O ALTAR NÃO PODE FALTAR

 Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas.” Mateus 6:33 (NAA)

Todos nós estamos construindo algo. A pergunta não é se estamos edificando — é o que estamos colocando em primeiro lugar na construção da nossa vida. Essa construção não tem a ver com paredes, telhados ou qualquer obra visível. Trata-se da arquitetura invisível da alma — aquilo que forma nosso caráter, influencia as pessoas ao nosso redor e aponta para a eternidade.

A Bíblia nos mostra um contraste muito claro entre dois homens que caminharam juntos por um tempo: Abraão e Ló. Enquanto Abraão levantava tendas e altares, Ló levantava apenas tendas. A tenda fala da vida na terra — do lugar onde moramos, trabalhamos e organizamos nossa rotina. O altar fala do céu — do lugar onde reconhecemos que Deus está no controle de tudo.

Em Gênesis, vemos que Abraão tinha o hábito de edificar altares por onde passava. “Abraão mudou as suas tendas e foi morar nos carvalhais de Manre, que estão junto a Hebrom; e edificou ali um altar ao Senhor.” Gênesis 13:18 (NAA). Antes de se sentir totalmente instalado em um lugar, ele estabelecia um espaço de adoração. Era sua forma de declarar: “Deus vem primeiro.”

A tenda podia ser desmontada a qualquer momento, mas o altar representava uma decisão permanente do coração.

Ló, por sua vez, parecia mais atento às oportunidades visíveis. Quando surgiu um conflito entre os pastores, ele escolheu a campina do Jordão porque era bem regada e tinha aparência de prosperidade. “Ló levantou os olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada.” Gênesis 13:10 (NAA). Seus olhos decidiram o caminho.

Aqui aprendemos algo importante: nem tudo que parece bom é direção de Deus. Nem toda oportunidade é propósito. O altar mantém nosso coração alinhado; sem ele, nossas escolhas passam a ser guiadas apenas pela conveniência.

O texto bíblico diz ainda que Ló “armou as suas tendas até Sodoma.” Gênesis 13:12 (NAA). Primeiro ele olhou, depois se aproximou, e quando percebeu já estava vivendo dentro de uma cidade marcada pela corrupção. A queda quase nunca acontece de uma vez — geralmente começa com pequenas aproximações.

O altar nos mantém a uma distância segura. Sua ausência torna a adaptação ao mundo algo quase imperceptível. A distância entre o altar e Sodoma costuma revelar a saúde da nossa alma.

Deus chamou Abraão para algo muito maior do que prosperidade. “Sê tu uma bênção.” Gênesis 12:2 (NAA). Sua vida não seria apenas sobre possuir terras, mas sobre transmitir vida às próximas gerações. Abraão entendeu que sucesso verdadeiro não é apenas conquistar coisas — é deixar um legado espiritual.

Ló prosperou por um tempo, mas sua história não deixou a mesma marca. Isso nos leva a uma pergunta necessária: estamos construindo apenas patrimônio ou também estamos construindo legado?

O altar não era apenas um monte de pedras. Era um sinal visível de dependência. Mostrava que Deus vinha antes da segurança, antes dos planos e antes da estabilidade. A tenda abrigava o corpo; o altar guardava o coração.

Talvez o maior risco da vida espiritual não seja rejeitar Deus, mas simplesmente não lhe dar o primeiro lugar.

Isso continua extremamente atual. Há pessoas construindo carreiras brilhantes, mas perdendo a família. Outras acumulam bens, porém vivem vazias por dentro. Também há aquelas que decidiram priorizar Deus — e essas constroem algo que o tempo não consegue destruir.

Jesus contou uma parábola que ilustra bem essa verdade. “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha.” Mateus 7:24 (NAA). O problema nunca foi construir — ambos os homens da parábola construíram. A diferença estava no fundamento.

A vida que teremos amanhã está sendo construída nas decisões que tomamos hoje. Construímos uma história por meio das nossas escolhas, um caráter nas provas silenciosas e uma influência que alcança nossos filhos, amigos e irmãos na fé. Mesmo quem não ocupa posição de liderança influencia alguém.

Filhos observam mais do que escutam. Amigos percebem nossas prioridades. A igreja enxerga onde colocamos nosso coração. Por isso, nunca subestime o poder silencioso da sua influência.

O altar define o futuro, porque revela quem ocupa o primeiro lugar. Uma vida sem altar pode até crescer por fora, mas começa a esvaziar por dentro.

No fim das contas, não seremos lembrados pelo tamanho das tendas que levantamos, mas pelo altar que nunca deixamos cair. Tendas abrigam a vida presente; altares sustentam a vida inteira.

Todos somos construtores — a diferença está naquilo que escolhemos levantar. Há quem construa uma carreira e perca a alma. Há quem construa conforto e perca o propósito. Mas há quem construa um altar — e esses nunca constroem em vão.

Porque, quando Deus ocupa o centro, todo o resto encontra o seu lugar.

“A tenda revela onde vivemos; o altar revela a quem pertencemos.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

18/fev/26

  

PRIMEIRO A VOZ, DEPOIS A PORTA.

 “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” João 10:27 (NAA)

A vida cristã começa com algo muito simples, porém profundamente transformador: aprender a ouvir a voz de Deus. Antes de grandes experiências espirituais, antes de respostas extraordinárias e até antes de compreender muitas coisas da fé, Deus deseja encontrar um coração disposto a escutar.

Em Apocalipse, vemos isso com muita clareza na experiência do apóstolo João. Ele escreve: “Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês, escreve em livro…” Apocalipse 1:10–11 (NAA). Observe que tudo começa no ouvir. João não vê primeiro — ele ouve primeiro. A revelação nasce de um coração atento.

Mais adiante, o texto diz: “Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui…” Apocalipse 4:1 (NAA). A mesma voz que João ouviu no início agora o convida a subir. Existe uma ordem espiritual muito bonita aqui: primeiro a voz, depois a resposta, então a porta se abre e, por fim, vem a revelação.

Isso nos ensina que Deus não se revela aos curiosos, mas àqueles que aprendem a ouvir e obedecer. João ouviu, respondeu ao chamado e foi conduzido a algo maior. O mesmo acontece conosco. Muitas vezes queremos que Deus nos mostre tudo de uma vez, mas Ele começa falando ao nosso coração.

Jesus deixou isso ainda mais claro quando afirmou: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” João 10:27 (NAA). Ouvir a voz de Cristo não é algo raro ou reservado para pessoas especiais — é a marca daqueles que pertencem a Ele. O povo de Deus vive, decide e caminha a partir dessa escuta.

Ouvir a voz do Senhor define nossa identidade. Jesus não disse que suas ovelhas tentam ouvir — Ele disse que elas ouvem. Isso significa que reconhecer a voz do Pastor faz parte de quem somos. A igreja não se sustenta apenas em programações, estruturas ou atividades. Sua verdadeira força está em permanecer sensível ao que Deus está dizendo.

Essa voz também nasce do relacionamento. Jesus afirmou: “Eu as conheço.” Não se trata apenas de saber coisas sobre Deus, mas de caminhar com Ele diariamente. Quanto mais nos aproximamos do Senhor por meio da oração e da leitura da Palavra, mais fácil se torna reconhecer Sua direção. É como acontece em uma família: quanto mais convivemos com alguém, mais identificamos sua voz, mesmo em meio a muitos sons.

Vivemos, porém, em um tempo cheio de barulho. São opiniões, notícias, conselhos e tantas vozes tentando nos guiar. Por isso, precisamos aprender a discernir o que realmente vem de Deus. A voz de Cristo nunca nos leva à confusão, ao orgulho ou ao afastamento do amor. Pelo contrário, ela sempre nos conduz à verdade, à humildade e à vida.

Um exemplo simples dos nossos dias pode ajudar. Pense em alguém que está prestes a tomar uma decisão importante — trocar de emprego, iniciar um relacionamento ou mudar de cidade. Muitos olham apenas para salário, oportunidades ou aparência. Mas quem aprende a ouvir a voz de Deus pergunta primeiro: “Senhor, esse é o caminho?” Nem tudo que parece bom é direção do céu.

Outro exemplo está nas pequenas escolhas diárias. Às vezes Deus fala ao nosso coração para perdoar alguém, pedir desculpas ou ajudar quem está passando por necessidade. Não são decisões grandiosas aos olhos humanos, mas revelam um coração que aprende a seguir o Pastor.

E aqui está uma verdade importante: ouvir implica obedecer. Não adianta apenas escutar uma mensagem, sentir-se tocado e continuar vivendo da mesma maneira. Jesus disse que suas ovelhas ouvem e seguem. A voz do Senhor sempre nos chama para um caminho — mesmo quando esse caminho exige fé, mudança ou renúncia.

Quando a igreja aprende a viver assim, experimenta segurança. A voz de Cristo não apenas orienta — ela sustenta. Em tempos de dúvida, ela traz paz. Em momentos de medo, ela oferece direção. Seguir essa voz não significa ausência de dificuldades, mas certeza de que não estamos caminhando sozinhos.

Talvez hoje a maior necessidade da igreja não seja mais informação, nem mais atividades, mas corações sensíveis. Deus continua falando. A pergunta é: estamos ouvindo?

Quem ignora a voz do Senhor pode até continuar andando, mas corre o risco de se perder. Quem ouve e responde descobre que sempre existe uma porta aberta preparada por Deus.

Assim como João, somos convidados a subir — a viver uma fé mais profunda, mais consciente e mais dependente do Senhor. Tudo começa quando decidimos silenciar o coração para escutar.

Porque, quando Deus fala e alguém responde, novos caminhos se abrem, e o céu deixa de ser apenas uma promessa distante para se tornar direção presente.

“A porta do céu se abre para quem aprende a ouvir a voz de Deus.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

17/fev/26

 

QUANDO O CANSAÇO DA ALMA ENCONTRA DESCANSO EM CRISTO

Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei.” Mateus 11:28 (NAA)

Esse é um dos convites mais amorosos que já foram feitos. Jesus não chama os fortes, nem os que acham que dão conta de tudo sozinhos. Ele chama os cansados. Chama os que estão sobrecarregados. Chama aqueles que já tentaram resolver a própria vida com as próprias mãos e perceberam que não conseguiram.

O pior cansaço não é o do corpo. Não é aquele que se resolve com uma boa noite de sono. O pior cansaço é o da alma. É quando a pessoa acorda já desanimada. É quando nada parece fazer sentido. É quando a alegria desaparece e a fé fica fraca. É o cansaço de quem carrega culpa, medo, preocupações e decepções acumuladas ao longo dos anos.

Hoje vemos isso em toda parte. Pessoas com bons empregos, mas com o coração vazio. Jovens conectados o tempo todo, mas sentindo-se sozinhos. Pais exaustos tentando sustentar a casa e manter a família unida. Mulheres e homens que sorriem por fora, mas por dentro estão quebrados. Muitos frequentam a igreja, mas não sentem mais a alegria da salvação. Oram pouco, leem pouco a Bíblia e vivem como se estivessem apenas sobrevivendo.

Jesus conhece esse tipo de cansaço. Por isso Ele diz: “Venham a mim.” Não é “venham para uma religião”, nem “venham para uma regra”, nem “venham quando estiverem melhores”. É simplesmente: “Venham a mim.” É um convite pessoal. É como se Ele estivesse olhando nos olhos de cada um e dizendo: “Traga o que está pesado demais para você.”

E Ele faz uma promessa clara: “eu os aliviarei.” Mateus 11:28. Não é uma sugestão. É uma promessa. Esse alívio não é apenas físico. É descanso interior. É paz na consciência. É saber que os pecados foram perdoados. A Bíblia diz: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” 1 João 1:9 (NAA). Quando entendemos isso, o peso da culpa começa a sair dos ombros.

Muita gente tenta aliviar o cansaço da alma de outras formas. Alguns procuram distração excessiva, outros se afundam no trabalho, outros ainda buscam vícios ou relacionamentos errados. Mas nada disso resolve o problema. Só adia. Só mascara. O vazio continua lá.

Jesus oferece algo diferente. Ele oferece descanso verdadeiro. Ele mesmo disse: “Deixo com vocês a paz, a minha paz lhes dou; não lhes dou como o mundo a dá.” João 14:27 (NAA). A paz que o mundo oferece depende das circunstâncias. A paz que Jesus dá nasce dentro do coração.

Talvez você esteja lendo isso e pensando: “Eu estou assim. Cansado. Sobrecarregado. Sem forças.” Então esse convite é para você. Não importa se você é novo na fé. Não importa se já está na igreja há anos. O convite continua valendo. Volte para Ele. Fale com Ele. Abra seu coração em oração. Leia a Palavra. Busque comunhão com outros irmãos. Deus não se cansa de receber quem volta.

A Bíblia também diz: “Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias; correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.” Isaías 40:31 (NAA). Essa renovação não acontece porque somos fortes, mas porque Ele é fiel.

Não aceite viver abatido. Não aceite uma vida cristã sem alegria. Em Deus, por meio de Cristo Jesus, há uma fonte inesgotável de graça. Ele não promete ausência de problemas, mas promete presença constante. E a presença Dele muda tudo.

Se você está cansado, não fuja. Não se esconda. Não desista. Vá até Jesus. Ele não rejeita os fracos. Ele acolhe. Ele sustenta. Ele restaura.

O cansaço pode até visitar sua vida. Mas não precisa morar nela.

Quando o coração aprende a descansar em Jesus, o peso que esmagava é removido — e no lugar dele recebemos o jugo suave de Cristo, que traz descanso para a alma.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

16/fev/26

 

CLAME — DEUS AINDA RESPONDE.

“Clame a mim, e eu responderei e lhe anunciarei coisas grandes e ocultas, que você não sabe.” Jeremias 33:3 (NAA)

Esse versículo é um dos convites mais diretos e amorosos que Deus faz ao ser humano. Ele nos chama para um relacionamento vivo, próximo e constante. Ao longo do nosso dia, nos relacionamos com muitas pessoas — marido, esposa, filhos, amigos, colegas de trabalho e vizinhos. Conversamos, ouvimos, ajustamos atitudes e cultivamos proximidade. Sabemos, por experiência própria, que nenhum relacionamento cresce sozinho; ele precisa de cuidado, presença e dedicação.

Com Deus não é diferente. Todo relacionamento verdadeiro exige tempo. Não se constrói intimidade com pressa nem apenas em momentos ocasionais. Pense em um casal que quase não conversa ou em um amigo que só aparece quando precisa de ajuda — esse vínculo dificilmente será profundo. Da mesma forma, surge uma pergunta necessária: quanto tempo temos dedicado ao Senhor? Temos separado momentos reais para estar com Ele ou apenas tentamos encaixar Deus nos intervalos do dia?

Relacionamento também exige atenção. Não basta estar perto; é preciso estar inteiro. Quantas vezes alguém fala conosco e, mesmo assim, nossa mente está longe? Com Deus, a atenção se revela quando paramos, silenciamos o coração e nos colocamos diante dEle sem distrações. Jesus ensinou algo semelhante ao dizer que devemos entrar no quarto e fechar a porta — um convite a um encontro pessoal e sincero. É nesse silêncio intencional que a comunhão se aprofunda e o coração aprende a reconhecer a voz do Senhor.

Além disso, relacionamento exige disposição. Nem sempre é fácil manter uma vida de oração. Há dias de cansaço, dias em que as palavras parecem não sair e momentos em que a mente se dispersa. Ainda assim, quem decide permanecer descobre que a intimidade não nasce apenas das emoções, mas da constância. Relacionamentos saudáveis sobrevivem porque existe uma decisão consciente de permanecer, investir e cuidar.

É aqui que entendemos melhor o significado de “Clame a mim”. A oração não é falar ao acaso nem lançar palavras ao vento. Oramos a um Deus vivo, presente e atento. A Bíblia afirma: “Clamam os justos, e o Senhor os ouve e os livra de todas as suas tribulações.” Salmos 34:17 (NAA). E também declara: “O Senhor está perto de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade.” Salmos 145:18 (NAA). Essas promessas trazem descanso ao coração — não estamos falando sozinhos.

Quando Deus diz “eu responderei”, Ele revela sua fidelidade. A resposta nem sempre chega da forma ou no tempo que imaginamos, porém ela vem. Às vezes Deus responde com direção, outras vezes com paz, e em certos momentos Ele muda primeiro o nosso coração antes de mudar as circunstâncias. Nenhuma oração sincera passa despercebida.

Clamar é um ato de confiança. É reconhecer nossa dependência e admitir que só Deus tem palavras de vida, consolo e orientação. Assim como um filho corre para os braços do pai quando precisa de ajuda, nós também somos convidados a nos aproximar do Senhor com liberdade.

A vida diária mostra o quanto essa verdade é necessária. Quantas pessoas tentam carregar tudo sozinhas — decisões, medos, preocupações — até que o peso se torna insuportável. Outras vivem no barulho constante, sem nunca parar para ouvir Deus. Porém, quando alguém aprende a orar, descobre um lugar de descanso em meio à correria.

A oração é o combustível da vida espiritual. Sem ela, até o serviço a Deus se torna pesado e mecânico. Com ela, encontramos força renovada, direção e sensibilidade. É como um veículo que precisa de combustível para continuar a viagem — sem oração, o coração perde o vigor; com oração, seguimos adiante com esperança.

Clamar a Deus não significa apenas pedir ajuda. É buscar intimidade, abrir o coração, compartilhar alegrias, dores, dúvidas e decisões. O relacionamento cresce quando há sinceridade e entrega. Mais do que responder pedidos, Deus deseja caminhar conosco diariamente.

Na segunda parte do versículo, o Senhor promete anunciar “coisas grandes e ocultas”. Isso fala de verdades que não alcançaríamos sozinhos. Há direções que só se tornam claras na presença de Deus, decisões que amadurecem na oração e consolos que chegam de maneira silenciosa. Muitas vezes, Deus nos mostra não apenas o que queremos saber, mas o que precisamos aprender.

As coisas grandes” apontam para o agir poderoso de Deus e para seus planos. Já “as coisas ocultas” revelam aquilo que nossos olhos não percebem — caminhos que devemos evitar, mudanças necessárias e respostas que só o Espírito Santo pode trazer ao coração.

Quando separamos tempo para estar com Deus, algo começa a mudar dentro de nós. A ansiedade dá lugar à confiança. A dúvida abre espaço para a fé. O coração inquieto encontra descanso. Nem sempre Deus fala com barulho, mas sempre fala com clareza ao coração atento.

Por isso, vale uma pergunta simples e sincera: como está o nosso relacionamento com Deus? Temos aprendido a ouvir sua voz ou nossa vida espiritual tem se resumido a pedidos rápidos, feitos apenas nos momentos de necessidade?

O convite continua aberto. Deus ainda chama, ainda ouve e ainda responde. Quem aprende a clamar descobre que nunca caminha sozinho e quem separa tempo para Deus nunca perde tempo — encontra direção para a vida inteira.

“A oração não apenas nos leva a Deus — ela nos mantém caminhando com Ele.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

15/fev/26

 

UMA FÉ QUE SABE EXPLICAR COM AMOR


Antes, santifiquem Cristo como Senhor em seu coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que pedir razão da esperança que há em vocês, porém com mansidão e temor.1 Pedro 3:15 (NAA)

Para muitas pessoas, a palavra apologia soa estranha ou até negativa. Alguns a associam a brigas, discussões acaloradas ou tentativas de impor ideias. No entanto, quando olhamos com mais atenção para o significado bíblico dessa palavra, percebemos algo muito diferente. Na verdade, quão bom seria se todos os cristãos fossem apologistas no sentido que a Bíblia ensina.

A palavra apologia vem do grego “apologia”, que significa defesa, resposta ou explicação. No contexto cristão, ela não aponta para ataque, confronto ou superioridade. Aponta para algo simples e bonito: saber explicar a fé de forma clara, respeitosa e responsável. Apologista não é alguém que discute para vencer, mas alguém que conversa para esclarecer. Não é quem levanta a voz, mas quem apresenta a verdade com serenidade.

Ser apologista, portanto, é conhecer no que se crê e saber dizer por que se crê. É conseguir responder quando alguém pergunta, sem agressividade e sem arrogância. É usar a Bíblia como base, pensar com equilíbrio e reconhecer que a fé cristã tem história, fundamento e sentido. Não se trata de saber tudo, mas de caminhar com convicção e humildade. Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja corretamente a palavra da verdade.
2 Timóteo 2:15 (NAA)

O apóstolo Pedro nos ensina que tudo começa no coração. Antes de responder qualquer pergunta, é preciso santificar Cristo como Senhor dentro de nós. Isso significa colocá-lo no centro da vida, acima das opiniões, emoções e circunstâncias. Quando Cristo ocupa esse lugar, nossas palavras passam a refletir não apenas conhecimento, mas também caráter. A defesa da fé deixa de ser um debate e se torna um testemunho.

Pedro também nos orienta a estar sempre preparados para responder. Isso mostra que a fé cristã não é cega, nem vazia. Ela pode ser explicada. Ela faz sentido. O cristão não precisa fugir das perguntas. Pelo contrário, pode acolhê-las com tranquilidade, sabendo que a verdade não teme o questionamento.

Ao mesmo tempo, Pedro coloca dois limites muito importantes: mansidão e temor. Mansidão fala do modo como respondemos. Não com dureza, ironia ou desprezo, mas com calma e respeito. Temor fala da postura do coração. Não é medo das pessoas, mas reverência a Deus. Respondemos lembrando que representamos Cristo.

Isso fica muito claro no dia a dia. Quando alguém pergunta: “Por que você crê em Jesus?”, não estamos sendo atacados. Muitas vezes, a pessoa apenas quer entender. Quando alguém questiona: “A Bíblia é confiável?” ou “Por que a igreja crê assim?”, surge uma oportunidade de testemunhar. Se respondemos com base bíblica, com bom senso e respeito, estamos vivendo a apologética cristã.

Hoje, isso é ainda mais necessário. Vivemos em um tempo de muitas opiniões, informações rápidas e debates intensos. As pessoas falam muito, mas escutam pouco. Nesse cenário, o cristão é chamado a ser diferente. Não para vencer discussões, mas para apresentar esperança. Não para provar que sabe mais, mas para mostrar quem governa o seu coração.

Apologista, portanto, não é um título para poucos estudiosos. É uma vocação para todo cristão. Cada crente, à sua maneira, pode explicar sua fé. Pode contar o que Cristo fez em sua vida. Pode mostrar, com palavras simples, por que segue a Jesus. Muitas vezes, um testemunho sincero vale mais do que um discurso complexo.

Defender a fé cristã não é brigar por Deus, como se Ele precisasse disso. É honrar a Deus com a forma como falamos dEle. É unir verdade e amor. É mostrar que a fé que confessamos com a boca é a mesma que transforma o coração e orienta a vida.

Quando vivemos assim, nossa fé se torna acessível. Pessoas simples entendem. Corações são tocados. A esperança deixa de ser apenas uma palavra e passa a ser uma realidade visível. E, aos poucos, o nome de Cristo é glorificado não apenas pelo que dizemos, mas pelo modo como vivemos. E tudo o que fizerem, seja em palavra, seja em ação, façam tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.
Colossenses 3:17 (NAA)

Defender a fé não é vencer discussões, é revelar Cristo com verdade, mansidão e amor.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

14/fev/26

 

QUANDO DEUS CHAMA PARA MAIS ALTO

“Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: ‘Suba para aqui, e lhe mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas.’” Apocalipse 4:1 (NAA)

Deus sempre desejou se relacionar com o ser humano. Desde o início da Bíblia vemos um Deus que fala, chama, orienta e se revela. Ele não é distante nem indiferente; pelo contrário, toma a iniciativa de se aproximar. Apocalipse 4:1 nos ajuda a entender algo muito bonito sobre essa relação. Nesse texto aparece um movimento espiritual que se repete ao longo das Escrituras: Deus fala, o homem responde, uma porta se abre e então vem a revelação.

Tudo começa com a voz de Deus. João não criou aquela experiência; ele apenas respondeu ao chamado. Na vida cristã, antes de qualquer grande mudança, geralmente há uma palavra do Senhor nos direcionando. Muitas vezes esperamos sinais extraordinários, mas Deus costuma começar com algo simples — uma palavra que toca o coração.

Isso continua acontecendo hoje. Quantas pessoas já sentiram Deus falar por meio de uma pregação, de um versículo bíblico ou até de um conselho cheio de sabedoria? Há decisões que mudam completamente o rumo da vida quando alguém escolhe ouvir a voz certa.

Mas ouvir não é o mesmo que escutar um som. É necessário responder. João ouviu e se voltou para aquela voz. Existe uma diferença entre quem apenas ouve e quem presta atenção. Deus fala com todos, mas nem todos estão dispostos a parar para escutar. “Em verdade, em verdade lhes digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.” João 5:24 (NAA)

Um exemplo muito claro disso aparece na história de Bartimeu. O texto diz: “E ouvir que era Jesus, o Nazareno, começou a gritar: — Jesus, Filho de Davi, tenha compaixão de mim!” Marcos 10:47 (NAA). Bartimeu era cego. Não podia ver Jesus passando, mas percebeu algo que muitos enxergavam e não compreenderam. Ele ouviu — e aquilo foi suficiente para despertar sua fé.

A ordem dos acontecimentos é muito interessante: ele ouviu, creu, clamou, foi atendido e passou a enxergar. Antes do milagre nos olhos, já existia um milagre no coração. A verdadeira visão quase sempre começa pelos ouvidos.

Naquele dia, algumas pessoas mandaram que Bartimeu ficasse quieto, mas ele gritou ainda mais alto. Quem aprende a ouvir a voz de Deus não se deixa calar pelas vozes ao redor. E Jesus respondeu ao seu clamor, mostrando que Deus sempre se volta para aqueles que o buscam com sinceridade.

Voltando ao texto de Apocalipse, vemos que depois da voz havia uma porta aberta no céu. João não precisou forçar a entrada nem tentar alcançar aquilo sozinho. A porta foi aberta por Deus. Isso nos ensina que certas experiências espirituais não são conquistadas pelo esforço humano — são presentes da graça divina.

É assim também em nossos dias. Existem portas que só Deus pode abrir: oportunidades, recomeços, direções inesperadas. Às vezes tentamos resolver tudo com nossa própria força, mas o relacionamento com Deus nos lembra que Ele continua no controle.

A voz então diz: “Suba para aqui.” Não era apenas um convite para ver algo novo; era um chamado para mudar de perspectiva. Subir, espiritualmente, significa olhar acima das circunstâncias e enxergar a vida com os olhos da fé.

Quantas vezes nossos problemas parecem enormes simplesmente porque estamos olhando apenas do chão? Quando Deus nos chama para mais perto dEle, nossa visão muda. Aquilo que parecia impossível começa a ser visto com esperança.

Outro detalhe importante está na expressão: “mostrarei”. A revelação pertence a Deus. Não precisamos saber tudo sobre o futuro nem controlar cada passo da jornada. Existe descanso em confiar naquele que já conhece o caminho.

Isso nos ensina que Deus trabalha em etapas. Ele não revela tudo de uma vez; prepara nosso coração antes de ampliar nossa visão. Assim como João só viu certas coisas depois de ouvir a voz, também aprendemos que muitas respostas vêm quando escolhemos caminhar com Deus dia após dia.

Essa verdade pode ser aplicada à vida comum. Pense em alguém que busca direção para sua família, seu trabalho ou suas decisões pessoais. Quando essa pessoa ora, lê a Palavra e mantém o coração sensível, começa a perceber caminhos que antes não enxergava. Não é que tudo se torne fácil, mas passa a existir uma segurança interior.

Deus ainda fala. Ele ainda chama. Ele ainda abre portas.

Talvez o maior desafio do nosso tempo seja o excesso de ruídos. São muitas opiniões, notícias e distrações. Em meio a tanto barulho, precisamos reaprender a ouvir a voz do Senhor.

Jesus disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” João 10:27 (NAA). Ouvir a voz de Cristo não é algo extraordinário — é a marca de quem pertence a Ele.

Quando aprendemos essa ordem espiritual — ouvir, responder e seguir — começamos a perceber portas que antes passavam despercebidas. Deus não chama apenas para que vejamos algo novo, mas para que vivamos de maneira mais profunda com Ele.

Assim como João foi convidado a subir, Deus também nos chama para uma fé mais elevada, mais confiante e mais sensível. O relacionamento com Deus cresce quando escolhemos dar atenção à Sua voz.

Porque, no fim das contas, não é a revelação que transforma primeiro — é a disposição de ouvir.

“Quem aprende a ouvir a voz de Deus começa a enxergar caminhos que outros nunca percebem.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

13/fev/26

 

QUANDO TUDO FALHA, DEUS CONTINUA NO CONTROLE

“Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.” Jó 42:2 (NAA)

A declaração de Jó nasce depois de um período de perdas profundas, dor e muitas perguntas sem resposta. Ele perdeu bens, saúde e filhos, viu sua vida mudar de forma brusca e, por muito tempo, não compreendeu o motivo de tanto sofrimento. Ainda assim, ao final de sua jornada, Jó reconhece algo que sustenta todo cristão: Deus continua no controle, mesmo quando não entendemos o que acontece.

Nossa vida também passa por momentos assim. Existem dias em que tudo parece caminhar bem, porém, de repente, surge uma notícia difícil, um problema na família, uma enfermidade ou uma perda inesperada. Nessas horas, a primeira reação costuma ser perguntar: “Por quê?” Queremos explicações rápidas e soluções imediatas. Só que nem sempre recebemos respostas na hora que desejamos. É nesse ponto que aprendemos que fé não depende de explicações completas, e sim de confiança em quem Deus é.

Muitas pessoas, em nossos dias, enfrentam crises semelhantes às de Jó. Há pais preocupados com filhos que se afastaram de casa ou da fé. Existem trabalhadores que perdem o emprego após anos de dedicação. Outros lutam contra doenças longas que cansam o corpo e o coração. Nessas horas, percebemos como somos pequenos diante da dor.

No mês que se passou recebi uma mensagem de uma irmã e amiga - uma mãe aflita - contando que seu filhinho havia sido internado na UTI. A angústia, o medo e a sensação de impotência diante daquela situação podiam ser sentidos até mesmo na breve mensagem enviada pelo WhatsApp.

Nesses momentos não há palavras capazes de explicar o sofrimento nem respostas prontas que tragam alívio imediato. Resta apenas confiar, orar e colocar tudo nas mãos de Deus. E é justamente em situações assim que aprendemos que o Senhor continua presente, sustentando quando nossas forças acabam.

Também aprendemos que nem sempre compreendemos os caminhos pelos quais Deus nos conduz. Existem fases em que tudo parece confuso. Planos falham, portas se fecham e sonhos parecem distantes. Contudo, o tempo revela que muitas dessas experiências produzem crescimento e maturidade.

Quantas pessoas, após uma demissão, descobriram um novo caminho profissional? Quantas famílias se aproximaram depois de uma enfermidade? Quantos cristãos passaram a buscar mais a Deus depois de uma dificuldade? Aquilo que parecia derrota se transforma em aprendizado e fortalecimento.

Outro ponto importante aparece quando percebemos que não caminhamos sozinhos. A graça de Deus sustenta cada passo. A vida cristã não é livre de lutas. Pelo contrário, muitas vezes surgem pressões, tentações e momentos de cansaço. Por isso, precisamos pedir forças diariamente ao Senhor. Há dias em que mal conseguimos fazer outra coisa além de orar: “Senhor, ajuda-me a continuar”. E essa oração sincera encontra resposta no cuidado de Deus, que, pouco a pouco, renova nossas forças.

Pense em alguém que enfrenta uma luta silenciosa, como uma mãe que ora todos os dias por um filho distante, ou um trabalhador que sai cedo de casa buscando sustento digno para a família. Essas pessoas continuam caminhando porque confiam que Deus cuida de cada detalhe. A fé não elimina a dificuldade, porém dá coragem para seguir em frente.

Quando reconhecemos o cuidado e o amor do Senhor, nosso coração encontra um novo caminho: a adoração e a entrega. Em vez de viver apenas reclamando das dificuldades, aprendemos a colocar tudo nas mãos de Deus. Entregar não significa desistir, e sim confiar. Significa dizer: “Senhor, minha vida pertence a Ti, e eu continuo caminhando sob a Tua direção”.

Adorar em meio às lutas transforma nosso interior. O problema pode continuar existindo, só que o coração encontra paz para atravessar a situação. A confiança em Deus muda nossa maneira de enfrentar a vida. Em vez de desespero, nasce esperança. Em vez de revolta, surge confiança. E, aos poucos, percebemos que Deus esteve presente em cada etapa do caminho.

Jó começou sua jornada cheio de perguntas e terminou cheio de reverência. Ele compreendeu que Deus sempre soube o que fazia. O mesmo acontece conosco. Um dia também olharemos para trás e perceberemos que o Senhor nunca perdeu o controle de nossa história.

No fim, nossa maior segurança não está na ausência de problemas, e sim na presença constante de Deus ao nosso lado, conduzindo cada passo com amor e propósito.

Quanto ao pequeno Heitor, criança amada citada no início do texto, ele está nas mãos de Deus, que irá curá-lo e fazê-lo crescer, e isso será testemunho do grande amor do Senhor por todos nós.

Quando não entendemos o caminho, podemos descansar sabendo que Deus entende, conduz e sustenta cada passo da nossa jornada.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

12/fev/26

  O ALTAR NÃO PODE FALTAR   “ Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescenta...