O POUCO SE TORNA
MUITO NAS MÃOS DE DEUS
“Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e
dois peixinhos; mas que é isso para tantos?” João 6:9 (ARC).
A história da multiplicação dos pães nos ensina uma verdade
extraordinária: Deus é especialista em transformar aquilo que parece pequeno e
insuficiente em instrumentos poderosos para a realização da Sua Obra.
Diante de uma multidão faminta, cinco pães e dois peixinhos
pareciam não representar quase nada. Foi por isso que André perguntou: “Mas
que é isso para tantos?” Aos olhos humanos, aqueles alimentos eram
insuficientes. Entretanto, quando foram entregues a Jesus, tornaram-se o ponto
de partida de um milagre que alimentou milhares de pessoas.
E aqui encontramos uma lição preciosa: o pouco nas nossas
mãos pode continuar sendo pouco, mas, quando o colocamos nas mãos do Senhor,
Ele pode realizar coisas que jamais conseguiríamos fazer sozinhos.
Essa não foi a primeira vez que Deus utilizou algo
aparentemente insignificante para realizar grandes coisas.
Quando Moisés recebeu a missão de libertar o povo de Israel,
tinha em suas mãos apenas um cajado, um simples instrumento utilizado por
pastores. Entretanto, aquele cajado se tornou um sinal do poder de Deus. Diante
do mar Vermelho, Moisés estendeu sua mão, conforme a ordem do Senhor, e Deus
abriu um caminho onde parecia não existir saída. Não havia poder especial
naquela madeira. O poder estava em Deus, que utilizou um instrumento tão
simples para manifestar Sua grandeza.
Anos depois, um jovem chamado Davi enfrentou Golias, um
guerreiro experiente que aterrorizava o exército de Israel. Davi não possuía a
experiência militar de seus adversários. Levava consigo uma funda e algumas
pedras.
Aos olhos dos homens, aquilo parecia insuficiente para
enfrentar um gigante armado. Mas Davi sabia que sua vitória não dependeria da
força de seus braços nem da qualidade de suas armas. Sua confiança estava no
Senhor. E o gigante caiu!
Perceba o que essas histórias têm em comum: Moisés tinha um
cajado, Davi tinha uma funda e algumas pedras, e o rapaz mencionado por João
tinha cinco pães e dois peixinhos.
Nenhum deles possuía recursos que, por si mesmos, fossem
suficientes para enfrentar os desafios que estavam diante deles. Mas todos nos
ensinam que a grandeza daquilo que Deus realiza não depende necessariamente da
grandeza daquilo que temos para oferecer. Essa verdade continua atual.
Quantas vezes deixamos de fazer alguma coisa para o Senhor
porque acreditamos que não temos capacidade, conhecimentos, talentos ou
recursos suficientes? Olhamos para nossas limitações e concluímos que somos
pequenos demais para realizar algo importante.
Entretanto, Deus pode utilizar uma palavra simples para
restaurar a esperança de alguém, uma pequena oferta para socorrer uma família
necessitada, uma oração para fortalecer um coração abatido ou uma pessoa
desconhecida para alcançar muitas vidas. O apóstolo Paulo compreendeu essa
verdade quando declarou: “Porque, quando estou fraco, então, sou forte.”
2 Coríntios 12:10 (ARC).
Paulo não estava dizendo que a fraqueza humana produz força
por si mesma. Ele havia aprendido que, quando reconhecemos nossas limitações e
dependemos do Senhor, podemos experimentar o poder da Sua graça. Há também uma
lição de humildade em tudo isso.
Jesus ensinou que aquele que se humilha será exaltado,
conforme Lucas 14:11. Não precisamos procurar reconhecimento, aplausos ou
posições de destaque para sermos úteis a Deus.
O rapaz dos cinco pães e dois peixinhos, por exemplo, nem
sequer teve seu nome registrado nas Escrituras. Não sabemos quem ele era ou o
que aconteceu com ele depois daquele dia. Mas sabemos que aquilo que possuía
foi utilizado por Jesus para alimentar uma multidão. O nome do rapaz permaneceu
desconhecido, mas o milagre realizado por Jesus continua sendo anunciado até
hoje.
E aqui está uma das mais belas lições dessa história: Deus
não precisa da nossa grandeza para realizar Seus propósitos. Ele deseja nossa
disposição, nossa humildade e nossa confiança em Seu poder.
Jesus poderia ter alimentado aquela multidão sem utilizar os
alimentos do rapaz. Entretanto, escolheu realizar o milagre a partir daquilo
que estava disponível. Isso nos ensina que Deus não depende de nós, mas, por
Sua graça, permite que participemos daquilo que Ele está fazendo.
Por isso, quero terminar com uma pergunta muito simples: O
que você tem em suas mãos?
Talvez não seja um cajado como o de Moisés, uma funda como a
de Davi ou cinco pães e dois peixinhos como os daquele rapaz. Pode ser um talento, algum conhecimento, um
recurso financeiro, algumas horas disponíveis, uma palavra de encorajamento ou
simplesmente a disposição de ajudar alguém. Não despreze aquilo que você tem
apenas porque lhe parece pequeno.
O Senhor não exige que você possua tudo o que é necessário
para realizar grandes coisas. Ele deseja que você confie nEle e coloque à Sua
disposição aquilo que recebeu.
Não fique esperando ter muito para começar a servir a Deus.
Coloque o seu pouco nas mãos do Senhor e permita que Ele faça, conforme a Sua
vontade, aquilo que você jamais conseguiria realizar sozinho.
Moisés tinha um cajado, Davi tinha uma funda e um rapaz
tinha cinco pães e dois peixinhos. Aos olhos humanos, eram recursos
insignificantes diante de desafios tão grandes. Mas, nas mãos de Deus,
tornaram-se instrumentos de Sua grandeza. O importante não é o tamanho daquilo
que temos, mas a grandeza dAquele a Quem entregamos o que temos.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
26/out/26