“Jesus disse
outra vez: ‘Paz seja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu também envio
vocês.’” João 20:21 (NAA)
Nos últimos dias,
muitas cidades de nossa região enfrentaram momentos muito difíceis. As
enchentes deixaram um cenário que entristece o coração. Casas destruídas,
móveis perdidos, famílias tentando recomeçar entre a lama e os destroços. Quem
passa por esses lugares percebe rapidamente que não se trata apenas de perdas
materiais. Há também dor, medo e um sentimento profundo de desamparo.
Em situações assim,
surge uma pergunta importante: qual deve ser a atitude da igreja? O
evangelho nos dá uma resposta muito clara.
Essa frase revela
uma verdade profunda. A igreja não foi chamada apenas para ouvir o evangelho.
Foi chamada para continuar a missão de Cristo no mundo. Jesus veio trazendo
salvação, esperança e cuidado pelos que sofrem. Ele alimentou os famintos,
consolou os aflitos, tocou os doentes e acolheu os esquecidos. Quando Ele diz “eu
envio vocês”, Ele está dizendo que sua obra continua através de seu
povo, de sua igreja.
É exatamente isso
que vemos acontecer em momentos de crise. Enquanto muitos choram suas perdas, a
igreja se levanta como instrumento de Deus para socorrer e restaurar vidas.
Irmãos se mobilizam. Doações começam a chegar. Pessoas simples, movidas pelo
amor de Cristo, começam a repartir aquilo que têm.
Caixas com kits de
comida são preparadas e distribuída. Produtos de higiene chegam às mãos de
famílias que perderam tudo. Móveis e utensílios são doados para ajudar no
recomeço de muitos lares. Materiais de construção começam a aparecer para que
casas possam ser reconstruídas. Cada gesto desses carrega algo maior do que
ajuda material. Carrega o testemunho do amor de Deus.
A solidariedade da
igreja se torna um sermão vivo. Muitas vezes, quem recebe uma cesta de
alimentos percebe algo muito importante: Deus não se esqueceu de mim.
Esse cuidado lembra
o que a Bíblia ensina em muitos lugares. Em Gálatas 6:10 (NAA) lemos: “Por
isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente
aos da família da fé.” A igreja cuida de seus irmãos, sem dúvida.
Porém, o amor de Cristo também nos leva a cuidar de toda a comunidade ao nosso
redor.
Quando uma cidade
sofre, a igreja não se esconde. Ela se levanta. Quando as águas baixam e a lama
aparece, o povo de Deus coloca as mãos no trabalho. Esse movimento revela algo
muito bonito: a presença de Cristo continua sendo vista no mundo através da
vida de seus discípulos.
Cada alimento
entregue, cada abraço dado, cada oração feita, cada gesto de solidariedade
aponta para o mesmo evangelho que anunciamos com palavras. E há algo ainda mais profundo nisso tudo.
Jesus não enviou
seus discípulos apenas para falar sobre o amor de Deus. Ele os enviou para
demonstrar esse amor de maneira concreta. Por isso, quando a igreja se mobiliza
para ajudar cidades atingidas por enchentes, ela não está apenas realizando uma
ação social. Ela está vivendo a missão que recebeu do próprio Cristo. A igreja
se torna mãos que ajudam. Braços que levantam. Corações que acolhem. Em meio à
dor, Deus levanta um povo disposto a servir.
Talvez não possamos
reconstruir tudo imediatamente. Talvez não possamos apagar todas as lágrimas, mas
podemos fazer algo muito importante: mostrar que ninguém está sozinho. Porque
a igreja de Cristo foi enviada exatamente para isso. Levar esperança onde há
desespero. Levar cuidado onde há dor. Levar amor onde tudo parece perdido.
E assim, enquanto
ajudamos a reconstruir casas e cidades, Deus também vai reconstruindo corações.
Quando a igreja
serve ao próximo, o mundo volta a enxergar Jesus caminhando entre as pessoas.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
11/mar/26