QUANDO O CORAÇÃO NÃO SABE O QUE FAZER COM O AMANHÃ

“— Que o coração de vocês não fique angustiado; vocês creem em Deus, creiam também em mim.” João 14:1 (NAA).

Há momentos em que o coração fica inquieto porque não sabemos o que acontecerá amanhã. Uma notícia inesperada, um diagnóstico médico, a perda de alguém, dificuldades dentro de casa ou simplesmente a sensação de que estamos perdendo o controle podem trazer medo e insegurança. Foi em um momento assim que Jesus disse aos discípulos: “Que o coração de vocês não fique angustiado.” Ele sabia que eles estavam prestes a enfrentar acontecimentos que não compreenderiam. Sua morte se aproximava, e aqueles homens ainda não conseguiam imaginar como continuariam sem a presença física do Mestre.

Jesus não lhes disse que não haveria motivos para preocupação. Também não prometeu que tudo seria fácil. Em vez disso, apontou para o lugar onde a fé deveria descansar: “vocês creem em Deus, creiam também em mim.” A resposta para um coração angustiado não seria conhecer antecipadamente todos os acontecimentos, mas confiar nEle mesmo quando não conseguissem entender o caminho.

Logo depois, Jesus lhes deu uma esperança que ultrapassava aquela noite: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu já lhes teria dito. Pois vou preparar um lugar para vocês.” João 14:2 (NAA). Ele não falava apenas de um lugar distante, mas da certeza de que aqueles que pertencem a Ele têm um destino junto do Pai.

É como alguém que precisa viajar para uma cidade desconhecida, mas recebe a notícia de que existe um lugar preparado esperando por sua chegada. Talvez não conheça todas as estradas, nem saiba exatamente como será a viagem, mas sabe que não chegará a um lugar estranho e vazio. Há Alguém esperando por ele.

Jesus foi ainda mais longe: “E, quando eu for e preparar um lugar, voltarei e os receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, vocês estejam também.” João 14:3 (NAA). A maior esperança do céu não são ruas, paisagens ou qualquer outra coisa que possamos imaginar. A grande esperança é estar com Cristo. O lugar é precioso porque Ele estará lá.

Tomé, porém, ainda não havia compreendido. Queria saber para onde Jesus iria e qual seria o caminho. Então recebeu uma das declarações mais profundas de toda a Bíblia: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14:6 (NAA).

Jesus não disse apenas: “Eu conheço o caminho.” Ele disse: “Eu sou o caminho.” Não afirmou simplesmente conhecer a verdade; Ele é a verdade. Também não veio apenas ensinar como viver melhor; Ele é a vida.

Isso continua sendo essencial em nossos dias. Muitas pessoas procuram segurança no dinheiro, na profissão, na família, no conhecimento ou até na religião. Todas essas coisas podem ter seu valor, mas nenhuma delas pode nos conduzir ao Pai. A salvação não é uma estrada que construímos até Deus; é Deus vindo ao nosso encontro em Cristo.

Filipe ainda fez outro pedido: queria que Jesus lhe mostrasse o Pai. Jesus respondeu: “Quem vê a mim vê o Pai.” João 14:9 (NAA). Não significa que o Pai e o Filho sejam a mesma Pessoa, mas revela a perfeita unidade entre Eles. Em Jesus vemos o caráter, o amor, a misericórdia e a vontade do Pai sendo manifestados.

Por isso, Jesus pôde dizer: “Você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?” João 14:10 (NAA). Suas palavras e obras não eram independentes do Pai. Havia perfeita comunhão entre Eles. Quando Jesus curava, acolhia, perdoava, ensinava e restaurava, o coração do Pai estava sendo revelado.

Ele também prometeu que Seus discípulos continuariam Sua missão. Disse que aquele que cresse nEle faria as obras que Ele fazia e até obras maiores, porque Ele iria para junto do Pai. João 14:12. Isso não significa que os discípulos se tornariam maiores do que Cristo. Depois de Sua ressurreição, ascensão e da vinda do Espírito Santo, o Evangelho alcançaria povos e lugares muito além da região onde Jesus havia realizado Seu ministério terreno.

Pense na diferença entre aqueles poucos discípulos reunidos com medo e a mensagem de Cristo chegando hoje a milhões de pessoas em diferentes países e línguas. A obra continuou porque o Senhor não abandonou os Seus.

Talvez hoje você não saiba como algumas coisas terminarão. Talvez haja perguntas para as quais ainda não encontrou resposta. Jesus não prometeu explicar antecipadamente todos os detalhes do caminho. Ele ofereceu algo maior: Sua própria presença, a certeza de que existe um lugar junto do Pai e a promessa de que Ele voltará para receber os Seus.

Por isso, a paz cristã não nasce de sabermos tudo sobre o amanhã. Ela nasce de sabermos Quem estará conosco quando o amanhã chegar.

Quando o coração se angustia porque não consegue enxergar o amanhã, Jesus nos lembra que não precisamos conhecer todo o caminho; precisamos conhecer Aquele que é o Caminho e confiar que, no fim da jornada, estaremos com Ele junto do Pai.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

26/set/26

 

A FORÇA QUE NÃO NASCE EM NÓS

“Quanto ao mais, sejam fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.” Efésios 6:10 (NAA).

Há momentos em que percebemos que nossa própria força não é suficiente. Podemos ser determinados, experientes, disciplinados e até acostumados a enfrentar dificuldades, mas existem situações que ultrapassam aquilo que conseguimos suportar sozinhos. Uma doença inesperada, a perda de alguém querido, uma crise familiar, problemas financeiros, uma decepção profunda ou uma longa espera podem nos mostrar como somos limitados.

Paulo conhecia muito bem essa realidade. Quando escreveu aos cristãos de Éfeso, não lhes disse simplesmente: “Sejam fortes.” Ele foi muito mais preciso: “sejam fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.” A diferença é enorme. A vida cristã não é um chamado para descobrirmos dentro de nós uma força escondida capaz de vencer qualquer dificuldade. É um chamado para dependermos da força que vem de Deus.

Pense em uma pessoa que precisa carregar uma mala muito pesada. Enquanto insiste em levantá-la sozinha, seus braços começam a doer e suas forças diminuem. Então chega alguém muito mais forte e diz: “Deixe-me ajudá-lo.” Continuar recusando essa ajuda não seria coragem; seria insistência desnecessária. Muitas vezes fazemos exatamente isso espiritualmente. Oramos pedindo ajuda a Deus, mas continuamos tentando resolver tudo como se dependesse somente de nós.

Paulo sabia que o cristão enfrentaria batalhas. Logo depois, escreveu: “Vistam-se com toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo.” Efésios 6:11 (NAA). Observe que a armadura é de Deus. A força é dEle. Os recursos para permanecer firme vêm dEle. Nossa responsabilidade é recebê-los e utilizá-los.

Isso é importante porque até aquilo que deveria nos proteger pode parecer pesado quando tentamos carregá-lo apenas com nossas próprias forças. Há pessoas que começam a enxergar a oração como uma obrigação cansativa, a leitura da Bíblia como um peso e o serviço na igreja como mais uma tarefa em uma agenda já sobrecarregada. O problema, muitas vezes, não está nessas coisas, mas no fato de estarmos tentando viver a vida espiritual sem renovar nossas forças no Senhor.

Podemos encontrar isso também no cotidiano. Uma mãe que cuida de toda a família pode chegar ao ponto de pensar que precisa resolver todos os problemas de todos. Um homem que enfrenta dificuldades financeiras pode passar noites acordado tentando encontrar sozinho uma saída. Alguém que acompanha durante meses uma pessoa enferma pode sentir-se culpado simplesmente porque está cansado. Até quem serve a Deus com alegria pode chegar a um momento de esgotamento.

A Bíblia não nos manda fingir que somos fortes quando não somos. Paulo conheceu sua própria fraqueza e ouviu do Senhor: “A minha graça é o que basta para você, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.” 2 Coríntios 12:9 (NAA). Isso muda nossa maneira de compreender a força espiritual. Fraqueza não significa necessariamente derrota. Às vezes, é justamente quando reconhecemos que não conseguimos sozinhos que finalmente abrimos espaço para depender verdadeiramente de Deus.

Ser fortalecido no Senhor também não significa que todos os problemas desaparecerão. Paulo não disse que, usando a armadura, nunca haveria batalha. Pelo contrário, ele falou sobre resistir “no dia mau” e, depois de tudo, permanecer firme. Efésios 6:13. A promessa não é uma vida sem luta, mas a presença dos recursos de Deus para atravessarmos a luta sem abandonar a fé.

Talvez hoje alguém esteja dizendo: “Eu não sei se consigo continuar.” A resposta bíblica não precisa ser: “Você precisa ser mais forte.” Talvez seja justamente o contrário: você precisa parar de procurar apenas em si mesmo a força que somente Deus pode fornecer.

Isaías escreveu: “..._mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.” Isaías 40:31 (NAA). A força é renovada enquanto esperamos no Senhor. Isso significa continuar confiando quando ainda não temos todas as respostas, orar quando não sabemos o que acontecerá e permanecer perto de Deus quando nossas emoções dizem que não conseguiremos.

Existem dias em que teremos força para correr. Em outros, conseguiremos apenas caminhar. E haverá momentos em que talvez nossa maior vitória seja simplesmente não desistir. Em todos eles, a fonte continua sendo a mesma.

Por isso, antes de perguntar: “Será que sou forte o suficiente para enfrentar isso?”, talvez devêssemos perguntar: “Estou tentando enfrentar isso com a minha força ou com a força que vem do Senhor?”

A vida cristã não foi feita para gigantes espirituais que nunca se cansam. Foi feita para pessoas comuns que aprenderam onde buscar força quando as suas próprias forças terminam.

A verdadeira força não está em nunca nos sentirmos fracos, mas em descobrir que, quando nossas forças chegam ao limite, podemos continuar firmes sustentados pelo poder de Deus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

25/set/26

 

QUANDO A ESPERANÇA ADOECE, CUIDAR DA VIDA TAMBÉM É FÉ

“Por que você está abatida, ó minha alma? Por que se perturba dentro de mim? Espere em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.” Salmos 42:5 (NAA).

Há pessoas que deixam de cuidar da saúde por medo de médico, falta de tempo ou receio de descobrir alguma doença. Mas existe também uma situação mais silenciosa. Depois de muitas perdas, frustrações, solidão ou longos períodos de tristeza, algumas pessoas começam a perder não apenas a alegria, mas também a vontade de cuidar da própria vida.

Elas não dizem necessariamente que querem morrer. Continuam trabalhando, conversando com a família, indo à igreja e cumprindo suas tarefas. Entretanto, por dentro, alguma coisa mudou. Sabem que precisam controlar a pressão, fazer um exame, tomar corretamente um medicamento ou investigar um sintoma, mas sempre deixam para depois. Às vezes, por trás dessa negligência existe uma pergunta que nunca foi pronunciada: “Será que ainda vale a pena cuidar de mim?”

A Bíblia mostra que pessoas de fé também podem atravessar períodos de profundo abatimento. Elias, depois de uma grande vitória no monte Carmelo, recebeu uma ameaça de Jezabel, teve medo, fugiu para o deserto e chegou ao limite de suas forças. Debaixo de uma árvore, declarou: “Basta, Senhor! Tira a minha vida.” 1 Reis 19:4 (NAA). A Bíblia não nos autoriza a afirmar que Elias estivesse sofrendo de depressão no sentido clínico moderno, porque o texto não faz esse diagnóstico. O que ela deixa claro, porém, é que naquele momento ele estava profundamente exausto, assustado e tão abatido que já não desejava continuar vivendo.

A maneira como Deus cuidou dele é muito significativa. O Senhor não começou com uma longa repreensão. Elias dormiu, recebeu alimento e água, descansou novamente e tornou a comer. Depois, Deus tratou de outras questões e mostrou que sua história ainda não havia terminado. Elias precisava ouvir a voz de Deus, mas também precisava dormir e se alimentar. Precisava de direção espiritual, mas seu corpo igualmente necessitava de cuidado.

Isso nos ensina algo muito simples: oração e cuidado com a saúde não são inimigos. Procurar um médico não demonstra falta de fé. Fazer um exame não significa confiar menos em Deus. Tomar corretamente uma medicação, quando prescrita, não diminui nossa dependência do Senhor. Da mesma forma, buscar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra quando necessário não significa abandonar a vida espiritual. Podemos orar por uma pessoa e acompanhá-la ao médico. Podemos pedir a cura e, ao mesmo tempo, utilizar com gratidão os recursos que Deus permite que estejam disponíveis.

Imagine uma senhora que perdeu o marido depois de cinquenta anos de casamento. Antes, cuidava da saúde porque desejava estar bem para viver ao lado dele. Depois da perda, começou a dizer: “Para que fazer tantos exames?” Ou pense em alguém que se aposentou, viu os filhos saírem de casa e começou a sentir que seus dias já não têm tanta utilidade. Há também quem enfrente uma doença crônica e, depois de tantas consultas e tratamentos, esteja simplesmente cansado. Essas pessoas talvez não precisem primeiro de cobrança. Precisam ser lembradas de que a vida delas continua tendo valor.

Paulo escreveu: “Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo, que está em vocês e que vocês receberam de Deus, e que vocês não pertencem a vocês mesmos?” 1 Coríntios 6:19 (NAA). O contexto imediato fala de santidade sexual, mas o princípio permanece importante: nosso corpo não é algo sem valor. Também pertencemos ao Senhor corporalmente.

Por isso, marcar uma consulta, fazer um exame preventivo, melhorar a alimentação, descansar adequadamente ou aceitar um tratamento pode ser também uma forma de dizer: “Senhor, agradeço pela vida que recebi de Ti e quero cuidar dela enquanto estiver sob minha responsabilidade.” Cuidar-se não significa pensar que nunca morreremos; significa não desprezar os dias que Deus ainda nos concede.

O salmista estava abatido, mas falou à própria alma: “Espere em Deus, pois ainda o louvarei.” Salmos 42:5 (NAA). Existe uma palavra preciosa aí: ainda. Ainda haverá louvor. Ainda haverá abraços. Ainda haverá alguém precisando de uma palavra nossa. Ainda podemos aprender, ensinar, amar, pedir perdão, perdoar, servir e fazer diferença na vida de alguém.

Talvez, para alguém, a palavra de hoje seja muito prática: vá ao médico, faça o exame, aceite ajuda, tome corretamente sua medicação e cuide de você. E, se o problema estiver também na alma, não esconda. Converse com alguém de confiança e procure acompanhamento profissional. Se alguém disser que não deseja mais viver ou estiver em risco, isso deve ser levado a sério e requer ajuda imediata.

Elias achou que havia chegado ao fim, mas Deus ainda tinha caminho para ele. Talvez hoje você não consiga enxergar muito longe. Não precisa enxergar. Cuide do dia que está diante de você. Há momentos em que continuar vivendo começa com coisas muito simples: levantar-se, alimentar-se, pedir ajuda, marcar uma consulta e permitir que alguém caminhe ao nosso lado.

Quando a esperança adoece, até cuidar da própria vida pode parecer sem sentido; mas, quando Deus reacende em nós a esperança do amanhã, cuidar do corpo e aceitar ajuda tornam-se também maneiras de agradecer a Ele pela vida que ainda nos concede.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

24/set/26

 

ENTRE AS MÃOS, OS PÉS E A PALAVRA DE DEUS

“Na verdade, amas os povos; todos os teus santos estão na tua mão; postos serão no meio, entre os teus pés, cada um receberá das tuas palavras.” Deuteronômio 33:3 (ARC).

O nosso texto básico, Deuteronômio 33:3, faz parte da bênção que Moisés deu aos filhos de Israel antes de sua morte e nos apresenta uma bela sequência sobre a relação de Deus com Seu povo.

Ele inicia falando do grande amor de Deus pelo povo, amor que se estende incondicionalmente hoje à Sua igreja. “Na verdade, amas os povos” —disse Moisés.

Na verdade, tudo começa no amor de Deus. A Igreja não existe porque decidiu procurar Deus primeiro, mas porque foi alcançada por Seu infinito amor. Antes de haver serviço, adoração, conhecimento ou caminhada, existe o amor divino.

Não uso este espaço para falar de placa de igreja nem de denominação; falo da Igreja fiel do Senhor Jesus. Somos povo de Deus porque Ele nos amou, nos chamou e nos separou para Si. Isso também impede qualquer sentimento de superioridade espiritual: se estamos perto dEle, é única e exclusivamente pela graça.

A Igreja que compreende o quanto é amada aprende também a amar. O amor que recebe de Deus precisa transbordar para os irmãos, para os necessitados e para aqueles que ainda não conhecem Cristo. “Nós amamos porque ele nos amou primeiro.” 1 João 4:19 (NAA).

Em um segundo momento, o versículo nos mostra que aquele que pertence a Deus está seguro: “todos os teus santos estão na tua mão”. Estar nas mãos de Deus fala de cuidado, proteção, direção e pertencimento.

A Igreja atravessa crises, perseguições, enfermidades, perdas e momentos em que não consegue compreender o que está acontecendo, mas jamais está abandonada.

Jesus utiliza uma imagem semelhante quando fala das Suas ovelhas: ninguém pode arrancá-las de Sua mão (João 10:28). Isso não significa ausência de lutas; significa que nenhuma luta é capaz de nos tirar do cuidado e da soberania de Deus. Podemos perder coisas, oportunidades e até pessoas queridas, mas continuamos sustentados pela mão dEle. O mundo pode parecer inseguro, mas o lugar da Igreja continua seguro: nas mãos de Deus.

Dando prosseguimento ao que Moisés disse ao povo, encontramos a imagem de uma Igreja aos pés do Senhor: “postos serão no meio, entre os teus pés”. Aqui temos uma imagem belíssima de humildade, reverência e adoração.

A Igreja que está nas mãos de Deus também precisa aprender a permanecer aos Seus pés. Aos pés do Senhor não há espaço para orgulho, competição, busca de posição ou desejo de aparecer. É lugar de submissão.

Adorar não é apenas cantar; é reconhecer: “Tu és Senhor, e eu dependo de Ti.” Talvez muitos problemas da Igreja comecem quando ela quer ocupar o lugar de destaque, quando deveria permanecer aos pés de Cristo. Quanto mais entendemos quem Ele é, menos precisamos provar quem somos. Vejam, por exemplo, Maria, que estava “assentada aos pés do Senhor, ouvia o seu ensino.” Lucas 10:39 (NAA). Mais adiante, Jesus declarou: “Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.” Lucas 10:42 (NAA).

Por fim, observamos uma Igreja que aprende para poder caminhar: “cada um receberá das tuas palavras”. Quem permanece aos pés do Senhor precisa estar disposto a ouvir. Não basta estar perto; é preciso receber Sua Palavra. Ela corrige nossos caminhos, fortalece nossa fé, mostra o perigo e revela a vontade de Deus. Como diz o salmista, a Palavra é lâmpada para os pés e luz para o caminho, Salmo (119:105).

Observe a ordem das bênçãos que decorrem da presença do Senhor: primeiro, Deus ama; depois, guarda os Seus em Sua mão; então, Seu povo se coloca aos Seus pés; finalmente, recebe Suas palavras.

Em uma sequência gloriosa, vemos o amor a nos alcançar, a mão a nos sustentar, os pés a nos ensinar humildade e a Palavra a nos mostrar por onde caminhar. São esses os quatro lugares espirituais em que a verdadeira Igreja vive: no amor de Deus, em Suas mãos, aos Seus pés e à luz de Sua Palavra.

A verdadeira segurança da Igreja está em ser alcançada pelo amor de Deus, sustentada por Suas mãos, ensinada aos Seus pés e conduzida pela luz de Sua Palavra.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

23/set/26

 

MORRER COM A CURA AO ALCANCE

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” Romanos 6:23 (NAA).

Imagine alguém recebendo um diagnóstico terrível. Depois de vários exames, o médico lhe diz que existe em seu organismo uma doença fatal e que, se nada for feito, o resultado será inevitavelmente a morte. Essa notícia mudaria completamente sua maneira de olhar para a vida.

Há, porém, um mal ainda mais profundo, invisível aos olhos e absolutamente mortal. A ciência nunca encontrou, e jamais encontrará, um medicamento capaz de vencê-lo, porque não se trata de uma enfermidade do corpo. A Bíblia dá a esse mal um nome: pecado.

Esse é um problema que alcança todas as pessoas, sem distinção de idade, cultura, condição financeira ou posição social. A Bíblia declara: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” Romanos 3:23 (NAA).

O pecado não é apenas cometer alguns erros ou possuir certas fraquezas. Ele nos separa de Deus e produz uma consequência que não conseguimos resolver por nós mesmos. Ninguém pode olhar para outra pessoa e dizer: “Ela precisa de salvação, mas eu não.” Todos recebemos o mesmo diagnóstico.

Se a história terminasse aqui, nossa situação seria desesperadora. Mas justamente aqui começa a beleza do Evangelho: Deus não apenas revelou a doença; Ele providenciou a cura. Ele poderia simplesmente nos mostrar nossa condição e anunciar a consequência do pecado. Porém, em Seu amor e misericórdia, fez muito mais. Deus providenciou aquilo que nós jamais conseguiríamos produzir.

Romanos 6:23 apresenta as duas realidades na mesma frase. Primeiro vem o diagnóstico: “o salário do pecado é a morte”. Depois vem a maravilhosa notícia: “mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus”. A pequena palavra “mas” muda completamente o destino daquele que crê. O pecado trouxe a morte, mas Deus ofereceu vida. Estávamos condenados, mas Deus providenciou salvação.

E quanto custou esse remédio? Para nós, nada; para Deus, custou Seu próprio Filho. Jesus disse: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16 (NAA). Cristo é a resposta de Deus para aquilo que o pecado produziu.

Imagine agora que alguém receba do médico o medicamento capaz de salvar sua vida, leve-o para casa, coloque-o sobre a mesa e nunca o tome. Pode conhecer o nome do medicamento, ler sua bula, explicar como ele funciona e até recomendá-lo a outras pessoas. Mas, se continuar recusando-se a recebê-lo, todo esse conhecimento não produzirá a cura.

Algo semelhante pode acontecer espiritualmente. Há pessoas que conhecem histórias sobre Jesus, possuem uma Bíblia em casa, frequentam cultos e até sabem repetir versículos, mas nunca entregaram verdadeiramente sua vida a Ele. Saber que existe um remédio não é a mesma coisa que recebê-lo. João afirma: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” João 1:12 (NAA).

No deserto aconteceu algo que ajuda a compreender essa verdade. Em Números 21, serpentes venenosas atacaram o povo de Israel, e muitos estavam morrendo. Deus ordenou que Moisés levantasse uma serpente de bronze. Quem havia sido mordido deveria olhar para ela e viveria. O povo não conseguia retirar o veneno do próprio corpo; Deus providenciou o meio de salvação.

Séculos depois, Jesus explicou o significado daquela cena: “E assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.” João 3:14-15 (NAA). Havia veneno, mas havia provisão. Havia morte, mas Deus oferecia vida. Quem olhava, vivia. Hoje, quem olha para Cristo com fé encontra nEle a salvação.

Chegamos, então, à parte mais triste dessa comparação: morrer recusando a cura. Jesus disse a algumas pessoas: “Contudo, vocês não querem vir a mim para ter vida.” João 5:40 (NAA). Não era porque não existisse vida. A Vida estava diante delas. O problema estava na recusa em vir a Ele.

Isso continua acontecendo em nossos dias. Muitos dizem: “Um dia pensarei nisso”, “ainda tenho muito tempo”, “não estou preparado para mudar de vida”. Enquanto isso, continuam adiando justamente aquilo que diz respeito à eternidade. É como alguém gravemente doente segurando nas mãos o medicamento capaz de salvá-lo e dizendo: “Talvez amanhã eu tome.”

O pecado é a doença que nos conduz à morte. Cristo é a cura providenciada por Deus. A graça coloca essa cura diante de nós, e a fé a recebe. A maior tragédia não é descobrir que somos pecadores, porque existe perdão para pecadores. A maior tragédia é permanecer longe de Cristo quando Deus, por Sua graça, oferece gratuitamente a vida.

O pecado trouxe a doença que conduz à morte, mas Deus colocou a cura ao nosso alcance em Cristo; a verdadeira tragédia é morrer recusando a Vida que Ele oferece gratuitamente.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

22/set/26

 

A FRASE QUE NINGUÉM QUER OUVIR DE JESUS

“Então lhes direi claramente: ‘Eu nunca conheci vocês. Afastem-se de mim, vocês que praticam o mal.’” Mateus 7:23 (NAA).

Poucas palavras de Jesus são tão fortes quanto estas: “Eu nunca conheci vocês.” Talvez, ao lê-las pela primeira vez, alguém se pergunte: Como Jesus pode dizer que não conhece uma pessoa? Deus não conhece todas as coisas? Não sabe quem somos, onde vivemos, o que pensamos e tudo o que fizemos?

É claro que sim. Deus conhece perfeitamente cada ser humano. Portanto, quando Jesus diz “Eu nunca conheci vocês”, Ele não está falando de conhecimento no sentido de informação. Não significa que aquelas pessoas eram desconhecidas para Ele. A palavra “conhecer”, nesse contexto, fala de relacionamento, comunhão e pertencimento. É como se Jesus estivesse dizendo: “Vocês falaram a Meu respeito, usaram o Meu Nome, fizeram coisas religiosas, mas nunca tiveram uma verdadeira vida comigo.”

Isso se torna ainda mais sério quando observamos o contexto. As pessoas mencionadas por Jesus não eram ateias. Elas O chamavam de “Senhor”. Algumas haviam profetizado, expulsado demônios e realizado obras impressionantes em Seu nome. Mesmo assim, Jesus mostra que atividades religiosas não substituem um relacionamento verdadeiro com Ele.

Esse alerta continua muito atual. Uma pessoa pode frequentar uma igreja durante muitos anos, conhecer hinos, participar da Ceia, ensinar uma classe bíblica, ocupar um cargo, cantar no louvor ou até pregar a Palavra e, ainda assim, precisar examinar sinceramente como está sua relação com Cristo. Podemos aprender a linguagem da igreja sem permitir que Jesus transforme nosso coração.

Hoje existe ainda outra possibilidade. Alguém pode publicar versículos todos os dias nas redes sociais, compartilhar mensagens cristãs, escrever “Deus é fiel” em suas postagens e até ser conhecido por todos como uma pessoa religiosa. Nada disso é necessariamente errado. O problema começa quando nossa aparência cristã se torna maior do que nossa comunhão com Cristo.

Paulo escreveu: “Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido por ele.” 1 Coríntios 8:3 (NAA). Que expressão maravilhosa: “conhecido por Ele”. Existe uma diferença enorme entre saber muitas coisas sobre Deus e viver pertencendo a Deus. Podemos conhecer teologia, histórias bíblicas, doutrinas e versículos e, ainda assim, perder de vista Aquele para Quem toda a Escritura aponta.

Jesus apresenta essa relação de maneira muito simples quando diz: “Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem.” João 10:14 (NAA).

A ovelha pertence ao Pastor. Ela reconhece Sua voz, depende dEle e O segue. É essa relação que Jesus deseja conosco. Não uma religião mantida apenas pelas aparências, mas uma vida ligada a Ele.

Isso não significa que o verdadeiro cristão nunca erre. Pedro errou. Davi errou. Muitos homens e mulheres usados por Deus tiveram momentos de fraqueza, e a própria Bíblia não procura esconder as falhas de nenhum deles. Pelo contrário, registra seus erros para nos mostrar que a vida com Deus não é feita de perfeição humana, mas de arrependimento, restauração e graça.

A diferença é que quem pertence ao Senhor não deseja permanecer distante dEle. Quando cai, volta. Quando peca, reconhece. Quando é corrigido pela Palavra, permite que Deus trate seu coração.

Por isso, essa passagem não foi dada para nos fazer viver aterrorizados, perguntando todos os dias se Deus vai nos abandonar. Ela foi dada para nos impedir de construir uma falsa segurança baseada apenas em atividades religiosas. Nossa esperança não está em podermos dizer: “Senhor, veja tudo o que fiz para Ti.” Nossa esperança está em Cristo, em Sua graça e na transformação que acontece na vida daqueles que verdadeiramente Lhe pertencem.

Paulo escreveu também: “O Senhor conhece os que lhe pertencem.” 2 Timóteo 2:19 (NAA).

Talvez, portanto, a pergunta mais importante não seja: “As pessoas me consideram cristão?” Nem mesmo: “Há quanto tempo frequento uma igreja?” A pergunta é mais profunda: Eu pertenço verdadeiramente a Jesus?

Há uma enorme diferença entre conhecer o Nome de Jesus e caminhar com Ele; entre falar dEle e viver nEle; entre ter aparência religiosa e ter um coração transformado pela Sua presença.

Um dia estaremos diante dEle. Nesse momento, títulos, cargos, reputação, aplausos e aparência perderão todo o valor. Que não estejamos entre aqueles que tentarão apresentar suas realizações, mas entre aqueles que serão recebidos por Aquele a Quem aprenderam a amar, seguir e obedecer.

Porque a maior bênção da eternidade não será apenas podermos dizer: “Eu O conheço.” Será ouvir, pela graça, a confirmação de que somos dEle e somos conhecidos por Ele.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

21/set/26

 

AMANHÃ DE MANHÃ É SEGUNDA-FEIRA

“Jesus dizia a todos: — Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.” Lucas 9:23 (NAA).

C. S. Lewis escreveu uma frase pequena, mas profundamente provocadora: “A cruz vem antes da coroa, e amanhã de manhã é segunda-feira.” À primeira vista, parece estranho colocar na mesma frase a cruz, a coroa e uma simples segunda-feira. Mas talvez seja justamente aí que esteja a beleza de seu pensamento.

A primeira parte é fácil de entender: a cruz vem antes da coroa. Foi assim com Jesus. Antes da ressurreição houve o Calvário. Antes da glória houve sofrimento, rejeição, dor e obediência. O caminho de Cristo passou pela cruz, e Ele nunca prometeu aos Seus discípulos uma vida sem dificuldades. Segui-Lo também envolve renúncia, perseverança e fidelidade, mesmo quando obedecer a Deus tem um preço.

Mas Lewis poderia ter parado na coroa. Teríamos uma bela frase sobre sofrimento presente e glória futura. Entretanto, ele acrescentou algo surpreendentemente comum: “amanhã de manhã é segunda-feira.” E a segunda-feira nos traz de volta à realidade.

Depois do culto de domingo, o despertador toca. É preciso levantar, preparar o café, pegar o ônibus, enfrentar o trânsito, abrir a loja, chegar ao escritório, cuidar dos filhos, limpar a casa, voltar à escola, resolver problemas e encontrar novamente pessoas com quem nem sempre é fácil conviver. As contas continuam chegando, o telefone toca, as mensagens se acumulam e aquela situação que nos preocupava no sábado talvez ainda esteja nos esperando. É nesse mundo comum que Jesus nos chama para carregar a cruz.

Talvez seja relativamente fácil cantar no domingo que entregamos tudo ao Senhor. O verdadeiro desafio aparece quando descobrimos, na segunda-feira, que esse “tudo” inclui também nosso temperamento, nosso orgulho, nossa língua, nossos desejos, nosso dinheiro, nosso tempo e a maneira como tratamos as pessoas.

Carregar a cruz pode acontecer quando alguém nos ofende no trabalho e decidimos não responder com a mesma agressividade. Pode acontecer quando recebemos um troco maior e o devolvemos, mesmo sabendo que ninguém perceberia. Pode acontecer quando poderíamos espalhar pelo WhatsApp uma informação que prejudicaria alguém, mas escolhemos ficar em silêncio. Pode acontecer dentro de casa, quando pedimos perdão mesmo achando difícil dar o primeiro passo.

Há cruz quando perdoamos enquanto nosso coração ainda está ferido. Há cruz quando falamos a verdade, embora uma mentira pareça facilitar nossa vida. Há cruz quando continuamos fazendo o que é certo sem receber reconhecimento. Há cruz quando ajudamos alguém que talvez nunca nos agradeça. Há cruz quando renunciamos a uma vantagem porque sabemos que ela seria injusta. Por isso Jesus colocou duas palavras importantes em Seu chamado: “dia a dia”.

A vida cristã não acontece somente em grandes decisões. Ela é construída nas pequenas escolhas que fazemos todos os dias. Não seguimos Jesus apenas durante uma pregação, uma oração emocionante ou um momento especial diante de Deus. Seguimos Jesus quando ninguém está olhando e quando nenhuma música está tocando ao fundo.

A fé do domingo precisa sobreviver à segunda-feira.

Isso não significa que nossa vida será apenas sofrimento. A frase de Lewis também fala da coroa. Existe uma esperança diante de nós. Paulo, próximo do fim de sua caminhada, pôde dizer: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Desde agora me está guardada a coroa da justiça, que o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda.” 2 Timóteo 4:7-8 (NAA).

Paulo enxergava a coroa, mas também sabia tudo o que havia enfrentado até chegar ali. Entre o chamado de Deus e aquele momento houve viagens, naufrágios, perseguições, prisões, lágrimas, incompreensões, cansaço e incontáveis dias comuns. Houve muitas segundas-feiras.

Também será assim conosco. Talvez nunca enfrentemos uma grande perseguição. Talvez nunca sejamos chamados a realizar algo que impressione multidões. Mas todos os dias somos chamados a seguir Jesus justamente onde estamos.

Na família. No trabalho. Na igreja. No trânsito. Diante do computador. Com o telefone nas mãos. Quando estamos sendo observados e quando ninguém está vendo. A coroa está adiante, mas a cruz é carregada hoje.

Por isso, quando o culto terminar, quando a emoção diminuir e quando amanhã de manhã chegar, lembre-se: a segunda-feira não interrompe nossa vida com Deus. Ela é justamente um dos lugares onde mostramos que realmente estamos seguindo Jesus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

20/set/26

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