HOJE É O DIA DE ESCOLHER A VIDA

“Remindo o tempo, porquanto os dias são maus.” Efésios 5:16 (ARC).

Talvez você já tenha ouvido a expressão latina carpe diem. Ela pode ser traduzida como “colha o dia”, “aproveite o dia” ou “valorize o momento presente”. A expressão ficou conhecida por meio do poeta romano Horácio e traz a ideia de não desperdiçarmos o tempo que temos diante de nós.

Entretanto, muitas pessoas interpretam essa expressão como um convite para viver sem limites, sem responsabilidade e sem pensar nas consequências. Elas dizem: “A vida é curta, por isso preciso experimentar tudo o que puder.” Dessa forma, usam o presente apenas para buscar prazeres, aventuras, dinheiro, reconhecimento e satisfação pessoal.

Alguns também aplicam esse pensamento à salvação. Um jovem pode dizer: “Sou muito novo. Ainda tenho muito tempo. Quero aproveitar a vida, conhecer o mundo e fazer tudo o que tenho vontade. Quando estiver mais velho, procurarei uma igreja e entregarei minha vida a Jesus.”

O problema é que ninguém sabe quanto tempo ainda tem. A juventude não é uma garantia de que haverá muitos anos pela frente. Da mesma maneira, chegar à idade adulta ou à velhice também não significa que sempre haverá outra oportunidade. A vida é um presente de Deus, mas não está sob nosso controle.

A Bíblia nos lembra dessa verdade: “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco e depois se desvanece.” Tiago 4:14 (ARC).

O vapor aparece por alguns instantes e logo desaparece. Assim é a nossa passagem por este mundo. Parece que foi ontem que éramos crianças, corríamos pelas ruas e fazíamos planos para o futuro. Depois, percebemos que os anos passaram, os filhos cresceram, os cabelos ficaram brancos e muitas oportunidades já não podem ser recuperadas.

Por isso, aproveitar o dia, segundo a Palavra de Deus, não significa viver de qualquer maneira. Significa reconhecer que hoje é uma oportunidade concedida pelo Senhor. É tempo de amar, perdoar, reconciliar-se, ajudar alguém, cuidar da família, abandonar o pecado e buscar a presença de Deus.

Aproveitar o dia também significa não deixar a salvação para depois. A salvação é a decisão mais importante da vida, porque todas as outras escolhas estão relacionadas apenas ao tempo presente, enquanto ela está ligada à eternidade.

Uma pessoa pode decidir amanhã onde trabalhará, que curso fará ou qual bem deseja comprar. Porém, não deveria adiar o momento de entregar sua vida a Jesus. A Palavra declara: “Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação.” 2 Coríntios 6:2 (ARC).

Observe que a Bíblia não diz que amanhã será o dia da salvação. Ela diz: “Agora”. Deus nos chama no presente. Quando o Espírito Santo toca o coração, mostra o pecado e revela a necessidade de Jesus, a resposta também deve ser dada no presente.

Talvez alguém pense: “Ainda não estou preparado. Preciso primeiro mudar algumas coisas em minha vida.” Mas ninguém consegue tornar-se perfeito antes de aproximar-se de Cristo. Nós vamos a Jesus porque precisamos ser perdoados e transformados. É Ele quem recebe o pecador arrependido, limpa seu coração e começa uma nova obra em sua vida.

Outros adiam a decisão porque temem perder os prazeres do mundo. Porém, Jesus não veio para roubar nossa alegria. Ele veio para nos libertar daquilo que parece agradável no início, mas depois produz vazio, culpa, escravidão e sofrimento. A vida com Cristo não é uma vida perdida; é uma vida que finalmente encontrou seu verdadeiro sentido.

Jesus fez uma pergunta que continua atual: “Pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?” Marcos 8:36 (ARC).

Alguém pode conquistar uma carreira admirada, uma casa confortável, muitos seguidores nas redes sociais e uma boa condição financeira. Pode viajar, participar de festas e receber elogios. Mas, se viver distante de Deus e perder sua alma, todas essas conquistas serão insuficientes.

Isso não significa que estudar, trabalhar, viajar ou desfrutar bons momentos seja errado. Deus também nos permite viver alegrias nesta terra. O problema começa quando essas coisas ocupam o lugar que pertence ao Senhor e fazem a pessoa esquecer-se de sua necessidade espiritual.

A Palavra aconselha especialmente os jovens: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento.” Eclesiastes 12:1 (ARC).

Buscar a Deus na juventude não é desperdiçar os melhores anos da vida. É entregar ao Senhor nossa força, nossos sonhos e nosso futuro. É permitir que Ele nos livre de caminhos que deixam cicatrizes profundas e nos conduza a uma vida com propósito.

Há também pessoas mais velhas que continuam dizendo: “Um dia pensarei nisso.” Não importa a idade, o chamado de Deus permanece o mesmo. Enquanto há vida, existe oportunidade de arrependimento. Contudo, não devemos endurecer o coração quando ouvimos sua voz.

“Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como na provocação.” Hebreus 3:15 (ARC).

O verdadeiro carpe diem cristão é viver o presente diante de Deus. É agradecer pelo dia que começou, fazer o bem enquanto há oportunidade, reparar os erros que podem ser reparados e receber hoje a salvação oferecida por Jesus.

Não espere ficar mais velho, mais tranquilo, mais preparado ou mais digno. O dia de buscar o Senhor é hoje. O dia de abandonar o pecado é hoje. O dia de perdoar é hoje. O dia de voltar para a casa do Pai é hoje.

O ontem já passou e não pode ser mudado. O amanhã ainda não nos pertence. Mas Deus colocou o hoje em nossas mãos. Aproveite-o da melhor maneira possível: entregue sua vida a Jesus e permita que Ele transforme não apenas o seu dia, mas toda a sua eternidade.

Aproveitar verdadeiramente o dia não é viver como se Deus não existisse, mas receber hoje a graça que pode transformar toda a nossa eternidade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

01/Ago/26

 

ONDE VOCÊ ESTÁ? — A PERGUNTA QUE NOS CHAMA DE VOLTA

“E o Senhor Deus chamou o homem e lhe perguntou: — Onde você está?” Gênesis 3:9 (NAA).

A Bíblia está repleta de perguntas. Algumas receberam resposta imediatamente; outras atravessaram gerações e continuam falando ao nosso coração. Há perguntas feitas por pessoas a Deus e perguntas feitas por Deus às pessoas. Nenhuma palavra do Senhor é vazia. Quando Deus pergunta, não é porque lhe falta conhecimento, mas porque deseja levar o ser humano a pensar, reconhecer sua condição e tomar uma decisão.

Depois de criar o homem e a mulher, Deus os colocou no jardim do Éden. Ali havia comunhão, segurança e liberdade. Adão e Eva desfrutavam da presença do Senhor sem medo, culpa ou vergonha. Contudo, eles desobedeceram à ordem divina, comeram do fruto proibido e perceberam que estavam nus. Tentaram cobrir-se com folhas e, ao ouvirem a voz de Deus, esconderam-se entre as árvores.

Foi nesse momento que o Senhor chamou Adão e perguntou: “Onde você está?” Embora não seja a primeira pergunta registrada na Bíblia, essa é a primeira pergunta de Deus dirigida ao ser humano. O Senhor sabia exatamente onde Adão estava escondido. Ele conhecia a árvore, o lugar e tudo o que havia acontecido. A pergunta não procurava descobrir a localização física do homem, mas revelar sua situação espiritual.

Era como se Deus estivesse dizendo: “Adão, onde você chegou? O que aconteceu com a nossa comunhão? Por que agora sente medo de mim? Por que está tentando esconder aquilo que precisa confessar?”

Adão continuava dentro do mesmo jardim, mas já não estava na mesma posição espiritual. Antes do pecado, caminhava em comunhão com Deus. Depois da desobediência, escondeu-se. Antes, ouvia a voz do Senhor com alegria. Depois, ouviu a mesma voz e sentiu medo. O problema não estava na voz de Deus, mas na culpa que havia entrado no coração do homem.

O pecado continua produzindo o mesmo efeito em nossos dias. Ele leva a pessoa a se afastar, esconder-se e tentar encobrir aquilo que fez. Alguém pode continuar frequentando a igreja, cantando, trabalhando e cumprimentando os irmãos, mas, interiormente, estar distante do Senhor. Pode estar no mesmo lugar, porém sem a comunhão que possuía antes.

Talvez a pessoa tenha deixado pouco a pouco a oração. A Bíblia permanece fechada durante a semana. O coração já não se alegra na presença de Deus. Uma mágoa foi alimentada, um hábito errado passou a ser escondido ou uma decisão contrária à Palavra começou a ser justificada. Ninguém percebeu, mas, por dentro, essa pessoa está entre as árvores, tentando não ser encontrada.

Há também quem se esconda atrás da aparência. Nas redes sociais, tudo parece bem. As fotos mostram sorrisos, viagens e momentos felizes, mas o coração está cansado, vazio e cheio de culpa. Outros se escondem atrás do trabalho, das atividades religiosas ou de frases como: “Está tudo bem comigo.” Contudo, Deus continua perguntando: “Onde você está?”

Essa pergunta não deve ser respondida com o nome da nossa igreja, com o cargo que ocupamos ou com o tempo que temos de Evangelho. Deus não perguntou a Adão em que parte do jardim ele estava. A pergunta era sobre sua condição diante do Criador.

Onde você está em sua comunhão com Deus? Em que ponto de sua caminhada começou a se afastar? Que escolha levou você a se esconder? O que precisa ser confessado, abandonado e restaurado?

A pergunta do Senhor não foi apenas uma acusação. Foi também um chamado. Deus poderia ter deixado Adão escondido, mas foi procurá-lo. Chamou-o pelo nome, deu-lhe a oportunidade de falar e revelou as consequências de sua escolha. Mesmo diante do pecado, Deus tomou a iniciativa de aproximar-se.

Depois disso, a Bíblia diz: “O Senhor Deus fez roupas de peles, com as quais vestiu Adão e sua mulher.” Gênesis 3:21 (NAA).

As folhas que Adão e Eva haviam usado não eram suficientes para cobrir sua vergonha. Elas representavam uma tentativa humana de esconder as consequências do pecado. Deus, porém, providenciou roupas feitas de peles. Para que aquelas peles fossem obtidas, um animal precisou morrer. Embora o texto não afirme diretamente que tenha ocorrido ali um sacrifício ritual, podemos enxergar nessa cena uma figura daquilo que seria plenamente realizado na cruz.

O pecado trouxe culpa, vergonha e morte, mas Deus providenciou uma cobertura que o próprio ser humano não poderia produzir. As folhas apontavam para o esforço inútil do homem de encobrir sua culpa; as vestes oferecidas pelo Senhor revelavam a graça de Deus, que toma a iniciativa de cuidar do pecador e abrir diante dele um caminho de restauração.

Essa cena também nos ensina que não conseguimos resolver sozinhos o problema do pecado. Podemos esconder nossos erros, justificar nossas atitudes e construir uma boa aparência diante das pessoas, mas nenhuma dessas tentativas pode apagar nossa culpa ou restaurar nossa comunhão com Deus. Somente o Senhor pode oferecer o perdão e a cobertura de que necessitamos.

Essa verdade encontra seu cumprimento perfeito em Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus. Ele entregou sua vida em nosso lugar e, por meio de seu sacrifício, tomou sobre si a culpa dos nossos pecados, cobriu nossa vergonha e nos reconciliou com Deus. Aquilo que o homem jamais poderia fazer por si mesmo foi realizado por Cristo na cruz.

Deus não permaneceu distante, esperando que o ser humano perdido encontrasse sozinho o caminho de volta. Em Jesus, ele veio ao nosso encontro, procurou-nos em nosso esconderijo, tomou sobre si nossos pecados, morreu na cruz e ressuscitou para nos conceder perdão, restauração e uma nova vida. “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.” Lucas 19:10 (NAA).

Talvez hoje você ouça a mesma pergunta: “Onde você está?” Não fuja, não se esconda e não tente apresentar desculpas. Responda ao Senhor com sinceridade. Diga onde você caiu, por que se afastou e o que tem ferido seu coração.

Deus já sabe tudo, mas deseja ouvir sua confissão e conduzir você de volta. A voz que perguntou por Adão continua chamando pecadores para fora do esconderijo. É uma voz que confronta, mas também oferece graça. É uma voz que revela o pecado, mas aponta o caminho do perdão.

Deus não perdeu você de vista. Mesmo que tenha se afastado, ele sabe onde encontrá-lo. A grande questão é: ao ouvir sua voz, você continuará escondido ou sairá para encontrar-se novamente com ele?

Deus pergunta onde estamos não porque nos perdeu de vista, mas porque deseja que reconheçamos a distância que o pecado criou e voltemos para a sua presença.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

31/jul/26

 

QUEM É JESUS PARA VOCÊ?

“Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou?” Mateus 16:15 (ARC).

Jesus chegou com seus discípulos às regiões de Cesareia de Filipe e fez uma pergunta importante: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Os discípulos responderam que as pessoas tinham diferentes opiniões. Alguns diziam que Ele era João Batista; outros pensavam que fosse Elias, Jeremias ou algum dos profetas.

A multidão admirava Jesus. Muitos haviam visto seus milagres, ouvido seus ensinamentos e participado da multiplicação dos pães. Sabiam que Ele não era um homem comum. Porém, ainda não compreendiam plenamente quem Ele era.

As respostas da multidão estavam baseadas em referências humanas. João Batista, Elias e Jeremias foram grandes servos de Deus. No entanto, Jesus não era apenas mais um profeta. Ele era muito maior do que todos eles.

Depois de ouvir as opiniões do povo, Jesus voltou-se para os discípulos e perguntou: “Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou?” Mateus 16:15 (ARC).

Jesus tornou a pergunta pessoal. Não bastava aos discípulos saberem o que os outros pensavam. Eles precisavam declarar aquilo que havia sido revelado ao próprio coração.

Pedro respondeu: “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” Mateus 16:16 (ARC).

Essa resposta não nasceu apenas da inteligência ou da observação de Pedro. O próprio Jesus explicou: “..._Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus.” Mateus 16:17 (ARC).

Pedro reconheceu que Jesus era o Cristo, o Messias prometido e o Filho do Deus vivo. Ele não era apenas alguém capaz de fazer milagres. Era o Salvador enviado por Deus.

Essa diferença continua importante em nossos dias. Muitas pessoas possuem uma opinião positiva sobre Jesus. Dizem que Ele foi um grande mestre, um profeta, um exemplo de amor ou um defensor dos necessitados. Tudo isso reconhece aspectos verdadeiros de sua vida, mas ainda não expressa completamente quem Ele é.

Jesus é o Filho de Deus, o Salvador e o Senhor.

Há também pessoas que procuram Jesus somente pelas coisas que Ele pode fazer. Aproximam-se quando estão doentes, desempregadas, endividadas ou enfrentando problemas na família. Pedem oração, desejam uma resposta e esperam um milagre.

Jesus continua tendo compaixão. Ele cura, liberta, consola, abre portas e supre necessidades. Não despreza quem chega ferido ou cansado. Contudo, seu propósito não é apenas resolver os problemas desta vida. Ele deseja transformar pessoas comuns em discípulos e conduzi-las ao seu Reino eterno.

Uma pessoa pode receber uma bênção e ainda não conhecer verdadeiramente o Senhor. Pode experimentar uma cura, uma porta aberta ou um livramento e continuar vivendo sem compromisso com Cristo.

Imagine alguém que procura uma igreja porque seu casamento está quase terminando. Recebe oração, orientação e vê sua família restaurada. Aquilo é uma grande bênção. Porém, a pergunta permanece: quem é Jesus para essa pessoa? Apenas aquele que salvou seu casamento ou o Senhor que agora governará toda a sua vida?

Outro exemplo é o de alguém que pede um emprego. Depois de algum tempo, Deus abre uma porta. A pessoa agradece, mas logo deixa de buscar ao Senhor. Ela desejou a provisão, mas não compreendeu que o maior presente era o próprio Cristo.

A multidão conhecia os feitos de Jesus, mas os discípulos estavam sendo conduzidos a conhecer Sua identidade. Existe diferença entre saber o que Jesus faz e compreender quem Ele é.

Quando o Espírito Santo revela Jesus ao nosso coração, nossa maneira de viver começa a mudar. Deixamos de vê-lo apenas como alguém que atende necessidades e passamos a reconhecê-lo como Senhor. Isso significa permitir que Ele governe nossas decisões, nossos relacionamentos, nossos pensamentos e nossos planos.

Conhecer Jesus como Senhor também nos dá direção. Em um mundo cheio de vozes, opiniões e caminhos diferentes, Cristo nos orienta por meio de Sua Palavra. Ele não apenas mostra uma estrada; Ele próprio é o Caminho.

Quem conhece Jesus como Salvador entende que sua maior necessidade não é financeira, emocional ou física. O maior problema do ser humano é o pecado, que o separa de Deus. Cristo veio para morrer em nosso lugar, perdoar nossos pecados e conceder vida eterna.

Por isso, a vida abundante que Jesus oferece vai além de conforto e prosperidade. “O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância.” João 10:10 (ARC).

A vida abundante é uma vida reconciliada com Deus. É ter perdão, paz, esperança, direção e a certeza da eternidade. Isso não significa ausência de lutas, mas a presença de Cristo em todas elas.

A pergunta de Jesus continua atravessando os séculos: “E vós, quem dizeis que eu sou?”

Não podemos responder apenas com aquilo que nossos pais, pastores ou amigos dizem. A fé pode começar pelo testemunho de alguém, mas precisa tornar-se pessoal. Cada um deve reconhecer Jesus e entregar-lhe a própria vida.

A Igreja tem a missão de apresentar Jesus às multidões. Deve acolher os necessitados, orar pelos enfermos, ajudar os que sofrem e anunciar a verdade. Porém, seu maior propósito é conduzir as pessoas ao conhecimento de Cristo como Filho do Deus vivo.

As necessidades podem levar alguém até à igreja, mas é a revelação do Espírito Santo que transforma um interessado em discípulo.

A multidão perguntava e formava opiniões. Pedro recebeu uma revelação e fez uma confissão. Essa confissão mudou sua relação com Jesus. Ele já não seguia apenas um mestre admirável, mas o Cristo, o Filho do Deus vivo.

Hoje, a pergunta não é apenas o que o mundo pensa sobre Jesus. A pergunta é pessoal: quem é Ele para você?

Muitos conhecem os milagres de Jesus e buscam aquilo que Ele pode oferecer; mas somente pela revelação do Espírito reconhecemos quem Ele é, entregamos-lhe a vida e deixamos de ser apenas parte da multidão para nos tornarmos seus discípulos.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

30/jul/26

 

MÃOS QUE SUSTENTAM A VITÓRIA

Quando Moisés levantava a mão, Israel vencia; quando, porém, ele abaixava a mão, os amalequitas venciam.” Êxodo 17:11 (NAA).

Israel estava atravessando o deserto quando foi atacado pelos amalequitas. Moisés ordenou que Josué escolhesse alguns homens e fosse ao campo de batalha. Enquanto Josué e os soldados enfrentavam o inimigo no vale, Moisés subiu ao alto do monte levando consigo o bordão de Deus. Arão e Hur também o acompanharam.

Aquela cena apresentava duas partes da mesma batalha. No vale, havia homens lutando com espadas. No monte, havia um homem com as mãos levantadas diante de Deus. Josué precisava agir com coragem, mas a vitória não dependia apenas de sua habilidade militar. Moisés precisava interceder, mas também não podia ignorar a necessidade de homens dispostos a entrar na batalha.

Quando Moisés mantinha a mão levantada, Israel prevalecia. Quando o cansaço o fazia abaixá-la, os amalequitas avançavam. Isso não significa que existisse algum poder mágico nas mãos de Moisés. O gesto representava dependência, oração, entrega e confiança no poder do Senhor. A vitória vinha de Deus, mas todos precisavam ocupar seu lugar.

Essa passagem nos ajuda a compreender como a Igreja deve funcionar. Nem todos exercem a mesma tarefa, mas todos são importantes. Há quem esteja na linha de frente pregando, evangelizando, ensinando ou visitando. Há quem permaneça em oração, sustentando espiritualmente aqueles que estão enfrentando grandes lutas. Há também quem ofereça uma palavra de ânimo, uma ajuda material, um abraço ou simplesmente sua presença.

A Bíblia compara a Igreja a um corpo: “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, constituem um só corpo, assim também é com respeito a Cristo.” 1 Coríntios 12:12 (NAA).

Um corpo não é formado apenas pelas partes que aparecem. Alguns membros são mais visíveis, outros trabalham silenciosamente, mas todos são necessários. Do mesmo modo, a obra de Deus não pertence somente ao pastor, aos diáconos e obreiros, ao professor ou ao dirigente. Toda a Igreja precisa estar envolvida.

Na batalha contra os amalequitas, Josué não poderia dizer que venceria sem Moisés. Moisés também não poderia afirmar que venceria sem Josué. Além disso, nenhum dos dois poderia desprezar Arão e Hur. Cada um ocupou uma posição diferente, mas todos participaram da mesma vitória. Moisés, porém, cansou-se.

Esse detalhe é muito importante. Ele era um grande servo de Deus, mas continuava sendo humano. Seus braços ficaram pesados. Sua força chegou ao limite. A Bíblia diz que Arão e Hur colocaram uma pedra debaixo dele e sustentaram suas mãos, um de cada lado, até o pôr do sol. Êxodo 17:12

Isso nos ensina que até os líderes mais experientes precisam de apoio. Pastores se cansam. Pais e mães se cansam. Pessoas que cuidam de familiares enfermos se cansam. Quem está enfrentando o desemprego, uma separação, um luto ou uma longa enfermidade também pode chegar ao limite.

Reconhecer o cansaço não é falta de fé. Moisés não deixou de ser um homem de Deus porque seus braços enfraqueceram. Naquele momento, ele precisava permitir que outros o ajudassem.

Há pessoas que têm dificuldade de receber auxílio. Elas sempre cuidaram de todos e acreditam que precisam continuar fortes o tempo inteiro. Entretanto, chega o momento em que também necessitam de uma pedra para se sentar e de mãos amigas para sustentá-las.

Arão e Hur nos mostram que ajudar alguém a permanecer firme também é participar da vitória. Eles não estavam no vale, empunhando espadas, nem receberam o mesmo destaque de Josué. Ainda assim, sua participação foi indispensável, pois, sem o apoio deles, Moisés não teria conseguido manter as mãos levantadas até o fim. O que também fica evidente nessa passagem é a participação de todo o corpo nas lutas enfrentadas pela Igreja.

Podemos sustentar as mãos de alguém por meio de uma ligação, uma visita, uma oração ou uma palavra de esperança. Podemos preparar uma refeição para uma família que atravessa um momento difícil, acompanhar alguém ao médico ou simplesmente ouvi-lo sem julgamento. Às vezes, a pessoa não precisa de uma grande resposta; precisa apenas saber que não está sozinha.

A Palavra nos orienta: “Levem as cargas uns dos outros e, assim, estarão cumprindo a lei de Cristo.” Gálatas 6:2 (NAA).

Também precisamos compreender que, quando um membro sofre, o sofrimento não deveria ser tratado como problema apenas dele. “De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, todos os outros se alegram com ele.” 1 Coríntios 12:26 (NAA).

A vitória vem do Senhor, mas Ele frequentemente usa pessoas para nos manter de pé. Enquanto uns lutam, outros oram. Enquanto uns avançam, outros oferecem apoio. Enquanto alguns estão cansados, outros se aproximam para sustentar suas mãos.

Na Igreja de Cristo, ninguém deveria lutar sozinho. Também ninguém deveria considerar pequena a função que recebeu. Toda oração, todo gesto de amor e todo serviço sincero têm valor diante de Deus.

Quando cada membro ocupa seu lugar, o corpo permanece firme, os cansados são fortalecidos e a batalha deixa de ser de uma única pessoa. Torna-se a batalha de todos, enfrentada em unidade e vencida pelo poder do Senhor.

Deus concede a vitória, mas muitas vezes escolhe realizá-la por meio de um povo unido, no qual alguns lutam, outros intercedem e outros sustentam as mãos cansadas.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

29/jul/26

 

A NOITE NÃO DURARÁ PARA SEMPRE

Porque a sua ira dura só um momento, mas o seu favor dura a vida inteira. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” Salmos 30:5 (NAA).

Há momentos em que a vida parece ter escurecido completamente. Recebemos uma notícia difícil, enfrentamos uma enfermidade, perdemos alguém querido, vemos uma porta se fechar ou percebemos que não temos forças para resolver aquilo que está diante de nós. Nessas horas, a noite parece longa e o coração começa a perguntar: “Será que isso nunca vai passar?”

O Salmo 30 não nega a existência do sofrimento. Ele não diz que o servo de Deus nunca chorará. Pelo contrário, reconhece que existe uma noite de lágrimas. A fé verdadeira não nos transforma em pessoas incapazes de sentir dor. Homens e mulheres que confiam em Deus também adoecem, ficam cansados, enfrentam perdas, sentem medo e choram. A diferença é que não atravessam a noite sem esperança.

O salmista declara que a ira de Deus dura apenas um momento, mas o seu favor dura a vida inteira. Isso mostra que o Senhor não tem prazer em manter seus filhos debaixo de condenação. Ele corrige, disciplina e chama ao arrependimento, mas sua disposição é restaurar. Deus não deseja apenas mostrar o nosso erro; deseja conduzir-nos de volta ao caminho da vida.

O pecado separou a humanidade de Deus. Por nossas próprias forças, jamais conseguiríamos reconstruir essa comunhão. Contudo, o Pai nos ofereceu o maior favor que poderíamos receber: entregou seu Filho para morrer por nós. Na cruz, Jesus tomou sobre si a nossa culpa e abriu o caminho da reconciliação.

A Bíblia afirma: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo.” Romanos 5:1 (NAA).

Em Cristo, deixamos de viver como inimigos de Deus e somos recebidos em sua família. Essa é a vida que existe no favor do Senhor. Não é apenas respirar, trabalhar, conquistar bens e passar alguns anos nesta terra. É possuir uma vida reconciliada com Deus agora e a certeza da vida eterna ao lado dele.

Mesmo depois de conhecer Jesus, ainda atravessaremos noites. Há a noite de quem espera o resultado de um exame. A noite da mãe que ora por um filho afastado. A noite do trabalhador que perdeu o emprego e não sabe como pagará as contas. A noite de quem entra em casa e sente a ausência de alguém que partiu. A noite de quem luta contra a ansiedade, mesmo tentando demonstrar força diante dos outros.

Talvez ninguém perceba o que está acontecendo dentro daquela pessoa. Ela participa do culto, cumprimenta os irmãos e até sorri, mas carrega uma batalha silenciosa. O Senhor, porém, vê cada lágrima. Ele conhece os pensamentos que não conseguimos explicar e ouve até as orações que saem apenas como suspiros.

O versículo não diz que o choro dura somente alguns minutos. Diz que ele pode durar uma noite. Algumas noites são curtas; outras parecem demoradas. Há respostas que chegam rapidamente, mas existem processos que exigem paciência. Deus nem sempre muda a situação no momento em que pedimos, mas pode sustentar-nos enquanto a situação ainda não mudou.

A alegria que chega pela manhã pode ser experimentada de várias maneiras. Às vezes, é uma oração respondida, uma enfermidade vencida, uma família restaurada ou uma oportunidade que se abre. Em outras ocasiões, a circunstância continua difícil, mas Deus coloca paz no coração, renova as forças e nos ajuda a dar mais um passo. A manhã começa dentro de nós antes mesmo de surgir ao nosso redor.

Entretanto, há uma manhã ainda maior. É o dia em que Jesus receberá para si todos os que nele confiaram. Ele prometeu preparar um lugar para os seus e voltar para buscá-los. Na presença do Senhor, todas as noites da existência humana chegarão definitivamente ao fim.

A Palavra nos dá esta esperança: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima. E já não existirá mais morte, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.” Apocalipse 21:4 (NAA).

Essa será a manhã eterna. Não haverá despedidas, hospitais, cemitérios, medo, solidão nem notícias capazes de ferir o coração. Estaremos na presença de Deus e ao lado de Jesus para sempre. Aquilo que hoje nos faz chorar não poderá entrar nesse novo tempo preparado pelo Senhor.

Por isso, não desista durante a noite. Continue orando, confiando e caminhando. Talvez você ainda não veja os primeiros raios do amanhecer, mas isso não significa que a manhã não esteja chegando. A noite possui limites estabelecidos por Deus. O sofrimento não tem a palavra final. Para aqueles que estão em Cristo, a última palavra será sempre vida, consolo e alegria.

A fé não nega as lágrimas da noite; ela nos faz atravessá-la com a certeza de que Deus permanece conosco e de que, em Cristo, toda noite terminará diante da luz de uma manhã eterna.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

28/jul/26

 

O TESTEMUNHO QUE MANTÉM A FÉ VIVA

Ó Deus, nós ouvimos com os próprios ouvidos; nossos pais nos contaram o que fizeste outrora, em seus dias.” Salmos 44:1 (NAA).

O testemunho é uma das formas mais simples e poderosas de anunciar o evangelho. Nem todos conseguem fazer uma pregação ou explicar assuntos profundos da Bíblia. Porém, todo cristão pode contar, com sinceridade, aquilo que Deus fez em sua vida. Testemunhar é dizer quem éramos, como encontramos Cristo e o que Ele tem realizado em nós.

Antes de subir aos céus, Jesus deu uma missão aos seus discípulos: “Mas vocês receberão poder, ao descer sobre vocês o Espírito Santo, e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra.” Atos 1:8 (NAA).

Jesus não disse apenas que os discípulos fariam alguma coisa para Ele. Disse que seriam suas testemunhas. A própria vida deles deveria mostrar que Jesus estava vivo. Suas palavras, escolhas e atitudes deveriam revelar ao mundo o poder transformador do evangelho.

Uma testemunha fala sobre aquilo que viu, ouviu ou experimentou. Por isso, o testemunho cristão não deve ser usado para exaltar a pessoa, mas para apresentar Jesus. O centro da história não é a nossa força, inteligência ou capacidade. O centro é a graça de Deus, que nos encontrou, nos perdoou, nos levantou e começou uma nova obra em nós.

Um sermão bem preparado pode ensinar muito. Um estudo bíblico pode esclarecer dúvidas e fortalecer a fé. Mas um testemunho sincero alcança o coração de maneira especial. Quando alguém conta que encontrou paz em meio ao luto, recebeu forças durante uma enfermidade, venceu um vício, teve o casamento restaurado ou foi sustentado durante o desemprego, outras pessoas percebem que não estão sozinhas. A experiência de um irmão pode se tornar esperança para outro.

Por isso, o profeta declarou: “Quero trazer à memória o que pode me dar esperança.” Lamentações 3:21 (NAA).

Lembrar o que Deus fez ontem nos ajuda a confiar nele hoje. Em dias difíceis, podemos recordar orações respondidas, portas abertas, livramentos recebidos e momentos em que o Senhor nos sustentou. Mesmo quando a resposta não veio como esperávamos, ainda podemos testemunhar que Deus permaneceu conosco, dando-nos forças para continuar.

O Salmo 44 mostra uma geração dizendo que havia ouvido dos pais aquilo que Deus fizera no passado. Isso revela a importância de contar as obras do Senhor dentro de casa. Filhos e netos precisam ouvir como Deus conduziu a família, respondeu orações e fortaleceu seus servos. Uma família pode conhecer muitas informações sobre a Bíblia e, ainda assim, deixar de compartilhar as experiências de fé que marcaram sua caminhada.

A história dos descendentes de Corá também mostra como Deus pode transformar uma herança de vergonha em um testemunho de fé. Corá participou de uma rebelião contra Moisés e sofreu o juízo do Senhor. Entretanto, a Bíblia registra: “Mas os filhos de Corá não morreram.” Números 26:11 (NAA).

Anos depois, seus descendentes aparecem servindo e louvando a Deus: “Os levitas dos filhos dos coatitas e dos coraítas se levantaram para louvar o Senhor, Deus de Israel, em voz bem alta.” 2 Crônicas 20:19 (NAA).

A história daquela família passou a anunciar que o erro de uma geração não precisa ser repetido pela seguinte. A graça de Deus pode interromper ciclos, restaurar caminhos e transformar o passado em testemunho. Uma família marcada por abandono, violência, vícios ou incredulidade pode, em Cristo, começar um novo capítulo e deixar para as próximas gerações uma memória diferente.

Isso também é testemunho. É quando a própria vida passa a dizer que Deus não nos abandonou ao passado, mas nos deu uma nova direção. Talvez alguém não conheça todos os detalhes da nossa história, mas poderá perceber que houve transformação, cura, amadurecimento e um novo modo de viver.

Entretanto, o testemunho precisa ser verdadeiro. Não devemos aumentar os fatos, esconder as dificuldades ou transformar cada acontecimento em algo espetacular. Deus também é glorificado quando dizemos que choramos, sentimos medo e quase desanimamos, mas fomos sustentados por sua mão. Um testemunho honesto mostra que a vida cristã não é ausência de lutas, mas presença de Deus em todas elas.

A Bíblia orienta: “Afaste-se do mal e pratique o bem; procure a paz e empenhe-se por alcançá-la.” Salmos 34:14 (NAA).

Nosso comportamento deve confirmar nossas palavras. Não adianta contar grandes experiências com Deus e viver sem amor, humildade, perdão e honestidade. O testemunho mais convincente nasce quando aquilo que falamos combina com aquilo que vivemos.

Conte o que Deus fez por você. Fale com simplicidade, gratidão e verdade. Não use sua história para mostrar o quanto você é especial, mas para mostrar o quanto o Senhor é misericordioso. Talvez suas palavras alcancem alguém que esteja quase desistindo. Quando anunciamos as obras do nosso Pai celestial, nossa história deixa de falar apenas sobre nós e passa a apontar para Jesus.

O testemunho verdadeiro não coloca o homem no centro; ele acende a esperança ao mostrar que Cristo ainda transforma histórias, sustenta vidas e permanece fiel.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

27/jul/26

 

A COROA QUE O TEMPO NOS ENTREGA

Coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são os pais.” Provérbios 17:6 (NAA).

Hoje é o Dia dos Avós, embora eu acredite que todos os dias lhes pertençam um pouco. Dizem que ser avô ou avó é descobrir uma maneira nova, mais serena e profunda de amar. Depois de tantos anos enfrentando responsabilidades, preocupações e desafios, o coração encontra nos netos uma alegria diferente, leve e renovadora.

É como se Deus permitisse que a vida recomeçasse diante de nossos olhos, agora acompanhada de mais experiência, paciência e gratidão. Nos netos, revemos a infância, reencontramos a esperança e aprendemos que o amor também pode amadurecer sem perder a ternura. Ser avô ou avó é receber a dádiva de amar novamente, mas, desta vez, com o coração mais calmo e os olhos mais atentos para reconhecer a beleza dos pequenos momentos.

Por exemplo, quando olho para os meus netos, não vejo apenas crianças. Em cada um deles, reconheço um pouco dos filhos que criei: um sorriso conhecido, um gesto antigo da família, uma expressão que recorda alguém querido ou até uma maneira de falar que parece atravessar gerações. Eles carregam traços, histórias e lembranças daqueles que vieram antes. Por isso, cada abraço que recebo deles parece unir, em um só instante, o passado que vivi, o presente que agradeço e o futuro que ainda espero contemplar.

Ser avô ou avó é voltar a enxergar o mundo pelos olhos de uma criança. É caminhar mais devagar para acompanhar seus pequenos passos. É responder perguntas simples que, para ela, são muito importantes. É admirar um desenho, ouvir uma história repetida e celebrar conquistas que parecem pequenas para os adultos, mas são enormes para quem está começando a viver.

Talvez, quando criavam os filhos, os avós estivessem cercados por muitas responsabilidades. Precisavam trabalhar, pagar contas, tomar decisões e vencer o cansaço. Amavam profundamente, mas nem sempre conseguiam estar presentes em todos os momentos. Com os netos, muitas vezes, encontram uma nova oportunidade de oferecer tempo, colo e atenção.

Isso não significa que os avós amem mais os netos do que amaram os filhos. Significa que agora amam com uma experiência diferente. O tempo ensinou que muitas coisas que antes pareciam urgentes não eram tão importantes. Ensinou também que uma conversa, uma brincadeira e um abraço podem permanecer na memória por toda a vida.

Ser avô ou avó também é ser guardião de histórias. É lembrar nomes, lugares e acontecimentos que os netos não conheceram. É contar como eram as ruas, as casas, as viagens e os costumes de outros tempos. É falar sobre pessoas da família que já partiram, mas deixaram ensinamentos, exemplos e marcas de amor.

Contudo, mais importante do que transmitir lembranças é transmitir a fé. O apóstolo Paulo reconheceu em Timóteo uma fé que havia passado por gerações: “Lembro da sua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em sua avó Loide e em sua mãe Eunice, e estou certo de que habita também em você.” 2 Timóteo 1:5 (NAA).

Loide talvez não imaginasse até onde chegaria aquilo que ensinou dentro de casa. Sua fé alcançou sua filha Eunice e, depois, seu neto Timóteo, que se tornou um importante servo de Deus. Isso mostra que a influência dos avós pode permanecer muito além de sua própria existência.

Os avós podem ensinar a fé aos netos de muitas maneiras: ensinando louvores que falam do amor de Jesus, levando-os à Escola Bíblica Dominical, convidando-os para orar, contando histórias da Bíblia e explicando, com palavras simples e com o próprio exemplo, por que confiam em Deus. Podem mostrar, com a própria vida, como se enfrenta uma enfermidade, uma perda ou uma dificuldade sem abandonar a esperança. As crianças talvez não compreendam tudo naquele momento, mas guardarão muitas dessas experiências no coração.

A Palavra orienta que os ensinamentos do Senhor sejam transmitidos de geração em geração: “Estas palavras que hoje lhe ordeno estarão no seu coração. Você as inculcará a seus filhos, e delas falará quando estiver sentado em sua casa, andando pelo caminho, ao deitar-se e ao levantar-se.” Deuteronômio 6:6-7 (NAA).

Essa responsabilidade também alcança os avós. Eles podem falar de Deus durante uma caminhada, antes de dormir, em uma viagem ou em uma conversa simples. Nem sempre será necessário fazer um grande discurso. Muitas vezes, uma frase dita com amor será lembrada durante anos.

Mas ser avô ou avó não é apenas dar presentes, oferecer doces ou satisfazer todas as vontades. É estar presente de maneira responsável. É acompanhar, ouvir, aconselhar e ajudar na formação dos netos, respeitando sempre a autoridade e as decisões dos pais.

Os avós não devem competir com os filhos pela educação das crianças. Seu papel é apoiar, cooperar e contribuir com sabedoria. Pode haver momentos em que será necessário dizer “não”, ensinar respeito ou corrigir com carinho. O verdadeiro amor não oferece apenas aquilo que agrada, mas também aquilo que ajuda a crescer.

Ser avô ou avó também traz preocupações. Quando um neto adoece, os avós sentem sua dor. Quando ele enfrenta uma dificuldade, sofrem junto. Quando conquista algo, o coração deles se enche de alegria. E, muitas vezes, enquanto todos dormem, oram em silêncio por perigos que a criança ainda nem consegue perceber.

Existem avós que acompanham os netos em tratamentos, levam-nos à escola, ajudam nas tarefas ou cuidam deles enquanto os pais trabalham. Outros vivem longe e mantêm a presença por meio de telefonemas, mensagens e orações. A distância pode impedir o abraço diário, mas não diminui o amor verdadeiro.

O salmista declara que a misericórdia do Senhor alcança os filhos dos filhos daqueles que o temem. Salmos 103:17-18. Isso significa que uma vida de fé pode produzir frutos que serão percebidos nas gerações seguintes.

Ser avô ou avó é compreender que o tempo levou a juventude, mas não retirou o propósito. Ainda há muito para ensinar, compartilhar e oferecer. Os cabelos podem embranquecer, os passos podem se tornar mais lentos, mas o coração ainda pode deixar marcas profundas.

Os netos talvez não se lembrem de todos os presentes que receberam, mas guardarão a lembrança de quem os ouviu, abraçou, aconselhou e orou por eles. Por isso, a maior herança dos avós não está nos bens que deixam, mas na fé, nos valores e no amor que plantam.

Ser avô ou avó é receber de Deus a oportunidade de amar novamente os filhos por meio dos filhos deles e deixar, no coração de uma nova geração, lembranças que o tempo não apaga e uma fé capaz de alcançar a eternidade.

Parabéns a todos os vovôs e vovós do grupo! Que Deus continue abençoando cada um, renovando as forças, multiplicando a alegria e concedendo muitos momentos especiais ao lado dos netos. Que nunca faltem saúde, paciência, ternura e gratidão para viver esse amor tão bonito que atravessa gerações.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

26/jul/26

 

A PENA QUE ANUNCIA A PALAVRA VIVA

“O meu coração transborda de belas palavras. Ao rei consagro o que compus; a minha língua é como a pena de um hábil escritor.” Salmos 45:1 (NAA).

Hoje, 25 de julho, celebra-se o Dia Nacional do Escritor. Para quem recebeu de Deus o desejo e a capacidade de escrever, esta é uma oportunidade especial de agradecer ao Deus provedor, aquele que inspira, sustenta e capacita.

Escrever é um privilégio, mas também uma grande responsabilidade, pois cada palavra registrada pode ensinar, consolar, corrigir, despertar a fé e permanecer guardada no coração de alguém por muitos anos.

Eu me alegro porque o Senhor tem me capacitado para escrever. Não considero isso apenas uma habilidade pessoal, mas uma oportunidade concedida por Deus para falar de Jesus. Quando escrevi meu primeiro livro, experimentei uma realização muito especial. Aquilo que antes existia apenas em pensamentos, lembranças e anotações ganhou forma e chegou às mãos de outras pessoas.

Foi emocionante perceber que uma palavra escrita em um lugar poderia alcançar alguém distante. Uma reflexão preparada em silêncio poderia consolar uma pessoa em um hospital, fortalecer alguém que enfrentava uma crise familiar ou levar esperança a quem estava pensando em desistir. O escritor nem sempre conhece todos os caminhos percorridos por suas palavras, mas Deus conhece.

Habacuque recebeu uma orientação do Senhor: “..._Escreva a visão, torne-a bem legível sobre tábuas, para que possa ser lida até por quem passa correndo.” Habacuque 2:2 (NAA).

Esse versículo mostra que a mensagem precisava ser escrita com clareza. Não deveria ser confusa nem compreendida apenas por pessoas muito instruídas. Até quem passasse correndo deveria conseguir lê-la. Esse princípio continua importante. Quando escrevemos sobre Deus, devemos procurar usar palavras simples, verdadeiras e acessíveis, para que todos possam entender.

A Bíblia apresenta grandes homens usados por Deus por meio da escrita. Moisés registrou acontecimentos fundamentais sobre a criação, a formação do povo de Israel e os mandamentos recebidos do Senhor. Davi transformou suas alegrias, medos, arrependimentos e experiências com Deus em salmos que ainda hoje consolam milhões de pessoas.

Salomão escreveu sobre sabedoria, escolhas, família, trabalho e o sentido da vida. Os profetas registraram advertências, promessas e mensagens que chamavam o povo ao arrependimento. Lucas pesquisou cuidadosamente os acontecimentos e escreveu para que seus leitores conhecessem com segurança a história de Jesus e o início da Igreja.

Paulo escreveu cartas enquanto viajava, enfrentava perseguições e, em alguns momentos, estava preso. Mesmo assim, suas palavras atravessaram os séculos. Ele chegou a ser algemado, mas reconheceu que “a palavra de Deus não está algemada”. 2 Timóteo 2:9 (NAA).

João também escreveu sobre aquilo que viu, ouviu e experimentou. Ele não transmitiu apenas uma teoria religiosa. Falou de uma vida que se manifestou em Jesus Cristo. Suas palavras foram registradas para que outros também conhecessem essa vida e tivessem comunhão com Deus.

Esses homens possuíam personalidades, histórias e maneiras diferentes de escrever. Entretanto, foram usados pelo mesmo Deus. A Bíblia declara: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça.” 2 Timóteo 3:16 (NAA).

Isso nos ensina que a Palavra de Deus não é apenas uma coleção de pensamentos humanos. Deus usou pessoas reais, com seus estilos e experiências, para transmitir sua verdade. Por isso, quem escreve sobre a fé precisa tratar essa missão com humildade, oração e fidelidade às Escrituras.

As palavras têm muita força. Uma frase dita ou escrita sem cuidado pode ferir profundamente. Uma mentira pode destruir uma reputação. Uma mensagem compartilhada sem verificação pode espalhar medo e confusão. Por outro lado, uma palavra de esperança pode levantar alguém. Um testemunho pode despertar a fé. Um pedido de perdão pode restaurar uma relação.

Nos dias atuais, escrevemos o tempo todo. Enviamos mensagens pelo celular, publicamos comentários, respondemos em grupos e compartilhamos pensamentos nas redes sociais. Talvez algumas pessoas não se considerem escritoras, mas diariamente deixam palavras registradas diante de outras pessoas.

Por isso, todos precisamos perguntar: minhas palavras aproximam as pessoas de Deus ou aumentam a confusão? Elas curam ou ferem? Revelam amor ou alimentam discussões? Transmitem verdade ou apenas repetem aquilo que ouvi sem verificar?

Para o escritor cristão, existe uma responsabilidade ainda maior. Não basta produzir textos bonitos. É necessário apontar para Jesus. Nossa escrita não deve buscar apenas elogios, reconhecimento ou sucesso. Deve carregar uma mensagem capaz de conduzir o coração humano ao Salvador.

João começa seu Evangelho com uma declaração maravilhosa: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” João 1:1 (NAA). Jesus é o Verbo, a Palavra viva. Isso torna a escrita cristã ainda mais preciosa. Escrevemos palavras para falar daquele que é a própria Palavra. Escrevemos sobre esperança porque Ele é nossa esperança. Falamos sobre perdão porque Ele perdoa. Anunciamos vida porque nEle está a vida.

Sei que, algum dia, os livros que escrevi envelhecerão. Suas páginas poderão amarelar, e uma publicação que compartilhei talvez desapareça rapidamente em meio a tantas outras. Contudo, uma palavra usada pelo Espírito Santo pode permanecer no coração de alguém por toda a vida, porque a Palavra que procede de Deus jamais volta vazia: ela sempre cumpre o propósito para o qual foi enviada.

Parabéns a todos nós, escritores, por este dia! Que o Senhor continue capacitando aqueles que receberam o dom e a responsabilidade de escrever. Que nossa pena, como diziam os antigos — ou, em nossos dias, o teclado — jamais seja guiada pelo orgulho, pela vaidade ou pelo desejo de ferir. Que cada palavra seja colocada nas mãos de Deus e usada para transmitir graça, verdade, consolo, esperança e salvação.

Escrever sobre Jesus é mais do que formar frases. É lançar sementes. Talvez não vejamos todos os frutos, mas podemos confiar que Deus conduzirá cada palavra ao coração que necessita recebê-la.

Quando seu instrumento de escrita — seja a pena, seja o teclado — é colocado nas mãos de Deus, as palavras deixam de ser apenas letras sobre uma página e se transformam em sementes de fé, consolo, esperança e eternidade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

25/jul/26

 

QUANDO A ORAÇÃO ENCONTRA O CAMINHO JÁ PREPARADO

“Antes que ele acabasse de orar, eis que surgiu Rebeca, filha de Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, trazendo um cântaro sobre o ombro.” Gênesis 24:15 (NAA).

Abraão já estava idoso e desejava que seu filho Isaque se casasse com uma mulher de sua própria parentela. Por isso, chamou seu servo mais antigo e confiável e lhe entregou uma missão muito importante: viajar até a terra de seus parentes e encontrar uma esposa para Isaque.

A responsabilidade era grande. O servo precisava percorrer uma longa distância, chegar a um lugar que não conhecia bem e tomar uma decisão que afetaria o futuro da família de Abraão. Ele poderia confiar apenas em sua experiência, mas escolheu buscar a direção de Deus.

Ao chegar perto da cidade, junto a uma fonte de água, o servo orou: “..._Ó Senhor, Deus de meu senhor Abraão, faze com que hoje eu seja bem-sucedido e usa de bondade para com o meu senhor Abraão!” Gênesis 24:12 (NAA).

Há um detalhe muito bonito nessa oração. O servo não disse: “Meu Deus.” Ele se dirigiu ao Senhor como “Deus de meu senhor Abraão”. Isso mostra que ele conhecia o Senhor por meio do testemunho de Abraão. Durante anos, havia observado a fé, as decisões e a caminhada de seu senhor. Sabia que o Deus de Abraão era fiel e tinha poder para dirigir aquela viagem.

Talvez aquele homem ainda não tivesse vivido uma experiência tão pessoal com Deus. No entanto, mesmo conhecendo o Senhor por meio do testemunho de outra pessoa, teve fé suficiente para orar. Ele acreditou que o Deus que havia conduzido Abraão também poderia guiá-lo.

O servo pediu um sinal claro. A jovem escolhida não apenas lhe daria água, mas também se ofereceria para dar água aos camelos. Não seria uma tarefa simples. Os animais haviam percorrido uma longa viagem e poderiam beber muita água. A atitude revelaria bondade, disposição para servir e generosidade.

Então aconteceu algo extraordinário: antes que o servo terminasse de orar, Rebeca apareceu trazendo um cântaro sobre o ombro. Ela foi até a fonte exatamente no momento em que ele apresentava seu pedido a Deus.

A resposta parece ter chegado rapidamente, mas Deus já estava preparando tudo antes que o servo começasse a falar. Enquanto ele viajava, o Senhor conduzia Rebeca até a fonte. Quando o servo orou, a resposta já estava a caminho.

A oração não colocou Deus em movimento. Ela revelou que Deus já estava agindo.

Isso se aproxima de uma promessa registrada pelo profeta Isaías: “Antes mesmo que clamem, eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei.” Isaías 65:24 (NAA).

Deus não começa a conhecer nossas necessidades quando abrimos a boca. Ele já sabe o que enfrentamos, conhece nossas dúvidas e vê os caminhos que ainda não conseguimos enxergar. Muitas vezes, enquanto estamos orando, o Senhor já está organizando circunstâncias, encontros e oportunidades.

Pense em alguém que ora por um emprego. Enquanto essa pessoa pede uma porta, talvez alguém esteja procurando exatamente um profissional com suas habilidades. Pense em uma família que ora por reconciliação. Enquanto apresenta sua dor ao Senhor, Deus pode estar trabalhando silenciosamente no coração daquele que se afastou.

Isso não significa que todas as orações serão respondidas imediatamente ou exatamente como desejamos. Algumas respostas chegam depressa; outras exigem espera. Há situações em que Deus diz “sim”, outras em que diz “não”, e momentos em que diz: “Espere.”

A rapidez da resposta não determina o tamanho do amor de Deus. O Senhor também trabalha durante o silêncio. Quando a resposta demora, Ele pode estar preparando nosso coração, corrigindo nossas intenções ou conduzindo tudo ao momento certo.

Rebeca fez exatamente aquilo que o servo havia pedido em oração. Deu-lhe água e também se ofereceu para cuidar dos camelos. Ele ficou observando em silêncio, procurando entender se o Senhor realmente havia prosperado sua jornada.

Quando percebeu que Deus havia respondido, o servo não tratou o acontecimento como uma coincidência. Ele se inclinou e adorou: “Então o homem se inclinou e adorou o Senhor. E disse: — Bendito seja o Senhor, Deus de meu senhor Abraão, que não retirou a sua bondade e a sua fidelidade de meu senhor. Quanto a mim, estando no caminho, o Senhor me guiou à casa dos parentes de meu senhor.” Gênesis 24:26-27 (NAA).

No versículo 12, ele orou. No versículo 27, ele adorou. Primeiro pediu o caminho; depois reconheceu a mão de Deus na resposta.

Esse é um ensinamento importante. Muitas pessoas sabem pedir, mas se esquecem de agradecer. Quando a dificuldade chega, oram com intensidade. Quando a resposta vem, seguem adiante como se tudo tivesse acontecido por acaso.

O servo de Abraão não fez isso. Ele parou, inclinou-se e glorificou ao Senhor. A oração verdadeira não termina quando recebemos aquilo que pedimos. Ela continua na gratidão.

Mais adiante, quando Labão viu aquele homem, disse: “Entre, bendito do Senhor! Por que você está aí fora? Já preparei a casa e o lugar para os camelos.” Gênesis 24:31 (NAA).

Aquele que começou a viagem chamando Deus de “Deus de meu senhor Abraão” agora era reconhecido como “bendito do Senhor”. A experiência havia deixado marcas visíveis em sua vida.

Ele começou conhecendo Deus pelo testemunho de Abraão, mas terminou reconhecendo pessoalmente que esse mesmo Deus também o havia guiado. O Senhor que parecia ser apenas o Deus de seu senhor tornou-se o Deus que ouviu sua oração, conduziu seus passos e confirmou sua missão.

Isso também pode acontecer conosco. Talvez, no começo, conheçamos Deus pela fé de nossos pais, avós, pastores ou amigos. Ouvimos histórias, vemos testemunhos e aprendemos com a experiência deles. Mas chega o momento em que precisamos buscar o Senhor pessoalmente.

A fé pode ser apresentada por outra pessoa, mas precisa tornar-se uma experiência viva em nosso coração. Quando oramos, obedecemos e reconhecemos a direção divina, deixamos de apenas ouvir falar de Deus e começamos a perceber sua mão em nossa própria caminhada.

O servo saiu com uma missão difícil, orou junto à fonte, recebeu uma resposta, adorou ao Senhor e foi reconhecido como alguém abençoado. Sua história nos ensina que Deus dirige aqueles que o buscam com sinceridade.

Quem começa buscando a direção de Deus aprende a reconhecer Sua mão no caminho e termina carregando marcas tão claras de Sua graça que até os outros percebem: este é um bendito do Senhor.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

24/jul/26

 

O NOME DIANTE DO QUAL TODOS SE CURVARÃO

“Por isso também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.” Filipenses 2:9-11 (NAA).

Ao longo da história, muitos nomes se tornaram conhecidos. Alguns são lembrados por suas descobertas, outros pelo poder que exerceram, pelas riquezas que acumularam ou pela influência que tiveram. Porém, todos esses nomes passam. Impérios desaparecem, governos terminam, riquezas perdem o valor e até as maiores realizações humanas acabam sendo esquecidas. Existe, entretanto, um nome que jamais perderá sua autoridade: o nome de Jesus.

Quando o apóstolo Paulo escreveu que Deus deu a Jesus o nome que está acima de todo nome, ele não estava falando apenas da maneira como pronunciamos esse nome. Estava falando de sua autoridade, de sua posição e de seu senhorio. Jesus foi exaltado porque, antes, humilhou-se profundamente.

Ele existia na forma de Deus, mas veio ao mundo como homem. Assumiu a condição de servo, viveu entre pessoas comuns, sentiu fome, cansaço, tristeza e dor. Mesmo sendo santo, permitiu que o tratassem como culpado. Foi rejeitado, humilhado e pregado numa cruz.

A cruz não foi um acidente nem uma derrota. Ela fazia parte do plano de Deus para salvar pecadores. Jesus entregou-se voluntariamente. Tomou sobre si a culpa que era nossa e sofreu a condenação que nós merecíamos. Depois de sua morte, ressuscitou e foi exaltado pelo Pai. Por isso, hoje Ele reina soberanamente.

A Bíblia diz que Jesus está assentado à direita do trono de Deus. Hebreus apresenta Cristo como aquele que suportou a cruz e venceu a vergonha, permanecendo agora em posição de honra e autoridade.

Essa verdade deve encher nosso coração de gratidão. Não fomos salvos porque éramos bons, fortes ou merecedores. Não compramos a salvação por meio de obras, esforços ou sacrifícios pessoais. Fomos alcançados pela graça.

Quando olhamos para a cruz, entendemos que nossa salvação custou um preço que jamais conseguiríamos pagar. Jesus carregou nossos pecados para que recebêssemos perdão. Ele abriu o caminho para que pessoas afastadas de Deus fossem reconciliadas com o Pai. Por isso, a adoração não deve acontecer apenas durante um culto. Ela é a resposta de uma vida que reconhece tudo o que Cristo fez.

Louvamos porque fomos perdoados. Louvamos porque não estamos mais condenados. Louvamos porque Jesus venceu a morte. Louvamos porque temos uma esperança que não termina no túmulo. Louvamos porque, mesmo em nossos dias mais difíceis, o Senhor continua sendo digno e sempre será.

Muitas vezes, as pessoas agradecem a Deus principalmente quando recebem uma resposta desejada. Louvam por uma cura, pela chegada de um emprego, pela restauração do casamento, pela compra de uma casa ou pela solução de um problema financeiro. E devemos realmente agradecer por todas essas coisas. Mas existe uma razão ainda maior para adorá-lo: nossa salvação.

Talvez alguém esteja atravessando uma enfermidade sem resposta, enfrentando desemprego, vivendo um luto ou esperando por algo que ainda não aconteceu. Mesmo nesses dias, Jesus continua sendo digno de louvor. A cruz não perdeu seu valor porque a vida ficou difícil. A ressurreição não deixou de ser verdadeira porque uma oração ainda não foi respondida.

Mesmo que não recebêssemos nenhuma outra bênção nesta vida, o fato de Cristo ter morrido e ressuscitado por nós já seria motivo suficiente para uma vida inteira de gratidão.

Quando Jesus entrou em Jerusalém, a multidão o recebeu com alegria e declarou: “E as multidões, tanto as que iam adiante dele como as que o seguiam, clamavam: — Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!” Mateus 21:9 (NAA).

Aquela declaração mostrava a esperança de que Jesus era o Messias prometido. Porém, muitos esperavam apenas uma libertação política e terrena. Jesus veio realizar algo muito maior: libertar o ser humano do pecado e conduzi-lo de volta a Deus.

Hoje, glorificamos o nome de Jesus quando reconhecemos sua autoridade e vivemos de acordo com sua vontade. A verdadeira adoração não se limita às palavras, às músicas ou às emoções. Ela aparece em nossas escolhas.

Adoramos quando perdoamos alguém que nos feriu. Adoramos quando permanecemos fiéis em meio às dificuldades. Adoramos quando recusamos uma prática errada, mesmo que ninguém esteja olhando. Adoramos quando servimos ao próximo sem buscar reconhecimento. Adoramos quando colocamos Cristo acima de nossos desejos, interesses e opiniões.

O dia chegará em que toda a criação reconhecerá a autoridade de Jesus. O livro de Apocalipse mostra o céu proclamando que o Cordeiro é digno de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor.

Alguns se curvam hoje por amor, fé e gratidão. Outros reconhecerão sua soberania apenas no dia do juízo. Entretanto, ninguém poderá negar que Jesus Cristo é o Senhor.

Por isso, enquanto temos oportunidade, devemos entregar a Ele o melhor de nossa vida. Que o nome de Jesus ocupe o primeiro lugar em nosso coração. Que nossas palavras, decisões e atitudes mostrem que pertencemos a Ele.

A maior bênção que recebemos não foi uma conquista terrena. Foi a salvação eterna conquistada por Cristo na cruz. Quem entende essa verdade sempre encontrará motivos para dizer, em qualquer circunstância: Jesus Cristo é Senhor.

Quem compreende o que Jesus fez na cruz não precisa esperar uma nova bênção para adorá-lo; encontra no próprio Cristo motivos suficientes para uma vida inteira de gratidão.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

23/jul/26

 

A GRAÇA QUE SILENCIA AS PEDRAS

“Levantando-se, Jesus perguntou a ela: — Mulher, onde estão eles? Ninguém condenou você? Ela respondeu: — Ninguém, Senhor! Então Jesus disse: — Também eu não a condeno; vá e não peque mais.” João 8:10-11 (NAA).

Uma mulher foi levada até Jesus em uma das situações mais humilhantes de sua vida. Ela havia sido surpreendida em adultério e colocada no meio de todos. Não lhe deram a oportunidade de explicar nada. Para aqueles homens, ela não era mais uma pessoa, mas apenas uma pecadora que deveria ser castigada.

Os escribas e fariseus conheciam a Lei. Sabiam citar os mandamentos e apresentavam-se como defensores da santidade. Contudo, não estavam interessados em restaurar aquela mulher. Eles queriam usá-la como instrumento para colocar Jesus à prova. Enquanto falavam sobre justiça, seus corações estavam cheios de acusação, orgulho e falta de misericórdia.

Essa cena também pode acontecer em nossos dias. Uma pessoa comete um erro, e rapidamente sua história se espalha. Fotografias, mensagens e comentários são compartilhados. Alguém que caiu passa a ser conhecido apenas por sua queda. Poucos procuram saber o que aconteceu. Poucos oferecem ajuda. Muitos apenas pegam suas pedras em forma de críticas, julgamentos e palavras cruéis.

Jesus não ignorou o pecado daquela mulher. Ele sabia exatamente o que ela havia feito. No entanto, também conhecia os pecados escondidos daqueles que a acusavam. Por isso, disse: “Quem de vocês estiver sem pecado seja o primeiro a atirar uma pedra nela.” João 8:7 (NAA).

Depois dessas palavras, ninguém conseguiu permanecer ali como juiz. Um por um, os acusadores foram embora. As pedras caíram das mãos porque a Palavra de Jesus revelou a verdade: todos eram pecadores e necessitavam da misericórdia de Deus.

É muito fácil perceber o erro do outro e esquecer as próprias fraquezas. Podemos condenar alguém por um pecado diferente do nosso e pensar que somos melhores. Mas diante da santidade de Deus, ninguém pode declarar-se justo por seus próprios méritos. Todos precisamos de perdão.

Quando os acusadores foram embora, a mulher ficou diante de Jesus. Esse foi o momento mais importante de sua vida. Ela estava diante daquele que conhecia todo o seu passado, mas também tinha poder para lhe dar um novo futuro.

Jesus perguntou: “Ninguém condenou você?” Ela respondeu: “Ninguém, Senhor!” Então ouviu palavras que jamais esqueceria: “Também eu não a condeno; vá e não peque mais.”

Jesus não disse que o pecado não tinha importância. Também não afirmou que ela poderia continuar vivendo da mesma maneira. Ele ofereceu perdão e, ao mesmo tempo, chamou-a para uma vida transformada. A graça não diz: “Continue como está.” A graça diz: “Você pode começar novamente, mas agora siga por um caminho diferente.”

Essa verdade é muito importante. Algumas pessoas pensam que Deus não pode mais recebê-las por causa dos erros que cometeram. Carregam culpa por muitos anos. Lembram-se de decisões erradas, palavras que feriram, relacionamentos destruídos ou oportunidades perdidas. Mesmo depois de pedirem perdão, continuam vivendo como se ainda estivessem no meio da praça, cercadas por acusadores. Mas a Palavra declara: “Agora, pois, já não existe nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus.” Romanos 8:1 (NAA).

Isso não significa que não haverá consequências por nossas escolhas. Significa que, em Cristo, a sentença da morte eterna foi retirada. Jesus tomou sobre si a nossa culpa e nos oferece uma nova vida. A lei do Espírito da vida nos liberta da lei do pecado e da morte. Romanos 8:2

Imagine alguém que viveu durante anos preso a um vício. Depois de muitas quedas, essa pessoa conhece Jesus, pede ajuda e inicia um caminho de restauração. Talvez alguns continuem lembrando seu passado. Jesus, porém, não a reduz ao que ela foi. Ele a chama para aquilo que pode se tornar pela graça.

Pense também em alguém que destruiu um relacionamento por causa de suas atitudes. O arrependimento verdadeiro não apaga imediatamente todas as consequências, mas abre a porta para uma nova maneira de viver. Em vez de mentir, começa a falar a verdade. Em vez de ferir, aprende a pedir perdão. Em vez de fugir de Deus, aproxima-se dele.

Jesus é a Palavra viva que não veio para destruir o pecador, mas para salvá-lo. Ele revela o pecado, oferece perdão e mostra o caminho da transformação. Logo depois daquele encontro, Jesus declarou: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas.” João 8:12 (NAA).

A mulher chegou cercada por acusadores, mas saiu com uma nova oportunidade. Chegou marcada pelo pecado, mas encontrou aquele que podia libertá-la. Chegou esperando uma sentença de morte, mas ouviu uma palavra de vida.

Talvez ainda existam pedras apontadas para você. Talvez a pedra mais pesada esteja em suas próprias mãos, porque você não consegue perdoar a si mesmo. Hoje, Jesus o convida a deixar a culpa aos seus pés, receber seu perdão e abandonar o pecado.

A voz dos acusadores pode ser forte, mas a palavra de Jesus é maior. Quando Ele perdoa, ninguém pode condenar. Quando Ele liberta, o passado não pode manter a pessoa presa. Quando Ele chama, sempre existe um novo caminho a seguir.

A graça de Jesus não esconde o pecado, mas retira a condenação, levanta o pecador e lhe oferece forças para começar uma nova vida.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

22/jul/26

  QUANDO O INIMIGO ESPERA O MOMENTO OPORTUNO “Tendo concluído todas as tentações, o diabo afastou-se de Jesus até momento oportuno.” Luca...