O ALVO QUE ULTRAPASSA ESTA VIDA

“Prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” Filipenses 3:14 (NAA).

Todos nós temos alvos, temos sonhos que desejamos que se cumpram. Desde cedo aprendemos a estabelecer objetivos e a lutar para alcançá-los. Um jovem deseja terminar os estudos, entrar na faculdade e conseguir um bom emprego. Depois vêm outros projetos: formar uma família, comprar uma casa, crescer profissionalmente, educar os filhos, conquistar estabilidade e preparar-se para a velhice. Nada disso é errado. São objetivos importantes e fazem parte da vida.

O problema começa quando acreditamos que esses são os únicos alvos que realmente importam.

Imagine alguém que passou a vida inteira trabalhando. Estudou, construiu uma carreira, comprou imóveis, formou patrimônio, recebeu reconhecimento e conseguiu oferecer conforto à família. Aos olhos das pessoas, essa vida pode parecer uma história de grande sucesso. Mas chega um momento em que surge uma pergunta que nenhum dinheiro consegue evitar: o que acontecerá quando esta vida terminar?

Jesus fez uma pergunta muito séria: “De que adianta uma pessoa ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” Marcos 8:36 (NAA).

Essa pergunta continua atual. Podemos ter uma boa profissão, uma casa confortável, dinheiro guardado, milhares de seguidores nas redes sociais, viagens realizadas e muitos sonhos cumpridos. Entretanto, chegará um dia em que tudo isso ficará para trás. Não levaremos conosco nossa conta bancária, nossos diplomas, nossos títulos, nossa casa nem aquilo que acumulamos durante os anos.

Isso não significa que devemos abandonar nossos projetos. O cristão também estuda, trabalha, cuida da família, planeja o futuro e procura fazer bem aquilo que está diante dele. A diferença é que, depois de conhecer Jesus, ele descobre que existe um alvo maior do que todos os outros.

Paulo diz: “Prossigo para o alvo”. Ele tinha uma direção. Sua vida não estava sendo conduzida apenas pelas coisas deste mundo. Seu coração estava voltado para Cristo e para aquilo que Deus havia preparado para ele. Paulo sabia que sua existência na terra terminaria, mas sua comunhão com o Senhor não terminaria com a morte. Esse é o grande chamado do Evangelho.

Jesus não veio apenas para melhorar alguns anos de nossa existência. Ele veio para nos salvar. Ele nos chama para uma vida que começa aqui, quando cremos nEle, e alcança a eternidade. Por isso, o maior alvo de uma pessoa não pode ser apenas conseguir algo; precisa ser conhecer Cristo, pertencer a Ele e chegar ao fim da caminhada permanecendo nEle.

Jesus declarou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14:6 (NAA).

Observe que Jesus não disse apenas que conhecia o caminho. Ele é o Caminho. Isso significa que não conseguiremos chegar ao Pai por nosso próprio esforço, boas obras, conhecimento ou capacidade. Precisamos de Jesus. É Ele Quem nos perdoa, nos salva e nos conduz.

Quando esse alvo maior ocupa o primeiro lugar, os demais objetivos encontram seu devido lugar. Jesus ensinou: “Mas busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas.” Mateus 6:33 (NAA).

Isso não é uma promessa de que todo cristão ficará rico, terá a profissão que deseja ou realizará todos os seus projetos. Significa que Deus deve ocupar o primeiro lugar e que podemos confiar a Ele as necessidades de nossa vida.

Pense, por exemplo, em alguém que perde o emprego. Se o trabalho era o seu único alvo, pode sentir que perdeu tudo. Outro pode não conseguir entrar na faculdade desejada, ver um projeto fracassar ou enfrentar uma mudança inesperada. Nesses momentos, descobrimos como os alvos terrenos são frágeis. Eles podem mudar de uma hora para outra.

Mas existe um alvo que nenhuma crise econômica, enfermidade, perda profissional ou mudança de circunstância pode retirar daquele que está em Jesus.

E não caminhamos sozinhos em direção a esse alvo. O Senhor nos deu o Espírito Santo para nos fortalecer, orientar, consolar e ajudar em nossa caminhada. Quando nossas forças diminuem, Ele continua conosco. Quando não sabemos como prosseguir, Ele nos sustenta. Quando tropeçamos, encontramos em Cristo perdão e oportunidade para continuar.

Talvez você esteja lutando hoje para alcançar muitos objetivos. Continue estudando, trabalhando, cuidando de sua família e realizando seus projetos. Mas faça uma pergunta ao seu coração: qual é o maior alvo da minha vida?

Não coloque toda a sua esperança em coisas que um dia terão de ficar para trás. Jesus está chamando você para algo maior. Há uma salvação que alcança a eternidade, um Caminho que conduz ao Pai e uma vida que a morte não pode destruir.

Continue perseguindo seus bons objetivos, mas não perca o alvo principal. Porque podemos conquistar muitas coisas durante a vida e, ainda assim, perder aquilo que realmente importa.

Podemos alcançar muitos alvos nesta vida, mas somente em Cristo encontramos o alvo que atravessa a morte e nos conduz à eternidade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

15/ago/26

 

QUANDO DEUS TRANSFORMA A DOR EM PROPÓSITO

 “Agora, pois, não fiquem tristes nem irritados contra vocês mesmos por terem me vendido para cá, porque foi para a preservação da vida que Deus me enviou adiante de vocês.” Gênesis 45:5 (NAA).

Por vezes, é muito difícil compreender uma luta enquanto estamos passando por ela. Quando a dor chega, nossa visão fica limitada ao momento presente. Perguntamos por que aquilo aconteceu, por que Deus permitiu determinada situação e até quando teremos de suportá-la. Queremos respostas imediatas, mas nem sempre elas chegam no momento em que desejamos. Há situações que só começam a fazer algum sentido quando o tempo passa e Deus nos permite olhar para trás.

Foi assim com José. Quando foi vendido pelos próprios irmãos, ele não recebeu uma explicação dizendo como tudo terminaria. Foi arrancado de sua casa, levado para uma terra estranha, tornou-se escravo, sofreu uma falsa acusação e acabou na prisão. Em vários momentos, sua história poderia parecer ter saído completamente do controle. Entretanto, Deus continuava presente. Anos depois, José conseguiu enxergar aquilo que antes não podia ver: Deus havia transformado o caminho de sofrimento em instrumento para preservação de muitas vidas.

Isso não significa que o pecado dos irmãos tenha deixado de ser pecado. Eles agiram com inveja, crueldade e injustiça. José não chamou o mal de bem. O que ele compreendeu foi algo muito maior: a maldade humana não conseguiu impedir o propósito de Deus. Aquilo que os irmãos fizeram para prejudicá-lo foi usado pelo Senhor dentro de um plano que eles jamais poderiam imaginar.

Talvez também existam acontecimentos em nossa vida que hoje não conseguimos compreender. Uma porta profissional se fecha justamente quando mais precisávamos dela. Um projeto construído durante anos desmorona. Alguém em quem confiávamos nos decepciona. Uma enfermidade muda completamente os planos de uma família. Fazemos perguntas, choramos e, muitas vezes, não encontramos explicações. Nessas horas, precisamos lembrar que não compreender o que Deus está fazendo não significa que Ele tenha perdido o controle.

A tribulação é real, e ninguém precisa fingir que sofrer é agradável. Entretanto, a Palavra mostra que Deus pode produzir algo em nós até durante os períodos difíceis. Paulo escreveu: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança, a perseverança produz experiência e a experiência produz esperança.” Romanos 5:3-4 (NAA).

Veja a sequência: tribulação, perseverança, experiência e esperança. A luta que poderia simplesmente nos derrubar pode, nas mãos de Deus, ensinar-nos a permanecer. E aquele que aprende a perseverar começa também a descobrir, pela experiência, que Deus continua fiel mesmo nos dias difíceis.

José certamente conheceu esse aprendizado. O menino lançado numa cisterna tornou-se o homem que permaneceu firme na casa de Potifar, na prisão e, finalmente, diante de Faraó. Quando chegou o momento em que possuía autoridade suficiente para se vingar dos irmãos, escolheu outro caminho. Poderia tê-los castigado, mas recebeu-os, chorou com eles e reconheceu a mão de Deus acima de toda a sua história.

Talvez uma das maiores demonstrações de que nossas feridas estão sendo tratadas seja quando deixamos de usá-las como justificativa para ferir os outros.

E não encontramos exemplo maior disso do que em Jesus. Ele foi rejeitado, traído, acusado injustamente, humilhado e levado à cruz. Mesmo ali, em meio ao sofrimento, disse: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” Lucas 23:34 (NAA).

A cruz parecia, aos olhos humanos, o fim. Mas aquilo que parecia derrota tornou-se o caminho da nossa salvação. Séculos antes, Isaías havia profetizado: “Todavia, ao Senhor agradou esmagá-lo, fazendo-o sofrer. Quando ele der a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do trabalho de sua alma e ficará satisfeito.” Isaías 53:10-11 (NAA).

Isso não significa que todo sofrimento terá uma explicação clara nesta vida, nem que devemos chamar de bom aquilo que nos feriu. Significa que podemos confiar que nenhuma dor está acima da soberania de Deus. Ele pode restaurar, ensinar, amadurecer, abrir novos caminhos e fazer nascer esperança onde enxergávamos apenas perdas.

Talvez hoje você esteja vivendo exatamente o meio da história. Ainda não consegue entender por que determinadas coisas aconteceram e não sabe como tudo terminará. José também passou muitos anos sem enxergar o final. Continue confiando.

Pode chegar o dia em que você olhará para trás e perceberá que Deus estava presente até nos capítulos que você menos compreendeu. O sofrimento não é necessariamente o fim da história. Nas mãos de Deus, até uma cicatriz pode se tornar testemunho de que a graça nos sustentou, a perseverança nos fez continuar e o Senhor jamais perdeu o controle do caminho.

Nem sempre conseguimos entender Deus enquanto atravessamos a dor; muitas vezes, somente depois descobrimos que aquilo que parecia interromper nossa história estava sendo usado por Ele para conduzi-la a um propósito maior.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

14/ago/26

 

A PASTA DE FIGOS E O DEUS DOS MILAGRES

 “Ora, Isaías tinha dito: — Peguem uma pasta de figos, ponham como emplastro sobre a úlcera, e ele irá recuperar a saúde.” Isaías 38:21 (NAA)

Quem nunca ficou doente ou não teve um enfermo grave na família. A enfermidade faz parte de uma das experiências mais difíceis da vida humana. Quando a doença chega, percebemos rapidamente como somos frágeis. De repente, aquilo que parecia tão importante perde espaço para perguntas muito simples: O que está acontecendo comigo? Existe tratamento? Vou ficar bem? É justamente nesses momentos que a Medicina se torna uma grande bênção. Médicos, enfermeiros, medicamentos, exames, cirurgias e tantos outros recursos podem fazer enorme diferença na vida de uma pessoa.

A Bíblia apresenta uma experiência interessante na vida do rei Ezequias. Ele ficou gravemente enfermo e recebeu uma notícia que ninguém gostaria de ouvir. Sua doença era mortal. Diante daquela situação, Ezequias virou o rosto para a parede, orou ao Senhor e chorou. Então Deus enviou novamente o profeta Isaías com uma palavra de esperança: “Ouvi a sua oração e vi as suas lágrimas. Acrescentarei quinze anos à sua vida.” Isaías 38:5 (NAA).

Há algo extraordinário nessa história: a promessa da cura veio antes da pasta de figos. Deus já havia declarado o que faria. Entretanto, depois de anunciar a cura, o Senhor orientou que fosse colocado um emplastro de figos sobre a úlcera de Ezequias. A promessa não tornou desnecessário o recurso disponível. Ao contrário, Deus decidiu incluí-lo no processo.

Isso nos ensina algo muito importante: fé e cuidado não precisam caminhar em direções opostas.

Às vezes, alguém pergunta: “Se eu creio que Deus pode me curar, por que preciso procurar um médico?” A experiência de Ezequias nos mostra que usar um recurso não significa ausência de fé. Podemos orar e procurar atendimento. Podemos confiar no Senhor e tomar o medicamento prescrito. Podemos pedir um milagre e, ao mesmo tempo, entrar em uma sala de cirurgia. A fé não precisa desprezar os meios pelos quais Deus pode decidir cuidar de nós.

Hoje não usamos uma pasta de figos para todas as enfermidades. Temos recursos que seriam inimagináveis nos tempos bíblicos. Existem exames capazes de identificar doenças precocemente, medicamentos, cirurgias complexas, tratamentos contra o câncer, unidades de terapia intensiva, fisioterapia e muitos outros recursos. Por trás de tudo isso existem pessoas que estudaram, pesquisaram e dedicaram anos de suas vidas ao cuidado de outras pessoas.

Um cristão pode olhar para esses recursos com gratidão sem transformá-los em deuses. A Medicina tem enorme valor, mas também possui limites. Há momentos em que o médico precisa dizer à família que determinado tratamento não produziu o resultado esperado. Existem doenças para as quais ainda não há cura. Há situações em que tudo o que pode ser feito é aliviar a dor, oferecer conforto e permanecer ao lado de quem sofre.

Quando os recursos humanos chegam ao limite, Deus não deixa de ser Deus.

Isso não significa que Ele sempre fará o milagre exatamente como desejamos. A fé cristã não nos autoriza a exigir de Deus a cura física de todas as enfermidades. O Senhor continua soberano. Algumas vezes Ele cura de maneira surpreendente; outras vezes usa médicos, medicamentos e tratamentos; e há momentos em que Sua resposta não é a cura que esperávamos. Mesmo assim, Ele continua presente.

A história de Ezequias nos ajuda a colocar cada coisa em seu devido lugar. A pasta de figos era um recurso. Deus continuava sendo a fonte da vida.

Talvez hoje a “pasta de figos” tenha outro nome. Pode ser um antibiótico, uma cirurgia, uma sessão de fisioterapia, um tratamento prolongado ou simplesmente a orientação de um profissional que percebeu algo a tempo. Devemos receber esses recursos com responsabilidade e gratidão.

Mas existe uma enfermidade ainda mais profunda que nenhum hospital pode tratar: o pecado que separa o homem de Deus. Para essa doença, não existe medicamento produzido em laboratório. É nesse ponto que encontramos Jesus.

Ele mesmo declarou: “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes.” Lucas 5:31 (NAA). Logo depois, explicou que veio chamar pecadores ao arrependimento.

Jesus veio tratar aquilo que nenhum recurso humano consegue alcançar por completo: nossa condição espiritual. Na cruz, Ele ofereceu perdão, reconciliação com Deus e vida eterna. O médico pode cuidar do corpo; Jesus alcança o coração e oferece salvação.

Por isso, quando a enfermidade chegar, ore. Procure ajuda. Use com responsabilidade os recursos disponíveis. Agradeça a Deus pelos profissionais que cuidam de vidas. E nunca permita que o recurso ocupe o lugar Daquele que é a fonte de toda vida.

O Senhor declarou: “pois eu sou o Senhor, aquele que cura vocês.” Êxodo 15:26 (NAA).

Entre a pasta de figos e o milagre existe uma verdade que permanece: podemos usar todos os recursos que Deus coloca em nossas mãos, mas nossa esperança final continua estando nEle.

A fé não despreza os recursos que Deus coloca em nossas mãos; ela apenas reconhece que, acima do remédio, do conhecimento e das mãos que cuidam, continua soberano o Senhor da vida.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

13/ago/26

 

A VERDADE QUE QUEBRA AS CORRENTES

“Conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.” João 8:32 (NAA).

Duas palavras são muito repetidas em nossos dias: verdade e liberdade. Fala-se constantemente sobre o direito de cada pessoa pensar, escolher, decidir e viver conforme suas próprias convicções. Ao mesmo tempo, ouvimos expressões como “esta é a minha verdade”, “cada um tem a sua verdade” ou “o importante é ser livre para fazer o que quiser”. O problema é que, quando cada pessoa define a verdade apenas a partir de si mesma e entende liberdade apenas como ausência de limites, essas duas palavras começam a perder o sentido.

Por isso, vale fazer duas perguntas muito simples: o que é a verdade e o que significa ser verdadeiramente livre?

Para nós, cristãos, essas duas palavras estão profundamente ligadas. Jesus não disse apenas que a verdade existe; Ele afirmou que o conhecimento da verdade produz liberdade. Em João 8, Ele estava falando àqueles que haviam crido nEle e declarou que, se permanecessem em Sua Palavra, conheceriam a verdade e essa verdade os libertaria. Logo depois, explicou qual era a escravidão mais profunda do ser humano: “todo o que comete pecado é escravo do pecado.” João 8:34 (NAA).

Aqui começamos a compreender a ligação entre verdade e liberdade. O homem pode imaginar que é livre simplesmente porque faz o que deseja, mas pode estar obedecendo a desejos que já o dominam. Alguém pode dizer: “Eu faço o que quero”, mas não consegue abandonar um vício, controlar a ira, perdoar uma ofensa, vencer uma mentira ou romper com hábitos que destroem sua vida. Nesse caso, existe liberdade para escolher ou existe uma prisão que apenas recebeu outro nome?

A liberdade ensinada por Jesus é muito mais profunda. Não é simplesmente poder fazer tudo o que desejamos, mas ser libertos daquilo que nos impede de viver segundo a vontade de Deus. É poder dizer “não” ao pecado, abandonar caminhos que nos escravizam e escolher aquilo que agrada ao Senhor.

Mas como essa liberdade chega até nós? Pela Verdade.

E a Verdade, no Evangelho, não é apenas um conjunto de ideias corretas. Ela tem um nome. Jesus declarou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14:6 (NAA). Portanto, conhecer a Verdade significa, acima de tudo, conhecer Jesus e receber aquilo que Ele fez por nós.

O ser humano pode estudar, pesquisar, desenvolver a ciência e alcançar conhecimentos extraordinários. Tudo isso tem valor. Podemos conhecer leis, números, doenças, tecnologias, culturas e inúmeras coisas sobre o mundo em que vivemos. Entretanto, nenhum diploma, por maior que seja, pode por si mesmo revelar ao homem sua condição espiritual diante de Deus ou libertá-lo do pecado. Essa Verdade precisa ser revelada ao coração pelo Espírito Santo por meio da Palavra.

É isso que acontece na conversão. O Espírito Santo mostra ao homem que ele é pecador, conduz ao arrependimento e revela o valor do sacrifício de Jesus. Aquilo que antes era apenas informação começa a se tornar experiência. O homem deixa de apenas saber que Jesus morreu na cruz e passa a compreender que Ele morreu por seus pecados, derramou Seu sangue para salvá-lo e lhe oferece uma nova vida. É nesse ponto que a Verdade começa a produzir liberdade.

Pense em alguém que carrega ressentimento durante muitos anos. Essa pessoa pode saber racionalmente que precisa perdoar. Pode ouvir conselhos, ler livros e dizer a si mesma inúmeras vezes que precisa esquecer o passado. Mesmo assim, a ferida continua aberta. Quando, porém, ela compreende pela Palavra o perdão que recebeu de Deus, o Espírito Santo começa a trabalhar em seu coração. Ela percebe que foi alcançada pela graça e começa, também pela graça, a aprender a perdoar. A Verdade deixou de ser apenas uma ideia e passou a libertá-la.

O mesmo acontece com aquele que vive dominado pela culpa. A Verdade mostra o pecado, mas também apresenta o perdão. Mostra nossa fraqueza, mas revela a graça. Mostra que não podemos salvar a nós mesmos, mas aponta para Aquele que já realizou tudo o que era necessário para nossa salvação. Por isso Jesus acrescentou: “Se, pois, o Filho os libertar, vocês serão verdadeiramente livres.” João 8:36 (NAA).

Veja como as duas palavras se encontram: a Verdade revela Jesus, e Jesus produz verdadeira liberdade.

Essa liberdade não significa que o cristão nunca mais enfrentará lutas, tentações ou fraquezas. Significa que agora ele pertence a Cristo. A Palavra começa a orientar suas escolhas, o Espírito Santo o conduz e aquilo que antes o dominava já não precisa governar sua vida. É o começo de uma existência nova. A Bíblia declara: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” 2 Coríntios 5:17 (NAA).

Talvez esta seja, então, uma das melhores definições cristãs de liberdade: ser livre é conhecer Jesus de tal maneira que já não precisamos continuar presos àquilo que nos afastava de Deus.

O mundo pode oferecer muitas ideias de verdade e muitas promessas de liberdade. Jesus, porém, une as duas em uma única experiência: conhecemos a Verdade, e a Verdade nos liberta. Conhecemos Jesus, e nEle descobrimos o que significa ser verdadeiramente livres.

A liberdade que o mundo oferece depende das circunstâncias; a liberdade que Jesus oferece nasce quando conhecemos a Verdade e permitimos que Ela transforme o nosso coração.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

12/ago/26

 

TODOS FUGIRAM, MAS JESUS NÃO FUGIU

“Fira o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas.” Zacarias 13:7 (NAA).

Há pequenos detalhes na Bíblia que, à primeira vista, parecem difíceis de entender. Marcos registra um deles na noite em que Jesus foi preso. Depois de dizer que todos os discípulos O abandonaram e fugiram, o evangelista conta que um jovem ainda seguia Jesus, coberto apenas com um lençol. Quando tentaram agarrá-lo, ele deixou o lençol para trás e fugiu nu. (Marcos 14:50-52)

Por que a Bíblia registrou uma cena tão estranha? O texto não explica diretamente. Por isso, precisamos ter cuidado para não afirmar como doutrina aquilo que a Palavra não afirma. Mas o lugar onde esse episódio aparece nos ajuda a compreender sua força.

Pouco antes, Jesus havia dito aos discípulos que todos tropeçariam por causa dEle e lembrou a profecia: “Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas.” Marcos 14:27 (NAA). E foi exatamente o que aconteceu.

Quando os homens chegaram para prender Jesus, os discípulos fugiram. Então surge aquele jovem. Talvez ele ainda desejasse acompanhar o Senhor. Talvez quisesse ver o que aconteceria. Não sabemos. O que sabemos é que, quando tentaram prendê-lo, o medo falou mais alto. Ele preferiu deixar para trás até a roupa que vestia para escapar.

Todos fugiram. Mas Jesus não fugiu.

Esse contraste é uma das imagens mais fortes daquela noite. Os discípulos tentaram preservar a própria vida. O jovem fugiu para não ser preso. Mais tarde, Pedro negaria conhecer Jesus para escapar do perigo. Mas Cristo permaneceu. E Ele poderia ter fugido.

Sabia o que estava acontecendo. Sabia que Judas chegaria. Sabia da prisão, dos açoites, da humilhação e da cruz. Nada daquilo O surpreendeu. Ainda assim, permaneceu porque havia decidido cumprir a vontade do Pai e entregar-Se por nós.

O jovem deixou o lençol para salvar a própria vida. Jesus entregou a própria vida para salvar pecadores. É aí que essa pequena cena fala também ao nosso coração.

É relativamente fácil seguir Jesus quando seguir não custa nada. É fácil confessar a fé dentro da igreja, cercado de pessoas que acreditam nas mesmas coisas. A dificuldade aparece quando seguir Cristo começa a ter um preço.

Isso acontece ainda hoje. Um jovem pode sentir vergonha de dizer aos colegas que é cristão porque teme ser ridicularizado. Um funcionário pode permanecer calado diante de algo errado para não contrariar seus superiores. Alguém pode deixar de defender aquilo em que acredita porque não quer perder amizades. Outro pode esconder sua fé nas redes sociais porque teme críticas. É nesses momentos que descobrimos quanto estamos dispostos a permanecer.

Isso não significa que o verdadeiro cristão nunca sentirá medo. Os discípulos sentiram. Pedro sentiu. Aquele jovem sentiu. Nós também sentimos. A questão é o que fazemos quando o medo chega.

Há ainda um detalhe interessante no Evangelho de Marcos. Na noite da prisão aparece um jovem fugindo, deixando sua veste para trás. Depois da ressurreição, as mulheres entram no túmulo e encontram “um jovem sentado ao lado direito, vestido de branco” Marcos 16:5 (NAA). Não podemos afirmar que Marcos pretendia estabelecer uma ligação direta entre as duas cenas, mas o contraste é bonito: primeiro vemos medo, fuga e vergonha; depois, encontramos anúncio, esperança e vitória.

Também não sabemos quem era o jovem que fugiu. Ao longo da história, alguns sugeriram que poderia ser o próprio Marcos, mas a Bíblia não o identifica. Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja: “Quem era aquele jovem?”, mas: “Por que ele aparece justamente naquele momento?” Talvez porque a cena complete a fotografia daquela noite.

As ovelhas se dispersaram. Os amigos desapareceram. O medo venceu a coragem humana. Mas o Pastor permaneceu.

Jesus seguiu sozinho para cumprir aquilo que ninguém mais poderia cumprir. Ele não permaneceu porque não sentisse o peso do sofrimento. No Getsêmani, Sua angústia havia sido profunda. Permaneceu porque Seu amor foi maior do que o sofrimento que O aguardava.

Quando nossa coragem falha, precisamos olhar novamente para Cristo. Nossa salvação não depende da firmeza com que conseguimos segurá-Lo, mas da fidelidade com que Ele decidiu ir até o fim por nós.

Naquela noite, todos fugiram. Jesus permaneceu.

E porque Ele permaneceu, hoje aqueles que um dia fugiram podem ser restaurados, perdoados e ensinados a permanecer também.

Quando o medo fez todos procurarem salvar a própria vida, Jesus permaneceu para entregar a Sua; nossa esperança está na fidelidade dAquele que não fugiu da cruz.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

11/ago/26

 

PERSEVERE ATÉ O FIM

“..._Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terra?”  Lucas 18:8 (ARC).

Eu tenho alguns textos bíblicos que estão ligados diretamente ao cenário mundial e ao motivo de nossa reflexão.

O primeiro é o nosso texto básico, que levanta um questionamento: Haverá fé na terra quando Cristo voltar?

Vivemos na expectativa da volta do Senhor Jesus. Assim Ele prometeu nas Escrituras. Quando Jesus encerra a parábola da viúva persistente, essa pergunta vem à tona. Fica evidente que o questionamento não é simplesmente se existirá alguma pessoa crendo, mas chama a atenção para a perseverança da fé: haverá uma fé verdadeira, firme e perseverante enquanto se aguarda a Sua vinda?

O outro texto, que segue a mesma linha de raciocínio, encontra-se em Mateus 24:12 e menciona um esfriamento do amor em consequência da multiplicação da iniquidade na terra.

Nesse texto, Jesus fala dos acontecimentos que antecedem Sua vinda. A multiplicação da iniquidade produziria um ambiente no qual o amor de muitos se tornaria frio. Os dois textos podem ser aproximados muito bem. Em Lucas 18:8, temos um sério questionamento a respeito da perseverança da fé; em Mateus 24:12, fica patente o esfriamento do amor. O que traz esperança em meio a toda essa tristeza e conflito humano é o complemento apresentado por Mateus, que assevera: “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.” Mateus 24:13 (ARC).

A notícia de uma crise no cristianismo, com fiéis abandonando o Evangelho, está largamente divulgada nos noticiários. O cristianismo tem perdido espaço em muitas partes do mundo, fazendo com que muitas igrejas sejam abandonadas ou transformadas em espaços de lazer.

Existe, inclusive, tristemente, o compartilhamento de igrejas entre diferentes confissões cristãs. Há notícias de que existem atualmente 65 das chamadas “igrejas simultâneas”, templos utilizados por católicos e protestantes, com regras específicas sobre os horários e até sobre quem poderia utilizar cada parte do templo.

Na Europa, o número de cristãos tem caído assustadoramente, assim como o número de igrejas em funcionamento. A notícia que chega é que, todos os anos, dezenas são abandonadas, demolidas ou adaptadas para outras finalidades. Em alguns casos, os altares têm dado espaço para baladas, bares e até mesmo paredes de escalada. As igrejas estão cada vez mais vazias e enfrentam dificuldades para se sustentar.

A pesquisadora do Instituto de História da Arte da Universidade de Colônia, Stefanie Lieb, disse que as igrejas precisam ter outras atividades para se manter no futuro: “No futuro, de cada dez igrejas, quatro ou cinco não serão mais usadas somente como espaço de culto”, afirmou em entrevista à emissora WDR.

Na Alemanha, por exemplo, cobra-se imposto dos cidadãos que se identificam como religiosos, sendo esse um fator que pode também contribuir para a queda no número de pessoas formalmente vinculadas às igrejas.

Diante desse cenário, percebemos sinais preocupantes de enfraquecimento da fé e de esfriamento do amor. Essas situações nos fazem refletir com ainda maior seriedade sobre as palavras proféticas de Jesus e sobre a necessidade de permanecermos vigilantes enquanto aguardamos Sua vinda.

Em face de toda essa situação que o cenário mundial nos apresenta, a pergunta que nos resta fazer é: como está a minha fé? Como está o meu amor?

A Bíblia nos aponta uma direção firme: a perseverança. É justamente por isso que Mateus 24:13 é tão importante. Jesus não apenas anunciou o esfriamento do amor; Ele mostrou como Seu servo deve atravessar esse tempo: “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.” Mateus 24:13 (ARC).

A responsabilidade diante de Deus é pessoal. Ninguém pode crer em meu lugar, perseverar em meu lugar ou manter minha comunhão com Deus em meu lugar. Se minha igreja está fria ou vazia, não devo olhar apenas para aqueles que estão ao meu lado e atribuir a eles toda a responsabilidade. Preciso, antes de tudo, olhar para dentro de mim e perguntar: o que estou fazendo diante dessa situação? Estou orando? Estou jejuando? Estou colocando essa necessidade no altar do Senhor? Estou contribuindo para que a Igreja permaneça viva, fiel e comprometida com Deus?

Cada um de nós tem uma grande responsabilidade diante do Senhor. A fé habita no coração, mas não é produzida pela nossa própria capacidade. Ela é alimentada pela Palavra de Deus, pela comunhão com o Senhor, pela oração e por uma vida de dependência dEle. Como afirma a Escritura: “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.” Romanos 10:17 (ARC).

Por isso, preciso cuidar da minha vida espiritual, buscar ao Senhor e permitir que Sua Palavra fortaleça continuamente a minha fé.

Da mesma forma, minha vida precisa ser santificada. Não porque a santificação seja o mérito pelo qual alcançamos a salvação, pois somos salvos pela graça de Deus, mas porque uma vida santificada é consequência de uma verdadeira comunhão com o Senhor e expressão de uma fé que deseja agradá-Lo.

O amor pelas almas, o comprometimento com o culto, a participação nas reuniões, a oração, a comunhão, a obediência à Palavra e o compromisso com as orientações espirituais não podem ser abandonados justamente quando o mundo caminha em direção ao esfriamento.

Retorno, então, à pergunta feita há mais de dois mil anos e que continua tão atual: “Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terra?” Lucas 18:8 (ARC).

A questão, no final, deixa de ser apenas sobre “os outros” e passa a ser sobre nós. Não é apenas: haverá fé no mundo? É: Ele encontrará fé em mim? Não é apenas: o amor de muitos esfriará? É: o meu amor permanecerá aceso?

Em um mundo em que muitos poderão esfriar, a palavra de Jesus para Sua Igreja continua sendo a mesma: perseverar até o fim.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

10/ago/26

 

O CORAÇÃO DE UM PAI

“Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem.” Salmos 103:13 (ARC).

Chegamos a mais um Dia dos Pais. Essa me parece uma das datas mais discretas do nosso calendário, bem diferente do Dia das Mães, do Natal e de outras comemorações mais badaladas. Muitas vezes, parece até que a data serve mais para movimentar o comércio. Mas isso não diminui, de forma alguma, o valor de um pai e a importância de sua presença na vida dos filhos. Para mim, aliás, Dia dos Pais é todo dia.

O texto de Salmos 103:13 nos permite olhar para a paternidade humana como uma imagem do cuidado de Deus. O pai bíblico não é apenas aquele que sustenta materialmente sua família, mas também aquele que acolhe, compreende, protege, corrige, perdoa, orienta e permanece ao lado dos filhos.

Como não falar das marcas deixadas pelos pais? Marcas que atravessam gerações. A presença do pai, suas palavras, seu exemplo, suas orações e, principalmente, a maneira como ele apresenta Deus aos seus filhos.

Há pais que são pastores, diáconos, obreiros na Casa do Senhor. Pais que conduzem seus filhos à Escola Dominical, ao culto, à oração e ao conhecimento da Palavra. Pais que procuram viver com integridade e que deixam, muitas vezes sem perceber, um legado que continuará falando depois deles.

Como nos ensina o livro de Provérbios: “O justo anda na sua sinceridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele.” Provérbios 20:7 (ARC).

Essa reflexão me leva ao exemplo de dois pais.

O primeiro é Abraão, que levou seu filho amado ao monte para oferecê-lo em sacrifício. No momento decisivo, porém, Deus lhe disse: “Não estendas a tua mão sobre o moço”. Isaque foi poupado.

Séculos depois, outro Pai entregaria Seu Filho amado ao lugar do sacrifício. Mas, dessa vez, não haveria um carneiro tomando o lugar do Filho, porque o Filho era o próprio Cordeiro de Deus.

Abraão pôde descer do monte com Isaque ao seu lado; o Pai Celestial entregou Seu Filho à morte para que nós pudéssemos receber a vida.

No monte Moriá, Deus poupou o filho de Abraão. No Calvário, Deus não poupou Seu próprio Filho.

Isso se liga de maneira muito bonita ao que Paulo escreve aos Romanos: “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós...” Romanos 8:32 (ARC).

Há ainda uma correspondência muito significativa entre os dois acontecimentos. Em Gênesis 22, quando Isaque pergunta pelo cordeiro para o holocausto, Abraão responde que Deus proveria para Si o cordeiro. No Calvário, essa provisão alcança sua plenitude em Cristo. Assim, a mensagem deixa de ser apenas sobre a paternidade de Abraão e nos conduz à expressão máxima do amor do Pai: o Pai que entregou o Filho para que nós pudéssemos receber a vida.

Pais amados, pais incompreendidos. Essas são duas experiências que, muitas vezes, convivem na vida daqueles que carregam a responsabilidade de criar filhos.

Um pai pode ser profundamente amado e, ao mesmo tempo, nem sempre ser compreendido.

A experiência de Abraão e Isaque nos coloca diante de uma situação humanamente difícil de compreender. Do mesmo modo, o plano do Pai ao entregar Seu Filho ultrapassa nossa compreensão humana, embora revele a maior expressão de amor que o mundo já conheceu.

Também na vida cotidiana há decisões de um pai que o filho talvez só venha a compreender muito tempo depois. Quando existe amor verdadeiro na origem dessas decisões, aquilo que um dia pareceu incompreensível pode, anos mais tarde, ser reconhecido como cuidado, entrega, proteção e preocupação.

No amor humano, há pais que são incompreendidos pelos filhos. No amor divino, contemplamos um Pai cujo gesto mais difícil de compreender foi também a maior prova de amor já oferecida à humanidade.

Talvez alguém esteja vivendo este Dia dos Pais com o coração ferido.

Há filhos que amam seus pais, mas já não falam com eles. Há pais que amam seus filhos, mas o orgulho, uma palavra mal colocada, uma decepção ou uma antiga mágoa levantou um muro entre os dois.

Às vezes, os anos passam e ninguém dá o primeiro passo. Um espera que o outro telefone. Um espera que o outro peça perdão. Um espera que o outro reconheça seu erro. E, enquanto os dois esperam, o tempo vai levando oportunidades que talvez nunca mais voltem.

Se seu pai ainda está vivo e existe possibilidade de reconciliação, talvez o melhor presente deste Dia dos Pais não seja comprado em uma loja. Talvez seja uma ligação, uma visita, um abraço, um pedido de perdão ou simplesmente algumas palavras: “Pai, precisamos conversar.”

Há situações em que não podemos apagar o que aconteceu. Não podemos voltar no tempo nem desfazer determinadas palavras ou atitudes. Mas podemos decidir que a mágoa não escreverá o último capítulo da nossa história.

Há filhos que só compreendem determinadas atitudes do pai depois que já não podem mais abraçá-lo. Por isso, quando a reconciliação é possível, não deixe para amanhã o abraço que pode ser dado hoje.

Meu pai partiu para o Senhor há alguns anos, e hoje eu daria tudo para poder abraçá-lo mais uma vez. Mas você, que ainda tem a bênção e a oportunidade de ter seu pai vivo, não espere.

Corra até ele hoje. Dê-lhe um abraço apertado, um beijo e diga que o ama.

Talvez existam diferenças entre vocês. Talvez haja coisas que ainda precisem ser conversadas. Talvez ele nunca tenha sido o pai perfeito que você gostaria que fosse. Afinal, nenhum pai humano é perfeito. Todos carregamos nossas limitações, falhamos, erramos e, muitas vezes, aprendemos a ser pais enquanto já estamos exercendo a paternidade. Mas, se ainda existe amor e possibilidade de aproximação, não permita que o orgulho roube de vocês um tempo que não poderá ser recuperado.

Não deixe para amanhã o carinho que pode demonstrar hoje, porque há abraços que, um dia, só poderão ser dados na lembrança.

No final, talvez a maior herança de um pai não possa ser medida em dinheiro, bens ou propriedades. Há coisas muito mais preciosas que permanecem: uma palavra que ficou, um conselho que atravessou os anos, uma oração que nunca foi esquecida, um exemplo que continua sendo seguido e uma fé transmitida de geração em geração.

O maior legado de um pai não está naquilo que deixa para os filhos, mas naquilo que deixa dentro deles. 

Neste dia tão especial, queremos parabenizar com carinho todos os papais do grupo Gotas de Orvalho, agradecendo a Deus pela vida de cada um. Que o Senhor os abençoe ricamente, fortalecendo-os com graça, sabedoria, saúde, paz e amor, para que continuem deixando em seus filhos marcas eternas de fé, caráter e temor do Senhor. Feliz Dia dos Pais!

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

09/ago/26

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