PERDOADOS PARA PERDOAR

“..._e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores” Mateus 6:12 (NAA).

Depois de ensinar a pedir o pão de cada dia, Jesus nos leva a uma necessidade ainda mais profunda. O corpo precisa de alimento, mas a alma precisa de perdão. Podemos ter pão sobre a mesa e, ainda assim, carregar dentro de nós o peso da culpa, de erros cometidos, de palavras que não deveriam ter sido ditas e de atitudes que feriram a Deus e às pessoas.

Jesus chama nossos pecados de dívidas. Não está falando, nesse momento, de dinheiro. Pecar é ficar em dívida diante de Deus, porque deixamos de viver como Ele deseja. Quando mentimos, alimentamos orgulho, guardamos pensamentos ruins, tratamos alguém injustamente ou fazemos aquilo que sabemos ser errado, pecamos contra Deus. Por isso Jesus nos ensina a orar: perdoa-nos as nossas dívidas.

Essa oração começa com uma atitude muito importante: reconhecer que precisamos de perdão. É fácil enxergar os erros dos outros. Mais difícil é olhar para dentro de nós mesmos e admitir: “Senhor, eu errei. Preciso da Tua misericórdia.”

Vivemos em uma época em que as pessoas encontram muita facilidade para justificar seus próprios comportamentos. Dizemos: “Fiz isso porque ele me provocou”; “falei daquela maneira porque estava nervoso”; “todo mundo faz”; “eu tinha meus motivos”. Podemos encontrar muitas explicações, mas nenhuma delas substitui a confissão sincera.

Quem ora esta oração ensinada por Jesus não diz: “Pai, explica os meus erros.” Diz: Pai, perdoa-me.”

Há algo muito bonito nessa oração: Jesus coloca o pedido de perdão dentro da caminhada diária. Assim como precisamos do pão todos os dias, também precisamos examinar diariamente o coração diante de Deus. Nenhum de nós chega a um ponto da vida cristã em que possa dizer que não precisa mais da misericórdia do Senhor.

Mas Jesus acrescenta uma parte que torna essa oração ainda mais séria: assim como nós também perdoamos aos nossos devedores”. Agora já não estamos falando apenas do que Deus faz por nós, mas daquilo que Sua graça deve produzir em nós.

Pedimos perdão porque também somos devedores, mas existem pessoas que se tornaram nossas devedoras. Alguém nos magoou, decepcionou, traiu nossa confiança, falou contra nós, deixou de cumprir uma promessa ou nos tratou de maneira injusta. Algumas dessas feridas desaparecem rapidamente. Outras permanecem durante anos. É justamente aí que a oração de Jesus toca profundamente nosso coração.

Não podemos pedir misericórdia para os nossos erros e exigir julgamento sem misericórdia para todos os erros dos outros. O coração que conhece o perdão de Deus precisa aprender a perdoar.

Isso não significa que nosso perdão compra o perdão de Deus, como se pudéssemos merecê-lo através das nossas boas obras. Significa que quem verdadeiramente compreende quanto foi perdoado por Deus começa a olhar de maneira diferente para quem também lhe deve alguma coisa.

Jesus reforça esse ensino logo depois da oração ao falar sobre perdoarmos as ofensas dos outros em Mateus 6:14-15. O perdão recebido não deve parar em nós. Ele precisa alcançar nossos relacionamentos.

Talvez alguém esteja há anos sem falar com um irmão por causa de uma discussão sobre herança. Talvez uma amizade tenha terminado por causa de uma palavra dita num momento de raiva. Pode haver um filho que ainda guarda ressentimento dos pais, um casal que continua trazendo para cada nova discussão erros cometidos muitos anos atrás ou alguém que revive diariamente uma ofensa recebida.

Perdoar não significa dizer que o que aconteceu foi certo. Também não significa fingir que não doeu, apagar imediatamente todas as lembranças ou impedir que uma pessoa responda pelas consequências de seus atos. Há situações em que será necessário manter limites e prudência. Perdoar significa entregar a Deus o direito de alimentar a vingança dentro de nós.

Às vezes, quem nos feriu nem sequer pedirá perdão. Talvez nunca reconheça o mal que fez. Mesmo assim, não precisamos permitir que essa pessoa continue ocupando nosso coração através do ressentimento.

O perdão também pode ser um processo. Há feridas tão profundas que não desaparecem de um dia para o outro. Talvez seja necessário voltar muitas vezes à presença de Deus e dizer: “Senhor, ainda dói, mas eu não quero alimentar este ódio. Ajuda-me a perdoar.”

Perceba novamente a palavra nosso presente no Pai Nosso. Pedimos o pão nosso e agora pedimos perdão pelas nossas dívidas. A oração continua sendo feita em comunhão. Somos uma comunidade de pessoas imperfeitas vivendo pela mesma graça. Na Igreja não encontramos pessoas que nunca erram; encontramos pessoas que precisam aprender diariamente a pedir perdão e a oferecer perdão.

No fim, Mateus 6:12 coloca todos nós no mesmo lugar: diante da misericórdia de Deus.

Quem olha apenas para a dívida do outro pode guardar ressentimento. Mas quem se lembra da própria dívida e do quanto recebeu misericórdia encontra forças para começar a perdoar.

Talvez uma das orações mais difíceis que possamos fazer seja também uma das mais libertadoras: Pai, perdoa-me e ensina-me a perdoar.”

Quem se ajoelha diante de Deus pedindo que sua dívida seja perdoada aprende a se levantar sem carregar nas mãos a conta daqueles que lhe devem.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

22/ago/26

 

O PÃO DE HOJE NAS MÃOS DE DEUS

“..._o pão nosso de cada dia nos dá hoje.Mateus 6:11 (NAA).

Depois de ensinar Seus discípulos a pedir que o nome de Deus seja santificado, que venha o Seu Reino e que seja feita a Sua vontade, Jesus chega às necessidades da vida. Pela primeira vez na oração aparece um pedido diretamente relacionado àquilo de que precisamos: “o pão nosso de cada dia nos dá hoje”.

É uma frase pequena, mas cheia de ensinamentos. Jesus não ensinou a pedir o pão para o ano inteiro. Ele falou do pão de cada dia. Assim, ensina-nos a viver dependendo de Deus um dia de cada vez.

O pão representa aquilo que é necessário para nossa vida. É o alimento sobre a mesa, mas também nos lembra do trabalho, da casa, da saúde, da roupa, do remédio e de tantas outras necessidades. Quando pedimos o pão diário, reconhecemos que não dependemos apenas do nosso salário, da nossa capacidade ou dos recursos que conseguimos juntar. Por trás de tudo está o cuidado de Deus.

Isso não significa deixar de trabalhar, economizar ou planejar. A Bíblia não ensina irresponsabilidade. Jesus está falando da dependência do coração. Podemos planejar o amanhã sem permitir que a preocupação com o amanhã roube nossa paz hoje.

Esse ensino é muito atual. Há pessoas preocupadas com a prestação que vencerá no fim do mês. Famílias fazem contas no supermercado para que o dinheiro seja suficiente. Pais pensam nas despesas dos filhos. Aposentados se preocupam com medicamentos. Trabalhadores temem perder o emprego. São situações reais, e Deus não despreza nenhuma delas.

Quando oramos “o pão nosso de cada dia nos dá hoje”, estamos dizendo: “Pai, preciso de Ti para atravessar este dia. Dá-me força para trabalhar, sabedoria para administrar o que tenho e fé para não ser dominado pelo medo.

Mas existe ainda uma aplicação espiritual muito preciosa nessa palavra “pão”. O pão de Mateus 6:11 fala primeiro das nossas necessidades diárias, porém a Bíblia também nos apresenta um alimento sem o qual nossa alma não pode viver: Jesus Cristo.

O próprio Jesus declarou: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim jamais terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede.” João 6:35 (NAA).

Precisamos do pão material para alimentar o corpo, mas precisamos de Jesus para alimentar a alma. Podemos ter a mesa cheia e, ainda assim, carregar um coração vazio. Podemos possuir bens, segurança financeira e conforto e continuar sentindo uma fome interior que nenhuma coisa deste mundo consegue satisfazer. Essa fome só encontra resposta em Cristo.

Isso nos faz lembrar do povo de Israel no deserto. Durante sua caminhada, Deus enviava o maná para sustentá-lo. Não era necessário guardar alimento para muitos meses. O povo precisava confiar que Deus daria novamente a provisão necessária. A Escritura diz: “Colhiam-no, pois, manhã após manhã, cada um quanto conseguia comer.” Êxodo 16:21 (NAA). O maná caía de manhã, e o povo precisava recolhê-lo. Havia, portanto, uma dependência diária.

Essa imagem nos ajuda a compreender nossa vida espiritual. Assim como Israel precisava receber diariamente o alimento enviado por Deus no deserto, nós também precisamos alimentar nossa comunhão com Cristo todos os dias. Não podemos viver hoje apenas da experiência que tivemos com Deus muitos anos atrás. O alimento de ontem foi importante, mas precisamos do pão de hoje.

Jesus continua presente para alimentar Sua Igreja. Ele nos alimenta por meio de Sua Palavra, da comunhão com Ele, da oração e da ação do Espírito Santo em nossa vida. Cada manhã é uma nova oportunidade de nos aproximarmos dEle e dizermos: “Senhor, alimenta hoje a minha alma.”

Por isso, o pão diário possui uma aplicação muito profunda. Precisamos perguntar não apenas: “Há pão sobre minha mesa?”, mas também: “Minha alma está sendo alimentada por Cristo?”

Há cristãos que cuidam cuidadosamente do corpo, da profissão, da casa e das finanças, mas passam dias sem abrir a Bíblia, sem orar e sem separar um momento para estar diante de Deus. Aos poucos, a alma enfraquece. Não porque Jesus tenha deixado de ser suficiente, mas porque deixamos de buscar nEle o alimento de que necessitamos.

Há ainda uma palavra muito importante nessa oração. Jesus não disse o meu pão, mas o pão nosso. Isso nos fala de comunhão.

O mesmo Pai que cuida de mim é o Pai que cuida dos meus irmãos, e o pão que pedimos não é pensado apenas de forma individual. Na oração ensinada por Jesus, ninguém caminha sozinho. Somos uma família que depende do mesmo Pai e recebe dEle o sustento para a caminhada. Por isso, o pão é “nosso”: lembra-nos de que pertencemos uns aos outros e de que a fé cristã não pode ser vivida de maneira isolada.

Quando um irmão sofre, a Igreja se importa; quando alguém tem necessidade, os outros são chamados a compartilhar; quando Deus coloca provisão em nossas mãos, podemos nos tornar instrumentos para que o pão também chegue à mesa de quem precisa. O pão que vem do Pai alimenta a vida, mas o “nosso” nos lembra de que essa vida é vivida em comunhão.

E há ainda uma ligação muito bonita com o que você acrescentou sobre Cristo: Jesus é o Pão da Vida dado não apenas a indivíduos isolados, mas à Sua Igreja. Assim, o “pão nosso” pode conduzir naturalmente à ideia de um povo reunido em torno do mesmo Cristo, alimentado diariamente por Ele.

O pão é de cada dia, mas não é apenas meu: é nosso, porque o Pai que nos sustenta também nos ensina a caminhar, repartir e viver em comunhão.

Mateus 6:11, portanto, ensina-nos uma dependência completa: pão para o corpo e Cristo para a alma; provisão para a caminhada e presença de Deus para o coração.

A cada manhã, Deus continua nos chamando a confiar nEle. Como o maná no deserto, Sua graça nos encontra no caminho. E como o Pão da Vida, Jesus continua sendo suficiente para sustentar Sua Igreja até o fim da jornada.

Precisamos do pão de Deus para atravessar o dia e do Pão da Vida para atravessar a vida; o corpo necessita da provisão de Suas mãos, mas a alma só encontra verdadeira satisfação na presença de Jesus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

21/ago/26

 

QUANDO DEUS ASSUME O GOVERNO

“..._venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” Mateus 6:10 (NAA).

Quando Jesus ensinou os discípulos a orar, mostrou também a ordem que deve existir em nosso coração. Antes de falar do pão, do perdão ou do livramento, Ele ensinou a buscar aquilo que pertence a Deus: Seu nome, Seu Reino e Sua vontade. Isso nos ensina que a oração não começa com aquilo que queremos receber, mas com o reconhecimento de quem Deus é e do lugar que Ele deve ocupar em nossa vida.

Jesus ensinou a pedir: venha o teu Reino. O Reino de Deus não é um país, um território ou um governo como conhecemos neste mundo. Falar do Reino de Deus é falar do Seu governo, da Sua autoridade e do Seu domínio. Portanto, quando pedimos que venha o Seu Reino, estamos dizendo: Senhor, governa a minha vida.”

É muito fácil desejar que Deus governe o mundo. Queremos que Ele mude a sociedade, transforme nossa família, alcance nossos filhos, restaure nossa igreja e corrija tantas coisas que vemos ao nosso redor. Mas a pergunta mais importante é outra: Deus está governando o meu coração?

Podemos pedir que Deus mude os outros e continuar resistindo àquilo que Ele deseja mudar em nós. Podemos pedir que nossos filhos façam a vontade de Deus, mas não aceitar quando a Palavra confronta nossas próprias atitudes. Podemos pedir paz dentro de casa e continuar alimentando uma mágoa. Podemos pedir que Deus abençoe nossos relacionamentos e, ao mesmo tempo, não querer perdoar. O Reino de Deus precisa começar dentro de nós.

Quando Deus reina, Ele passa a ter autoridade sobre nossas escolhas. Antes de tomar uma decisão profissional, perguntamos o que agrada a Ele. Antes de responder a alguém com raiva pelo celular, pensamos se nossas palavras honram o Seu nome. Antes de entrar em um relacionamento, fazer um negócio ou escolher determinado caminho, buscamos Sua direção. Isso é permitir que Deus governe a vida diária.

Depois Jesus acrescenta: seja feita a tua vontade. Talvez essa seja uma das frases mais fáceis de repetir e uma das mais difíceis de viver.

Todos temos vontade própria. Fazemos planos, sonhamos, criamos expectativas e apresentamos nossos pedidos a Deus. Não há nada errado nisso. Podemos contar a Ele o que desejamos. O problema começa quando só consideramos Deus bom se Ele fizer exatamente o que pedimos.

Às vezes oramos por determinado emprego e a oportunidade não aparece. Pedimos que uma porta se abra, mas ela permanece fechada. Oramos pela solução rápida de um problema familiar, mas precisamos esperar. Planejamos algo durante meses e, de repente, tudo muda. Nessas horas, dizer seja feita a Tua vontade deixa de ser apenas uma frase bonita e passa a ser uma verdadeira entrega.

Fazer essa oração não significa abandonar nossos sonhos nem deixar de lutar. Também não significa falta de fé. Significa reconhecer que Deus vê aquilo que nós não vemos. Nós conhecemos apenas o momento presente; Ele conhece todo o caminho. Por isso, podemos dizer: Pai, isto é o que eu desejo, mas confio mais no que Tu sabes do que naquilo que eu consigo enxergar.”

O próprio Jesus viveu isso no Getsêmani. Diante do sofrimento que estava prestes a enfrentar, Ele abriu Seu coração ao Pai, falou de Sua angústia e submeteu-Se à vontade dEle. Mateus 26:39. Jesus nos mostra que fé não significa esconder o que sentimos. Podemos chorar, pedir, desejar uma resposta diferente e, ainda assim, confiar em Deus.

Finalmente, Jesus diz: assim na terra como no céu. É como se estivéssemos pedindo: “Senhor, que a Tua vontade encontre em mim a mesma obediência que encontra no céu.” E isso torna essa oração profundamente pessoal.

Antes de pedirmos: Senhor, muda o mundo, talvez devamos perguntar: Senhor, o que precisa ser mudado em mim?

Antes de desejarmos que os outros obedeçam a Deus, precisamos examinar nossa própria obediência. Antes de pedirmos que Seu Reino apareça ao nosso redor, precisamos permitir que Seu governo seja visto em nossas escolhas, palavras e atitudes.

Mateus 6:10 nos ensina que oração não é uma tentativa de convencer Deus a entrar em nossos planos. É também o momento em que colocamos nossos planos diante dEle e dizemos: Tu és o Rei. Eu confio em Ti. Que a Tua vontade prevaleça.”

Há momentos em que Deus realizará exatamente aquilo que pedimos. Em outros, Sua resposta será diferente. Mas quem aprendeu a dizer venha o Teu Reino também aprende a descansar dizendo seja feita a Tua vontade.

A oração mais profunda não é aquela em que conseguimos fazer Deus seguir os nossos planos, mas aquela em que confiamos o suficiente para colocar nossos planos nas mãos dEle e permitir que Ele governe o caminho.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

20/ago/26

 

ANTES DO NOSSO PÃO, O NOME DELE

“Portanto, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome’.” Mateus 6:9 (NAA)

Nos próximos cinco dias, estaremos meditando sobre a oração que Jesus ensinou aos Seus discípulos. E o primeiro ensino que encontramos nela é fundamental: a quem devem ser dirigidas as nossas orações. Antes de ensinar o que pedir, Jesus nos ensina a quem devemos orar.

Quando Jesus ensinou os discípulos a orar, não começou pelas necessidades humanas. Não começou falando do pão, do perdão, dos problemas ou dos perigos da vida. Antes de apresentar qualquer pedido, ensinou-os a voltar o coração para Deus e a reconhecer quem Ele é. Por isso, a oração começa com estas palavras: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu nome.”

A primeira lição, portanto, não está no pedido, mas no destinatário da oração. Jesus nos ensina que a verdadeira oração começa em Deus, reconhecendo-O como Pai, Senhor soberano e digno de toda honra.

E as duas primeiras palavras já nos ensinam muito: “Pai nosso.” Jesus poderia ter começado dizendo “Deus Todo-Poderoso”, “Criador dos céus e da terra” ou “Senhor de todas as coisas”. Tudo isso seria verdadeiro. Mas Ele escolheu uma palavra que revela relacionamento: Pai. Nela encontramos proximidade, cuidado, confiança, amor e pertencimento.

Quando nos aproximamos de Deus por meio de Jesus, não estamos falando com uma força distante nem com Alguém indiferente às nossas dores. Aproximamo-nos dEle como filhos que chegam ao pai. Podemos falar das nossas alegrias, medos, necessidades, dúvidas e lágrimas. E há momentos em que nem conseguimos explicar o que sentimos; ainda assim, podemos simplesmente dizer: Pai, eu preciso de Ti.”

E talvez essa seja uma das maiores verdades da oração: antes de abrir a boca para apresentar uma necessidade, podemos abrir o coração diante de um Pai.

Pense em alguém que recebe uma notícia preocupante, enfrenta dificuldades dentro de casa, perde o emprego ou percebe que as contas do mês serão maiores do que o dinheiro disponível. A primeira reação pode ser o medo. Mas aquele que conhece Deus pode, mesmo com o coração apertado, dizer: “Pai, eu não sei como resolver isso, mas sei que não estou sozinho.

Há, porém, uma palavra muito importante nessa oração. Jesus não ensinou “Pai meu”, mas “Pai nosso”. Isso nos lembra que a vida cristã não pode ser vivida apenas pensando em nós mesmos. Quando digo “Pai nosso”, reconheço que faço parte de uma família. Existem outros filhos que também precisam de cuidado, oração, consolo e ajuda.

Não faz sentido pedir a Deus o pão de cada dia e fechar os olhos para alguém que está passando necessidade. Não combina chamar Deus de “Pai nosso” e guardar mágoa contra um irmão. A oração nos aproxima de Deus, mas também deve nos tornar mais sensíveis às pessoas.

Depois, Jesus diz: “que estás nos céus”. Aqui encontramos um equilíbrio maravilhoso. Deus é Pai, por isso está perto; mas está nos céus, por isso está acima de nós. Podemos ter intimidade com Ele sem perder a reverência.

Nós vemos a vida da terra. Deus vê do alto. Nós enxergamos apenas o momento que estamos vivendo; Ele conhece aquilo que ficou para trás, aquilo que está acontecendo agora e aquilo que ainda virá. Muitas vezes olhamos para uma porta fechada e pensamos que tudo acabou. Deus, porém, conhece caminhos que ainda nem conseguimos enxergar.

Por isso, talvez uma das maiores verdades dessa oração seja esta: o problema pode ser maior do que as minhas forças, mas nunca será maior do que o meu Pai.

Então chegamos às palavras: “santificado seja o Teu nome”. Não estamos pedindo que Deus Se torne santo, porque Ele já é santo. Estamos dizendo que desejamos que Seu nome seja reconhecido, honrado e glorificado. É como se disséssemos: “Pai, que a minha vida mostre às pessoas quem Tu és.”

Isso transforma a oração em compromisso. Não podemos dizer no culto da noite “santificado seja o Teu nome” e, durante o dia, viver de uma maneira que envergonhe esse nome.

Santificamos o nome de Deus quando somos honestos mesmo quando ninguém está olhando; quando tratamos nossa família com amor; quando recusamos uma vantagem desonesta no trabalho; quando nossas palavras nas redes sociais combinam com aquilo que professamos na igreja; quando cumprimos nossa palavra e quando nossas atitudes fazem as pessoas perceberem que pertencemos a Cristo.

Paulo resume esse princípio dizendo: Portanto, se vocês comem, ou bebem ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” 1 Coríntios 10:31 (NAA).

Observe, então, a ordem ensinada por Jesus. Antes de “dá-nos”, vem “santificado seja”. Antes do nosso pão, vem o nome dEle. Antes das nossas necessidades, vem a glória dEle. Antes de pedir que Deus cuide daquilo que é nosso, aprendemos a desejar aquilo que honra a Ele.

Toda vez que começarmos a orar, podemos nos lembrar de três verdades muito simples: quando digo Pai nosso, lembro-me de quem eu sou — filho; quando digo que estás nos céus, lembro-me de quem Ele é — Deus soberano; e quando digo santificado seja o Teu nome, lembro-me de como devo viver — para a Sua glória.

A oração começa a mudar verdadeiramente a nossa vida quando deixamos de usá-la apenas para dizer a Deus o que queremos e permitimos que ela também nos ensine a viver como Ele deseja.

A verdadeira oração começa quando, antes de colocarmos nossas necessidades diante de Deus, colocamos nossa vida diante dEle e dizemos: “Pai, que acima de tudo o Teu nome seja glorificado em mim.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

19/ago/26

 

O DEUS QUE VÊ, OUVE E AGE

“Conheço o sofrimento do meu povo. Por isso desci a fim de livrá-lo...” Êxodo 3:7-8 (NAA).

Israel estava vivendo um dos períodos mais difíceis de sua história. O povo estava no Egito, sofrendo debaixo de uma dura escravidão. Eram homens e mulheres cansados, oprimidos, tratados com crueldade e sem forças para mudar aquela situação. Talvez muitos tenham pensado que Deus havia Se esquecido deles. Entretanto, Êxodo 3 mostra exatamente o contrário. Deus estava vendo, ouvindo e conhecendo tudo o que Seu povo enfrentava.

A primeira coisa que chama nossa atenção é que Deus viu. Nada estava escondido dos Seus olhos. Ele via o trabalho pesado, as lágrimas, o medo e a injustiça. Deus não olhava aquela situação de maneira superficial. Ele conhecia cada detalhe, pois viu atentamente.

Isso também fala conosco hoje. Talvez ninguém saiba o que você está enfrentando. Pode ser uma doença que trouxe medo, uma situação familiar que parece não ter solução, uma dificuldade financeira, a perda de um emprego ou uma noite em que você chorou sozinho sem contar a ninguém. As pessoas podem olhar para você e imaginar que está tudo bem. Deus, porém, vê aquilo que ninguém mais consegue enxergar.

Depois, Deus disse que ouviu o clamor do povo. A dor havia se transformado em oração. Aqueles homens e mulheres clamavam porque já não conseguiam resolver sua situação com as próprias forças.

Existem momentos em que também chegamos a esse ponto. Tentamos uma solução, depois outra, conversamos com pessoas, buscamos ajuda, fazemos planos, mas algumas situações continuam fora do nosso alcance. Então percebemos que precisamos clamar ao Senhor. Talvez nossa oração seja simples: “Senhor, ajuda-me.” Deus não precisa de palavras bonitas. Ele ouve o coração que clama com sinceridade.

Em seguida, o Senhor declara algo ainda mais profundo: Conheço o sofrimento do meu povo. Êxodo 3:7 (NAA).

Deus não apenas vê e ouve; Ele conhece a dor. E essa verdade se torna ainda mais preciosa quando olhamos para Jesus. Isaías O apresenta como homem de dores e que sabe o que é padecer. Isaías 53:3 (NAA).

Jesus conheceu a rejeição, as lágrimas, o sofrimento e a morte. Quando chegamos diante dEle com nossas dores, não estamos falando com Alguém indiferente à condição humana. Ele entrou em nossa realidade.

Então aparece uma das expressões mais bonitas de Êxodo 3: Deus desceu para livrar Seu povo. No contexto da passagem, Ele estava anunciando que libertaria Israel das mãos dos egípcios e o conduziria para uma terra boa e ampla.

Isso nos permite lembrar de algo ainda maior que aconteceu muitos anos depois. Em Jesus Cristo, Deus veio ao encontro da humanidade. João declara: E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade.” João 1:14 (NAA).

Deus não ficou distante de nossa necessidade. Jesus veio ao mundo para realizar a obra da salvação. O pecado havia colocado o homem numa condição que ele não poderia resolver sozinho. Precisávamos de um Salvador.

É muito importante perceber a sequência: Deus viu a aflição, ouviu o clamor, conheceu o sofrimento e desceu para livrar. Mas Ele não queria apenas tirar Israel do Egito. Queria também levá-lo para outro lugar. Havia uma terra preparada.

Nossa salvação também aponta para um destino. Jesus não nos salva apenas para melhorar alguns anos de nossa vida na terra. Ele nos salva para a eternidade. Antes de partir, Ele deixou uma maravilhosa promessa: “Na casa de meu Pai há muitas moradas... voltarei e os receberei para mim mesmo.” João 14:2-3 (NAA).

Talvez hoje você esteja vivendo o seu “Egito”: uma situação que o oprime, uma dor que parece não terminar, uma luta que ninguém conhece ou até mesmo uma vida distante de Deus. Não pense que o silêncio significa ausência. O Senhor continua vendo.

Ele vê o quarto de hospital em que alguém espera uma resposta. Vê a mãe que ora por um filho afastado. Vê aquele que procura emprego e recebe uma negativa depois da outra. Vê quem entra em casa sorrindo para a família, mas carrega preocupações que não consegue compartilhar. E vê também o pecador que percebe que precisa voltar para Deus.

O mesmo Deus que viu Israel continua vendo. O Deus que ouviu continua ouvindo. O Deus que conheceu aquelas dores conhece as nossas. E o Deus que desceu para livrar revelou em Jesus Cristo a maior libertação de todas: a salvação.

Por isso, não entregue sua esperança ao desespero. Continue confiando, orando e caminhando com o Senhor. Nem sempre saberemos quando ou de que maneira Ele responderá, mas sabemos Quem está conosco.

A história de Êxodo começa com um povo oprimido e aponta para uma libertação preparada por Deus. Assim também é a mensagem do Evangelho: Cristo veio ao nosso encontro, abriu o caminho da salvação e prometeu receber os Seus para Si mesmo.

Deus vê. Deus ouve. Deus conhece. Deus vem ao nosso encontro, liberta e conduz.

E quando não conseguimos enxergar além da nossa dor, podemos descansar nesta certeza: o sofrimento que chegou aos nossos olhos já estava diante dos olhos de Deus.

Deus não contempla nossa dor como um espectador distante; Ele vê o que ninguém vê, ouve o que ninguém ouve e, em Cristo, veio ao nosso encontro para nos conduzir da escravidão à liberdade e desta vida à eternidade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

18/ago/26

 

QUANDO O INIMIGO ESPERA O MOMENTO OPORTUNO

“Tendo concluído todas as tentações, o diabo afastou-se de Jesus até momento oportuno.” Lucas 4:13 (NAA).

O capítulo 4 de Lucas começa com uma informação que não deveria passar despercebida: Jesus entrou no deserto cheio do Espírito Santo. Lucas registra: “Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto.” Lucas 4:1 (NAA). Portanto, Jesus não estava espiritualmente enfraquecido nem afastado do Pai quando foi tentado. Pelo contrário, estava cheio do Espírito Santo.

Isso nos ensina algo muito importante: estar cheio do Espírito não significa viver sem tentações. Uma pessoa pode estar orando, servindo a Deus, vivendo uma experiência profunda com o Senhor e, ainda assim, enfrentar momentos de prova. A tentação não é necessariamente sinal de afastamento de Deus. O pecado acontece quando cedemos a ela. Jesus foi tentado, mas permaneceu perfeitamente obediente ao Pai.

Depois de quarenta dias sem comer, Jesus teve fome. Foi exatamente nessa necessidade real que veio a primeira proposta do inimigo: transformar uma pedra em pão. Comer não seria pecado, e a fome de Jesus era legítima. O problema estava em usar Seu poder para atender à própria necessidade fora da submissão ao Pai.

Essa continua sendo uma das áreas em que somos tentados. Temos necessidades legítimas: precisamos de trabalho, dinheiro, companhia, segurança, reconhecimento, afeto e tantas outras coisas. O perigo começa quando pensamos que, porque precisamos de alguma coisa, qualquer maneira de consegui-la se torna aceitável.

Alguém pode mentir porque precisa conservar o emprego, fraudar porque precisa de dinheiro, entrar num relacionamento contrário à vontade de Deus porque não suporta mais a solidão ou negociar princípios porque acredita que não existe outra saída. A necessidade pode ser verdadeira, mas isso não torna correto qualquer caminho utilizado para satisfazê-la.

Jesus nos ensina que uma necessidade legítima nunca justifica uma atitude contrária à vontade de Deus.

Depois veio outra proposta. O diabo mostrou a Jesus os reinos do mundo e ofereceu poder e glória em troca de adoração. Havia ali um atalho. Jesus é Rei, mas o caminho estabelecido pelo Pai passaria pela obediência, sofrimento e cruz. Satanás oferecia a glória sem a cruz.

Essa tentação também continua presente. Quantas vezes alguém encontra um caminho mais rápido para alcançar aquilo que deseja, mas percebe que terá de abandonar princípios para segui-lo? Há atalhos na profissão, nos negócios, nos relacionamentos e até na vida religiosa. Nem toda oportunidade deve ser aceita simplesmente porque parece vantajosa.

Jesus nos mostra que não basta alcançar um objetivo correto; importa também o caminho pelo qual chegamos até ele.

Na terceira tentação, o inimigo levou Jesus ao ponto mais alto do templo e chegou a utilizar as próprias Escrituras para sugerir que Ele Se lançasse dali. Aqui encontramos uma advertência ainda mais séria: é possível usar um texto bíblico de maneira errada.

Jesus recusou a proposta porque confiança em Deus não significa colocar Deus à prova. Fé e presunção não são a mesma coisa. A fé diz: “Vou obedecer ao Senhor e confiar nEle.” A presunção diz: “Vou fazer aquilo que quero e depois esperar que Deus resolva as consequências.”

Isso acontece quando alguém age irresponsavelmente e chama sua imprudência de fé, toma uma decisão sem buscar a vontade de Deus e depois exige que Ele a confirme, ou ainda escolhe um versículo isolado apenas para justificar algo que já decidiu fazer.

Por trás dessas tentações havia ainda um ataque mais profundo. Duas vezes o inimigo começou dizendo: Se você é o Filho de Deus...”. Pouco antes, no batismo de Jesus, o Pai havia declarado que Ele era Seu Filho amado. Agora Satanás tentava colocar uma dúvida exatamente onde Deus havia colocado uma afirmação.

Também enfrentamos esse tipo de prova. Em momentos difíceis podem surgir perguntas como: “Se Deus ama você, por que permitiu isso?”, “Se você pertence ao Senhor, por que está sofrendo?” ou “Se Deus está com você, por que Ele não resolve tudo agora?” A tentação tenta usar nossas circunstâncias para nos fazer duvidar daquilo que Deus já declarou.

Jesus não precisava transformar pedra em pão para provar Quem era. Sua identidade não dependia daquela demonstração.

Então chegamos ao último versículo: o diabo terminou aquelas tentações e afastou-se de Jesus “até momento oportuno”.

Isso significa que aquela vitória não encerraria definitivamente a oposição. O inimigo procuraria outra ocasião favorável para atacar. Mais adiante, Lucas mostra Satanás agindo em Judas, procurando atingir Pedro e aparecendo no cenário que antecede a prisão e a crucificação de Jesus.

Essa expressão também traz uma séria advertência para nós. Vencer uma tentação hoje não significa que nunca mais seremos atacados naquela área. Existem momentos em que ficamos mais vulneráveis: cansaço, solidão, frustração, medo, necessidade, decepção e fragilidade emocional. Mas também precisamos ter cuidado nos momentos de sucesso, porque orgulho, autossuficiência e sensação de segurança excessiva podem abrir outras portas.

Por isso, depois de uma vitória espiritual, não devemos baixar a guarda.

É interessante perceber que Jesus entrou no deserto cheio do Espírito Santo, enfrentou todas aquelas tentações e permaneceu fiel à Palavra e à vontade do Pai. O mesmo Espírito que estava com Ele antes da prova permaneceu durante a prova.

As três tentações podem ser resumidas de maneira muito simples. Diante da pedra, surge a pergunta: vou satisfazer minha necessidade contrariando a vontade de Deus? Diante dos reinos, outra: vou negociar princípios para alcançar mais rapidamente aquilo que desejo? No alto do templo: vou confiar em Deus ou tentar obrigá-Lo a confirmar aquilo que eu mesmo decidi?

E, por trás de todas elas, permanece a questão da identidade: vou continuar acreditando naquilo que Deus declarou ou permitirei que as circunstâncias determinem quem sou diante dEle?

O inimigo procura momentos oportunos, mas nós também conhecemos o caminho da vitória: permanecer cheios do Espírito, firmados na Palavra e submissos à vontade de Deus.

O momento oportuno do inimigo costuma surgir quando nossas necessidades, emoções ou circunstâncias procuram falar mais alto que a Palavra; por isso, a vitória não está em nunca sermos tentados, mas em permanecermos cheios do Espírito e obedientes a Deus quando a tentação chegar.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

17/ago/26


QUANDO A CASA DO PAI VOLTA A TER MÚSICA

Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.” Lucas 15:25 (NAA).

A parábola do filho pródigo é uma das histórias mais conhecidas contadas por Jesus. Um jovem decidiu deixar a casa do pai, recebeu sua parte da herança e foi para uma terra distante. Ali, gastou tudo o que possuía. Quando o dinheiro terminou, os amigos desapareceram, veio a necessidade e ele começou a sentir fome. Aquele rapaz que havia saído de casa procurando liberdade acabou descobrindo que estar longe do pai não lhe trouxe a felicidade que imaginava.

Essa história continua muito atual. Há pessoas que pensam que serão felizes se tiverem mais dinheiro, mais liberdade, mais diversão ou se puderem viver sem qualquer compromisso com Deus. Algumas conseguem conquistar muitas coisas e, mesmo assim, continuam sentindo um vazio que nada consegue preencher. Outras se afastam da igreja, deixam a oração, abandonam a Palavra e começam a procurar no mundo aquilo que somente Deus pode oferecer.

Foi isso que aconteceu com aquele filho. No momento de maior necessidade, ele se lembrou da casa do pai. Ali havia alimento. Ali havia cuidado. Ali havia um lugar ao qual ele poderia voltar. Então tomou uma decisão: levantou-se e iniciou o caminho de volta.

Essa é uma das partes mais bonitas da parábola. O pai não mandou soldados buscá-lo, não o obrigou a regressar e não o trouxe à força. O filho reconheceu sua situação, arrependeu-se e decidiu voltar. Mas, quando ainda estava longe, o pai o viu, teve compaixão, correu em sua direção, abraçou-o e beijou-o.

Que retrato maravilhoso do coração de Deus!

Talvez alguém esteja lendo esta mensagem e pensando que foi longe demais. Talvez tenha cometido erros, tomado decisões ruins ou se afastado tanto que já não acredita ser possível recomeçar. A parábola nos ensina que existe um Pai que recebe aquele que volta arrependido. Deus não recebe o pecador arrependido com uma lista de humilhações. Ele o recebe com misericórdia.

O filho havia preparado um discurso. Sabia que havia pecado e já não se considerava digno de ser chamado filho. O pai, porém, mandou trazer a melhor roupa, colocar um anel em seu dedo e sandálias em seus pés. Depois ordenou que preparassem uma festa. Esses gestos mostram acolhimento, dignidade restaurada e pertencimento. Aquele rapaz havia voltado para casa e era novamente recebido no convívio da família.

Então a casa se encheu de alegria. Havia comida, música e danças. Por quê?

Porque alguém que estava perdido havia sido encontrado. Alguém que estava como morto havia voltado à vida. O próprio pai explicou a razão da festa: aquele filho estava perdido e foi achado.

É aqui que encontramos uma preciosa lição sobre o louvor. A verdadeira salvação produz alegria. Quando entendemos aquilo que Deus fez por nós, nasce gratidão no coração. O louvor deixa de ser apenas música e passa a ser a resposta de alguém que sabe de onde foi tirado e para onde Deus o está conduzindo.

Davi conhecia essa experiência quando orou: “Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário.” Salmos 51:12 (NAA).

Observe a ligação entre salvação e alegria. Quando uma pessoa reconhece seus pecados, volta-se para Deus e experimenta Seu perdão, há razões para louvar.

Talvez hoje alguém esteja vivendo como aquele filho: cercado por pessoas, conectado às redes sociais, trabalhando, estudando, sorrindo para fotografias e, ainda assim, sentindo fome na alma. Pode haver comida sobre a mesa e faltar paz no coração. Pode haver uma casa cheia de coisas e uma vida interior completamente vazia.

Jesus continua sendo o Caminho de volta ao Pai. Ele mesmo declarou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14:6 (NAA).

Não importa a distância que você percorreu na direção errada. Enquanto há vida, existe a oportunidade de voltar. Arrependimento é reconhecer que estamos longe e decidir mudar de direção.

E há algo maravilhoso esperando no caminho de volta: o Pai não recebe com indiferença aquele que retorna. Ele Se alegra.

A música e as danças daquela casa anunciavam que a história daquele jovem não havia terminado no lugar da fome. Havia recomeço. Havia perdão. Havia restauração. Havia uma família esperando por ele.

É também por isso que a Igreja louva. Não porque todos os nossos problemas desapareceram, mas porque fomos alcançados por uma salvação maior do que os nossos problemas. Louvamos porque Jesus abriu o caminho para a casa do Pai.

Se você está longe, volte hoje.

Talvez você esteja pensando em tudo o que perdeu. Deus está lhe mostrando aquilo que ainda pode encontrar. Na casa do Pai há perdão, comunhão, esperança e alegria.

Quando um coração encontra o caminho de volta para Deus, a tristeza da distância dá lugar à alegria da salvação, e a casa do Pai volta a ter música.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

16/ago/26



  PERDOADOS PARA PERDOAR “..._ e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores” Mateus 6:12 (NAA). ...