QUANDO TUDO FALHA, DEUS CONTINUA NO CONTROLE

“Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.” Jó 42:2 (NAA)

A declaração de Jó nasce depois de um período de perdas profundas, dor e muitas perguntas sem resposta. Ele perdeu bens, saúde e filhos, viu sua vida mudar de forma brusca e, por muito tempo, não compreendeu o motivo de tanto sofrimento. Ainda assim, ao final de sua jornada, Jó reconhece algo que sustenta todo cristão: Deus continua no controle, mesmo quando não entendemos o que acontece.

Nossa vida também passa por momentos assim. Existem dias em que tudo parece caminhar bem, porém, de repente, surge uma notícia difícil, um problema na família, uma enfermidade ou uma perda inesperada. Nessas horas, a primeira reação costuma ser perguntar: “Por quê?” Queremos explicações rápidas e soluções imediatas. Só que nem sempre recebemos respostas na hora que desejamos. É nesse ponto que aprendemos que fé não depende de explicações completas, e sim de confiança em quem Deus é.

Muitas pessoas, em nossos dias, enfrentam crises semelhantes às de Jó. Há pais preocupados com filhos que se afastaram de casa ou da fé. Existem trabalhadores que perdem o emprego após anos de dedicação. Outros lutam contra doenças longas que cansam o corpo e o coração. Nessas horas, percebemos como somos pequenos diante da dor.

Esta semana recebi uma mensagem de uma irmã e amiga - uma mãe aflita - contando que seu filhinho havia sido internado na UTI. A angústia, o medo e a sensação de impotência diante daquela situação podiam ser sentidos até mesmo na breve mensagem enviada pelo WhatsApp.

Nesses momentos não há palavras capazes de explicar o sofrimento nem respostas prontas que tragam alívio imediato. Resta apenas confiar, orar e colocar tudo nas mãos de Deus. E é justamente em situações assim que aprendemos que o Senhor continua presente, sustentando quando nossas forças acabam.

Também aprendemos que nem sempre compreendemos os caminhos pelos quais Deus nos conduz. Existem fases em que tudo parece confuso. Planos falham, portas se fecham e sonhos parecem distantes. Contudo, o tempo revela que muitas dessas experiências produzem crescimento e maturidade.

Quantas pessoas, após uma demissão, descobriram um novo caminho profissional? Quantas famílias se aproximaram depois de uma enfermidade? Quantos cristãos passaram a buscar mais a Deus depois de uma dificuldade? Aquilo que parecia derrota se transforma em aprendizado e fortalecimento.

Outro ponto importante aparece quando percebemos que não caminhamos sozinhos. A graça de Deus sustenta cada passo. A vida cristã não é livre de lutas. Pelo contrário, muitas vezes surgem pressões, tentações e momentos de cansaço. Por isso, precisamos pedir forças diariamente ao Senhor. Há dias em que mal conseguimos fazer outra coisa além de orar: “Senhor, ajuda-me a continuar”. E essa oração sincera encontra resposta no cuidado de Deus, que, pouco a pouco, renova nossas forças.

Pense em alguém que enfrenta uma luta silenciosa, como uma mãe que ora todos os dias por um filho distante, ou um trabalhador que sai cedo de casa buscando sustento digno para a família. Essas pessoas continuam caminhando porque confiam que Deus cuida de cada detalhe. A fé não elimina a dificuldade, porém dá coragem para seguir em frente.

Quando reconhecemos o cuidado e o amor do Senhor, nosso coração encontra um novo caminho: a adoração e a entrega. Em vez de viver apenas reclamando das dificuldades, aprendemos a colocar tudo nas mãos de Deus. Entregar não significa desistir, e sim confiar. Significa dizer: “Senhor, minha vida pertence a Ti, e eu continuo caminhando sob a Tua direção”.

Adorar em meio às lutas transforma nosso interior. O problema pode continuar existindo, só que o coração encontra paz para atravessar a situação. A confiança em Deus muda nossa maneira de enfrentar a vida. Em vez de desespero, nasce esperança. Em vez de revolta, surge confiança. E, aos poucos, percebemos que Deus esteve presente em cada etapa do caminho.

Jó começou sua jornada cheio de perguntas e terminou cheio de reverência. Ele compreendeu que Deus sempre soube o que fazia. O mesmo acontece conosco. Um dia também olharemos para trás e perceberemos que o Senhor nunca perdeu o controle de nossa história.

No fim, nossa maior segurança não está na ausência de problemas, e sim na presença constante de Deus ao nosso lado, conduzindo cada passo com amor e propósito.

Quanto ao amado Heitor, ele está nas mãos de Deus, que irá curá-lo e fazê-lo crescer, e isso será testemunho do grande amor do Senhor por todos nós.

Quando não entendemos o caminho, podemos descansar sabendo que Deus entende, conduz e sustenta cada passo da nossa jornada.

Pr Decio Fonseca

 

A FELICIDADE QUE NINGUÉM PODE ROUBAR

“Bem-aventurados são vocês quando, por minha causa, os insultarem e os perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vocês. Alegrem-se e exultem, porque é grande a recompensa de vocês nos céus.” Mateus 5:11–12 (NAA)

Com essas palavras, Jesus encerra as bem-aventuranças de forma direta, pessoal e profunda. Ele deixa de falar apenas sobre “os que” e passa a falar sobre “vocês”. O ensino agora toca a vida real dos discípulos. Jesus mostra que seguir a Ele não é apenas adotar bons valores, mas assumir um compromisso que pode gerar oposição.

Aqui, Jesus amplia o significado da perseguição. Ele fala de insultos, perseguições e mentiras. Nem sempre a perseguição vem em forma de violência física. Muitas vezes, ela aparece em palavras que ferem, acusações injustas, zombarias e rejeição. É quando alguém é mal interpretado, criticado ou excluído simplesmente por viver de acordo com a fé em Cristo.

Jesus é muito claro ao dizer: “por minha causa”. Não se trata de sofrer por atitudes erradas, falta de sabedoria ou orgulho pessoal. Trata-se de sofrer por viver uma fé coerente, por amar a verdade, por escolher obedecer a Deus. Essa distinção é importante, especialmente para quem está começando na caminhada cristã.

O mais surpreendente é que Jesus chama essas pessoas de bem-aventuradas. Aos olhos do mundo, elas parecem derrotadas. Aos olhos de Deus, são felizes. Não porque o sofrimento seja bom, mas porque ele revela pertencimento. Sofrer por causa de Jesus é sinal de que a vida está alinhada com o Reino dos Céus.

Jesus não manda negar a dor. Ele não diz que insultos e mentiras não machucam. Mas Ele convida a olhar além do momento presente. “Alegrem-se e exultem, porque é grande a recompensa de vocês nos céus.” Mateus 5:12 (NAA). A alegria aqui não é superficial. É a alegria de quem sabe que Deus vê, conhece e honra cada ato de fidelidade.

Essa palavra traz consolo e firmeza para a caminhada. Muitos novos convertidos se frustram quando descobrem que seguir Jesus não elimina os problemas. Jesus, porém, nunca escondeu isso. Ele disse claramente: “No mundo vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo.” João 16:33 (NAA). A vitória de Cristo não significa ausência de lutas, mas certeza de esperança.

Jesus também lembra que esse caminho não é novo. Os profetas que vieram antes também foram perseguidos. Homens e mulheres fiéis, que falaram a verdade e obedeceram a Deus, enfrentaram rejeição. Isso nos mostra que a fé verdadeira sempre teve um custo. Ainda assim, sempre valeu a pena.

Esse fechamento nos ajuda a entender todo o Sermão do Monte. Jesus começa falando de humildade, dependência, arrependimento, mansidão, justiça, misericórdia, pureza e paz. Ele termina mostrando que viver assim pode trazer oposição. O mundo nem sempre aceita esses valores. Mas o Reino de Deus permanece.

Para o cristão, essa palavra traz equilíbrio. Não vivemos para agradar a todos, mas para agradar a Deus. Não buscamos conflitos, mas não abrimos mão da verdade. Não provocamos perseguição, mas também não negociamos a fé para sermos aceitos.

A felicidade que Jesus promete não depende de aplausos, reconhecimento ou aprovação humana. Ela nasce da certeza de que pertencemos a Deus. Pode até haver lágrimas no caminho, mas há esperança firme no coração. Pode haver rejeição aqui, mas há recompensa eterna prometida.

Assim, Mateus 5:11–12 fecha as bem-aventuranças com um chamado à perseverança. Jesus nos lembra que o Reino dos Céus pertence àqueles que permanecem fiéis, mesmo quando isso custa caro. Essa é uma felicidade que ninguém pode roubar.

A fidelidade a Jesus pode custar aceitação na terra, mas garante pertencimento eterno no Reino dos Céus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pastor Décio Fonseca

            10/fev/26

 

FELICIDADE QUE RESISTE À OPOSIÇÃO

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.” Mateus 5:10 (NAA)

Ninguém gosta de sofrer perseguição. A rejeição dói, a crítica machuca e a oposição cansa. Mesmo quando sabemos que estamos fazendo o que é certo, o sofrimento nunca parece algo desejável. Ainda assim, Jesus surpreende ao afirmar que existe felicidade para aqueles que sofrem perseguição por causa da justiça. No Sermão do Monte, Ele nos convida a olhar além do momento difícil e a compreender o valor eterno de permanecer fiel a Deus.

Quando Jesus fala de perseguição, Ele não está se referindo a qualquer tipo de problema ou consequência de erros pessoais. Ele fala da perseguição que surge por causa da justiça, ou seja, por viver de forma correta diante de Deus. É o sofrimento que nasce quando alguém decide obedecer, mesmo sabendo que isso pode gerar rejeição, zombaria ou prejuízo.

Nos dias de Jesus, isso era muito claro. Seus seguidores eram rejeitados por não se encaixarem no sistema religioso da época. Eles não viviam para agradar os homens, mas para obedecer a Deus. Hoje, essa realidade continua. Quem escolhe viver segundo os valores do Reino muitas vezes é visto como estranho, ultrapassado ou inconveniente.

Ser perseguido por causa da justiça pode acontecer de várias formas. Às vezes, não envolve violência física, mas palavras duras, exclusão, ironia ou perda de oportunidades. Um cristão pode ser ridicularizado por não participar de práticas desonestas no trabalho. Um jovem pode ser pressionado por não seguir certos comportamentos comuns entre os amigos. Uma família pode ser criticada por defender valores bíblicos. Tudo isso também é perseguição.

Jesus não promete que Seus seguidores terão uma vida fácil. Pelo contrário, Ele prepara o coração para enfrentar dificuldades com fé e esperança. A felicidade que Jesus anuncia não está no sofrimento em si, mas no sentido desse sofrimento. Sofrer por fazer o bem é diferente de sofrer por fazer o mal. Quando a perseguição vem por causa da justiça, ela revela que estamos caminhando no rumo certo.Estas coisas eu lhes tenho dito para que tenham paz em mim. No mundo vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo.” João 16:33 (NAA)

Por isso, Jesus repete aqui a mesma promessa feita aos pobres em espírito: “porque deles é o Reino dos Céus.” O Reino pertence àqueles que confiam em Deus mesmo quando o caminho se torna estreito. A perseguição não é sinal de abandono, mas de pertencimento. Quem vive para agradar a Deus não será sempre compreendido por um mundo que vive segundo outros valores.

É importante lembrar que Jesus não nos chama a procurar perseguição ou a provocá-la. O cristão não deve ser ofensivo, agressivo ou orgulhoso. A perseguição que Jesus menciona surge quando a vida coerente com o Evangelho entra em choque com um mundo que rejeita a verdade. É a fidelidade silenciosa, firme e constante que, muitas vezes, incomoda.

Nos nossos dias, isso se manifesta quando alguém escolhe a verdade em vez da mentira, a honestidade em vez do ganho fácil, o perdão em vez da vingança. Essas escolhas nem sempre são aplaudidas. Muitas vezes, geram oposição. Mas Jesus nos ensina que nenhuma dessas dores passa despercebida aos olhos de Deus.

A felicidade prometida por Jesus aponta para algo maior do que o presente. Ele nos lembra que a vida não se resume ao aqui e agora. O Reino dos Céus é a herança daqueles que permanecem firmes. Deus vê cada lágrima, cada renúncia e cada ato de fidelidade. Nada é em vão.

Essa bem-aventurança também fortalece o coração nos dias difíceis. Quando somos perseguidos por fazer o que é certo, podemos lembrar que Jesus passou por isso antes de nós. Ele foi rejeitado, acusado injustamente e condenado, mesmo sendo perfeito. Seguir Jesus é, muitas vezes, caminhar pelo mesmo caminho que Ele percorreu.

Assim, Jesus nos ensina que a verdadeira felicidade não depende da aprovação dos homens, mas da certeza de que pertencemos a Deus. A perseguição pode tirar conforto, reconhecimento ou vantagens momentâneas, mas não pode tirar o Reino dos Céus. Quem vive para Deus pode até sofrer agora, mas vive com esperança, paz interior e promessa eterna.

A fidelidade a Deus pode trazer oposição na terra, mas garante pertencimento ao Reino dos Céus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pastor Décio Fonseca

09/fev/26

 

FILHOS DA PAZ EM UM MUNDO FERIDO

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” Mateus 5:9 (NAA)

A paz é buscada por muitos. Em um mundo marcado por conflitos, pressa, ansiedade e palavras duras, quase todos dizem desejar paz. No entanto, nem sempre ela é compreendida em sua profundidade. A Bíblia nos ensina que a verdadeira paz não nasce das circunstâncias favoráveis, mas do agir de Deus no coração. Por isso, a paz é apresentada como fruto do Espírito, algo que Deus produz dentro de nós quando caminhamos com Ele.

A paz traz descanso à alma. Ela acalma o coração, organiza os pensamentos e nos ajuda a enfrentar os dias difíceis com equilíbrio. Quando Jesus fala sobre os pacificadores no Sermão do Monte, Ele não está se referindo apenas a pessoas tranquilas ou que evitam problemas. Ele fala de algo muito mais profundo e ativo. Em Mateus 5:9, Jesus declara: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” (NAA).

Ser pacificador, segundo Jesus, não é fugir de conflitos a qualquer custo, nem fingir que os problemas não existem. O pacificador não é alguém passivo ou indiferente. Pelo contrário, é alguém que carrega a paz de Deus no coração e trabalha para que essa paz alcance os relacionamentos e os ambientes onde vive. É uma paz que se move, que age e que transforma.

A paz ensinada por Jesus começa dentro. Não é possível promover paz fora se o coração está cheio de inquietação, raiva ou ressentimento. Por isso, o pacificador é alguém que permite que Deus trate primeiro o seu interior. Ele aprende a lidar com suas emoções, a controlar suas palavras e a não agir movido pela ira. Essa paz interior se reflete naturalmente nas atitudes.

Jesus é o maior exemplo de pacificador. Ele entrou em um mundo marcado pelo pecado e pela separação entre Deus e os homens. Sua missão foi reconciliar. Pela cruz, Ele fez a paz entre Deus e a humanidade. Essa reconciliação nos ensina que a paz verdadeira muitas vezes exige sacrifício, humildade e disposição para amar.

Nos nossos dias, ser pacificador é algo muito prático. É escolher o diálogo em vez da discussão. É falar com calma quando o outro fala com dureza. É buscar reconciliação quando há afastamento. É não espalhar fofocas, não alimentar intrigas e não aumentar conflitos com palavras impensadas. Muitas brigas se prolongam não pelo problema em si, mas pela forma como as pessoas reagem.

Ser pacificador também significa agir com sabedoria dentro da família. Quantos lares vivem em tensão constante por falta de diálogo, perdão e paciência? O pacificador não ignora os problemas, mas busca resolvê-los com amor, respeito e verdade. Ele entende que a paz não se constrói com gritos, mas com atitudes firmes e serenas.

No trabalho, o pacificador é aquele que não entra em disputas desnecessárias, não provoca conflitos e não responde ofensa com ofensa. Ele procura ser justo, respeitoso e equilibrado. Mesmo quando enfrenta injustiça, escolhe agir com maturidade, confiando que Deus vê e cuida de todas as coisas.

Jesus afirma que os pacificadores serão chamados filhos de Deus. Essa expressão revela identidade. Quem promove a paz se parece com o Pai. Deus é o Deus da paz, e Seus filhos refletem Seu caráter. Não é um título dado por homens, mas um reconhecimento espiritual. O pacificador revela, com sua vida, que pertence a Deus.

É importante lembrar que promover a paz não significa abrir mão da verdade. Jesus nunca sacrificou a verdade para manter uma falsa paz. A paz do Reino caminha junto com a justiça, a misericórdia e a pureza de coração. O pacificador fala a verdade, mas o faz com amor. Corrige, mas não humilha. Confronta, mas não destrói.

Em um tempo em que muitos alimentam divisões, Jesus chama Seus seguidores a serem instrumentos de reconciliação. Isso não é fácil. Exige maturidade espiritual, domínio próprio e dependência de Deus. Mas é justamente por isso que essa bem-aventurança aponta para uma vida abençoada. Quem vive espalhando paz colhe paz no coração.

Assim, Jesus nos ensina que a verdadeira felicidade não está em vencer discussões, mas em promover reconciliação. Não em impor razão, mas em refletir o caráter do Pai. Os pacificadores carregam no coração a paz que o mundo não pode dar — e essa paz se torna testemunho vivo do Reino de Deus.

Quem carrega a paz de Deus no coração se torna instrumento de reconciliação nas mãos do Pai.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

08/fev/26

 

CORAÇÃO LIMPO, OLHOS ABERTOS

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” Mateus 5:8 (NAA)

Ver a Deus é tudo o que realmente desejamos. No fundo, é isso que move o coração humano. Assim como Bartimeu clamou para ver Jesus e não se conformou em continuar na escuridão, nós também precisamos desejar, a cada dia, enxergar o Senhor com mais clareza. Não apenas com os olhos físicos, mas com o coração. É nesse caminho que Jesus nos conduz ao declarar: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” Mateus 5:8 (NAA).

Quando Jesus fala de pureza de coração, Ele não está se referindo à perfeição moral absoluta, como se apenas pessoas sem falhas pudessem se aproximar de Deus. Pureza de coração, na linguagem de Jesus, significa sinceridade, inteireza e transparência diante de Deus. É um coração sem duplicidade, que não vive dividido entre agradar a Deus e agradar ao próprio ego.

O coração puro é aquele que não usa máscaras espirituais. Não vive uma fé de aparência. Não finge ser algo que não é. É o coração que se apresenta diante de Deus como realmente é, com suas lutas, fraquezas e desejos, pedindo transformação. Deus não rejeita um coração imperfeito, mas rejeita um coração fingido.

Nos dias de Jesus, muitos líderes religiosos tinham aparência de santidade, mas o coração estava longe de Deus. Cumpriam regras, seguiam tradições e faziam orações públicas, mas tudo isso era feito para serem vistos pelos homens. Jesus confronta esse tipo de religiosidade e ensina que Deus olha para dentro, não para fora.

Ser puro de coração significa ter um desejo sincero de agradar a Deus. É buscar fazer o que é certo, não para receber elogios, mas porque se ama o Senhor. É quando a fé deixa de ser apenas comportamento externo e passa a ser relacionamento verdadeiro.

Bartimeu nos ajuda a entender isso. Ele não pediu dinheiro, não pediu posição, não pediu reconhecimento. Ele pediu para ver. Seu clamor foi simples e direto. Ele sabia o que precisava. Da mesma forma, um coração puro sabe o que deseja: ver Deus agir, conhecer Sua vontade e caminhar em Sua presença.

Na prática, pureza de coração se manifesta em escolhas diárias. É dizer a verdade quando a mentira parece mais conveniente. É resistir a pensamentos e desejos que afastam de Deus. É tratar as pessoas com sinceridade, sem segundas intenções. É viver uma fé coerente dentro e fora da igreja.

Um coração dividido perde a sensibilidade espiritual. Começa a justificar erros, a normalizar o pecado e a se acostumar com aquilo que entristece a Deus. Aos poucos, a visão espiritual fica embaçada. Jesus ensina que só quem tem o coração limpo consegue ver Deus com clareza.

Ver a Deus não significa vê-lo fisicamente, mas perceber Sua presença, discernir Sua vontade e experimentar Sua ação na vida diária. Quem tem o coração puro reconhece Deus nas pequenas coisas, nas decisões simples, nos momentos difíceis e também nas alegrias.

Nos nossos dias, vivemos cercados de distrações, informações e pressões. Tudo isso tenta ocupar o coração. Por isso, a pureza de coração exige vigilância. Não se trata de isolamento do mundo, mas de cuidado com aquilo que permitimos entrar na mente e permanecer no coração.

A boa notícia é que Deus não exige pureza sem oferecer ajuda. Ele mesmo limpa o coração de quem se aproxima com sinceridade. Quando confessamos nossos pecados, quando abrimos o coração em oração e quando buscamos viver segundo Sua Palavra, o Senhor nos transforma de dentro para fora. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” 1 João 1:9 (NAA)

Jesus promete algo precioso aos puros de coração: eles verão a Deus. Essa promessa começa aqui, na vida diária, e se completa na eternidade. Quanto mais o coração é purificado, mais clara se torna a visão espiritual. Quanto mais nos rendemos a Deus, mais percebemos Sua presença.

Assim, Jesus nos ensina que a verdadeira felicidade não está em aparentar santidade, mas em ter um coração alinhado com Deus. Um coração limpo vê mais longe. Vê Deus onde outros não veem. E essa visão transforma a vida.

Um coração sincero diante de Deus enxerga aquilo que os olhos não conseguem ver.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pastor. Décio

07/fev/26

 

FELIZES OS QUE APRENDERAM A TRATAR COM GRAÇA

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” Mateus 5:7 (NAA)

Dando continuidade às reflexões sobre o Sermão do Monte, procurando compreender o que Jesus transmitia à multidão, chegamos agora à felicidade declarada sobre os misericordiosos, os puros de coração e os pacificadores. Nessas palavras, Jesus apresenta um tipo de vida que revela, de forma prática, o caráter do Reino de Deus. Ele não fala de sentimentos isolados, mas de atitudes que nascem de um coração transformado.

No sentido comum, ser misericordioso já significa ter compaixão, perceber a dor do outro e agir com bondade. Esse conceito, por si só, já é importante. Porém, no Sermão do Monte, Jesus aprofunda a misericórdia e lhe dá um peso espiritual muito maior. Ele mostra que misericórdia não é apenas uma qualidade humana, mas uma marca de quem foi alcançado pela graça de Deus.

Em Mateus 5:7, Jesus declara: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” (NAA). Essa palavra revela uma relação direta entre receber e oferecer misericórdia. Jesus não está ensinando que conquistamos o favor de Deus por boas obras, mas que quem experimenta a misericórdia divina passa a viver de forma misericordiosa.

Para Jesus, misericórdia não é apenas sentir pena ou ter um coração sensível. Ela nasce da experiência pessoal com a graça de Deus. O misericordioso é alguém que reconhece que foi perdoado, alcançado e tratado com paciência pelo Senhor. Por isso, passa a olhar os outros com o mesmo olhar que recebeu de Deus.

No ensino de Jesus, a misericórdia começa pelo olhar. É enxergar a pessoa além do erro, da fraqueza ou da aparência. Jesus via pessoas feridas, não apenas pecadores. Ele não ignorava o pecado, mas também não ignorava a dor humana. Esse olhar muda a forma como lidamos com quem falha, com quem erra e com quem decepciona.

A misericórdia também envolve sentir. Ela não é fria nem distante. É permitir que o sofrimento do outro toque o coração. Muitas vezes, é mais fácil julgar do que se compadecer. É mais simples apontar o erro do que caminhar junto. Jesus nos chama a um coração sensível, capaz de se importar, mesmo quando isso exige esforço emocional.

Mas a misericórdia ensinada por Jesus não para no olhar e no sentir. Ela se expressa em ação. No Sermão do Monte, misericórdia sempre se transforma em atitude concreta. Não é apenas perdoar com palavras, mas agir com paciência, oferecer ajuda, estender a mão e dar novas oportunidades. É o oposto de uma religião dura, que cobra muito, mas oferece pouco.

Nos nossos dias, isso se torna muito prático. Ser misericordioso é perdoar alguém da família que nos feriu. É tratar com respeito quem falhou no trabalho. É ajudar alguém sem esperar reconhecimento. É responder com calma quando somos provocados. É lembrar que nós mesmos já erramos muitas vezes e fomos alcançados pela graça de Deus.

Jesus não chama de bem-aventurados os que apenas exigem justiça dos outros, mas os que sabem equilibrar justiça com misericórdia. Ele não nos ensina a passar por cima da verdade, mas a tratar a verdade com amor. A misericórdia não ignora o erro, mas oferece caminho de restauração.

Por isso, a misericórdia ensinada por Jesus vai além do conceito humano. Ela inclui perdoar quando há motivo para ressentimento, ajudar quando não há obrigação e tratar com graça quem falhou. Esse tipo de misericórdia não nasce do esforço humano, mas de um coração moldado pelo Espírito de Deus.

Jesus não redefine a misericórdia; Ele a leva à sua essência. Quem foi alcançado pela misericórdia de Deus aprende a oferecê-la aos outros. E essa prática revela um coração alinhado com o Reino dos Céus.

Assim, Jesus nos ensina que a verdadeira felicidade não está em julgar menos por conveniência, mas em amar mais por convicção. O misericordioso vive de forma leve, porque entende que a graça recebida precisa ser compartilhada. E sobre esses, Jesus declara: são felizes.

Quem experimenta a misericórdia de Deus aprende a olhar, sentir e agir com graça diante dos outros.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

06/fev/26

 

FOME QUE NÃO SE SATISFAZ COM APARÊNCIA

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão satisfeitos.” Mateus 5:6 (NAA)

Sede e fome de justiça são o tema de nossa quarta reflexão nas bem-aventuranças. Jesus escolhe essas palavras com muito cuidado. Ele fala de fome e sede porque está tratando de um desejo profundo, contínuo e essencial, não de algo superficial ou ocasional. Em Mateus 5:6, Ele declara: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão satisfeitos.” (NAA). Jesus nos ensina que a justiça do Reino de Deus precisa ser buscada como algo indispensável à vida.

Fome e sede não são caprichos. São necessidades básicas. Quando alguém sente fome de verdade, não se contenta com a aparência de comida. Quando alguém sente sede de verdade, não se satisfaz com palavras, promessas ou explicações. Precisa de algo real. Ao usar essas imagens, Jesus mostra que a justiça não pode ser apenas discurso religioso, tradição ou fachada espiritual. Ela precisa ser desejada com intensidade, como algo sem o qual não conseguimos viver.

Ao longo da história, o povo sempre clamou por justiça. O necessitado clama por justiça. O oprimido clama por justiça. A Bíblia reconhece esse clamor, especialmente quando a justiça humana falha, demora ou é negada. Muitas vezes, a injustiça se torna parte do cotidiano, e o sofrimento se prolonga. Diante disso, Deus levanta profetas para denunciar uma fé vazia e chamar o povo de volta ao caminho correto.

Um desses profetas foi Amós. Ele falou contra uma religião bonita por fora, cheia de rituais, mas vazia por dentro. Em meio às injustiças praticadas contra os pobres e fracos, Amós declarou: “Corra o juízo como as águas, e a justiça, como um ribeiro perene.” Amós 5:24 (NAA). Essa imagem é forte. Deus não quer uma justiça que aparece de vez em quando, nem uma justiça seletiva, que favorece alguns e ignora outros. Ele deseja uma justiça que flui continuamente, como um rio que nunca seca.

Por isso se diz que justiça tardia não é justiça. Quando a justiça demora demais, ela deixa de cumprir seu propósito e se transforma em opressão. Deus não se agrada de uma fé que canta, oferece sacrifícios e frequenta cultos, mas ignora o pobre, o fraco e o injustiçado. A justiça que agrada a Deus precisa alcançar a vida real.

Jesus retoma esse ensino e o aprofunda. Ele não está falando apenas de justiça social, embora ela esteja incluída. Jesus fala, sobretudo, de justiça diante de Deus. Trata-se do desejo sincero de viver de forma correta, reta e alinhada com a vontade do Senhor. Não é aparência religiosa. Não é discurso bonito. Não é frequentar lugares santos sem mudança de vida. É querer, de verdade, viver o que Deus aprova.

Por isso Jesus não diz: “Bem-aventurados os que falam de justiça” ou “os que exigem justiça dos outros”. Ele diz: “os que têm fome e sede de justiça”. Isso descreve pessoas que sentem falta da justiça quando ela não está presente, que se incomodam com o erro e sofrem ao ver o pecado — primeiro em si mesmas, depois ao redor. É um desejo que começa no coração e se reflete nas atitudes.

Nos nossos dias, esse ensino é muito atual. Vivemos em um tempo em que muitos exigem justiça, mas poucos querem praticá-la. Cobram honestidade, mas dão jeitinho. Pedem respeito, mas ferem com palavras. Criticam a corrupção, mas são injustos nas pequenas coisas do dia a dia. Jesus aponta outro caminho: antes de exigir justiça do mundo, permita que a justiça de Deus governe o seu coração.

Ter fome e sede de justiça significa desejar agir corretamente mesmo quando ninguém está vendo. É escolher a verdade quando a mentira parece mais fácil. É tratar as pessoas com dignidade, mesmo quando isso não traz vantagem. Isso se manifesta no trabalho, na família, nos relacionamentos e nas decisões simples da vida.

Essa fome espiritual também revela dependência de Deus. Ninguém consegue viver a justiça do Reino apenas com força de vontade. Por isso Jesus promete: “porque serão satisfeitos.” O próprio Deus sacia esse desejo. Ele concede graça, direção e transformação interior. A justiça que Deus exige é a justiça que Ele mesmo produz em nós.

Assim, Jesus ensina que a verdadeira felicidade não está em parecer justo, mas em desejar ser justo. Não em usar a religião como máscara, mas em permitir que Deus transforme o interior. Quem tem fome e sede de justiça não se acomoda, não se conforma com o erro e não se contenta com pouco. Busca viver aquilo que agrada ao Senhor. E esse desejo sincero nunca fica sem resposta. Deus promete saciar.

Deus não se agrada da justiça que parece correta, mas da justiça que nasce de um coração faminto por viver a Sua vontade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

05/fev/26

  QUANDO TUDO FALHA, DEUS CONTINUA NO CONTROLE “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.” Jó 42:2 (NAA) A d...