PRIMEIRO A VOZ, DEPOIS A PORTA.
“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu
as conheço, e elas me seguem.” João 10:27 (NAA)
A vida cristã
começa com algo muito simples, porém profundamente transformador: aprender a
ouvir a voz de Deus. Antes de grandes experiências espirituais, antes de
respostas extraordinárias e até antes de compreender muitas coisas da fé, Deus
deseja encontrar um coração disposto a escutar.
Em Apocalipse,
vemos isso com muita clareza na experiência do apóstolo João. Ele escreve: “Achei-me
em espírito, no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim grande voz, como de
trombeta, dizendo: O que vês, escreve em livro…” Apocalipse 1:10–11
(NAA). Observe que tudo começa no ouvir. João não vê primeiro — ele ouve
primeiro. A revelação nasce de um coração atento.
Mais adiante, o
texto diz: “Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta
aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar
comigo, dizendo: Sobe para aqui…” Apocalipse 4:1 (NAA). A mesma voz que
João ouviu no início agora o convida a subir. Existe uma ordem espiritual muito
bonita aqui: primeiro a voz, depois a resposta, então a porta se abre e, por
fim, vem a revelação.
Isso nos ensina que
Deus não se revela aos curiosos, mas àqueles que aprendem a ouvir e obedecer.
João ouviu, respondeu ao chamado e foi conduzido a algo maior. O mesmo acontece
conosco. Muitas vezes queremos que Deus nos mostre tudo de uma vez, mas Ele começa
falando ao nosso coração.
Jesus deixou isso
ainda mais claro quando afirmou: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu
as conheço, e elas me seguem.” João 10:27 (NAA). Ouvir a voz de Cristo
não é algo raro ou reservado para pessoas especiais — é a marca daqueles que
pertencem a Ele. O povo de Deus vive, decide e caminha a partir dessa escuta.
Ouvir a voz do
Senhor define nossa identidade. Jesus não disse que suas ovelhas tentam ouvir —
Ele disse que elas ouvem. Isso significa que reconhecer a voz do Pastor faz
parte de quem somos. A igreja não se sustenta apenas em programações,
estruturas ou atividades. Sua verdadeira força está em permanecer sensível ao
que Deus está dizendo.
Essa voz também
nasce do relacionamento. Jesus afirmou: “Eu as conheço.” Não se
trata apenas de saber coisas sobre Deus, mas de caminhar com Ele diariamente.
Quanto mais nos aproximamos do Senhor por meio da oração e da leitura da
Palavra, mais fácil se torna reconhecer Sua direção. É como acontece em uma
família: quanto mais convivemos com alguém, mais identificamos sua voz, mesmo
em meio a muitos sons.
Vivemos, porém, em
um tempo cheio de barulho. São opiniões, notícias, conselhos e tantas vozes
tentando nos guiar. Por isso, precisamos aprender a discernir o que realmente
vem de Deus. A voz de Cristo nunca nos leva à confusão, ao orgulho ou ao
afastamento do amor. Pelo contrário, ela sempre nos conduz à verdade, à
humildade e à vida.
Um exemplo simples
dos nossos dias pode ajudar. Pense em alguém que está prestes a tomar uma
decisão importante — trocar de emprego, iniciar um relacionamento ou mudar de
cidade. Muitos olham apenas para salário, oportunidades ou aparência. Mas quem
aprende a ouvir a voz de Deus pergunta primeiro: “Senhor, esse é o caminho?”
Nem tudo que parece bom é direção do céu.
Outro exemplo está
nas pequenas escolhas diárias. Às vezes Deus fala ao nosso coração para perdoar
alguém, pedir desculpas ou ajudar quem está passando por necessidade. Não são
decisões grandiosas aos olhos humanos, mas revelam um coração que aprende a seguir
o Pastor.
E aqui está uma
verdade importante: ouvir implica obedecer. Não adianta apenas escutar uma
mensagem, sentir-se tocado e continuar vivendo da mesma maneira. Jesus disse
que suas ovelhas ouvem e seguem. A voz do Senhor sempre nos chama para um
caminho — mesmo quando esse caminho exige fé, mudança ou renúncia.
Quando a igreja
aprende a viver assim, experimenta segurança. A voz de Cristo não apenas
orienta — ela sustenta. Em tempos de dúvida, ela traz paz. Em momentos de medo,
ela oferece direção. Seguir essa voz não significa ausência de dificuldades,
mas certeza de que não estamos caminhando sozinhos.
Talvez hoje a maior
necessidade da igreja não seja mais informação, nem mais atividades, mas
corações sensíveis. Deus continua falando. A pergunta é: estamos ouvindo?
Quem ignora a voz
do Senhor pode até continuar andando, mas corre o risco de se perder. Quem ouve
e responde descobre que sempre existe uma porta aberta preparada por Deus.
Assim como João,
somos convidados a subir — a viver uma fé mais profunda, mais consciente e mais
dependente do Senhor. Tudo começa quando decidimos silenciar o coração para
escutar.
Porque, quando Deus
fala e alguém responde, novos caminhos se abrem, e o céu deixa de ser apenas
uma promessa distante para se tornar direção presente.
“A porta do céu
se abre para quem aprende a ouvir a voz de Deus.”
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
17/fev/26