UMA FÉ QUE SABE EXPLICAR COM AMOR


Antes, santifiquem Cristo como Senhor em seu coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que pedir razão da esperança que há em vocês, porém com mansidão e temor.1 Pedro 3:15 (NAA)

Para muitas pessoas, a palavra apologia soa estranha ou até negativa. Alguns a associam a brigas, discussões acaloradas ou tentativas de impor ideias. No entanto, quando olhamos com mais atenção para o significado bíblico dessa palavra, percebemos algo muito diferente. Na verdade, quão bom seria se todos os cristãos fossem apologistas no sentido que a Bíblia ensina.

A palavra apologia vem do grego “apologia”, que significa defesa, resposta ou explicação. No contexto cristão, ela não aponta para ataque, confronto ou superioridade. Aponta para algo simples e bonito: saber explicar a fé de forma clara, respeitosa e responsável. Apologista não é alguém que discute para vencer, mas alguém que conversa para esclarecer. Não é quem levanta a voz, mas quem apresenta a verdade com serenidade.

Ser apologista, portanto, é conhecer no que se crê e saber dizer por que se crê. É conseguir responder quando alguém pergunta, sem agressividade e sem arrogância. É usar a Bíblia como base, pensar com equilíbrio e reconhecer que a fé cristã tem história, fundamento e sentido. Não se trata de saber tudo, mas de caminhar com convicção e humildade. Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja corretamente a palavra da verdade.
2 Timóteo 2:15 (NAA)

O apóstolo Pedro nos ensina que tudo começa no coração. Antes de responder qualquer pergunta, é preciso santificar Cristo como Senhor dentro de nós. Isso significa colocá-lo no centro da vida, acima das opiniões, emoções e circunstâncias. Quando Cristo ocupa esse lugar, nossas palavras passam a refletir não apenas conhecimento, mas também caráter. A defesa da fé deixa de ser um debate e se torna um testemunho.

Pedro também nos orienta a estar sempre preparados para responder. Isso mostra que a fé cristã não é cega, nem vazia. Ela pode ser explicada. Ela faz sentido. O cristão não precisa fugir das perguntas. Pelo contrário, pode acolhê-las com tranquilidade, sabendo que a verdade não teme o questionamento.

Ao mesmo tempo, Pedro coloca dois limites muito importantes: mansidão e temor. Mansidão fala do modo como respondemos. Não com dureza, ironia ou desprezo, mas com calma e respeito. Temor fala da postura do coração. Não é medo das pessoas, mas reverência a Deus. Respondemos lembrando que representamos Cristo.

Isso fica muito claro no dia a dia. Quando alguém pergunta: “Por que você crê em Jesus?”, não estamos sendo atacados. Muitas vezes, a pessoa apenas quer entender. Quando alguém questiona: “A Bíblia é confiável?” ou “Por que a igreja crê assim?”, surge uma oportunidade de testemunhar. Se respondemos com base bíblica, com bom senso e respeito, estamos vivendo a apologética cristã.

Hoje, isso é ainda mais necessário. Vivemos em um tempo de muitas opiniões, informações rápidas e debates intensos. As pessoas falam muito, mas escutam pouco. Nesse cenário, o cristão é chamado a ser diferente. Não para vencer discussões, mas para apresentar esperança. Não para provar que sabe mais, mas para mostrar quem governa o seu coração.

Apologista, portanto, não é um título para poucos estudiosos. É uma vocação para todo cristão. Cada crente, à sua maneira, pode explicar sua fé. Pode contar o que Cristo fez em sua vida. Pode mostrar, com palavras simples, por que segue a Jesus. Muitas vezes, um testemunho sincero vale mais do que um discurso complexo.

Defender a fé cristã não é brigar por Deus, como se Ele precisasse disso. É honrar a Deus com a forma como falamos dEle. É unir verdade e amor. É mostrar que a fé que confessamos com a boca é a mesma que transforma o coração e orienta a vida.

Quando vivemos assim, nossa fé se torna acessível. Pessoas simples entendem. Corações são tocados. A esperança deixa de ser apenas uma palavra e passa a ser uma realidade visível. E, aos poucos, o nome de Cristo é glorificado não apenas pelo que dizemos, mas pelo modo como vivemos. E tudo o que fizerem, seja em palavra, seja em ação, façam tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.
Colossenses 3:17 (NAA)

Defender a fé não é vencer discussões, é revelar Cristo com verdade, mansidão e amor.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

14/fev/26

 

QUANDO DEUS CHAMA PARA MAIS ALTO

“Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: ‘Suba para aqui, e lhe mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas.’” Apocalipse 4:1 (NAA)

Deus sempre desejou se relacionar com o ser humano. Desde o início da Bíblia vemos um Deus que fala, chama, orienta e se revela. Ele não é distante nem indiferente; pelo contrário, toma a iniciativa de se aproximar. Apocalipse 4:1 nos ajuda a entender algo muito bonito sobre essa relação. Nesse texto aparece um movimento espiritual que se repete ao longo das Escrituras: Deus fala, o homem responde, uma porta se abre e então vem a revelação.

Tudo começa com a voz de Deus. João não criou aquela experiência; ele apenas respondeu ao chamado. Na vida cristã, antes de qualquer grande mudança, geralmente há uma palavra do Senhor nos direcionando. Muitas vezes esperamos sinais extraordinários, mas Deus costuma começar com algo simples — uma palavra que toca o coração.

Isso continua acontecendo hoje. Quantas pessoas já sentiram Deus falar por meio de uma pregação, de um versículo bíblico ou até de um conselho cheio de sabedoria? Há decisões que mudam completamente o rumo da vida quando alguém escolhe ouvir a voz certa.

Mas ouvir não é o mesmo que escutar um som. É necessário responder. João ouviu e se voltou para aquela voz. Existe uma diferença entre quem apenas ouve e quem presta atenção. Deus fala com todos, mas nem todos estão dispostos a parar para escutar. “Em verdade, em verdade lhes digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.” João 5:24 (NAA)

Um exemplo muito claro disso aparece na história de Bartimeu. O texto diz: “E ouvir que era Jesus, o Nazareno, começou a gritar: — Jesus, Filho de Davi, tenha compaixão de mim!” Marcos 10:47 (NAA). Bartimeu era cego. Não podia ver Jesus passando, mas percebeu algo que muitos enxergavam e não compreenderam. Ele ouviu — e aquilo foi suficiente para despertar sua fé.

A ordem dos acontecimentos é muito interessante: ele ouviu, creu, clamou, foi atendido e passou a enxergar. Antes do milagre nos olhos, já existia um milagre no coração. A verdadeira visão quase sempre começa pelos ouvidos.

Naquele dia, algumas pessoas mandaram que Bartimeu ficasse quieto, mas ele gritou ainda mais alto. Quem aprende a ouvir a voz de Deus não se deixa calar pelas vozes ao redor. E Jesus respondeu ao seu clamor, mostrando que Deus sempre se volta para aqueles que o buscam com sinceridade.

Voltando ao texto de Apocalipse, vemos que depois da voz havia uma porta aberta no céu. João não precisou forçar a entrada nem tentar alcançar aquilo sozinho. A porta foi aberta por Deus. Isso nos ensina que certas experiências espirituais não são conquistadas pelo esforço humano — são presentes da graça divina.

É assim também em nossos dias. Existem portas que só Deus pode abrir: oportunidades, recomeços, direções inesperadas. Às vezes tentamos resolver tudo com nossa própria força, mas o relacionamento com Deus nos lembra que Ele continua no controle.

A voz então diz: “Suba para aqui.” Não era apenas um convite para ver algo novo; era um chamado para mudar de perspectiva. Subir, espiritualmente, significa olhar acima das circunstâncias e enxergar a vida com os olhos da fé.

Quantas vezes nossos problemas parecem enormes simplesmente porque estamos olhando apenas do chão? Quando Deus nos chama para mais perto dEle, nossa visão muda. Aquilo que parecia impossível começa a ser visto com esperança.

Outro detalhe importante está na expressão: “mostrarei”. A revelação pertence a Deus. Não precisamos saber tudo sobre o futuro nem controlar cada passo da jornada. Existe descanso em confiar naquele que já conhece o caminho.

Isso nos ensina que Deus trabalha em etapas. Ele não revela tudo de uma vez; prepara nosso coração antes de ampliar nossa visão. Assim como João só viu certas coisas depois de ouvir a voz, também aprendemos que muitas respostas vêm quando escolhemos caminhar com Deus dia após dia.

Essa verdade pode ser aplicada à vida comum. Pense em alguém que busca direção para sua família, seu trabalho ou suas decisões pessoais. Quando essa pessoa ora, lê a Palavra e mantém o coração sensível, começa a perceber caminhos que antes não enxergava. Não é que tudo se torne fácil, mas passa a existir uma segurança interior.

Deus ainda fala. Ele ainda chama. Ele ainda abre portas.

Talvez o maior desafio do nosso tempo seja o excesso de ruídos. São muitas opiniões, notícias e distrações. Em meio a tanto barulho, precisamos reaprender a ouvir a voz do Senhor.

Jesus disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” João 10:27 (NAA). Ouvir a voz de Cristo não é algo extraordinário — é a marca de quem pertence a Ele.

Quando aprendemos essa ordem espiritual — ouvir, responder e seguir — começamos a perceber portas que antes passavam despercebidas. Deus não chama apenas para que vejamos algo novo, mas para que vivamos de maneira mais profunda com Ele.

Assim como João foi convidado a subir, Deus também nos chama para uma fé mais elevada, mais confiante e mais sensível. O relacionamento com Deus cresce quando escolhemos dar atenção à Sua voz.

Porque, no fim das contas, não é a revelação que transforma primeiro — é a disposição de ouvir.

“Quem aprende a ouvir a voz de Deus começa a enxergar caminhos que outros nunca percebem.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

13/fev/26

 

QUANDO TUDO FALHA, DEUS CONTINUA NO CONTROLE

“Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.” Jó 42:2 (NAA)

A declaração de Jó nasce depois de um período de perdas profundas, dor e muitas perguntas sem resposta. Ele perdeu bens, saúde e filhos, viu sua vida mudar de forma brusca e, por muito tempo, não compreendeu o motivo de tanto sofrimento. Ainda assim, ao final de sua jornada, Jó reconhece algo que sustenta todo cristão: Deus continua no controle, mesmo quando não entendemos o que acontece.

Nossa vida também passa por momentos assim. Existem dias em que tudo parece caminhar bem, porém, de repente, surge uma notícia difícil, um problema na família, uma enfermidade ou uma perda inesperada. Nessas horas, a primeira reação costuma ser perguntar: “Por quê?” Queremos explicações rápidas e soluções imediatas. Só que nem sempre recebemos respostas na hora que desejamos. É nesse ponto que aprendemos que fé não depende de explicações completas, e sim de confiança em quem Deus é.

Muitas pessoas, em nossos dias, enfrentam crises semelhantes às de Jó. Há pais preocupados com filhos que se afastaram de casa ou da fé. Existem trabalhadores que perdem o emprego após anos de dedicação. Outros lutam contra doenças longas que cansam o corpo e o coração. Nessas horas, percebemos como somos pequenos diante da dor.

No mês que se passou recebi uma mensagem de uma irmã e amiga - uma mãe aflita - contando que seu filhinho havia sido internado na UTI. A angústia, o medo e a sensação de impotência diante daquela situação podiam ser sentidos até mesmo na breve mensagem enviada pelo WhatsApp.

Nesses momentos não há palavras capazes de explicar o sofrimento nem respostas prontas que tragam alívio imediato. Resta apenas confiar, orar e colocar tudo nas mãos de Deus. E é justamente em situações assim que aprendemos que o Senhor continua presente, sustentando quando nossas forças acabam.

Também aprendemos que nem sempre compreendemos os caminhos pelos quais Deus nos conduz. Existem fases em que tudo parece confuso. Planos falham, portas se fecham e sonhos parecem distantes. Contudo, o tempo revela que muitas dessas experiências produzem crescimento e maturidade.

Quantas pessoas, após uma demissão, descobriram um novo caminho profissional? Quantas famílias se aproximaram depois de uma enfermidade? Quantos cristãos passaram a buscar mais a Deus depois de uma dificuldade? Aquilo que parecia derrota se transforma em aprendizado e fortalecimento.

Outro ponto importante aparece quando percebemos que não caminhamos sozinhos. A graça de Deus sustenta cada passo. A vida cristã não é livre de lutas. Pelo contrário, muitas vezes surgem pressões, tentações e momentos de cansaço. Por isso, precisamos pedir forças diariamente ao Senhor. Há dias em que mal conseguimos fazer outra coisa além de orar: “Senhor, ajuda-me a continuar”. E essa oração sincera encontra resposta no cuidado de Deus, que, pouco a pouco, renova nossas forças.

Pense em alguém que enfrenta uma luta silenciosa, como uma mãe que ora todos os dias por um filho distante, ou um trabalhador que sai cedo de casa buscando sustento digno para a família. Essas pessoas continuam caminhando porque confiam que Deus cuida de cada detalhe. A fé não elimina a dificuldade, porém dá coragem para seguir em frente.

Quando reconhecemos o cuidado e o amor do Senhor, nosso coração encontra um novo caminho: a adoração e a entrega. Em vez de viver apenas reclamando das dificuldades, aprendemos a colocar tudo nas mãos de Deus. Entregar não significa desistir, e sim confiar. Significa dizer: “Senhor, minha vida pertence a Ti, e eu continuo caminhando sob a Tua direção”.

Adorar em meio às lutas transforma nosso interior. O problema pode continuar existindo, só que o coração encontra paz para atravessar a situação. A confiança em Deus muda nossa maneira de enfrentar a vida. Em vez de desespero, nasce esperança. Em vez de revolta, surge confiança. E, aos poucos, percebemos que Deus esteve presente em cada etapa do caminho.

Jó começou sua jornada cheio de perguntas e terminou cheio de reverência. Ele compreendeu que Deus sempre soube o que fazia. O mesmo acontece conosco. Um dia também olharemos para trás e perceberemos que o Senhor nunca perdeu o controle de nossa história.

No fim, nossa maior segurança não está na ausência de problemas, e sim na presença constante de Deus ao nosso lado, conduzindo cada passo com amor e propósito.

Quanto ao pequeno Heitor, criança amada citada no início do texto, ele está nas mãos de Deus, que irá curá-lo e fazê-lo crescer, e isso será testemunho do grande amor do Senhor por todos nós.

Quando não entendemos o caminho, podemos descansar sabendo que Deus entende, conduz e sustenta cada passo da nossa jornada.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

12/fev/26

 

CEIA DO SENHOR, UM ENCONTRO VIVO COM CRISTO

“Pois quem come o pão ou bebe o cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor. Examine-se, pois, cada um a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si.”  1 Coríntios 11:27-29 (NAA)

Esta semana, em algumas de nossas igrejas, o povo do Senhor foi convidado pelo próprio Senhor a nos assentamos à Sua mesa para participar da Ceia. Este é um dos momentos mais profundos da vida cristã. Não se trata apenas de um ritual da igreja nem de um costume que repetimos por tradição; é um memorial vivo que nos conduz ao sacrifício de Cristo, fortalece a comunhão do Seu povo e reacende em nós a esperança da Sua volta.

Ao nos aproximarmos da mesa, somos convidados a lembrar, com reverência e gratidão, do amor que nos alcançou na cruz. A Ceia nos chama a desacelerar o coração, a examinar a vida e a renovar nossa fé naquele que se entregou por nós. Mais do que um ato litúrgico, é um encontro espiritual — um momento em que a graça nos reúne, a esperança nos sustenta e o amor de Cristo nos recorda que pertencemos a Ele.

O apóstolo Paulo foi muito claro ao corrigir a igreja de Corinto porque muitos participavam da Ceia sem entender o seu verdadeiro sentido. Ele usou uma expressão forte: “discernir o corpo”. Isso significa reconhecer que a Ceia nos faz olhar para o passado, lembrando a cruz, para o presente, vivendo a unidade como igreja, e para o futuro, proclamando com fé que Jesus voltará para nos buscar.

Discernir o corpo significa perceber espiritualmente o que está acontecendo ali. O pão não é apenas um pedaço de alimento, e o cálice não é apenas uma bebida. Eles representam a entrega de Cristo na cruz, sua morte em nosso lugar, e ao mesmo tempo lembram que nós, a igreja, somos o corpo de Cristo unidos pela fé e que aguardamos Sua volta. Participar da Ceia sem compreender isso é tratá-la como algo comum, vazio, sem reverência e sem esperança no futuro prometido por Cristo.

No tempo de Paulo, a Ceia acontecia em meio a refeições comunitárias. Cada família levava algo para compartilhar, mas em Corinto os mais ricos comiam em excesso e até se embriagavam, enquanto os mais pobres ficavam sem nada. Essa falta de consideração feria a comunhão e desrespeitava o sentido da Ceia. Paulo então os repreendeu e disse: “Se alguém tem fome, coma em casa.”  1 Coríntios 11:34(NAA) Ele queria deixar claro que a Ceia não era para satisfazer o estômago, mas para recordar Cristo, afirmar a unidade da igreja e reafirmar a esperança de sua volta.

Esse problema não ficou no passado. Ainda hoje corremos o risco de participar da Ceia sem discernir o corpo. Podemos nos acostumar tanto ao momento que o fazemos de forma automática, sem reflexão. Há quem veja apenas como uma tradição, um rito repetido, mas não como um encontro profundo com Cristo e com a expectativa da sua vinda. Outros participam sem examinar o coração, sem confessar pecados, sem lembrar que ali renovamos nossa fé na obra da cruz e reafirmamos nossa esperança na volta de Jesus.

Discernir o corpo também significa reconhecer a unidade da igreja. Paulo nos lembra que não podemos participar da Ceia enquanto desprezamos nossos irmãos. O cálice que partilhamos é o mesmo para todos, e o pão que comemos aponta para um só corpo. Isso nos ensina que não há lugar para divisões, rancores ou indiferença. Quando um cristão participa da Ceia guardando mágoa contra outro, ou ignorando o sofrimento do próximo, ele não está discernindo o corpo, nem vivenciando a esperança da vinda do Senhor.

Nos dias de hoje, isso pode ser visto em atitudes como desprezar os irmãos mais simples, alimentar rivalidades dentro da igreja, ou até mesmo participar da Ceia sem se importar com a vida comunitária. É como se disséssemos que estamos em comunhão com Cristo, mas não com o corpo que é a sua igreja e sem olhar para a promessa de sua volta. O apóstolo João nos lembra: “Aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.”  1 João 4:20 (NAA)

A palavra usada por Paulo no grego é “diakrinó”, que significa distinguir, perceber e compreender espiritualmente. Não é apenas um ato racional, mas uma percepção espiritual que reconhece o valor da Ceia, que nos conecta ao sacrifício de Cristo, à unidade do corpo e à expectativa de sua vinda. É olhar para o pão e o cálice e ver além dos elementos físicos, enxergando Cristo crucificado e aguardando sua volta.

Discernir o corpo é, portanto, um chamado a participar com fé, gratidão e reverência. Antes de tomar do cálice, somos convidados a examinar nossa vida diante de Deus. Não se trata de afastar-nos da mesa do Senhor por causa da nossa indignidade, mas de nos aproximarmos em arrependimento, reconhecendo nossa necessidade da graça. A Ceia não é para os perfeitos, mas para aqueles que confessam sua fraqueza, dependem do sacrifício de Cristo e esperam a sua vinda.

Podemos pensar em exemplos práticos para os nossos dias. Imagine alguém que, no momento da Ceia, está distraído com o celular, preocupado apenas com a pressa do culto terminar. Ele não está discernindo o corpo nem proclamando a esperança da volta de Cristo. Ou uma pessoa que participa apenas porque todos ao redor estão participando, sem refletir sobre o significado do pão e do cálice. Também não está discernindo o corpo. Por outro lado, quando alguém se ajoelha em oração, pedindo perdão pelos pecados, agradecendo pela cruz e lembrando que Cristo voltará, ele participa com discernimento. Quando uma igreja celebra a Ceia cuidando uns dos outros, lembrando-se dos mais fracos e acolhendo a todos, ela discerne o corpo.

Participar da Ceia do Senhor é um ato de fé que nos conecta à obra de Cristo, à vida em comunidade. É um momento de renovar nossa esperança, reafirmar nossa união com os irmãos e celebrar que pertencemos a um só corpo. Paulo queria que os coríntios e também nós entendêssemos que a Ceia não é apenas um símbolo, mas um encontro real com a graça de Deus e um anúncio vivo da vinda de Jesus.

Que possamos nos aproximar sempre da mesa do Senhor com reverência, discernindo o corpo de Cristo. Assim viveremos a Ceia não como um hábito vazio, mas como um memorial vivo que nos fortalece, nos une, nos lembra do amor que nos salvou e nos mantém firmes na esperança de que Jesus voltará.

A Ceia do Senhor não é apenas um rito, mas um encontro vivo com Cristo e com o corpo da igreja; participar dela com discernimento é reconhecer a cruz, confessar nossa dependência da graça, viver em comunhão verdadeira com os irmãos e anunciar com fé a esperança da sua vinda.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

11/fev/26

 

QUANDO TUDO FALHA, DEUS CONTINUA NO CONTROLE

“Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.” Jó 42:2 (NAA)

A declaração de Jó nasce depois de um período de perdas profundas, dor e muitas perguntas sem resposta. Ele perdeu bens, saúde e filhos, viu sua vida mudar de forma brusca e, por muito tempo, não compreendeu o motivo de tanto sofrimento. Ainda assim, ao final de sua jornada, Jó reconhece algo que sustenta todo cristão: Deus continua no controle, mesmo quando não entendemos o que acontece.

Nossa vida também passa por momentos assim. Existem dias em que tudo parece caminhar bem, porém, de repente, surge uma notícia difícil, um problema na família, uma enfermidade ou uma perda inesperada. Nessas horas, a primeira reação costuma ser perguntar: “Por quê?” Queremos explicações rápidas e soluções imediatas. Só que nem sempre recebemos respostas na hora que desejamos. É nesse ponto que aprendemos que fé não depende de explicações completas, e sim de confiança em quem Deus é.

Muitas pessoas, em nossos dias, enfrentam crises semelhantes às de Jó. Há pais preocupados com filhos que se afastaram de casa ou da fé. Existem trabalhadores que perdem o emprego após anos de dedicação. Outros lutam contra doenças longas que cansam o corpo e o coração. Nessas horas, percebemos como somos pequenos diante da dor.

Esta semana recebi uma mensagem de uma irmã e amiga - uma mãe aflita - contando que seu filhinho havia sido internado na UTI. A angústia, o medo e a sensação de impotência diante daquela situação podiam ser sentidos até mesmo na breve mensagem enviada pelo WhatsApp.

Nesses momentos não há palavras capazes de explicar o sofrimento nem respostas prontas que tragam alívio imediato. Resta apenas confiar, orar e colocar tudo nas mãos de Deus. E é justamente em situações assim que aprendemos que o Senhor continua presente, sustentando quando nossas forças acabam.

Também aprendemos que nem sempre compreendemos os caminhos pelos quais Deus nos conduz. Existem fases em que tudo parece confuso. Planos falham, portas se fecham e sonhos parecem distantes. Contudo, o tempo revela que muitas dessas experiências produzem crescimento e maturidade.

Quantas pessoas, após uma demissão, descobriram um novo caminho profissional? Quantas famílias se aproximaram depois de uma enfermidade? Quantos cristãos passaram a buscar mais a Deus depois de uma dificuldade? Aquilo que parecia derrota se transforma em aprendizado e fortalecimento.

Outro ponto importante aparece quando percebemos que não caminhamos sozinhos. A graça de Deus sustenta cada passo. A vida cristã não é livre de lutas. Pelo contrário, muitas vezes surgem pressões, tentações e momentos de cansaço. Por isso, precisamos pedir forças diariamente ao Senhor. Há dias em que mal conseguimos fazer outra coisa além de orar: “Senhor, ajuda-me a continuar”. E essa oração sincera encontra resposta no cuidado de Deus, que, pouco a pouco, renova nossas forças.

Pense em alguém que enfrenta uma luta silenciosa, como uma mãe que ora todos os dias por um filho distante, ou um trabalhador que sai cedo de casa buscando sustento digno para a família. Essas pessoas continuam caminhando porque confiam que Deus cuida de cada detalhe. A fé não elimina a dificuldade, porém dá coragem para seguir em frente.

Quando reconhecemos o cuidado e o amor do Senhor, nosso coração encontra um novo caminho: a adoração e a entrega. Em vez de viver apenas reclamando das dificuldades, aprendemos a colocar tudo nas mãos de Deus. Entregar não significa desistir, e sim confiar. Significa dizer: “Senhor, minha vida pertence a Ti, e eu continuo caminhando sob a Tua direção”.

Adorar em meio às lutas transforma nosso interior. O problema pode continuar existindo, só que o coração encontra paz para atravessar a situação. A confiança em Deus muda nossa maneira de enfrentar a vida. Em vez de desespero, nasce esperança. Em vez de revolta, surge confiança. E, aos poucos, percebemos que Deus esteve presente em cada etapa do caminho.

Jó começou sua jornada cheio de perguntas e terminou cheio de reverência. Ele compreendeu que Deus sempre soube o que fazia. O mesmo acontece conosco. Um dia também olharemos para trás e perceberemos que o Senhor nunca perdeu o controle de nossa história.

No fim, nossa maior segurança não está na ausência de problemas, e sim na presença constante de Deus ao nosso lado, conduzindo cada passo com amor e propósito.

Quanto ao amado Heitor, ele está nas mãos de Deus, que irá curá-lo e fazê-lo crescer, e isso será testemunho do grande amor do Senhor por todos nós.

Quando não entendemos o caminho, podemos descansar sabendo que Deus entende, conduz e sustenta cada passo da nossa jornada.

Pr Decio Fonseca

 

A FELICIDADE QUE NINGUÉM PODE ROUBAR

“Bem-aventurados são vocês quando, por minha causa, os insultarem e os perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vocês. Alegrem-se e exultem, porque é grande a recompensa de vocês nos céus.” Mateus 5:11–12 (NAA)

Com essas palavras, Jesus encerra as bem-aventuranças de forma direta, pessoal e profunda. Ele deixa de falar apenas sobre “os que” e passa a falar sobre “vocês”. O ensino agora toca a vida real dos discípulos. Jesus mostra que seguir a Ele não é apenas adotar bons valores, mas assumir um compromisso que pode gerar oposição.

Aqui, Jesus amplia o significado da perseguição. Ele fala de insultos, perseguições e mentiras. Nem sempre a perseguição vem em forma de violência física. Muitas vezes, ela aparece em palavras que ferem, acusações injustas, zombarias e rejeição. É quando alguém é mal interpretado, criticado ou excluído simplesmente por viver de acordo com a fé em Cristo.

Jesus é muito claro ao dizer: “por minha causa”. Não se trata de sofrer por atitudes erradas, falta de sabedoria ou orgulho pessoal. Trata-se de sofrer por viver uma fé coerente, por amar a verdade, por escolher obedecer a Deus. Essa distinção é importante, especialmente para quem está começando na caminhada cristã.

O mais surpreendente é que Jesus chama essas pessoas de bem-aventuradas. Aos olhos do mundo, elas parecem derrotadas. Aos olhos de Deus, são felizes. Não porque o sofrimento seja bom, mas porque ele revela pertencimento. Sofrer por causa de Jesus é sinal de que a vida está alinhada com o Reino dos Céus.

Jesus não manda negar a dor. Ele não diz que insultos e mentiras não machucam. Mas Ele convida a olhar além do momento presente. “Alegrem-se e exultem, porque é grande a recompensa de vocês nos céus.” Mateus 5:12 (NAA). A alegria aqui não é superficial. É a alegria de quem sabe que Deus vê, conhece e honra cada ato de fidelidade.

Essa palavra traz consolo e firmeza para a caminhada. Muitos novos convertidos se frustram quando descobrem que seguir Jesus não elimina os problemas. Jesus, porém, nunca escondeu isso. Ele disse claramente: “No mundo vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo.” João 16:33 (NAA). A vitória de Cristo não significa ausência de lutas, mas certeza de esperança.

Jesus também lembra que esse caminho não é novo. Os profetas que vieram antes também foram perseguidos. Homens e mulheres fiéis, que falaram a verdade e obedeceram a Deus, enfrentaram rejeição. Isso nos mostra que a fé verdadeira sempre teve um custo. Ainda assim, sempre valeu a pena.

Esse fechamento nos ajuda a entender todo o Sermão do Monte. Jesus começa falando de humildade, dependência, arrependimento, mansidão, justiça, misericórdia, pureza e paz. Ele termina mostrando que viver assim pode trazer oposição. O mundo nem sempre aceita esses valores. Mas o Reino de Deus permanece.

Para o cristão, essa palavra traz equilíbrio. Não vivemos para agradar a todos, mas para agradar a Deus. Não buscamos conflitos, mas não abrimos mão da verdade. Não provocamos perseguição, mas também não negociamos a fé para sermos aceitos.

A felicidade que Jesus promete não depende de aplausos, reconhecimento ou aprovação humana. Ela nasce da certeza de que pertencemos a Deus. Pode até haver lágrimas no caminho, mas há esperança firme no coração. Pode haver rejeição aqui, mas há recompensa eterna prometida.

Assim, Mateus 5:11–12 fecha as bem-aventuranças com um chamado à perseverança. Jesus nos lembra que o Reino dos Céus pertence àqueles que permanecem fiéis, mesmo quando isso custa caro. Essa é uma felicidade que ninguém pode roubar.

A fidelidade a Jesus pode custar aceitação na terra, mas garante pertencimento eterno no Reino dos Céus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pastor Décio Fonseca

            10/fev/26

 

FELICIDADE QUE RESISTE À OPOSIÇÃO

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.” Mateus 5:10 (NAA)

Ninguém gosta de sofrer perseguição. A rejeição dói, a crítica machuca e a oposição cansa. Mesmo quando sabemos que estamos fazendo o que é certo, o sofrimento nunca parece algo desejável. Ainda assim, Jesus surpreende ao afirmar que existe felicidade para aqueles que sofrem perseguição por causa da justiça. No Sermão do Monte, Ele nos convida a olhar além do momento difícil e a compreender o valor eterno de permanecer fiel a Deus.

Quando Jesus fala de perseguição, Ele não está se referindo a qualquer tipo de problema ou consequência de erros pessoais. Ele fala da perseguição que surge por causa da justiça, ou seja, por viver de forma correta diante de Deus. É o sofrimento que nasce quando alguém decide obedecer, mesmo sabendo que isso pode gerar rejeição, zombaria ou prejuízo.

Nos dias de Jesus, isso era muito claro. Seus seguidores eram rejeitados por não se encaixarem no sistema religioso da época. Eles não viviam para agradar os homens, mas para obedecer a Deus. Hoje, essa realidade continua. Quem escolhe viver segundo os valores do Reino muitas vezes é visto como estranho, ultrapassado ou inconveniente.

Ser perseguido por causa da justiça pode acontecer de várias formas. Às vezes, não envolve violência física, mas palavras duras, exclusão, ironia ou perda de oportunidades. Um cristão pode ser ridicularizado por não participar de práticas desonestas no trabalho. Um jovem pode ser pressionado por não seguir certos comportamentos comuns entre os amigos. Uma família pode ser criticada por defender valores bíblicos. Tudo isso também é perseguição.

Jesus não promete que Seus seguidores terão uma vida fácil. Pelo contrário, Ele prepara o coração para enfrentar dificuldades com fé e esperança. A felicidade que Jesus anuncia não está no sofrimento em si, mas no sentido desse sofrimento. Sofrer por fazer o bem é diferente de sofrer por fazer o mal. Quando a perseguição vem por causa da justiça, ela revela que estamos caminhando no rumo certo.Estas coisas eu lhes tenho dito para que tenham paz em mim. No mundo vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo.” João 16:33 (NAA)

Por isso, Jesus repete aqui a mesma promessa feita aos pobres em espírito: “porque deles é o Reino dos Céus.” O Reino pertence àqueles que confiam em Deus mesmo quando o caminho se torna estreito. A perseguição não é sinal de abandono, mas de pertencimento. Quem vive para agradar a Deus não será sempre compreendido por um mundo que vive segundo outros valores.

É importante lembrar que Jesus não nos chama a procurar perseguição ou a provocá-la. O cristão não deve ser ofensivo, agressivo ou orgulhoso. A perseguição que Jesus menciona surge quando a vida coerente com o Evangelho entra em choque com um mundo que rejeita a verdade. É a fidelidade silenciosa, firme e constante que, muitas vezes, incomoda.

Nos nossos dias, isso se manifesta quando alguém escolhe a verdade em vez da mentira, a honestidade em vez do ganho fácil, o perdão em vez da vingança. Essas escolhas nem sempre são aplaudidas. Muitas vezes, geram oposição. Mas Jesus nos ensina que nenhuma dessas dores passa despercebida aos olhos de Deus.

A felicidade prometida por Jesus aponta para algo maior do que o presente. Ele nos lembra que a vida não se resume ao aqui e agora. O Reino dos Céus é a herança daqueles que permanecem firmes. Deus vê cada lágrima, cada renúncia e cada ato de fidelidade. Nada é em vão.

Essa bem-aventurança também fortalece o coração nos dias difíceis. Quando somos perseguidos por fazer o que é certo, podemos lembrar que Jesus passou por isso antes de nós. Ele foi rejeitado, acusado injustamente e condenado, mesmo sendo perfeito. Seguir Jesus é, muitas vezes, caminhar pelo mesmo caminho que Ele percorreu.

Assim, Jesus nos ensina que a verdadeira felicidade não depende da aprovação dos homens, mas da certeza de que pertencemos a Deus. A perseguição pode tirar conforto, reconhecimento ou vantagens momentâneas, mas não pode tirar o Reino dos Céus. Quem vive para Deus pode até sofrer agora, mas vive com esperança, paz interior e promessa eterna.

A fidelidade a Deus pode trazer oposição na terra, mas garante pertencimento ao Reino dos Céus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pastor Décio Fonseca

09/fev/26

  UMA FÉ QUE SABE EXPLICAR COM AMOR “ Antes, santifiquem Cristo como Senhor em seu coração, estando sempre preparados para responder a tod...