O DEUS QUE SE REVELOU EM JESUS

"Deus disse a Moisés: — Eu Sou o Que Sou. Disse mais: — Assim você dirá aos filhos de Israel: 'Eu Sou me enviou a vocês.'" Êxodo 3:14 (NAA)

Uma das verdades mais profundas da Bíblia é que Deus é infinitamente maior do que a nossa capacidade de compreendê-Lo. O ser humano consegue estudar a criação, admirar o universo e aprender muitas coisas sobre Deus por meio das Escrituras, mas jamais conseguirá entender completamente toda a grandeza do Senhor.

Deus é eterno. Não teve princípio e não terá fim. Ele existia antes da criação do mundo e continuará existindo por toda a eternidade. Por isso, quando tentamos compreender plenamente quem Deus é, logo percebemos os limites do nosso entendimento.

Isso não significa, porém, que Deus tenha permanecido distante ou escondido da humanidade. Pelo contrário. Em Seu amor, Ele escolheu revelar-Se ao homem.

Quando Moisés recebeu a missão de libertar o povo de Israel da escravidão do Egito, fez uma pergunta importante. Ele queria saber qual era o nome daquele que o estava enviando.

A resposta de Deus foi extraordinária. "Deus disse a Moisés: — Eu Sou o Que Sou. Disse mais: — Assim você dirá aos filhos de Israel: 'Eu Sou me enviou a vocês.'" Êxodo 3:14 (NAA)

Essa declaração revela algo maravilhoso sobre Deus. Ele não depende de ninguém para existir. Não foi criado por ninguém. Não recebe vida de nenhuma fonte externa. Ele simplesmente é.

O "Eu Sou" revela a autossuficiência, a eternidade e a plenitude de Deus. Tudo aquilo que Deus é encontra-se nEle mesmo. Seu poder não tem limites. Sua sabedoria não tem falhas. Seu amor não diminui. Sua fidelidade não muda.

Ao longo da Bíblia, Deus foi se revelando por meio dos Seus atributos. Embora nenhum homem possa compreender plenamente Sua essência, podemos conhecê-Lo por aquilo que Ele revela de Si mesmo.

A Bíblia apresenta Deus como Criador de todas as coisas. Ele é santo, justo e misericordioso. É poderoso para salvar, fiel para cumprir Suas promessas e amoroso para cuidar dos Seus filhos. Mas existe uma diferença entre saber informações sobre Deus e conhecer Deus de verdade.

Muitos sabem que Deus é misericordioso. Outros já experimentaram Sua misericórdia. Muitos sabem que Deus é provedor. Outros já foram sustentados por Ele em momentos difíceis. Muitos sabem que Deus é consolador. Outros já sentiram Seu consolo em meio às lágrimas. É através dessas experiências que passamos a conhecer mais profundamente o Senhor.

Quando Deus responde uma oração, conhecemos Sua fidelidade. Quando nos perdoa, conhecemos Sua graça. Quando nos fortalece nas lutas, conhecemos Seu poder. Quando nos sustenta em meio às dificuldades, conhecemos Seu cuidado. Cada experiência com Deus revela um pouco mais do Seu caráter. Entretanto, a maior revelação de Deus à humanidade aconteceu em Jesus Cristo.

O evangelho de João declara: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai." João 1:14 (NAA). Jesus não foi apenas um profeta, um mestre ou um homem extraordinário. Ele é o próprio Deus revelado aos homens.

O evangelho começa afirmando: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." João 1:1 (NAA). Aquele que criou todas as coisas entrou na história humana. O Deus invisível tornou-Se visível em Cristo.

Por isso o escritor aos Hebreus afirma: "O Filho, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela sua palavra poderosa..." Hebreus 1:3 (NAA)

Jesus é a expressão perfeita do Pai. Quem deseja conhecer Deus deve olhar para Cristo.

Quando observamos Seu amor pelos pecadores, vemos o amor de Deus. Quando observamos Sua compaixão pelos necessitados, vemos a compaixão de Deus. Quando observamos Seu poder sobre as enfermidades, sobre a natureza e até sobre a morte, vemos o poder de Deus.

Não é por acaso que Isaías apresentou o Messias com títulos tão extraordinários. "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu. O governo está sobre os seus ombros, e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." Isaías 9:6 (NAA). Cada um desses nomes revela um aspecto da pessoa de Cristo.

Ele é o Maravilhoso Conselheiro, cuja sabedoria nunca falha. Ele é o Deus Forte, para quem nada é impossível. Ele é o Pai da Eternidade, Senhor do tempo e da vida. Ele é o Príncipe da Paz, que oferece descanso ao coração aflito.

Quanto mais conhecemos Jesus, mais conhecemos o próprio Deus. E quanto mais experimentamos Sua graça, mais entendemos o significado daquele nome revelado a Moisés: "Eu Sou".

O Deus eterno não permaneceu distante. Ele escolheu revelar-Se ao homem e aproximar-Se de nós por meio de Seu Filho.

Por isso, a maior busca da vida não deve ser conhecer mais coisas sobre Deus, mas conhecer o próprio Deus através de Jesus Cristo.

Deus é grande demais para ser plenamente compreendido, mas é amoroso o bastante para Se revelar. E a mais perfeita revelação do 'Eu Sou' não está em um conceito, mas na pessoa de Jesus Cristo.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

20/jul/26

 

DOIS CAMINHOS, DOIS DESTINOS

“Os filhos de Hete responderam a Abraão, dizendo: — Escute: o senhor é príncipe de Deus em nosso meio...” Gênesis 23:5-6 (NAA).

Interessante notar que Abraão e Ló começaram sua caminhada em condições muito parecidas. Os dois possuíam rebanhos, servos, tendas e muitos bens. A prosperidade havia se tornado tão grande que a terra já não conseguia sustentar os dois juntos. Por isso, surgiu uma discussão entre os pastores de Abraão e os pastores de Ló.

Abraão, mesmo sendo o mais velho e tendo recebido a promessa de Deus, não usou sua posição para impor uma escolha. Com humildade, permitiu que Ló decidisse primeiro para onde desejava ir. Foi então que os dois revelaram, por suas escolhas, o que havia dentro do coração.

Ló levantou os olhos e viu a campina do Jordão. Era uma região bem regada, fértil e aparentemente perfeita para os seus rebanhos. Tudo indicava prosperidade, crescimento e segurança. Aos olhos humanos, parecia a melhor escolha possível.

A Bíblia, porém, mostra que Ló escolheu guiado principalmente pelo que viu. Ele considerou a fertilidade da terra, mas não avaliou com o mesmo cuidado o ambiente espiritual daquela região. Próximo dali estavam Sodoma e Gomorra, cidades conhecidas pela maldade de seus habitantes. “Ora os moradores de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o Senhor.” Gênesis 13:13 (NAA).

Ló não entrou em Sodoma de uma só vez. Primeiro, escolheu a campina. Depois, armou suas tendas até Sodoma. Mais tarde, passou a morar dentro da cidade. Por fim, apareceu sentado à porta de Sodoma, ocupando um lugar de reconhecimento entre os seus moradores.

Esse processo revela uma verdade importante: muitas quedas não começam com uma decisão escandalosa, mas com pequenas aproximações. Primeiro, a pessoa olha. Depois, considera inofensivo. Em seguida, aproxima-se. Quando percebe, já está envolvida com aquilo que antes observava de longe.

Ló entrou naquela região cercado por riquezas, pastores, servos e grandes rebanhos. No entanto, quando Sodoma foi destruída, ele saiu apenas com a roupa do corpo e acompanhado de duas filhas. A esposa ficou pelo caminho. Os genros não acreditaram em sua advertência. Seus bens desapareceram da narrativa, e seu testemunho havia perdido a força dentro da própria família.

Quando Ló avisou aos genros que a cidade seria destruída, eles pensaram que ele estivesse brincando. Isso mostra que sua palavra já não possuía autoridade entre os seus. Talvez ele ainda fosse considerado um homem importante na cidade, mas havia perdido algo muito mais precioso: a influência espiritual.

Abraão seguiu um caminho diferente. Ele permaneceu na terra de Canaã, vivendo em tendas, sem possuir cidades, palácios ou grandes construções. Aos olhos humanos, talvez sua vida parecesse mais simples e insegura. Entretanto, Abraão tinha algo que Ló estava deixando para trás: a presença de Deus, a promessa e a comunhão com o Senhor.

Depois que Ló se separou dele, Deus falou novamente com Abraão e reafirmou tudo o que lhe daria. O homem que não escolheu pela aparência recebeu de Deus uma visão muito maior do que aquela que Ló teve ao olhar para a campina.

Abraão permaneceu como peregrino, mas sua influência cresceu. Reis o respeitaram. Povos reconheceram sua grandeza. Quando precisou sepultar Sara, os habitantes da terra o chamaram de “príncipe de Deus”. Ele não tinha um trono, mas carregava autoridade. Não usava coroa, mas era reconhecido como alguém sobre quem repousava a bênção do Senhor.

Ló buscou um lugar que pudesse aumentar seus bens. Abraão buscou permanecer no lugar da promessa. Ló escolheu uma terra fértil, mas perdeu quase tudo. Abraão viveu em tendas, mas tornou-se pai de uma grande nação.

No fim, Ló praticamente desaparece da narrativa bíblica. Depois dos acontecimentos envolvendo suas filhas, sua história se encerra de maneira triste. Abraão, porém, continua sendo lembrado como o pai da fé. Seu nome atravessou séculos e permanece como referência de confiança em Deus até os nossos dias.

Essa comparação não significa que Abraão nunca tenha errado. Ele também enfrentou momentos de fraqueza, tomou decisões equivocadas e precisou ser corrigido. A diferença estava na direção de sua vida. Quando falhava, voltava ao altar. Quando tinha medo, aprendia novamente a confiar. Sua caminhada era marcada pelo relacionamento com Deus.

A história dos dois nos faz pensar em nossas escolhas. Muitas vezes, somos atraídos por aquilo que parece mais vantajoso: um emprego melhor, uma oportunidade financeira, um relacionamento, uma mudança de cidade ou um ambiente que promete conforto. Nada disso é necessariamente errado. O perigo está em decidir apenas pelo que os olhos veem, sem perguntar o que aquela escolha fará com nossa fé, nossa família e nosso testemunho.

Nem toda campina verde é o lugar preparado por Deus. Algumas oportunidades aumentam nossos recursos, mas diminuem nossa comunhão. Algumas portas parecem boas, mas nos aproximam lentamente de ambientes que enfraquecem nossos valores.

Antes de escolher, precisamos perguntar: isso me aproxima de Deus? Preservará minha família? Fortalecerá meu testemunho? Poderei continuar servindo ao Senhor com liberdade e fidelidade?

Ló desejou a melhor terra e terminou numa caverna. Abraão aceitou viver em tendas e foi chamado de príncipe de Deus.

A grande diferença não estava na riqueza que possuíam, mas na direção para a qual cada um conduziu o coração. Um escolheu pela aparência. O outro aprendeu a viver pela promessa.

A vida nos coloca diariamente diante dessas duas possibilidades. Podemos correr atrás daquilo que parece melhor aos nossos olhos ou confiar naquele que enxerga o caminho inteiro. No fim, não será lembrado aquele que acumulou mais, mas aquele que permaneceu fiel a Deus e deixou uma herança de fé.

Quem escolhe apenas pelo que os olhos veem pode conquistar uma boa paisagem e perder o futuro; quem caminha pela fé pode viver em tendas, mas deixa uma herança que atravessa gerações.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

19/jul/26

 

O TESTEMUNHO DIANTE DAS TELAS

“Abstenham-se de toda forma de mal.” 1 Tessalonicenses 5:22 (NAA).

Em traduções mais antigas, esse versículo aparece da seguinte forma: “Abstende-vos de toda aparência do mal.” O sentido principal do texto é que o cristão deve afastar-se de toda espécie, manifestação ou prática do mal. Não se trata apenas de evitar aquilo que parece errado aos olhos das pessoas, mas de rejeitar tudo o que, de fato, não agrada a Deus.

Essa palavra nos convida a examinar a própria vida. Precisamos observar nossas vestimentas, nosso modo de falar, nossas atitudes, os lugares que frequentamos, os conteúdos que assistimos e aquilo que permitimos entrar em nossa mente e em nosso coração. A fé não deve ser demonstrada somente dentro da igreja, mas em todas as áreas da vida.

Isso inclui nossa presença nas redes sociais. Atualmente, muitas pessoas conhecem parte de nossa vida por meio das fotografias, dos vídeos, dos comentários e das mensagens que publicamos. Por essa razão, aquilo que colocamos na internet também faz parte do nosso testemunho cristão.

Às vezes, pessoas que se apresentam como cristãs publicam fotografias com roupas, poses ou comportamentos que não combinam com os valores que afirmam seguir. Em outros casos, escrevem palavras agressivas, compartilham conteúdos impróprios, envolvem-se em discussões ofensivas, expõem excessivamente sua intimidade ou fazem comentários que ferem e humilham outras pessoas.

Precisamos compreender que a rede social não é um mundo separado da vida real. Aquilo que fazemos diante da tela também revela algo sobre nosso coração. Podemos apagar uma publicação, mas talvez não consigamos apagar a impressão que ela causou em quem a viu.

Não se trata de criar regras humanas sobre roupas ou de viver preocupado apenas com a opinião dos outros. A questão é muito mais profunda. Devemos perguntar se aquilo que mostramos glorifica a Deus, revela modéstia, transmite respeito e combina com a identidade de alguém que pertence a Cristo.

A roupa, por si mesma, não transforma o coração. Uma pessoa pode estar vestida de maneira adequada e, ainda assim, alimentar orgulho, inveja, maldade ou falta de amor. Entretanto, aquilo que escolhemos vestir e aquilo que estamos mostrando em uma fotografia também transmite uma mensagem. Por isso, tanto homens quanto mulheres devem agir com equilíbrio, dignidade, sabedoria e bom senso, evitando a ostentação e a exposição inadequada do corpo.

Nosso corpo não deve ser usado como instrumento de provocação, disputa ou busca exagerada por atenção. Ele pertence ao Senhor e deve ser tratado com honra. Isso não significa desprezar a beleza ou impedir alguém de se apresentar bem. Significa entender que a beleza do cristão não precisa estar ligada à sensualidade, à vaidade exagerada ou à necessidade constante de aprovação.

O mesmo cuidado deve existir com aquilo que falamos nas redes sociais. Não podemos publicar um versículo pela manhã e, pouco depois, usar a mesma página para espalhar ofensas, mentiras, intrigas ou palavras cheias de rancor. Nossa fé também é revelada pela maneira como respondemos a quem pensa diferente, pela forma como tratamos as pessoas e pelo conteúdo que decidimos compartilhar.

Antes de publicar alguma coisa, seria sábio fazer algumas perguntas: isso agrada a Deus? Esta fotografia preserva minha dignidade? Estas palavras edificam alguém? Estou mostrando Cristo ou apenas procurando atenção? Aquilo que publico fortalece ou enfraquece meu testemunho?

Nem tudo o que podemos publicar deve ser publicado. Nem tudo o que recebe aplausos, curtidas e elogios tem a aprovação do Senhor. A quantidade de pessoas que admiram determinada atitude não transforma o errado em certo. A Palavra de Deus, e não as tendências da sociedade, deve orientar nossas escolhas. “Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus, peço que ofereçam o seu corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Este é o culto racional de vocês. E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12:1,2 (NAA)

Devemos zelar pelo testemunho porque não representamos somente a nós mesmos. Pertencemos ao Reino de Deus e carregamos o nome de Cristo. Quando alguém sabe que somos cristãos, passa a observar se nossas atitudes combinam com a fé que professamos. Isso não significa que seremos perfeitos, mas que devemos demonstrar o desejo sincero de viver de maneira diferente.

O Senhor nos chamou para sermos santos. A Bíblia declara: “Pelo contrário, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, porque está escrito: ‘Sejam santos, porque eu sou santo.’” 1 Pedro 1:15-16 (NAA).

Ser santo não significa nunca cometer erros, mas pertencer a Deus e permitir que Ele transforme diariamente nosso caráter, nossas escolhas e nossos desejos. A santificação alcança o que fazemos no templo, em casa, no trabalho, na rua e também diante da tela do celular.

A Palavra ainda nos adverte: “Procurem viver em paz com todos e busquem a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.” Hebreus 12:14 (NAA).

A santificação não é um detalhe da vida cristã. Ela é uma busca diária. Por isso, devemos pedir ao Espírito Santo que nos mostre aquilo que precisa ser abandonado. Quando identificarmos uma prática, um hábito, uma publicação, uma foto inadequada que nos apresenta ou uma atitude que não agrada ao Senhor, precisamos ter humildade para mudar.

Abster-se do mal é escolher, todos os dias, aquilo que é puro, correto e digno da presença de Deus. Não fazemos isso apenas para preservar nossa imagem diante das pessoas, mas porque desejamos honrar a Cristo em tudo o que somos, falamos, vestimos, publicamos e fazemos.

O verdadeiro testemunho não termina quando o culto acaba. Ele continua em nossa casa, em nossas conversas, em nossas escolhas, em nossas fotografias e diante da tela de um celular. Onde quer que estejamos, nossa vida deve apontar para Jesus.

Quem pertence a Cristo deve revelar, até nas escolhas mais simples, a beleza de uma vida que deseja agradar a Deus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

18/jul/26

 

O TOQUE QUE JESUS RECONHECEU

“Então Jesus lhe disse: — Filha, a sua fé salvou você. Vá em paz e fique livre desse mal.” Marcos 5:34 (NAA).

Havia uma grande multidão ao redor de Jesus. As pessoas caminhavam muito próximas, apertando-o por todos os lados. No meio daquele povo estava uma mulher que carregava uma dor havia doze anos. Ela sofria de uma hemorragia que não parava. Durante todo aquele tempo, procurou muitos médicos, enfrentou tratamentos dolorosos e gastou tudo o que possuía. Mesmo assim, não melhorou. Pelo contrário, seu estado ficou ainda pior. Marcos 5:25-26

Doze anos é muito tempo para conviver com uma enfermidade. Imagine acordar todos os dias sentindo a mesma fraqueza, a mesma preocupação e a mesma frustração. A cada novo tratamento, talvez surgisse uma esperança. Porém, quando nada mudava, vinha mais uma decepção. Além da dor física, aquela mulher provavelmente enfrentava vergonha, solidão e afastamento das pessoas.

Talvez ela tivesse chegado ao ponto de pensar que não existia mais solução. O dinheiro havia acabado, os tratamentos não haviam funcionado e sua força estava diminuindo. Entretanto, certo dia, ela ouviu falar de Jesus. Alguém lhe contou que o Senhor curava enfermos, libertava os oprimidos e acolhia aqueles que todos rejeitavam. Uma pequena esperança nasceu em seu coração.

Ela não podia perder aquela oportunidade. Jesus estava passando, mas havia uma multidão entre ela e o Senhor. Mesmo enfraquecida, entrou no meio das pessoas e avançou como pôde. Em seu coração, repetia que, se apenas tocasse na roupa de Jesus, seria curada.

Aquela mulher não confiava em um tecido mágico. O poder não estava na roupa. Sua fé estava em Jesus. Ela acreditava que nele havia poder suficiente para mudar uma situação que ninguém mais conseguira resolver.

Muitas pessoas tocavam em Jesus naquele momento. Algumas esbarravam nele por causa do movimento da multidão. Outras caminhavam ao seu lado apenas por curiosidade. Mas o toque daquela mulher foi diferente. Ela não tocou apenas com a mão; tocou com fé. No mesmo instante, a hemorragia parou, e ela percebeu em seu corpo que estava curada.

Então Jesus parou e perguntou: — Quem tocou na minha roupa?

Os discípulos acharam aquela pergunta estranha. Havia tanta gente apertando Jesus que seria quase impossível saber quem o havia tocado. Mas o Senhor não estava falando de um contato comum. Ele havia reconhecido o toque de alguém que se aproximara crendo.

Essa cena nos ensina que é possível estar perto de Jesus sem realmente buscá-lo. Uma pessoa pode frequentar a igreja, conhecer hinos, ouvir mensagens e até carregar uma Bíblia, mas nunca abrir verdadeiramente o coração para Cristo. A multidão estava perto, mas somente aquela mulher se aproximou reconhecendo sua necessidade e confiando no poder do Senhor.

Quando percebeu que não poderia permanecer escondida, a mulher se aproximou com medo e tremendo. Prostrou-se diante de Jesus e contou toda a verdade. Talvez esperasse uma repreensão, pois havia tocado nele sem pedir autorização. Contudo, Jesus não a humilhou. Ele a recebeu com amor. Jesus a chamou de “filha”.

Depois de tantos anos sendo conhecida por sua enfermidade, ela recebeu uma nova palavra sobre sua vida. Para as pessoas, talvez fosse apenas “a mulher doente”. Para Jesus, ela era filha. O Senhor não queria apenas curar seu corpo; queria restaurar sua dignidade, trazer paz ao seu coração e mostrar que ela não precisava mais viver escondida.

Ainda hoje existem pessoas como aquela mulher. Algumas enfrentam uma doença há muitos anos. Outras gastaram grande parte de seus recursos em tratamentos. Há quem sofra com ansiedade, tristeza profunda, crises familiares, vícios ou feridas que ninguém consegue ver. Muitas tentaram de tudo e chegaram ao ponto de pensar que não há mais esperança.

Buscar Jesus não significa abandonar médicos, medicamentos ou tratamentos. Deus também pode agir por meio da medicina e dos profissionais de saúde. A fé verdadeira não despreza os recursos disponíveis. Ela reconhece, porém, que nossa segurança final não está nos recursos humanos, mas no Senhor.

Também precisamos entender que nem sempre Jesus responderá exatamente como desejamos. Nem toda enfermidade será curada imediatamente. Contudo, nenhuma pessoa que se aproxima sinceramente de Cristo permanece da mesma forma. Ele pode curar o corpo, fortalecer a alma, renovar a esperança, conceder paz e sustentar-nos durante a caminhada.

Talvez você se sinta perdido no meio da multidão. Talvez pense que Jesus não perceberá sua presença porque existem muitas pessoas ao redor dele. Mas o Senhor conhece sua história. Ele sabe há quanto tempo você sofre, quantas lágrimas derramou, quantas tentativas fez e quanto cansaço existe em seu coração.

A mulher queria apenas tocar e sair em silêncio. Jesus, porém, desejava dar-lhe muito mais. Ela recebeu cura, salvação, paz e uma nova identidade. Entrou naquela multidão como uma mulher ferida e saiu de lá chamada de filha.

Aproxime-se de Jesus com sinceridade. Conte-lhe toda a verdade. Não esconda suas dores, seus medos nem suas fraquezas. O mesmo Senhor que reconheceu o toque daquela mulher continua percebendo o coração que o procura com fé.

A fé não é uma mão que obriga Deus a fazer o que desejamos; é o coração que atravessa a multidão, toca em Jesus e descobre que, antes mesmo de receber a resposta, já foi visto, acolhido e chamado de filho.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

17/jul/26

 

A SEDE QUE SÓ DEUS PODE SACIAR

“A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando irei e me apresentarei diante da face de Deus?” Salmos 42:2 (NAA).

A sede física é um aviso do corpo. Quando precisamos repor líquidos, sentimos a boca seca, o cansaço aumenta e o organismo pede água. Essa necessidade não aparece apenas uma vez. Precisamos beber água todos os dias para continuarmos vivos e saudáveis.

O salmista usa essa necessidade natural para falar de algo ainda mais profundo: a sede da alma. Ele não desejava apenas aprender alguma coisa sobre Deus nem conhecer novas informações religiosas. Sua alma tinha sede do próprio Deus, “do Deus vivo”. Ele desejava estar na presença do Senhor, adorá-lo, conversar com ele e receber novamente a força que somente Deus poderia oferecer.

No início desse salmo, o escritor compara sua alma a uma corça que suspira pelas correntes das águas. O animal sedento não procura distração, sombra bonita ou um lugar confortável. Ele procura água porque sabe que sua vida depende dela. Da mesma forma, nossa alma precisa de Deus, ainda que muitas vezes não reconheçamos essa necessidade.

Podemos possuir muitas coisas e continuar sentindo que algo está faltando. Uma pessoa pode conquistar um bom emprego, comprar uma casa, viajar e receber elogios, mas ainda carregar um vazio no coração. Outra pode passar horas nas redes sociais, procurando atenção e aprovação, e terminar o dia sentindo-se ainda mais sozinha.

Há também quem tente matar essa sede por meio dos relacionamentos, da diversão, do dinheiro, das bebidas, das compras ou do trabalho excessivo. Essas coisas podem produzir alegria por algum tempo, mas não conseguem ocupar o lugar que pertence a Deus. É como beber água salgada: quanto mais a pessoa bebe, mais sede sente.

O problema, portanto, não é sentir sede. O problema é procurar água no lugar errado.

O profeta Amós apresentou ao povo um convite direto do Senhor: “Pois assim diz o Senhor à casa de Israel: ‘Busquem a mim e vocês viverão.’” Amós 5:4 (NAA).

Buscar a Deus não significa apenas frequentar uma igreja, conhecer alguns hinos ou repetir palavras religiosas. Buscar a Deus é voltar o coração para ele. É reconhecer que precisamos de sua graça, abrir a Bíblia com desejo de aprender, orar com sinceridade e permitir que o Senhor corrija nossas escolhas.

Essa busca precisa ser diária. Assim como nosso corpo não pode viver apenas da água que bebeu na semana passada, nossa alma não deve sobreviver somente de uma experiência antiga com Deus. Talvez alguém tenha recebido uma grande bênção anos atrás, chorado durante um culto ou sentido uma alegria especial em uma oração. Tudo isso é precioso, mas Deus deseja caminhar conosco hoje.

Muitas pessoas se aproximam do Senhor quando enfrentam uma emergência. Um diagnóstico preocupante, a perda de alguém querido, uma crise no casamento, o desemprego ou o sofrimento de um filho podem despertar novamente a sede espiritual. A dor nos faz perceber que não controlamos tudo e que precisamos de uma força maior do que a nossa.

Deus nos recebe nesses momentos. Porém, ele não quer ser procurado apenas quando todas as outras portas se fecham. Ele deseja ser nossa fonte todos os dias, tanto nos momentos de lágrimas quanto nos dias tranquilos.

Jesus revelou onde essa sede pode ser verdadeiramente satisfeita: “— Se alguém tem sede, venha a mim e beba.” João 7:37 (NAA).

Jesus não disse que precisamos resolver todos os problemas antes de nos aproximarmos dele. Também não exigiu que nos tornássemos perfeitos para então irmos à sua presença. Seu convite é para quem tem sede. Podemos nos aproximar como estamos, reconhecendo nossos pecados, nossas fraquezas, nossas dúvidas e necessidades.

Nele encontramos perdão, direção, paz e uma nova vida. Conhecer Jesus não é apenas saber que ele existiu ou ouvir histórias sobre seus milagres. Conhecê-lo é confiar nele, recebê-lo como Salvador e permitir que sua Palavra transforme nossa maneira de viver.

O próprio Jesus declarou: “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” João 17:3 (NAA).

A vida eterna começa no relacionamento com Deus e continuará para sempre. Quanto mais conhecemos o Senhor, mais desejamos conhecê-lo. A sede espiritual não desaparece como se deixássemos de desejar sua presença. Pelo contrário, ela se transforma em um desejo santo de estar mais perto dele.

Por isso, não ignore a sede da sua alma. Não tente escondê-la atrás da pressa, das tarefas ou das distrações. Pare por alguns instantes, converse com Deus e abra o coração. Leia sua Palavra, aproxime-se de Jesus e permita que o Espírito Santo renove sua vida.

O mundo oferece muitos copos, mas nenhum deles consegue encher verdadeiramente a alma. Somente Jesus possui a água que dá vida, perdoa os pecados, restaura o coração e nos conduz à eternidade.

A alma que tenta beber da água que o mundo oferece continuará sedenta; mas aquela que se aproxima de Jesus encontra a fonte da vida e descobre que somente Deus pode preencher o coração.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

16/jul/26

 

DA NOITE VAZIA À MESA COM JESUS

“Então Jesus disse: — Joguem a rede à direita do barco e vocês acharão. Assim fizeram e já não podiam puxar a rede, tão grande era a quantidade de peixes.” João 21:6 (NAA).

Os discípulos passaram a noite inteira pescando, mas não conseguiram pegar nada. Eles conheciam o mar, sabiam usar as redes e tinham experiência naquele trabalho. Mesmo assim, todo o esforço terminou em vazio. Quando o dia começou a clarear, Jesus apareceu na praia, embora eles ainda não soubessem que era o Senhor. Então Jesus mandou que lançassem a rede do lado direito do barco. Eles obedeceram, e a rede ficou tão cheia de peixes que não conseguiam puxá-la.

O poder não estava no lado direito do barco. Também não estava na habilidade dos pescadores. O milagre aconteceu porque Jesus conhecia aquilo que os discípulos não podiam ver. Eles enxergavam apenas a superfície da água; Jesus sabia exatamente onde estavam os peixes. Quando obedeceram à palavra do Senhor, o fracasso da noite deu lugar a uma pesca abundante.

Isso também acontece conosco. Muitas vezes, tentamos resolver tudo com nossa própria força. Fazemos planos, insistimos em certos caminhos e confiamos apenas em nossa experiência. Depois de muito esforço, percebemos que as redes continuam vazias. Pode ser uma família que tenta restaurar a paz sem buscar a direção de Deus, alguém que luta sozinho contra um vício ou uma pessoa que procura felicidade no dinheiro, no reconhecimento e nas opiniões dos outros.

Numa aplicação espiritual, o mar pode nos lembrar o mundo em que vivemos: vasto, agitado e cheio de perigos escondidos. Habacuque perguntou ao Senhor: “Por que tratas as pessoas como se fossem peixes do mar, como se fossem animais que rastejam, que não têm quem os governe?” Habacuque 1:14 (NAA).

Muitas pessoas acreditam que ser livre é viver sem Deus, sem limites e sem ninguém para dirigir seus passos. Querem ser donas absolutas da própria vida. Contudo, quem rejeita o governo de Deus pode acabar preso em outras redes: o pecado, o orgulho, os vícios, a culpa, a imoralidade, a ganância e a necessidade de aprovação.

Jesus ensinou que existe um caminho largo, seguido por muitos, mas que conduz à perdição. Também existe um caminho apertado, que conduz à vida. O caminho da salvação não é sempre o mais popular ou o mais fácil, mas é o único que nos leva à verdadeira vida com Deus. Mateus 7:13-14

A rede do evangelho representa a mensagem de Deus que alcança pessoas onde elas estão. Ela não vem para destruir, mas para retirar o ser humano de uma vida dominada pelo pecado e conduzi-lo a Cristo. Porém, é importante entender: não é a igreja, a religião ou a própria rede que salva. Quem salva é Jesus. O evangelho anuncia quem Ele é, o que fez na cruz e a vida eterna que oferece aos que creem.

Saulo é um grande exemplo disso. Ele seguia para Damasco decidido a prender os cristãos. Parecia seguro de suas escolhas, mas caminhava na direção errada. Subitamente, uma luz do céu brilhou ao seu redor, e Jesus falou com ele. Saulo foi alcançado, transformado e passou a anunciar aquele que antes perseguia. Atos 9:3-6

Ainda hoje, Jesus alcança pessoas de maneiras diferentes. Pode ser um jovem perdido nas influências da internet, alguém aprisionado pelo álcool, uma mulher esmagada pela culpa ou um profissional bem-sucedido que, apesar de possuir muitas coisas, sente um enorme vazio. A mensagem do evangelho chega, mostra a verdade e convida essa pessoa a abandonar o caminho antigo.

Quando os discípulos chegaram à praia, encontraram algo preparado por Jesus: “Ao saltarem em terra, viram ali umas brasas com peixe por cima; e também havia pão.” João 21:9 (NAA)

Eles saíram da noite escura, do mar frio e do trabalho cansativo para encontrar o calor das brasas, o alimento e a presença do Senhor. Essa cena pode nos lembrar o que acontece quando Jesus nos alcança. Saímos da frieza de uma vida distante de Deus e encontramos o calor de Sua presença. Deixamos a escuridão do pecado e começamos a caminhar na luz. Já não estamos perdidos no grande mar da vida, porque agora temos quem nos governe e nos conduza.

Também havia pão. Jesus declarou: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim jamais terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede.” João 6:35 (NAA)

Cristo é o alimento da nossa alma. Ele não apenas nos retira de uma vida de pecado; também nos sustenta na nova caminhada. Precisamos diariamente de sua Palavra, da oração, da comunhão com a igreja e da ação do Espírito Santo. Assim como o corpo precisa de alimento, nossa vida espiritual precisa ser alimentada em Jesus.

A salvação não é conquistada por nosso esforço. A Bíblia afirma: “Porque pela graça vocês são salvos, mediante a fé; e isto não vem de vocês, é dom de Deus.” Efésios 2:8 (NAA). Depois de salvos, começa uma caminhada de crescimento, aprendizado e transformação. Jesus nos alcança, alimenta-nos e ensina-nos a viver até o dia em que estaremos para sempre com ele.

Talvez você esteja há muito tempo tentando pescar sozinho e suas redes continuem vazias. Escute a voz de Jesus. Ele conhece sua vida, sabe onde você está e vê aquilo que seus olhos não conseguem enxergar. Permita que a mensagem do evangelho envolva seu coração. Obedeça ao Senhor e venha para a praia, onde há luz, calor, alimento, perdão e vida eterna.

O evangelho é a rede que nos alcança no mar escuro deste mundo, mas é Jesus quem nos traz para perto, aquece o coração e nos alimenta para a caminhada até a eternidade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

15/jul/26

 

A ESPERANÇA NÃO É A ÚLTIMA QUE MORRE — ELA VENCE A MORTE

E no seu nome os gentios colocarão a sua esperança.Mateus 12:21 (NAA).

Costumamos ouvir a frase: “A esperança é a última que morre.” Ela é usada para animar alguém que atravessa uma dificuldade. Quando um tratamento parece não produzir resultado, quando o emprego não aparece, quando um relacionamento está em crise ou quando uma porta permanece fechada, alguém diz: “Não perca a esperança, porque ela é a última que morre.”

Essa frase pode trazer algum conforto, mas não expressa completamente a esperança cristã. Para aquele que crê em Jesus, a esperança não é apenas a última coisa que morre. Na verdade, ela não morre, porque está firmada naquele que venceu a morte.

Todas as pessoas podem ter esperança. Quem não crê em Deus também pode sonhar, lutar, fazer planos e acreditar em dias melhores. Essa esperança pode estar apoiada no esforço pessoal, na família, nos amigos, no trabalho, na educação, na medicina, na ciência ou na capacidade humana de superar dificuldades. É uma esperança importante, pois ajuda muita gente a continuar caminhando.

Uma pessoa desempregada entrega currículos porque espera encontrar uma oportunidade. Alguém que recebeu um diagnóstico difícil começa um tratamento porque espera melhorar. Uma família que atravessa uma crise tenta reconstruir seus relacionamentos porque acredita que ainda pode haver reconciliação. Um estudante se dedica aos estudos porque espera construir um futuro melhor.

Tudo isso é válido. O problema é que essa esperança depende das circunstâncias. Ela se fortalece quando as notícias são boas, mas pode enfraquecer quando os resultados não aparecem. Pode ser abalada quando a saúde piora, o dinheiro acaba, os amigos se afastam, os planos fracassam ou a morte se aproxima.

A esperança humana costuma dizer: “Talvez tudo melhore amanhã.” A esperança cristã declara: “Mesmo que eu não saiba o que acontecerá amanhã, sei quem estará comigo.”

A esperança do cristão não está firmada apenas na possibilidade de o problema desaparecer. Ela está firmada em uma Pessoa: Jesus Cristo. Por isso, o texto bíblico não diz que colocaremos nossa esperança em nossas forças, em nossos recursos ou nas circunstâncias. Ele afirma: “E no seu nome os gentios colocarão a sua esperança” Mateus 12:21 (NAA).

Isso significa que a nossa segurança está no nome, no caráter, na autoridade e nas promessas de Jesus. Podemos não saber como a situação será resolvida, mas sabemos que Cristo continua sendo Senhor. Podemos não compreender o caminho, mas conhecemos aquele que nos conduz.

A esperança cristã também não significa fingir que está tudo bem. Ter esperança não é negar a dor, esconder as lágrimas ou agir como se o sofrimento não existisse. Jesus nunca ensinou seus seguidores a fugir da realidade. A esperança nos permite olhar para a realidade, reconhecer a dificuldade e, ainda assim, confiar que Deus continua trabalhando.

Pense em uma mãe que ora por um filho afastado dos caminhos do Senhor. Ela sente tristeza e preocupação, mas continua orando porque crê que Deus pode alcançá-lo. Pense em uma pessoa que perdeu alguém muito amado. Ela chora, sente saudade e reconhece a dor da ausência, mas encontra consolo na promessa da ressurreição. Pense em alguém que enfrenta uma enfermidade sem saber se será curado. Essa pessoa busca tratamento e pede a intervenção de Deus, mas também descansa na certeza de que sua vida está nas mãos do Senhor.

A esperança bíblica não promete que tudo acontecerá exatamente como desejamos. Ela nos garante que, aconteça o que acontecer, Deus permanecerá fiel.

A Bíblia chama essa esperança de “âncora da alma”: “Temos esta esperança por âncora da alma, segura e firme e que entra no santuário que fica atrás do véu” Hebreus 6:19 (NAA).

A âncora não impede a tempestade. Ela impede que o barco seja levado para longe. Da mesma forma, a esperança em Cristo não significa que nunca enfrentaremos ventos contrários. Significa que, mesmo em meio à tempestade, nossa alma pode permanecer firme.

A base dessa esperança é a ressurreição de Jesus. Pedro escreveu que Deus “..._nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” 1 Pedro 1:3 (NAA).

Nossa esperança é viva porque Jesus está vivo. A cruz parecia o fim, mas tornou-se o caminho da salvação. O sepulcro parecia a derrota, mas foi encontrado vazio. A morte parecia ter pronunciado a última palavra, mas Cristo ressuscitou.

Por isso, a esperança cristã continua quando os recursos acabam, quando as respostas demoram e até quando a vida nesta terra chega ao fim. Ela não depende apenas de dias melhores aqui, mas da certeza de uma eternidade com Deus.

A fé nos ajuda a confiar no Senhor hoje. A esperança nos permite olhar para o amanhã sem desespero. Ela sustenta o coração durante a espera, fortalece-nos nas perdas e não permite que o sofrimento escreva o último capítulo de nossa história.

Paulo chama o Senhor de “Deus da esperança” e ora para que os cristãos sejam cheios de alegria, paz e esperança pelo poder do Espírito Santo. Romanos 15:13 .

Portanto, para o cristão, a esperança não é um simples “quem sabe”. Ela é uma certeza baseada na fidelidade de Deus. Mesmo quando não entendemos o que Ele está fazendo, podemos descansar em quem Ele é.

A esperança cristã não é acreditar que tudo acontecerá como desejamos, mas ter a certeza de que, em qualquer situação, Deus continuará conosco — porque nossa esperança não está nas circunstâncias, mas em Cristo, que venceu até mesmo a morte.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

14/jul/26

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