
postagens e até ser conhecido por todos como uma pessoa religiosa. Nada disso é
necessariamente errado. O problema começa quando nossa aparência cristã se
torna maior do que nossa comunhão com Cristo.
Paulo escreveu: “Mas,
se alguém ama a Deus, esse é conhecido por ele.” 1 Coríntios 8:3 (NAA).
Que expressão maravilhosa: “conhecido por Ele”. Existe uma diferença enorme
entre saber muitas coisas sobre Deus e viver pertencendo a Deus. Podemos
conhecer teologia, histórias bíblicas, doutrinas e versículos e, ainda assim,
perder de vista Aquele para Quem toda a Escritura aponta.
Jesus apresenta
essa relação de maneira muito simples quando diz: “Eu sou o bom pastor.
Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem.” João 10:14 (NAA).
A ovelha pertence
ao Pastor. Ela reconhece Sua voz, depende dEle e O segue. É essa relação que
Jesus deseja conosco. Não uma religião mantida apenas pelas aparências, mas uma
vida ligada a Ele.
Isso não significa
que o verdadeiro cristão nunca erre. Pedro errou. Davi errou. Muitos homens e
mulheres usados por Deus tiveram momentos de fraqueza, e a própria Bíblia não
procura esconder as falhas de nenhum deles. Pelo contrário, registra seus erros
para nos mostrar que a vida com Deus não é feita de perfeição humana, mas de
arrependimento, restauração e graça.
A diferença é que
quem pertence ao Senhor não deseja permanecer distante dEle. Quando cai, volta.
Quando peca, reconhece. Quando é corrigido pela Palavra, permite que Deus trate
seu coração.
Por isso, essa
passagem não foi dada para nos fazer viver aterrorizados, perguntando todos os
dias se Deus vai nos abandonar. Ela foi dada para nos impedir de construir uma
falsa segurança baseada apenas em atividades religiosas. Nossa esperança não
está em podermos dizer: “Senhor, veja tudo o que fiz para Ti.” Nossa esperança
está em Cristo, em Sua graça e na transformação que acontece na vida daqueles
que verdadeiramente Lhe pertencem.
Paulo escreveu
também: “O Senhor conhece os que lhe pertencem.” 2 Timóteo 2:19 (NAA).
Talvez, portanto, a
pergunta mais importante não seja: “As pessoas me consideram cristão?” Nem
mesmo: “Há quanto tempo frequento uma igreja?” A pergunta é mais profunda: Eu
pertenço verdadeiramente a Jesus?
Há uma enorme
diferença entre conhecer o Nome de Jesus e caminhar com Ele; entre falar dEle e
viver nEle; entre ter aparência religiosa e ter um coração transformado pela
Sua presença.
Um dia estaremos
diante dEle. Nesse momento, títulos, cargos, reputação, aplausos e aparência
perderão todo o valor. Que não estejamos entre aqueles que tentarão apresentar
suas realizações, mas entre aqueles que serão recebidos por Aquele a Quem
aprenderam a amar, seguir e obedecer.
Porque a maior
bênção da eternidade não será apenas podermos dizer: “Eu O conheço.” Será
ouvir, pela graça, a confirmação de que somos dEle e somos conhecidos por Ele.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
21/set/26