O TESTEMUNHO QUE MANTÉM A FÉ VIVA

Ó Deus, nós ouvimos com os próprios ouvidos; nossos pais nos contaram o que fizeste outrora, em seus dias.” Salmos 44:1 (NAA).

O testemunho é uma das formas mais simples e poderosas de anunciar o evangelho. Nem todos conseguem fazer uma pregação ou explicar assuntos profundos da Bíblia. Porém, todo cristão pode contar, com sinceridade, aquilo que Deus fez em sua vida. Testemunhar é dizer quem éramos, como encontramos Cristo e o que Ele tem realizado em nós.

Antes de subir aos céus, Jesus deu uma missão aos seus discípulos: “Mas vocês receberão poder, ao descer sobre vocês o Espírito Santo, e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra.” Atos 1:8 (NAA).

Jesus não disse apenas que os discípulos fariam alguma coisa para Ele. Disse que seriam suas testemunhas. A própria vida deles deveria mostrar que Jesus estava vivo. Suas palavras, escolhas e atitudes deveriam revelar ao mundo o poder transformador do evangelho.

Uma testemunha fala sobre aquilo que viu, ouviu ou experimentou. Por isso, o testemunho cristão não deve ser usado para exaltar a pessoa, mas para apresentar Jesus. O centro da história não é a nossa força, inteligência ou capacidade. O centro é a graça de Deus, que nos encontrou, nos perdoou, nos levantou e começou uma nova obra em nós.

Um sermão bem preparado pode ensinar muito. Um estudo bíblico pode esclarecer dúvidas e fortalecer a fé. Mas um testemunho sincero alcança o coração de maneira especial. Quando alguém conta que encontrou paz em meio ao luto, recebeu forças durante uma enfermidade, venceu um vício, teve o casamento restaurado ou foi sustentado durante o desemprego, outras pessoas percebem que não estão sozinhas. A experiência de um irmão pode se tornar esperança para outro.

Por isso, o profeta declarou: “Quero trazer à memória o que pode me dar esperança.” Lamentações 3:21 (NAA).

Lembrar o que Deus fez ontem nos ajuda a confiar nele hoje. Em dias difíceis, podemos recordar orações respondidas, portas abertas, livramentos recebidos e momentos em que o Senhor nos sustentou. Mesmo quando a resposta não veio como esperávamos, ainda podemos testemunhar que Deus permaneceu conosco, dando-nos forças para continuar.

O Salmo 44 mostra uma geração dizendo que havia ouvido dos pais aquilo que Deus fizera no passado. Isso revela a importância de contar as obras do Senhor dentro de casa. Filhos e netos precisam ouvir como Deus conduziu a família, respondeu orações e fortaleceu seus servos. Uma família pode conhecer muitas informações sobre a Bíblia e, ainda assim, deixar de compartilhar as experiências de fé que marcaram sua caminhada.

A história dos descendentes de Corá também mostra como Deus pode transformar uma herança de vergonha em um testemunho de fé. Corá participou de uma rebelião contra Moisés e sofreu o juízo do Senhor. Entretanto, a Bíblia registra: “Mas os filhos de Corá não morreram.” Números 26:11 (NAA).

Anos depois, seus descendentes aparecem servindo e louvando a Deus: “Os levitas dos filhos dos coatitas e dos coraítas se levantaram para louvar o Senhor, Deus de Israel, em voz bem alta.” 2 Crônicas 20:19 (NAA).

A história daquela família passou a anunciar que o erro de uma geração não precisa ser repetido pela seguinte. A graça de Deus pode interromper ciclos, restaurar caminhos e transformar o passado em testemunho. Uma família marcada por abandono, violência, vícios ou incredulidade pode, em Cristo, começar um novo capítulo e deixar para as próximas gerações uma memória diferente.

Isso também é testemunho. É quando a própria vida passa a dizer que Deus não nos abandonou ao passado, mas nos deu uma nova direção. Talvez alguém não conheça todos os detalhes da nossa história, mas poderá perceber que houve transformação, cura, amadurecimento e um novo modo de viver.

Entretanto, o testemunho precisa ser verdadeiro. Não devemos aumentar os fatos, esconder as dificuldades ou transformar cada acontecimento em algo espetacular. Deus também é glorificado quando dizemos que choramos, sentimos medo e quase desanimamos, mas fomos sustentados por sua mão. Um testemunho honesto mostra que a vida cristã não é ausência de lutas, mas presença de Deus em todas elas.

A Bíblia orienta: “Afaste-se do mal e pratique o bem; procure a paz e empenhe-se por alcançá-la.” Salmos 34:14 (NAA).

Nosso comportamento deve confirmar nossas palavras. Não adianta contar grandes experiências com Deus e viver sem amor, humildade, perdão e honestidade. O testemunho mais convincente nasce quando aquilo que falamos combina com aquilo que vivemos.

Conte o que Deus fez por você. Fale com simplicidade, gratidão e verdade. Não use sua história para mostrar o quanto você é especial, mas para mostrar o quanto o Senhor é misericordioso. Talvez suas palavras alcancem alguém que esteja quase desistindo. Quando anunciamos as obras do nosso Pai celestial, nossa história deixa de falar apenas sobre nós e passa a apontar para Jesus.

O testemunho verdadeiro não coloca o homem no centro; ele acende a esperança ao mostrar que Cristo ainda transforma histórias, sustenta vidas e permanece fiel.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

27/jul/26

 

A COROA QUE O TEMPO NOS ENTREGA

Coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são os pais.” Provérbios 17:6 (NAA).

Hoje é o Dia dos Avós, embora eu acredite que todos os dias lhes pertençam um pouco. Dizem que ser avô ou avó é descobrir uma maneira nova, mais serena e profunda de amar. Depois de tantos anos enfrentando responsabilidades, preocupações e desafios, o coração encontra nos netos uma alegria diferente, leve e renovadora.

É como se Deus permitisse que a vida recomeçasse diante de nossos olhos, agora acompanhada de mais experiência, paciência e gratidão. Nos netos, revemos a infância, reencontramos a esperança e aprendemos que o amor também pode amadurecer sem perder a ternura. Ser avô ou avó é receber a dádiva de amar novamente, mas, desta vez, com o coração mais calmo e os olhos mais atentos para reconhecer a beleza dos pequenos momentos.

Por exemplo, quando olho para os meus netos, não vejo apenas crianças. Em cada um deles, reconheço um pouco dos filhos que criei: um sorriso conhecido, um gesto antigo da família, uma expressão que recorda alguém querido ou até uma maneira de falar que parece atravessar gerações. Eles carregam traços, histórias e lembranças daqueles que vieram antes. Por isso, cada abraço que recebo deles parece unir, em um só instante, o passado que vivi, o presente que agradeço e o futuro que ainda espero contemplar.

Ser avô ou avó é voltar a enxergar o mundo pelos olhos de uma criança. É caminhar mais devagar para acompanhar seus pequenos passos. É responder perguntas simples que, para ela, são muito importantes. É admirar um desenho, ouvir uma história repetida e celebrar conquistas que parecem pequenas para os adultos, mas são enormes para quem está começando a viver.

Talvez, quando criavam os filhos, os avós estivessem cercados por muitas responsabilidades. Precisavam trabalhar, pagar contas, tomar decisões e vencer o cansaço. Amavam profundamente, mas nem sempre conseguiam estar presentes em todos os momentos. Com os netos, muitas vezes, encontram uma nova oportunidade de oferecer tempo, colo e atenção.

Isso não significa que os avós amem mais os netos do que amaram os filhos. Significa que agora amam com uma experiência diferente. O tempo ensinou que muitas coisas que antes pareciam urgentes não eram tão importantes. Ensinou também que uma conversa, uma brincadeira e um abraço podem permanecer na memória por toda a vida.

Ser avô ou avó também é ser guardião de histórias. É lembrar nomes, lugares e acontecimentos que os netos não conheceram. É contar como eram as ruas, as casas, as viagens e os costumes de outros tempos. É falar sobre pessoas da família que já partiram, mas deixaram ensinamentos, exemplos e marcas de amor.

Contudo, mais importante do que transmitir lembranças é transmitir a fé. O apóstolo Paulo reconheceu em Timóteo uma fé que havia passado por gerações: “Lembro da sua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em sua avó Loide e em sua mãe Eunice, e estou certo de que habita também em você.” 2 Timóteo 1:5 (NAA).

Loide talvez não imaginasse até onde chegaria aquilo que ensinou dentro de casa. Sua fé alcançou sua filha Eunice e, depois, seu neto Timóteo, que se tornou um importante servo de Deus. Isso mostra que a influência dos avós pode permanecer muito além de sua própria existência.

Os avós podem ensinar a fé aos netos de muitas maneiras: ensinando louvores que falam do amor de Jesus, levando-os à Escola Bíblica Dominical, convidando-os para orar, contando histórias da Bíblia e explicando, com palavras simples e com o próprio exemplo, por que confiam em Deus. Podem mostrar, com a própria vida, como se enfrenta uma enfermidade, uma perda ou uma dificuldade sem abandonar a esperança. As crianças talvez não compreendam tudo naquele momento, mas guardarão muitas dessas experiências no coração.

A Palavra orienta que os ensinamentos do Senhor sejam transmitidos de geração em geração: “Estas palavras que hoje lhe ordeno estarão no seu coração. Você as inculcará a seus filhos, e delas falará quando estiver sentado em sua casa, andando pelo caminho, ao deitar-se e ao levantar-se.” Deuteronômio 6:6-7 (NAA).

Essa responsabilidade também alcança os avós. Eles podem falar de Deus durante uma caminhada, antes de dormir, em uma viagem ou em uma conversa simples. Nem sempre será necessário fazer um grande discurso. Muitas vezes, uma frase dita com amor será lembrada durante anos.

Mas ser avô ou avó não é apenas dar presentes, oferecer doces ou satisfazer todas as vontades. É estar presente de maneira responsável. É acompanhar, ouvir, aconselhar e ajudar na formação dos netos, respeitando sempre a autoridade e as decisões dos pais.

Os avós não devem competir com os filhos pela educação das crianças. Seu papel é apoiar, cooperar e contribuir com sabedoria. Pode haver momentos em que será necessário dizer “não”, ensinar respeito ou corrigir com carinho. O verdadeiro amor não oferece apenas aquilo que agrada, mas também aquilo que ajuda a crescer.

Ser avô ou avó também traz preocupações. Quando um neto adoece, os avós sentem sua dor. Quando ele enfrenta uma dificuldade, sofrem junto. Quando conquista algo, o coração deles se enche de alegria. E, muitas vezes, enquanto todos dormem, oram em silêncio por perigos que a criança ainda nem consegue perceber.

Existem avós que acompanham os netos em tratamentos, levam-nos à escola, ajudam nas tarefas ou cuidam deles enquanto os pais trabalham. Outros vivem longe e mantêm a presença por meio de telefonemas, mensagens e orações. A distância pode impedir o abraço diário, mas não diminui o amor verdadeiro.

O salmista declara que a misericórdia do Senhor alcança os filhos dos filhos daqueles que o temem. Salmos 103:17-18. Isso significa que uma vida de fé pode produzir frutos que serão percebidos nas gerações seguintes.

Ser avô ou avó é compreender que o tempo levou a juventude, mas não retirou o propósito. Ainda há muito para ensinar, compartilhar e oferecer. Os cabelos podem embranquecer, os passos podem se tornar mais lentos, mas o coração ainda pode deixar marcas profundas.

Os netos talvez não se lembrem de todos os presentes que receberam, mas guardarão a lembrança de quem os ouviu, abraçou, aconselhou e orou por eles. Por isso, a maior herança dos avós não está nos bens que deixam, mas na fé, nos valores e no amor que plantam.

Ser avô ou avó é receber de Deus a oportunidade de amar novamente os filhos por meio dos filhos deles e deixar, no coração de uma nova geração, lembranças que o tempo não apaga e uma fé capaz de alcançar a eternidade.

Parabéns a todos os vovôs e vovós do grupo! Que Deus continue abençoando cada um, renovando as forças, multiplicando a alegria e concedendo muitos momentos especiais ao lado dos netos. Que nunca faltem saúde, paciência, ternura e gratidão para viver esse amor tão bonito que atravessa gerações.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

26/jul/26

 

A PENA QUE ANUNCIA A PALAVRA VIVA

“O meu coração transborda de belas palavras. Ao rei consagro o que compus; a minha língua é como a pena de um hábil escritor.” Salmos 45:1 (NAA).

Hoje, 25 de julho, celebra-se o Dia Nacional do Escritor. Para quem recebeu de Deus o desejo e a capacidade de escrever, esta é uma oportunidade especial de agradecer ao Deus provedor, aquele que inspira, sustenta e capacita.

Escrever é um privilégio, mas também uma grande responsabilidade, pois cada palavra registrada pode ensinar, consolar, corrigir, despertar a fé e permanecer guardada no coração de alguém por muitos anos.

Eu me alegro porque o Senhor tem me capacitado para escrever. Não considero isso apenas uma habilidade pessoal, mas uma oportunidade concedida por Deus para falar de Jesus. Quando escrevi meu primeiro livro, experimentei uma realização muito especial. Aquilo que antes existia apenas em pensamentos, lembranças e anotações ganhou forma e chegou às mãos de outras pessoas.

Foi emocionante perceber que uma palavra escrita em um lugar poderia alcançar alguém distante. Uma reflexão preparada em silêncio poderia consolar uma pessoa em um hospital, fortalecer alguém que enfrentava uma crise familiar ou levar esperança a quem estava pensando em desistir. O escritor nem sempre conhece todos os caminhos percorridos por suas palavras, mas Deus conhece.

Habacuque recebeu uma orientação do Senhor: “..._Escreva a visão, torne-a bem legível sobre tábuas, para que possa ser lida até por quem passa correndo.” Habacuque 2:2 (NAA).

Esse versículo mostra que a mensagem precisava ser escrita com clareza. Não deveria ser confusa nem compreendida apenas por pessoas muito instruídas. Até quem passasse correndo deveria conseguir lê-la. Esse princípio continua importante. Quando escrevemos sobre Deus, devemos procurar usar palavras simples, verdadeiras e acessíveis, para que todos possam entender.

A Bíblia apresenta grandes homens usados por Deus por meio da escrita. Moisés registrou acontecimentos fundamentais sobre a criação, a formação do povo de Israel e os mandamentos recebidos do Senhor. Davi transformou suas alegrias, medos, arrependimentos e experiências com Deus em salmos que ainda hoje consolam milhões de pessoas.

Salomão escreveu sobre sabedoria, escolhas, família, trabalho e o sentido da vida. Os profetas registraram advertências, promessas e mensagens que chamavam o povo ao arrependimento. Lucas pesquisou cuidadosamente os acontecimentos e escreveu para que seus leitores conhecessem com segurança a história de Jesus e o início da Igreja.

Paulo escreveu cartas enquanto viajava, enfrentava perseguições e, em alguns momentos, estava preso. Mesmo assim, suas palavras atravessaram os séculos. Ele chegou a ser algemado, mas reconheceu que “a palavra de Deus não está algemada”. 2 Timóteo 2:9 (NAA).

João também escreveu sobre aquilo que viu, ouviu e experimentou. Ele não transmitiu apenas uma teoria religiosa. Falou de uma vida que se manifestou em Jesus Cristo. Suas palavras foram registradas para que outros também conhecessem essa vida e tivessem comunhão com Deus.

Esses homens possuíam personalidades, histórias e maneiras diferentes de escrever. Entretanto, foram usados pelo mesmo Deus. A Bíblia declara: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça.” 2 Timóteo 3:16 (NAA).

Isso nos ensina que a Palavra de Deus não é apenas uma coleção de pensamentos humanos. Deus usou pessoas reais, com seus estilos e experiências, para transmitir sua verdade. Por isso, quem escreve sobre a fé precisa tratar essa missão com humildade, oração e fidelidade às Escrituras.

As palavras têm muita força. Uma frase dita ou escrita sem cuidado pode ferir profundamente. Uma mentira pode destruir uma reputação. Uma mensagem compartilhada sem verificação pode espalhar medo e confusão. Por outro lado, uma palavra de esperança pode levantar alguém. Um testemunho pode despertar a fé. Um pedido de perdão pode restaurar uma relação.

Nos dias atuais, escrevemos o tempo todo. Enviamos mensagens pelo celular, publicamos comentários, respondemos em grupos e compartilhamos pensamentos nas redes sociais. Talvez algumas pessoas não se considerem escritoras, mas diariamente deixam palavras registradas diante de outras pessoas.

Por isso, todos precisamos perguntar: minhas palavras aproximam as pessoas de Deus ou aumentam a confusão? Elas curam ou ferem? Revelam amor ou alimentam discussões? Transmitem verdade ou apenas repetem aquilo que ouvi sem verificar?

Para o escritor cristão, existe uma responsabilidade ainda maior. Não basta produzir textos bonitos. É necessário apontar para Jesus. Nossa escrita não deve buscar apenas elogios, reconhecimento ou sucesso. Deve carregar uma mensagem capaz de conduzir o coração humano ao Salvador.

João começa seu Evangelho com uma declaração maravilhosa: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” João 1:1 (NAA). Jesus é o Verbo, a Palavra viva. Isso torna a escrita cristã ainda mais preciosa. Escrevemos palavras para falar daquele que é a própria Palavra. Escrevemos sobre esperança porque Ele é nossa esperança. Falamos sobre perdão porque Ele perdoa. Anunciamos vida porque nEle está a vida.

Sei que, algum dia, os livros que escrevi envelhecerão. Suas páginas poderão amarelar, e uma publicação que compartilhei talvez desapareça rapidamente em meio a tantas outras. Contudo, uma palavra usada pelo Espírito Santo pode permanecer no coração de alguém por toda a vida, porque a Palavra que procede de Deus jamais volta vazia: ela sempre cumpre o propósito para o qual foi enviada.

Parabéns a todos nós, escritores, por este dia! Que o Senhor continue capacitando aqueles que receberam o dom e a responsabilidade de escrever. Que nossa pena, como diziam os antigos — ou, em nossos dias, o teclado — jamais seja guiada pelo orgulho, pela vaidade ou pelo desejo de ferir. Que cada palavra seja colocada nas mãos de Deus e usada para transmitir graça, verdade, consolo, esperança e salvação.

Escrever sobre Jesus é mais do que formar frases. É lançar sementes. Talvez não vejamos todos os frutos, mas podemos confiar que Deus conduzirá cada palavra ao coração que necessita recebê-la.

Quando seu instrumento de escrita — seja a pena, seja o teclado — é colocado nas mãos de Deus, as palavras deixam de ser apenas letras sobre uma página e se transformam em sementes de fé, consolo, esperança e eternidade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

25/jul/26

 

QUANDO A ORAÇÃO ENCONTRA O CAMINHO JÁ PREPARADO

“Antes que ele acabasse de orar, eis que surgiu Rebeca, filha de Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, trazendo um cântaro sobre o ombro.” Gênesis 24:15 (NAA).

Abraão já estava idoso e desejava que seu filho Isaque se casasse com uma mulher de sua própria parentela. Por isso, chamou seu servo mais antigo e confiável e lhe entregou uma missão muito importante: viajar até a terra de seus parentes e encontrar uma esposa para Isaque.

A responsabilidade era grande. O servo precisava percorrer uma longa distância, chegar a um lugar que não conhecia bem e tomar uma decisão que afetaria o futuro da família de Abraão. Ele poderia confiar apenas em sua experiência, mas escolheu buscar a direção de Deus.

Ao chegar perto da cidade, junto a uma fonte de água, o servo orou: “..._Ó Senhor, Deus de meu senhor Abraão, faze com que hoje eu seja bem-sucedido e usa de bondade para com o meu senhor Abraão!” Gênesis 24:12 (NAA).

Há um detalhe muito bonito nessa oração. O servo não disse: “Meu Deus.” Ele se dirigiu ao Senhor como “Deus de meu senhor Abraão”. Isso mostra que ele conhecia o Senhor por meio do testemunho de Abraão. Durante anos, havia observado a fé, as decisões e a caminhada de seu senhor. Sabia que o Deus de Abraão era fiel e tinha poder para dirigir aquela viagem.

Talvez aquele homem ainda não tivesse vivido uma experiência tão pessoal com Deus. No entanto, mesmo conhecendo o Senhor por meio do testemunho de outra pessoa, teve fé suficiente para orar. Ele acreditou que o Deus que havia conduzido Abraão também poderia guiá-lo.

O servo pediu um sinal claro. A jovem escolhida não apenas lhe daria água, mas também se ofereceria para dar água aos camelos. Não seria uma tarefa simples. Os animais haviam percorrido uma longa viagem e poderiam beber muita água. A atitude revelaria bondade, disposição para servir e generosidade.

Então aconteceu algo extraordinário: antes que o servo terminasse de orar, Rebeca apareceu trazendo um cântaro sobre o ombro. Ela foi até a fonte exatamente no momento em que ele apresentava seu pedido a Deus.

A resposta parece ter chegado rapidamente, mas Deus já estava preparando tudo antes que o servo começasse a falar. Enquanto ele viajava, o Senhor conduzia Rebeca até a fonte. Quando o servo orou, a resposta já estava a caminho.

A oração não colocou Deus em movimento. Ela revelou que Deus já estava agindo.

Isso se aproxima de uma promessa registrada pelo profeta Isaías: “Antes mesmo que clamem, eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei.” Isaías 65:24 (NAA).

Deus não começa a conhecer nossas necessidades quando abrimos a boca. Ele já sabe o que enfrentamos, conhece nossas dúvidas e vê os caminhos que ainda não conseguimos enxergar. Muitas vezes, enquanto estamos orando, o Senhor já está organizando circunstâncias, encontros e oportunidades.

Pense em alguém que ora por um emprego. Enquanto essa pessoa pede uma porta, talvez alguém esteja procurando exatamente um profissional com suas habilidades. Pense em uma família que ora por reconciliação. Enquanto apresenta sua dor ao Senhor, Deus pode estar trabalhando silenciosamente no coração daquele que se afastou.

Isso não significa que todas as orações serão respondidas imediatamente ou exatamente como desejamos. Algumas respostas chegam depressa; outras exigem espera. Há situações em que Deus diz “sim”, outras em que diz “não”, e momentos em que diz: “Espere.”

A rapidez da resposta não determina o tamanho do amor de Deus. O Senhor também trabalha durante o silêncio. Quando a resposta demora, Ele pode estar preparando nosso coração, corrigindo nossas intenções ou conduzindo tudo ao momento certo.

Rebeca fez exatamente aquilo que o servo havia pedido em oração. Deu-lhe água e também se ofereceu para cuidar dos camelos. Ele ficou observando em silêncio, procurando entender se o Senhor realmente havia prosperado sua jornada.

Quando percebeu que Deus havia respondido, o servo não tratou o acontecimento como uma coincidência. Ele se inclinou e adorou: “Então o homem se inclinou e adorou o Senhor. E disse: — Bendito seja o Senhor, Deus de meu senhor Abraão, que não retirou a sua bondade e a sua fidelidade de meu senhor. Quanto a mim, estando no caminho, o Senhor me guiou à casa dos parentes de meu senhor.” Gênesis 24:26-27 (NAA).

No versículo 12, ele orou. No versículo 27, ele adorou. Primeiro pediu o caminho; depois reconheceu a mão de Deus na resposta.

Esse é um ensinamento importante. Muitas pessoas sabem pedir, mas se esquecem de agradecer. Quando a dificuldade chega, oram com intensidade. Quando a resposta vem, seguem adiante como se tudo tivesse acontecido por acaso.

O servo de Abraão não fez isso. Ele parou, inclinou-se e glorificou ao Senhor. A oração verdadeira não termina quando recebemos aquilo que pedimos. Ela continua na gratidão.

Mais adiante, quando Labão viu aquele homem, disse: “Entre, bendito do Senhor! Por que você está aí fora? Já preparei a casa e o lugar para os camelos.” Gênesis 24:31 (NAA).

Aquele que começou a viagem chamando Deus de “Deus de meu senhor Abraão” agora era reconhecido como “bendito do Senhor”. A experiência havia deixado marcas visíveis em sua vida.

Ele começou conhecendo Deus pelo testemunho de Abraão, mas terminou reconhecendo pessoalmente que esse mesmo Deus também o havia guiado. O Senhor que parecia ser apenas o Deus de seu senhor tornou-se o Deus que ouviu sua oração, conduziu seus passos e confirmou sua missão.

Isso também pode acontecer conosco. Talvez, no começo, conheçamos Deus pela fé de nossos pais, avós, pastores ou amigos. Ouvimos histórias, vemos testemunhos e aprendemos com a experiência deles. Mas chega o momento em que precisamos buscar o Senhor pessoalmente.

A fé pode ser apresentada por outra pessoa, mas precisa tornar-se uma experiência viva em nosso coração. Quando oramos, obedecemos e reconhecemos a direção divina, deixamos de apenas ouvir falar de Deus e começamos a perceber sua mão em nossa própria caminhada.

O servo saiu com uma missão difícil, orou junto à fonte, recebeu uma resposta, adorou ao Senhor e foi reconhecido como alguém abençoado. Sua história nos ensina que Deus dirige aqueles que o buscam com sinceridade.

Quem começa buscando a direção de Deus aprende a reconhecer Sua mão no caminho e termina carregando marcas tão claras de Sua graça que até os outros percebem: este é um bendito do Senhor.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

24/jul/26

 

O NOME DIANTE DO QUAL TODOS SE CURVARÃO

“Por isso também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.” Filipenses 2:9-11 (NAA).

Ao longo da história, muitos nomes se tornaram conhecidos. Alguns são lembrados por suas descobertas, outros pelo poder que exerceram, pelas riquezas que acumularam ou pela influência que tiveram. Porém, todos esses nomes passam. Impérios desaparecem, governos terminam, riquezas perdem o valor e até as maiores realizações humanas acabam sendo esquecidas. Existe, entretanto, um nome que jamais perderá sua autoridade: o nome de Jesus.

Quando o apóstolo Paulo escreveu que Deus deu a Jesus o nome que está acima de todo nome, ele não estava falando apenas da maneira como pronunciamos esse nome. Estava falando de sua autoridade, de sua posição e de seu senhorio. Jesus foi exaltado porque, antes, humilhou-se profundamente.

Ele existia na forma de Deus, mas veio ao mundo como homem. Assumiu a condição de servo, viveu entre pessoas comuns, sentiu fome, cansaço, tristeza e dor. Mesmo sendo santo, permitiu que o tratassem como culpado. Foi rejeitado, humilhado e pregado numa cruz.

A cruz não foi um acidente nem uma derrota. Ela fazia parte do plano de Deus para salvar pecadores. Jesus entregou-se voluntariamente. Tomou sobre si a culpa que era nossa e sofreu a condenação que nós merecíamos. Depois de sua morte, ressuscitou e foi exaltado pelo Pai. Por isso, hoje Ele reina soberanamente.

A Bíblia diz que Jesus está assentado à direita do trono de Deus. Hebreus apresenta Cristo como aquele que suportou a cruz e venceu a vergonha, permanecendo agora em posição de honra e autoridade.

Essa verdade deve encher nosso coração de gratidão. Não fomos salvos porque éramos bons, fortes ou merecedores. Não compramos a salvação por meio de obras, esforços ou sacrifícios pessoais. Fomos alcançados pela graça.

Quando olhamos para a cruz, entendemos que nossa salvação custou um preço que jamais conseguiríamos pagar. Jesus carregou nossos pecados para que recebêssemos perdão. Ele abriu o caminho para que pessoas afastadas de Deus fossem reconciliadas com o Pai. Por isso, a adoração não deve acontecer apenas durante um culto. Ela é a resposta de uma vida que reconhece tudo o que Cristo fez.

Louvamos porque fomos perdoados. Louvamos porque não estamos mais condenados. Louvamos porque Jesus venceu a morte. Louvamos porque temos uma esperança que não termina no túmulo. Louvamos porque, mesmo em nossos dias mais difíceis, o Senhor continua sendo digno e sempre será.

Muitas vezes, as pessoas agradecem a Deus principalmente quando recebem uma resposta desejada. Louvam por uma cura, pela chegada de um emprego, pela restauração do casamento, pela compra de uma casa ou pela solução de um problema financeiro. E devemos realmente agradecer por todas essas coisas. Mas existe uma razão ainda maior para adorá-lo: nossa salvação.

Talvez alguém esteja atravessando uma enfermidade sem resposta, enfrentando desemprego, vivendo um luto ou esperando por algo que ainda não aconteceu. Mesmo nesses dias, Jesus continua sendo digno de louvor. A cruz não perdeu seu valor porque a vida ficou difícil. A ressurreição não deixou de ser verdadeira porque uma oração ainda não foi respondida.

Mesmo que não recebêssemos nenhuma outra bênção nesta vida, o fato de Cristo ter morrido e ressuscitado por nós já seria motivo suficiente para uma vida inteira de gratidão.

Quando Jesus entrou em Jerusalém, a multidão o recebeu com alegria e declarou: “E as multidões, tanto as que iam adiante dele como as que o seguiam, clamavam: — Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!” Mateus 21:9 (NAA).

Aquela declaração mostrava a esperança de que Jesus era o Messias prometido. Porém, muitos esperavam apenas uma libertação política e terrena. Jesus veio realizar algo muito maior: libertar o ser humano do pecado e conduzi-lo de volta a Deus.

Hoje, glorificamos o nome de Jesus quando reconhecemos sua autoridade e vivemos de acordo com sua vontade. A verdadeira adoração não se limita às palavras, às músicas ou às emoções. Ela aparece em nossas escolhas.

Adoramos quando perdoamos alguém que nos feriu. Adoramos quando permanecemos fiéis em meio às dificuldades. Adoramos quando recusamos uma prática errada, mesmo que ninguém esteja olhando. Adoramos quando servimos ao próximo sem buscar reconhecimento. Adoramos quando colocamos Cristo acima de nossos desejos, interesses e opiniões.

O dia chegará em que toda a criação reconhecerá a autoridade de Jesus. O livro de Apocalipse mostra o céu proclamando que o Cordeiro é digno de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor.

Alguns se curvam hoje por amor, fé e gratidão. Outros reconhecerão sua soberania apenas no dia do juízo. Entretanto, ninguém poderá negar que Jesus Cristo é o Senhor.

Por isso, enquanto temos oportunidade, devemos entregar a Ele o melhor de nossa vida. Que o nome de Jesus ocupe o primeiro lugar em nosso coração. Que nossas palavras, decisões e atitudes mostrem que pertencemos a Ele.

A maior bênção que recebemos não foi uma conquista terrena. Foi a salvação eterna conquistada por Cristo na cruz. Quem entende essa verdade sempre encontrará motivos para dizer, em qualquer circunstância: Jesus Cristo é Senhor.

Quem compreende o que Jesus fez na cruz não precisa esperar uma nova bênção para adorá-lo; encontra no próprio Cristo motivos suficientes para uma vida inteira de gratidão.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

23/jul/26

 

A GRAÇA QUE SILENCIA AS PEDRAS

“Levantando-se, Jesus perguntou a ela: — Mulher, onde estão eles? Ninguém condenou você? Ela respondeu: — Ninguém, Senhor! Então Jesus disse: — Também eu não a condeno; vá e não peque mais.” João 8:10-11 (NAA).

Uma mulher foi levada até Jesus em uma das situações mais humilhantes de sua vida. Ela havia sido surpreendida em adultério e colocada no meio de todos. Não lhe deram a oportunidade de explicar nada. Para aqueles homens, ela não era mais uma pessoa, mas apenas uma pecadora que deveria ser castigada.

Os escribas e fariseus conheciam a Lei. Sabiam citar os mandamentos e apresentavam-se como defensores da santidade. Contudo, não estavam interessados em restaurar aquela mulher. Eles queriam usá-la como instrumento para colocar Jesus à prova. Enquanto falavam sobre justiça, seus corações estavam cheios de acusação, orgulho e falta de misericórdia.

Essa cena também pode acontecer em nossos dias. Uma pessoa comete um erro, e rapidamente sua história se espalha. Fotografias, mensagens e comentários são compartilhados. Alguém que caiu passa a ser conhecido apenas por sua queda. Poucos procuram saber o que aconteceu. Poucos oferecem ajuda. Muitos apenas pegam suas pedras em forma de críticas, julgamentos e palavras cruéis.

Jesus não ignorou o pecado daquela mulher. Ele sabia exatamente o que ela havia feito. No entanto, também conhecia os pecados escondidos daqueles que a acusavam. Por isso, disse: “Quem de vocês estiver sem pecado seja o primeiro a atirar uma pedra nela.” João 8:7 (NAA).

Depois dessas palavras, ninguém conseguiu permanecer ali como juiz. Um por um, os acusadores foram embora. As pedras caíram das mãos porque a Palavra de Jesus revelou a verdade: todos eram pecadores e necessitavam da misericórdia de Deus.

É muito fácil perceber o erro do outro e esquecer as próprias fraquezas. Podemos condenar alguém por um pecado diferente do nosso e pensar que somos melhores. Mas diante da santidade de Deus, ninguém pode declarar-se justo por seus próprios méritos. Todos precisamos de perdão.

Quando os acusadores foram embora, a mulher ficou diante de Jesus. Esse foi o momento mais importante de sua vida. Ela estava diante daquele que conhecia todo o seu passado, mas também tinha poder para lhe dar um novo futuro.

Jesus perguntou: “Ninguém condenou você?” Ela respondeu: “Ninguém, Senhor!” Então ouviu palavras que jamais esqueceria: “Também eu não a condeno; vá e não peque mais.”

Jesus não disse que o pecado não tinha importância. Também não afirmou que ela poderia continuar vivendo da mesma maneira. Ele ofereceu perdão e, ao mesmo tempo, chamou-a para uma vida transformada. A graça não diz: “Continue como está.” A graça diz: “Você pode começar novamente, mas agora siga por um caminho diferente.”

Essa verdade é muito importante. Algumas pessoas pensam que Deus não pode mais recebê-las por causa dos erros que cometeram. Carregam culpa por muitos anos. Lembram-se de decisões erradas, palavras que feriram, relacionamentos destruídos ou oportunidades perdidas. Mesmo depois de pedirem perdão, continuam vivendo como se ainda estivessem no meio da praça, cercadas por acusadores. Mas a Palavra declara: “Agora, pois, já não existe nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus.” Romanos 8:1 (NAA).

Isso não significa que não haverá consequências por nossas escolhas. Significa que, em Cristo, a sentença da morte eterna foi retirada. Jesus tomou sobre si a nossa culpa e nos oferece uma nova vida. A lei do Espírito da vida nos liberta da lei do pecado e da morte. Romanos 8:2

Imagine alguém que viveu durante anos preso a um vício. Depois de muitas quedas, essa pessoa conhece Jesus, pede ajuda e inicia um caminho de restauração. Talvez alguns continuem lembrando seu passado. Jesus, porém, não a reduz ao que ela foi. Ele a chama para aquilo que pode se tornar pela graça.

Pense também em alguém que destruiu um relacionamento por causa de suas atitudes. O arrependimento verdadeiro não apaga imediatamente todas as consequências, mas abre a porta para uma nova maneira de viver. Em vez de mentir, começa a falar a verdade. Em vez de ferir, aprende a pedir perdão. Em vez de fugir de Deus, aproxima-se dele.

Jesus é a Palavra viva que não veio para destruir o pecador, mas para salvá-lo. Ele revela o pecado, oferece perdão e mostra o caminho da transformação. Logo depois daquele encontro, Jesus declarou: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas.” João 8:12 (NAA).

A mulher chegou cercada por acusadores, mas saiu com uma nova oportunidade. Chegou marcada pelo pecado, mas encontrou aquele que podia libertá-la. Chegou esperando uma sentença de morte, mas ouviu uma palavra de vida.

Talvez ainda existam pedras apontadas para você. Talvez a pedra mais pesada esteja em suas próprias mãos, porque você não consegue perdoar a si mesmo. Hoje, Jesus o convida a deixar a culpa aos seus pés, receber seu perdão e abandonar o pecado.

A voz dos acusadores pode ser forte, mas a palavra de Jesus é maior. Quando Ele perdoa, ninguém pode condenar. Quando Ele liberta, o passado não pode manter a pessoa presa. Quando Ele chama, sempre existe um novo caminho a seguir.

A graça de Jesus não esconde o pecado, mas retira a condenação, levanta o pecador e lhe oferece forças para começar uma nova vida.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

22/jul/26

 

VOCÊ SE LEMBROU DO SEU MELHOR AMIGO?

“Já não chamo vocês de servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz; mas tenho chamado vocês de amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes dei a conhecer.” João 15:15 (NAA)

Ontem foi o Dia do Amigo. Muitas pessoas enviaram mensagens, publicaram fotografias, recordaram histórias e agradeceram pela presença daqueles que caminham ao seu lado. Foi um dia bonito, porque a amizade é um presente de Deus. Ter alguém que nos ouve, nos aconselha, compartilha nossas alegrias e permanece perto nas horas difíceis é uma grande bênção.

A Bíblia diz que “há amigo mais chegado que um irmão”. Provérbios 18:24 (NAA). Existem amizades que atravessam o tempo, suportam a distância e permanecem firmes mesmo quando a vida muda. São pessoas que talvez não estejam conosco todos os dias, mas ocupam um lugar especial em nosso coração. No entanto, em meio a tantas mensagens enviadas ontem, uma pergunta precisa ser feita: você se lembrou de falar com Jesus?

Muitos dizem que Jesus é o seu melhor Amigo. Cantam isso, publicam frases sobre Ele e afirmam que confiam em sua presença. Mas amizade não é apenas uma palavra bonita. Amizade envolve conversa, proximidade, confiança, atenção e permanência.

Um amigo verdadeiro não é procurado apenas quando precisamos de ajuda. Não nos lembramos dele somente quando estamos doentes, com medo ou enfrentando problemas. Queremos também compartilhar os dias tranquilos, as pequenas alegrias, os planos e os sentimentos mais simples. Com Jesus deveria ser assim.

Ele não deseja ser apenas aquele a quem recorremos quando tudo dá errado. Ele quer participar da nossa caminhada diária. Deseja ouvir nossa gratidão, nossas dúvidas, nossos sonhos e até aquilo que não conseguimos explicar a ninguém.

Talvez ontem você tenha enviado dezenas de mensagens, mas não tenha separado alguns minutos para dizer: “Jesus, obrigado porque o Senhor nunca me abandonou. Obrigado porque me ouviu quando ninguém mais compreendia. Obrigado porque permaneceu comigo nos dias em que eu mesmo pensei em desistir.”

Jesus chamou seus discípulos de amigos. Isso é algo extraordinário. Ele é o Senhor, o Salvador e o Filho de Deus, mas decidiu aproximar-se de nós. Não nos tratou com distância. Compartilhou sua Palavra, revelou o coração do Pai e entregou a própria vida por amor.

Nenhum amigo terreno poderia fazer por nós o que Jesus fez. Seu sacrifício foi muito mais do que uma demonstração de amizade: foi uma entrega salvadora. Ele morreu por nós quando ainda éramos pecadores, não porque merecíamos, mas porque nos amou.

Os amigos podem caminhar conosco, segurar nossa mão no hospital, chorar ao nosso lado e permanecer perto durante uma grande perda. A presença deles é preciosa e pode tornar os dias difíceis mais suportáveis.

Contudo, existem dores escondidas, medos profundos e batalhas silenciosas que somente Jesus conhece por completo. Ele alcança os lugares mais profundos da alma, cura feridas que ninguém consegue ver e, por meio de sua morte e ressurreição, nos conduz à vida eterna.

Ele sabe o que sentimos antes mesmo de encontrarmos palavras. Conhece nossas fraquezas, nossos erros e nossas contradições. Mesmo assim, continua nos chamando para perto.

Talvez alguém diga: “Mas Jesus já sabe que eu o amo.” É verdade que Ele conhece o coração. Entretanto, também é verdade que o amor precisa ser demonstrado. Uma amizade não sobrevive apenas de pensamentos não expressados.

Quando foi a última vez que você conversou com Jesus sem fazer pedidos? Quando foi a última vez que abriu a Bíblia apenas para ouvi-lo? Quando foi a última vez que agradeceu pela salvação, pela presença e pelo cuidado diário?

Jesus continua dizendo: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.” Apocalipse 3:20 (NAA).

Essa imagem fala de comunhão. Jesus não deseja uma visita apressada. Ele deseja entrar, sentar-se à mesa e compartilhar a vida conosco. Entretanto, muitas vezes deixamos nosso melhor Amigo do lado de fora enquanto corremos atrás de tantas outras coisas.

Temos tempo para as redes sociais, para as notícias, para conversas longas e para muitas distrações. Porém, quando chega o momento de orar, dizemos que estamos cansados ou ocupados.

Uma amizade enfraquece quando não há diálogo. Da mesma forma, nossa comunhão com Jesus se torna distante quando deixamos de falar com Ele e de ouvir sua Palavra.

Isso não significa que Jesus abandone aquele que se afasta. Pelo contrário, Ele continua chamando, esperando e convidando para uma nova aproximação. Sua amizade é fiel, paciente e cheia de graça.

Hoje, mesmo depois do Dia do Amigo, você pode parar por alguns minutos e conversar com Jesus. Não precisa usar palavras difíceis. Fale com sinceridade: “Senhor Jesus, obrigado por ser meu Amigo. Perdoe-me pelas vezes em que me lembro de todos, mas me esqueço de falar com o Senhor. Quero ouvir sua voz, andar ao seu lado e viver de maneira que demonstre meu amor.”  

O Dia do Amigo passou, mas a amizade de Jesus permanece. Ele está presente nos dias de festa e também nas noites de choro. Permanece quando outros se afastam. Corrige-nos quando estamos errados, fortalece-nos quando estamos fracos e continua amando mesmo quando falhamos.

Jesus é, de fato, o melhor Amigo. Mas a pergunta permanece: você falou isso para Ele?

Muitos se lembram dos amigos em uma data especial, mas Jesus, nosso melhor Amigo, entregou a própria vida para nos salvar e deseja ser lembrado, amado e ouvido todos os dias.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

21/jul/26

  O TESTEMUNHO QUE MANTÉM A FÉ VIVA “ Ó Deus, nós ouvimos com os próprios ouvidos; nossos pais nos contaram o que fizeste outrora, em seus...