AMANHÃ DE MANHÃ É SEGUNDA-FEIRA

“Jesus dizia a todos: — Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.” Lucas 9:23 (NAA).

C. S. Lewis escreveu uma frase pequena, mas profundamente provocadora: “A cruz vem antes da coroa, e amanhã de manhã é segunda-feira.” À primeira vista, parece estranho colocar na mesma frase a cruz, a coroa e uma simples segunda-feira. Mas talvez seja justamente aí que esteja a beleza de seu pensamento.

A primeira parte é fácil de entender: a cruz vem antes da coroa. Foi assim com Jesus. Antes da ressurreição houve o Calvário. Antes da glória houve sofrimento, rejeição, dor e obediência. O caminho de Cristo passou pela cruz, e Ele nunca prometeu aos Seus discípulos uma vida sem dificuldades. Segui-Lo também envolve renúncia, perseverança e fidelidade, mesmo quando obedecer a Deus tem um preço.

Mas Lewis poderia ter parado na coroa. Teríamos uma bela frase sobre sofrimento presente e glória futura. Entretanto, ele acrescentou algo surpreendentemente comum: “amanhã de manhã é segunda-feira.” E a segunda-feira nos traz de volta à realidade.

Depois do culto de domingo, o despertador toca. É preciso levantar, preparar o café, pegar o ônibus, enfrentar o trânsito, abrir a loja, chegar ao escritório, cuidar dos filhos, limpar a casa, voltar à escola, resolver problemas e encontrar novamente pessoas com quem nem sempre é fácil conviver. As contas continuam chegando, o telefone toca, as mensagens se acumulam e aquela situação que nos preocupava no sábado talvez ainda esteja nos esperando. É nesse mundo comum que Jesus nos chama para carregar a cruz.

Talvez seja relativamente fácil cantar no domingo que entregamos tudo ao Senhor. O verdadeiro desafio aparece quando descobrimos, na segunda-feira, que esse “tudo” inclui também nosso temperamento, nosso orgulho, nossa língua, nossos desejos, nosso dinheiro, nosso tempo e a maneira como tratamos as pessoas.

Carregar a cruz pode acontecer quando alguém nos ofende no trabalho e decidimos não responder com a mesma agressividade. Pode acontecer quando recebemos um troco maior e o devolvemos, mesmo sabendo que ninguém perceberia. Pode acontecer quando poderíamos espalhar pelo WhatsApp uma informação que prejudicaria alguém, mas escolhemos ficar em silêncio. Pode acontecer dentro de casa, quando pedimos perdão mesmo achando difícil dar o primeiro passo.

Há cruz quando perdoamos enquanto nosso coração ainda está ferido. Há cruz quando falamos a verdade, embora uma mentira pareça facilitar nossa vida. Há cruz quando continuamos fazendo o que é certo sem receber reconhecimento. Há cruz quando ajudamos alguém que talvez nunca nos agradeça. Há cruz quando renunciamos a uma vantagem porque sabemos que ela seria injusta. Por isso Jesus colocou duas palavras importantes em Seu chamado: “dia a dia”.

A vida cristã não acontece somente em grandes decisões. Ela é construída nas pequenas escolhas que fazemos todos os dias. Não seguimos Jesus apenas durante uma pregação, uma oração emocionante ou um momento especial diante de Deus. Seguimos Jesus quando ninguém está olhando e quando nenhuma música está tocando ao fundo.

A fé do domingo precisa sobreviver à segunda-feira.

Isso não significa que nossa vida será apenas sofrimento. A frase de Lewis também fala da coroa. Existe uma esperança diante de nós. Paulo, próximo do fim de sua caminhada, pôde dizer: Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Desde agora me está guardada a coroa da justiça, que o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda.” 2 Timóteo 4:7-8 (NAA).

Paulo enxergava a coroa, mas também sabia tudo o que havia enfrentado até chegar ali. Entre o chamado de Deus e aquele momento houve viagens, naufrágios, perseguições, prisões, lágrimas, incompreensões, cansaço e incontáveis dias comuns. Houve muitas segundas-feiras.

Também será assim conosco. Talvez nunca enfrentemos uma grande perseguição. Talvez nunca sejamos chamados a realizar algo que impressione multidões. Mas todos os dias somos chamados a seguir Jesus justamente onde estamos.

Na família. No trabalho. Na igreja. No trânsito. Diante do computador. Com o telefone nas mãos. Quando estamos sendo observados e quando ninguém está vendo. A coroa está adiante, mas a cruz é carregada hoje.

Por isso, quando o culto terminar, quando a emoção diminuir e quando amanhã de manhã chegar, lembre-se: a segunda-feira não interrompe nossa vida com Deus. Ela é justamente um dos lugares onde mostramos que realmente estamos seguindo Jesus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

20/set/26

 

ENQUANTO DEUS NOS DER HOJE, AINDA HÁ O QUE FAZER

“Estou tão forte hoje como no dia em que Moisés me enviou. A força que eu tinha naquele dia eu ainda tenho agora, tanto para combater na guerra como para fazer o que for necessário.” Josué 14:11 (NAA).

Uma notícia publicada recentemente contou a história de Firmino Ferreira Filho. Aos 79 anos, depois de uma vida de mais de seis décadas dedicada à música como maestro, ele chegou à etapa final do curso de Direito. E não pretende parar. Seu desejo é continuar estudando e, se possível, tornar-se professor. Histórias assim nos obrigam a pensar.

Quantas vezes dizemos: “Agora já é tarde para mim”? Talvez seja tarde para algumas coisas, é verdade. O corpo muda, as circunstâncias mudam e existem oportunidades que pertencem a determinadas fases da vida. A fé cristã não nos ensina a fingir que os limites não existem. Entretanto, uma coisa é reconhecer os limites; outra bem diferente é transformar a idade em uma sentença que nos proíbe de começar, aprender, servir ou sonhar.

Em algum momento, quase todos começamos a sentir que a vida é curta. Olhamos para aquilo que ainda gostaríamos de fazer e percebemos que talvez não haja tempo para realizar tudo. Livros que desejávamos ler e escrever, lugares que queríamos conhecer, cursos que pensávamos fazer, pessoas que queríamos ajudar, projetos que ficaram na gaveta. Quanto mais os anos passam, mais compreendemos uma verdade simples: ninguém consegue terminar tudo. E talvez nem devamos tentar.

Nossa responsabilidade não é controlar todos os anos que ainda teremos. É viver com fidelidade o dia que Deus colocou diante de nós. O salmista declarou: Este é o dia que o Senhor fez; exultemos e alegremo-nos nele.” Salmos 118:24 (NAA).

O ontem já passou, e o amanhã ainda não chegou. O que temos diante de nós é o hoje, esse espaço de tempo que Deus nos concedeu para viver, servir, aprender, amar e cumprir aquilo que estiver ao nosso alcance.

Calebe compreendeu isso de maneira extraordinária. Quarenta e cinco anos haviam passado desde a promessa recebida no deserto. Agora ele estava com 85 anos. Poderia ter olhado para trás e dito: “Já fiz minha parte. Agora é hora de apenas recordar aquilo que vivi.” Mas não foi isso que aconteceu.

Calebe ainda enxergava um monte diante dele.

É importante entender que sua força física aos 85 anos foi algo especial. A Bíblia não está prometendo que todos chegarão a essa idade com a mesma disposição corporal. Alguns enfrentarão limitações, enfermidades e dependência de outras pessoas. O grande exemplo de Calebe não está apenas em seus músculos. Está em seu coração. Os anos passaram, mas ele ainda perguntava o que poderia fazer com a vida que Deus lhe havia conservado. Essa pergunta continua sendo importante para nós.

Talvez uma pessoa de 70 ou 80 anos não possa fazer aquilo que fazia aos 30. Mas poderá fazer algo que aos 30 ainda não tinha condições de fazer. Poderá aconselhar alguém com a experiência adquirida, ensinar o que aprendeu, aproximar-se dos netos, começar a estudar a Bíblia com mais profundidade, aprender algo novo, escrever suas memórias, visitar alguém solitário, telefonar para quem precisa de uma palavra ou simplesmente tornar-se uma presença de paz dentro da própria família.

Da mesma maneira, alguém de 40 ou 50 anos não precisa pensar: “Perdi minha oportunidade.” Enquanto há vida, ainda existem possibilidades que talvez não sejam iguais às de ontem, mas podem ser igualmente preciosas.

Jesus nos ensinou a pedir: o pão nosso de cada dia nos dá hojeMateus 6:11 (NAA). Observe a palavra: hoje.

Não pedimos hoje o pão de todos os próximos vinte anos. Recebemos o sustento para o dia que está diante de nós. Isso também pode nos ensinar algo sobre nossos projetos. É bom planejar, preparar o futuro e estabelecer objetivos, mas precisamos segurar nossos planos com humildade, porque o amanhã permanece nas mãos de Deus.

Paulo escreveu: Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor e não para as pessoasColossenses 3:23 (NAA). Talvez esteja aqui um dos segredos de uma vida verdadeiramente produtiva: trabalhar no presente como para o Senhor e confiar a Ele aquilo que ainda não chegou.

Há pessoas jovens que vivem esperando o momento ideal para começar. Há pessoas mais velhas que acreditam que o momento de começar já passou. As duas podem perder a mesma coisa: o hoje.

Talvez você não consiga concluir tudo aquilo que imaginou. Nenhum de nós consegue. Mas ainda pode concluir alguma coisa. Ainda pode aprender alguma coisa. Ainda pode ensinar alguma coisa. Ainda pode amar alguém melhor. Ainda pode corrigir um erro, pedir perdão, servir, escrever, estudar, orar, encorajar e deixar uma marca de graça na vida de alguém.

Calebe tinha 85 anos e ainda havia um monte diante dele. Firmino, aos 79, ainda encontrou uma sala de aula diante de si. E nós? Talvez a pergunta mais importante não seja: Quanto tempo ainda me resta?” Talvez seja: “Senhor, o que o Senhor deseja que eu faça com o hoje que ainda me deu?”

Porque, enquanto Deus nos concede o hoje, nossa história ainda não terminou. Ainda há vida para ser vivida, graça para ser recebida e algo a realizar para o nosso Pai Celestial.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

19/set/26

 

FOI JESUS QUEM VEIO AO NOSSO ENCONTRO

Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.” Lucas 19:10 (NAA).

É comum ouvirmos alguém dizer: “Eu encontrei Jesus.” Normalmente, a pessoa quer dizer que conheceu o Evangelho, creu em Cristo e teve sua vida transformada. Nesse sentido, a expressão é compreensível. Mas, quando olhamos com mais atenção para a Bíblia, descobrimos algo ainda mais profundo: antes de nós procurarmos Jesus, Ele já havia vindo ao nosso encontro. A salvação não começou com a nossa iniciativa. Começou com a iniciativa de Deus.

Jesus explicou isso de maneira muito simples ao contar a parábola da ovelha perdida. Ele perguntou: “Qual de vocês é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?” Lucas 15:4 (NAA).

Observe quem procura quem. A ovelha está perdida. Ela não conhece o caminho de volta e não consegue salvar a si mesma. É o pastor que percebe sua ausência, deixa as outras e vai procurá-la. Ele não espera que a ovelha descubra sozinha como retornar. Vai em busca dela até encontrá-la. Essa imagem nos ajuda a entender o que Cristo fez por nós.

Muitas vezes pensamos que nossa caminhada com Deus começou no dia em que entramos numa igreja, abrimos a Bíblia, ouvimos uma pregação ou decidimos entregar a vida a Jesus. Para nós, aquele foi o momento em que tudo começou. Porém, olhando para trás, talvez percebamos que Deus já estava trabalhando muito antes.

Talvez alguém tenha nos convidado várias vezes para um culto. Uma mensagem chegou justamente quando estávamos enfrentando uma crise. Uma conversa com um amigo despertou perguntas que nunca havíamos feito. Uma perda nos levou a pensar na eternidade. Um problema que não conseguíamos resolver mostrou que não tínhamos controle sobre tudo. Pareciam acontecimentos separados, mas, depois, começamos a perceber que Deus estava usando circunstâncias, pessoas e Sua Palavra para nos chamar.

Foi assim também com Zaqueu. Ele era um homem rico e chefe dos publicanos. Quando soube que Jesus passaria por Jericó, quis vê-Lo. Como era baixo e havia muita gente, correu adiante e subiu numa árvore. À primeira vista, parece que a história é sobre um homem procurando Jesus. Mas então acontece algo extraordinário.

Jesus chega ao lugar, olha para cima e chama Zaqueu pelo nome. Depois diz que precisava ficar em sua casa. Zaqueu queria apenas ver Jesus passando; Jesus queria transformar a vida de Zaqueu.

No final daquele encontro, Cristo revelou o verdadeiro sentido do que havia acontecido: Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.” Lucas 19:10 (NAA).

Zaqueu procurava uma árvore de onde pudesse ver Jesus. Jesus procurava Zaqueu. Essa diferença muda nossa maneira de entender a salvação.

Podemos imaginar uma pessoa dizendo: “Depois de muitos anos longe de Deus, resolvi procurá-Lo.” Ela começa a frequentar uma igreja, lê a Bíblia e finalmente entrega sua vida a Cristo. Aos seus olhos, parece que tudo começou quando decidiu procurar Deus. Mais tarde, porém, poderá perceber que aquela própria inquietação, aquela sede de conhecer a verdade e aquelas oportunidades que surgiram em seu caminho já faziam parte de uma história maior.

Jesus também disse: Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.” João 6:44 (NAA).

Isso não significa que não precisamos responder ao chamado de Deus. Zaqueu precisou descer da árvore e receber Jesus. A ovelha encontrada foi colocada nos ombros do pastor. Quando ouvimos o Evangelho, somos chamados ao arrependimento, à fé e a uma nova vida com Cristo.  Mas até nossa resposta acontece porque Deus tomou a iniciativa de nos chamar.

Talvez seja por isso que, depois de algum tempo caminhando com Jesus, olhamos para trás e enxergamos nossa história de outra maneira. Aquilo que antes chamávamos de coincidência começa a parecer cuidado.

Pessoas que apareceram no momento certo, palavras que não conseguimos esquecer, portas que se fecharam, outras que se abriram e acontecimentos que nos fizeram pensar na eternidade passam a fazer parte de uma história que somente depois conseguimos compreender melhor. Então a frase “eu encontrei Jesus” ganha um significado ainda mais bonito. Nós O encontramos porque Ele veio nos buscar.

Pensávamos que estávamos dando os primeiros passos em direção a Ele, mas descobrimos que Sua graça já havia se aproximado de nós. Pensávamos que nossa história com Cristo começara quando decidimos procurá-Lo, mas percebemos que Ele já estava nos chamando muito antes.

A grande notícia do Evangelho não é simplesmente que pessoas perdidas estão procurando um caminho. É que o Salvador veio procurar os perdidos. A salvação não começa quando encontramos Jesus, mas quando percebemos que Aquele a Quem procurávamos já havia vindo, em Sua graça, ao nosso encontro.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

18/set/26

 

JESUS ENTRA ONDE A ESPERANÇA SE CANSOU

“E Jesus, vendo este deitado e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são?” João 5:6 (ARC).

Jerusalém estava em movimento. Pessoas entravam e saíam da cidade, compromissos eram cumpridos e a vida seguia normalmente. Mas, junto ao Portão das Ovelhas, havia um lugar chamado Betesda. Ali se encontrava uma multidão de pessoas enfermas: cegos, coxos e paralíticos. João 5:2-3. Enquanto muitos passavam apressados, naquele lugar havia gente esperando por uma oportunidade de mudança. Jesus foi até lá.

Isso já nos ensina muito sobre Jesus. Ele não procurava apenas os ambientes agradáveis nem se aproximava somente das pessoas que tinham tudo resolvido. Durante Seu ministério, Ele foi ao encontro de necessitados, pecadores, enfermos, rejeitados e pessoas que já não sabiam o que fazer com a própria vida.

Em Betesda, havia um homem enfermo havia trinta e oito anos. Era muito tempo esperando, vendo outros chegarem e partirem, alimentando esperanças e provavelmente enfrentando muitas frustrações. Quando Jesus Se aproximou, sabia exatamente havia quanto tempo aquele homem estava naquela condição.

Então fez uma pergunta aparentemente estranha: “Queres ficar são?” João 5:6 (ARC).

Talvez alguém pense: “É claro que ele queria! Estava ali justamente por isso.” Mas Jesus não fazia perguntas inúteis. Depois de trinta e oito anos, aquele homem precisava olhar novamente para sua própria necessidade e para aquilo que ainda esperava da vida.

Sua resposta revelou sua solidão: ele disse que não tinha ninguém para ajudá-lo a chegar ao tanque quando a água era agitada. João 5:7. Seu pensamento estava preso àquilo que conhecia: o tanque, a água, alguém que o carregasse e a necessidade de chegar antes dos outros.

Mas naquele dia a resposta não estava no tanque. A resposta estava diante dele.

Jesus lhe disse: “..._Levanta-te, toma tua cama e anda.” João 5:8 (ARC). Imediatamente o homem foi curado, pegou seu leito e começou a andar. João 5:9. 

Há pessoas hoje que também passam anos esperando alguma coisa mudar. Algumas esperam que alguém reconheça sua dor. Outras acreditam que serão felizes quando conseguirem determinado emprego, quando resolverem um problema financeiro, quando restaurarem um relacionamento ou quando desaparecer uma dificuldade que carregam há muito tempo.

Existem também feridas que ninguém vê. Pessoas podem chegar sorrindo ao trabalho, conversar normalmente com os amigos e até sentar-se todos os domingos em uma igreja, enquanto por dentro carregam culpa, solidão, medo e uma profunda necessidade de recomeçar.

É justamente aí que o Evangelho nos apresenta Jesus.

Ele não veio apenas melhorar nossas circunstâncias. Veio buscar e salvar o perdido. A maior necessidade do ser humano não é simplesmente ter todos os seus problemas resolvidos, mas ser reconciliado com Deus.

Mais tarde, Jesus encontrou aquele homem no templo e lhe disse: “..._Eis que já estás são; não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior.” João 5:14 (ARC).

Jesus mostrou que havia algo ainda mais sério do que a enfermidade física. Um corpo curado é uma bênção, mas uma alma distante de Deus continua necessitando de salvação. Isso não significa que toda doença seja causada por um pecado específico. Significa que Jesus não queria apenas mudar a condição física daquele homem; Ele apontava também para sua vida diante de Deus.

Essa continua sendo a missão da Igreja. Não somos chamados apenas para abrir as portas de um templo e esperar que as pessoas entrem. Somos chamados para ir ao encontro delas, anunciar o Evangelho, acolher quem sofre, falar sobre arrependimento, graça, perdão e a nova vida que existe em Cristo.

A igreja precisa ser um lugar onde aquele que chega ferido não encontre condenação, mas verdade e misericórdia; onde aquele que perdeu a esperança possa ouvir novamente a Palavra; onde o pecador descubra que existe perdão; onde o cansado encontre irmãos que caminhem com ele; e, acima de tudo, onde todos sejam conduzidos a Jesus.

Talvez não possamos resolver todos os problemas de quem chega até nós. Os discípulos também não possuíam poder em si mesmos. Tudo o que receberam vinha do Senhor.

Nossa missão não é ocupar o lugar de Jesus. É levar as pessoas até Ele.

Betesda estava cheia de necessitados, mas naquele dia um homem descobriu que sua esperança não dependia de chegar primeiro ao tanque. Jesus havia chegado até ele.

E quando Jesus chega, até uma esperança cansada pode descobrir que ainda existe um novo começo.

Há momentos em que passamos tanto tempo esperando que alguma coisa mude que quase perdemos a esperança; mas Jesus sabe onde estamos, conhece há quanto tempo sofremos e pode nos mostrar que a verdadeira resposta não está apenas naquilo que esperamos receber, mas nEle.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

17/set/26


 

QUEM CAMINHOU COMIGO?

“Abrirei a boca numa parábola; proporei enigmas da antiguidade, os quais temos ouvido e sabido, e nossos pais no-los têm contado. Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do Senhor, assim como a Sua força e as maravilhas que fez.” Salmos 78:2-4 (ARC).

Uma das minhas queixas é não ter muitas memórias dos meus antepassados. Não conheci meus avós e sempre tive grande curiosidade de saber mais sobre eles: como viveram, quais dificuldades enfrentaram, quais alegrias experimentaram, como era a família e que histórias poderiam ter me contado. Talvez por isso eu tenha resolvido escrever.

Em meu último livro registrei um pouco da minha própria história. Não porque ela seja extraordinária, mas porque desejo que meus filhos, netos e, quem sabe, bisnetos possam um dia conhecer um pouco mais de mim, de nossa família e do caminho que percorremos.

Ao ler a Bíblia, percebo que a preocupação em transmitir às gerações futuras aquilo que foi vivido e aprendido não começou com o salmista.

Muito antes, em Deuteronômio, Deus já havia orientado Seu povo a guardar Suas palavras e transmiti-las aos filhos. A fé não deveria terminar em uma geração. Aquilo que Deus havia ensinado precisava ser contado, repetido e preservado.

Em Deuteronômio 6, Deus orienta que Sua Palavra esteja primeiro no coração dos pais e, depois, seja ensinada aos filhos. Há nisso uma verdade muito importante: não transmitimos apenas aquilo que sabemos; transmitimos também aquilo que vivemos.

Mais tarde, depois da travessia do Jordão, Josué mandou levantar pedras como memorial daquilo que Deus havia feito. A intenção era que, no futuro, quando os filhos perguntassem o significado daquelas pedras, os pais tivessem uma história para contar.

As pedras não estavam ali apenas para lembrar uma travessia. Elas testemunhavam que Deus havia agido.

A memória deveria provocar uma pergunta, e a pergunta abriria espaço para um testemunho.

Séculos depois, encontramos a mesma preocupação no Salmo 78. O salmista fala daquilo que havia ouvido e aprendido dos seus pais e declara que não esconderia essas coisas dos filhos. Uma geração deveria contar à seguinte aquilo que Deus havia realizado. Mas por que fazer isso? A resposta aparece poucos versículos depois: “Para que pusessem em Deus a sua esperança, e se não esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os Seus mandamentos.” Salmos 78:7 (ARC). Aqui está o verdadeiro propósito da memória.

O salmista não queria apenas que os filhos conhecessem fatos do passado. Queria que, ao saberem o que Deus havia feito, aprendessem a confiar nEle no presente e no futuro. Por isso, ensinar os filhos, registrar memórias e testemunhar aquilo que Deus fez não é apenas uma maneira de conservar o passado. É também uma forma de preparar o futuro.

Uma geração conta para a outra para que a próxima não precise começar do zero, mas saiba em Quem pode confiar.

Talvez esse também seja um dos maiores motivos para registrarmos nossa história.

Esquecer pode se tornar um perigo espiritual. No Salmo 78, o problema não era apenas desconhecer acontecimentos antigos, mas esquecer as obras de Deus. Quando uma geração deixa de contar aquilo que o Senhor fez, a geração seguinte corre o risco de viver como se Deus nunca tivesse agido antes. Por isso existe uma grande diferença entre deixar lembranças e deixar um testemunho.

Fotografias podem mostrar como éramos. Documentos podem dizer onde moramos, estudamos ou trabalhamos. Datas registram acontecimentos importantes. Mas um testemunho vai além: ele conta como Deus nos sustentou enquanto tudo isso acontecia.

Talvez, daqui a muitos anos, um neto ou bisneto encontre um de nossos livros, uma fotografia antiga, uma carta ou algum registro de nossa vida e queira saber mais.

Que encontre não apenas nomes e datas.

Que conheça nossas lutas, mas também a fidelidade de Deus. Nossas perdas, mas também Seu consolo. Nossos momentos de incerteza, mas também as respostas que recebemos. Nossos recomeços, mas também Sua mão nos sustentando.

Não desejo apenas que meus descendentes saibam quem fomos, onde vivemos ou o que fizemos. Quero que saibam Quem caminhou conosco.

Porque uma história contada com fé pode se tornar, para a próxima geração, uma razão para continuar esperando em Deus.

Talvez esse seja um dos maiores legados que podemos deixar. Não apenas uma história sobre nós mesmos, mas um testemunho que diga aos que vierem depois: “O Deus em Quem confiamos foi fiel durante a nossa caminhada. Vocês também podem confiar nEle.”

Por isso, mais do que deixar lembranças, precisamos deixar um testemunho: Não apenas que nossos descendentes saibam quem fomos, mas que saibam Quem caminhou conosco.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

16/set/26

 

A MAIOR ALEGRIA É SABER ONDE O SEU NOME ESTÁ

“No entanto, alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, e sim porque o nome de cada um de vocês está registrado no céu.” Lucas 10:20 (NAA).

Os discípulos voltaram de uma missão extraordinária. Jesus os havia enviado para anunciar o Reino de Deus, e eles experimentaram coisas que provavelmente jamais esqueceriam. Pessoas foram alcançadas, enfermos foram curados e até os demônios se submetiam quando eles agiam em nome de Jesus. Quando retornaram, estavam cheios de alegria. Era compreensível. Quem não ficaria feliz depois de ver Deus agir de maneira tão poderosa?

Eles disseram a Jesus: “Senhor, em Seu nome os próprios demônios se submetem a nós!” Lucas 10:17 (NAA).

Jesus não disse que aquilo não tinha importância. Afinal, eles haviam saído porque Ele mesmo os enviara. A autoridade que possuíam também havia sido concedida por Ele. A missão era legítima, os resultados eram reais e a alegria dos discípulos tinha motivo. Mas Jesus queria ensinar-lhes que havia algo ainda maior do que tudo aquilo que tinham visto acontecer.

Por isso lhes disse que não colocassem sua maior alegria no fato de os espíritos se submeterem, mas em saber que seus nomes estavam registrados no céu. Que ensino precioso!

Podemos nos alegrar quando Deus nos usa. Podemos ficar felizes quando alguém aceita um convite para ir à igreja, quando uma oração é respondida, quando uma pessoa se reconcilia com sua família, quando alguém é alcançado pelo Evangelho ou quando vemos uma vida sendo transformada. Tudo isso deve produzir gratidão. O problema começa quando nossa alegria passa a depender dos resultados.

Isso também acontece fora da igreja. Há pessoas cuja alegria depende de uma promoção no trabalho, do saldo bancário, da compra de uma casa, do sucesso dos filhos, de um diploma ou do reconhecimento das outras pessoas. Hoje estão felizes porque receberam uma boa notícia; amanhã ficam abatidas porque alguma coisa não aconteceu como esperavam.

Até no serviço cristão podemos cair nessa armadilha. Podemos começar a medir nossa vida espiritual pelo número de pessoas que nos ouvem, pelas atividades que realizamos ou pelo reconhecimento que recebemos. Alguém pode pensar: “Deus deve estar muito satisfeito comigo, porque estou fazendo muitas coisas para Ele.”

Jesus aponta para algo muito mais profundo.

A maior alegria não está naquilo que fazemos para Deus, mas naquilo que Deus fez por nós.

Antes de sermos instrumentos, precisamos ser filhos. Antes de pensarmos em quantas pessoas nos conhecem, precisamos perguntar se pertencemos a Cristo. Antes de nos alegrarmos com aquilo que conseguimos realizar, precisamos reconhecer a grandeza da salvação que recebemos pela graça.

Imagine uma pessoa que tenha muito sucesso. Seu nome aparece em jornais, redes sociais e homenagens. É conhecida por milhares de pessoas e recebe aplausos por onde passa. Outra talvez seja desconhecida, viva de maneira simples e nunca tenha seu nome publicado em lugar algum. Aos olhos deste mundo, a primeira parece possuir muito mais motivos para se alegrar.Mas Jesus apresenta outro registro.

Existe uma alegria que não depende de fama, dinheiro, posição, saúde ou realizações: saber que pertencemos a Ele.

Isso também coloca nossas prioridades no lugar certo. Jesus ensinou: “Mas busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas.” Mateus 6:33 (NAA).

Buscar primeiro o Reino não significa abandonar responsabilidades, deixar de trabalhar ou desprezar necessidades legítimas. Significa não permitir que essas coisas ocupem o primeiro lugar do coração. Podemos desejar uma casa melhor, cuidar da saúde, estudar, trabalhar, fazer planos e pedir ao Senhor que supra nossas necessidades. Mas nenhuma dessas coisas pode ser nossa maior riqueza. Tudo o que possuímos aqui é passageiro.

O cargo termina. O dinheiro muda de mãos. O corpo envelhece. Os aplausos cessam. Até as grandes realizações acabam sendo substituídas por outras. Mas aquilo que Cristo oferece alcança a eternidade.

Talvez hoje alguma coisa não tenha acontecido como você desejava. Talvez seu trabalho não tenha sido reconhecido, uma porta tenha se fechado ou uma oração ainda não tenha recebido a resposta esperada. Isso pode entristecer o coração, mas não precisa destruir sua alegria.

Jesus estava ensinando aos discípulos que existe uma alegria mais profunda do que qualquer resultado terreno. Eles estavam felizes porque os demônios conheciam a autoridade do nome de Jesus.

Cristo os ensinou a se alegrarem porque o céu conhecia os seus nomes. Essa continua sendo uma das maiores riquezas que alguém pode possuir. No final, a pergunta mais importante não será quantas coisas realizamos, quanto acumulamos ou quantas pessoas conheceram nosso nome. A grande questão será nosso relacionamento com Cristo.

Por isso, podemos servir, trabalhar, evangelizar, orar e nos alegrar com tudo aquilo que Deus fizer através de nossa vida. Mas nunca devemos esquecer onde está nossa maior alegria.

Há muitas razões para nos alegrarmos nesta vida, mas nenhuma se compara à alegria de pertencermos a Cristo: o mundo pode nunca conhecer o nosso nome, mas não existe riqueza maior do que saber que ele está registrado no céu.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

15/09/2026

 

VOCÊ TAMBÉM JÁ VIU ESSE DIA?

Abraão, o pai de vocês, alegrou-se por ver o meu dia; e ele viu esse dia e ficou alegre.” João 8:56 (NAA).

Para algumas pessoas, todos os dias parecem iguais. Levantam-se, cumprem sua rotina, enfrentam as mesmas tarefas e chegam ao fim do dia quase sem perceber o que aconteceu. Para outras, os dias têm sido difíceis, pesados, cheios de preocupações, lutas e incertezas. Há também aquelas para quem cada dia parece trazer alguma coisa nova: uma surpresa, uma conquista, uma notícia, uma mudança.

Mas, afinal, como está sendo o seu dia hoje? Talvez esteja sendo um dia comum. Talvez seja um daqueles dias que gostaríamos de esquecer. Ou talvez esteja acontecendo algo que ficará marcado para sempre em sua memória.

A Bíblia também fala de um Dia que marcou a história. Um Dia tão importante que Abraão, mesmo vivendo muitos séculos antes de Jesus nascer, alegrou-se ao contemplá-lo pela fé.

Jesus estava conversando com pessoas que conheciam muito bem a história de Abraão. Para elas, Abraão era o grande patriarca, o pai da nação e uma das figuras mais importantes da fé de Israel. Mas Jesus fez uma afirmação surpreendente: Abraão havia se alegrado por ver o Seu dia; viu esse dia e ficou alegre. Que dia era esse?

Jesus estava falando do Seu próprio dia, daquilo que Deus realizaria por meio dEle. Abraão viveu muitos séculos antes do nascimento de Jesus em Belém, mas recebeu promessas que apontavam para algo muito maior do que aquilo que conseguiria ver durante sua própria vida. Deus havia dito que, por meio de sua descendência, todas as famílias da terra seriam abençoadas. Abraão recebeu a promessa, creu em Deus e viveu olhando para aquilo que ainda estava adiante.

Não precisamos afirmar que Abraão conhecia todos os detalhes da vida de Jesus como nós os conhecemos hoje. Ele não conheceu Belém, não caminhou pelas ruas da Galileia, não ouviu o Sermão do Monte nem viu com seus olhos os acontecimentos que cercaram a morte e a ressurreição de Cristo. Mas Jesus afirmou que Abraão viu o Seu dia e se alegrou. De alguma maneira, pela fé, aquele homem percebeu que a promessa de Deus alcançava muito além de sua própria existência. Isso torna a pergunta ainda mais séria para nós: você também já viu esse Dia?

Nós vivemos depois daquilo que Abraão esperou pela fé. Sabemos que Jesus nasceu. Conhecemos Sua história. Temos os Evangelhos. Ouvimos falar de Seus milagres, de Seus ensinamentos, de Sua morte e de Sua ressurreição. Podemos ter uma Bíblia dentro de casa, frequentar uma igreja durante muitos anos e conhecer dezenas de versículos. Mas existe uma grande diferença entre saber que Jesus veio e enxergar, pela fé, o significado de Sua vinda.

Há pessoas que conhecem Jesus apenas como personagem da história. Sabem que Ele nasceu em Belém, morreu numa cruz e ressuscitou. Conhecem as informações, mas o coração nunca foi alcançado por elas. É possível até passar muitos anos dentro de uma igreja e ainda não perceber a grandeza desse Dia. Abraão se alegrou.

Essa alegria é importante. Quando ele viu pela fé aquilo que Deus estava preparando, sua reação não foi de indiferença. A promessa produziu alegria.

Talvez seja exatamente aí que devamos examinar nossa própria vida. O que sentimos quando pensamos em Cristo? Apenas familiaridade? Costume? Uma história que ouvimos tantas vezes que já não nos impressiona?

Imagine alguém que espera durante muitos anos pela chegada de uma pessoa amada. A cada notícia, seu coração se enche de expectativa. Quando finalmente essa pessoa chega, ninguém precisa explicar que aquele momento é importante. A alegria aparece naturalmente.

Abraão esperou pela promessa. Nós vivemos depois de seu cumprimento. Por isso, nossa responsabilidade é ainda maior.

Mas existe algo mais. Nós também estamos esperando um Dia.

Abraão olhava para a frente e, pela fé, contemplava aquilo que Deus ainda faria. Nós podemos olhar para trás e ver que Cristo veio, morreu e ressuscitou. Entretanto, Jesus também deixou uma promessa para aqueles que são Seus: Ele voltará. “E, quando eu for e preparar um lugar, voltarei e os receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, vocês estejam também.” João 14:3 (NAA).

A Igreja vive entre esses dois grandes acontecimentos: Cristo veio e Cristo voltará. Olhamos para trás e contemplamos uma promessa cumprida; olhamos para frente e esperamos outra promessa que também se cumprirá. Por isso, podemos fazer novamente a mesma pergunta: Você já viu esse Dia?

Não com os olhos naturais, porque esse Dia ainda não chegou. Mas já o contemplou pela fé? A volta de Jesus é apenas uma doutrina que você aprendeu ou é uma esperança que influencia a maneira como você vive hoje?

Quem espera encontrar alguém se prepara para esse encontro. Da mesma maneira, esperar a volta de Cristo não é simplesmente tentar descobrir uma data. É viver hoje sabendo que haverá um amanhã diante dEle. É rever prioridades, perdoar enquanto há tempo, abandonar aquilo que nos afasta de Deus, buscar uma vida de comunhão com Ele e não permitir que as coisas passageiras deste mundo ocupem todo o nosso coração.

Talvez alguém esteja procurando felicidade em dinheiro, reconhecimento, segurança, relacionamentos ou conquistas pessoais. Não há necessariamente algo errado em possuir essas coisas, mas nenhuma delas consegue ocupar o lugar que pertence a Cristo. Podemos conquistar muito e continuar sem perceber que o maior acontecimento da história já ocorreu: Deus cumpriu Sua promessa e enviou Seu Filho. E podemos estar tão ocupados com esta vida que nos esqueçamos de que ainda existe uma promessa diante de nós: Esse mesmo Cristo voltará.

Logo depois das palavras sobre Abraão, os judeus perguntaram como Jesus poderia ter visto Abraão, já que não tinha nem cinquenta anos. Então Jesus fez uma declaração ainda mais impressionante: “Em verdade, em verdade lhes digo que, antes que Abraão existisse, Eu Sou.” João 8:58 (NAA).

Eles estavam diante dAquele a Quem Abraão havia esperado pela fé, mas não conseguiam enxergar.

Esse talvez seja um dos maiores perigos da vida espiritual: estar perto de Jesus e não perceber Quem Ele é.

Abraão estava distante no tempo e viu pela fé. Aqueles homens estavam fisicamente diante de Jesus e não O reconheceram. Nós estamos muitos séculos depois de Sua primeira vinda e aguardamos Sua volta. Por isso, a pergunta permanece atual:

Você também já viu esse Dia?

Abraão viu pela fé o Dia que estava adiante e se alegrou. Nós olhamos para trás e contemplamos a promessa cumprida, mas também levantamos os olhos para outra promessa. Cristo veio. Cristo morreu. Cristo ressuscitou. Cristo voltará para buscar a sua igreja.

Abraão viu pela fé o Dia de Cristo que ainda viria e se alegrou; nós contemplamos o Dia que já aconteceu e aguardamos, também pela fé, o grande Dia em que Ele voltará para nos buscar. A pergunta é: você também já viu esse Dia?

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

14/set/26

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