ENTRE A AUSÊNCIA E O ENCONTRO: A FÉ SUSTENTADA PELO ESPÍRITO

“Orando noite e dia, com o máximo empenho, para que possamos vê-los pessoalmente e reparar as deficiências da fé que vocês têm.” 1Tessalonicenses 3:10 (NAA)

Quando lemos 1Tessalonicenses 3:1–10, percebemos algo muito bonito no coração do apóstolo Paulo. Ele demonstra uma grande preocupação com a fé dos irmãos da igreja de Tessalônica. Aquela igreja havia recebido o evangelho em meio a muitas tribulações. Os cristãos daquela cidade enfrentavam oposição e dificuldades por causa da sua fé em Cristo.

Paulo, que havia sido instrumento de Deus para levar o evangelho até eles, estava distante. Mesmo longe fisicamente, seu coração permanecia profundamente ligado àquela igreja. Ele queria saber se aqueles irmãos continuavam firmes no Senhor ou se as dificuldades haviam enfraquecido a fé deles.

O texto mostra que Paulo chega a um ponto em que não consegue mais esperar notícias. Ele decide enviar Timóteo até Tessalônica para fortalecer os irmãos e trazer informações sobre como eles estavam caminhando espiritualmente.

O próprio Paulo explica o motivo dessa preocupação. Ele sabia que as tribulações poderiam abalar a fé dos novos convertidos. Por isso ele escreve: “Para que ninguém se inquiete com estas tribulações. Porque vocês mesmos sabem que estamos destinados para isto.” 1Tessalonicenses 3:3 (NAA)

A vida cristã não é um caminho sem dificuldades. Muitas vezes, seguir a Cristo envolve enfrentar oposição, críticas e momentos difíceis. Paulo sabia disso e queria preparar a igreja para permanecer firme.

Ao observarmos esse movimento no texto, podemos perceber também uma aplicação espiritual muito rica. De certa forma, a atitude de Paulo nos ajuda a lembrar da própria obra de Cristo em relação à sua igreja.

Depois de sua ressurreição, Jesus voltou para o Pai. Ele não permaneceu fisicamente presente entre nós. Porém isso não significa que Ele abandonou o seu povo. O Senhor continua profundamente interessado na perseverança da igreja.

Antes de subir aos céus, Jesus fez uma promessa aos seus discípulos: “E eu rogarei ao Pai, e ele lhes dará outro Consolador, a fim de que esteja com vocês para sempre.” João 14:16 (NAA)

Assim como Paulo enviou Timóteo para fortalecer os irmãos, Cristo enviou o Espírito Santo para habitar no coração dos crentes e sustentar a fé da igreja. Timóteo foi enviado com uma missão muito clara. Paulo diz que ele foi enviado para fortalecer e animar os irmãos na fé: “E enviamos Timóteo, nosso irmão e cooperador de Deus no evangelho de Cristo, para fortalecê-los e dar-lhes ânimo na fé.”  1Tessalonicenses 3:2 (NAA)

Essa tarefa lembra muito o ministério do Espírito Santo em nossa vida. O Espírito nos consola, nos fortalece e nos ajuda a permanecer firmes quando enfrentamos dificuldades.

Paulo também demonstra uma preocupação muito real. Ele teme que o tentador pudesse usar as tribulações para desanimar os irmãos e prejudicar o trabalho realizado naquela igreja. Ele diz: “Temendo que o tentador os tivesse colocado à prova, e que o nosso trabalho tivesse sido inútil.” 1Tessalonicenses 3:5 (NAA)

Essa realidade continua presente nos nossos dias. Muitas pessoas começam a caminhar com Cristo com grande entusiasmo. Porém, quando surgem problemas na família, dificuldades financeiras ou enfermidades, a fé pode ser abalada. O inimigo tenta usar essas situações para enfraquecer a confiança em Deus. Por isso é tão importante que a igreja seja fortalecida continuamente pela Palavra e pela presença do Espírito Santo.

A alegria de Paulo chega quando Timóteo retorna trazendo boas notícias. Ele descobre que os irmãos permanecem firmes na fé e no amor. Essa notícia traz grande consolo ao seu coração, mesmo em meio às próprias aflições que ele enfrentava.

Essa cena também nos ajuda a lembrar de outra verdade espiritual. A Bíblia ensina que o Espírito Santo participa da nossa vida de oração. Muitas vezes não sabemos como expressar diante de Deus aquilo que sentimos, porém o Espírito nos auxilia.

A Palavra diz:  “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza. Porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.” Romanos 8:26 (NAA)

Assim, enquanto a igreja ora na terra, o Espírito Santo intercede diante de Deus. Aquilo que nasce como clamor no coração do povo de Deus chega diante do Pai. Nossas orações não se perdem. Deus ouve o clamor dos seus filhos, e o Espírito participa desse movimento espiritual sustentando a fé da igreja.

Nos versículos finais, Paulo expressa um desejo profundo. Ele ora para que Deus permita que ele veja novamente aqueles irmãos e possa fortalecer ainda mais a fé deles.

Esse desejo também aponta para uma esperança maior. Hoje caminhamos pela fé. Somos sustentados pelo Espírito Santo enquanto seguimos nesta jornada. Porém chegará o dia em que veremos o Senhor face a face. Nesse encontro final, aquilo que hoje é incompleto será plenamente restaurado. Aquilo que ainda falta em nossa fé será aperfeiçoado na presença do Senhor.

Assim, este texto nos lembra de três grandes verdades: Cristo continua cuidando da sua igreja, o Espírito Santo fortalece os crentes durante a caminhada, e um dia haverá o encontro definitivo com o Senhor.

Enquanto esse dia não chega, seguimos firmes, sustentados pela graça de Deus e fortalecidos pela presença do Espírito Santo.

A igreja caminha entre a ausência visível de Cristo e o encontro final com Ele, sustentada todos os dias pelo cuidado do Espírito Santo que fortalece a nossa fé.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

16/mar/26

 

QUANDO O POUCO SE TORNA MUITO DIANTE DE DEUS

“Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía para viver.” Lucas 21:4 (NAA)

Em Lucas 21 encontramos uma cena simples, porém profundamente marcante. Jesus estava no templo observando as pessoas que traziam suas ofertas. Muitos ricos se aproximavam e depositavam grandes quantias. Aos olhos humanos, aquelas ofertas chamavam atenção. Eram valores altos, visíveis e impressionantes. Quem estivesse ali poderia pensar que aqueles eram os maiores exemplos de generosidade.

Então surge alguém que quase ninguém percebeu: uma viúva pobre. A Bíblia diz: “Jesus viu também uma viúva pobre que colocou duas pequenas moedas.” Lucas 21:2 (NAA). Aquela mulher se aproxima discretamente e deposita o pouco que possui. Algo tão pequeno que facilmente passaria despercebido. Porém, naquele momento, o Senhor estava olhando com atenção.

Naquele tempo, a situação de uma viúva em Israel era muito difícil. A mulher dependia do marido para proteção e sustento. Quando ele morria, muitas vezes ela ficava sem segurança financeira e social. Sem alguém que pudesse cuidar dela, a pobreza frequentemente se tornava parte de sua realidade. Quando a viuvez se unia à pobreza, a situação se tornava ainda mais dura.

Essa mulher do texto vivia exatamente nessa condição. Sua vida era marcada pela escassez. Ela não possuía recursos, não tinha abundância. Mesmo assim, decidiu se aproximar e colocar duas pequenas moedas — tudo o que tinha.

Nesse momento Jesus faz uma declaração surpreendente: “Verdadeiramente lhes digo que esta viúva pobre deu mais do que todos.” Lucas 21:3 (NAA). Humanamente falando, isso parece estranho. Outros haviam dado valores muito maiores. Porém Jesus não mede a oferta da maneira como nós costumamos medir. Ele não compara números. Ele observa o coração.

O próprio Senhor explica: “Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía para viver.” Lucas 21:4 (NAA). Os ricos deram do que sobrava. A viúva deu do que lhe fazia falta. Aqueles contribuíram com abundância. Ela contribuiu com confiança.

Esse ensinamento revela uma verdade profunda: Deus não avalia apenas o tamanho da oferta, mas a intenção do coração. Aquilo que é pequeno aos olhos das pessoas pode ser grande diante de Deus. Uma oferta simples pode carregar fé, gratidão e amor.

Essa viúva não tinha muito, porém tinha um coração disposto a confiar no Senhor. Seu gesto mostra que a verdadeira generosidade não nasce da abundância de recursos, mas da abundância de fé.

Essa lição continua muito atual em nossos dias. Nos últimos dias, em Juiz de Fora, muitas famílias têm enfrentado momentos difíceis por causa das fortes chuvas. Casas foram atingidas, pessoas ficaram desabrigadas e muitas perderam quase tudo. Diante dessa realidade, vimos algo muito bonito acontecer entre o povo de Deus.

Em nosso Maanaim, durante o recolhimento de provisões para ajudar os desabrigados, muitas pessoas chegaram trazendo aquilo que podiam. Alguns trouxeram alimentos, outros roupas, outros itens simples do dia a dia. Houve irmãos que chegaram com pouco nas mãos, mas com o coração aberto no desejo de ajudar.

Talvez alguém olhasse para essas doações e pensasse que eram pequenas, diante dos caminhões que chegavam repletos de mantimentos. Porém diante de Deus não é assim. O Senhor vê o amor que acompanha cada gesto. Ele vê quando alguém compartilha aquilo que possui. Ele vê quando alguém abre mão de algo para ajudar outra pessoa.

Assim como Jesus estava observando as ofertas no templo, Ele continua observando hoje. Ele vê quando um coração decide agir com compaixão. Muitas vezes, aquilo que parece pequeno aos olhos do mundo se torna grande no coração de Deus.

Uma cesta simples pode carregar muito amor. Um pacote de arroz pode representar verdadeira compaixão. Uma pequena doação pode revelar uma fé profunda.

A viúva nos ensina que Deus não espera que entreguemos aquilo que não temos. Ele nos convida a colocar nas mãos dele aquilo que está em nossas mãos. Quando fazemos isso com fé, o pouco se transforma em muito.

Talvez você pense que sua ajuda é pequena. Talvez ache que sua contribuição não faz diferença. Porém, diante de Deus, nenhuma entrega feita com amor é insignificante. Aquela viúva saiu do templo sem aplausos. Ninguém fez elogios. Provavelmente quase ninguém percebeu o que ela fez, mas Jesus percebeu. E aquele gesto simples atravessou os séculos como uma das maiores lições de generosidade de toda a Bíblia.

Quando o coração se abre para Deus, até duas pequenas moedas se tornam uma grande oferta.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

15/mar/26

 

A BATALHA É DO SENHOR

“Você vem contra mim com espada, com lança e com dardo; eu, porém, vou contra você em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem você afrontou.” 1 Samuel 17:45 (NAA)

Na vida aprendemos que é importante desenvolver habilidades. Um bom profissional procura estudar, aprender e melhorar naquilo que faz. Um médico precisa conhecer bem sua área. Um professor precisa preparar suas aulas. Um motorista precisa dirigir com responsabilidade. Em todas as áreas da vida, a dedicação e o preparo são importantes.

A própria história de Davi mostra isso. Davi era habilidoso com a funda. Ele havia passado muitos anos cuidando das ovelhas de seu pai no campo. Nesse tempo aprendeu a usar a funda para proteger o rebanho de animais perigosos. Quando enfrentou Golias, Davi já tinha experiência com aquela arma simples.

Mas existe uma verdade ainda maior que precisamos entender: a vitória não vem apenas da nossa habilidade. A vitória vem do Senhor. Nossas capacidades são importantes, porém o resultado final está nas mãos de Deus.

Quando Davi se aproximou de Golias, o gigante confiava em sua força. Golias tinha armadura, espada, lança e escudo. Ele era um guerreiro treinado e acostumado às batalhas. Aos olhos humanos, parecia impossível que um jovem pastor pudesse vencer aquele gigante.

Foi então que Davi declarou algo muito importante. Ele disse que Golias vinha com armas de guerra, porém ele estava indo em nome do Senhor dos Exércitos. Davi sabia que a batalha não dependia apenas de sua força ou de sua habilidade. “Hoje mesmo o Senhor entregará você nas minhas mãos; eu o matarei e tirarei a sua cabeça. E hoje mesmo darei os cadáveres do arraial dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra. E toda a terra saberá que há Deus em Israel.”  1 Samuel 17:46 (NAA)

Davi não estava lutando para provar que era forte. Ele estava lutando para mostrar que Deus é poderoso. A vitória de Davi não serviria para engrandecer o seu nome, mas para revelar o poder do Senhor.

Essa é uma lição muito importante para a nossa vida. Muitas vezes somos tentados a confiar apenas em nossa própria força. Quando algo dá certo, podemos pensar que foi apenas resultado da nossa inteligência, da nossa experiência ou da nossa capacidade.

A Bíblia nos ensina que tudo vem de Deus. É Ele quem abre portas, quem concede oportunidades, quem dá sabedoria e quem fortalece nossas mãos. Sem a ajuda do Senhor, nenhum de nós consegue vencer as batalhas da vida.

Isso também vale para as batalhas espirituais. Existem lutas que não podem ser vencidas apenas com esforço humano. Há problemas que nenhuma estratégia humana consegue resolver completamente. Nessas horas precisamos lembrar que Deus luta por nós. “Toda esta assembleia saberá que o Senhor salva, não com espada nem com lança; porque a batalha é do Senhor, e ele entregará vocês em nossas mãos.” 1 Samuel 17:47 (NAA)

A vitória que Deus dá não depende das armas humanas. Ela depende da intervenção divina. Deus usa pessoas, usa circunstâncias e usa situações inesperadas para realizar aquilo que parece impossível.

Pense em algo que vemos em nossos dias. Muitas pessoas enfrentam batalhas difíceis: problemas familiares, enfermidades, dificuldades financeiras ou crises emocionais. Algumas dessas situações parecem gigantes diante de nós.

Nesses momentos é importante fazer a nossa parte com responsabilidade, buscar ajuda, trabalhar e lutar com dedicação. Porém também precisamos lembrar que nossa confiança final não está em nossa própria força. Nossa confiança está no Senhor.

Quando colocamos nossa causa diante de Deus, Ele age de maneiras que muitas vezes não conseguimos imaginar. Deus abre caminhos onde parecia não haver saída. Deus fortalece quando pensamos que não temos mais forças. Deus sustenta quando tudo ao redor parece desmoronar.

Por isso, quando vier a vitória, devemos lembrar de quem ela veio. Não devemos nos gloriar em nossa própria força. Devemos reconhecer que foi o Senhor quem nos sustentou. A Bíblia nos ensina que toda glória pertence a Deus. “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade.” Salmos 115:1 (NAA)

Davi venceu Golias porque confiou no Senhor. Ele usou aquilo que sabia fazer, porém colocou toda sua confiança nas mãos de Deus.

Essa continua sendo a maneira correta de viver. Trabalhar com dedicação, usar os dons que Deus nos deu, porém lembrar sempre que a vitória final vem do Senhor.

A verdadeira vitória não nasce da força das nossas mãos, mas da confiança no Deus que luta por nós.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

14/mar/26

 

QUANDO A CATÁSTROFE NÃO É O FIM

 “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra tinha sido removida do túmulo.” João 20:1 (NAA)

Nos últimos dias, muitas pessoas ficaram abaladas ao ver as imagens de nossas cidades atingidas pelas enchentes. Casas destruídas. Ruas cobertas de lama. Famílias olhando para aquilo que restou de suas histórias. Quando a água baixa, aparece um cenário que parece impossível de reconstruir. Em momentos assim, surge uma sensação muito conhecida pelo coração humano: a sensação de que tudo acabou. Foi exatamente isso que os discípulos de Jesus sentiram na sexta-feira da crucificação.

Para eles, a morte de Jesus foi uma verdadeira catástrofe. Durante três anos haviam caminhado com Ele. Viram milagres, ouviram ensinamentos, testemunharam vidas transformadas. Muitos acreditavam que Ele traria libertação para Israel. Então, de repente, tudo desmoronou.

Jesus foi preso, humilhado, condenado e crucificado. O Mestre morreu diante de todos. O corpo foi colocado em um túmulo. Uma pedra foi rolada para fechar a entrada. Naquele momento, para os discípulos, parecia que a história havia terminado.

O sábado passou em silêncio. O medo tomou conta do coração deles. João 20 mostra que os discípulos estavam reunidos com as portas fechadas por causa do medo dos judeus. O ambiente era de tristeza, confusão e insegurança. Assim como uma cidade depois de uma enchente, o cenário emocional deles parecia devastado.

Maria Madalena foi ao túmulo ainda de madrugada, quando o dia nem havia clareado. João registra um detalhe importante: “sendo ainda escuro” (João 20:1). Essa frase descreve não apenas a hora do dia. Ela descreve também o estado do coração daqueles que seguiam Jesus. Ainda estava escuro dentro deles. Mas foi exatamente ali que Deus começou a revelar algo extraordinário.

Quando Maria chegou ao túmulo, encontrou a pedra removida. O lugar que parecia representar o fim da história se tornou o ponto de partida da maior vitória já vista. O túmulo estava vazio.

Pedro e João correram até lá e confirmaram aquilo que parecia impossível. Os panos estavam no lugar. O corpo não estava mais ali. Jesus havia ressuscitado.

A maior tragédia da história — a morte do Filho de Deus — transformou-se na maior vitória da humanidade. A cruz parecia derrota. A ressurreição revelou que era redenção. O que parecia catástrofe era, na verdade, o caminho da salvação.

Quantas vezes também olhamos para certas situações da vida e pensamos que tudo acabou. Uma perda inesperada. Uma enfermidade. Uma crise familiar. Uma cidade destruída pelas águas. Um projeto que desmorona. Aos nossos olhos, parece o fim. Entretanto, a ressurreição de Cristo nos ensina algo poderoso: Deus é especialista em transformar cenários de morte em novos começos. No mesmo capítulo, Jesus aparece aos discípulos e lhes diz: “Paz seja com vocês” (João 20:19 ). A paz entrou no lugar onde antes havia medo. Mais tarde, Jesus aparece também a Tomé, que havia duvidado. Ao ver o Senhor ressuscitado, ele declara uma das confissões mais profundas do Novo Testamento: “Senhor meu e Deus meu!” (João 20:28).

O capítulo termina com uma afirmação cheia de esperança. João escreve que essas coisas foram registradas “para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida em seu nome.” João 20:31 (NAA).

A ressurreição nos lembra que nenhuma escuridão dura para sempre. A madrugada pode chegar ainda escura. O coração pode estar pesado. As circunstâncias podem parecer irreversíveis, porém, quando Deus decide agir, a pedra é removida, o túmulo fica vazio e a vida vence a morte.

Assim como cidades destruídas podem ser reconstruídas, o coração humano também pode ser restaurado pela esperança que nasce da ressurreição de Cristo. Porque a história de Jesus prova uma verdade que nunca devemos esquecer: O que parece o fim, nas mãos de Deus, pode ser apenas o começo.

Quando Deus entra na história, até as maiores catástrofes podem se tornar o cenário de uma nova vida.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

13/mar/26

 

QUANDO DEUS FAZ FLORESCER O QUE ESTAVA SECO

 “No dia seguinte, Moisés entrou na tenda do testemunho, e eis que a vara de Arão, pela casa de Levi, tinha brotado, produzido flores, dado renovos e amadurecido amêndoas.” Números 17:8 (NAA)

A história da vara de Arão é uma das imagens mais bonitas que encontramos na Bíblia. Deus ordenou que cada líder das tribos colocasse uma vara diante da arca. Entre todas elas estava a vara de Arão.

O que é uma vara? Uma vara nada mais é do que um pedaço de madeira cortado da árvore. Não tem raiz. Não tem vida própria. Naturalmente, um galho assim apenas seca com o passar do tempo.

Naquela noite aconteceu algo extraordinário. Diante da presença de Deus, a vara de Arão brotou, floresceu e produziu amêndoas. Aquilo que estava seco recebeu vida.

Esse sinal revela um princípio espiritual profundo. A vara havia sido cortada da árvore. Não havia mais seiva natural correndo dentro dela e pela lógica humana, era impossível que aquele galho voltasse a viver. Os outros galhos permaneceram como estavam. Continuaram secos. Nada mudou com eles.

A vara de Arão estava diante da arca da aliança, símbolo da presença de Deus. E naquele lugar aconteceu o milagre: a vida veio de uma fonte diferente. “Eu sou a videira, vocês são os ramos. Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim vocês não podem fazer nada.” João 15:5 (NAA)

Essa imagem fala também sobre nós. O pecado nos separou da verdadeira fonte da vida. Como um galho cortado, o ser humano se tornou espiritualmente seco, mas Deus não nos deixou nessa condição. Pela sua graça, Ele nos trouxe novamente para perto de si por meio de Jesus.

Quando alguém se aproxima de Cristo, uma nova vida começa a agir dentro do coração. É como se uma nova seiva começasse a correr dentro da alma. Essa seiva é a presença do Espírito Santo. É Ele quem governa o interior da vida do cristão. A transformação começa dentro do coração.

Depois, os sinais começam a aparecer por fora. Primeiro aparecem as flores. As flores lembram os dons que Deus concede à igreja para servir, ensinar, ajudar, consolar e edificar os irmãos. “Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade.” Gálatas 5:22 (NAA). Certo é que a vida espiritual não termina nas flores. Depois vêm os frutos. O fruto mostra que a vida de Deus realmente está operando dentro da pessoa.

Quando o Espírito governa o coração, o caráter começa a mudar. O amor cresce. A paciência aparece. A bondade se manifesta. Esses frutos são a evidência de que a seiva do Espírito está fluindo dentro da vida do cristão.

Essa verdade também se aplica à vida da igreja. A igreja não vive apenas de estrutura, programas ou atividades. Ela vive da presença de Deus. Quando a igreja permanece diante do Senhor, algo começa a florescer. Pessoas são transformadas. Dons aparecem. Frutos espirituais surgem. Uma igreja que vive na presença de Deus sempre verá vida surgindo onde antes havia sequidão. “Plantados na Casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus.” Salmo 92:13 (NAA)

Por isso a história da vara de Arão nos ensina algo muito simples e muito profundo. Deus é capaz de produzir vida onde naturalmente só haveria morte. Ele pode fazer florescer aquilo que parecia perdido.

Quando permanecemos na presença do Senhor, a vida espiritual começa a aparecer — primeiro no coração, depois nas atitudes e, por fim, nos frutos que alcançam outras pessoas.

Quando a seiva do Espírito flui dentro de nós, até aquilo que parecia seco começa a florescer na presença de Deus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

12/mar/26

 

ENVIADOS PARA SERVIR

“Jesus disse outra vez: ‘Paz seja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês.’” João 20:21 (NAA)

Nos últimos dias, muitas cidades de nossa região enfrentaram momentos muito difíceis. As enchentes deixaram um cenário que entristece o coração. Casas destruídas, móveis perdidos, famílias tentando recomeçar entre a lama e os destroços. Quem passa por esses lugares percebe rapidamente que não se trata apenas de perdas materiais. Há também dor, medo e um sentimento profundo de desamparo.

Em situações assim, surge uma pergunta importante: qual deve ser a atitude da igreja? O evangelho nos dá uma resposta muito clara.

Depois de ressuscitar, Jesus apareceu aos seus discípulos. Eles estavam reunidos com medo, ainda tentando entender tudo o que havia acontecido. Foi nesse momento que o Senhor disse algo que mudou completamente o rumo da história da igreja:
Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês.” João 20:21 (NAA).

Essa frase revela uma verdade profunda. A igreja não foi chamada apenas para ouvir o evangelho. Foi chamada para continuar a missão de Cristo no mundo. Jesus veio trazendo salvação, esperança e cuidado pelos que sofrem. Ele alimentou os famintos, consolou os aflitos, tocou os doentes e acolheu os esquecidos. Quando Ele diz “eu envio vocês”, Ele está dizendo que sua obra continua através de seu povo, de sua igreja.

É exatamente isso que vemos acontecer em momentos de crise. Enquanto muitos choram suas perdas, a igreja se levanta como instrumento de Deus para socorrer e restaurar vidas. Irmãos se mobilizam. Doações começam a chegar. Pessoas simples, movidas pelo amor de Cristo, começam a repartir aquilo que têm.

Caixas com kits de comida são preparadas e distribuída. Produtos de higiene chegam às mãos de famílias que perderam tudo. Móveis e utensílios são doados para ajudar no recomeço de muitos lares. Materiais de construção começam a aparecer para que casas possam ser reconstruídas. Cada gesto desses carrega algo maior do que ajuda material. Carrega o testemunho do amor de Deus.

A solidariedade da igreja se torna um sermão vivo. Muitas vezes, quem recebe uma cesta de alimentos percebe algo muito importante: Deus não se esqueceu de mim.

Esse cuidado lembra o que a Bíblia ensina em muitos lugares. Em Gálatas 6:10 (NAA) lemos: “Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé.” A igreja cuida de seus irmãos, sem dúvida. Porém, o amor de Cristo também nos leva a cuidar de toda a comunidade ao nosso redor.

Quando uma cidade sofre, a igreja não se esconde. Ela se levanta. Quando as águas baixam e a lama aparece, o povo de Deus coloca as mãos no trabalho. Esse movimento revela algo muito bonito: a presença de Cristo continua sendo vista no mundo através da vida de seus discípulos.

Cada alimento entregue, cada abraço dado, cada oração feita, cada gesto de solidariedade aponta para o mesmo evangelho que anunciamos com palavras.  E há algo ainda mais profundo nisso tudo.

Jesus não enviou seus discípulos apenas para falar sobre o amor de Deus. Ele os enviou para demonstrar esse amor de maneira concreta. Por isso, quando a igreja se mobiliza para ajudar cidades atingidas por enchentes, ela não está apenas realizando uma ação social. Ela está vivendo a missão que recebeu do próprio Cristo. A igreja se torna mãos que ajudam. Braços que levantam. Corações que acolhem. Em meio à dor, Deus levanta um povo disposto a servir.

Talvez não possamos reconstruir tudo imediatamente. Talvez não possamos apagar todas as lágrimas, mas podemos fazer algo muito importante: mostrar que ninguém está sozinho. Porque a igreja de Cristo foi enviada exatamente para isso. Levar esperança onde há desespero. Levar cuidado onde há dor. Levar amor onde tudo parece perdido.

E assim, enquanto ajudamos a reconstruir casas e cidades, Deus também vai reconstruindo corações.

Quando a igreja serve ao próximo, o mundo volta a enxergar Jesus caminhando entre as pessoas.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

11/mar/26

 

NÃO VISTA A ARMADURA DE OUTRO: USE O QUE DEUS COLOCOU EM SUAS MÃOS

“Então Davi disse a Saul: — Não posso andar com isto, pois nunca o usei. E Davi tirou aquilo de sobre si.” 1 Samuel 17:39 (NAA)

A história de Davi enfrentando Golias nos ensina muitas lições. Uma delas é muito importante para a vida cristã: Deus não quer que sejamos outra pessoa. Deus nos chama para sermos quem Ele nos criou para ser e para desenvolver os dons que Ele colocou em nossas mãos.

Quando Davi se apresentou para enfrentar Golias, o rei Saul tentou ajudá-lo. Saul colocou sua própria armadura em Davi, colocou o capacete e a espada. Aos olhos humanos parecia uma boa ideia. Afinal, Saul era um guerreiro experiente e aquela armadura representava proteção em uma batalha.

O problema é que aquilo não servia para Davi. Saul era um homem alto e acostumado à guerra. Davi era um jovem pastor, de estatura menor e sem experiência com aquele tipo de equipamento. A Bíblia diz que Davi tentou andar com a armadura, porém percebeu que não conseguia nem se mover direito. “Saul vestiu Davi com a sua própria armadura, pôs um capacete de bronze na cabeça dele e o vestiu com uma couraça.”   1 Samuel 17:38 (NAA)

Davi então tomou uma decisão muito importante. Ele tirou a armadura de Saul. Aquela armadura poderia até funcionar para outro guerreiro, porém não para ele. Davi entendeu que não precisava copiar ninguém para cumprir aquilo que Deus tinha colocado diante dele.

Quantas vezes isso acontece conosco hoje? Muitas pessoas vivem tentando ser aquilo que não são. Tentam imitar outras pessoas, copiar caminhos que não são os seus e carregar armaduras que Deus nunca colocou sobre elas. Deus criou cada pessoa de forma única. Cada um possui dons, talentos e capacidades diferentes. Quando tentamos viver imitando outros, acabamos perdendo aquilo que Deus deseja fazer através da nossa própria vida.

Depois de tirar a armadura, Davi fez algo simples. Ele foi até um ribeiro, escolheu cinco pedras lisas e colocou no seu alforje. Em seguida pegou sua funda. Aquela era sua ferramenta. Aquilo fazia parte da sua vida diária. Como pastor, Davi já havia usado a funda muitas vezes para proteger as ovelhas. “Pegou o seu cajado na mão, escolheu para si cinco pedras lisas do ribeiro e as colocou no alforje de pastor que trazia, isto é, na sacola; e, com a funda na mão, foi se aproximando do filisteu.” 1 Samuel 17:40 (NAA)

Davi não tentou lutar como Saul lutava. Ele lutou da maneira que sabia. Ele usou aquilo que Deus havia colocado em suas mãos. Aquilo que parecia simples foi exatamente o que Deus usou para derrotar o gigante.

Essa lição é muito atual. Vivemos em um mundo que valoriza cada vez mais a especialização. Antigamente existia o médico da família que cuidava de quase tudo. Hoje existem especialistas para cada área do corpo. Um médico cuida do coração, outro do estômago, outro dos olhos. A mesma coisa acontece em muitas outras profissões.

Isso também vale para nossa vida. Cada pessoa precisa desenvolver aquilo que Deus colocou em suas mãos. Se você é professor, seja um bom professor. Se trabalha na área da saúde, sirva com dedicação. Se trabalha em um comércio, faça seu trabalho com honestidade e excelência.

Na vida espiritual também é assim. Quem decidiu seguir a Cristo precisa viver essa fé de forma verdadeira. Não é vida cristã pela metade. É caminhar com Deus, buscar sua presença, ler a Palavra, orar e viver de forma fiel. A Bíblia nos lembra que o serviço a Deus deve ser feito com dedicação e zelo. “O zelo da tua casa me consumirá.”  João 2:17 (NAA)

Davi não era o soldado mais forte, nem o guerreiro mais experiente. Porém ele era fiel ao Senhor e sabia usar aquilo que Deus havia colocado em suas mãos. Isso foi suficiente para que Deus realizasse uma grande vitória.

O Senhor continua agindo assim hoje. Deus não procura pessoas perfeitas ou extraordinárias aos olhos do mundo. Deus usa pessoas simples que estão dispostas a confiar nele e a servir com fidelidade. Talvez alguém pense que possui pouco talento ou poucos recursos. Porém nas mãos de Deus aquilo que parece pequeno pode se tornar instrumento de grandes milagres.

Quando você descobre aquilo que Deus colocou em suas mãos e decide usar isso com fidelidade, Deus faz o restante.

Deus não precisa que você seja outra pessoa; Ele apenas deseja que você use com fidelidade aquilo que Ele já colocou em suas mãos.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

10/mar/26

  ENTRE A AUSÊNCIA E O ENCONTRO: A FÉ SUSTENTADA PELO ESPÍRITO “Orando noite e dia, com o máximo empenho, para que possamos vê-los pessoal...