“E, tendo dito isto, clamou em alta voz:
— Lázaro, venha para fora!” João 11:43 (NAA)
Há momentos em que
o povo de Deus olha para o mundo e pensa que o Senhor está demorando. Vemos
violência, frieza espiritual, apostasia, sofrimento, doenças, famílias aflitas
e muitos corações cansados. Em tempos assim, surge a pergunta: por que Jesus
ainda não veio? João 11 nos ajuda a pensar nisso de forma muito profunda. A
ressurreição de Lázaro não fala apenas de um milagre do passado. Em sentido
ilustrativo, ela também nos permite contemplar algo da esperança da igreja na
volta de Cristo.
Quando Jesus
recebeu a notícia de que Lázaro estava enfermo, ele poderia ter ido
imediatamente. Poderia ter chegado antes da morte. Poderia ter impedido o
sofrimento de Marta e Maria. No entanto, o texto mostra que ele permaneceu
ainda dois dias onde estava. Aos olhos humanos, aquilo parecia demora. Parecia
silêncio. Parecia ausência. Só que, do ponto de vista de Deus, nada estava fora
do controle. Jesus não perdeu o momento. Jesus estava conduzindo tudo para uma
manifestação maior da glória de Deus.
Quando finalmente
chegou a Betânia, Lázaro já estava havia quatro dias no túmulo. Para a família,
a esperança já tinha se encerrado. O quadro era irreversível. O cheiro da morte
já confirmava, aos olhos humanos, que não havia mais o que esperar. E é exatamente
nesse cenário que a glória de Cristo se manifesta. Isso nos ensina uma verdade
preciosa: o Senhor nunca chega atrasado. Ele chega no tempo certo. O
relógio do céu nunca falha.
De forma
ilustrativa, podemos olhar para esses quatro dias e pensar no avanço do tempo
profético. Não como uma doutrina fechada tirada diretamente do texto, e sim
como uma analogia espiritual. Assim como Lázaro permaneceu quatro dias no
sepulcro até a chegada do Senhor, a igreja atravessa o tempo determinado por
Deus até o momento da manifestação final de Cristo. Para muitos, a volta de
Jesus parece tardia. Para os céus, tudo caminha dentro do propósito perfeito. O
Senhor sabe o dia, a hora e o momento exato em que sua voz romperá o silêncio
deste mundo.
Há um ponto muito
bonito nessa comparação. Lázaro foi tirado do túmulo pela palavra de Cristo.
Analogamente, a igreja será tirada deste mundo pelo chamado do mesmo Senhor.
Aquele homem saiu do lugar da morte porque ouviu a voz de Jesus. E a igreja, no
grande dia, também será chamada para fora.
Hoje ela vive
cercada por lutas, tentações, lágrimas e limitações. Muitas vezes parece
sufocada por um mundo que rejeita Deus. Só que chegará o momento em que o
Senhor chamará os seus para fora de toda corrupção, de toda dor e de toda
prisão terrena.
Isso traz muito
consolo para os nossos dias. Há pessoas que oram há anos por um filho desviado.
Há crentes fiéis que sofrem enfermidades prolongadas. Há irmãos que veem a
maldade crescer e se perguntam até quando. Há servos de Deus que sentem como se
tudo estivesse parado. João 11 nos lembra que o aparente atraso de Jesus nunca
significa abandono. O silêncio de hoje não cancela o agir de amanhã. O fato de
Cristo ainda não ter vindo não quer dizer que ele esqueceu sua igreja. Quer
dizer apenas que o plano ainda não chegou ao ponto final.
Marta tinha uma fé
voltada para o futuro. Ela disse que sabia que Lázaro havia de ressurgir na
ressurreição do último dia. Então Jesus lhe mostrou que a esperança não está
apenas em um acontecimento futuro, e sim nele mesmo. Em João 11:25 (NAA), ele
declara: “Eu sou a ressurreição e a vida.” Essa palavra muda
tudo. A nossa esperança está em Cristo. Ele
é o centro de tudo. Ele é a garantia da vida. Ele é a segurança da igreja. Ele
é o Senhor que tem poder sobre o túmulo e também sobre o fim da história.
Quando Jesus mandou
tirar a pedra, mostrou que nada pode impedir seu agir. A pedra não impediu. O
sepulcro não impediu. O quarto dia não impediu. O cheiro da morte não impediu.
Da mesma forma, no grande dia, nada impedirá a ação final de Cristo. Nem a morte,
nem a terra, nem o tempo, nem a corrupção, nem o sofrimento, nem a oposição do
mundo. Quando ele chamar sua igreja, ninguém poderá reter aqueles que pertencem
a ele.
Por isso, João 11
não é apenas a história de um morto que voltou à vida. É também uma janela de
esperança. O Cristo que chamou Lázaro para fora é o mesmo que um dia chamará
sua igreja. Aquele que entrou em Betânia no momento certo virá também no tempo
certo. E quando sua voz ecoar, não haverá sepulcro que resista, não haverá
noite que permaneça, não haverá dor que continue. O Senhor tirará seu povo de
toda miséria deste mundo e o levará para a plenitude da vida com Ele.
A demora de Cristo
nunca é descuido; é apenas o silêncio que antecede o dia em que sua voz chamará
os seus para fora de toda morte e para dentro da glória eterna.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
04/abr/26