O PASSADO NÃO PODE SER UMA PRISÃO

“Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia... Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Eu disse: ‘Confessarei ao Senhor as minhas transgressões’; e Tu perdoaste a iniquidade do meu pecado.” Salmos 32:3, 5 (NAA).

A culpa pode construir prisões que ninguém consegue ver. Não existem grades, cadeados ou muros, mas quem vive dentro delas sabe como é difícil escapar. A pessoa continua trabalhando, conversando, indo à igreja, cuidando da família e realizando suas tarefas, porém carrega dentro de si o peso de alguma coisa que fez e gostaria de poder apagar.

Davi conheceu essa experiência. Ele havia pecado e tentou conviver com aquilo em silêncio. O problema é que o pecado escondido não ficou apenas no passado; começou a afetar o presente. Davi descreve seu sofrimento de maneira muito forte: enquanto se calava, sentia até seus ossos envelhecerem. A consciência acusava, a alegria desaparecia e aquilo que ele tentava esconder diante dos outros continuava completamente aberto diante de Deus.

Há uma diferença importante entre a culpa que nos leva ao arrependimento e a culpa que nos mantém presos. Quando o Espírito Santo nos mostra que erramos, Ele não faz isso simplesmente para nos destruir. Ele nos convence para que reconheçamos o pecado, confessemos, recebamos o perdão e mudemos de direção. O arrependimento olha para o erro e diz: “Eu pequei e preciso voltar para Deus.” A culpa sem esperança olha para o mesmo erro e diz: “Eu pequei e nunca mais poderei ser diferente.”

Muitas pessoas vivem assim durante anos. Um pai se lembra de palavras duras que disse aos filhos quando eram pequenos e pensa que jamais poderá reparar aquilo. Uma mãe se culpa por decisões tomadas na criação dos filhos. Alguém se recorda de um casamento que terminou, de uma amizade destruída, de uma oportunidade desperdiçada, de uma mentira, de uma traição ou de uma escolha feita num momento de fraqueza. O acontecimento terminou há muito tempo, mas dentro da pessoa continua acontecendo todos os dias. É como assistir repetidamente ao mesmo filme e desejar mudar o final.

Davi descobriu que a saída daquela prisão começava com uma decisão: parar de esconder. Ele confessou seu pecado ao Senhor e recebeu perdão. O passado não deixou de existir, mas deixou de governá-lo da mesma maneira.

A Palavra nos dá esta segurança: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” 1 João 1:9 (NAA).

Observe que Deus não diz que talvez perdoe. Ele promete perdão àquele que confessa verdadeiramente seu pecado. Isso não significa apenas pronunciar algumas palavras. Confessar é reconhecer diante de Deus aquilo que fizemos, abandonar as desculpas e nos colocar diante dEle com sinceridade. Talvez alguém diga: “Mas eu não consigo me perdoar.”

Essa frase parece humilde, mas precisa ser examinada à luz da graça. Se Deus perdoou aquilo que confessamos sinceramente, por que insistimos em continuar pronunciando sobre nós mesmos uma sentença que Ele já retirou? Em Cristo, não precisamos viver tentando pagar uma dívida que Ele já pagou.

A Bíblia declara: “Agora, pois, já não existe nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus.” Romanos 8:1 (NAA).

Isso não significa que todas as consequências de nossos erros desaparecerão. Algumas escolhas deixam marcas. Uma palavra pode precisar de um pedido de perdão. Uma dívida talvez tenha de ser paga. Um relacionamento pode precisar de tempo para ser reconstruído. Há situações que nunca voltarão exatamente a ser como eram. Mas existe uma diferença enorme entre enfrentar as consequências de um erro e viver debaixo de condenação.

Deus pode usar até as marcas do passado para produzir maturidade. A pessoa que um dia feriu alguém pode tornar-se mais cuidadosa com suas palavras. Quem administrou mal seus recursos pode aprender responsabilidade. Quem perdeu relacionamentos por orgulho pode aprender humildade. Quem se afastou de Deus pode descobrir o valor de permanecer perto dEle. A graça não transforma o pecado em algo pequeno. Ela mostra que o perdão de Deus é maior.

Também precisamos compreender que não podemos mudar aquilo que aconteceu ontem, mas podemos decidir o que faremos hoje. O inimigo gosta de apontar continuamente para o passado e dizer: “Veja o que você fez.” Cristo aponta para a cruz e nos lembra do que Ele fez.

Talvez exista alguma lembrança que ainda governe suas emoções. Talvez ninguém saiba, mas você sabe. E Deus também sabe.

Se existe pecado ainda não confessado, não o esconda. Leve-o ao Senhor com sinceridade. Se for necessário pedir perdão a alguém, peça. Se houver algo que possa ser reparado, procure reparar. Mas, depois de confessar e receber o perdão de Deus, não continue morando numa prisão cuja porta Cristo já abriu.

Davi entrou no Salmo 32 carregando o peso do silêncio e saiu celebrando a alegria do perdão. Você também pode sair. Porque o passado pode explicar algumas de nossas cicatrizes, mas, nas mãos de Deus, não precisa determinar nosso futuro.

A culpa nos mantém olhando para aquilo que fizemos; a graça nos faz olhar para aquilo que Cristo fez. Quando Deus perdoa, o passado deixa de ser uma prisão e pode tornar-se uma lembrança da grandeza de Sua misericórdia.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

24/ago/26

 

QUANDO O MAL ENCONTRA A PORTA FECHADA

“..._e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [pois Teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém]!” Mateus 6:13 (NAA).

Jesus encerra a oração do Pai Nosso ensinando-nos a reconhecer uma realidade que não podemos ignorar: somos fracos e precisamos diariamente da proteção de Deus. Depois de pedir o pão, o perdão e aprender a perdoar, chegamos ao último pedido: não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal.

Isso não significa que Deus nos tenta para nos fazer pecar. A Bíblia afirma: “Ninguém, ao ser tentado, diga: ‘Sou tentado por Deus.’ Porque Deus não pode ser tentado pelo mal e Ele mesmo não tenta ninguém.” Tiago 1:13 (NAA).

Portanto, quando pedimos não nos deixes cair em tentação, estamos dizendo: “Pai, conheço minha fraqueza. Guarda-me. Não permitas que eu caminhe sozinho por lugares onde minha fé poderá ser vencida. Dá-me sabedoria para reconhecer o perigo e força para fugir dele.”

Há uma grande diferença entre confiar em Deus e confiar excessivamente em nós mesmos. Muitas quedas começam quando alguém pensa: “Comigo isso nunca acontecerá.” A pessoa acredita que é suficientemente forte para permanecer perto daquilo que a tenta sem cair. Jesus nos ensina exatamente o contrário. Ele nos ensina a reconhecer nossa fragilidade.

Foi por isso que, no Getsêmani, disse aos discípulos: Vigiem e orem, para que não caiam em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” Mateus 26:41 (NAA).

Observe as duas palavras: vigiar e orar.

Não basta orar e continuar entrando voluntariamente em situações que sabemos que podem nos derrubar. Se determinada conversa sempre termina em fofoca, precisamos ter cuidado. Se determinadas companhias nos afastam de Deus, precisamos estabelecer limites. Se o celular abre portas para conteúdos que alimentam pensamentos errados, precisamos vigiar aquilo que vemos. Se sabemos que nossa fraqueza é a raiva, devemos evitar responder no momento em que estamos dominados pela emoção. Às vezes pedimos: Senhor, livra-me da tentação, mas continuamos deixando aberta a porta por onde ela costuma entrar.

Em nossos dias, precisamos ter atenção especial com as redes sociais. Elas podem ser instrumentos úteis, mas também podem colocar diante dos nossos olhos, todos os dias, conteúdos, conversas e relacionamentos capazes de alimentar aquilo que deveríamos evitar. Uma imagem pode despertar um desejo errado; uma conversa aparentemente inocente pode ultrapassar limites; a comparação constante com a vida dos outros pode alimentar inveja, insatisfação e orgulho; uma discussão pode despertar ira; e a facilidade de falar sem estar diante da pessoa pode nos levar a dizer aquilo que jamais diríamos frente a frente.

Por isso, vigiar também significa saber o que vemos, quem seguimos, com quem conversamos e quanto tempo permitimos que as redes ocupem nossa mente. Não faz sentido pedir a Deus que nos livre daquilo que continuamos procurando ou manter aberta uma porta que sabemos para onde nos conduz.

Em determinadas situações, o livramento de Deus pode estar justamente na decisão de deixar de seguir alguém, encerrar uma conversa, bloquear determinado conteúdo, desligar o celular ou simplesmente afastar-se daquilo que percebemos estar enfraquecendo nossa comunhão com Ele.

A oração não substitui a vigilância. A oração nos dá força para vigiar e coragem para fechar as portas que não deveriam permanecer abertas.

Também existem tentações muito comuns em nossos dias. Um funcionário pode ter a oportunidade de conseguir vantagem através de algo desonesto e pensar: “Ninguém descobrirá.” Uma pessoa casada pode começar uma conversa aparentemente inocente e perceber, aos poucos, que está ultrapassando limites. Alguém ofendido pode sentir vontade de responder imediatamente nas redes sociais. Outro pode receber dinheiro a mais por engano e decidir ficar calado. É nesses momentos comuns da vida que Mateus 6:13 se torna uma oração profundamente atual: Pai, não me deixes cair.”

A tentação normalmente não se apresenta dizendo: “Estou aqui para destruir sua vida.” Muitas vezes ela começa oferecendo algo agradável, fácil ou aparentemente sem importância. O problema é que pequenos passos podem nos levar para muito longe de onde imaginávamos chegar. Por isso precisamos diariamente da direção de Deus. Mas Jesus não ensina apenas a pedir que não caiamos. Ele acrescenta: mas livra-nos do mal”.

Existem batalhas das quais precisamos ser guardados antes mesmo de perceber o perigo. Há situações que Deus impede, caminhos que Ele fecha, encontros que não acontecem e circunstâncias das quais Ele nos livra sem que jamais saibamos.

Outras vezes, o livramento acontece no meio da própria tentação.

Paulo escreve: “Não sobreveio a vocês nenhuma tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar; pelo contrário, juntamente com a tentação proverá livramento, para que vocês a possam suportar.” 1Coríntios 10:13 (NAA).

Isso é maravilhoso. A tentação pode aparecer, mas Deus continua presente. Existe uma saída. Talvez seja desligar o telefone, sair daquele lugar, encerrar uma conversa, recusar uma proposta, procurar alguém de confiança, começar a orar ou simplesmente dizer não enquanto ainda podemos dizer não.

Muitas vezes queremos que Deus retire a tentação, enquanto Ele está nos mostrando a porta pela qual devemos fugir dela.

Também chama a atenção que Jesus continua usando o plural. Ele não diz apenas não me deixes cair ou livra-me, mas não nos deixes e livra-nos.

Mais uma vez aparece a comunhão. A vida cristã não foi feita para ser vivida sozinha. Precisamos orar uns pelos outros, cuidar uns dos outros e ajudar nossos irmãos quando percebemos que estão enfraquecendo. Às vezes, o livramento de Deus chega através de uma palavra, de um conselho, de uma oração ou de um irmão que percebe o perigo antes de nós.

E a oração termina voltando para onde começou: Deus.

Começamos dizendo Pai nosso e terminamos reconhecendo que dEle são o Reino, o poder e a glória.

Isso nos lembra de que nossa segurança não está em nossa força, mas na força dEle. Não vencemos porque somos incapazes de cair. Vencemos porque aprendemos a vigiar, orar, fugir do mal e depender diariamente de Deus.

Talvez essa seja a grande lição do último pedido do Pai Nosso: não devemos ter vergonha de reconhecer nossa fraqueza; perigoso é imaginar que não precisamos da proteção de Deus.

Todos os dias podemos começar dizendo: Pai, guia meus passos, guarda meus olhos, minhas palavras, meus pensamentos e minhas decisões. Mostra-me o perigo antes que eu caia e, quando o mal se aproximar, dá-me sabedoria para reconhecer a saída que Tu preparaste.”

A oração termina, mas a dependência continua.

A maior segurança do cristão não está em acreditar que é forte demais para cair, mas em saber que é fraco o suficiente para precisar de Deus e amado o suficiente para encontrar nEle o livramento.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

23/ago/26

 

PERDOADOS PARA PERDOAR

“..._e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores” Mateus 6:12 (NAA).

Depois de ensinar a pedir o pão de cada dia, Jesus nos leva a uma necessidade ainda mais profunda. O corpo precisa de alimento, mas a alma precisa de perdão. Podemos ter pão sobre a mesa e, ainda assim, carregar dentro de nós o peso da culpa, de erros cometidos, de palavras que não deveriam ter sido ditas e de atitudes que feriram a Deus e às pessoas.

Jesus chama nossos pecados de dívidas. Não está falando, nesse momento, de dinheiro. Pecar é ficar em dívida diante de Deus, porque deixamos de viver como Ele deseja. Quando mentimos, alimentamos orgulho, guardamos pensamentos ruins, tratamos alguém injustamente ou fazemos aquilo que sabemos ser errado, pecamos contra Deus. Por isso Jesus nos ensina a orar: perdoa-nos as nossas dívidas.

Essa oração começa com uma atitude muito importante: reconhecer que precisamos de perdão. É fácil enxergar os erros dos outros. Mais difícil é olhar para dentro de nós mesmos e admitir: “Senhor, eu errei. Preciso da Tua misericórdia.”

Vivemos em uma época em que as pessoas encontram muita facilidade para justificar seus próprios comportamentos. Dizemos: “Fiz isso porque ele me provocou”; “falei daquela maneira porque estava nervoso”; “todo mundo faz”; “eu tinha meus motivos”. Podemos encontrar muitas explicações, mas nenhuma delas substitui a confissão sincera.

Quem ora esta oração ensinada por Jesus não diz: “Pai, explica os meus erros.” Diz: Pai, perdoa-me.”

Há algo muito bonito nessa oração: Jesus coloca o pedido de perdão dentro da caminhada diária. Assim como precisamos do pão todos os dias, também precisamos examinar diariamente o coração diante de Deus. Nenhum de nós chega a um ponto da vida cristã em que possa dizer que não precisa mais da misericórdia do Senhor.

Mas Jesus acrescenta uma parte que torna essa oração ainda mais séria: assim como nós também perdoamos aos nossos devedores”. Agora já não estamos falando apenas do que Deus faz por nós, mas daquilo que Sua graça deve produzir em nós.

Pedimos perdão porque também somos devedores, mas existem pessoas que se tornaram nossas devedoras. Alguém nos magoou, decepcionou, traiu nossa confiança, falou contra nós, deixou de cumprir uma promessa ou nos tratou de maneira injusta. Algumas dessas feridas desaparecem rapidamente. Outras permanecem durante anos. É justamente aí que a oração de Jesus toca profundamente nosso coração.

Não podemos pedir misericórdia para os nossos erros e exigir julgamento sem misericórdia para todos os erros dos outros. O coração que conhece o perdão de Deus precisa aprender a perdoar.

Isso não significa que nosso perdão compra o perdão de Deus, como se pudéssemos merecê-lo através das nossas boas obras. Significa que quem verdadeiramente compreende quanto foi perdoado por Deus começa a olhar de maneira diferente para quem também lhe deve alguma coisa.

Jesus reforça esse ensino logo depois da oração ao falar sobre perdoarmos as ofensas dos outros em Mateus 6:14-15. O perdão recebido não deve parar em nós. Ele precisa alcançar nossos relacionamentos.

Talvez alguém esteja há anos sem falar com um irmão por causa de uma discussão sobre herança. Talvez uma amizade tenha terminado por causa de uma palavra dita num momento de raiva. Pode haver um filho que ainda guarda ressentimento dos pais, um casal que continua trazendo para cada nova discussão erros cometidos muitos anos atrás ou alguém que revive diariamente uma ofensa recebida.

Perdoar não significa dizer que o que aconteceu foi certo. Também não significa fingir que não doeu, apagar imediatamente todas as lembranças ou impedir que uma pessoa responda pelas consequências de seus atos. Há situações em que será necessário manter limites e prudência. Perdoar significa entregar a Deus o direito de alimentar a vingança dentro de nós.

Às vezes, quem nos feriu nem sequer pedirá perdão. Talvez nunca reconheça o mal que fez. Mesmo assim, não precisamos permitir que essa pessoa continue ocupando nosso coração através do ressentimento.

O perdão também pode ser um processo. Há feridas tão profundas que não desaparecem de um dia para o outro. Talvez seja necessário voltar muitas vezes à presença de Deus e dizer: “Senhor, ainda dói, mas eu não quero alimentar este ódio. Ajuda-me a perdoar.”

Perceba novamente a palavra nosso presente no Pai Nosso. Pedimos o pão nosso e agora pedimos perdão pelas nossas dívidas. A oração continua sendo feita em comunhão. Somos uma comunidade de pessoas imperfeitas vivendo pela mesma graça. Na Igreja não encontramos pessoas que nunca erram; encontramos pessoas que precisam aprender diariamente a pedir perdão e a oferecer perdão.

No fim, Mateus 6:12 coloca todos nós no mesmo lugar: diante da misericórdia de Deus.

Quem olha apenas para a dívida do outro pode guardar ressentimento. Mas quem se lembra da própria dívida e do quanto recebeu misericórdia encontra forças para começar a perdoar.

Talvez uma das orações mais difíceis que possamos fazer seja também uma das mais libertadoras: Pai, perdoa-me e ensina-me a perdoar.”

Quem se ajoelha diante de Deus pedindo que sua dívida seja perdoada aprende a se levantar sem carregar nas mãos a conta daqueles que lhe devem.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

22/ago/26

 

O PÃO DE HOJE NAS MÃOS DE DEUS

“..._o pão nosso de cada dia nos dá hoje.Mateus 6:11 (NAA).

Depois de ensinar Seus discípulos a pedir que o nome de Deus seja santificado, que venha o Seu Reino e que seja feita a Sua vontade, Jesus chega às necessidades da vida. Pela primeira vez na oração aparece um pedido diretamente relacionado àquilo de que precisamos: “o pão nosso de cada dia nos dá hoje”.

É uma frase pequena, mas cheia de ensinamentos. Jesus não ensinou a pedir o pão para o ano inteiro. Ele falou do pão de cada dia. Assim, ensina-nos a viver dependendo de Deus um dia de cada vez.

O pão representa aquilo que é necessário para nossa vida. É o alimento sobre a mesa, mas também nos lembra do trabalho, da casa, da saúde, da roupa, do remédio e de tantas outras necessidades. Quando pedimos o pão diário, reconhecemos que não dependemos apenas do nosso salário, da nossa capacidade ou dos recursos que conseguimos juntar. Por trás de tudo está o cuidado de Deus.

Isso não significa deixar de trabalhar, economizar ou planejar. A Bíblia não ensina irresponsabilidade. Jesus está falando da dependência do coração. Podemos planejar o amanhã sem permitir que a preocupação com o amanhã roube nossa paz hoje.

Esse ensino é muito atual. Há pessoas preocupadas com a prestação que vencerá no fim do mês. Famílias fazem contas no supermercado para que o dinheiro seja suficiente. Pais pensam nas despesas dos filhos. Aposentados se preocupam com medicamentos. Trabalhadores temem perder o emprego. São situações reais, e Deus não despreza nenhuma delas.

Quando oramos “o pão nosso de cada dia nos dá hoje”, estamos dizendo: “Pai, preciso de Ti para atravessar este dia. Dá-me força para trabalhar, sabedoria para administrar o que tenho e fé para não ser dominado pelo medo.

Mas existe ainda uma aplicação espiritual muito preciosa nessa palavra “pão”. O pão de Mateus 6:11 fala primeiro das nossas necessidades diárias, porém a Bíblia também nos apresenta um alimento sem o qual nossa alma não pode viver: Jesus Cristo.

O próprio Jesus declarou: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim jamais terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede.” João 6:35 (NAA).

Precisamos do pão material para alimentar o corpo, mas precisamos de Jesus para alimentar a alma. Podemos ter a mesa cheia e, ainda assim, carregar um coração vazio. Podemos possuir bens, segurança financeira e conforto e continuar sentindo uma fome interior que nenhuma coisa deste mundo consegue satisfazer. Essa fome só encontra resposta em Cristo.

Isso nos faz lembrar do povo de Israel no deserto. Durante sua caminhada, Deus enviava o maná para sustentá-lo. Não era necessário guardar alimento para muitos meses. O povo precisava confiar que Deus daria novamente a provisão necessária. A Escritura diz: “Colhiam-no, pois, manhã após manhã, cada um quanto conseguia comer.” Êxodo 16:21 (NAA). O maná caía de manhã, e o povo precisava recolhê-lo. Havia, portanto, uma dependência diária.

Essa imagem nos ajuda a compreender nossa vida espiritual. Assim como Israel precisava receber diariamente o alimento enviado por Deus no deserto, nós também precisamos alimentar nossa comunhão com Cristo todos os dias. Não podemos viver hoje apenas da experiência que tivemos com Deus muitos anos atrás. O alimento de ontem foi importante, mas precisamos do pão de hoje.

Jesus continua presente para alimentar Sua Igreja. Ele nos alimenta por meio de Sua Palavra, da comunhão com Ele, da oração e da ação do Espírito Santo em nossa vida. Cada manhã é uma nova oportunidade de nos aproximarmos dEle e dizermos: “Senhor, alimenta hoje a minha alma.”

Por isso, o pão diário possui uma aplicação muito profunda. Precisamos perguntar não apenas: “Há pão sobre minha mesa?”, mas também: “Minha alma está sendo alimentada por Cristo?”

Há cristãos que cuidam cuidadosamente do corpo, da profissão, da casa e das finanças, mas passam dias sem abrir a Bíblia, sem orar e sem separar um momento para estar diante de Deus. Aos poucos, a alma enfraquece. Não porque Jesus tenha deixado de ser suficiente, mas porque deixamos de buscar nEle o alimento de que necessitamos.

Há ainda uma palavra muito importante nessa oração. Jesus não disse o meu pão, mas o pão nosso. Isso nos fala de comunhão.

O mesmo Pai que cuida de mim é o Pai que cuida dos meus irmãos, e o pão que pedimos não é pensado apenas de forma individual. Na oração ensinada por Jesus, ninguém caminha sozinho. Somos uma família que depende do mesmo Pai e recebe dEle o sustento para a caminhada. Por isso, o pão é “nosso”: lembra-nos de que pertencemos uns aos outros e de que a fé cristã não pode ser vivida de maneira isolada.

Quando um irmão sofre, a Igreja se importa; quando alguém tem necessidade, os outros são chamados a compartilhar; quando Deus coloca provisão em nossas mãos, podemos nos tornar instrumentos para que o pão também chegue à mesa de quem precisa. O pão que vem do Pai alimenta a vida, mas o “nosso” nos lembra de que essa vida é vivida em comunhão.

E há ainda uma ligação muito bonita com o que você acrescentou sobre Cristo: Jesus é o Pão da Vida dado não apenas a indivíduos isolados, mas à Sua Igreja. Assim, o “pão nosso” pode conduzir naturalmente à ideia de um povo reunido em torno do mesmo Cristo, alimentado diariamente por Ele.

O pão é de cada dia, mas não é apenas meu: é nosso, porque o Pai que nos sustenta também nos ensina a caminhar, repartir e viver em comunhão.

Mateus 6:11, portanto, ensina-nos uma dependência completa: pão para o corpo e Cristo para a alma; provisão para a caminhada e presença de Deus para o coração.

A cada manhã, Deus continua nos chamando a confiar nEle. Como o maná no deserto, Sua graça nos encontra no caminho. E como o Pão da Vida, Jesus continua sendo suficiente para sustentar Sua Igreja até o fim da jornada.

Precisamos do pão de Deus para atravessar o dia e do Pão da Vida para atravessar a vida; o corpo necessita da provisão de Suas mãos, mas a alma só encontra verdadeira satisfação na presença de Jesus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

21/ago/26

 

QUANDO DEUS ASSUME O GOVERNO

“..._venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” Mateus 6:10 (NAA).

Quando Jesus ensinou os discípulos a orar, mostrou também a ordem que deve existir em nosso coração. Antes de falar do pão, do perdão ou do livramento, Ele ensinou a buscar aquilo que pertence a Deus: Seu nome, Seu Reino e Sua vontade. Isso nos ensina que a oração não começa com aquilo que queremos receber, mas com o reconhecimento de quem Deus é e do lugar que Ele deve ocupar em nossa vida.

Jesus ensinou a pedir: venha o teu Reino. O Reino de Deus não é um país, um território ou um governo como conhecemos neste mundo. Falar do Reino de Deus é falar do Seu governo, da Sua autoridade e do Seu domínio. Portanto, quando pedimos que venha o Seu Reino, estamos dizendo: Senhor, governa a minha vida.”

É muito fácil desejar que Deus governe o mundo. Queremos que Ele mude a sociedade, transforme nossa família, alcance nossos filhos, restaure nossa igreja e corrija tantas coisas que vemos ao nosso redor. Mas a pergunta mais importante é outra: Deus está governando o meu coração?

Podemos pedir que Deus mude os outros e continuar resistindo àquilo que Ele deseja mudar em nós. Podemos pedir que nossos filhos façam a vontade de Deus, mas não aceitar quando a Palavra confronta nossas próprias atitudes. Podemos pedir paz dentro de casa e continuar alimentando uma mágoa. Podemos pedir que Deus abençoe nossos relacionamentos e, ao mesmo tempo, não querer perdoar. O Reino de Deus precisa começar dentro de nós.

Quando Deus reina, Ele passa a ter autoridade sobre nossas escolhas. Antes de tomar uma decisão profissional, perguntamos o que agrada a Ele. Antes de responder a alguém com raiva pelo celular, pensamos se nossas palavras honram o Seu nome. Antes de entrar em um relacionamento, fazer um negócio ou escolher determinado caminho, buscamos Sua direção. Isso é permitir que Deus governe a vida diária.

Depois Jesus acrescenta: seja feita a tua vontade. Talvez essa seja uma das frases mais fáceis de repetir e uma das mais difíceis de viver.

Todos temos vontade própria. Fazemos planos, sonhamos, criamos expectativas e apresentamos nossos pedidos a Deus. Não há nada errado nisso. Podemos contar a Ele o que desejamos. O problema começa quando só consideramos Deus bom se Ele fizer exatamente o que pedimos.

Às vezes oramos por determinado emprego e a oportunidade não aparece. Pedimos que uma porta se abra, mas ela permanece fechada. Oramos pela solução rápida de um problema familiar, mas precisamos esperar. Planejamos algo durante meses e, de repente, tudo muda. Nessas horas, dizer seja feita a Tua vontade deixa de ser apenas uma frase bonita e passa a ser uma verdadeira entrega.

Fazer essa oração não significa abandonar nossos sonhos nem deixar de lutar. Também não significa falta de fé. Significa reconhecer que Deus vê aquilo que nós não vemos. Nós conhecemos apenas o momento presente; Ele conhece todo o caminho. Por isso, podemos dizer: Pai, isto é o que eu desejo, mas confio mais no que Tu sabes do que naquilo que eu consigo enxergar.”

O próprio Jesus viveu isso no Getsêmani. Diante do sofrimento que estava prestes a enfrentar, Ele abriu Seu coração ao Pai, falou de Sua angústia e submeteu-Se à vontade dEle. Mateus 26:39. Jesus nos mostra que fé não significa esconder o que sentimos. Podemos chorar, pedir, desejar uma resposta diferente e, ainda assim, confiar em Deus.

Finalmente, Jesus diz: assim na terra como no céu. É como se estivéssemos pedindo: “Senhor, que a Tua vontade encontre em mim a mesma obediência que encontra no céu.” E isso torna essa oração profundamente pessoal.

Antes de pedirmos: Senhor, muda o mundo, talvez devamos perguntar: Senhor, o que precisa ser mudado em mim?

Antes de desejarmos que os outros obedeçam a Deus, precisamos examinar nossa própria obediência. Antes de pedirmos que Seu Reino apareça ao nosso redor, precisamos permitir que Seu governo seja visto em nossas escolhas, palavras e atitudes.

Mateus 6:10 nos ensina que oração não é uma tentativa de convencer Deus a entrar em nossos planos. É também o momento em que colocamos nossos planos diante dEle e dizemos: Tu és o Rei. Eu confio em Ti. Que a Tua vontade prevaleça.”

Há momentos em que Deus realizará exatamente aquilo que pedimos. Em outros, Sua resposta será diferente. Mas quem aprendeu a dizer venha o Teu Reino também aprende a descansar dizendo seja feita a Tua vontade.

A oração mais profunda não é aquela em que conseguimos fazer Deus seguir os nossos planos, mas aquela em que confiamos o suficiente para colocar nossos planos nas mãos dEle e permitir que Ele governe o caminho.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

20/ago/26

 

ANTES DO NOSSO PÃO, O NOME DELE

“Portanto, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome’.” Mateus 6:9 (NAA)

Nos próximos cinco dias, estaremos meditando sobre a oração que Jesus ensinou aos Seus discípulos. E o primeiro ensino que encontramos nela é fundamental: a quem devem ser dirigidas as nossas orações. Antes de ensinar o que pedir, Jesus nos ensina a quem devemos orar.

Quando Jesus ensinou os discípulos a orar, não começou pelas necessidades humanas. Não começou falando do pão, do perdão, dos problemas ou dos perigos da vida. Antes de apresentar qualquer pedido, ensinou-os a voltar o coração para Deus e a reconhecer quem Ele é. Por isso, a oração começa com estas palavras: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu nome.”

A primeira lição, portanto, não está no pedido, mas no destinatário da oração. Jesus nos ensina que a verdadeira oração começa em Deus, reconhecendo-O como Pai, Senhor soberano e digno de toda honra.

E as duas primeiras palavras já nos ensinam muito: “Pai nosso.” Jesus poderia ter começado dizendo “Deus Todo-Poderoso”, “Criador dos céus e da terra” ou “Senhor de todas as coisas”. Tudo isso seria verdadeiro. Mas Ele escolheu uma palavra que revela relacionamento: Pai. Nela encontramos proximidade, cuidado, confiança, amor e pertencimento.

Quando nos aproximamos de Deus por meio de Jesus, não estamos falando com uma força distante nem com Alguém indiferente às nossas dores. Aproximamo-nos dEle como filhos que chegam ao pai. Podemos falar das nossas alegrias, medos, necessidades, dúvidas e lágrimas. E há momentos em que nem conseguimos explicar o que sentimos; ainda assim, podemos simplesmente dizer: Pai, eu preciso de Ti.”

E talvez essa seja uma das maiores verdades da oração: antes de abrir a boca para apresentar uma necessidade, podemos abrir o coração diante de um Pai.

Pense em alguém que recebe uma notícia preocupante, enfrenta dificuldades dentro de casa, perde o emprego ou percebe que as contas do mês serão maiores do que o dinheiro disponível. A primeira reação pode ser o medo. Mas aquele que conhece Deus pode, mesmo com o coração apertado, dizer: “Pai, eu não sei como resolver isso, mas sei que não estou sozinho.

Há, porém, uma palavra muito importante nessa oração. Jesus não ensinou “Pai meu”, mas “Pai nosso”. Isso nos lembra que a vida cristã não pode ser vivida apenas pensando em nós mesmos. Quando digo “Pai nosso”, reconheço que faço parte de uma família. Existem outros filhos que também precisam de cuidado, oração, consolo e ajuda.

Não faz sentido pedir a Deus o pão de cada dia e fechar os olhos para alguém que está passando necessidade. Não combina chamar Deus de “Pai nosso” e guardar mágoa contra um irmão. A oração nos aproxima de Deus, mas também deve nos tornar mais sensíveis às pessoas.

Depois, Jesus diz: “que estás nos céus”. Aqui encontramos um equilíbrio maravilhoso. Deus é Pai, por isso está perto; mas está nos céus, por isso está acima de nós. Podemos ter intimidade com Ele sem perder a reverência.

Nós vemos a vida da terra. Deus vê do alto. Nós enxergamos apenas o momento que estamos vivendo; Ele conhece aquilo que ficou para trás, aquilo que está acontecendo agora e aquilo que ainda virá. Muitas vezes olhamos para uma porta fechada e pensamos que tudo acabou. Deus, porém, conhece caminhos que ainda nem conseguimos enxergar.

Por isso, talvez uma das maiores verdades dessa oração seja esta: o problema pode ser maior do que as minhas forças, mas nunca será maior do que o meu Pai.

Então chegamos às palavras: “santificado seja o Teu nome”. Não estamos pedindo que Deus Se torne santo, porque Ele já é santo. Estamos dizendo que desejamos que Seu nome seja reconhecido, honrado e glorificado. É como se disséssemos: “Pai, que a minha vida mostre às pessoas quem Tu és.”

Isso transforma a oração em compromisso. Não podemos dizer no culto da noite “santificado seja o Teu nome” e, durante o dia, viver de uma maneira que envergonhe esse nome.

Santificamos o nome de Deus quando somos honestos mesmo quando ninguém está olhando; quando tratamos nossa família com amor; quando recusamos uma vantagem desonesta no trabalho; quando nossas palavras nas redes sociais combinam com aquilo que professamos na igreja; quando cumprimos nossa palavra e quando nossas atitudes fazem as pessoas perceberem que pertencemos a Cristo.

Paulo resume esse princípio dizendo: Portanto, se vocês comem, ou bebem ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” 1 Coríntios 10:31 (NAA).

Observe, então, a ordem ensinada por Jesus. Antes de “dá-nos”, vem “santificado seja”. Antes do nosso pão, vem o nome dEle. Antes das nossas necessidades, vem a glória dEle. Antes de pedir que Deus cuide daquilo que é nosso, aprendemos a desejar aquilo que honra a Ele.

Toda vez que começarmos a orar, podemos nos lembrar de três verdades muito simples: quando digo Pai nosso, lembro-me de quem eu sou — filho; quando digo que estás nos céus, lembro-me de quem Ele é — Deus soberano; e quando digo santificado seja o Teu nome, lembro-me de como devo viver — para a Sua glória.

A oração começa a mudar verdadeiramente a nossa vida quando deixamos de usá-la apenas para dizer a Deus o que queremos e permitimos que ela também nos ensine a viver como Ele deseja.

A verdadeira oração começa quando, antes de colocarmos nossas necessidades diante de Deus, colocamos nossa vida diante dEle e dizemos: “Pai, que acima de tudo o Teu nome seja glorificado em mim.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

19/ago/26

 

O DEUS QUE VÊ, OUVE E AGE

“Conheço o sofrimento do meu povo. Por isso desci a fim de livrá-lo...” Êxodo 3:7-8 (NAA).

Israel estava vivendo um dos períodos mais difíceis de sua história. O povo estava no Egito, sofrendo debaixo de uma dura escravidão. Eram homens e mulheres cansados, oprimidos, tratados com crueldade e sem forças para mudar aquela situação. Talvez muitos tenham pensado que Deus havia Se esquecido deles. Entretanto, Êxodo 3 mostra exatamente o contrário. Deus estava vendo, ouvindo e conhecendo tudo o que Seu povo enfrentava.

A primeira coisa que chama nossa atenção é que Deus viu. Nada estava escondido dos Seus olhos. Ele via o trabalho pesado, as lágrimas, o medo e a injustiça. Deus não olhava aquela situação de maneira superficial. Ele conhecia cada detalhe, pois viu atentamente.

Isso também fala conosco hoje. Talvez ninguém saiba o que você está enfrentando. Pode ser uma doença que trouxe medo, uma situação familiar que parece não ter solução, uma dificuldade financeira, a perda de um emprego ou uma noite em que você chorou sozinho sem contar a ninguém. As pessoas podem olhar para você e imaginar que está tudo bem. Deus, porém, vê aquilo que ninguém mais consegue enxergar.

Depois, Deus disse que ouviu o clamor do povo. A dor havia se transformado em oração. Aqueles homens e mulheres clamavam porque já não conseguiam resolver sua situação com as próprias forças.

Existem momentos em que também chegamos a esse ponto. Tentamos uma solução, depois outra, conversamos com pessoas, buscamos ajuda, fazemos planos, mas algumas situações continuam fora do nosso alcance. Então percebemos que precisamos clamar ao Senhor. Talvez nossa oração seja simples: “Senhor, ajuda-me.” Deus não precisa de palavras bonitas. Ele ouve o coração que clama com sinceridade.

Em seguida, o Senhor declara algo ainda mais profundo: Conheço o sofrimento do meu povo. Êxodo 3:7 (NAA).

Deus não apenas vê e ouve; Ele conhece a dor. E essa verdade se torna ainda mais preciosa quando olhamos para Jesus. Isaías O apresenta como homem de dores e que sabe o que é padecer. Isaías 53:3 (NAA).

Jesus conheceu a rejeição, as lágrimas, o sofrimento e a morte. Quando chegamos diante dEle com nossas dores, não estamos falando com Alguém indiferente à condição humana. Ele entrou em nossa realidade.

Então aparece uma das expressões mais bonitas de Êxodo 3: Deus desceu para livrar Seu povo. No contexto da passagem, Ele estava anunciando que libertaria Israel das mãos dos egípcios e o conduziria para uma terra boa e ampla.

Isso nos permite lembrar de algo ainda maior que aconteceu muitos anos depois. Em Jesus Cristo, Deus veio ao encontro da humanidade. João declara: E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade.” João 1:14 (NAA).

Deus não ficou distante de nossa necessidade. Jesus veio ao mundo para realizar a obra da salvação. O pecado havia colocado o homem numa condição que ele não poderia resolver sozinho. Precisávamos de um Salvador.

É muito importante perceber a sequência: Deus viu a aflição, ouviu o clamor, conheceu o sofrimento e desceu para livrar. Mas Ele não queria apenas tirar Israel do Egito. Queria também levá-lo para outro lugar. Havia uma terra preparada.

Nossa salvação também aponta para um destino. Jesus não nos salva apenas para melhorar alguns anos de nossa vida na terra. Ele nos salva para a eternidade. Antes de partir, Ele deixou uma maravilhosa promessa: “Na casa de meu Pai há muitas moradas... voltarei e os receberei para mim mesmo.” João 14:2-3 (NAA).

Talvez hoje você esteja vivendo o seu “Egito”: uma situação que o oprime, uma dor que parece não terminar, uma luta que ninguém conhece ou até mesmo uma vida distante de Deus. Não pense que o silêncio significa ausência. O Senhor continua vendo.

Ele vê o quarto de hospital em que alguém espera uma resposta. Vê a mãe que ora por um filho afastado. Vê aquele que procura emprego e recebe uma negativa depois da outra. Vê quem entra em casa sorrindo para a família, mas carrega preocupações que não consegue compartilhar. E vê também o pecador que percebe que precisa voltar para Deus.

O mesmo Deus que viu Israel continua vendo. O Deus que ouviu continua ouvindo. O Deus que conheceu aquelas dores conhece as nossas. E o Deus que desceu para livrar revelou em Jesus Cristo a maior libertação de todas: a salvação.

Por isso, não entregue sua esperança ao desespero. Continue confiando, orando e caminhando com o Senhor. Nem sempre saberemos quando ou de que maneira Ele responderá, mas sabemos Quem está conosco.

A história de Êxodo começa com um povo oprimido e aponta para uma libertação preparada por Deus. Assim também é a mensagem do Evangelho: Cristo veio ao nosso encontro, abriu o caminho da salvação e prometeu receber os Seus para Si mesmo.

Deus vê. Deus ouve. Deus conhece. Deus vem ao nosso encontro, liberta e conduz.

E quando não conseguimos enxergar além da nossa dor, podemos descansar nesta certeza: o sofrimento que chegou aos nossos olhos já estava diante dos olhos de Deus.

Deus não contempla nossa dor como um espectador distante; Ele vê o que ninguém vê, ouve o que ninguém ouve e, em Cristo, veio ao nosso encontro para nos conduzir da escravidão à liberdade e desta vida à eternidade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

18/ago/26

  O PASSADO NÃO PODE SER UMA PRISÃO “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia.....