ENTRE A TENTAÇÃO E A PROVAÇÃO
“Como de costume, Jesus foi para o monte das Oliveiras, e
os seus discípulos o seguiram. Chegando ao lugar, ele lhes disse: ‘Orem para
que vocês não caiam em tentação’. Ele se afastou deles a uma pequena distância,
ajoelhou-se e começou a orar.” Lucas 22:39-41, NVI
No texto de Lucas 22:39-46, somos levados a um momento
crucial na vida de Jesus: Sua oração no monte das Oliveiras, conhecido como
Getsêmani. Esse episódio retrata uma batalha intensa, onde Cristo, em profunda
angústia, se rende à vontade do Pai, mesmo diante da dor iminente. A oração de
Jesus oferece lições preciosas sobre a diferença entre “tentação” e “provação,
revelando como ambas estão presentes na caminhada de fé e como superá-las exige
rendição e confiança em Deus.
No Getsêmani, Jesus diz aos discípulos: “Orem para que
vocês não cedam à tentação” (Lucas 22:40). Aqui, fica clara a importância
da oração como uma arma espiritual. A tentação, ao contrário da provação, tem
como propósito afastar a pessoa de Deus, levando-a à queda. Ela pode surgir da
nossa carne, dos desejos pessoais e das atrações do mundo, como vemos no
versículo 40. Já a provação, por sua vez, procede de Deus, com o propósito de
fortalecer e amadurecer nossa fé (Tiago 1:2-4).
A luta de Jesus no Getsêmani é um exemplo claro da tensão
entre a vontade humana e a vontade divina. Ele ora fervorosamente: “Pai, se
queres, afasta de mim este cálice; contudo, que seja feita a tua vontade, e não
a minha” (Lucas 22:42). Esta oração mostra a rendição total de Jesus à
soberania de Deus, um ato de obediência e confiança. Como o segundo Adão,
Cristo não caiu, ao contrário do primeiro Adão, que sucumbiu à tentação no
Éden. No momento de angústia extrema, Ele nos ensina que a vitória sobre a tentação
e a provação só é possível pela oração.
Getsêmani significa "prensa de azeite" ou
"lugar de prensagem de azeitonas". A metáfora daquele lugar como uma
"prensa de azeite" é significativa. No processo de prensagem, o
azeite mais puro é extraído na última fase, e este óleo era reservado para o
uso no tabernáculo. De forma semelhante, Jesus foi pressionado até o limite,
entregando-se completamente à vontade de Deus. A provação que Ele enfrentou
revela o quanto a obediência pode ser dolorosa, mas também purificadora. Somos
chamados a seguir esse exemplo, rendendo nossa vontade à vontade de Deus, pois
o fruto da rendição é o consolo divino. Assim como um anjo foi enviado para
fortalecer Jesus (Lucas 22:43), Deus envia auxílio para aqueles que O buscam em
meio às suas provações.
A oração também é essencial para não cairmos em tentação,
como enfatiza Hebreus 5:7: "Nos dias da sua vida na terra, Jesus
ofereceu orações e súplicas em alta voz e com lágrimas àquele que podia
salvá-lo da morte, e foi ouvido por sua reverente submissão." Assim, a
oração não é apenas um ato de súplica, mas também um exercício de entrega e
alinhamento com a vontade divina. Sem essa conexão com Deus, estamos
vulneráveis, e nossos esforços humanos não são suficientes para resistir às
tentações que surgem.
Jesus advertiu Seus discípulos a vigiarem e orarem para não
entrarem em tentação (Lucas 22:46), mas eles estavam exaustos e dormiam,
perdendo a oportunidade de se fortalecerem. Isso nos lembra que a oração é a
arma mais poderosa contra as tentações, e negligenciá-la pode nos tornar
suscetíveis a cair. Em nossas vidas, muitas vezes enfrentamos momentos de
profunda provação e podemos nos sentir sozinhos, como Jesus no Getsêmani. Mas
mesmo nesses momentos, nunca estamos realmente sós, pois Deus está presente e
envia Seu consolo para nos fortalecer.
Além disso, a provação pode ser vista como um ato do amor de
Deus. Assim como Abraão foi provado ao ser chamado para sacrificar seu filho
Isaque (Gênesis 22:1-14), Deus permite que passemos por dificuldades para
moldar nossa fé e nos aproximar mais dEle. A provação não é um sinal de
abandono, mas uma oportunidade de crescimento espiritual. Assim como o azeite
mais puro é extraído na última prensagem, somos refinados nas provações e
saímos delas mais fortes e preparados para o propósito que Deus tem para nós.
Por fim, o exemplo de Jesus no Getsêmani nos lembra que a
vitória espiritual está em nos rendermos à vontade de Deus, mesmo quando nossa
carne deseja fugir do sofrimento. A oração é a chave para mantermos essa
rendição, e o resultado é a paz que vem do consolo divino. Deus não apenas
permite as provações, mas também nos sustenta e nos conduz à vitória. Como
afirma Mateus 4:11, depois de Sua tentação no deserto, anjos vieram e serviram
a Jesus, demonstrando que o consolo e a vitória vêm após a rendição e a obediência.
Se você está enfrentando seu Getsêmani pessoal, lembre-se de
que Deus é fiel e que as provações não vieram para destruir você, mas para
purificar sua fé e revelar o propósito dEle em sua vida. Assim como Jesus
venceu, você também foi chamado para ser um vitorioso. Não se renda ao
desespero nem à tentação, pois você não está sozinho. Deus está ao seu lado, e
a oração é o caminho para encontrar força, consolo e direção em meio à batalha.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
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