EMAÚS

“Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a andar com eles.” Lucas 24:15 NVT

O capítulo 24 do Evangelho de Lucas começa introduzindo a expectativa do primeiro dia da semana, quando algumas mulheres foram ao túmulo de Jesus e o encontraram vazio. Informadas por anjos sobre a ressureição do Mestre, elas se lembraram das palavras de Jesus e correram para informar aos demais seguidores. O capítulo também descreve como Pedro correu até o túmulo para verificar a notícia e, ao constatar o ocorrido, voltou admirado.

O evangelista continua focando sua narrativa em dois seguidores de Jesus que, naquele mesmo dia, estavam tristes e desesperançosos. Eles ouviram a notícia do desaparecimento do corpo do Mestre, bem como o testemunho das mulheres, mas, ao que parece, não deram crédito aos relatos de que anjos afirmaram que Cristo estava vivo. Dominados pelo descontentamento e amargura de espírito, abandonaram o grupo e, provavelmente, retornaram aos seus afazeres.

Não seria apropriado pré-julgar a atitude de Cleopas e seu companheiro, pois todos estamos sujeitos a tomar decisões semelhantes. No entanto, é válido questionar e refletir sobre os fatores que os levaram a descrer das palavras de Jesus. O que poderia ter levado Cleopas e seu parceiro de jornada a não crerem na ressurreição?

O fato é que eles conheciam um Jesus que, segundo seus próprios depoimentos, era um profeta de palavras e ações poderosas aos olhos de Deus e de todo o povo. Entretanto, a esperança de ambos era que Jesus fosse aquele que resgataria Israel. Valorizaram a figura de um Jesus histórico, sem compreender plenamente o Jesus profético da história. Certamente erraram ao não conhecerem o projeto, a profecia. "O erro de vocês está em não conhecerem as Escrituras nem o poder de Deus.”  NVT Mateus 22:29

É fácil cometer um erro como esse. A Palavra de Deus tem o propósito de revelar Jesus, o Filho do Deus vivo, mas sem a presença do Espírito Santo, não conseguimos alcançar o significado profético dos textos, o que nos leva a uma interpretação meramente racional, assim como aconteceu com os dois discípulos de Emaús.

Jesus falou sobre a necessidade de Sua morte e ressurreição. No entanto, a incredulidade dos discípulos e sua falta de fé dificultaram a compreensão e aceitação desse evento. Isso é esclarecido em Lucas 18:34 NVT: “Os discípulos, porém, não entenderam. O significado dessas palavras lhes estava oculto, e não sabiam do que Ele falava.” A palavra de Jesus ficava oculta aos discípulos por várias razões. Isso pode ser entendido como parte do plano divino, onde certas verdades só seriam plenamente reveladas no tempo certo. Como está escrito em Eclesiastes 3:1 NVT: “Há um momento certo para tudo, um tempo para cada atividade debaixo do céu.” Além disso, os discípulos ainda não tinham recebido o Espírito Santo, que os guiaria em toda a verdade e lhes daria entendimento completo das palavras de Jesus (João 16:13).

O Espírito Santo desempenha um papel essencial na compreensão e interpretação das Escrituras. A Bíblia menciona que o Espírito Santo guia os crentes em toda a verdade e revela os pensamentos de Deus. Por exemplo, em João 16:13 NAA, Jesus diz: “Mas, quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir.” Além disso, 1 Coríntios 2:10-11 NAA afirma: “Deus, porém, revelou isso a nós por meio do Espírito. Porque o Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as profundezas de Deus. Pois quem conhece as coisas do ser humano, a não ser o próprio espírito humano, que nele está? Assim, ninguém conhece as coisas de Deus, a não ser o Espírito de Deus.” Essas passagens mostram como o Espírito Santo atua como o revelador e intérprete da Palavra de Deus. Sem a intervenção do Espírito Santo para trazer clareza aos textos bíblicos, a Bíblia seria apenas uma boa coletânea de histórias. No entanto, essa não era a intenção de Deus ao inspirar alguns homens a escrevê-la.

Prosseguindo na busca pelos andarilhos de Emaús, o Bom Pastor saiu ao encontro daquelas ovelhas desorientadas. Alcançando-os, conduziu-os através de todos os escritos de Moisés e dos profetas, explicando o que as Escrituras diziam a respeito dEle. Jesus interpretou para eles as Escritura, porque Jesus tinha sobre si o Espírito de profecia. Esta intervenção fez com o coração de ambos ardesse.

Após alcançarem o conhecimento pleno, vem a bênção da comunhão. Surge o desejo de estar sempre na presença de Jesus, de não o deixar partir; “fica conosco” foi o pedido dos discípulos. O ensino da Palavra revelada nos proporciona um grande bem-estar, e conhecer a Jesus é tão gratificante que nos faz ansiar cada vez mais pelo Seu alimento espiritual.  Na comunhão, ou seja, no partir do pão, seus olhos se abriram e O reconheceram. O mais importante é que o Senhor Jesus se revela apenas em um ambiente de comunhão, como aconteceu em Emaús.

Na Bíblia, comunhão significa uma relação íntima e harmoniosa com Deus e outros crentes. Seus benefícios incluem fortalecimento da fé, crescimento espiritual, consolo, encorajamento, fortalecimento dos relacionamentos, promoção da unidade e ensino do amor e solidariedade. Esses aspectos tornam a comunhão essencial para uma vida cristã plena e significativa.

Concluímos, assim, que mesmo em momentos de dúvida e desânimo, nosso amado Salvador está presente, pronto para nos guiar e revelar a verdade. A compreensão plena das Escrituras e do plano de Deus só é possível com o auxílio do Espírito Santo, que ilumina nossa mente e nos conduz ao pleno entendimento dos desígnios de Deus. Precisamos do Espírito de Profecia para alcançar o projeto que Deus tem para cada um de nós. Portanto, somos chamados a buscar uma comunhão íntima com Deus, permitindo que o Espírito Santo nos revele a Palavra com profundidade e nos fortaleça em nossa caminhada espiritual.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

2 comentários:

  1. Conhecer a profecia de Jesus é muito diferente do que conhecer o Jesus da profecia.

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    1. Sem dúvida companheiro. Conhecer a profecia de Jesus pode envolver um estudo intelectual e histórico, enquanto conhecer Jesus da profecia implica uma experiência pessoal e espiritual.

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