“Abstenham-se
de toda forma de mal.” 1 Tessalonicenses 5:22 (NAA).
Em traduções mais
antigas, esse versículo aparece da seguinte forma: “Abstende-vos de toda
aparência do mal.” O sentido principal do texto é que o cristão deve
afastar-se de toda espécie, manifestação ou prática do mal. Não se trata apenas
de evitar aquilo que parece errado aos olhos das pessoas, mas de rejeitar tudo
o que, de fato, não agrada a Deus.
Essa palavra nos
convida a examinar a própria vida. Precisamos observar nossas vestimentas,
nosso modo de falar, nossas atitudes, os lugares que frequentamos, os conteúdos
que assistimos e aquilo que permitimos entrar em nossa mente e em nosso
coração. A fé não deve ser demonstrada somente dentro da igreja, mas em todas
as áreas da vida.
Isso inclui nossa
presença nas redes sociais. Atualmente, muitas pessoas conhecem parte de nossa
vida por meio das fotografias, dos vídeos, dos comentários e das mensagens que
publicamos. Por essa razão, aquilo que colocamos na internet também faz parte do
nosso testemunho cristão.
Às vezes, pessoas
que se apresentam como cristãs publicam fotografias com roupas, poses ou
comportamentos que não combinam com os valores que afirmam seguir. Em outros
casos, escrevem palavras agressivas, compartilham conteúdos impróprios,
envolvem-se em discussões ofensivas, expõem excessivamente sua intimidade ou
fazem comentários que ferem e humilham outras pessoas.
Precisamos
compreender que a rede social não é um mundo separado da vida real. Aquilo que
fazemos diante da tela também revela algo sobre nosso coração. Podemos apagar
uma publicação, mas talvez não consigamos apagar a impressão que ela causou em
quem a viu.
Não se trata de
criar regras humanas sobre roupas ou de viver preocupado apenas com a opinião
dos outros. A questão é muito mais profunda. Devemos perguntar se aquilo que
mostramos glorifica a Deus, revela modéstia, transmite respeito e combina com a
identidade de alguém que pertence a Cristo.
A roupa, por si
mesma, não transforma o coração. Uma pessoa pode estar vestida de maneira
adequada e, ainda assim, alimentar orgulho, inveja, maldade ou falta de amor.
Entretanto, aquilo que escolhemos vestir e aquilo que estamos mostrando em uma
fotografia também transmite uma mensagem. Por isso, tanto homens quanto
mulheres devem agir com equilíbrio, dignidade, sabedoria e bom senso, evitando
a ostentação e a exposição inadequada do corpo.
Nosso corpo não
deve ser usado como instrumento de provocação, disputa ou busca exagerada por
atenção. Ele pertence ao Senhor e deve ser tratado com honra. Isso não
significa desprezar a beleza ou impedir alguém de se apresentar bem. Significa
entender que a beleza do cristão não precisa estar ligada à sensualidade, à
vaidade exagerada ou à necessidade constante de aprovação.
O mesmo cuidado
deve existir com aquilo que falamos nas redes sociais. Não podemos publicar um
versículo pela manhã e, pouco depois, usar a mesma página para espalhar
ofensas, mentiras, intrigas ou palavras cheias de rancor. Nossa fé também é
revelada pela maneira como respondemos a quem pensa diferente, pela forma como
tratamos as pessoas e pelo conteúdo que decidimos compartilhar.
Antes de publicar
alguma coisa, seria sábio fazer algumas perguntas: isso agrada a Deus? Esta
fotografia preserva minha dignidade? Estas palavras edificam alguém? Estou
mostrando Cristo ou apenas procurando atenção? Aquilo que publico fortalece ou
enfraquece meu testemunho?
Nem tudo o que
podemos publicar deve ser publicado. Nem tudo o que recebe aplausos, curtidas e
elogios tem a aprovação do Senhor. A quantidade de pessoas que admiram
determinada atitude não transforma o errado em certo. A Palavra de Deus, e não
as tendências da sociedade, deve orientar nossas escolhas. “Portanto,
irmãos, pelas misericórdias de Deus, peço que ofereçam o seu corpo como
sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Este é o culto racional de vocês. E
não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme
pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a boa, agradável e
perfeita vontade de Deus.” Romanos 12:1,2 (NAA)
Devemos zelar pelo
testemunho porque não representamos somente a nós mesmos. Pertencemos ao Reino
de Deus e carregamos o nome de Cristo. Quando alguém sabe que somos cristãos,
passa a observar se nossas atitudes combinam com a fé que professamos. Isso não
significa que seremos perfeitos, mas que devemos demonstrar o desejo sincero de
viver de maneira diferente.
O Senhor nos chamou
para sermos santos. A Bíblia declara: “Pelo contrário, assim como é santo
aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, porque
está escrito: ‘Sejam santos, porque eu sou santo.’” 1 Pedro 1:15-16
(NAA).
Ser santo não
significa nunca cometer erros, mas pertencer a Deus e permitir que Ele
transforme diariamente nosso caráter, nossas escolhas e nossos desejos. A
santificação alcança o que fazemos no templo, em casa, no trabalho, na rua e
também diante da tela do celular.
A Palavra ainda nos
adverte: “Procurem viver em paz com todos e busquem a santificação, sem a
qual ninguém verá o Senhor.” Hebreus 12:14 (NAA).
A santificação não
é um detalhe da vida cristã. Ela é uma busca diária. Por isso, devemos pedir ao
Espírito Santo que nos mostre aquilo que precisa ser abandonado. Quando
identificarmos uma prática, um hábito, uma publicação, uma foto inadequada que
nos apresenta ou uma atitude que não agrada ao Senhor, precisamos ter humildade
para mudar.
Abster-se do mal é
escolher, todos os dias, aquilo que é puro, correto e digno da presença de
Deus. Não fazemos isso apenas para preservar nossa imagem diante das pessoas,
mas porque desejamos honrar a Cristo em tudo o que somos, falamos, vestimos,
publicamos e fazemos.
O verdadeiro
testemunho não termina quando o culto acaba. Ele continua em nossa casa, em
nossas conversas, em nossas escolhas, em nossas fotografias e diante da tela de
um celular. Onde quer que estejamos, nossa vida deve apontar para Jesus.
Quem pertence a
Cristo deve revelar, até nas escolhas mais simples, a beleza de uma vida que
deseja agradar a Deus.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
18/jul/26