RELIGIÃO NÃO SUBSTITUI O NOVO NASCIMENTO

 “Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?” João 3:4 (ARC).

 Nicodemos não era um homem sem religião. Pelo contrário, era fariseu, conhecia as Escrituras e ocupava uma posição de destaque entre os judeus. Ele tinha conhecimento, tradição e experiência religiosa. Mesmo assim, quando procurou Jesus, descobriu que tudo aquilo ainda não era suficiente para compreender a realidade da salvação.

Jesus lhe disse algo que certamente o surpreendeu: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” João 3:3 (ARC).

Nicodemos interpretou aquelas palavras de maneira literal. Pensou imediatamente no nascimento físico e perguntou como um homem já velho poderia voltar ao ventre de sua mãe e nascer outra vez. Sua pergunta mostra que ele ainda não havia compreendido que Jesus estava falando de uma transformação espiritual.

Não precisamos entender a referência de Nicodemos à sua mãe como um símbolo da Lei ou da religião, porque o próprio texto não faz essa associação. O que fica evidente é que ele estava raciocinando a partir daquilo que conhecia naturalmente, enquanto Jesus estava lhe ensinando uma verdade espiritual.

E aqui encontramos algo que continua muito atual. É possível alguém conhecer religião e ainda não compreender o novo nascimento. Uma pessoa pode frequentar uma igreja desde criança, conhecer hinos, ter uma Bíblia em casa, participar de reuniões e saber explicar vários ensinamentos cristãos. Tudo isso pode ser importante, mas nenhuma dessas coisas, por si só, significa que ela nasceu de novo.

Jesus foi muito claro: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.” João 3:5 (ARC).

O novo nascimento é uma obra que Deus realiza no interior do homem. Não significa começar novamente a vida física, mas receber uma nova vida em Cristo. É uma transformação tão profunda que a Bíblia a compara a um nascimento.

Pense em alguém que decide mudar alguns hábitos. Para de frequentar determinados lugares, abandona certos comportamentos e começa a participar da igreja. Essas mudanças podem ser muito boas, mas o Evangelho fala de algo ainda mais profundo. Jesus não veio apenas melhorar algumas partes de nossa velha vida. Ele veio nos dar uma nova vida.

Paulo expressou essa verdade dizendo: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” 2 Coríntios 5:17 (ARC).

Por isso, ser cristão não significa simplesmente tornar-se uma pessoa mais religiosa. Significa pertencer a Cristo e permitir que Ele transforme nosso coração, nossos desejos, nossa maneira de pensar e nossa forma de viver.

Nicodemos precisava compreender também que sua posição religiosa e seu conhecimento da Lei não poderiam produzir essa nova vida. A salvação não é uma conquista humana. Não conseguimos alcançá-la acumulando boas obras, cumprindo regras ou apresentando a Deus uma lista de nossas qualidades.

A Bíblia diz: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” Efésios 2:8-9 (ARC).  Isso não significa que as boas obras sejam desnecessárias. Elas são consequência de uma vida transformada, mas não são a causa de nossa salvação. Não fazemos o bem para comprar a graça de Deus. Fazemos o bem porque fomos alcançados por essa graça.

Jesus explicou ainda a Nicodemos: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.” João 3:6 (ARC).

Há coisas que podemos mudar com esforço e disciplina, mas existe uma transformação que somente o Espírito Santo pode produzir. Podemos mudar nossa aparência exterior, corrigir alguns hábitos e aprender uma linguagem religiosa, mas somente Deus pode dar vida espiritual ao coração.

Talvez alguém diga: “Nasci em uma família cristã.” Isso é uma grande bênção, mas não substitui o novo nascimento. Outro pode dizer: “Fui criado dentro da igreja.” Também é precioso, mas não basta. A experiência de nossos pais não pode substituir nosso próprio encontro com Cristo.

Nicodemos era mestre em Israel e, mesmo assim, ouviu de Jesus: “Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.” João 3:7 (ARC).  Observe a palavra: necessário. Jesus não apresentou o novo nascimento como uma opção para alguns cristãos mais dedicados. Ele o colocou como uma necessidade para quem deseja entrar no Reino de Deus.

Por isso, a pergunta mais importante não é apenas: “Tenho religião?”, “Conheço a Bíblia?” ou “Frequento uma igreja?” A pergunta é muito mais profunda: Cristo já transformou minha vida? Nasci de novo pelo Espírito?

Nicodemos chegou até Jesus carregando conhecimento religioso. Jesus lhe mostrou que ele precisava de algo que sua religião não podia produzir: uma nova vida.

A religião pode ensinar nossos lábios a falar de Deus, mas somente o novo nascimento transforma o coração; Jesus não veio apenas melhorar a velha vida, mas nos dar uma vida nova nEle.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

04/out/26

 

NÃO HÁ CAUSAS PERDIDAS PARA JESUS

“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: — Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.” Mateus 28:18 (NAA).

Alguém já chegou perto de você e disse: “Essa causa está perdida”? A expressão “causa perdida” é uma conclusão humana. Nós a usamos quando nossos recursos acabam, quando já não enxergamos uma saída ou quando alguém parece ter ido longe demais.

Mateus 28:18, porém, começa de outro ponto. Jesus declara que possui toda a autoridade, e isso nos leva a compreender que nenhuma situação está fora de Seu domínio. Ele não disse que recebeu parte da autoridade, mas toda a autoridade. Isso inclui aquilo que conseguimos resolver e também aquilo diante do qual nos sentimos completamente impotentes.

Há momentos em que médicos, familiares, amigos e até nós mesmos chegamos ao limite. Fazemos o que está ao nosso alcance, buscamos alternativas, procuramos respostas, mas chega um momento em que percebemos que não podemos avançar mais. O limite humano, porém, não determina o limite de Jesus. Quando não sabemos mais o que fazer, Ele continua sendo Senhor.

O ser humano possui limites e não consegue ir muito longe sozinho. Mas eu lhe pergunto: quem pode estar longe o suficiente para não ser alcançado por Jesus?

Há pessoas das quais outros já desistiram: alguém dominado pelo pecado, uma família destruída, um filho afastado, uma pessoa presa a vícios ou alguém que passou muitos anos rejeitando o Evangelho. Entretanto, Jesus veio justamente em busca de quem estava perdido: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.” Lucas 19:10 (NAA).

Enquanto existe vida, não devemos escrever a última página da história de ninguém. Jesus alcançou Zaqueu, transformou Saulo e restaurou Pedro. Fez na vida desses homens aquilo que, aos olhos humanos, parecia impossível. Por isso, devemos ter muito cuidado antes de dizer a respeito de alguém: “Esse não tem mais jeito.”

Nós temos nossos recursos, nossas possibilidades e nossa capacidade. Mas, mais uma vez, eu lhe pergunto: e quando esses recursos acabarem? O que fazer? A quem recorrer? É justamente nesse ponto que precisamos lembrar que Jesus pode agir quando os recursos humanos terminam.

Marta e Maria chegaram ao momento em que, humanamente, nada mais poderia ser feito por Lázaro. Ele estava morto havia quatro dias. Para aquelas irmãs, havia terminado o tempo da esperança e todos os recursos possíveis já tinham se esgotado. Para Jesus, porém, aquela história ainda não havia terminado.

Muitas vezes chamamos de impossível aquilo que simplesmente ultrapassou nossa capacidade. O fato de não podermos fazer alguma coisa não significa que Jesus também não possa fazer. Isso não quer dizer que Ele realizará sempre exatamente aquilo que desejamos ou da maneira que esperamos, mas significa que nunca estaremos diante de uma situação sobre a qual Ele tenha perdido Sua autoridade.

Jesus vê muito além do que conseguimos enxergar. Ele não vê apenas o que uma pessoa é hoje, mas também aquilo que Sua graça pode fazer nela. Seu olhar alcança possibilidades que nossa limitada visão não consegue perceber.

Quando olhamos para alguém, geralmente enxergamos seu passado, seus erros e sua condição presente. E até nossa avaliação pode estar distorcida, porque vemos tudo a partir de nossa própria perspectiva. Jesus, porém, vê uma história que ainda está sendo escrita. Ele conhece aquilo que aconteceu, aquilo que está acontecendo e aquilo que ainda pode acontecer pela ação de Sua graça.

Saulo era perseguidor da Igreja, mas, depois de encontrar Cristo, tornou-se anunciador do Evangelho. Pedro O negou três vezes, mas foi restaurado. A mulher samaritana carregava uma história marcada por relacionamentos quebrados, mas, depois de encontrar Jesus, tornou-se testemunha dEle em sua cidade. A graça de Deus é capaz de produzir futuros que o passado jamais nos permitiria prever.

Por isso, como servos e servas do Senhor, nossa missão é continuar crendo, orando, amando e anunciando Jesus.

Mateus 28:18 não termina apenas com uma declaração de autoridade. Logo depois, Jesus envia Seus discípulos: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações.” Mateus 28:19 (NAA). Isso significa que a autoridade de Cristo também deve mudar a maneira como enxergamos as pessoas.

Não podemos classificar alguém como “sem jeito” e, ao mesmo tempo, afirmar que cremos que Jesus possui toda a autoridade. Talvez aquela pessoa por quem você ora há anos ainda não tenha respondido. Talvez aparentemente nada tenha mudado. Mesmo assim, continue amando, testemunhando e orando. Não cabe a nós decretar o fim de uma história que Jesus ainda pode transformar.

Quantas vezes olhamos para o tamanho do problema e deixamos de olhar para Aquele que possui toda a autoridade. Fazemos isso quando dizemos: “Não tem mais jeito.” Jesus, porém, declara: “Toda a autoridade me foi dada.” E, com essas palavras, Ele nos convida a deixar de medir a situação apenas pelo tamanho do problema e a lembrar do tamanho de Seu poder.

Não há causas perdidas para Jesus, porque, quando nossos recursos terminam, Sua autoridade permanece; e onde enxergamos apenas aquilo que foi destruído, Ele ainda pode escrever uma nova história.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

03/out/26

 

O MAL NÃO DECIDE O FINAL

“Vocês, na verdade, planejaram o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como estão vendo agora, que se conserve a vida de muita gente.” Gênesis 50:20 (NAA).

Há um antigo ditado que diz: “Há males que vêm para o bem.” A frase pode nos ajudar a pensar, mas precisamos entendê-la com cuidado. O mal nunca deixa de ser mal simplesmente porque alguma coisa boa surgiu depois dele. Uma injustiça continua sendo injustiça, uma traição continua sendo traição e uma mentira continua sendo mentira. O que a Bíblia nos mostra é algo ainda mais profundo: Deus é capaz de agir até mesmo em meio ao mal e impedir que ele tenha a palavra final.

Quem nunca sofreu alguma injustiça? Talvez alguém tenha falado algo falso a seu respeito, traído sua confiança, prejudicado você no trabalho ou tomado uma decisão que afetou profundamente sua vida. E quando a injustiça vem de alguém que amamos, a dor costuma ser ainda maior. Algumas pessoas carregam essas feridas durante anos. Recordam o que aconteceu, repetem mentalmente as palavras que ouviram e, pouco a pouco, permitem que a amargura ocupe um espaço cada vez maior no coração.

José conheceu esse tipo de sofrimento muito bem. Seus próprios irmãos tiveram inveja dele, planejaram matá-lo, lançaram-no em uma cisterna e finalmente o venderam como escravo. José foi levado para o Egito contra a sua vontade. Mais tarde, depois de agir corretamente na casa de Potifar, foi acusado injustamente e acabou na prisão.

Se olhássemos para sua história naquele momento, talvez disséssemos: “Acabou. Destruíram o futuro desse rapaz.” Mas Deus ainda estava escrevendo a história.

José não conseguia enxergar tudo enquanto estava dentro da cisterna. Também não conhecia o futuro quando caminhava como escravo em direção ao Egito nem quando estava preso injustamente. Ele via apenas o capítulo que estava vivendo. Deus, porém, via a história inteira.

Anos depois, José foi elevado a uma posição de grande autoridade no Egito e tornou-se instrumento para preservar muitas vidas durante uma grave fome. Foi então que seus próprios irmãos chegaram diante dele buscando alimento, sem saber que estavam diante daquele que haviam vendido tantos anos antes.

Quando José finalmente revelou sua identidade, disse: “Eu sou José, o irmão de vocês, que vocês venderam para o Egito. Agora, pois, não fiquem tristes nem irritados contra vocês mesmos por terem me vendido para cá, porque foi para a preservação da vida que Deus me enviou adiante de vocês.” Gênesis 45:4-5 (NAA).

José não estava dizendo que seus irmãos haviam feito o que era certo. Anos mais tarde, deixou isso ainda mais claro: “Vocês, na verdade, planejaram o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem.” Gênesis 50:20 (NAA).

Essa diferença é muito importante. Confiar na providência de Deus não significa chamar o mal de bem. Significa reconhecer que o mal praticado contra nós não é maior do que a capacidade de Deus de agir em nossa história.

Talvez alguém tenha fechado uma porta que você desejava muito atravessar. Talvez você tenha perdido um emprego injustamente e, algum tempo depois, encontrado uma oportunidade que nunca teria procurado se aquilo não tivesse acontecido. Talvez uma decepção tenha levado você a rever escolhas, amadurecer ou aproximar-se mais de Deus. Nem sempre veremos resultados tão claros, e seria errado dizer que todo sofrimento produzirá nesta vida uma explicação que conseguiremos compreender.

Por isso Paulo escreveu: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” Romanos 8:28 (NAA). Este texto não diz que todas as coisas são boas. Existem perdas, injustiças e sofrimentos verdadeiramente dolorosos. Ele afirma que Deus pode fazer com que todas as coisas cooperem dentro de Seu propósito.

Talvez hoje você esteja vivendo apenas a cisterna, a escravidão ou a prisão de sua história. Você ainda não consegue enxergar como as coisas poderão terminar. Nesse momento, a história de José nos convida a não permitir que a dor se transforme em amargura.

Não precisamos negar aquilo que aconteceu, fingir que não doeu ou chamar a injustiça de algo bom. Podemos reconhecer a ferida e, ao mesmo tempo, confiar que nossa vida continua nas mãos de Deus.

Os irmãos de José escreveram um capítulo de maldade, mas não puderam escrever o final da história.

E talvez essa seja uma das grandes lições de sua vida: pessoas podem interferir em nosso caminho, ferir nossos sentimentos e até mudar nossos planos, mas nenhuma delas possui autoridade para impedir que Deus continue cumprindo Seus propósitos.

Aquilo que fizeram contra nós pode marcar um capítulo de nossa história, mas não precisa determinar o seu final; quando entregamos nossa vida a Deus, até aquilo que nasceu para nos ferir pode ser alcançado por Sua providência e conduzido para um propósito maior.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

02/out/26

  RELIGIÃO NÃO SUBSTITUI O NOVO NASCIMENTO   “Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entra...