AINDA JOVENS POR
DENTRO
Memórias do nosso reencontro — UMP Maria da Graça, anos
70/80
24 de outubro de 2026
Oi, pessoal!
Que dia memorável foi o dia de ontem - o nosso reencontro!
Depois de tantos anos, tantas conversas, expectativas e
preparativos, finalmente chegou o momento de estarmos juntos novamente. Foi uma
alegria imensa rever amigos, irmãos e irmãs tão queridos, recordar histórias e
reviver momentos que, apesar da passagem do tempo, jamais deixaram de ocupar um
lugar especial em nossos corações.
Confesso que ainda estou emocionado.
Há acontecimentos que terminam quando as pessoas se
despedem, mas há outros que continuam acontecendo dentro de nós. Tenho a
impressão de que nosso reencontro pertence a essa segunda categoria. As
conversas terminaram, as portas da igreja se fecharam, cada um seguiu seu
caminho, mas alguma coisa daquele dia continua viva em meu coração.
Desde os primeiros abraços, percebi que estávamos vivendo
algo muito maior do que uma simples reunião de antigos companheiros. Alguns não
se viam havia décadas. Outros mantiveram contato ao longo dos anos, mas
raramente tiveram a oportunidade de estar reunidos daquela maneira.
E foi interessante perceber como o tempo pareceu perder a
importância. Bastava um sorriso, uma voz conhecida, um abraço apertado ou uma
lembrança compartilhada para que os anos desaparecessem por alguns instantes.
Os cabelos embranqueceram, os rostos ganharam as marcas do
tempo, alguns passos ficaram mais lentos, mas os olhos ainda revelavam aqueles
jovens que, décadas atrás, enchiam os espaços da nossa querida Igreja de Maria
da Graça com alegria, amizade e disposição para servir ao Senhor.
Para aquele dia, tínhamos uma programação cuidadosamente
planejada, com horários e atividades definidos. Entretanto, ao longo do
encontro, percebemos que o Espírito Santo tinha outros planos para nós. E foi
maravilhoso permitir que nossa vontade desse lugar à vontade dEle!
Nem tudo aconteceu como havíamos imaginado. Os testemunhos,
as lembranças, as emoções e a comunhão foram conduzindo o encontro de uma
maneira que nenhuma programação seria capaz de prever.
Planejamos aquilo que desejávamos fazer, mas o Espírito
Santo nos conduziu àquilo que precisávamos viver.
E como foi precioso ouvir os testemunhos! Cada história
revelava um pouco da caminhada de alguém que conhecemos na juventude. Ouvimos
relatos de vitórias, dificuldades, perdas, superações e experiências com Deus.
Descobrimos, mais uma vez, que os anos não passaram da mesma
maneira para todos nós. Cada um enfrentou suas próprias batalhas, percorreu
caminhos diferentes e escreveu capítulos que os antigos companheiros nem sempre
conheciam. Mas havia algo que nos unia: a certeza de que, durante todos
esses anos, o Senhor não deixou de cuidar de nós.
A comida preparada pelas irmãs da SAF estava deliciosa! E o
café? Ah, que maravilha! Tudo feito e servido com tanto carinho! Cada detalhe
revelava dedicação e amor. Nossa gratidão a todas aquelas irmãs que trabalharam
na cozinha, prepararam as mesas e cuidaram de nós com tanto zelo.
Nossa sincera gratidão ao Conselho da Igreja Presbiteriana de Maria da Graça, especialmente aos queridos pastores Rev. Marcelo e Rev. Josias, que tão gentilmente colocaram as dependências da igreja à nossa disposição e nos acolheram com tanto carinho e atenção.
Mais do que abrir as portas do templo, vocês nos proporcionaram a alegria de retornar a um lugar onde vivemos momentos inesquecíveis da nossa infância e juventude, onde tantas amizades nasceram e onde nossa fé foi fortalecida. Obrigado por nos permitirem voltar àquela casa que, de alguma maneira, continua sendo também um pedacinho da nossa própria história. Que o Senhor abençoe grandemente os pastores, o Conselho e toda a querida Igreja de Maria da Graça por esse gesto tão generoso e fraterno!
E, naturalmente, nossa gratidão se estende a todos que
participaram da organização, da recepção, da programação e dos preparativos. Às
vezes, quem comparece a um encontro não imagina quanto trabalho existe por trás
de cada detalhe. Houve pessoas que dedicaram tempo, esforço e recursos para que
aquele sonho pudesse se transformar em realidade. Nada disso será esquecido.
Mas, entre tantos momentos especiais, houve um que nos
transportou diretamente ao passado: nosso passeio pelos espaços da igreja. Ah,
aquele passeio!
Foi muito mais do que revisitar salas e corredores. Foi como
abrir um antigo álbum de fotografias, daqueles que guardamos durante décadas e
que, ao folhearmos, nos fazem reencontrar pessoas, lugares e acontecimentos que
pareciam adormecidos na memória.
Foi emocionante rever aquele cantinho onde ficava o
bebedouro, próximo à escada que dava acesso ao antigo salão da UMP. Era ali que
depositávamos, às escondidas, nossas cartinhas do amigo oculto, sempre com o
maior cuidado para que ninguém descobrisse quem havia escrito cada mensagem!
Ah, como eram importantes aqueles pequenos mistérios da
nossa juventude! Coisas tão simples, mas que nos proporcionavam tanta alegria!
E o antigo salão da UMP?
Quantas reuniões, conversas, brincadeiras e amizades
nasceram naquele espaço! Quantos olhares se encontraram, quantos namoros
começaram e quantos desses relacionamentos acabaram se transformando em
casamentos e famílias!
Quem poderia imaginar, naquela época, que algumas daquelas
conversas e aproximações dariam origem a histórias de amor que atravessariam
décadas?
E o lugar onde jogávamos nossas animadas partidas de
pingue-pongue? Quantas disputas, quantas gargalhadas e quantos momentos de
descontração!
E o quartinho do Vilmar? Só de mencionar aquele lugar,
certamente muitas lembranças já começam a surgir na memória de alguns.
E aquele armário no segundo andar do prédio antigo, onde,
quando éramos crianças e adolescentes, nos escondíamos dos presbíteros e do
zelador?
Ah, se aquelas paredes pudessem falar! Quantas histórias
seriam reveladas! E talvez algumas fossem melhor continuar guardadas, não é
mesmo? rsrs!
Talvez nossos filhos e netos nem consigam compreender o
valor que aqueles pequenos espaços tinham para nós. Afinal, para quem olha de
fora, eram apenas salas, corredores, armários e cantinhos de uma igreja. Mas,
para nós, eram os cenários onde uma parte preciosa da nossa vida aconteceu.
Lembram-se dos domingos em que praticamente passávamos o dia
inteiro na igreja? Parecia que nunca tínhamos pressa de ir embora. Sempre havia
alguma atividade, uma conversa que se prolongava, uma reunião ou simplesmente o
prazer de estarmos juntos.
E as reuniões do ECCO — Estudar, Cantar, Compartilhar e
Orar?
Quanta coisa aprendemos naqueles encontros! Ali
fortalecíamos amizades, compartilhávamos preocupações, cantávamos louvores e
aprendíamos, ainda jovens, a importância de caminhar na presença de Deus.
O louvor, aliás, ocupava um lugar muito especial em nossa
convivência. Quantas músicas cantamos juntos! Algumas delas continuam trazendo
à memória, mesmo depois de tantos anos, pessoas, acontecimentos e sentimentos
que jamais desapareceram completamente.
E o nosso querido templo?
Ali, muitos de nós fomos batizados, outros se casaram e
tantos viveram experiências que marcaram para sempre sua caminhada com o
Senhor.
E quantos de nós entregamos nossa vida a Jesus naquele
lugar! Não é mesmo, Tereza? Você se lembra daquele culto à noite, quando,
tocada pela Palavra de Deus, tomou a decisão de entregar sua vida a Jesus?
Ah, quantas histórias de conversão, quantas orações, quantas
lágrimas e quantos encontros verdadeiros com o Senhor aconteceram naquele
templo!
Para muitos de nós, aquele lugar não foi apenas o cenário de
momentos importantes da juventude, mas o ambiente onde começou uma nova
história de vida com Cristo.
E quantas vigílias de oração realizamos ali! Quantas noites
passamos juntos, entre louvores, orações e mensagens da Palavra de Deus!
E quem não se lembra do Haroldo, que tinha a incrível
capacidade de dormir de olhos abertos enquanto tocava seu violão durante as
vigílias?
Não é mesmo, Haroldo? Até hoje não sei como você conseguia
fazer aquilo! rsrs!
Quantas orações foram feitas naquele templo! Quantas
respostas recebemos do Senhor, testemunhando Seu cuidado e Sua fidelidade!
Quantas mensagens ouvimos, quantos louvores cantamos e quantas decisões
importantes tomamos diante de Deus!
Quantas vezes chegamos com o coração apertado, carregando
preocupações, dúvidas e dificuldades, e saímos renovados, fortalecidos e
consolados pela Sua Palavra!
Naquele passeio, cada parede, cada corredor e cada espaço
parecia guardar um pedacinho da nossa história.
Houve momentos em que as palavras já não eram suficientes e
os olhos se encheram de lágrimas.
Não é mesmo, Mauro?
Aliás, Mauro, sempre com aquele seu sorriso Colgate! Ah, que
menino de ouro!
“Você está feliz, Mauro?” Sei que sim.
E pensar que aquele jovem tão alegre de nossa juventude hoje
já passou dos 70 anos, mas continua com o mesmo sorriso encantador! Meu querido
irmão, eu não perderia aqueles momentos por nada neste mundo! Ver sua emoção,
sua felicidade e aquele sorriso tão espontâneo foi um dos presentes mais
bonitos que recebi naquele dia. Quando olho para você, ainda consigo enxergar
aquele menino querido de tantos anos atrás.
E a alegria contagiante do Carlinhos, com seus mais de 80
anos? Que coisa maravilhosa!
E o que dizer do nosso querido Rev. Oliveiros? Com mais de
90 anos, continua dando exemplo de vitalidade e disposição, caminhando cerca de
12 quilômetros por dia!
Olhando para esses irmãos tão queridos, só consigo pensar em
uma coisa: É assim que eu quero envelhecer! Com alegria no coração, disposição
para viver, um sorriso no rosto e, acima de tudo, gratidão a Deus por cada novo
dia que Ele nos concede. Afinal, envelhecer é inevitável, mas perder a alegria
de viver não precisa fazer parte dessa caminhada.
E o nosso querido presbítero Isaías? Que memória
extraordinária! Foi emocionante ouvi-lo recordar, com tanta clareza,
acontecimentos de décadas atrás, trazendo à tona histórias e detalhes que
muitos de nós já nem lembrávamos. Como foi bom reviver, por meio de suas
palavras, tantos momentos daquele passado tão precioso da Igreja de Maria da
Graça!
Ah, presbítero Isaías, que privilégio poder contar com sua
presença e suas lembranças para manter viva uma parte tão bonita da nossa
história!
E o nosso querido regente Carlos e sua esposa, Gláucia? Como
foi bom revê-los depois de tantos anos! Quantas lembranças vieram à memória ao
reencontrar aquele que, com tanta dedicação, conduzia nossos louvores ao
Senhor! Foi uma pena que, desta vez, não tivemos a oportunidade de vê-lo reger
um hino, como fazia nos velhos tempos. Mas tudo bem, querido Carlos, fica para
o próximo encontro! Quem sabe não teremos novamente a alegria de cantar juntos,
acompanhando seus gestos tão familiares? Afinal, há melodias que o tempo não
apaga e pessoas cuja presença continua fazendo parte da música da nossa
história.
E a agitação da Adriene, sempre tão animada, contagiando a
todos com sua energia? E a descontração da Martinha, com seu jeito espontâneo e
alegre de transformar qualquer momento em motivo para sorrir?
Ah, o que dizer de tantos momentos especiais?
E os coelhos fujões, que quase deixaram Ronaldo e Soraia de
fora da nossa festa? rsrs! Quem diria que, depois de tantos preparativos,
alguns coelhinhos resolveriam aprontar justamente naquele dia! Ainda bem que
tudo deu certo e pudemos contar com a presença desses amigos tão queridos.
Agora, Ronaldo e Soraia, vocês já têm mais uma história para contar quando nos
reunirmos novamente!
E como foi bom rever meus queridos primos e primas: Marta,
Nilson e Zélia! Que alegria poder abraçá-los novamente e recordar tantos
momentos que compartilhamos desde a infância e a juventude! Afinal, além dos
laços de sangue, temos também uma história de fé, amizade e convivência
construída ao longo de tantos anos naquela querida igreja. O tempo passou, cada
um seguiu seu caminho, mas o carinho permanece o mesmo.
Reencontrar amigos já é uma grande alegria, mas reencontrar
aqueles que, além de amigos, fazem parte da nossa própria família torna tudo
ainda mais especial.
E as minhas queridas madrinhas de casamento, Betinha e
Márcia? Ah, que alegria imensa poder reencontrá-las! Vocês não fizeram parte
apenas da minha juventude. Estiveram presentes em um dos momentos mais
importantes da minha vida: o dia em que Tereza e eu começamos nossa caminhada
como marido e mulher. E pensar que tantos anos se passaram desde aquele dia! Reencontrá-las
foi também reviver um pedacinho da nossa história de amor, uma história da qual
vocês fazem parte de maneira tão especial.
Enquanto observava aqueles rostos conhecidos, fiquei
pensando em quantos caminhos diferentes nossas vidas tomaram.
Daquela juventude reunida em torno da Palavra de Deus,
surgiram tantas histórias! Alguns constituíram família, criaram filhos,
receberam netos, enfrentaram perdas, venceram dificuldades e precisaram
recomeçar muitas vezes. Outros seguiram caminhos que jamais poderíamos imaginar
quando éramos adolescentes.
Entre nós, há também aqueles que receberam o chamado para o
ministério pastoral. Recordar a caminhada de Nilson, Mauro e a minha própria
história é reconhecer como Deus já estava trabalhando em nossas vidas quando
ainda éramos jovens e nem imaginávamos por quais caminhos Ele nos conduziria.
Naquela época, talvez não tivéssemos ideia da dimensão que
nossas escolhas alcançariam. Hoje, olhando para trás, percebemos que muitos
ensinamentos recebidos naquela igreja nos acompanharam por toda a vida. Mas, em
meio à alegria de rever tantos amigos, também sentimos algumas ausências.
Não podemos esquecer aqueles que fizeram parte da nossa
história, mas que, por diferentes motivos, não puderam estar presentes. Sérgio,
Anderson, Verinha, Ozalene, Vilmar, Joel, Soninha, Rita, Márcia, Alexandre e
tantos outros amigos queridos que gostaríamos imensamente de ter abraçado
naquele dia!
Alguns não puderam viajar, outros tinham compromissos ou
enfrentavam limitações pessoais. Sentimos a falta de cada um de vocês, pois
cada nome representa uma história, uma amizade e muitas lembranças que
continuam vivas em nossos corações.
E como não recordar, com carinho e saudade, daqueles
queridos irmãos que já partiram para a eternidade? Solange, Fátima, Marcos,
Olyene, Fernando e tantos outros que também escreveram conosco capítulos tão
bonitos dessa história! Ah, quantos momentos preciosos compartilhamos com eles!
Quantas conversas, brincadeiras, orações, louvores e experiências vividas
juntos permanecem guardados em nossa memória! A saudade é uma forma de
reconhecer que alguém deixou marcas profundas em nossa vida.
E, quando recordamos aqueles companheiros, percebemos que
sua presença não desapareceu completamente. Ela continua nas histórias que
contamos, nos ensinamentos que recebemos e no carinho com que pronunciamos seus
nomes.
Porque a história da UMP Maria da Graça não foi construída
apenas por aqueles que estiveram presentes em nosso reencontro. Ela pertence a
todos que, em algum momento, caminharam conosco, compartilharam nossa fé e
ajudaram a escrever aquelas páginas tão bonitas da nossa infância e juventude.
Aos que não puderam comparecer, fica nosso carinho e a
esperança de que, pela graça de Deus, possamos nos abraçar no próximo encontro.
E, quanto aos que já partiram, permanecem a saudade, a
gratidão pelas marcas de amor e amizade que deixaram em nossas vidas e, acima
de tudo, a bendita esperança que temos em Cristo, de que a morte não terá a
última palavra. Nossa esperança é a de um reencontro eterno, na presença do
Senhor, onde não haverá mais separações, lágrimas ou despedidas.
Mas, voltando ao nosso encontro, nem tudo foi facilidade!
Para alguns, a viagem foi bastante cansativa, não é mesmo,
Arlene? Ficar mais de três horas na rodoviária, esperando o ônibus para voltar
para casa, depois de um dia tão intenso e emocionante, não foi nada fácil!
E o que dizer da turma de Campos, que enfrentou uma longa
viagem e só chegou em casa quase no dia seguinte? Quanta disposição para
participar desse reencontro!
E ainda tivemos a travessia de barca para Paquetá,
balançando naquele vai e vem das águas, não é mesmo, Martinha?
Quanto a mim, que curto de montão pegar a estrada, a subida
da serra foi calma, serena e tranquila. Suave na nave, pela graça de Deus! Ao
meu lado, Tetê, minha fiel copiloto, seguia preocupada com a possibilidade de
chuva e neblina na serra. Mas, graças ao Senhor, nem uma coisa nem outra
aconteceu, e tivemos uma viagem muito tranquila.
Chegamos em Juiz de Fora bem antes das nove da noite, a
tempo até de passar no Burger King e comprar um lanche. Mas confesso que ainda
trazíamos na lembrança aquele nosso farto e delicioso café da tarde, preparado
com tanto carinho pelas irmãs. Até na estrada de volta para casa, as conversas
e as lembranças do reencontro continuavam nos acompanhando.
E vocês? Como foi o retorno de cada um?
Confesso que, apesar de toda a alegria vivida, fiquei
preocupado e um tanto tenso com as viagens de volta. Sabia que alguns
enfrentariam longas horas na estrada, esperas em rodoviárias e o cansaço de um
dia tão movimentado. Por isso, meu coração só ficou verdadeiramente tranquilo
quando recebi a notícia de que todos haviam chegado bem às suas casas. Graças a
Deus, tudo deu certo! Foi somente naquele momento que consegui descansar,
agradecendo ao Senhor por Seu cuidado e proteção durante cada viagem.
Depois de tantos anos esperando por esse reencontro, minha
alegria não estava apenas em saber que conseguimos estar juntos, mas também em
ter a certeza de que todos haviam retornado em segurança para suas famílias.
E agora quero fazer uma pergunta, esperando que respondam
com toda a sinceridade:
Valeu ou não valeu a pena?
Será que todos vocês, assim como eu, sentiram que cada
momento do nosso reencontro valeu a pena?
Tenho a impressão de que a resposta já foi dada pelos
abraços apertados, pelos sorrisos espontâneos, pelas lágrimas de emoção e pela
alegria estampada no rosto de cada um. Afinal, depois de tantos anos, algumas
horas de viagem, o cansaço e até os pequenos imprevistos parecem tão
insignificantes diante da felicidade de reencontrar pessoas que fizeram parte
da nossa história.
Eu voltei para casa com o coração transbordando de gratidão.
Mas, agora que o encontro terminou, uma pergunta insiste em permanecer:
O que ficou daquele dia?
Ficaram as fotografias, os vídeos, as mensagens, as
histórias recontadas e tantas outras lembranças que ainda serão compartilhadas
em nosso grupo. Ficaram os abraços que gostaríamos de ter prolongado, as
conversas que terminaram antes que tivéssemos contado tudo e a vontade de
permanecer mais um pouco ao lado de pessoas tão queridas. Mas ficou, sobretudo,
algo que nenhuma fotografia consegue registrar por inteiro: o sentimento de
pertencimento a uma história que começou há muitas décadas e continua viva
dentro de nós.
Envelhecemos. Sim, é verdade! Nossas forças já não são as mesmas, e muitas
das coisas que fazíamos na juventude hoje pertencem ao mundo das lembranças.
O tempo passou, os cabelos embranqueceram, os filhos
cresceram, vieram os netos, enfrentamos alegrias e tristezas, vitórias e
perdas. Alguns de nós já experimentaram a dor de despedidas que jamais
imaginaram enfrentar. Outros tiveram de reconstruir sonhos, adaptar-se a novas
realidades e aprender a viver de maneira diferente.
A vida seguiu seu curso, como precisava seguir. Mas naquele
sábado, por algumas horas, voltamos a ser os jovens de tantos anos atrás. Não
porque o tempo tivesse voltado, mas porque descobrimos que ele não havia
conseguido levar tudo. Ainda estavam ali a amizade, o carinho, a alegria, o
respeito, as lembranças e a fé que um dia nos aproximaram. E talvez essa tenha
sido uma das descobertas mais bonitas do nosso reencontro: o tempo modificou
muita coisa em nós, mas não conseguiu apagar aquilo que construímos juntos.
O mais precioso de tudo foi perceber que, embora nossa
juventude tenha ficado no passado, o Deus a Quem servíamos naquela época
continua sendo o mesmo Senhor a Quem servimos hoje. Foi Ele Quem nos sustentou
ao longo dessas décadas. Foi Sua graça que nos acompanhou pelos diferentes
caminhos que percorremos. E foi por Sua misericórdia que tivemos a oportunidade
de nos abraçar novamente.
Lembro-me agora do lema que tantas vezes repetimos em nossa
juventude: “Alegres na esperança. Fortes na fé. Dedicados no amor e unidos
no trabalho.” Como essas palavras continuam atuais!
No dia de ontem fomos alegres na esperança, fortes na fé,
dedicados no amor e unidos na realização de um sonho que parecia tão distante. E
talvez essa seja uma das maiores lições que podemos levar desse encontro: a
juventude passa, mas os valores que aprendemos diante do Senhor podem nos
acompanhar por toda a vida.
A todos que estiveram presentes, meu carinho e minha
gratidão. Aos que trabalharam na organização, na alimentação, na recepção, na
programação e nos preparativos, meu reconhecimento pelo esforço e pela
dedicação. Aos que viajaram de longe, meu agradecimento por não terem medido
esforços para estar conosco. Aos que não puderam participar, quero dizer que
também fizeram parte daquele dia, porque estiveram presentes em nossas
conversas, lembranças e em nosso coração. E, acima de tudo, nossa gratidão ao
Senhor, que nos permitiu viver um reencontro tão especial.
Não sabemos quando teremos novamente a oportunidade de
reunir tantos amigos daquela época, mas uma coisa é certa: queremos nos
reencontrar no próximo ano!
E vocês, o que acham? Depois de tudo o que vivemos, de
tantos abraços, sorrisos e emoções, não vale a pena fazermos mais esse esforço
para estarmos juntos novamente? Eu, particularmente, acho que vale, e muito!
Afinal, o tempo passa depressa, e cada oportunidade de reencontrar pessoas tão
queridas é um presente precioso que Deus nos concede. Que tal começarmos a
sonhar com nosso próximo reencontro?
Esse é o nosso desejo, e esperamos que o Senhor nos conceda
essa alegria mais uma vez.
Sabemos, porém, que o futuro pertence a Deus e que cada novo
encontro será sempre um presente de Sua graça e misericórdia.
Por isso, enquanto Ele nos permitir, queremos continuar
cultivando essa amizade tão preciosa, fortalecendo nossos laços e escrevendo
novos capítulos de uma história que começou há tantos anos e que, pela bondade
do Senhor, ainda não terminou.
Sei de uma coisa: o dia 24 de outubro de 2026 já ocupa um
lugar muito especial na história de todos nós. Naquele dia, não estivemos
reunidos apenas para recordar o passado. Estivemos juntos para agradecer pelo
presente e reconhecer que nossa história continua sendo escrita pelas mãos de
Deus.
Talvez nunca mais sejamos capazes de correr pelos corredores
da igreja como fazíamos quando crianças, passar horas jogando pingue-pongue ou
atravessar a madrugada em uma vigília com o mesmo vigor da juventude. Mas ainda
podemos nos abraçar, cantar juntos, compartilhar experiências, fortalecer
amizades e agradecer ao Senhor por tudo o que Ele nos permitiu viver.
Isso é muito bom! E isso é maravilhoso!
Há uma beleza própria em cada fase da vida. A juventude nos
deu entusiasmo, sonhos e disposição. Os anos nos trouxeram experiências,
maturidade e a compreensão de que o tempo é um presente precioso demais para
ser desperdiçado.
Talvez seja por isso que aquele reencontro tenha sido tão
emocionante. Quando éramos jovens, tínhamos a impressão de que haveria sempre
outro domingo, outra reunião, outro passeio, outra oportunidade de estarmos
juntos. Hoje, sabemos que cada oportunidade merece ser valorizada.
Por isso, se eu pudesse voltar àquele sábado e viver tudo
novamente, não pediria um encontro mais elaborado, uma programação mais
rigorosa ou uma festa diferente. Pediria apenas um pouco mais de tempo.
Mais tempo para conversar, recordar e rir juntos. Mais
alguns abraços apertados, mais alguns beijos carinhosos, mais alguns instantes
ao lado de pessoas que tanto amamos. Gostaria de ter ouvido com mais calma
aqueles com quem quase não consegui conversar, escutado mais uma história do
presbítero Isaías, contemplado por mais alguns instantes o sorriso do Mauro,
compartilhado outras risadas com os amigos e cantado mais um louvor com aquelas
vozes tão familiares que marcaram nossa juventude.
Ah, como eu gostaria que, naquele dia, o tempo tivesse
passado um pouquinho mais devagar!
Porque, depois de tantos anos, compreendemos que a
verdadeira riqueza de um reencontro não está na programação, nas atividades ou
na duração da festa, mas nas pessoas com quem temos o privilégio de
compartilhar cada momento.
E talvez seja justamente por isso que o dia de ontem tenha
sido tão especial: voltamos para casa felizes por tudo o que vivemos, mas com
aquela saudade gostosa de quem ainda tinha tantos abraços para dar, tantas
histórias para ouvir e tanto amor para compartilhar.
E, se alguém me perguntar o que senti ao reencontrar aqueles
companheiros e companheiras da juventude, creio que responderei de maneira
muito simples: O tempo levou nossos anos de juventude, mas não conseguiu
envelhecer tudo aquilo que a amizade e a fé conservaram dentro de nós.
Continuamos sendo, de alguma maneira, aqueles meninos e
meninas de Maria da Graça.
Com mais histórias para contar, mais cabelos brancos para
mostrar, algumas saudades para carregar e muita gratidão a Deus para expressar.
Ainda jovens por dentro!
Com carinho e gratidão,
APDSJ, Pr. Décio Fonseca.
26 de outubro de 2026