O CANDIDATO
IMPROVÁVEL
"Pela fé Moisés, já adulto, recusou ser chamado
filho da filha do faraó, preferindo ser maltratado com o povo de Deus a
desfrutar os prazeres do pecado durante algum tempo. Ele considerou a desonra
por causa de Cristo uma riqueza maior do que os tesouros do Egito, porque
contemplava a sua recompensa." (Hebreus
11:24-26, NVI).
Analisando de forma objetiva a vida de Moisés, ele pode ser
considerado o candidato mais improvável ao papel de libertador de Israel.
Diversas razões, fundamentadas na narrativa bíblica, nos levam a essa
conclusão. Vejamos:
Moisés era um candidato improvável devido à sua origem
humilde e condição de escravo. Nascido em meio à política de extermínio dos
recém-nascidos hebreus imposta pelo Faraó (Êxodo 1:22), sua sobrevivência foi
um milagre. Sua mãe, Joquebede, o escondeu por três meses e, ao não poder mais
protegê-lo, confiou-o à providência divina, colocando-o em um cesto no rio
Nilo.
A lição que podemos tirar é que, mesmo em meio às
circunstâncias mais adversas, Deus pode intervir com Sua providência,
transformando situações de aparente impossibilidade em caminhos para o
propósito divino. Nossa origem ou limitações não determinam nosso destino; o
que importa é confiar em Deus e em Seus planos soberanos. "Porque eu
bem sei os planos que estou planejando a vosso respeito, diz o Senhor: planos
de paz e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança" (Jeremias
29:11, NVI).
Moisés resistiu ao chamado de Deus apresentando diversas
objeções que refletiam sua falta de autoconfiança e de visão sobre o papel que
lhe foi designado. Ele questionou: "Quem sou eu para ir ao Faraó e
tirar os israelitas do Egito?" (Êxodo 3:11), mostrando dúvidas
sobre sua própria capacidade. Além disso, expressou preocupação sobre como o
povo acreditaria nele e destacou sua dificuldade de comunicação, dizendo: "Ó
Senhor, nunca tive facilidade para falar, nem no passado nem agora que falaste
ao teu servo. Não consigo falar bem!" (Êxodo 4:10). Sua
insegurança e limitações aparentes seriam, aos olhos humanos, grandes
obstáculos para liderar uma missão tão monumental.
Quantas vezes agimos como Moisés, resistindo ao chamado de
Deus por nos sentirmos inadequados? Assim como ele, usamos nossas falhas como
desculpas, esquecendo que Deus nos capacita para o impossível. "Tudo
posso naquele que me fortalece." (Filipenses 4:13, NVI). Deus não
escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos, transformando fraquezas em
instrumentos valiosos. Nossos erros não anulam os planos divinos, pois "a
minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na
fraqueza" (2 Coríntios 12:9).
Mais uma razão para Moisés ser considerado o candidato mais
improvável ao papel de libertador de Israel foi seu isolamento no deserto.
Durante 40 anos, ele viveu em Midiã como pastor de ovelhas (Êxodo 3:1), levando
uma vida simples e anônima, distante do Egito e do sofrimento de seu povo. Essa
condição o tornava, aos olhos humanos, pouco provável como alguém capaz de
desafiar o Faraó e liderar uma nação inteira em direção à liberdade.
A lição que podemos tirar é que, mesmo quando nos
encontramos em lugares de isolamento ou anonimato, Deus pode estar nos
preparando para algo maior. Ele usa cada fase da nossa vida, mesmo as
aparentemente insignificantes, para moldar nosso caráter e nos equipar para
cumprir Seus propósitos. Nada está fora do alcance de Deus, e onde vemos
limitações, Ele vê oportunidade de agir. "Mas os que esperam no
Senhor renovam as suas forças." (Isaías 40:31, NVI).
A missão de libertar os israelitas do Egito parecia
impossível. Moisés tinha que enfrentar o Faraó, o homem mais poderoso do mundo
na época, e convencer um povo escravizado e desmoralizado a segui-lo. Além
disso, ele enfrentaria desafios ao liderar o povo no deserto por 40 anos.
A trajetória de Moisés nos ensina que os critérios de Deus
para escolher alguém vão além das qualificações ou expectativas humanas. Sua
escolha não depende de habilidades naturais, mas sim de Sua soberana vontade e
poder. A improbabilidade de Moisés como libertador torna sua história ainda
mais inspiradora, evidenciando que Deus usa pessoas consideradas fracas ou
inadequadas aos olhos do mundo para realizar grandes obras. Como afirma 1
Coríntios 1:27: "Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para
envergonhar os sábios; e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as
fortes."
Essa verdade nos encoraja a confiar no chamado de Deus,
sabendo que Ele não apenas escolhe, mas também capacita aqueles que respondem
com fé e obediência.
Que a graça e a paz de Deus, o nosso Pai, e do Senhor Jesus
Cristo estejam com vocês!
Pr. Decio Fonseca
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