PARA GANHAR, ÀS VEZES É PRECISO DEIXAR ALGO PARA TRÁS

 “Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficam para trás e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” Filipenses 3:13-14 (NAA) 

Existe uma lei da física chamada Terceira Lei de Newton que afirma que para toda ação existe uma reação de mesma intensidade, mas em sentido contrário. É esse princípio que permite o voo dos aviões, o lançamento dos foguetes e até mesmo a nossa caminhada. Para avançar, é necessário empurrar algo para trás. 

Embora essa seja uma verdade científica, ela também nos ajuda a compreender uma importante verdade espiritual: muitas vezes, para avançarmos com Deus, precisamos deixar algumas coisas para trás. 

A vida cristã é uma jornada de crescimento. Quando aceitamos Jesus, começamos um caminho de transformação. Porém, logo descobrimos que não podemos carregar tudo o que trazíamos antes. Certos hábitos, sentimentos, pecados e até algumas prioridades precisam ser abandonados para que possamos seguir em frente. 

Foi exatamente isso que aconteceu com o apóstolo Paulo. Antes de conhecer Cristo, ele possuía uma posição respeitada, conhecimento religioso e reconhecimento entre os judeus. No entanto, quando encontrou Jesus, percebeu que nada disso tinha valor comparado ao privilégio de conhecer o Senhor.  “Na verdade, considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor.” Filipenses 3:8 (NAA). Paulo entendeu que algumas coisas precisavam ficar para trás para que ele pudesse alcançar algo infinitamente maior. 

A renúncia não é uma punição. É uma troca. Deus nunca nos pede que abandonemos algo sem oferecer algo melhor. 

Muitas vezes queremos crescer espiritualmente, mas continuamos agarrados a mágoas antigas. Queremos viver uma nova vida, mas insistimos em alimentar pecados antigos. Desejamos experimentar a paz de Deus, mas não soltamos preocupações que carregamos há anos. 

Imagine alguém tentando subir uma montanha carregando uma mochila cheia de pedras. Quanto mais sobe, mais pesado tudo fica. Em determinado momento, será necessário decidir: continuar carregando o peso ou deixá-lo para trás para alcançar o topo. Na vida espiritual acontece a mesma coisa. 

Há pessoas que carregam ressentimentos de muitos anos. Outras vivem presas ao passado. Algumas não conseguem perdoar. Outras não conseguem abandonar hábitos que entristecem o Senhor. Esses pesos impedem o crescimento espiritual. 

Jesus falou sobre essa necessidade de renúncia.  “Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.” Lucas 9:23 (NAA) 

Negar a si mesmo não significa viver triste ou infeliz. Significa colocar a vontade de Deus acima da nossa própria vontade. É escolher obedecer mesmo quando isso exige sacrifício. 

Foi exatamente isso que Jesus fez. No Jardim do Getsêmani, diante do sofrimento que enfrentaria na cruz, Ele orou:  “Pai, se queres, afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua.” Lucas 22:42 (NAA)

A maior demonstração de amor da história passou pelo caminho da renúncia. Jesus abriu mão de Sua própria vontade para cumprir o propósito do Pai e salvar a humanidade. Isso nos ensina que algumas das maiores bênçãos de Deus surgem depois de escolhas difíceis. 

Abraão precisou deixar sua terra para viver as promessas de Deus.  Moisés precisou abandonar os privilégios do palácio do Egito para cumprir seu chamado.  Os discípulos deixaram redes, barcos e antigas ocupações para seguir Jesus.  Todos eles perderam algo, mas ganharam muito mais. 

Talvez Deus esteja chamando você a deixar para trás algo que tem impedido seu crescimento. Pode ser um pecado escondido. Pode ser um relacionamento prejudicial. Pode ser o orgulho. Pode ser o medo. Pode ser uma ferida emocional que você alimenta há muito tempo. A boa notícia é que Deus nunca nos pede uma renúncia sem propósito. 

Quando deixamos algo para trás por amor ao Senhor, abrimos espaço para aquilo que Ele deseja realizar em nossa vida. 

É como um agricultor que lança a semente na terra. Aos olhos humanos, parece que ele está perdendo a semente. Mas, na verdade, aquela renúncia é o começo de uma grande colheita. 

Jesus ensinou esse princípio de forma maravilhosa.  “Em verdade, em verdade lhes digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.” João 12:24 (NAA)

Toda frutificação passa por algum tipo de renúncia.  Toda maturidade exige algum tipo de entrega. Todo avanço espiritual exige que algo fique para trás. 

Assim como um foguete precisa lançar seus estágios para continuar subindo, o cristão também precisa abandonar pesos que impedem sua caminhada com Deus. A pergunta não é apenas para onde você deseja ir. A pergunta é: o que você precisa deixar para trás para chegar lá?  Porque no Reino de Deus existe uma verdade que nunca muda: quem entrega tudo nas mãos do Senhor jamais sai perdendo. 

As maiores conquistas espirituais não acontecem quando acumulamos mais coisas, mas quando aprendemos a deixar para trás aquilo que nos impede de caminhar mais perto de Deus. 

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

05/jul/26

 

O VÉU RASGADO E O CAMINHO ABERTO PARA DEUS

“E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito.  E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras.”  Mateus 27:50,51 (ARC)

A morte de Jesus na cruz não foi apenas um momento de dor e sofrimento. Foi também o maior ato de amor da história da humanidade. Quando Cristo entregou Sua vida no Calvário, algo extraordinário aconteceu dentro do templo em Jerusalém: o véu se rasgou de alto a baixo. Esse detalhe possui um significado profundo.

No templo existia um véu que separava o Lugar Santo do Santo dos Santos, local que representava a presença de Deus. Somente o sumo sacerdote podia entrar ali, e apenas uma vez por ano, oferecendo sangue pelos pecados do povo. O véu mostrava que o pecado havia criado uma separação entre Deus e o homem. Porém, quando Jesus morreu na cruz, o véu foi rasgado. Isso significava que, através do sacrifício de Cristo, o caminho para a presença de Deus estava aberto novamente.

Desde o princípio, Deus sempre desejou comunhão com o homem. O Senhor criou o ser humano para viver perto dEle, desfrutando de Sua presença, direção e amor. O homem era a coroa da criação. Porém o pecado trouxe afastamento, sofrimento e morte espiritual. Mesmo assim, Deus nunca desistiu da humanidade.

Ao longo da Bíblia vemos o Senhor constantemente buscando restaurar essa comunhão. No Antigo Testamento, a Arca da Aliança representava justamente a presença de Deus no meio do povo. Onde a Arca estava, existia direção, proteção e vitória. Davi compreendeu isso de maneira profunda.

A Bíblia mostra que ele sofreu quando a Arca permaneceu distante de Israel. Enquanto muitos enxergavam apenas um objeto religioso, Davi entendia o valor da presença de Deus. Por isso lutou para trazer a Arca novamente para perto do povo. Quando finalmente recuperou a Arca, Davi a colocou numa tenda próxima dele. Seu maior desejo era permanecer perto da presença do Senhor. Isso revela o coração de alguém que entendia que nenhuma conquista desta vida é maior do que a comunhão com Deus.

Hoje muitas pessoas vivem exatamente o contrário. Estão tão ocupadas com trabalho, dinheiro, preocupações e distrações que quase não possuem tempo para buscar a presença do Senhor. O mundo moderno afastou muitos da intimidade com Deus.

Existem pessoas que passam horas diante do celular, da televisão ou das redes sociais, porém poucos minutos em oração. Outros vivem tão consumidos pela correria da vida que esqueceram o valor da comunhão com Deus. Entretanto, o vazio da alma humana continua existindo. Saiba de uma coisa: nenhuma conquista material consegue substituir a presença do Senhor.

Foi justamente por isso que Jesus veio ao mundo. Ele lutou por nossa salvação. Na cruz, venceu o pecado, derrotou a morte e rasgou o véu que separava o homem de Deus. Hoje não existe mais separação para aquele que crê em Cristo. Através do sangue derramado no Calvário, recebemos acesso à presença do Pai. O homem já não precisa permanecer distante espiritualmente. Jesus abriu o caminho da reconciliação. O mesmo Deus que antes era representado pela Arca da Aliança agora deseja habitar no coração do homem através do Espírito Santo.

Assim como Davi colocou a Arca numa tenda perto dele, hoje o Senhor chama Seus servos para serem templo de habitação do Deus Altíssimo. Isso muda completamente nossa vida espiritual.

Não seguimos apenas uma religião ou um conjunto de regras. Temos comunhão viva com Deus através de Jesus Cristo. O Senhor deseja dirigir nossos passos, orientar nossas escolhas, fortalecer nossa caminhada e preparar-nos para a eternidade.

Também recebemos o privilégio espiritual do sacerdócio. Jesus é nosso eterno Sumo Sacerdote. Por meio dEle podemos orar, buscar a presença de Deus e viver em comunhão com o Pai.

Quantas pessoas hoje carregam medo, culpa e sentimento de distância espiritual. Alguns acham que Deus está longe demais para ouvi-los. Outros acreditam que seus pecados são grandes demais para receber perdão. Porém o véu rasgado anuncia exatamente o contrário. Existe acesso à presença de Deus. Existe perdão. Existe reconciliação. Existe esperança para todo aquele que crê em Jesus.

Talvez alguém esteja vivendo uma vida vazia espiritualmente. Quem sabe o coração esteja cansado, distante ou frio em relação às coisas de Deus. O Senhor continua chamando homens e mulheres para uma experiência verdadeira de comunhão.

Jesus não morreu apenas para melhorar esta vida terrena. Ele morreu para restaurar nossa ligação com Deus e nos preparar para viver eternamente com Ele.

O mundo pode oferecer muitas distrações, porém somente a presença de Deus consegue preencher completamente a alma humana. O véu foi rasgado. O caminho está aberto. E Jesus continua convidando o homem a entrar novamente na presença do Pai.

O maior milagre da cruz não foi apenas o perdão dos pecados, mas o caminho aberto para que o homem voltasse a viver em comunhão com Deus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

04/jul/26

 

A FAMÍLIA QUE NASCE DA VONTADE DE DEUS

 “Portanto, aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.” Marcos 3:35 (NAA) –

Uma das maiores bênçãos que Deus nos concede nesta vida é a família. É nela que aprendemos os primeiros valores, recebemos cuidado, carinho e proteção. Os laços familiares são importantes e foram criados pelo próprio Deus. No entanto, em certo momento do ministério de Jesus, Ele ensinou uma verdade ainda mais profunda: existe uma família que vai além dos laços de sangue.

O texto de Marcos relata que Jesus estava ensinando uma multidão quando Sua mãe e Seus irmãos chegaram e mandaram chamá-Lo.  “Nisto chegaram a mãe e os irmãos de Jesus e, tendi ficado do lado de fora, mandaram chamá-lo. Muita gente estava sentada ao redor de Jesus, e alguns lhe disseram: — Olhe, a sua mãe, os seus irmãos e as suas irmãs estão lá fora, procurando o senhor.” Marcos 3:31-32 (NAA)

Ao ouvir aquela informação, Jesus fez uma pergunta que surpreendeu a todos.  “Então Jesus perguntou: — Quem é a minha mãe e quem são os meus irmãos?” Marcos 3:33 (NAA) –

É importante entender que Jesus não estava desprezando Sua mãe nem Seus irmãos. Em toda a Sua vida, Ele demonstrou amor, respeito e cuidado por Sua família. Até mesmo na cruz, em meio ao sofrimento, preocupou-se com Maria e a confiou aos cuidados do discípulo João.

O que Jesus estava ensinando era que existe uma união ainda mais profunda do que a união familiar. Trata-se da união daqueles que pertencem a Deus e vivem para fazer a Sua vontade.

Por isso Ele completou: “E, olhando em volta para os que estavam sentados ao seu redor, disse: — Eis minha mãe e meus irmãos. Portanto, aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.” Marcos 3:34-35 (NAA) –

Essas palavras revelam algo maravilhoso. Quando entregamos nossa vida a Cristo, passamos a fazer parte de uma nova família. Não somos apenas indivíduos que frequentam uma igreja. Somos irmãos e irmãs unidos pelo amor de Deus e pela obra realizada por Jesus na cruz.

Muitas pessoas conhecem a dor da solidão. Algumas vivem longe dos familiares. Outras enfrentam conflitos dentro de casa. Há também aqueles que perderam entes queridos e carregam uma saudade profunda no coração. Nessas horas, é consolador saber que Deus nos recebe em Sua família espiritual.

Quantas vezes encontramos na igreja pessoas que não possuem nenhum parentesco conosco, mas que nos acolhem, oram por nós, nos ajudam e caminham ao nosso lado nas horas difíceis? Isso acontece porque o Espírito Santo cria laços que vão além do sangue e das afinidades humanas.

É por isso que muitos cristãos se chamam de irmãos. Não é apenas uma forma de tratamento. É uma realidade espiritual. Todos aqueles que foram alcançados pela graça de Deus fazem parte da mesma família. Essa verdade se torna ainda mais preciosa quando lembramos do que Cristo fez por nós.

Antes estávamos separados de Deus pelo pecado. Não tínhamos direito à herança espiritual. Mas Jesus derramou Seu precioso sangue para nos reconciliar com o Pai.

Por meio da cruz, fomos adotados por Deus. “Porque vocês não receberam um espírito de escravidão, para viverem outra vez atemorizados, mas receberam o Espírito de adoção, por meio do qual clamamos: ‘Aba, Pai.’” Romanos 8:15 (NAA)

Agora temos um Pai celestial, uma família espiritual e uma herança eterna preparada para nós. Essa herança é muito maior do que qualquer bem material deste mundo. Casas envelhecem. Dinheiro acaba. Bens podem ser perdidos. Mas aquilo que Deus preparou para Seus filhos permanece para sempre.

Por isso o apóstolo Paulo escreveu: “E, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo...” Romanos 8:17 (NAA) –

Que promessa maravilhosa! Não somos apenas servos. Somos filhos. E, sendo filhos, participamos da herança que Cristo conquistou para nós.

É por essa razão que os cristãos podem enfrentar as lutas da vida com esperança. As dificuldades existem. As lágrimas existem. As perdas existem. Mas nenhuma dessas coisas pode separar os filhos de Deus do Seu amor.

Por isso Paulo também declarou: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.” Romanos 8:37 (NAA)

A verdadeira vitória não está em possuir tudo o que desejamos nesta vida. A verdadeira vitória está em pertencer a Cristo, fazer a vontade de Deus e caminhar rumo à eternidade ao lado da família que Ele formou pelo Seu amor.

Quando entendemos isso, passamos a valorizar mais a comunhão dos irmãos, a presença da igreja e a obra do Espírito Santo em nossa vida. Afinal, os laços de sangue são preciosos, mas os laços criados pela graça de Deus atravessam o tempo, vencem a morte e permanecem por toda a eternidade.

O sangue nos liga a uma família nesta terra, mas a graça de Cristo nos une a uma família que existirá para sempre na eternidade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

03/jul/26

 

QUANDO A MISERICÓRDIA ABRAÇA A VERDADE

 “A graça e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram.” Salmos 85:10 (NAA)

Salmos 85:10 apresenta uma das imagens mais belas e profundas de toda a Bíblia: “A graça — ou, em outras versões, a misericórdia — e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram.”

À primeira vista, essas palavras podem soar apenas como uma poesia inspiradora. No entanto, elas revelam uma das mais extraordinárias verdades das Escrituras, mostrando a perfeita harmonia do caráter de Deus e apontando para a obra redentora de Jesus Cristo.

O salmista fala de quatro atributos divinos como se fossem pessoas que se encontram. De um lado está a misericórdia, que deseja perdoar e acolher. Do outro está a verdade, que declara a realidade do pecado e da condição do homem. Temos também a justiça, que exige que o pecado seja tratado de forma correta, e a paz, que deseja restaurar o relacionamento entre Deus e o ser humano.

O grande desafio é entender como todas essas coisas podem existir juntas. Como Deus pode ser justo e, ao mesmo tempo, perdoar o pecador? Como pode amar o homem sem ignorar seus erros? Como oferecer paz sem deixar de lado a verdade? A resposta está em Jesus Cristo.

Quando Jesus morreu na cruz, algo extraordinário aconteceu. Deus não fingiu que o pecado não existia. A verdade permaneceu firme. O pecado era real, suas consequências eram sérias e alguém precisava pagar por ele. Ao mesmo tempo, Deus não abandonou o homem à sua própria sorte. Sua misericórdia entrou em ação. Jesus assumiu sobre Si a culpa que era nossa e recebeu o castigo que merecíamos.

Foi ali que a justiça foi plenamente satisfeita. O pecado foi julgado, não no pecador, mas em Cristo. E porque a justiça foi cumprida, a paz pôde ser oferecida a todos aqueles que creem. Na cruz, a misericórdia encontrou o pecador, a verdade revelou a gravidade do pecado, a justiça foi satisfeita e a paz foi estabelecida entre Deus e o homem.

Por isso, podemos considerar este versículo uma linda profecia sobre a obra redentora de Jesus. Séculos antes do nascimento de Cristo, o salmista já apontava para o momento em que Deus resolveria aquilo que parecia impossível aos olhos humanos.

Essa verdade não é apenas uma doutrina para ser estudada. Ela tem aplicação direta em nossa vida diária.

Muitas vezes vemos pessoas que valorizam apenas um lado da verdade. Algumas falam tanto sobre justiça que se tornam duras, críticas e incapazes de demonstrar compaixão. Outras enfatizam apenas o amor e a misericórdia, como se o pecado não tivesse importância. Há quem busque paz a qualquer preço, mesmo que para isso precise abrir mão da verdade. E há quem defenda a verdade de maneira tão severa que acaba destruindo a paz.

Deus nos ensina um caminho melhor. Nele não existe conflito entre esses atributos. Sua misericórdia não elimina a verdade. Sua justiça não impede a paz. Tudo funciona em perfeita harmonia.

Podemos observar isso em situações simples do cotidiano. Um pai amoroso corrige o filho porque o ama. Um médico precisa dizer a verdade sobre uma doença para que o tratamento seja eficaz. Um amigo verdadeiro não esconde um erro, mas também não abandona quem errou. Da mesma forma, Deus age conosco. Ele nos ama profundamente, mas nunca deixa de falar a verdade. Ele corrige, disciplina, ensina e transforma porque deseja nos conduzir à vida.

Talvez você esteja carregando culpa por erros do passado. Talvez pense que Deus não pode perdoá-lo. O Salmo 85:10 nos lembra que existe esperança. A cruz mostra que Deus encontrou um caminho para salvar o pecador sem abrir mão da Sua santidade. O preço foi pago por Jesus. Por isso, todo aquele que se arrepende e crê pode experimentar o perdão e a paz que vêm do Senhor.

Talvez você também esteja enfrentando conflitos em seus relacionamentos. Nesse caso, este versículo nos ensina que a verdadeira restauração acontece quando misericórdia e verdade caminham juntas. Precisamos falar a verdade, mas com amor. Precisamos exercer misericórdia, mas sem ignorar aquilo que é correto. Quando seguimos o exemplo de Cristo, a paz encontra espaço para florescer.

O texto de Salmos 85:10 não fala apenas sobre um encontro entre quatro palavras bonitas. Ele aponta para o maior encontro da história: o encontro entre o amor de Deus e a necessidade do homem. Onde parecia haver contradição, Deus trouxe harmonia. Onde parecia haver condenação, Deus ofereceu salvação. Onde havia separação, Deus estabeleceu paz.

Na cruz de Cristo, a misericórdia abraçou a verdade, a justiça abriu caminho para a paz, e o amor de Deus triunfou para sempre. Na cruz, Deus mostrou que Seu amor não ignora a verdade, Sua misericórdia não anula a justiça e Sua paz nasce da obra perfeita de Cristo em favor do pecador.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

02/ago/26

 

QUANDO A NOITE CHEGA, JESUS VEM AO NOSSO ENCONTRO

 “Mas Jesus lhes disse: — Sou eu. Não tenham medo!” João 6:20 (NAA)

Há momentos na vida em que tudo parece estar bem durante o dia, mas, quando a noite chega, os medos aparecem. A escuridão tem a capacidade de aumentar as preocupações, fazer as dificuldades parecerem maiores e nos lembrar de nossa fragilidade. Foi exatamente em uma situação assim que os discípulos viveram uma experiência marcante com Jesus.

O Evangelho de João relata que, após um grande milagre realizado pelo Senhor, os discípulos entraram em um barco e seguiram pelo mar. O texto diz: “Ao final do dia, os discípulos de Jesus desceram para o mar. E, entrando num barco, passaram para o outro lado, rumo a Cafarnaum. Já estava escuro, e Jesus ainda não tinha ido até onde eles estavam.” João 6:16-17 (NAA)

A cena é simples, mas cheia de significado. Os discípulos estavam no mar. A noite havia chegado. Jesus não estava visivelmente com eles. E, para completar, uma forte tempestade começou a agitar as águas. Quantas vezes passamos por situações parecidas?

Há momentos em que também enfrentamos nossos mares revoltos. São períodos de enfermidade, problemas financeiros, conflitos familiares, desemprego, lutas emocionais ou preocupações com o futuro. Em certos dias parece que tudo está sob controle. Em outros, sentimos como se estivéssemos em um pequeno barco sendo levado pelas ondas.

O mar, na Bíblia, frequentemente simboliza o mundo e as dificuldades, incertezas e lutas que nele enfrentamos. Já a escuridão nos faz lembrar dos momentos em que não conseguimos entender o que Deus está fazendo.

Talvez você já tenha passado por uma fase assim. Você orou, buscou ao Senhor, mas as respostas pareciam demoradas. As circunstâncias ficaram difíceis e a sensação era de estar sozinho. Foi exatamente isso que os discípulos sentiram.

Depois de remarem por um longo tempo contra o vento, eles viram algo inesperado.  “Os discípulos já tinham navegado uns cinco ou seis quilômetros, quando viram Jesus andando sobre o mar, aproximando-se do barco; e ficaram com medo.” João 6:19 (NAA). O interessante é que Jesus não apareceu antes da tempestade. Ele veio durante a tempestade.

Isso nos ensina uma verdade preciosa: o Senhor não abandona os seus filhos nas horas difíceis. Muitas vezes, é justamente no meio da luta que Sua presença se torna mais evidente.

Quando tudo está tranquilo, é fácil falar sobre fé. Mas é nas noites escuras da alma que aprendemos a confiar verdadeiramente em Deus.

Os discípulos olharam para Jesus e tiveram medo, porque ainda não haviam compreendido que Ele tem autoridade sobre todas as coisas. O vento estava debaixo de Seus pés. As ondas estavam debaixo de Seus pés. Aquilo que causava temor aos discípulos estava completamente sujeito ao poder do Senhor.

Nada mudou desde então. Os problemas que nos assustam continuam debaixo do controle de Deus. As crises que nos fazem perder o sono não escapam ao Seu conhecimento. As lágrimas que derramamos em segredo são vistas por Ele.

Talvez você esteja enfrentando um problema que parece impossível de resolver. Talvez sua família esteja passando por uma luta prolongada. Talvez haja uma oração que ainda não foi respondida. Lembre-se de que Jesus continua vindo ao encontro dos seus.

A primeira palavra que Ele dirigiu aos discípulos naquela noite foi uma mensagem de esperança:  “Mas Jesus lhes disse: — Sou eu. Não tenham medo!” João 6:20 (NAA). Essas palavras continuam ecoando para nós hoje.

Não tenha medo da enfermidade. Não tenha medo da crise. Não tenha medo do amanhã. Não tenha medo das tempestades que surgem de repente. A presença de Jesus faz toda a diferença.

O relato termina com uma declaração maravilhosa: “Então eles o receberam com alegria, e logo o barco chegou ao seu destino. João 6:21 (NAA). Quando Jesus entrou na situação, tudo mudou.

A tempestade não era maior que o Salvador. O mar não era mais forte que o Criador. A escuridão não podia vencer Aquele que é a Luz do mundo.

Da mesma forma, chegará o dia em que o Senhor virá definitivamente buscar a Sua Igreja. Vivemos em um mundo marcado por lutas, medos e incertezas. Muitas vezes o mar está agitado e a noite parece escura. Mas a promessa permanece firme.

Jesus virá ao encontro dos seus. E naquele dia não haverá mais lágrimas, medo ou sofrimento. O barco da nossa jornada chegará ao destino preparado por Deus desde a eternidade.

Até lá, seguimos navegando pela fé, confiando que, mesmo quando não conseguimos vê-Lo claramente, Ele nunca perde de vista aqueles que pertencem a Ele. Porque a esperança do cristão não está na ausência das tempestades, mas na presença de Jesus dentro do barco.

As noites mais escuras da vida não são o sinal da ausência de Deus, mas muitas vezes o cenário escolhido por Ele para revelar Sua presença de forma mais profunda.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

01/jul/26

 

O OLHAR DE DEUS QUE NUNCA SE DESVIA

“Os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão atentos ao seu clamor.”  Salmos 34:15 (NAA)

Existem momentos na vida em que pensamos que fomos esquecidos. As lutas aumentam, o coração se entristece e a alma se sente cansada. Em certos dias, parece que ninguém percebe nossa dor. Há pessoas que sorriem por fora enquanto, por dentro, carregam batalhas silenciosas que quase ninguém conhece. Entretanto, existe uma verdade maravilhosa na Palavra de Deus: o Senhor jamais tira os olhos dos Seus filhos.

O texto acima nos lembra disso. Deus vê cada lágrima, cada medo, cada luta escondida dentro do coração. Nem por um instante Ele nos abandona.

Muitas vezes nós falhamos com Deus. Existem dias em que enfraquecemos espiritualmente. Há momentos em que nos omitimos, nos afastamos da oração, deixamos de buscar ao Senhor como deveríamos ou tentamos esconder nossas fraquezas. Mesmo assim, Deus continua olhando para nós com misericórdia.

Isso aconteceu com Pedro. O discípulo prometeu fidelidade a Jesus, porém, na hora mais difícil, negou o Mestre três vezes. Humanamente falando, parecia o fim da caminhada de Pedro. Entretanto, Jesus não desistiu dele. A Bíblia diz: “Então, o Senhor voltou-se e fixou os olhos em Pedro...” Lucas 22:61 (NAA)

Que olhar foi aquele. Não um olhar de ódio ou desprezo, porém um olhar cheio de amor e verdade. Pedro chorou amargamente porque entendeu que ainda era amado pelo Senhor.

Talvez alguém também pense que falhou demais. Talvez o inimigo tenha colocado no coração a ideia de que não existe mais solução. Entretanto, Deus continua estendendo Sua mão.

O amor do Senhor não depende apenas dos nossos acertos. Se fosse assim, ninguém permaneceria de pé. A graça de Deus alcança justamente pessoas imperfeitas, cansadas e necessitadas de perdão.

Em nossos dias existem muitos que tentam se esconder atrás de uma aparência. Alguns escondem a tristeza. Outros escondem vícios, medos, ansiedade ou pecados secretos. Há pessoas que entram na igreja sorrindo, porém carregando um coração ferido.

Desde o princípio o homem tenta se esconder de Deus. Depois do pecado, Adão procurou fugir da presença do Senhor entre as árvores do jardim. Entretanto, ninguém consegue esconder a alma daquele que tudo vê. Mesmo assim, Deus não procurou Adão para destruí-lo. Procurou para chamá-lo de volta.

Isso mostra algo lindo sobre o caráter do Senhor. Deus não é um Pai que abandona facilmente Seus filhos. Ele corrige, trata e transforma, porém continua oferecendo graça e oportunidade.

Quantas pessoas hoje chegaram ao limite das forças. Alguns perderam o ânimo. Outros não conseguem enxergar saída para os problemas da família, das finanças ou da saúde emocional. Há gente que se sente sem valor, como se ninguém mais acreditasse nela. Entretanto, o Senhor continua dizendo: “..._não tema, porque eu estou com você; não fique com medo porque eu sou o seu Deus.” Isaías 41:10 (NAA)

Talvez o homem tenha desistido de você. Talvez amigos tenham se afastado. Talvez até pessoas próximas não compreendam sua dor. Porém Deus continua presente.

Ele esteve presente nos dias bons e também nos dias ruins. Esteve perto quando você acertou e também quando chorou escondido por causa dos erros. Nem um momento sequer o Senhor deixou de olhar para sua vida. Existe algo muito forte nisso. Deus conhece o pior de nós e ainda assim continua oferecendo Sua mão.

O filho pródigo descobriu isso. Depois de desperdiçar tudo, pensou que jamais seria recebido novamente pelo pai. Entretanto, quando voltou arrependido, encontrou braços abertos. Assim Deus faz conosco.

O Senhor não deseja que vivamos escondidos, presos ao medo ou à culpa. Ele quer restaurar nossa comunhão com Ele. Quer nos levantar novamente.

Talvez hoje você se sinta fraco espiritualmente. Talvez a fé esteja pequena e o coração cansado. Porém ainda existe esperança para quem ouve a voz do Senhor.

A mão que susteve Pedro continua sustentando vidas. O olhar que alcançou o filho pródigo continua alcançando pecadores arrependidos. O perdão que restaurou tantos no passado continua disponível hoje.

Nunca pense que Deus se afastou de você. Mesmo nos dias escuros, os olhos do Senhor continuam voltados para os Seus filhos. O amor de Deus continua olhando para nós, mesmo nos dias em que temos vergonha de olhar para Ele.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

30/jun/26

 

PEDRAS VIVAS NAS MÃOS DE DEUS

“Chegando-se a ele, a pedra que vive, rejeitada, de fato, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vocês, como pedras que vivem, são edificados casa espiritual para serem sacerdócio santo, a fim de oferecerem sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo.” 1 Pedro 2:4-5 (NAA)

Existe algo muito bonito nesse texto escrito pelo apóstolo Pedro. Ele compara Jesus a uma pedra viva e nós também a pedras vivas que estão sendo usadas por Deus na construção de uma grande casa espiritual.

Jesus foi rejeitado pelos homens. Muitos olharam para Ele e não viram valor algum. O profeta Isaías já havia anunciado isso muitos anos antes. O próprio evangelho de João declara: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.” João 1:11 (NAA)

Mesmo sendo o Filho de Deus, Jesus foi desprezado, humilhado e crucificado. Porém aquilo que os homens rejeitaram Deus chamou de precioso. O mundo enxergou fraqueza na cruz; Deus enxergou salvação.

Isso nos ensina algo muito importante. Nem sempre aquilo que o mundo despreza perdeu valor diante de Deus. Existem pessoas hoje que se sentem esquecidas, feridas e sem importância. Alguns carregam marcas do passado, palavras duras que ouviram, rejeições dentro da família ou frustrações da vida. Entretanto, Deus continua olhando para vidas quebradas e dizendo: “Essa pedra ainda será usada na minha construção.”

Pedro diz que nós também somos pedras vivas. Isso significa que Deus não trabalha apenas com líderes, pregadores ou pessoas consideradas importantes. O Senhor trabalha com todos aqueles que se aproximam de Jesus.

Uma pedra sozinha parece sem utilidade. Porém, nas mãos certas, ela passa a fazer parte de uma construção. Assim Deus faz conosco. Ele pega vidas desajustadas, machucadas e sem direção, e começa uma obra silenciosa de transformação.

Quando Salomão construiu o templo, as pedras já chegavam preparadas para serem encaixadas. A Bíblia mostra que não se ouvia barulho de martelo ou ferramentas dentro da obra. “O templo foi construído com pedras já preparadas nas pedreiras, de maneira que, durante a construção, não se ouviu nenhum barulho de martelo, machado ou qualquer outro instrumento de ferro.” 1 Reis 6:7 (NAA)

Que imagem linda isso nos traz. Deus continua edificando Sua casa espiritual sem violência e sem força humana. O Espírito Santo trabalha no coração do homem de maneira silenciosa. Aos poucos Ele muda pensamentos, atitudes, palavras e sentimentos.

Muitas vezes a transformação acontece sem que os outros percebam imediatamente. A pessoa começa a perder o desejo pelas coisas erradas. Passa a sentir vontade de orar, de ler a Bíblia, de estar na presença de Deus. O coração começa a mudar. Isso não acontece por esforço humano apenas, e sim pela ação do Espírito Santo. Por isso a Palavra declara: “..._Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.” Zacarias 4:6 (NAA)

O Senhor não quer apenas frequentadores de igreja. Ele deseja formar uma casa espiritual. Cada servo ocupa um lugar dentro dessa construção. No Corpo de Cristo não existem pedras inúteis. Todos possuem valor.

Em nossos dias muitas pessoas vivem isoladas espiritualmente. Querem caminhar sozinhas, sem comunhão, sem compromisso e sem vida no altar. Entretanto, pedra viva foi feita para estar encaixada na construção de Deus.

Quando uma pessoa aceita Jesus de verdade, ela começa a fazer parte de algo maior. Ela aprende a amar os irmãos, a servir, a perdoar e a viver em comunhão. Deus vai encaixando cada vida no lugar certo.

Também aprendemos nesse texto que somos sacerdócio santo. No passado, somente alguns homens podiam exercer o sacerdócio. Hoje, através de Jesus, todo salvo pode ter acesso à presença de Deus.

Isso significa que podemos orar, adorar, buscar ao Senhor e oferecer nossa vida como sacrifício agradável diante d’Ele. O verdadeiro culto não acontece apenas dentro de um templo de pedra. Ele acontece quando o coração se entrega ao Senhor.

Talvez alguém esteja lendo esta mensagem e pense: “Minha vida não tem mais jeito.” Porém Deus ainda transforma pedras rejeitadas em pedras vivas. Ele ainda restaura famílias, muda histórias e levanta pessoas que estavam caídas.

Não resista à voz do Espírito Santo. Permita que Deus trabalhe no seu coração. O Senhor deseja fazer da sua vida morada para Sua presença. Nas mãos de Deus, até a pedra rejeitada encontra lugar na construção eterna da graça.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

29/jun/26

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