A SEPULTURA NÃO É O FIM

“E aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado.” Lucas 16:22 (NAA).

A morte é uma das poucas certezas da vida, mas, mesmo assim, não gostamos de falar sobre ela. Fazemos planos para o próximo mês, pensamos nas férias, organizamos compromissos, cuidamos da casa, trabalhamos, compramos, vendemos e fazemos projetos para muitos anos. Tudo isso é natural. O problema começa quando planejamos cuidadosamente esta vida e não pensamos na eternidade.

Jesus não evitou esse assunto. Em Lucas 16:19-31, Ele contou a história de dois homens completamente diferentes. Um era rico, vestia-se muito bem e vivia cercado de conforto. O outro se chamava Lázaro, era pobre, estava doente e permanecia à porta do rico esperando até mesmo pelas migalhas que caíam da mesa.

Então aconteceu aquilo que acontece tanto no palácio quanto no barraco, com ricos e pobres, conhecidos e desconhecidos: os dois morreram.

É nesse momento que a narrativa apresenta um contraste impressionante. Sobre Lázaro, Jesus diz que ele morreu e foi levado pelos anjos para junto de Abraão. Sobre o rico, simplesmente afirma que ele morreu e foi sepultado. (Lucas 16:22).

O rico teve sepultura. Lázaro teve acolhimento.

Na terra, talvez muita gente soubesse quem era aquele homem rico. Sua casa chamava atenção, suas roupas demonstravam sua condição e provavelmente seu funeral foi acompanhado por muitas pessoas. Lázaro, ao contrário, passara os seus últimos dias praticamente abandonado à porta daquela casa.

Mas a morte retirou tudo aquilo que separava os dois aos olhos dos homens. Dinheiro, roupas, posição e prestígio ficaram para trás. Diante da eternidade, nada disso podia salvar ninguém.

É importante compreender que o rico não foi condenado simplesmente porque era rico, assim como Lázaro não foi salvo simplesmente porque era pobre. Abraão, mencionado por Jesus nessa mesma narrativa, também havia sido um homem de muitos bens. O problema era muito mais profundo. A vida daquele rico mostrava um coração que podia desfrutar diariamente de abundância enquanto permanecia indiferente ao sofrimento de um homem que estava diante de sua própria porta.

Depois da morte, porém, a situação se inverteu. Lázaro estava consolado, enquanto o rico se encontrava em tormento. Lucas 16:23-25.

Jesus está mostrando algo que nossa geração precisa ouvir: a morte não é o fim da existência.

Hoje, muitas pessoas vivem como se tudo terminasse no cemitério. Preocupam-se em deixar patrimônio, uma boa casa, dinheiro para os filhos, fotografias, lembranças e um nome respeitado. Tudo isso pode ter seu valor, mas existe uma pergunta muito maior: onde estaremos quando tudo isso ficar para trás?

Um dia alguém poderá guardar nossas roupas, outra pessoa poderá dirigir o nosso carro e alguém poderá morar na casa que hoje chamamos de nossa. O dinheiro ficará nas contas, os objetos passarão para outras mãos e nosso nome aos poucos será apenas uma lembrança para algumas pessoas. Porém, nossa existência não termina porque nosso coração parou de bater.

Existe ainda outro ensinamento muito sério nessa narrativa. O rico percebeu tarde demais a importância da salvação. Quando compreendeu a realidade de sua condição, lembrou-se dos cinco irmãos que ainda estavam vivos e desejou que eles fossem advertidos para que não chegassem ao mesmo lugar. (Lucas 16:27-28(.

Ele queria que alguma coisa extraordinária acontecesse. Pensava que, se alguém voltasse dos mortos para falar com seus irmãos, certamente eles se arrependeriam. A resposta de Abraão, porém, foi clara: eles já tinham Moisés e os Profetas; deveriam ouvi-los. (Lucas 16:29).

Aqui está uma das mensagens mais fortes dessa passagem: Deus já nos deu Sua Palavra.

Há pessoas esperando um sinal extraordinário para entregar a vida a Cristo. Dizem: “Um dia vou pensar nisso”, “Quando estiver mais velho vou procurar uma igreja”, “Quando Deus fizer alguma coisa muito grande comigo, então vou crer”.

Mas Deus já falou. Sua Palavra continua sendo anunciada, a igreja tem proclamado o Evangelho, a Bíblia está aberta, Cristo morreu na cruz e ressuscitou, e o convite da salvação continua sendo feito.

Jesus declarou: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.” João 11:25 (NAA). Talvez por isso a pergunta mais importante não seja:  Quando vou morrer?” Ninguém sabe.

A pergunta realmente importante é: “Se minha vida terminasse hoje, onde estaria minha eternidade?”

Lucas 16 nos ensina que, enquanto estamos vivos, podemos ouvir, arrepender-nos, crer e receber a graça de Deus. Depois da morte, porém, o rico descobriu que não havia como atravessar o grande abismo que separava os dois destinos. Lucas 16:26 (NAA).

Por isso, falar sobre a morte não precisa ser uma mensagem de desespero. Para quem está em Cristo, ela pode ser uma mensagem de esperança. Jesus venceu a morte e oferece vida eterna a todo aquele que nEle crê.

A grande tragédia não é saber que um dia morreremos. A grande tragédia é chegar ao fim desta vida tendo recebido tantas oportunidades de conhecer Cristo e descobrir, tarde demais, que passamos a vida inteira preparando tudo para esta terra, mas nada para a eternidade.

A morte pode encerrar nossos planos na terra, mas não encerra nossa existência; por isso, a decisão mais importante da vida precisa ser tomada enquanto ainda temos vida para decidir.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

29/ago/26

 

QUANDO DECIDIMOS SEM CONSULTAR A DEUS

“Então os israelitas aceitaram os alimentos deles e não pediram conselho ao SENHOR.” Josué 9:14 (NAA).

Israel estava vivendo um momento de grandes conquistas. Depois de entrar na Terra Prometida, o povo avançava e via Deus cumprir aquilo que havia prometido. Foi justamente nesse período de vitórias que surgiu um perigo diferente. Dessa vez, o inimigo não apareceu com espada na mão nem com um exército preparado para a batalha. Apareceu com uma história convincente.

Os gibeonitas souberam que Israel avançava pela terra e tiveram medo. Então prepararam uma encenação. Vestiram roupas e sandálias velhas, levaram sacos gastos e alimentos envelhecidos e disseram que vinham de uma terra muito distante. Tudo parecia confirmar a história que contavam. Os olhos dos israelitas viram as roupas, as sandálias e os alimentos, e a conclusão pareceu óbvia: aqueles homens realmente haviam feito uma longa viagem.

O problema não foi apenas terem sido enganados. A Bíblia mostra exatamente onde erraram: não pediram conselho ao SENHOR.” Josué 9:14 (NAA). Eles examinaram aquilo que podiam ver, mas não buscaram Aquele que podia ver aquilo que estava escondido.

Esse episódio continua muito atual. Quantas vezes fazemos a mesma coisa? Uma proposta parece boa, os números parecem vantajosos, as pessoas falam com segurança e tudo ao redor parece confirmar que devemos seguir em frente. Então decidimos rapidamente e somente depois perguntamos: “Senhor, por que isso aconteceu?” Talvez a pergunta devesse ter vindo antes: “Senhor, o que devo fazer?”

Podemos viver isso na escolha de um emprego, numa sociedade comercial, num relacionamento, numa compra importante ou numa decisão familiar. Alguém aparece oferecendo uma oportunidade maravilhosa, dizendo que precisamos responder naquele mesmo dia. A proposta parece imperdível. A pressa aumenta, a emoção fala mais alto e não temos tempo para orar, verificar os fatos nem ouvir pessoas maduras. Depois descobrimos aquilo que a aparência escondia.

Isso não significa que devemos desconfiar de todos ou ter medo de tomar decisões. Significa apenas que nem tudo aquilo que parece bom aos nossos olhos é necessariamente bom para nossa vida.

Nosso próprio coração também pode nos enganar. Jeremias 17:9 (NAA) diz: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto. Quem poderá entendê-lo?” Muitas vezes queremos tanto alguma coisa que começamos a interpretar todos os acontecimentos como confirmação de que Deus também a quer. É possível até orar dessa maneira: “Senhor, confirma aquilo que eu já decidi.”

Mas consultar a Deus é diferente. É chegar diante dEle disposto também a ouvir um não.

Confiar no Senhor exige reconhecer que nossa visão é limitada. Provérbios 3:5-6 (NAA) nos ensina: “Confie no SENHOR de todo o seu coração e não se apoie no seu próprio entendimento. Reconheça o SENHOR em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas.”

Consultar a Deus não significa esperar sempre uma voz audível ou algum sinal extraordinário. Significa orar, buscar nas Escrituras a direção que precisamos, porque Deus fala conosco por meio de Sua Palavra, e examinar se aquilo que pretendemos fazer está de acordo com o que Ele já revelou.

Também significa não agir dominado pela ansiedade, observar os fatos com prudência e, quando necessário, buscar o conselho de pessoas sábias e espiritualmente maduras. Deus nos deu Sua Palavra, mas também nos concedeu inteligência, discernimento e prudência para tomarmos decisões responsáveis diante dEle.

Os israelitas olharam para o pão envelhecido dos gibeonitas e acharam que já possuíam informações suficientes. Três dias depois descobriram que haviam sido enganados e que aqueles homens moravam perto deles. A decisão já havia sido tomada e uma aliança havia sido feita.

Há decisões que levam apenas alguns minutos para serem tomadas, mas cujas consequências podem permanecer durante anos.

Por isso, antes de assinar, pergunte. Antes de aceitar, ore. Antes de iniciar um relacionamento, busque direção. Antes de tomar uma decisão que afetará sua família, não deixe Deus para o final da conversa.

A grande lição de Josué 9 não é simplesmente que existem pessoas capazes de nos enganar. É que podemos ser enganados com muito mais facilidade quando confiamos somente naquilo que nossos olhos conseguem perceber.

Os israelitas tinham experiência, liderança e provas diante deles. Faltou o mais importante: consultar o Senhor. Que não aconteça conosco.

Quando não soubermos o que fazer, podemos reconhecer humildemente nossa limitação e buscar a direção de Deus. Às vezes, Ele confirmará aquilo que desejamos. Em outras, fechará uma porta que parecia excelente. E pode acontecer de somente muito tempo depois compreendermos por que Ele não permitiu que seguíssemos pelo caminho que parecia tão certo.

Nem tudo o que parece certo aos nossos olhos deve conduzir os nossos passos; antes de decidir, precisamos buscar em Deus a direção, confiando nAquele que vê o que ainda não conseguimos enxergar.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

28/ago/26

 

AINDA HÁ TEMPO PARA DAR FRUTO

“Senhor, deixe-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e ponha estrume. Se vier a dar fruto, muito bem. Se não der fruto, o senhor poderá cortá-la.” Lucas 13:8-9 (NAA).

A vida é um presente de Deus. Cada manhã em que abrimos os olhos significa que recebemos mais um dia, mais uma oportunidade para amar, perdoar, corrigir caminhos, aproximar-nos do Senhor e produzir frutos que revelem aquilo que Ele está fazendo em nós.

Em Lucas 13, Jesus contou a história de um homem que tinha uma figueira plantada em sua vinha. Durante três anos, ele procurou frutos naquela árvore e não encontrou. A figueira estava em boa terra, ocupava um lugar privilegiado e recebia cuidados, mas continuava estéril. O problema não era falta de oportunidade; era ausência de resultado.

Essa parábola aparece logo depois de Jesus falar sobre duas tragédias: alguns galileus haviam sido mortos por Pilatos e dezoito pessoas morreram quando a torre de Siloé caiu sobre elas. Em vez de permitir que Seus ouvintes discutissem se aquelas pessoas eram mais pecadoras do que as outras, Jesus voltou a atenção para quem ainda estava vivo e advertiu: se, porém, não se arrependerem, todos vocês também perecerão.” Lucas 13:3 (NAA).

A mensagem era clara: em vez de perguntar por que a vida de alguém terminou, precisamos perguntar o que estamos fazendo com a vida que Deus ainda nos concede.

A figueira havia recebido tempo, espaço e cuidado, mas o dono procurava fruto. Isso também nos faz pensar sobre nossa vida espiritual.

Podemos frequentar uma igreja durante muitos anos, conhecer muitos versículos, cantar louvores, participar de reuniões e até ocupar funções, mas Deus não procura apenas folhas de aparência religiosa. Ele procura frutos.

Esses frutos aparecem na maneira como tratamos nossa família, na honestidade com que trabalhamos, na disposição para perdoar, no abandono do pecado, no amor ao próximo, na humildade para reconhecer nossos erros e no desejo de obedecer à Palavra de Deus.

Alguém pode dizer: “Estou na igreja há vinte anos.” A pergunta da parábola não é apenas há quanto tempo estamos plantados. A pergunta é: que frutos esse tempo produziu em nós?

Uma pessoa que antes era dominada pela ira está aprendendo a controlar suas palavras? Alguém que guardava ressentimento começou a perdoar? Quem vivia apenas para si passou a perceber a necessidade do próximo? Quem estava distante de Deus começou a buscar Sua presença? Isso é fruto.

Há, porém, uma das frases mais bonitas da parábola. Quando o dono manda cortar a figueira, o homem que cuidava da vinha pede: Senhor, deixe-a ainda este ano.” Essa expressão fala de misericórdia.

A figueira merecia ser cortada, mas recebeu mais tempo. O viticultor ainda cavaria ao redor dela, colocaria adubo e voltaria a cuidar de suas raízes. Havia uma nova oportunidade.

Quantas vezes Deus também fez isso conosco! Houve momentos em que erramos, prometemos mudar e voltamos a cometer os mesmos erros. Mesmo assim, recebemos outra manhã, outra Palavra, outra oportunidade de oração, outro culto, outro conselho, outra ocasião para recomeçar.

Algumas vezes, Deus permite que determinadas circunstâncias mexam profundamente conosco. Uma conversa pode nos despertar. Uma pregação pode revelar algo escondido. Uma perda pode fazer-nos repensar prioridades. Uma enfermidade pode lembrar-nos da fragilidade da vida. Até uma crise pode fazer com que raízes endurecidas sejam novamente alcançadas. É como se a terra estivesse sendo cavada ao redor da figueira. Nem sempre esse processo é confortável, mas pode ser uma expressão da misericórdia de Deus trabalhando em nós.

Jesus ensinou posteriormente: “Eu sou a videira, vocês são os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim vocês não podem fazer nada.” João 15:5 (NAA).

Aqui está o segredo. Não produzimos fruto simplesmente fazendo força para parecermos melhores. O verdadeiro fruto nasce de uma vida ligada a Cristo. Quanto mais permanecemos nEle, ouvimos Sua Palavra e permitimos que Ele transforme nosso coração, mais Sua vida aparece em nossas atitudes.

Mas a parábola também contém uma advertência. O viticultor pediu mais um ano, não tempo ilimitado. A oportunidade recebida deveria produzir uma resposta.

Por isso, não devemos transformar a paciência de Deus numa desculpa para adiar decisões. “Um dia vou mudar.” “Depois procurarei o Senhor.” “Mais tarde abandonarei esse pecado.” “Quando tiver mais tempo, cuidarei da minha vida espiritual.” Ninguém sabe quanto tempo ainda possui.

Hoje estamos vivos. Hoje podemos nos arrepender. Hoje podemos pedir perdão. Hoje podemos abandonar aquilo que desagrada a Deus. Hoje podemos entregar nossa vida a Jesus.

Talvez você olhe para os últimos anos e perceba poucos frutos. Não use isso apenas para se condenar. Enquanto Deus lhe concede este dia, existe oportunidade para recomeçar.

A grande pergunta da parábola não é: Quanto tempo ainda me resta?” É: Que fruto estou produzindo no tempo que Deus está me dando?”

Cada novo dia é misericórdia, mas também responsabilidade. A figueira recebeu mais tempo porque ainda havia esperança de fruto. E enquanto Deus nos concede hoje, ainda há tempo para responder à Sua graça.

Cada novo dia não é apenas mais tempo de vida; é mais uma oportunidade que a misericórdia de Deus nos concede para que nossas raízes sejam tratadas, nossa vida seja transformada e os frutos que Ele espera finalmente apareçam.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

27/ago/26

 

QUANDO O PECADO ESCONDIDO ROUBA A VITÓRIA

Há coisas condenadas no meio de vocês, ó Israel. Vocês não poderão resistir aos seus inimigos enquanto não eliminarem do meio de vocês as coisas condenadas.” Josué 7:13 (NAA).

Israel vinha de uma vitória extraordinária. Jericó, uma cidade cercada por grandes muralhas, havia sido conquistada pelo poder de Deus. Depois de uma experiência tão marcante, enfrentar a pequena cidade de Ai parecia uma tarefa simples. Os homens enviados para observar o lugar chegaram a recomendar que nem todo o exército fosse mobilizado.

Mas aconteceu aquilo que ninguém esperava: Israel foi derrotado. Cerca de trinta e seis homens morreram, os demais fugiram e o povo perdeu a coragem. Josué ficou profundamente abatido e se colocou diante do Senhor tentando compreender o que havia acontecido.

Então Deus mostrou que o verdadeiro problema não estava no tamanho do inimigo nem na estratégia militar. O problema estava dentro do próprio povo.

Acã havia desobedecido à ordem de Deus. Quando viu entre os despojos de Jericó uma bela capa, prata e ouro, desejou aquelas coisas, tomou-as para si e as escondeu debaixo da terra, dentro de sua tenda. Para os outros, tudo parecia normal. Acã continuava no meio do povo como se nada tivesse acontecido. Mas Deus sabia.

E aqui encontramos uma das lições mais sérias desse episódio: o pecado de um homem trouxe consequências para muitos. Acã pecou escondido, mas Israel perdeu a batalha diante de todos. Aquilo que estava enterrado debaixo de uma tenda apareceu, em seus efeitos, no campo de batalha.

Às vezes pensamos que nossas escolhas dizem respeito somente a nós. Mas um pai pode tomar uma decisão errada e ferir toda a família. Uma pessoa desonesta pode prejudicar uma empresa inteira. Uma liderança irresponsável pode causar sofrimento a uma comunidade. Uma mágoa alimentada dentro de casa pode contaminar relacionamentos durante anos.

O pecado pode começar no segredo, mas suas consequências nem sempre permanecem secretas.

Quando aquilo que Acã havia escondido foi descoberto, a situação tornou-se ainda mais grave. O texto bíblico registra que foram levados ao vale de Acor Acã, seus filhos e suas filhas, seus bois, jumentos e ovelhas, sua tenda e tudo o que possuía. O juízo alcançou não apenas aquilo que ele havia roubado, mas sua casa e seus bens. Josué então lhe disse: “Por que você trouxe esta calamidade sobre nós? O Senhor hoje trará calamidade sobre você.” Josué 7:25 (NAA).

Que cena séria! Acã talvez tenha imaginado que estava escondendo apenas uma capa, prata e ouro. Na verdade, estava levando para dentro de sua casa algo que Deus havia condenado. Isso nos faz perguntar: o que estamos permitindo entrar em nossa “tenda”?

Hoje talvez não seja uma capa babilônica nem uma barra de ouro. Pode ser uma mentira que mantemos escondida, um relacionamento que sabemos ser errado, desonestidade financeira, pornografia, uma mágoa alimentada durante anos, inveja, orgulho, falta de perdão ou algum hábito que sabemos claramente não agradar a Deus.

Por fora, a vida pode continuar normalmente. A pessoa trabalha, conversa, frequenta a igreja, canta, participa das reuniões e até fala sobre Deus. Mas alguma coisa permanece escondida no coração.

É importante fazer uma observação: nem toda dificuldade significa que exista um pecado secreto. Nem toda enfermidade, problema financeiro ou período difícil é consequência direta de uma desobediência. A própria Bíblia mostra servos fiéis enfrentando provações.

Entretanto, Josué 7 nos ensina que, quando sabemos que existe algo contrário à vontade de Deus e insistimos em conservá-lo, não podemos imaginar que isso não afetará nossa vida espiritual.

Às vezes perguntamos: “Por que não consigo vencer? Por que minha vida espiritual não avança? Por que perdi a alegria de servir ao Senhor?” Talvez, antes de procurarmos o problema em Ai, seja necessário olhar para dentro da tenda.

Há momentos em que pedimos que Deus mude nossas circunstâncias, enquanto Ele quer primeiro tratar nosso coração. Pedimos paz, mas continuamos alimentando ressentimentos. Pedimos restauração da família, mas não queremos pedir perdão. Pedimos crescimento espiritual, mas mantemos hábitos que nos afastam de Deus. O caminho não é esconder ainda melhor. O caminho é confessar.

A maravilhosa diferença para nós é que, em Cristo, encontramos perdão e restauração: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” 1 João 1:9 (NAA).

Deus não nos chama para viver escondendo aquilo que precisa ser tratado. Ele nos chama ao arrependimento, à confissão e a uma vida nova em Cristo.

Isso também serve para a igreja. Uma igreja não cresce espiritualmente apenas porque possui muitas pessoas, boa música, grandes programações ou muitos recursos. O verdadeiro crescimento acontece quando Cristo está no centro, Sua Palavra é obedecida e existe disposição para abandonar aquilo que Ele condena. Às vezes queremos novas estratégias, enquanto Deus está pedindo santidade.

Queremos vencer Ai, mas Deus está apontando para a tenda. Por isso, talvez hoje nossa oração precise ser: “Senhor, mostra-me se existe alguma coisa em minha vida que precisa ser retirada.”

Se Deus mostrar, não esconda. Confesse, abandone e coloque diante dEle. Porque aquilo que escondemos pode impedir nossos passos, mas aquilo que entregamos ao Senhor pode ser alcançado por Sua graça.

O pecado de Acã estava escondido numa tenda, mas suas consequências apareceram no campo de batalha. Aquilo que escondemos debaixo da terra pode impedir nossa caminhada; aquilo que confessamos diante de Deus pode encontrar perdão, purificação e um novo começo em Cristo.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

26/ago/26

 

O BOM SOLDADO NÃO VAI PARA A BATALHA DESARMADO

“Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo.” Efésios 6:11 (NAA).

Comemoramos hoje em nosso país o Dia do Soldado. Quando pensamos em um soldado, algumas palavras logo vêm à mente: disciplina, preparo, coragem, obediência, vigilância e disposição para enfrentar dificuldades. Ninguém se torna um bom soldado simplesmente porque veste uma farda. É necessário treinamento, compromisso e capacidade de permanecer firme quando chegam os momentos difíceis.

A Bíblia também usa a figura do soldado para falar da vida cristã. Paulo escreveu a Timóteo: “Participe dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus.” 2 Timóteo 2:3 (NAA).

Isso nos ensina que seguir Jesus não significa viver sem lutas. Pelo contrário, existe uma batalha espiritual acontecendo todos os dias. Nossos maiores inimigos nem sempre são pessoas, como Paulo deixa claro: “Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais.” Efésios 6:12 (NAA).

Por isso, lutamos contra tentações, desânimo, medo, incredulidade, orgulho, mágoas, pensamentos errados e tudo aquilo que procura nos afastar de Deus. A batalha é espiritual e, justamente por essa razão, não pode ser vencida apenas com recursos humanos; precisamos da armadura que o próprio Deus coloca à nossa disposição.

Por essa razão, Paulo nos apresenta, em Efésios 6, a armadura de Deus.

O primeiro elemento é o cinturão da verdade. Um bom soldado de Cristo precisa amar a verdade. Vivemos numa época em que opiniões muitas vezes são tratadas como se fossem fatos e mentiras são repetidas até parecerem verdadeiras. O cristão precisa permanecer firmado na Palavra de Deus, porque não podemos vencer uma batalha espiritual alimentando nossa mente com aquilo que é falso.

Depois vem a couraça da justiça. A couraça protegia regiões vitais do soldado. Espiritualmente, ela nos lembra de uma vida que procura agradar a Deus. Não basta dizer que somos cristãos; nossas escolhas precisam confirmar aquilo que confessamos. No trabalho, em casa, na igreja, no trânsito e até quando ninguém está olhando, somos chamados a viver com integridade.

Paulo também fala dos pés calçados com a preparação do evangelho da paz. O soldado de Cristo não leva ódio por onde passa. Ele leva o Evangelho. Onde existe desespero, anuncia esperança; onde existe culpa, fala do perdão; onde existe alguém perdido, apresenta Jesus.

Há ainda o escudo da fé. Antigamente, o escudo protegia o soldado das flechas lançadas contra ele. Também recebemos muitas “flechas” durante a vida: notícias ruins, enfermidades, problemas familiares, dificuldades financeiras, decepções e pensamentos que dizem que Deus Se esqueceu de nós. A fé não significa fingir que essas coisas não existem. Significa continuar confiando em Deus mesmo quando não compreendemos o que está acontecendo.

O capacete da salvação protege a mente. Quantas batalhas são travadas primeiro dentro dos nossos pensamentos! O inimigo tenta produzir culpa, medo, dúvida e desânimo. Por isso, precisamos lembrar continuamente quem somos em Cristo e aquilo que Ele fez por nós.

Finalmente, Paulo apresenta a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus. Jesus mostrou isso quando foi tentado no deserto. Diante das tentações, respondeu com a Palavra. Um cristão que não conhece a Bíblia é como um soldado que entra numa batalha sem conhecer sua arma.

Mas há algo importante: nenhuma dessas peças funciona adequadamente sem comunhão com Deus. Por isso, depois de falar da armadura, Paulo ensina sobre oração. O soldado precisa permanecer em contato com Aquele que dirige a batalha.  “..._orando em todo tempo com toda oração e súplica no Espírito e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por todos os santos...” Efésios 6:18 (ARC)

Ser um bom soldado de Cristo também exige disciplina. Há dias em que teremos vontade de orar e outros em que precisaremos orar mesmo sem vontade. Haverá momentos em que será fácil obedecer e outros em que obedecer custará alguma coisa. O bom soldado não abandona seu posto simplesmente porque o dia ficou difícil.

Talvez hoje alguém esteja cansado. Talvez esteja atravessando uma batalha que ninguém conhece. A orientação de Deus não é: “Você precisa ser forte sozinho.” A orientação é: vista a Minha armadura. Nossa segurança não está em nossa própria força, mas na força que recebemos do Senhor.

Neste Dia do Soldado, podemos reconhecer com respeito aqueles que servem à sociedade nessa missão, mas também devemos lembrar que todo cristão foi chamado para uma batalha espiritual.

Precisamos permanecer vigilantes, firmes na verdade, protegidos pela justiça, sustentados pela fé, conscientes da salvação, levando o Evangelho e usando corretamente a Palavra de Deus.

Um bom soldado não é aquele que nunca sente medo, nunca se cansa ou nunca enfrenta dificuldades. É aquele que, mesmo em meio à batalha, permanece no lugar onde seu comandante o colocou. E nosso Comandante é Cristo. Enquanto permanecermos nEle, poderemos enfrentar a luta sabendo que não estamos sozinhos.

O bom soldado de Cristo não vence porque confia na própria força, mas porque permanece vestido com a armadura de Deus, firmado em Sua Palavra e obediente Àquele que o chamou para a batalha.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

25/ago/26

 

O PASSADO NÃO PODE SER UMA PRISÃO

“Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia... Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Eu disse: ‘Confessarei ao Senhor as minhas transgressões’; e Tu perdoaste a iniquidade do meu pecado.” Salmos 32:3, 5 (NAA).

A culpa pode construir prisões que ninguém consegue ver. Não existem grades, cadeados ou muros, mas quem vive dentro delas sabe como é difícil escapar. A pessoa continua trabalhando, conversando, indo à igreja, cuidando da família e realizando suas tarefas, porém carrega dentro de si o peso de alguma coisa que fez e gostaria de poder apagar.

Davi conheceu essa experiência. Ele havia pecado e tentou conviver com aquilo em silêncio. O problema é que o pecado escondido não ficou apenas no passado; começou a afetar o presente. Davi descreve seu sofrimento de maneira muito forte: enquanto se calava, sentia até seus ossos envelhecerem. A consciência acusava, a alegria desaparecia e aquilo que ele tentava esconder diante dos outros continuava completamente aberto diante de Deus.

Há uma diferença importante entre a culpa que nos leva ao arrependimento e a culpa que nos mantém presos. Quando o Espírito Santo nos mostra que erramos, Ele não faz isso simplesmente para nos destruir. Ele nos convence para que reconheçamos o pecado, confessemos, recebamos o perdão e mudemos de direção. O arrependimento olha para o erro e diz: “Eu pequei e preciso voltar para Deus.” A culpa sem esperança olha para o mesmo erro e diz: “Eu pequei e nunca mais poderei ser diferente.”

Muitas pessoas vivem assim durante anos. Um pai se lembra de palavras duras que disse aos filhos quando eram pequenos e pensa que jamais poderá reparar aquilo. Uma mãe se culpa por decisões tomadas na criação dos filhos. Alguém se recorda de um casamento que terminou, de uma amizade destruída, de uma oportunidade desperdiçada, de uma mentira, de uma traição ou de uma escolha feita num momento de fraqueza. O acontecimento terminou há muito tempo, mas dentro da pessoa continua acontecendo todos os dias. É como assistir repetidamente ao mesmo filme e desejar mudar o final.

Davi descobriu que a saída daquela prisão começava com uma decisão: parar de esconder. Ele confessou seu pecado ao Senhor e recebeu perdão. O passado não deixou de existir, mas deixou de governá-lo da mesma maneira.

A Palavra nos dá esta segurança: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” 1 João 1:9 (NAA).

Observe que Deus não diz que talvez perdoe. Ele promete perdão àquele que confessa verdadeiramente seu pecado. Isso não significa apenas pronunciar algumas palavras. Confessar é reconhecer diante de Deus aquilo que fizemos, abandonar as desculpas e nos colocar diante dEle com sinceridade. Talvez alguém diga: “Mas eu não consigo me perdoar.”

Essa frase parece humilde, mas precisa ser examinada à luz da graça. Se Deus perdoou aquilo que confessamos sinceramente, por que insistimos em continuar pronunciando sobre nós mesmos uma sentença que Ele já retirou? Em Cristo, não precisamos viver tentando pagar uma dívida que Ele já pagou.

A Bíblia declara: “Agora, pois, já não existe nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus.” Romanos 8:1 (NAA).

Isso não significa que todas as consequências de nossos erros desaparecerão. Algumas escolhas deixam marcas. Uma palavra pode precisar de um pedido de perdão. Uma dívida talvez tenha de ser paga. Um relacionamento pode precisar de tempo para ser reconstruído. Há situações que nunca voltarão exatamente a ser como eram. Mas existe uma diferença enorme entre enfrentar as consequências de um erro e viver debaixo de condenação.

Deus pode usar até as marcas do passado para produzir maturidade. A pessoa que um dia feriu alguém pode tornar-se mais cuidadosa com suas palavras. Quem administrou mal seus recursos pode aprender responsabilidade. Quem perdeu relacionamentos por orgulho pode aprender humildade. Quem se afastou de Deus pode descobrir o valor de permanecer perto dEle. A graça não transforma o pecado em algo pequeno. Ela mostra que o perdão de Deus é maior.

Também precisamos compreender que não podemos mudar aquilo que aconteceu ontem, mas podemos decidir o que faremos hoje. O inimigo gosta de apontar continuamente para o passado e dizer: “Veja o que você fez.” Cristo aponta para a cruz e nos lembra do que Ele fez.

Talvez exista alguma lembrança que ainda governe suas emoções. Talvez ninguém saiba, mas você sabe. E Deus também sabe.

Se existe pecado ainda não confessado, não o esconda. Leve-o ao Senhor com sinceridade. Se for necessário pedir perdão a alguém, peça. Se houver algo que possa ser reparado, procure reparar. Mas, depois de confessar e receber o perdão de Deus, não continue morando numa prisão cuja porta Cristo já abriu.

Davi entrou no Salmo 32 carregando o peso do silêncio e saiu celebrando a alegria do perdão. Você também pode sair. Porque o passado pode explicar algumas de nossas cicatrizes, mas, nas mãos de Deus, não precisa determinar nosso futuro.

A culpa nos mantém olhando para aquilo que fizemos; a graça nos faz olhar para aquilo que Cristo fez. Quando Deus perdoa, o passado deixa de ser uma prisão e pode tornar-se uma lembrança da grandeza de Sua misericórdia.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

24/ago/26

 

QUANDO O MAL ENCONTRA A PORTA FECHADA

“..._e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [pois Teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém]!” Mateus 6:13 (NAA).

Jesus encerra a oração do Pai Nosso ensinando-nos a reconhecer uma realidade que não podemos ignorar: somos fracos e precisamos diariamente da proteção de Deus. Depois de pedir o pão, o perdão e aprender a perdoar, chegamos ao último pedido: não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal.

Isso não significa que Deus nos tenta para nos fazer pecar. A Bíblia afirma: “Ninguém, ao ser tentado, diga: ‘Sou tentado por Deus.’ Porque Deus não pode ser tentado pelo mal e Ele mesmo não tenta ninguém.” Tiago 1:13 (NAA).

Portanto, quando pedimos não nos deixes cair em tentação, estamos dizendo: “Pai, conheço minha fraqueza. Guarda-me. Não permitas que eu caminhe sozinho por lugares onde minha fé poderá ser vencida. Dá-me sabedoria para reconhecer o perigo e força para fugir dele.”

Há uma grande diferença entre confiar em Deus e confiar excessivamente em nós mesmos. Muitas quedas começam quando alguém pensa: “Comigo isso nunca acontecerá.” A pessoa acredita que é suficientemente forte para permanecer perto daquilo que a tenta sem cair. Jesus nos ensina exatamente o contrário. Ele nos ensina a reconhecer nossa fragilidade.

Foi por isso que, no Getsêmani, disse aos discípulos: Vigiem e orem, para que não caiam em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” Mateus 26:41 (NAA).

Observe as duas palavras: vigiar e orar.

Não basta orar e continuar entrando voluntariamente em situações que sabemos que podem nos derrubar. Se determinada conversa sempre termina em fofoca, precisamos ter cuidado. Se determinadas companhias nos afastam de Deus, precisamos estabelecer limites. Se o celular abre portas para conteúdos que alimentam pensamentos errados, precisamos vigiar aquilo que vemos. Se sabemos que nossa fraqueza é a raiva, devemos evitar responder no momento em que estamos dominados pela emoção. Às vezes pedimos: Senhor, livra-me da tentação, mas continuamos deixando aberta a porta por onde ela costuma entrar.

Em nossos dias, precisamos ter atenção especial com as redes sociais. Elas podem ser instrumentos úteis, mas também podem colocar diante dos nossos olhos, todos os dias, conteúdos, conversas e relacionamentos capazes de alimentar aquilo que deveríamos evitar. Uma imagem pode despertar um desejo errado; uma conversa aparentemente inocente pode ultrapassar limites; a comparação constante com a vida dos outros pode alimentar inveja, insatisfação e orgulho; uma discussão pode despertar ira; e a facilidade de falar sem estar diante da pessoa pode nos levar a dizer aquilo que jamais diríamos frente a frente.

Por isso, vigiar também significa saber o que vemos, quem seguimos, com quem conversamos e quanto tempo permitimos que as redes ocupem nossa mente. Não faz sentido pedir a Deus que nos livre daquilo que continuamos procurando ou manter aberta uma porta que sabemos para onde nos conduz.

Em determinadas situações, o livramento de Deus pode estar justamente na decisão de deixar de seguir alguém, encerrar uma conversa, bloquear determinado conteúdo, desligar o celular ou simplesmente afastar-se daquilo que percebemos estar enfraquecendo nossa comunhão com Ele.

A oração não substitui a vigilância. A oração nos dá força para vigiar e coragem para fechar as portas que não deveriam permanecer abertas.

Também existem tentações muito comuns em nossos dias. Um funcionário pode ter a oportunidade de conseguir vantagem através de algo desonesto e pensar: “Ninguém descobrirá.” Uma pessoa casada pode começar uma conversa aparentemente inocente e perceber, aos poucos, que está ultrapassando limites. Alguém ofendido pode sentir vontade de responder imediatamente nas redes sociais. Outro pode receber dinheiro a mais por engano e decidir ficar calado. É nesses momentos comuns da vida que Mateus 6:13 se torna uma oração profundamente atual: Pai, não me deixes cair.”

A tentação normalmente não se apresenta dizendo: “Estou aqui para destruir sua vida.” Muitas vezes ela começa oferecendo algo agradável, fácil ou aparentemente sem importância. O problema é que pequenos passos podem nos levar para muito longe de onde imaginávamos chegar. Por isso precisamos diariamente da direção de Deus. Mas Jesus não ensina apenas a pedir que não caiamos. Ele acrescenta: mas livra-nos do mal”.

Existem batalhas das quais precisamos ser guardados antes mesmo de perceber o perigo. Há situações que Deus impede, caminhos que Ele fecha, encontros que não acontecem e circunstâncias das quais Ele nos livra sem que jamais saibamos.

Outras vezes, o livramento acontece no meio da própria tentação.

Paulo escreve: “Não sobreveio a vocês nenhuma tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar; pelo contrário, juntamente com a tentação proverá livramento, para que vocês a possam suportar.” 1Coríntios 10:13 (NAA).

Isso é maravilhoso. A tentação pode aparecer, mas Deus continua presente. Existe uma saída. Talvez seja desligar o telefone, sair daquele lugar, encerrar uma conversa, recusar uma proposta, procurar alguém de confiança, começar a orar ou simplesmente dizer não enquanto ainda podemos dizer não.

Muitas vezes queremos que Deus retire a tentação, enquanto Ele está nos mostrando a porta pela qual devemos fugir dela.

Também chama a atenção que Jesus continua usando o plural. Ele não diz apenas não me deixes cair ou livra-me, mas não nos deixes e livra-nos.

Mais uma vez aparece a comunhão. A vida cristã não foi feita para ser vivida sozinha. Precisamos orar uns pelos outros, cuidar uns dos outros e ajudar nossos irmãos quando percebemos que estão enfraquecendo. Às vezes, o livramento de Deus chega através de uma palavra, de um conselho, de uma oração ou de um irmão que percebe o perigo antes de nós.

E a oração termina voltando para onde começou: Deus.

Começamos dizendo Pai nosso e terminamos reconhecendo que dEle são o Reino, o poder e a glória.

Isso nos lembra de que nossa segurança não está em nossa força, mas na força dEle. Não vencemos porque somos incapazes de cair. Vencemos porque aprendemos a vigiar, orar, fugir do mal e depender diariamente de Deus.

Talvez essa seja a grande lição do último pedido do Pai Nosso: não devemos ter vergonha de reconhecer nossa fraqueza; perigoso é imaginar que não precisamos da proteção de Deus.

Todos os dias podemos começar dizendo: Pai, guia meus passos, guarda meus olhos, minhas palavras, meus pensamentos e minhas decisões. Mostra-me o perigo antes que eu caia e, quando o mal se aproximar, dá-me sabedoria para reconhecer a saída que Tu preparaste.”

A oração termina, mas a dependência continua.

A maior segurança do cristão não está em acreditar que é forte demais para cair, mas em saber que é fraco o suficiente para precisar de Deus e amado o suficiente para encontrar nEle o livramento.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

23/ago/26

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