GRATIDÃO A DEUS – PARTE III

“O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro no Líbano.” Salmos 92:12 NAA

À medida que encerramos esta série de reflexões sobre o Salmo 92, somos conduzidos a um ponto de esperança e promessa. O salmista, com sua habilidade poética, pinta um quadro glorioso para os justos.

Imagine: o justo florescendo como a palmeira. Essa imagem é mais do que uma metáfora; é uma visão de vitalidade, beleza e constância. A palmeira floresce o ano todo e se adapta a qualquer ambiente, independentemente das estações do ano. Ela não muda conforme as circunstâncias. Da mesma forma, como servos do Senhor, precisamos ser constantes em nossa fé, enfrentando lutas e adversidades com perseverança. Não importa a estação da vida, continuamos a florescer e dar frutos. “Portanto, meus amados irmãos, sejam fortes e firmes. Trabalhem sempre para o Senhor com entusiasmo, pois vocês sabem que nada do que fazem para o Senhor é inútil.” 1 Coríntio 15:58 NAA

A raiz de uma palmeira penetra profundamente na terra, chegando a 3 a 4 km de profundidade. Essa raiz forte permite que a palmeira suporte grandes tempestades. Da mesma forma, como crentes, nossa vida deve estar enraizada na Palavra de Deus, firmada na rocha que é Cristo Jesus. 

Buscar a Deus com profundidade é como mergulhar nas águas mais profundas da fé, ansiando por uma conexão íntima com o nosso Criador, explorando os mistérios do Senhor. Isso vai além de cumprir rituais religiosos; envolve desenvolver um relacionamento íntimo com Ele. Aprofundar-se em Deus significa conhecer Sua natureza, ouvir Sua voz e compartilhar pensamentos e anseios com Ele. Aprofundar-se em Deus requer tempo, esforço, estudo das Escrituras e meditação em Suas palavras. Além de ler a Bíblia, aplicar seus princípios à vida cotidiana é essencial. Aprofundar-se em Deus também envolve momentos de oração sincera, comunhão constante com o Espírito Santo e confiança na vontade de Deus, mesmo quando não entendemos completamente seus desígnios. Essa busca é uma jornada contínua, explorando um oceano infinito de amor, graça e sabedoria divina. “Ó Deus, tu és o meu Deus; eu te busco ansiosamente. A minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta e sem água.” Salmos 63:1 NAA

E não para por aí. O salmista nos leva além, comparando o crescimento do justo ao cedro no Líbano. O cedro, com sua madeira nobre e resistente, é símbolo de durabilidade e força. Ele não muda conforme as circunstâncias. É ela uma árvore majestosa que cresce nas montanhas da Turquia e do Líbano. Sua madeira, de cor avermelhada e aroma agradável, é altamente resistente e considerada nobre. Essas características reforçam a simbologia de nobreza e beleza associada ao cedro. A nobreza e beleza do cedro criam um paralelo interessante com o crescimento espiritual dos justos. Assim como o cedro é belo e resistente, os justos também apresentam uma beleza que vem de Deus e adquirem resistência espiritual através do crescimento em sua fé.

O cedro, com seu crescimento lento e resistente, nos ensina sobre paciência e perseverança na jornada espiritual. Compreender essa metáfora é fundamental para entender o crescimento espiritual retratado na Bíblia. Sua qualidade de crescimento nos mostra que o valor está em cultivar uma fé profunda e resiliente, não necessariamente em grandes manifestações externas de religiosidade. “...cresçam na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno.” 1 Pedro 3:18 NAA

O perfume do cedro fala sobre o impacto que devemos ter como seguidores de Cristo. Somos chamados a ser o aroma de Cristo. Isso vai além de palavras; é sobre como vivemos, como amamos e como servimos. Quando as pessoas nos encontram, devem sentir a presença de Cristo em nós. “Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta a fragrância do seu conhecimento em todos os lugares. Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto entre os que estão sendo salvos como entre os que estão se perdendo.” 2 Coríntios 2:14-15 NAA

O verso 13 nos traz uma certeza reconfortante: saber que o Senhor nos tem plantado em Sua casa. Essa imagem nos lembra de um jardineiro amoroso, cuidando de cada detalhe. Ele não apenas nos coloca ali, mas nos enraíza profundamente, como árvores que crescem firmes e fortes. E não é em uma plantação ou em um lugar qualquer; é na Casa do Senhor, o lugar da Sua presença e adoração. Nossas raízes estão entrelaçadas com a verdade divina, e isso nos mantém seguros eternamente. Quando enfrentamos tempestades, quando os ventos da vida sopram com força, permanecemos firmados. O cuidado do Senhor é constante, e Sua promessa é inabalável.

E o resultado desse plantio? Florescemos nos átrios do nosso Deus (v. 13b). Não apenas sobrevivemos, mas florescemos! Como palmeiras e cedros, crescemos em Sua graça, produzindo frutos de amor, alegria, paz e bondade. Nossas vidas se tornam um testemunho vivo da Sua fidelidade.

Nesta condição estaremos em nossa velhice como Moisés, numa sensação de juventude que permanece dentro de nós, independentemente da idade cronológica: “Moisés tinha cento e vinte anos quando morreu, mas os seus olhos não se haviam enfraquecido, e ele não havia perdido o vigor.” Deuteronômio 34:7 NAA; ou ainda como Calebe que aos oitenta e cinco anos, não apenas se sentia jovem, mas estava pronto para recomeçar. (Josué 14:10-11)

No desfecho do salmo, o salmista reconhece a retidão, a força e a justiça do Senhor. Essa profunda compreensão não deixa espaço para queixas em relação aos desígnios divinos. A vontade de Deus é perfeita, e mesmo que nós, seres humanos, possamos mudar com o passar do tempo, o nosso Deus permanece inalterado. Ele é o mesmo ontem, hoje e será eternamente. A soberania do Senhor é inquestionável. Ele governa com autoridade e sabedoria. Como diz o verso 8: “Mas tu, Senhor, és o Altíssimo eternamente.”

Que possamos confiar nesse Deus imutável, cuja fidelidade transcende todas as circunstâncias. Ele é o nosso refúgio e a nossa rocha eterna. Ao Rei eterno e imortal, invisível, mas real, seja toda a glória para todo o sempre. Amém!

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

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