TODOS FUGIRAM, MAS JESUS NÃO FUGIU

“Fira o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas.” Zacarias 13:7 (NAA).

Há pequenos detalhes na Bíblia que, à primeira vista, parecem difíceis de entender. Marcos registra um deles na noite em que Jesus foi preso. Depois de dizer que todos os discípulos O abandonaram e fugiram, o evangelista conta que um jovem ainda seguia Jesus, coberto apenas com um lençol. Quando tentaram agarrá-lo, ele deixou o lençol para trás e fugiu nu. (Marcos 14:50-52)

Por que a Bíblia registrou uma cena tão estranha? O texto não explica diretamente. Por isso, precisamos ter cuidado para não afirmar como doutrina aquilo que a Palavra não afirma. Mas o lugar onde esse episódio aparece nos ajuda a compreender sua força.

Pouco antes, Jesus havia dito aos discípulos que todos tropeçariam por causa dEle e lembrou a profecia: “Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas.” Marcos 14:27 (NAA). E foi exatamente o que aconteceu.

Quando os homens chegaram para prender Jesus, os discípulos fugiram. Então surge aquele jovem. Talvez ele ainda desejasse acompanhar o Senhor. Talvez quisesse ver o que aconteceria. Não sabemos. O que sabemos é que, quando tentaram prendê-lo, o medo falou mais alto. Ele preferiu deixar para trás até a roupa que vestia para escapar.

Todos fugiram. Mas Jesus não fugiu.

Esse contraste é uma das imagens mais fortes daquela noite. Os discípulos tentaram preservar a própria vida. O jovem fugiu para não ser preso. Mais tarde, Pedro negaria conhecer Jesus para escapar do perigo. Mas Cristo permaneceu. E Ele poderia ter fugido.

Sabia o que estava acontecendo. Sabia que Judas chegaria. Sabia da prisão, dos açoites, da humilhação e da cruz. Nada daquilo O surpreendeu. Ainda assim, permaneceu porque havia decidido cumprir a vontade do Pai e entregar-Se por nós.

O jovem deixou o lençol para salvar a própria vida. Jesus entregou a própria vida para salvar pecadores. É aí que essa pequena cena fala também ao nosso coração.

É relativamente fácil seguir Jesus quando seguir não custa nada. É fácil confessar a fé dentro da igreja, cercado de pessoas que acreditam nas mesmas coisas. A dificuldade aparece quando seguir Cristo começa a ter um preço.

Isso acontece ainda hoje. Um jovem pode sentir vergonha de dizer aos colegas que é cristão porque teme ser ridicularizado. Um funcionário pode permanecer calado diante de algo errado para não contrariar seus superiores. Alguém pode deixar de defender aquilo em que acredita porque não quer perder amizades. Outro pode esconder sua fé nas redes sociais porque teme críticas. É nesses momentos que descobrimos quanto estamos dispostos a permanecer.

Isso não significa que o verdadeiro cristão nunca sentirá medo. Os discípulos sentiram. Pedro sentiu. Aquele jovem sentiu. Nós também sentimos. A questão é o que fazemos quando o medo chega.

Há ainda um detalhe interessante no Evangelho de Marcos. Na noite da prisão aparece um jovem fugindo, deixando sua veste para trás. Depois da ressurreição, as mulheres entram no túmulo e encontram “um jovem sentado ao lado direito, vestido de branco” Marcos 16:5 (NAA). Não podemos afirmar que Marcos pretendia estabelecer uma ligação direta entre as duas cenas, mas o contraste é bonito: primeiro vemos medo, fuga e vergonha; depois, encontramos anúncio, esperança e vitória.

Também não sabemos quem era o jovem que fugiu. Ao longo da história, alguns sugeriram que poderia ser o próprio Marcos, mas a Bíblia não o identifica. Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja: “Quem era aquele jovem?”, mas: “Por que ele aparece justamente naquele momento?” Talvez porque a cena complete a fotografia daquela noite.

As ovelhas se dispersaram. Os amigos desapareceram. O medo venceu a coragem humana. Mas o Pastor permaneceu.

Jesus seguiu sozinho para cumprir aquilo que ninguém mais poderia cumprir. Ele não permaneceu porque não sentisse o peso do sofrimento. No Getsêmani, Sua angústia havia sido profunda. Permaneceu porque Seu amor foi maior do que o sofrimento que O aguardava.

Quando nossa coragem falha, precisamos olhar novamente para Cristo. Nossa salvação não depende da firmeza com que conseguimos segurá-Lo, mas da fidelidade com que Ele decidiu ir até o fim por nós.

Naquela noite, todos fugiram. Jesus permaneceu.

E porque Ele permaneceu, hoje aqueles que um dia fugiram podem ser restaurados, perdoados e ensinados a permanecer também.

Quando o medo fez todos procurarem salvar a própria vida, Jesus permaneceu para entregar a Sua; nossa esperança está na fidelidade dAquele que não fugiu da cruz.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

11/ago/26

 

PERSEVERE ATÉ O FIM

“..._Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terra?”  Lucas 18:8 (ARC).

Eu tenho alguns textos bíblicos que estão ligados diretamente ao cenário mundial e ao motivo de nossa reflexão.

O primeiro é o nosso texto básico, que levanta um questionamento: Haverá fé na terra quando Cristo voltar?

Vivemos na expectativa da volta do Senhor Jesus. Assim Ele prometeu nas Escrituras. Quando Jesus encerra a parábola da viúva persistente, essa pergunta vem à tona. Fica evidente que o questionamento não é simplesmente se existirá alguma pessoa crendo, mas chama a atenção para a perseverança da fé: haverá uma fé verdadeira, firme e perseverante enquanto se aguarda a Sua vinda?

O outro texto, que segue a mesma linha de raciocínio, encontra-se em Mateus 24:12 e menciona um esfriamento do amor em consequência da multiplicação da iniquidade na terra.

Nesse texto, Jesus fala dos acontecimentos que antecedem Sua vinda. A multiplicação da iniquidade produziria um ambiente no qual o amor de muitos se tornaria frio. Os dois textos podem ser aproximados muito bem. Em Lucas 18:8, temos um sério questionamento a respeito da perseverança da fé; em Mateus 24:12, fica patente o esfriamento do amor. O que traz esperança em meio a toda essa tristeza e conflito humano é o complemento apresentado por Mateus, que assevera: “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.” Mateus 24:13 (ARC).

A notícia de uma crise no cristianismo, com fiéis abandonando o Evangelho, está largamente divulgada nos noticiários. O cristianismo tem perdido espaço em muitas partes do mundo, fazendo com que muitas igrejas sejam abandonadas ou transformadas em espaços de lazer.

Existe, inclusive, tristemente, o compartilhamento de igrejas entre diferentes confissões cristãs. Há notícias de que existem atualmente 65 das chamadas “igrejas simultâneas”, templos utilizados por católicos e protestantes, com regras específicas sobre os horários e até sobre quem poderia utilizar cada parte do templo.

Na Europa, o número de cristãos tem caído assustadoramente, assim como o número de igrejas em funcionamento. A notícia que chega é que, todos os anos, dezenas são abandonadas, demolidas ou adaptadas para outras finalidades. Em alguns casos, os altares têm dado espaço para baladas, bares e até mesmo paredes de escalada. As igrejas estão cada vez mais vazias e enfrentam dificuldades para se sustentar.

A pesquisadora do Instituto de História da Arte da Universidade de Colônia, Stefanie Lieb, disse que as igrejas precisam ter outras atividades para se manter no futuro: “No futuro, de cada dez igrejas, quatro ou cinco não serão mais usadas somente como espaço de culto”, afirmou em entrevista à emissora WDR.

Na Alemanha, por exemplo, cobra-se imposto dos cidadãos que se identificam como religiosos, sendo esse um fator que pode também contribuir para a queda no número de pessoas formalmente vinculadas às igrejas.

Diante desse cenário, percebemos sinais preocupantes de enfraquecimento da fé e de esfriamento do amor. Essas situações nos fazem refletir com ainda maior seriedade sobre as palavras proféticas de Jesus e sobre a necessidade de permanecermos vigilantes enquanto aguardamos Sua vinda.

Em face de toda essa situação que o cenário mundial nos apresenta, a pergunta que nos resta fazer é: como está a minha fé? Como está o meu amor?

A Bíblia nos aponta uma direção firme: a perseverança. É justamente por isso que Mateus 24:13 é tão importante. Jesus não apenas anunciou o esfriamento do amor; Ele mostrou como Seu servo deve atravessar esse tempo: “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.” Mateus 24:13 (ARC).

A responsabilidade diante de Deus é pessoal. Ninguém pode crer em meu lugar, perseverar em meu lugar ou manter minha comunhão com Deus em meu lugar. Se minha igreja está fria ou vazia, não devo olhar apenas para aqueles que estão ao meu lado e atribuir a eles toda a responsabilidade. Preciso, antes de tudo, olhar para dentro de mim e perguntar: o que estou fazendo diante dessa situação? Estou orando? Estou jejuando? Estou colocando essa necessidade no altar do Senhor? Estou contribuindo para que a Igreja permaneça viva, fiel e comprometida com Deus?

Cada um de nós tem uma grande responsabilidade diante do Senhor. A fé habita no coração, mas não é produzida pela nossa própria capacidade. Ela é alimentada pela Palavra de Deus, pela comunhão com o Senhor, pela oração e por uma vida de dependência dEle. Como afirma a Escritura: “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.” Romanos 10:17 (ARC).

Por isso, preciso cuidar da minha vida espiritual, buscar ao Senhor e permitir que Sua Palavra fortaleça continuamente a minha fé.

Da mesma forma, minha vida precisa ser santificada. Não porque a santificação seja o mérito pelo qual alcançamos a salvação, pois somos salvos pela graça de Deus, mas porque uma vida santificada é consequência de uma verdadeira comunhão com o Senhor e expressão de uma fé que deseja agradá-Lo.

O amor pelas almas, o comprometimento com o culto, a participação nas reuniões, a oração, a comunhão, a obediência à Palavra e o compromisso com as orientações espirituais não podem ser abandonados justamente quando o mundo caminha em direção ao esfriamento.

Retorno, então, à pergunta feita há mais de dois mil anos e que continua tão atual: “Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terra?” Lucas 18:8 (ARC).

A questão, no final, deixa de ser apenas sobre “os outros” e passa a ser sobre nós. Não é apenas: haverá fé no mundo? É: Ele encontrará fé em mim? Não é apenas: o amor de muitos esfriará? É: o meu amor permanecerá aceso?

Em um mundo em que muitos poderão esfriar, a palavra de Jesus para Sua Igreja continua sendo a mesma: perseverar até o fim.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

10/ago/26

 

O CORAÇÃO DE UM PAI

“Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem.” Salmos 103:13 (ARC).

Chegamos a mais um Dia dos Pais. Essa me parece uma das datas mais discretas do nosso calendário, bem diferente do Dia das Mães, do Natal e de outras comemorações mais badaladas. Muitas vezes, parece até que a data serve mais para movimentar o comércio. Mas isso não diminui, de forma alguma, o valor de um pai e a importância de sua presença na vida dos filhos. Para mim, aliás, Dia dos Pais é todo dia.

O texto de Salmos 103:13 nos permite olhar para a paternidade humana como uma imagem do cuidado de Deus. O pai bíblico não é apenas aquele que sustenta materialmente sua família, mas também aquele que acolhe, compreende, protege, corrige, perdoa, orienta e permanece ao lado dos filhos.

Como não falar das marcas deixadas pelos pais? Marcas que atravessam gerações. A presença do pai, suas palavras, seu exemplo, suas orações e, principalmente, a maneira como ele apresenta Deus aos seus filhos.

Há pais que são pastores, diáconos, obreiros na Casa do Senhor. Pais que conduzem seus filhos à Escola Dominical, ao culto, à oração e ao conhecimento da Palavra. Pais que procuram viver com integridade e que deixam, muitas vezes sem perceber, um legado que continuará falando depois deles.

Como nos ensina o livro de Provérbios: “O justo anda na sua sinceridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele.” Provérbios 20:7 (ARC).

Essa reflexão me leva ao exemplo de dois pais.

O primeiro é Abraão, que levou seu filho amado ao monte para oferecê-lo em sacrifício. No momento decisivo, porém, Deus lhe disse: “Não estendas a tua mão sobre o moço”. Isaque foi poupado.

Séculos depois, outro Pai entregaria Seu Filho amado ao lugar do sacrifício. Mas, dessa vez, não haveria um carneiro tomando o lugar do Filho, porque o Filho era o próprio Cordeiro de Deus.

Abraão pôde descer do monte com Isaque ao seu lado; o Pai Celestial entregou Seu Filho à morte para que nós pudéssemos receber a vida.

No monte Moriá, Deus poupou o filho de Abraão. No Calvário, Deus não poupou Seu próprio Filho.

Isso se liga de maneira muito bonita ao que Paulo escreve aos Romanos: “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós...” Romanos 8:32 (ARC).

Há ainda uma correspondência muito significativa entre os dois acontecimentos. Em Gênesis 22, quando Isaque pergunta pelo cordeiro para o holocausto, Abraão responde que Deus proveria para Si o cordeiro. No Calvário, essa provisão alcança sua plenitude em Cristo. Assim, a mensagem deixa de ser apenas sobre a paternidade de Abraão e nos conduz à expressão máxima do amor do Pai: o Pai que entregou o Filho para que nós pudéssemos receber a vida.

Pais amados, pais incompreendidos. Essas são duas experiências que, muitas vezes, convivem na vida daqueles que carregam a responsabilidade de criar filhos.

Um pai pode ser profundamente amado e, ao mesmo tempo, nem sempre ser compreendido.

A experiência de Abraão e Isaque nos coloca diante de uma situação humanamente difícil de compreender. Do mesmo modo, o plano do Pai ao entregar Seu Filho ultrapassa nossa compreensão humana, embora revele a maior expressão de amor que o mundo já conheceu.

Também na vida cotidiana há decisões de um pai que o filho talvez só venha a compreender muito tempo depois. Quando existe amor verdadeiro na origem dessas decisões, aquilo que um dia pareceu incompreensível pode, anos mais tarde, ser reconhecido como cuidado, entrega, proteção e preocupação.

No amor humano, há pais que são incompreendidos pelos filhos. No amor divino, contemplamos um Pai cujo gesto mais difícil de compreender foi também a maior prova de amor já oferecida à humanidade.

Talvez alguém esteja vivendo este Dia dos Pais com o coração ferido.

Há filhos que amam seus pais, mas já não falam com eles. Há pais que amam seus filhos, mas o orgulho, uma palavra mal colocada, uma decepção ou uma antiga mágoa levantou um muro entre os dois.

Às vezes, os anos passam e ninguém dá o primeiro passo. Um espera que o outro telefone. Um espera que o outro peça perdão. Um espera que o outro reconheça seu erro. E, enquanto os dois esperam, o tempo vai levando oportunidades que talvez nunca mais voltem.

Se seu pai ainda está vivo e existe possibilidade de reconciliação, talvez o melhor presente deste Dia dos Pais não seja comprado em uma loja. Talvez seja uma ligação, uma visita, um abraço, um pedido de perdão ou simplesmente algumas palavras: “Pai, precisamos conversar.”

Há situações em que não podemos apagar o que aconteceu. Não podemos voltar no tempo nem desfazer determinadas palavras ou atitudes. Mas podemos decidir que a mágoa não escreverá o último capítulo da nossa história.

Há filhos que só compreendem determinadas atitudes do pai depois que já não podem mais abraçá-lo. Por isso, quando a reconciliação é possível, não deixe para amanhã o abraço que pode ser dado hoje.

Meu pai partiu para o Senhor há alguns anos, e hoje eu daria tudo para poder abraçá-lo mais uma vez. Mas você, que ainda tem a bênção e a oportunidade de ter seu pai vivo, não espere.

Corra até ele hoje. Dê-lhe um abraço apertado, um beijo e diga que o ama.

Talvez existam diferenças entre vocês. Talvez haja coisas que ainda precisem ser conversadas. Talvez ele nunca tenha sido o pai perfeito que você gostaria que fosse. Afinal, nenhum pai humano é perfeito. Todos carregamos nossas limitações, falhamos, erramos e, muitas vezes, aprendemos a ser pais enquanto já estamos exercendo a paternidade. Mas, se ainda existe amor e possibilidade de aproximação, não permita que o orgulho roube de vocês um tempo que não poderá ser recuperado.

Não deixe para amanhã o carinho que pode demonstrar hoje, porque há abraços que, um dia, só poderão ser dados na lembrança.

No final, talvez a maior herança de um pai não possa ser medida em dinheiro, bens ou propriedades. Há coisas muito mais preciosas que permanecem: uma palavra que ficou, um conselho que atravessou os anos, uma oração que nunca foi esquecida, um exemplo que continua sendo seguido e uma fé transmitida de geração em geração.

O maior legado de um pai não está naquilo que deixa para os filhos, mas naquilo que deixa dentro deles. 

Neste dia tão especial, queremos parabenizar com carinho todos os papais do grupo Gotas de Orvalho, agradecendo a Deus pela vida de cada um. Que o Senhor os abençoe ricamente, fortalecendo-os com graça, sabedoria, saúde, paz e amor, para que continuem deixando em seus filhos marcas eternas de fé, caráter e temor do Senhor. Feliz Dia dos Pais!

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

09/ago/26

QUANDO A VIDA É MEDIDA PELA ETERNIDADE

“Deste aos meus dias o comprimento de alguns palmos; à Tua presença, o prazo da minha vida é nada.” Salmos 39:5 (NAA).

Vivemos em uma época em que existe grande preocupação em prolongar a vida. As pessoas cuidam mais da alimentação, fazem exercícios, realizam exames, procuram médicos e acompanham os avanços da ciência. Tudo isso é importante. Cuidar da saúde é também valorizar a vida que Deus nos concedeu. Entretanto, por mais que a medicina avance e por mais que consigamos acrescentar anos à existência humana, continua existindo uma realidade que ninguém pode evitar: nossa vida neste mundo tem um limite.

Foi exatamente essa realidade que levou Davi a fazer uma oração muito profunda. Em Salmos 39:4, ele pede ao Senhor que lhe faça compreender o seu fim, a extensão dos seus dias e a sua fragilidade. Davi não parece estar pedindo que Deus revele a data de sua morte. Ele deseja algo mais importante: aprender a viver consciente de que sua passagem pela terra é breve.

Normalmente fazemos o contrário. Vivemos como se tivéssemos muito tempo. Adiamos uma reconciliação, deixamos para amanhã uma visita, protelamos uma decisão importante, trabalhamos excessivamente para conquistar coisas que talvez nem consigamos desfrutar. Às vezes passamos anos preocupados em construir uma vida confortável e dedicamos pouco tempo àquilo que realmente permanecerá.

Davi compara seus dias a poucos palmos. Um palmo é uma medida pequena. É como se ele olhasse para toda a sua existência e percebesse: “Minha vida parece grande para mim, mas é muito pequena diante de Deus.” Essa é uma das grandes lições do salmo. Nossa percepção do tempo muda quando olhamos para a vida a partir da perspectiva da eternidade.

Uma pessoa pode chegar aos oitenta, noventa ou até mais anos e olhar para trás com a sensação de que tudo passou muito rápido. Os filhos cresceram, os cabelos ficaram brancos, os amigos envelheceram, algumas pessoas queridas partiram, e aquilo que parecia tão distante chegou quase sem percebermos. A infância parece ter sido ontem. O casamento parece ter acontecido há pouco. Os filhos que carregávamos nos braços agora têm suas próprias famílias. A vida passa.

Isso não deve nos levar ao medo nem à tristeza. Davi não descobre a brevidade da vida para cair no desespero. Ele a descobre para colocar sua esperança no lugar certo. Mais adiante, em Salmos 39:7, ele reconhece que sua esperança está no Senhor. Essa é a grande mudança de perspectiva: quando percebemos que tudo nesta terra passa, aprendemos a colocar nossa confiança nAquele que permanece para sempre.

Imagine alguém que passou décadas acumulando dinheiro, propriedades e bens, mas quase não teve tempo para a família, para os amigos e para Deus. Um dia percebe que possui muitas coisas, mas não pode comprar mais uma manhã de vida. Em contraste, pense em alguém que trabalhou, planejou, construiu seus projetos, mas entendeu que essas coisas nunca poderiam ocupar o lugar de Deus. Essa pessoa aprendeu a desfrutar o presente, amar sua família, perdoar, servir e caminhar com o Senhor.

A pergunta do Salmo 39 continua atual: se nossos dias são tão breves, como estamos vivendo?

Talvez exista alguém a quem você precise pedir perdão. Talvez haja uma palavra de carinho que você vem adiando. Talvez você esteja esperando uma ocasião melhor para buscar mais a Deus, reorganizar sua vida espiritual ou abandonar algo que sabe que não agrada ao Senhor. O problema é que costumamos pensar: “Depois eu faço.” Mas Davi nos lembra que nossos dias possuem medida.

Isso não significa viver angustiado pensando na morte. Significa justamente o contrário: aprender a valorizar a vida. Quem entende que o tempo é precioso começa a escolher melhor onde coloca seu coração. Aprende que algumas discussões não valem a pena, que certos ressentimentos ocupam espaço demais, que dinheiro é necessário, mas não é eterno, e que sucesso nenhum substitui uma vida em comunhão com Deus.

Diante da eternidade, nossas prioridades são reorganizadas. O homem é passageiro; Deus permanece. Nossos dias têm começo e fim; Ele é eterno. Nossas forças diminuem; Seu amor permanece. Nossas conquistas ficam para trás; aquilo que fazemos em comunhão com Ele ganha significado eterno.

Por isso, não peça apenas a Deus muitos anos de vida. Peça-Lhe sabedoria para viver bem os anos que Ele lhe conceder. Não se preocupe somente com quanto tempo ainda resta, mas com o que você está fazendo com o tempo que já recebeu.

Um dia, todos nós terminaremos nossa caminhada neste mundo. Até lá, que possamos viver de maneira que, quando olharmos para trás, não vejamos apenas anos acumulados, mas uma história vivida na presença de Deus. Porque a verdadeira grandeza da vida não está em sua duração, mas em Quem caminhou conosco durante todos os nossos dias e em Quem depositamos nossa esperança para a eternidade.

Quando aprendemos a medir nossos dias à luz da eternidade, descobrimos que viver bem não é simplesmente viver muito, mas viver cada dia na presença de Deus e com o coração preparado para encontrá-Lo.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

08/ago/26


 

A VOZ QUE NOS TIRA PARA FORA

“E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas, de modo nenhum, seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. Jesus disse-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que era que lhes dizia.” João 10:4-6 (ARC).

Jesus usou a figura de um pastor e de Suas ovelhas para explicar o cuidado de Deus com seu povo. Naquele tempo, era comum o pastor caminhar à frente do rebanho. Ele não empurrava as ovelhas de longe. Ia adiante, mostrava o caminho e enfrentava primeiro os perigos que poderiam aparecer.

Assim também acontece conosco. Jesus não apenas nos chama para segui-lo. Ele vai à nossa frente. Antes que enfrentemos nossas lutas, Ele já conhece o caminho. Antes que cheguemos aos dias difíceis, Ele já está lá. Antes que passemos pelo vale da morte, Ele mesmo entrou nesse vale, venceu a morte e ressuscitou.

O texto diz que o pastor “tira para fora as suas ovelhas”. Essa expressão fala de mudança. A pessoa que encontra Jesus é chamada para sair de tudo aquilo que a separa de Deus. Alguns são tirados de uma vida de pecado. Outros são libertos de vícios, ressentimentos, mentiras, relacionamentos destrutivos ou de uma religião sem comunhão verdadeira com Deus.

A igreja de Jesus é formada por pessoas que foram chamadas para fora. Não significa que todas tenham o mesmo passado ou as mesmas experiências. Significa que todas ouviram a voz do mesmo Pastor e decidiram segui-lo.

Talvez alguém tenha vivido muitos anos sem esperança. Trabalhava, cuidava da família e procurava parecer forte, mas por dentro estava vazio. Um dia, ouviu a Palavra de Deus, reconheceu sua necessidade e entregou a vida a Jesus. O Senhor o tirou de uma existência sem direção e passou a conduzi-lo por um novo caminho.

Jesus também disse: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.” João 10:9 (ARC). Ele não afirmou ser uma das portas. Disse que é a Porta. A salvação não está em tradições, rituais ou méritos humanos. Está somente em Jesus.

Ele foi adiante de nós de uma maneira que nenhum outro poderia ir. Entregou a própria vida na cruz, levou sobre si nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia. Por isso, declarou: “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” João 10:11 (ARC).

A voz do Bom Pastor continua sendo ouvida hoje por meio da Palavra e da ação do Espírito Santo. Quando lemos a Bíblia com humildade, Deus nos corrige, consola e orienta. Quando oramos, o Espírito Santo trabalha em nosso coração. Ele nos mostra aquilo que precisa ser abandonado e fortalece nossa fé para continuar.

Mas existem também muitas vozes estranhas. Há vozes que dizem que o pecado não tem importância. Outras afirmam que cada pessoa pode criar sua própria verdade. Algumas prometem felicidade sem arrependimento, vitória sem obediência e bênção sem compromisso com Deus.

Por isso, precisamos conhecer a voz de Jesus. Uma ovelha não segue o estranho porque não reconhece sua voz. Do mesmo modo, o cristão precisa comparar tudo o que ouve com a Palavra de Deus. Nem toda mensagem emocionante vem do Senhor. Nem todo conselho popular conduz à vida.

Nos nossos dias, uma pessoa pode ouvir dezenas de opiniões em poucos minutos pelas redes sociais. Um vídeo diz uma coisa, outro ensina o contrário. Se não conhecermos a Palavra, poderemos seguir qualquer voz que fale com confiança.

Conhecer a voz de Jesus não significa depender apenas de sentimentos. Significa viver em comunhão com Ele, ler as Escrituras, orar e permitir que o Espírito Santo nos conduza. A Bíblia diz: “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.” Romanos 8:14 (ARC).

Os religiosos que ouviram a parábola de Jesus não entenderam o que Ele dizia. Conheciam muitas regras, mas não reconheceram a voz do Pastor. Estavam presos às tradições e perderam a sensibilidade espiritual. Isso também pode acontecer hoje. Uma pessoa pode frequentar cultos, conhecer hinos e repetir palavras bíblicas, mas ainda assim não ter uma vida de comunhão com Deus.

A verdadeira ovelha não apenas escuta; ela segue. Seguir Jesus significa obedecer mesmo quando o caminho parece difícil. É perdoar quando o coração deseja guardar mágoa. É dizer a verdade quando seria mais fácil mentir. É abandonar aquilo que desagrada a Deus, mesmo que todos ao redor considerem normal.

Jesus declarou: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos.” João 10:27-28 (ARC).

Que segurança maravilhosa! O Pastor conhece cada ovelha. Ele conhece nossa história, nossas fraquezas, nossas lágrimas e nossas lutas. Mesmo assim, chama-nos pelo nome, vai à nossa frente e nos conduz para a vida eterna.

Talvez hoje você esteja cercado por muitas vozes e não saiba qual caminho seguir. Pare por alguns minutos. Abra a Bíblia. Ore com sinceridade. Peça ao Senhor que silencie as vozes estranhas e torne clara a direção do Bom Pastor.

Jesus continua chamando Suas ovelhas para fora: para fora do pecado, da culpa, do medo e da confusão. Sua voz não nos conduz à perdição, mas à salvação, à segurança e à vida eterna.

A voz de Jesus nos chama para fora de tudo o que nos separa de Deus, caminha à nossa frente e nos conduz com segurança até a vida eterna.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

07/ago/26

 

QUANDO O TEMPO PARECE NÃO PASSAR

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.” Eclesiastes 3:1 (NAA).

O tempo marcado pelo relógio passa da mesma maneira para todos, mas a forma como o percebemos pode mudar de acordo com nossos pensamentos e sentimentos.

Algumas obras de ficção imaginam que, durante um sonho, poucos minutos no mundo real podem parecer horas ou até dias para quem está sonhando. Essa ideia não descreve literalmente a realidade, mas ajuda a ilustrar algo que todos experimentamos: quando estamos ansiosos, com medo ou sofrendo, o tempo parece passar mais devagar; quando estamos felizes, tranquilos ou envolvidos em algo agradável, as horas parecem passar rapidamente. Portanto, o tempo não muda; o que muda é a maneira como nossa mente e nosso coração o experimentam.

Por exemplo: cinco minutos numa fila podem passar rapidamente quando estamos tranquilos. Porém, os mesmos cinco minutos na porta de uma sala de cirurgia podem parecer uma eternidade. Uma noite ao lado de um filho doente parece não terminar. Em contrapartida, uma tarde agradável com pessoas queridas pode passar tão depressa que quase não percebemos.

O relógio não mudou. Foram as nossas emoções que mudaram a maneira como experimentamos aquele período.

A ansiedade faz o tempo parecer mais lento. A tristeza prolonga os dias. O medo transforma segundos em horas. A expectativa de uma notícia importante pode nos deixar olhando constantemente para o telefone. Já a alegria, a paz e a boa companhia produzem a impressão de que o tempo voou.

Isso nos ensina que não vivemos apenas aquilo que acontece ao nosso redor. Vivemos também a maneira como interpretamos cada situação. Duas pessoas podem atravessar dificuldades semelhantes e reagir de formas muito diferentes. Uma pode sentir-se completamente consumida pelo medo; a outra, embora também sofra, pode encontrar forças para caminhar com esperança.

A Bíblia apresenta muitas pessoas que precisaram esperar. Abraão recebeu a promessa de um filho, mas o cumprimento não aconteceu imediatamente. José teve sonhos sobre o futuro, porém atravessou anos de escravidão e prisão antes de ocupar uma posição de autoridade no Egito. Davi foi ungido para ser rei, mas ainda enfrentou perseguições, perigos e um longo período de incerteza.

Nenhum deles conhecia antecipadamente todos os detalhes do caminho. Houve momentos de fraqueza, dúvida e decisões erradas. Ainda assim, Deus permaneceu fiel e conduziu Sua vontade no tempo determinado.

Esperar em Deus não significa acreditar que toda demora foi diretamente provocada por Ele. Algumas esperas são consequência de nossas próprias escolhas; outras surgem de limitações humanas, enfermidades, injustiças ou circunstâncias que não conseguimos controlar. Ainda assim, em qualquer dessas situações, podemos confiar que Deus não nos abandona. A Bíblia declara: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações.” Salmos 46:1 (NAA).

Mesmo quando não podemos mudar imediatamente aquilo que estamos vivendo, o Senhor permanece ao nosso lado. Ele nos sustenta em nossa fraqueza, fortalece-nos nos dias difíceis e pode usar até os períodos mais dolorosos para nos ensinar, corrigir e amadurecer. A espera nem sempre será fácil ou compreensível, mas nunca será enfrentada sem a presença e o cuidado de Deus.

Vivemos numa geração acostumada à rapidez. Enviamos mensagens e esperamos respostas imediatas. Fazemos uma compra e queremos recebê-la no mesmo dia. Pesquisamos uma dúvida e encontramos a resposta em poucos segundos. A tecnologia acelerou muitas coisas, mas não consegue apressar a formação do caráter.

Não existe aplicativo capaz de produzir maturidade instantânea. Não há atalho para aprender paciência, perseverança, humildade e domínio próprio. Essas qualidades são desenvolvidas ao longo da caminhada, enquanto dependemos da graça de Deus e respondemos com fé e obediência.

Esperar no Senhor também não significa cruzar os braços. Quem aguarda uma oportunidade de trabalho pode orar, mas também deve preparar um currículo, estudar e procurar vagas. Quem espera a restauração de um relacionamento pode buscar a Deus, mas talvez precise conversar, pedir perdão e mudar atitudes. Quem enfrenta uma enfermidade pode confiar no Senhor e, ao mesmo tempo, seguir corretamente o tratamento e procurar os cuidados necessários.

A fé não substitui a responsabilidade. Ela nos dá forças para agir sem permitir que a ansiedade governe o coração.

Talvez você esteja atravessando um período em que nada parece mudar. Uma oração ainda não foi respondida como esperava. Uma porta permanece fechada. Um tratamento está demorando. Um familiar continua distante. Nesses momentos, não é errado sentir tristeza, cansaço ou medo. Confiar em Deus não significa deixar de sentir. “Em me vindo o temor, hei de confiar em Ti.” Salmos 56:3 (NAA).

A fé nos ensina a levar esses sentimentos ao Senhor e dizer: “Eu não compreendo este tempo, mas continuo confiando em Ti.”

O tempo de espera não garante que receberemos exatamente aquilo que desejamos. Deus não é obrigado a seguir o nosso calendário nem a cumprir todos os nossos projetos. Entretanto, podemos ter a certeza de que Ele permanece presente, mesmo quando não percebemos mudanças. “E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos.” Mateus 28:20 (NAA).

Por isso, não permita que o medo transforme o tempo num inimigo. Viva fielmente o dia que Deus lhe concedeu. Faça aquilo que está ao seu alcance, cuide das responsabilidades de hoje e entregue a Ele aquilo que você não consegue controlar.

O relógio continuará marcando as horas da mesma maneira. A diferença estará no lugar em que o coração repousa. Quando somos dominados pela ansiedade, o tempo torna-se um peso. Quando confiamos no Senhor, a espera pode continuar difícil, mas deixa de ser completamente vazia. “Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme, porque ele confia em ti.” Isaías 26:3 (NAA).

Nas mãos de Deus, até o tempo que parece parado pode tornar-se um lugar de crescimento, aprendizado e preparação.

A espera não é vazia quando o coração descansa em Deus; nas mãos dEle, até o tempo que parece parado pode se transformar em preparação.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

06/ago/26

 

A MORTE QUE NOS RECONCILIA E A VIDA QUE NOS SALVA

“Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” Romanos 5:10 (ARC).

A obra realizada por Jesus no Calvário é maior do que conseguimos compreender. Ele não morreu apenas para nos livrar da condenação eterna. Por meio de Sua morte, Jesus retirou a barreira que existia entre nós e Deus. Aqueles que estavam afastados puderam se aproximar. Os que eram considerados inimigos puderam ser reconciliados com o Pai.

Reconciliação significa restaurar um relacionamento que estava quebrado. Podemos pensar em dois amigos que deixaram de conversar depois de uma grande ofensa. Durante muito tempo, existe entre eles silêncio, mágoa e distância. Para que voltem a ter comunhão, alguém precisa tomar a iniciativa de buscar a paz.

Foi isso que Deus fez por nós. O pecado havia quebrado nossa comunhão com Ele. Não tínhamos condições de resolver esse problema por nossos próprios esforços. Nenhuma boa ação poderia apagar nossa culpa. Então, Deus tomou a iniciativa. Ele enviou Seu Filho para morrer em nosso lugar e abrir um caminho de volta para Sua presença.

Na cruz, Jesus recebeu a condenação que nós merecíamos. Seu sangue foi derramado para o perdão dos nossos pecados. Quando cremos nEle e nos arrependemos, já não precisamos viver fugindo de Deus ou tentando esconder nossa culpa. Podemos nos aproximar do Pai, porque Jesus pagou o preço de nossa reconciliação.

Essa reconciliação muda nosso relacionamento com Deus. Jesus disse aos Seus discípulos: “Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.” João 15:15 (ARC).

Isso não significa que deixamos de servir ao Senhor. Significa que nosso serviço agora nasce da comunhão. Não obedecemos apenas por medo, mas porque O amamos. Jesus nos aproxima do Pai, revela-nos Sua vontade e permite que conheçamos as verdades do Seu Reino. O pecador perdoado deixa de ser um estranho e passa a fazer parte da família de Deus.

Entretanto, a obra de Jesus não terminou na cruz. Depois de morrer e ser sepultado, Ele ressuscitou ao terceiro dia. A cruz nos mostra o preço pago pelo pecado, mas o túmulo vazio nos mostra que o pagamento foi aceito. Jesus venceu a morte e vive para sempre.

Por isso, Paulo declarou que fomos reconciliados pela morte de Jesus e que seremos salvos por Sua vida. Nossa esperança não está em alguém que morreu e permaneceu no túmulo. Nossa esperança está em Cristo vivo. Ele ressuscitou, está com o Pai e continua cuidando daqueles que Lhe pertencem.

A ressurreição de Jesus transformou o medo dos discípulos em coragem. Eles haviam visto Seu sofrimento e Sua morte. Pensaram que tudo havia terminado. Porém, quando encontraram Jesus vivo, compreenderam que a morte não teve a última palavra. A tristeza deu lugar à esperança, e homens antes amedrontados passaram a anunciar o evangelho.

A Bíblia declara: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.” 1 Pedro 1:3 (ARC).

Essa esperança continua viva em nossos dias. Uma pessoa pode receber o diagnóstico de uma doença grave e, ainda assim, confiar que sua vida está nas mãos do Senhor. Uma família pode enfrentar o luto e encontrar forças na certeza da ressurreição. Alguém pode perder o emprego, passar por uma crise no casamento ou ver um projeto desmoronar, mas não precisa acreditar que tudo terminou. Porque Cristo vive, sempre existe esperança.

Talvez você nem sempre sinta a presença de Deus. Há dias em que o coração parece vazio e as orações parecem não passar do teto. Entretanto, a ausência de sentimento não significa ausência de Deus. Ele continua perto. O Senhor vê aquilo que ninguém percebe, conhece nossas lágrimas silenciosas e cuida até dos detalhes que escapam aos nossos olhos.

A maior necessidade do ser humano não é apenas resolver seus problemas materiais. Antes de Cristo, estávamos espiritualmente mortos. A Bíblia afirma: “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo.” Efésios 2:4-5 (ARC).

Jesus não veio apenas melhorar uma vida antiga. Ele veio nos dar uma vida nova. Quem está em Cristo recebe um novo começo, uma nova identidade e um novo propósito. Já não vive apenas para si mesmo, mas para Aquele que o amou e o resgatou.

A vida eterna não é conquistada por nossos méritos. Ela está no Filho de Deus. A Palavra declara: “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.” 1 João 5:11-12 (ARC).

A mensagem é simples e poderosa: quem recebe Jesus recebe a vida. Não apenas uma existência mais tranquila, mas uma vida reconciliada com Deus, sustentada por Sua graça e destinada à eternidade.

Não estamos mais perdidos. O Bom Pastor nos procurou, encontrou-nos e nos trouxe de volta. Por Sua morte, fomos reconciliados. Por Sua ressurreição, recebemos uma esperança viva. Agora pertencemos a Deus, somos cuidados por Ele e caminhamos na certeza de que um lugar eterno está preparado para os que creem em Seu Filho.

A cruz declara que fomos perdoados. O túmulo vazio anuncia que Jesus venceu. Cristo morreu para nos trazer de volta a Deus e ressuscitou para que nunca mais precisássemos viver sem esperança.

A morte de Jesus abriu para nós o caminho de volta ao Pai, e Sua vida nos garante que esse caminho termina na eternidade ao Seu lado.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

05/ago/26

  TODOS FUGIRAM, MAS JESUS NÃO FUGIU “Fira o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas.” Zacarias 13:7 (NAA). Há pequenos detalhes na Bíbl...