FILHOS QUE CONHECEM A DEUS DE VERDADE

“Ensine a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” Provérbios 22:6 (NAA)

Uma das maiores preocupações dos pais cristãos é ver seus filhos tendo uma experiência real com Deus. Não apenas frequentando a igreja, não apenas participando de atividades, mas conhecendo a Deus de verdade. Essa preocupação é legítima. Todo pai deseja ver seu filho no caminho do Senhor.

Muitos, porém, não sabem como fazer isso. Alguns acabam sendo superficiais na condução espiritual dos filhos. Outros procuram responsáveis fora de casa, colocando a culpa na igreja, nos líderes ou nas mensagens. Pensam que, se o filho não tem vida espiritual, a responsabilidade está em quem ensina. No entanto, a verdade é que essa construção começa dentro do lar.

Existe algo muito importante que precisa ser entendido: não conseguimos transferir uma experiência espiritual aos nossos filhos. Ninguém pode viver por eles aquilo que só eles podem viver. Porém, podemos criar o ambiente para que essa experiência aconteça. E tudo começa com o exemplo.

Filhos aprendem muito mais pelo que veem do que pelo que ouvem. Um pai pode falar sobre oração todos os dias, mas, se não ora, dificilmente formará filhos que oram. Por outro lado, quando os filhos veem oração sincera, leitura da Palavra e dependência de Deus, isso marca profundamente.  A Bíblia nos orienta claramente: “Sejam meus imitadores, como também eu sou de Cristo.” 1 Coríntios 11:1 (NAA)

Um pai que ora forma filhos que aprendem a respeitar a Deus. Um pai que apenas fala forma filhos que apenas escutam, mas não vivem.

Além do exemplo, é necessário criar momentos simples, porém verdadeiros. Não precisa ser algo pesado ou forçado. A vida espiritual se constrói no cotidiano. Uma oração antes de dormir, uma conversa sobre Deus durante o dia, a leitura de um versículo seguida de um comentário simples — tudo isso vai formando o coração. O segredo não está na quantidade, mas na constância e na sinceridade.

Outro ponto essencial é a forma como apresentamos Deus aos nossos filhos. Se Deus for apresentado apenas como regras, cobranças e pressão, o resultado será afastamento. O coração se fecha. Porém, quando eles entendem que Deus ama, cuida e se importa, algo muda dentro deles. “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti…” Salmos 63:1 (NAA). A verdadeira vida espiritual nasce quando o coração passa a desejar a Deus.

Também é necessário ensinar limites. Experiência com Deus não acontece sem direção. Filhos precisam de valores firmes, orientação clara e correção equilibrada. O amor sem limites gera descontrole, enquanto limites sem amor geram distância. O equilíbrio entre os dois constrói um ambiente saudável.

Outro ponto que não pode ser negligenciado é a oração dos pais. Há coisas que não se resolvem apenas na conversa. Existem batalhas que são espirituais. Por isso, pais precisam interceder pelos filhos. Orar pelas escolhas, pelas amizades, pelas decisões e pelo futuro espiritual deles é essencial. Muitas vezes, enquanto o filho não percebe, Deus já está trabalhando por meio da oração dos pais.

Por fim, algo precisa ficar muito claro: o encontro com Deus é pessoal.

Chegará um momento em que o Deus dos pais precisará se tornar o Deus do filho. Isso não pode ser forçado. Não acontece por pressão, nem por imposição. Esse encontro é construído ao longo do tempo, através do exemplo, da oração e de um ambiente espiritual saudável. Pais não podem viver no lugar dos filhos, mas podem preparar o caminho para que eles encontrem a Deus.

Vivemos dias em que muitos jovens estão dentro da igreja, mas ainda não tiveram um encontro verdadeiro com o Senhor. Isso nos leva a refletir sobre a importância do lar como base espiritual. Criar filhos não é apenas cuidar do presente, é preparar para a eternidade. Por isso, mais do que ensinar, é necessário viver. Mais do que cobrar, é necessário conduzir. Mais do que falar, é necessário mostrar.

E nunca se esqueça: não criamos filhos para a igreja, criamos filhos para Deus.

Filhos não herdam uma experiência com Deus, mas crescem em um ambiente onde essa experiência se torna possível — e, no tempo certo, encontram o Senhor por si mesmos.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

06/abr/26

 

QUANDO A PALAVRA SE PERDE E NINGUÉM PERCEBE

“Então o sumo sacerdote Hilquias disse ao escrivão Safã: ‘Achei o Livro da Lei na Casa do Senhor.’ E Hilquias deu o livro a Safã, e ele o leu.” 2 Reis 22:8 (NAA)

Houve um tempo na história de Israel em que algo muito grave aconteceu: a Palavra de Deus foi perdida. Não foi uma perda simbólica, foi literal. O livro da Lei, que continha as orientações de Deus para o Seu povo, simplesmente desapareceu. E o mais impressionante não foi apenas o fato de se perder, mas o fato de ninguém sentir falta.

Se pensarmos bem, isso não é algo pequeno. Não estamos falando de um objeto qualquer, como algo que se perde no dia a dia. Estamos falando da revelação de Deus, daquilo que Ele mesmo entregou para orientar o Seu povo, mostrando como viver, como agradá-Lo e como ser abençoado.

Esse livro estava guardado no templo, o lugar mais sagrado. Talvez alguém o tenha colocado em um lugar esquecido. Talvez tenha sido negligenciado com o passar do tempo. O fato é que ele sumiu — e ninguém percebeu. Não houve busca, não houve preocupação, não houve clamor. Simplesmente, a Palavra deixou de fazer parte da vida do povo. Mesmo assim, a vida religiosa continuava.

Os sacerdotes ainda vestiam suas roupas, os cultos ainda aconteciam, as pessoas ainda se reuniam. Havia aparência de espiritualidade. As mensagens continuavam sendo transmitidas, cheias de palavras bonitas, que pareciam sábias e profundas. Porém, na realidade, tudo aquilo estava vazio.

Sem a Palavra de Deus, o que restava eram opiniões humanas. Ideias próprias. Rituais sem vida. Uma religião que parecia correta por fora, mas que, por dentro, estava completamente desconectada de Deus.

Isso nos leva a uma reflexão muito séria: será que algo parecido não está acontecendo em nossos dias?

Vivemos em um tempo em que nunca tivemos tanto acesso à Bíblia. Ela está no celular, em aplicativos, em livros, em vídeos. Porém, mesmo com tanto acesso, muitos não conhecem a Palavra de Deus de verdade. Ela está presente, mas não está sendo vivida.

É possível estar dentro da igreja e, ainda assim, distante da Palavra. É possível ouvir mensagens todos os dias e não ser transformado. É possível viver uma vida religiosa ativa e, ao mesmo tempo, não ter um relacionamento real com Deus.

O apóstolo Paulo nos alerta: “Não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente…” Romanos 12:2 (NAA)

Essa renovação só acontece por meio da Palavra. Quando a Palavra deixa de ocupar o seu lugar, a mente deixa de ser transformada, e a vida passa a ser conduzida por valores do mundo.

Podemos ver isso na prática hoje. Pessoas que frequentam cultos, mas tomam decisões sem buscar direção em Deus. Jovens que participam de atividades na igreja, mas vivem guiados pelas redes sociais. Famílias que falam de Deus, mas não têm tempo para ler a Bíblia juntas. A Palavra não foi retirada, mas foi deixada de lado. E quando isso acontece, a consequência é inevitável: a vida espiritual enfraquece.

A boa notícia é que, no tempo do rei Josias, quando a Palavra foi encontrada novamente, tudo começou a mudar. Quando o livro foi lido, houve arrependimento, houve quebrantamento e houve transformação. O povo voltou para Deus. Isso nos mostra que nunca é tarde para recuperar aquilo que foi perdido.

Talvez alguém hoje esteja vivendo assim: com aparência de fé, mas sem profundidade. Com rotina religiosa, mas sem vida espiritual. A resposta não está em fazer mais coisas, mas em voltar para a Palavra.

Quando a Palavra volta ao centro, tudo começa a se alinhar. As decisões mudam. O coração se ajusta. A vida ganha direção. Deus continua falando. A questão é: estamos ouvindo?

Não basta ter acesso à Bíblia. É preciso ler, meditar, praticar. É preciso dar à Palavra o lugar que ela nunca deveria ter perdido. Se quisermos viver uma vida verdadeira com Deus, precisamos voltar àquilo que Ele disse.

Quando a Palavra de Deus perde espaço em nossa vida, a fé se torna aparência; mas quando ela volta ao centro, tudo encontra sentido, direção e transformação.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

05/abr/26

 

A VOZ QUE TIRA DO TÚMULO

“E, tendo dito isto, clamou em alta voz: — Lázaro, venha para fora!” João 11:43 (NAA)

Há momentos em que o povo de Deus olha para o mundo e pensa que o Senhor está demorando. Vemos violência, frieza espiritual, apostasia, sofrimento, doenças, famílias aflitas e muitos corações cansados. Em tempos assim, surge a pergunta: por que Jesus ainda não veio? João 11 nos ajuda a pensar nisso de forma muito profunda. A ressurreição de Lázaro não fala apenas de um milagre do passado. Em sentido ilustrativo, ela também nos permite contemplar algo da esperança da igreja na volta de Cristo.

Quando Jesus recebeu a notícia de que Lázaro estava enfermo, ele poderia ter ido imediatamente. Poderia ter chegado antes da morte. Poderia ter impedido o sofrimento de Marta e Maria. No entanto, o texto mostra que ele permaneceu ainda dois dias onde estava. Aos olhos humanos, aquilo parecia demora. Parecia silêncio. Parecia ausência. Só que, do ponto de vista de Deus, nada estava fora do controle. Jesus não perdeu o momento. Jesus estava conduzindo tudo para uma manifestação maior da glória de Deus.

Quando finalmente chegou a Betânia, Lázaro já estava havia quatro dias no túmulo. Para a família, a esperança já tinha se encerrado. O quadro era irreversível. O cheiro da morte já confirmava, aos olhos humanos, que não havia mais o que esperar. E é exatamente nesse cenário que a glória de Cristo se manifesta. Isso nos ensina uma verdade preciosa: o Senhor nunca chega atrasado. Ele chega no tempo certo. O relógio do céu nunca falha.

De forma ilustrativa, podemos olhar para esses quatro dias e pensar no avanço do tempo profético. Não como uma doutrina fechada tirada diretamente do texto, e sim como uma analogia espiritual. Assim como Lázaro permaneceu quatro dias no sepulcro até a chegada do Senhor, a igreja atravessa o tempo determinado por Deus até o momento da manifestação final de Cristo. Para muitos, a volta de Jesus parece tardia. Para os céus, tudo caminha dentro do propósito perfeito. O Senhor sabe o dia, a hora e o momento exato em que sua voz romperá o silêncio deste mundo.

Há um ponto muito bonito nessa comparação. Lázaro foi tirado do túmulo pela palavra de Cristo. Analogamente, a igreja será tirada deste mundo pelo chamado do mesmo Senhor. Aquele homem saiu do lugar da morte porque ouviu a voz de Jesus. E a igreja, no grande dia, também será chamada para fora.

Hoje ela vive cercada por lutas, tentações, lágrimas e limitações. Muitas vezes parece sufocada por um mundo que rejeita Deus. Só que chegará o momento em que o Senhor chamará os seus para fora de toda corrupção, de toda dor e de toda prisão terrena.

Isso traz muito consolo para os nossos dias. Há pessoas que oram há anos por um filho desviado. Há crentes fiéis que sofrem enfermidades prolongadas. Há irmãos que veem a maldade crescer e se perguntam até quando. Há servos de Deus que sentem como se tudo estivesse parado. João 11 nos lembra que o aparente atraso de Jesus nunca significa abandono. O silêncio de hoje não cancela o agir de amanhã. O fato de Cristo ainda não ter vindo não quer dizer que ele esqueceu sua igreja. Quer dizer apenas que o plano ainda não chegou ao ponto final.

Marta tinha uma fé voltada para o futuro. Ela disse que sabia que Lázaro havia de ressurgir na ressurreição do último dia. Então Jesus lhe mostrou que a esperança não está apenas em um acontecimento futuro, e sim nele mesmo. Em João 11:25 (NAA), ele declara: “Eu sou a ressurreição e a vida.” Essa palavra muda tudo. A nossa esperança está em Cristo. Ele é o centro de tudo. Ele é a garantia da vida. Ele é a segurança da igreja. Ele é o Senhor que tem poder sobre o túmulo e também sobre o fim da história.

Quando Jesus mandou tirar a pedra, mostrou que nada pode impedir seu agir. A pedra não impediu. O sepulcro não impediu. O quarto dia não impediu. O cheiro da morte não impediu. Da mesma forma, no grande dia, nada impedirá a ação final de Cristo. Nem a morte, nem a terra, nem o tempo, nem a corrupção, nem o sofrimento, nem a oposição do mundo. Quando ele chamar sua igreja, ninguém poderá reter aqueles que pertencem a ele.

Por isso, João 11 não é apenas a história de um morto que voltou à vida. É também uma janela de esperança. O Cristo que chamou Lázaro para fora é o mesmo que um dia chamará sua igreja. Aquele que entrou em Betânia no momento certo virá também no tempo certo. E quando sua voz ecoar, não haverá sepulcro que resista, não haverá noite que permaneça, não haverá dor que continue. O Senhor tirará seu povo de toda miséria deste mundo e o levará para a plenitude da vida com Ele.

A demora de Cristo nunca é descuido; é apenas o silêncio que antecede o dia em que sua voz chamará os seus para fora de toda morte e para dentro da glória eterna.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

04/abr/26

 

O CAMINHO DA OBEDIÊNCIA QUE TRANSFORMA VIDAS

“Não cesse de falar deste Livro da Lei; pelo contrário, medite nele dia e noite, para que você tenha o cuidado de fazer segundo tudo o que nele está escrito; então você prosperará e será bem-sucedido.”  Josué 1:8 (NAA)

A obediência ocupa um lugar central na vida de quem deseja caminhar com Deus. Não se trata apenas de conhecer a Palavra, mas de viver aquilo que Deus nos ensina. Muitos até ouvem, concordam e se emocionam, porém não colocam em prática. É aí que está a diferença entre uma vida espiritual superficial e uma vida transformada.

No texto de Josué, vemos que Deus não pediu algo complicado. Ele disse: medite na Palavra e pratique o que está escrito. A promessa de uma vida bem-sucedida não está ligada à inteligência, à força ou às oportunidades, mas à obediência. Josué entendeu que obedecer não era uma opção, era uma condição para viver o melhor de Deus.

A própria palavra “obediência” traz essa ideia de ouvir com atenção e se submeter. Não é apenas escutar, é dar uma resposta prática ao que foi ouvido. É decidir fazer o que Deus pede, mesmo quando não é fácil. Obedecer a Deus é uma prova clara de que reconhecemos a autoridade dEle sobre a nossa vida.

O profeta Jeremias reforça esse princípio ao dizer: “Mas isto lhes ordenei, dizendo: ‘Obedeçam à minha voz, e eu serei o Deus de vocês, e vocês serão o meu povo.’”
Jeremias 7:23 (NAA)

Veja como isso é forte: Deus se apresenta como Senhor daqueles que decidem obedecer. Existe um caminho que precisa ser trilhado, e esse caminho passa pela prática da Palavra. Não basta aparência espiritual, não basta participar de atividades religiosas. Deus busca um coração disposto a obedecer.

Isso fica ainda mais claro quando olhamos para os nossos dias. Há pessoas que frequentam a igreja, cantam, participam de tudo, mas, na vida prática, vivem de forma distante da vontade de Deus. Por outro lado, há aqueles que, mesmo com limitações, procuram viver aquilo que aprenderam, e esses experimentam transformação verdadeira.

Jesus é o maior exemplo de obediência. Ele não apenas falou sobre isso, Ele viveu.
“E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.” Filipenses 2:8 (NAA). A obediência de Jesus não foi baseada em facilidade, mas em entrega. Ele mostrou que obedecer vai além da vontade pessoal. Obedecer é fazer o que precisa ser feito, mesmo quando há custo.

Na prática, isso acontece no dia a dia. É quando alguém decide perdoar, mesmo estando ferido. É quando escolhe dizer não ao pecado, mesmo sendo tentado. É quando prefere agradar a Deus em vez de agradar pessoas. É nesse momento que a obediência se revela.

O apóstolo Paulo também ensina sobre isso ao dizer: “Não servindo apenas quando estão sendo vigiados, visando tão somente agradar pessoas, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus.” Efésios 6:6 (NAA). A verdadeira obediência não depende de quem está olhando. Ela nasce de um coração que deseja agradar a Deus. Não é aparência, é caráter. Não é pressão externa, é convicção interna.

E Deus não ignora a obediência. Ela traz resultados espirituais profundos. Aquele que obedece se torna sensível à voz de Deus, experimenta Sua presença e vive debaixo de Sua direção. Além disso, há promessas eternas para aqueles que permanecem fiéis. “Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas.” Apocalipse 22:14 (NAA)

A obediência não apenas transforma a vida aqui, mas também define o nosso destino eterno. Ela revela quem realmente pertence a Deus. Por isso, mais do que ouvir, é preciso decidir obedecer. Não espere sentir vontade. Não espere o momento perfeito. Comece com pequenas atitudes diárias: ler a Palavra, orar, praticar o bem, rejeitar o que desagrada a Deus.

A vida com Deus não se constrói em grandes momentos, mas em decisões simples de obediência todos os dias.

Seja obediente e permita que Deus conduza cada área da sua vida.

A verdadeira fé não se mede pelo que ouvimos, mas pelo que obedecemos; e é na obediência que a vida de Deus se manifesta plenamente em nós.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

03/abr/26

 

REFEITOS NAS MÃOS DO OLEIRO

“Como o barro na mão do oleiro, assim vocês são na minha mão, ó casa de Israel.”
Jeremias 18:6 (NAA)

Quando o profeta Jeremias desceu à casa do oleiro, ele viu algo simples, porém cheio de significado. O vaso que estava sendo moldado se estragou nas mãos do oleiro. O barro não respondeu como deveria. Qualquer pessoa poderia pensar que aquele vaso seria descartado. No entanto, o oleiro fez algo surpreendente: ele começou de novo e refez o vaso, conforme lhe pareceu melhor (Jeremias 18:4).

Essa cena revela uma verdade poderosa para nós: o novo nascimento em Cristo não é uma reforma daquilo que já existe. É uma nova criação.

Desde o início, Deus criou o homem perfeito. Tudo que Ele fez era bom. Porém, com a entrada do pecado, essa obra foi comprometida. A humanidade passou a viver distante de Deus e sujeita à destruição (Gênesis 3:17). O “vaso” se deformou. Aquilo que foi criado para refletir a glória de Deus perdeu sua forma original. Mas Deus não desistiu do homem.

Assim como o oleiro não abandonou o barro, Deus decidiu fazer uma nova obra. Ele não veio apenas para corrigir pequenas falhas. Ele não veio para “remendar” o que estava quebrado. Em Cristo, Deus inicia algo completamente novo.

Jesus não veio para melhorar o velho homem. Ele veio para nos transformar por completo. Por fora, muitas vezes, a pessoa continua a mesma. Trabalha no mesmo lugar, vive na mesma casa, convive com as mesmas pessoas. Porém, por dentro, tudo muda. “Por isso, não desanimamos. Pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se desgaste, o nosso homem interior se renova de dia em dia.” 2 Coríntios 4:16 (NAA)

Essa transformação acontece quando a pessoa se arrepende e crê. Deus não aproveita o que está contaminado pelo pecado. Ele faz tudo novo por meio da Sua Palavra viva.
“Vocês foram regenerados não de semente perecível, mas de imperecível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente.” 1 Pedro 1:23 (NAA)

Na prática, isso significa que alguém pode continuar vivendo na mesma cidade, com os mesmos desafios, porém com um coração diferente. Antes, havia vazio, orgulho, mágoa. Agora, começa a surgir paz, temor a Deus e desejo de fazer o que é correto.

No início, muitas pessoas ao redor talvez não percebam essa mudança. Olham e dizem: “Ele é o mesmo.” Porém, com o tempo, a transformação se torna evidente. As atitudes mudam. As palavras mudam. As escolhas mudam. E fica claro que não se trata de uma reforma, mas de uma nova vida. “Não fiquem lembrando das coisas passadas, nem considerem as antigas.” Isaías 43:18 (NAA)

Podemos ver isso nos dias de hoje. Pessoas que antes viviam presas em vícios passam a ter domínio próprio. Famílias que viviam em conflitos começam a experimentar paz. Pessoas que viviam sem direção passam a ter propósito. Isso não é esforço humano. É obra de Deus.

O novo nascimento não é mudança de aparência. Não é apenas frequentar uma igreja ou mudar alguns hábitos. É uma transformação que começa no interior e alcança toda a vida.

Jesus não veio para fortalecer o velho ser. Ele veio para nos refazer. “Porque, no passado, vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz.” Efésios 5:8 (NAA)

Assim como o barro nas mãos do oleiro, nós também precisamos nos colocar nas mãos de Deus. Às vezes, isso envolve quebrantamento. Às vezes, Deus permite que certas coisas sejam desfeitas para que algo novo seja construído. E, embora o processo possa ser difícil, é nele que Deus realiza sua obra mais perfeita.

Talvez alguém que esteja lendo este texto se sinta como um vaso quebrado, sem forma, sem valor. A boa notícia é que Deus não descarta o barro. Ele refaz. Ele restaura. Ele começa de novo. Coloque sua vida nas mãos do Oleiro. Permita que Ele faça uma nova obra em você.

Deus não reforma aquilo que o pecado destruiu; Ele refaz completamente, transformando o barro quebrado em um vaso novo para a Sua glória.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

02/abr/26

 

QUANDO SEGUIR NÃO É SUFICIENTE

“Jesus respondeu: As raposas têm seus covis e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.” Lucas 9:58 (NAA)

Nada alegra mais o coração de muitos em nossos dias do que ter seguidores. Isso virou uma febre. Pessoas criam canais, páginas e perfis, falam de todo tipo de assunto e se sentem realizadas quando veem números crescendo. Ter gente ouvindo, curtindo e comentando passou a ser sinal de sucesso.

O problema não está em comunicar ou ensinar. O problema está no tipo de seguidores que estamos formando e, principalmente, no tipo de seguidor que cada um de nós tem sido.

No texto de Lucas 9:57–62, vemos três pessoas que, de alguma forma, queriam seguir Jesus. À primeira vista, parecem prontas. Falam bem, demonstram interesse e mostram disposição. Qualquer um poderia dizer: “Esses estão no caminho certo.” Só que, ao responder, Jesus revela algo profundo: nem todo seguidor é, de fato, um discípulo.

Hoje, nunca foi tão fácil seguir alguém. Basta um clique. Em poucos segundos, a pessoa passa a acompanhar alguém, ouvir suas ideias e até se identificar com o que é dito. Só que seguir Jesus não funciona assim. Não é algo superficial. Não é apenas acompanhar de longe.

O primeiro homem diz com entusiasmo: “Eu te seguirei para onde quer que fores.” Parece uma declaração bonita, cheia de fé. Só que Jesus responde mostrando a realidade do caminho: não há conforto garantido, não há segurança humana.
“As raposas têm seus covis e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.” Lucas 9:58 (NAA)

Jesus mostra que segui-Lo envolve renúncia. Muitos querem os benefícios, poucos aceitam o custo. Hoje vemos isso com frequência. Pessoas começam bem, se envolvem, se emocionam, participam de tudo. Com o tempo, surgem dificuldades, críticas ou renúncias, e muitos desistem. Começaram com entusiasmo, só não calcularam o preço.

O segundo homem recebe um chamado direto: “Segue-me.” Lucas 9:59 (NAA). Ele não rejeita o convite. Ele apenas pede um tempo: “Permite-me ir primeiro sepultar meu pai.” Lucas 9:59 (NAA)

Aqui está uma das maiores armadilhas da vida espiritual: o “deixa-me primeiro”. Não se trata de dizer não para Jesus, e sim de colocá-lo depois. E o mais perigoso é que, muitas vezes, o que vem antes são coisas legítimas. Jesus responde de forma firme:
Deixe aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. Você, porém, vá e anuncie o Reino de Deus.” Lucas 9:60 (NAA)

Ele mostra que o Reino não funciona na lógica do “depois”. O chamado de Deus é para agora. Hoje vemos isso na prática. Pessoas que dizem: “Quando eu tiver mais tempo, vou me dedicar mais.” “Quando minha vida melhorar, vou me entregar.” E assim, o tempo passa e nada muda. A vida espiritual fica sempre adiada.

O terceiro homem também quer seguir. Ele diz: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa.” Lucas 9:61 (NAA). Outra vez aparece o “primeiro”. Jesus responde com uma imagem forte: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o Reino de Deus.” Lucas 9:62 (NAA)

Aqui vemos o problema do coração dividido. A pessoa quer seguir, só que ainda mantém ligações com o passado. Olha para frente e, ao mesmo tempo, olha para trás. Isso impede o avanço.

Hoje isso também é comum. Pessoas querem viver com Deus, só que não querem abrir mão de certas práticas, certos hábitos ou certos ambientes. Começam uma caminhada, só que vivem presas ao que deixaram. E assim, nunca avançam de verdade.

Vivemos dias de muitos seguidores, porém poucos comprometidos. Gente que acompanha, que ouve, que até concorda… só não transforma a vida.

Seguir Jesus não é observar de longe. Não é consumir mensagens. Não é apenas gostar do que se ouve. Seguir Jesus é caminhar com Ele, mesmo quando isso custa algo. É colocá-lo acima de tudo. É decidir sem voltar atrás.

Talvez nunca tenha sido tão fácil seguir alguém como hoje. Só que continua sendo desafiador, como sempre foi, seguir Jesus de verdade.

A pergunta que fica não é quantos seguimos, e sim: que tipo de seguidor somos nós?

Seguir Jesus não é um gesto de momento, é uma escolha que muda prioridades, exige renúncia e conduz a uma vida inteira de compromisso com Ele.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

01/abr/26

 

NO ALTAR… MAS COM O CORAÇÃO RENDIDO

“Então Joabe fugiu para a tenda do Senhor e se agarrou às pontas do altar.” 1 Reis 2:28–31 (NAA)

Há histórias na Bíblia que nos fazem parar e refletir com mais profundidade. Uma delas é a de Joabe. Ao perceber que sua vida estava em risco, ele correu e se agarrou às pontas do altar. Ele buscou refúgio em um lugar sagrado, um lugar que representava a presença de Deus.

À primeira vista, isso parece correto. O altar era, naquele tempo, símbolo de encontro com Deus. Era o lugar onde sacrifícios eram oferecidos, onde pessoas buscavam misericórdia, onde havia esperança de perdão. Muitos que corriam para o altar buscavam proteção, mas, naquele momento, algo diferente aconteceu. Mesmo estando no altar, Joabe não foi poupado. Por ordem do rei Salomão, ele foi morto ali mesmo.

Isso nos leva a uma pergunta importante: por quê? Não era o altar um lugar de misericórdia? Sim, era. Mas a própria Palavra de Deus mostra que havia limites para isso. “Mas, se alguém agir premeditadamente contra o seu próximo, matando-o com astúcia, você o tirará até mesmo do meu altar, para que morra.” Êxodo 21:14 (NAA)

O altar não era um esconderijo para quem vivia no erro sem arrependimento. Era um lugar de misericórdia para quem reconhecia sua culpa, mas não para quem apenas queria escapar das consequências.

E quem era Joabe? Joabe foi um homem importante. Foi comandante do exército de Davi, participou de grandes vitórias e ocupava uma posição de destaque. Era experiente, respeitado e conhecido, mas, ao mesmo tempo, sua vida foi marcada por atitudes erradas. Ele matou Abner de forma traiçoeira. Matou Amasa com engano. Agiu movido por vingança e violência. E, mesmo sabendo de tudo isso, não vemos em sua vida um verdadeiro arrependimento. Quando a justiça chegou, ele correu para o altar. Mas não correu para Deus. Correu para se proteger.

Aqui está uma verdade que precisa ser entendida: Joabe queria proteção, mas não queria transformação. Ele segurou no altar com as mãos, mas não se rendeu com o coração.

Essa história não fala apenas do passado. Ela fala diretamente conosco hoje.

Quantas pessoas estão dentro da igreja, mas ainda não tiveram um encontro real com Deus? Estão presentes nos cultos, participam das atividades, cantam, oram, mas o coração continua o mesmo. Não houve mudança de vida, não houve arrependimento verdadeiro.

Vivem uma aparência de espiritualidade, mas continuam presos aos mesmos erros, às mesmas atitudes, aos mesmos caminhos. O altar se tornou um lugar de costume, não de transformação.

A Bíblia nos ensina algo muito claro: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus.”  Salmos 51:17 (NAA). Deus não rejeita um coração arrependido. Pelo contrário, Ele recebe, restaura e transforma. Mas Ele não aceita uma vida que apenas tenta se esconder atrás da religião.

Hoje não temos um altar físico como no Antigo Testamento. Mas temos algo ainda maior: acesso direto a Deus por meio de Jesus Cristo. Podemos nos aproximar dEle a qualquer momento. Mas o princípio continua o mesmo.

Não é o lugar que salva, é o arrependimento. Não é a posição que transforma, é o coração. Não é apenas estar na igreja, é estar rendido a Deus.

Talvez alguém pense: “Eu estou na igreja, estou tentando fazer o certo.” E isso é importante, claro que sim. Mas há uma pergunta que precisa ser feita com sinceridade: O seu coração já se rendeu de verdade a Deus? Porque Deus não quer apenas a sua presença. Ele quer a sua vida, o seu coração “Filho meu, dê-me o seu coração, e os seus olhos se agradem dos meus caminhos.” Provérbios 23:26 (NAA)

Pense em alguém que frequenta a igreja há anos, mas nunca deixou certos hábitos. Ou alguém que fala de Deus, mas não vive o que fala. Isso mostra que estar próximo não é o mesmo que estar transformado.

Por outro lado, pense em alguém que se arrepende de verdade, que reconhece suas falhas e decide mudar. Essa pessoa começa a experimentar transformação. Aos poucos, a vida muda, as escolhas mudam, o coração muda.

A história de Joabe nos deixa um alerta forte: não basta segurar no altar, é preciso se entregar no altar.

Ainda há tempo. Deus continua chamando. O altar continua sendo lugar de misericórdia. Mas essa misericórdia é para aqueles que se arrependem e desejam mudança.

Hoje é dia de olhar para dentro. Não para o outro, mas para si mesmo.

Será que estamos apenas próximos de Deus, ou realmente rendidos a Ele? Será que estamos vivendo uma vida transformada, ou apenas mantendo uma aparência espiritual?

Deus está mais interessado no seu coração do que na sua posição. Por isso, não use o altar como fuga. Use o altar como entrega. Não venha apenas para se proteger. Venha para ser transformado.

 “O altar não é lugar para esconder quem somos, mas para entregar a Deus tudo aquilo que precisamos deixar para trás.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

31/mar/26

  FILHOS QUE CONHECEM A DEUS DE VERDADE “Ensine a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” ...