DOIS FILHOS PERDIDOS: UMA REFLEXÃO
“Cobradores de impostos e outros pecadores vinham ouvir Jesus ensinar. Os fariseus e mestres da lei o criticavam, dizendo: "Ele se reúne com pecadores e até come com eles!" Lucas 15:1 NVT
A parábola do filho pródigo é profundamente significativa em seu conteúdo profético. A cada releitura do texto, guiados pelo Espírito Santo, novas aplicações se revelam. Nas vezes em que preguei sobre esse texto, destaquei o retorno do filho pródigo, as bênçãos da casa do pai e o amor incondicional do pai que acolheu o filho perdido, citando exemplos contidos na narrativa do texto. No entanto, quero trazer um enfoque menos explorado, mas igualmente relevante, acerca dessa parábola contada por Jesus
Nesta reflexão, exploraremos os dois grupos presentes na plateia de Jesus, associando-os aos comportamentos dos dois filhos na parábola. De um lado, temos os cobradores de impostos e outros pecadores, trilhando o caminho do autoconhecimento, assim como o filho mais novo, denominado “pródigo”. Do outro, os fariseus e mestres da lei, representando o caminho da moralidade, semelhante ao irmão mais velho. Ambos os grupos tinham argumentos para justificar suas ações, mas nenhum deles atendia ao que Deus requer para o alcance da vida eterna. Vamos explorar essa rica narrativa e suas implicações.
Cada um dos grupos tinha fortes argumentos para a defesa de seus comportamentos, acreditando que apenas o seu modo de agir poderia resolver os problemas do mundo. O que se depreende da história é que os dois filhos, por meio de suas ações, estavam indiscutivelmente perdidos, assim como ambos os grupos estavam equivocados em suas posições
O irmão mais novo, ao tomar a atitude de requerer sua parte na herança, o fez movido pela busca de prazeres, rejeitando o próprio pai. Aquele jovem tinha sua própria verdade e sabia apenas o que era certo ou errado para si mesmo. Vivendo do jeito que queria, entre altos e baixos, tentava encontrar a felicidade. Sua vida era conduzida pela realidade que seus olhos conseguiam alcançar. "O coração humano é mais enganoso que qualquer coisa e é extremamente perverso; quem sabe, de fato, o quanto é mau?” Jeremias 17:9 NVT
O irmão mais velho, embora considerado o “bom filho” pelos padrões tradicionais, fez o pai passar por uma situação humilhante. Quando convidado pelo pai a participar da festa, ele foi aos limites da ira e recusou-se a entrar na festa. Afinal, o pai era o senhor das terras e o anfitrião da festa. Ao permanecer do lado de fora, ele demonstrou publicamente que não apoiava a atitude do pai. Embora não fizesse o que queria, estava preso às expectativas da tradição e da comunidade. “Ouça seu pai, que lhe deu vida, e não despreze sua mãe quando ela envelhecer.” Provérbios 23:22 NVT
A história é rica em detalhes que apontam não apenas para um filho em dificuldade, mas para dois filhos perdidos. Ao negar-se a entrar na festa, o filho mais velho permaneceu seguro em suas tradições e retidão moral, mas continuou perdido. Por que ele não entrou para a festa? A resposta está no orgulho em seu coração, o que nos leva ao seguinte questionamento: Como poderia ele abrir mão do amor do Pai por causa da bondade do Pai? O orgulho muitas vezes nos impede de reconhecer e desfrutar da bondade que nos é oferecida. No caso do filho mais velho na parábola, seu orgulho o cegou para a generosidade e amor do pai. Ele preferiu manter sua posição e ressentimento em vez de se render à graça e à misericórdia. Parece-nos contraditória tal decisão. Ele queria, assim como o irmão mais novo, os bens do pai, mas não o pai e seu amor incondicional.
Ambos os irmãos tinham o coração igualzinho. Havia hostilidade em ambas as decisões. Eles não queriam se dobrar à autoridade do pai e procuravam formas de evitá-la. Ambos se rebelaram contra o pai. “Abominação é ao Senhor todo o altivo de coração; não ficará impune mesmo de mãos postas.” Provérbios 16:5 ACF
No ensino de Jesus, nenhum dos filhos amava o pai pelo que ele era. Ambos usavam o pai para alcançar seus objetivos egoístas, em vez de amá-lo, gozar de sua companhia e servi-lo sem interesse. Os dois filhos estavam errados, mas a história não termina igual para os dois.
Os cobradores de impostos e outros pecadores que vinham ouvir Jesus ensinar e se deixavam transformar pelo poder da palavra de Jesus, como Zaqueu, Mateus e outros alcançaram a salvação, assim como o filho mais novo. Entretanto, na análise comparativa do texto, o filho mais velho, assemelhando-se aos fariseus e mestres da lei, se perderam em sua falsa moralidade. Jesus censurou impiedosamente os escribas e os fariseus por sua hipocrisia. Embora fossem os responsáveis pelo ensino das Escrituras e da Lei, eles impunham medidas rigorosas aos outros, mas não as seguiam eles mesmos. Jesus criticou sua pretensão de possuir a verdade exclusiva, bem como sua incoerência, exibicionismo e insensibilidade ao amor e à misericórdia. “Então Jesus disse às multidões e a seus discípulos: "Então Jesus disse às multidões e a seus discípulos: Os mestres da lei e os fariseus ocuparam o lugar de intérpretes oficiais da lei de Moisés. Portanto, pratiquem tudo que eles dizem e obedeçam-lhes, mas não sigam seu exemplo, pois eles não fazem o que ensinam.” Mateus 23: 1-3 NVT
Em resumo, a parábola do filho pródigo nos ensina que tanto o caminho do autoconhecimento quanto o da moralidade, quando analisados nesse contexto, podem nos levar à perdição se não estiverem alinhados com o amor e a graça de Deus. Ambos os filhos erraram, mas a misericórdia do Pai estava disponível para ambos
O filho mais novo, ao reconhecer sua necessidade e voltar para casa, encontrou perdão e restauração. Os cobradores de impostos e pecadores que ouviam Jesus também tiveram essa oportunidade de transformação. Por outro lado, o filho mais velho, apesar de sua aparente retidão moral, estava preso ao orgulho, ao falso moralismo e à falta de compreensão do amor do Pai. Os fariseus e mestres da lei, assim como ele, também precisavam reconhecer sua necessidade de salvação.
Na parábola do filho pródigo, vemos a graça e a misericórdia do Pai sendo estendidas tanto ao filho mais novo quanto ao mais velho. Ambos tinham suas falhas e necessidades, e a mensagem é que todos precisam reconhecer sua dependência do amor e da redenção divina. Deus nos ama incondicionalmente e está sempre disposto a nos receber de volta. Que possamos aprender com os dois filhos e buscar a verdadeira felicidade no relacionamento com o Pai Celestial.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
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