A COROA QUE O TEMPO NOS ENTREGA
“Coroa dos
velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são os pais.”
Provérbios 17:6 (NAA).
Hoje é o Dia dos
Avós, embora eu acredite que todos os dias lhes pertençam um pouco. Dizem que
ser avô é descobrir uma maneira nova, mais serena e profunda de amar. Depois de
tantos anos enfrentando responsabilidades, preocupações e desafios, o coração encontra
nos netos uma alegria diferente, leve e renovadora.
É como se Deus
permitisse que a vida recomeçasse diante de nossos olhos, agora acompanhada de
mais experiência, paciência e gratidão. Nos netos, revemos a infância,
reencontramos a esperança e aprendemos que o amor também pode amadurecer sem
perder a ternura. Ser avô é receber a dádiva de amar novamente, mas desta vez
com o coração mais calmo e os olhos mais atentos para reconhecer a beleza dos
pequenos momentos.
Quando um avô olha
para o neto, não vê apenas uma criança. Muitas vezes, reconhece nele o sorriso
do filho, um gesto antigo da família, uma expressão que lembra alguém querido
ou uma maneira de falar que atravessou gerações. Os netos carregam traços, histórias
e lembranças daqueles que vieram antes deles. Por isso, cada abraço parece unir
o passado, o presente e o futuro.
Ser avô é voltar a
enxergar o mundo pelos olhos de uma criança. É caminhar mais devagar para
acompanhar seus pequenos passos. É responder perguntas simples que, para ela,
são muito importantes. É admirar um desenho, ouvir uma história repetida e
celebrar conquistas que parecem pequenas para os adultos, mas são enormes para
quem está começando a viver.
Talvez, quando
criava os filhos, o avô estivesse cercado por muitas responsabilidades.
Precisava trabalhar, pagar contas, tomar decisões e vencer o cansaço. Amava
profundamente, mas nem sempre conseguia estar presente em todos os momentos.
Com os netos, muitas vezes, encontra uma nova oportunidade de oferecer tempo,
colo e atenção.
Isso não significa
que os avós amem mais os netos do que amaram os filhos. Significa que agora
amam com uma experiência diferente. O tempo ensinou que muitas coisas que antes
pareciam urgentes não eram tão importantes. Ensinou também que uma conversa, uma
brincadeira e um abraço podem permanecer na memória por toda a vida.
Ser avô também é
ser guardião de histórias. É lembrar nomes, lugares e acontecimentos que os
netos não conheceram. É contar como eram as ruas, as casas, as viagens e os
costumes de outros tempos. É falar sobre pessoas da família que já partiram,
mas deixaram ensinamentos, exemplos e marcas de amor.
Contudo, mais
importante do que transmitir lembranças é transmitir a fé. O apóstolo Paulo
reconheceu em Timóteo uma fé que havia passado por gerações: “Lembro da
sua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em sua avó Loide e
em sua mãe Eunice, e estou certo de que habita também em você.” 2
Timóteo 1:5 (NAA).
Loide talvez não
imaginasse até onde chegaria aquilo que ensinou dentro de casa. Sua fé alcançou
sua filha Eunice e, depois, seu neto Timóteo, que se tornou um importante servo
de Deus. Isso mostra que a influência de um avô ou de uma avó pode permanecer
muito além de sua própria existência.
Um avô pode ensinar
a fé ao netinho de muitas maneiras: ensinando louvores que falam do amor de
Jesus, levando-o à Escola Bíblica Dominical, convidando-o para orar, contando
histórias da Bíblia e explicando, com palavras simples e com o próprio exemplo,
por que confia em Deus. Pode mostrar, com a própria vida, como se enfrenta uma
enfermidade, uma perda ou uma dificuldade sem abandonar a esperança. As
crianças talvez não compreendam tudo naquele momento, mas guardarão muitas
dessas experiências no coração.
A Palavra orienta
que os ensinamentos do Senhor sejam transmitidos de geração em geração: “Estas
palavras que hoje lhe ordeno estarão no seu coração. Você as inculcará a seus
filhos, e delas falará quando estiver sentado em sua casa, andando pelo
caminho, ao deitar-se e ao levantar-se.” Deuteronômio 6:6-7 (NAA).
Essa
responsabilidade também alcança os avós. Eles podem falar de Deus durante uma
caminhada, antes de dormir, em uma viagem ou em uma conversa simples. Nem
sempre será necessário fazer um grande discurso. Muitas vezes, uma frase dita
com amor será lembrada durante anos.
Mas ser avô não é
apenas dar presentes, oferecer doces ou satisfazer todas as vontades. É estar
presente de maneira responsável. É acompanhar, ouvir, aconselhar e ajudar na
formação dos netos, respeitando sempre a autoridade e as decisões dos pais.
O avô não deve
competir com os filhos pela educação das crianças. Seu papel é apoiar, cooperar
e contribuir com sabedoria. Pode haver momentos em que será necessário dizer
“não”, ensinar respeito ou corrigir com carinho. O verdadeiro amor não oferece
apenas aquilo que agrada, mas também aquilo que ajuda a crescer.
Ser avô também traz
preocupações. Quando um neto adoece, o avô sente sua dor. Quando enfrenta uma
dificuldade, sofre junto. Quando conquista algo, o coração do avô se enche de
alegria. E muitas vezes, enquanto todos dormem, ele ora em silêncio por perigos
que a criança ainda nem consegue perceber.
Existem avós que
acompanham os netos em tratamentos, levam-nos à escola, ajudam nas tarefas ou
cuidam deles enquanto os pais trabalham. Outros vivem longe e mantêm a presença
por meio de telefonemas, mensagens e orações. A distância pode impedir o abraço
diário, mas não diminui o amor verdadeiro.
O salmista declara
que a misericórdia do Senhor alcança os filhos dos filhos daqueles que o temem.
Salmos 103:17-18. Isso significa que uma vida de fé pode produzir frutos que
serão percebidos nas gerações seguintes.
Ser avô é
compreender que o tempo levou a juventude, mas não retirou o propósito. Ainda
há muito para ensinar, compartilhar e oferecer. Os cabelos podem embranquecer,
os passos podem se tornar mais lentos, mas o coração ainda pode deixar marcas
profundas.
Os netos talvez não
se lembrem de todos os presentes que receberam, mas guardarão a lembrança de
quem os ouviu, abraçou, aconselhou e orou por eles. Por isso, a maior herança
de um avô não está nos bens que deixa, mas na fé, nos valores e no amor que planta.
Ser avô ou avó é
receber de Deus a oportunidade de amar novamente os filhos por meio dos filhos
deles e deixar, no coração de uma nova geração, lembranças que o tempo não
apaga e uma fé capaz de alcançar a eternidade.
Parabéns a todos os
vovôs e vovós do grupo! Que Deus continue abençoando cada um, renovando as
forças, multiplicando a alegria e concedendo muitos momentos especiais ao lado
dos netos. Que nunca faltem saúde, paciência, ternura e gratidão para viver
esse amor tão bonito que atravessa gerações.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
26/jul/26