A FÉ TAMBÉM PRECISA PASSAR PELA PROVA DOS NOVE?

“Examinem todas as coisas, retenham o que é bom.” 1 Tessalonicenses 5:21 (NAA).

Não sei se hoje ainda é assim, mas, no meu tempo de escola, aprendíamos que, depois de fazer uma conta, era bom conferir o resultado. Entre os recursos usados estava a conhecida “prova dos nove”. Quem é da minha geração provavelmente vai se lembrar dela. Fazíamos a operação e, depois, realizávamos aquela conferência para verificar se havia algum sinal de erro.

Mas e quando o assunto é fé? Será que também precisamos fazer uma espécie de “prova dos nove” naquilo que ouvimos, acreditamos e recebemos como vindo de Deus?

A princípio, alguém poderia pensar que examinar algo relacionado à fé demonstra falta de confiança. Afinal, a Bíblia afirma: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que recompensa os que o buscam.” Hebreus 11:6 (NAA).

A fé é indispensável. Entretanto, fé não significa acreditar em qualquer coisa apenas porque alguém usou o nome de Deus. A Bíblia não ensina uma fé sem discernimento. Pelo contrário, o mesmo Deus que nos chama a crer também nos manda examinar.

Paulo escreveu: “Examinem todas as coisas, retenham o que é bom.” 1 Tessalonicenses 5:21 (NAA). Isso significa que a fé cristã não precisa ter medo de perguntas, de análise ou de comparação com as Escrituras. A “prova dos nove” da fé não serve para verificar se Deus está certo. Deus não precisa ser colocado à prova. O que precisa ser examinado é aquilo que nós, seres humanos, dizemos a respeito dEle.

Isso se torna especialmente importante em nossos dias. Basta abrir o celular para encontrar pregações, vídeos, mensagens, profecias, interpretações e pessoas afirmando: “Deus me revelou”, “Deus mandou dizer” ou “O Senhor falou comigo”. Algumas dessas mensagens podem ser verdadeiras e edificantes. Outras podem nascer de uma interpretação equivocada, de uma emoção ou até de interesses pessoais. Como então saber a diferença?

A primeira pergunta não deveria ser: “Quem falou?”, mas: “O que foi dito está de acordo com a Palavra de Deus?”

A igreja de Bereia nos oferece um exemplo precioso. Quando Paulo pregou ali, aquelas pessoas receberam a mensagem com interesse, mas não abandonaram o discernimento. A Bíblia diz: “Ora, estes de Bereia eram mais nobres do que os de Tessalônica, pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim.” Atos 17:11 (NAA).

Observe algo interessante: eles ouviram Paulo, um apóstolo, e ainda assim examinaram as Escrituras. Paulo não ficou ofendido. A Bíblia, pelo contrário, elogia aquela atitude. Eles receberam a mensagem com disposição, mas conferiram se aquilo que estavam ouvindo correspondia ao que Deus havia revelado.

Esse equilíbrio é importante. Podemos errar de duas maneiras. Uma pessoa pode duvidar de tudo e nunca conseguir confiar em Deus. Outra pode acreditar em tudo e acabar sendo enganada. A fé bíblica não está em nenhum desses extremos. Ela crê em Deus e, justamente porque crê nEle, examina cuidadosamente aquilo que é apresentado em Seu Nome.

João também advertiu os cristãos: “Amados, não deem crédito a qualquer espírito, mas provem os espíritos para ver se procedem de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído mundo afora.” 1 João 4:1 (NAA).

Isso vale para uma profecia, uma pregação, um sonho, uma revelação que lhe é entregue, uma interpretação bíblica ou qualquer experiência espiritual. O fato de algo nos emocionar não significa necessariamente que venha de Deus. O fato de uma pessoa falar com convicção também não torna suas palavras verdadeiras. Até mesmo alguém sincero pode interpretar alguma coisa de maneira errada. Por isso precisamos conhecer as Escrituras.

Imagine alguém dizendo que Deus lhe revelou algo que contradiz claramente aquilo que a Bíblia ensina. Não importa quanto aquela pessoa esteja emocionada, nem quantas vezes repita que recebeu uma revelação. Deus não Se contradiz. Sua Palavra torna-se nosso ponto seguro de referência.

Isso também não significa que precisamos viver desconfiando de todos. O objetivo do discernimento não é transformar o cristão em alguém crítico de tudo e de todos, mas protegê-lo do erro e ajudá-lo a permanecer na verdade.

A fé e a razão, portanto, não precisam caminhar em direções opostas. Podemos crer profundamente e, ao mesmo tempo, perguntar, estudar, conferir e buscar entendimento. Uma fé que conhece em Quem está depositada não teme ser examinada.

Talvez a velha “prova dos nove” ainda possa nos ensinar alguma coisa. Antes de aceitar qualquer afirmação feita em nome de Deus, volte às Escrituras. Leia o contexto, ore, busque entendimento e peça ao Espírito Santo que lhe dê discernimento. Porque o problema nunca estará em conferir aquilo que ouvimos. O perigo está em acreditar sem conferir.

A verdadeira fé não teme o exame, porque aquilo que vem de Deus nunca precisa fugir da verdade; quanto mais conhecemos Sua Palavra, mais preparados estaremos para reconhecer Sua voz em meio a tantas outras vozes.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

01/out/26

 

QUANDO O CORAÇÃO ESTÁ ANGUSTIADO, JESUS CONTINUA SENDO O CAMINHO

“Que o coração de vocês não fique angustiado; vocês creem em Deus, creiam também em mim.” João 14:1 (NAA).

Os discípulos estavam entrando em um dos momentos mais difíceis de sua caminhada com Jesus. Eles haviam deixado tudo para segui-Lo, tinham visto milagres, ouvido Seus ensinamentos e aprendido a confiar nEle. Agora, porém, Jesus começava a falar sobre Sua partida, Sua morte e acontecimentos que eles ainda não conseguiam compreender. O futuro parecia incerto. Foi nesse ambiente de medo e insegurança que Ele disse: “Que o coração de vocês não fique angustiado.”

Essas palavras continuam muito atuais. Há momentos em que também sentimos o coração apertado. Pode ser depois de recebermos um diagnóstico médico, diante da perda de alguém que amamos, quando o casamento atravessa uma crise, quando chega o desemprego ou quando simplesmente não sabemos como será o amanhã. Nessas horas, muitas vezes não conseguimos mudar imediatamente as circunstâncias, mas Jesus nos chama a colocar nEle nossa confiança: “vocês creem em Deus, creiam também em mim.”

Essa afirmação é muito importante. Jesus não Se apresenta apenas como alguém que ensina sobre Deus. Ele chama os discípulos a depositarem nEle a mesma confiança que depositam no Pai. Poucos versículos depois, Ele explica por quê: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14:6 (NAA).

Durante séculos, Deus havia falado ao povo por meio da Lei e dos profetas. O problema não estava naquilo que Deus havia revelado, mas no modo como muitos passaram a tratar essa revelação. A religião podia tornar-se apenas tradição, regras e aparência, enquanto misericórdia, amor e verdadeira comunhão com Deus eram deixados de lado.

Jesus encontrou exatamente esse tipo de situação. Havia pessoas que conheciam profundamente as Escrituras e, mesmo assim, não percebiam Quem estava diante delas. Ele declarou: “Vocês examinam as Escrituras, porque julgam ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. Contudo, vocês não querem vir a mim para ter vida.” João 5:39-40 (NAA).

Isso também pode acontecer hoje. Uma pessoa pode frequentar a igreja há muitos anos, conhecer cânticos, doutrinas e costumes, possuir várias versões da Bíblia em seus celulares e ainda assim não ter desenvolvido um verdadeiro relacionamento com Cristo. É possível conhecer muitas coisas sobre Jesus sem realmente confiar em Jesus.

Imagine alguém que está perdido em uma cidade desconhecida. Ele pode possuir um excelente mapa, conhecer nomes de ruas e saber muita coisa sobre o lugar. Mas, se não encontrar o caminho correto, continuará perdido. Jesus não disse apenas que conhece o caminho. Ele afirmou: “Eu sou o caminho.” Ele não apenas ensina uma verdade; Ele é a verdade. Ele não oferece somente conselhos para uma vida melhor; Ele é a vida.

Por isso, a salvação não está simplesmente em pertencer a uma religião ou cumprir determinadas tradições. Ela está em Cristo. Pedro declarou: “E não há salvação em nenhum outro, porque debaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” Atos 4:12 (NAA).

Mas Jesus não falou apenas sobre o caminho para o Pai. Ele também deu aos discípulos uma razão para enfrentar a separação que viria. Disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu já lhes teria dito. Pois vou preparar um lugar para vocês.” João 14:2 (NAA). E acrescentou que voltaria para recebê-los, para que estivessem com Ele.

Que esperança extraordinária! O coração deles estava angustiado porque pensavam na partida; Jesus queria que olhassem além daquele momento. A cruz não seria o fim. Havia ressurreição, havia comunhão com o Pai e havia uma morada preparada.

Essa esperança continua sustentando o cristão hoje. Nós também enfrentamos momentos em que tudo parece incerto, mas nossa fé não está baseada na ausência de problemas. Está baseada na presença de Cristo e na promessa de que nossa história não termina aqui.

Mais adiante, Jesus voltou ao mesmo assunto e disse: “Deixo com vocês a paz, a minha paz lhes dou; não lhes dou a paz como o mundo a dá. Que o coração de vocês não fique angustiado nem com medo.” João 14:27 (NAA).

Talvez as circunstâncias não mudem imediatamente. O diagnóstico pode continuar existindo, a saudade pode permanecer, o problema ainda pode precisar ser enfrentado. Mas existe uma paz que não depende de tudo estar resolvido. Ela nasce da certeza de que pertencemos a Cristo, de que Ele nos conduz ao Pai e de que temos nEle a esperança da vida eterna.

Quando o coração não consegue enxergar o amanhã, Jesus não nos entrega apenas uma explicação; Ele Se apresenta como o Caminho, oferece Sua paz e nos lembra que, junto do Pai, há um lugar preparado para aqueles que creem nEle.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

30/set/26

 

EXISTE ALGUÉM PERTO DE VOCÊ PRECISANDO DE AJUDA?

“E peço também a você, fiel companheiro de jugo, que auxilie essas mulheres, pois juntas se esforçaram comigo no evangelho, juntamente com Clemente e com os demais cooperadores meus, cujos nomes se encontram no Livro da Vida.” Filipenses 4:3 (NAA).

Todos nós precisamos de ajuda em algum momento. Por mais fortes, experientes ou preparados que sejamos, haverá situações em que não conseguiremos caminhar sozinhos. Deus poderia realizar Sua obra sem depender de ninguém, mas escolheu colocar pessoas ao lado de pessoas. No Reino de Deus, ninguém foi chamado para viver isolado.

Paulo sabia muito bem disso. Embora tenha sido um dos grandes instrumentos usados por Deus na expansão do evangelho, ele nunca trabalhou sozinho. Em suas cartas encontramos nomes de homens e mulheres que estiveram ao seu lado, oraram, serviram, enfrentaram dificuldades e contribuíram para que a mensagem de Cristo chegasse a outros lugares.

Em Filipenses 4:3, Paulo menciona mulheres que haviam trabalhado com ele no evangelho, fala de Clemente e acrescenta algo muito bonito: havia também “demais cooperadores meus, cujos nomes se encontram no Livro da Vida.” Alguns daqueles nomes talvez fossem conhecidos pelas igrejas; outros provavelmente ficaram desconhecidos da história. Mas não ficaram desconhecidos de Deus. Isso nos ensina algo precioso: nem todo trabalho importante precisa aparecer.

Em uma igreja, por exemplo, algumas pessoas estão diante de todos. Pregam, cantam, ensinam ou dirigem reuniões. Outras chegam mais cedo para preparar o ambiente, recebem quem está chegando, visitam um enfermo, telefonam para alguém que está passando por uma dificuldade, ajudam uma família necessitada, cuidam de uma criança ou simplesmente percebem que alguém precisa de companhia.

Talvez ninguém faça uma homenagem a essas pessoas. Talvez seus nomes nunca apareçam em uma placa. Mas Deus conhece cada uma delas.

Paulo mostra que ajudar também faz parte da vida da Igreja. Ao falar sobre os diferentes dons e serviços existentes no Corpo de Cristo, ele escreve que Deus colocou na igreja pessoas com diferentes funções, incluindo “os que têm dons de curar, ou de ajudar, ou de administrar” 1 Coríntios 12:28 (NAA). Observe a simplicidade dessa expressão: ajudar.

Às vezes pensamos que servir a Deus exige sempre alguma atividade extraordinária. No entanto, há pessoas cujo ministério aparece justamente quando percebem uma necessidade e dizem: “Eu posso ajudar.”

Alguém está carregando uma mesa e elas seguram do outro lado. Uma família está passando por dificuldades e elas levam uma refeição. Um irmão perdeu alguém querido e elas se sentam ao seu lado, mesmo sem saber exatamente o que dizer. Uma pessoa idosa precisa chegar ao culto e alguém oferece uma carona. Um novo convertido ainda não sabe encontrar os textos bíblicos e alguém se senta perto dele para ajudá-lo. São atitudes simples, mas o Reino de Deus é construído também por mãos assim.

Pedro escreveu: “Sirvam uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como encarregados de administrar bem a multiforme graça de Deus.” 1 Pedro 4:10 (NAA).

Existe ainda uma pequena imagem interessante nas listas dos apóstolos. Em Mateus encontramos: “Filipe e Bartolomeu” Mateus 10:3. Bartolomeu aparece nas Escrituras sempre entre os demais discípulos, participando daquele grupo chamado por Jesus. Não devemos transformar isso em uma afirmação de que sua missão particular fosse simplesmente ajudar Filipe, porque a Bíblia não diz isso. Mas a imagem nos lembra de algo bonito: há pessoas que talvez não apareçam sozinhas nas grandes histórias, mas estão presentes, caminhando ao lado de alguém e participando da obra.

Talvez existam muitos “Bartolomeus” entre nós: pessoas que não procuram o centro das atenções, mas estão sempre disponíveis quando alguém precisa. E talvez nós mesmos sejamos chamados a ocupar esse lugar.

A Bíblia diz: “Levem as cargas uns dos outros e, assim, estarão cumprindo a lei de Cristo.” Gálatas 6:2 (NAA).

Há cargas que não podemos retirar da vida de alguém, mas podemos ajudar a carregar. Não conseguimos eliminar o luto de uma pessoa, mas podemos permanecer ao lado dela. Não podemos resolver todos os problemas financeiros de uma família, mas talvez possamos aliviar uma necessidade. Não conseguimos responder todas as perguntas de alguém que sofre, mas podemos ouvi-lo, orar com ele e lembrá-lo de que não está sozinho.

Talvez nunca saibamos quanto uma pequena ajuda significou para alguém. Uma ligação, uma visita, uma palavra, uma carona, uma oferta, um abraço ou simplesmente nossa presença pode chegar exatamente no momento em que aquela pessoa pensava não conseguir continuar. No Reino de Deus, ajudar nunca é pouco.

Por isso, quando perceber alguém precisando de uma mão, não espere necessariamente que outra pessoa apareça. Talvez Deus tenha permitido que você enxergasse aquela necessidade justamente porque deseja usar suas mãos. E mesmo que ninguém veja, lembre-se: Deus vê.

No Reino de Deus, nem todos serão conhecidos pelo que fizeram, mas nenhuma mão que se estende para ajudar passa despercebida diante dEle; muitas vezes, Deus sustenta alguém simplesmente colocando outra pessoa ao seu lado.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

29/set/26

 

QUANDO PERDEMOS A TRILHA, DEUS NOS ENSINA O CAMINHO

“Eu o instruirei e lhe ensinarei o caminho que você deve seguir; e, sob as minhas vistas, lhe darei conselho.” Salmos 32:8 (NAA).

Você já se perdeu alguma vez? Eu já, e posso dizer que não é uma experiência agradável. Eu tinha cerca de vinte anos quando, juntamente com mais quatro amigos, fazia uma subida ao Pico das Agulhas Negras, no Parque Nacional do Itatiaia. Em determinado momento daquela caminhada íngreme, deixamos de perceber por onde seguia a trilha e começamos a avançar na direção errada.

Depois de algum tempo, ficou evidente que estávamos em dificuldade. Ao nosso redor havia pedras, vegetação baixa e caminhos que pareciam semelhantes. À nossa frente, a montanha parecia não ter fim. Quanto mais tentávamos descobrir sozinhos por onde deveríamos seguir, maior se tornava a insegurança.

Foi quando percebemos, muito acima de nós, um grupo de pessoas. Estavam tão distantes que pareciam pequenas formigas sobre a montanha. Mesmo assim, perceberam nossa situação e começaram a nos orientar. Seguindo suas indicações, conseguimos finalmente retornar à trilha correta.

Hoje penso como tudo teria sido mais simples se tivéssemos levado conosco alguém que conhecesse bem aquele terreno. Um guia experiente teria percebido sinais que nós não conseguíamos identificar e provavelmente teria evitado que saíssemos do caminho.

Na vida acontece algo semelhante. Nem sempre percebemos imediatamente quando estamos tomando uma direção errada. Podemos decidir movidos apenas pela emoção, seguir conselhos equivocados, insistir em relacionamentos que nos fazem mal, administrar de maneira imprudente nossas finanças ou escolher determinado caminho simplesmente porque todos ao nosso redor estão seguindo por ele.

Às vezes, somente depois de algum tempo conseguimos reconhecer: “Eu me perdi.”

É justamente por isso que a promessa de Salmos 32:8 é tão preciosa. Deus não diz apenas que existe um caminho. Ele declara: “Eu o instruirei e lhe ensinarei o caminho que você deve seguir.” O Senhor Se apresenta como Aquele que conhece o caminho que nós ainda não conhecemos. Ele vê aquilo que não conseguimos enxergar e pode nos orientar quando diante de nós existem várias possibilidades.

Isso não significa que Deus nos dará uma resposta direta para cada decisão, como se a Bíblia dissesse qual emprego devemos aceitar, com quem devemos nos casar ou em que cidade devemos morar. Sua Palavra, porém, oferece princípios capazes de formar nossa maneira de pensar e nos ajudar a discernir escolhas sábias.

Imagine alguém que recebe duas propostas de trabalho. A Bíblia talvez não diga qual empresa escolher, mas pode ensiná-lo sobre honestidade, responsabilidade, prioridades familiares e contentamento. Um jovem pode não encontrar na Palavra o nome da pessoa com quem deveria se casar, mas encontrará princípios sobre caráter, fé, compromisso e amor. Alguém profundamente ofendido pode não encontrar uma descrição exata de sua situação, mas encontrará claramente o chamado ao perdão. É assim que Deus vai nos ensinando o caminho.

Paulo escreveu: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o servo de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” 2 Timóteo 3:16-17 (NAA).

A Bíblia, portanto, não existe apenas para nos consolar. Ela também nos ensina, confronta e corrige. Às vezes, Deus confirma que estamos seguindo bem; em outras ocasiões, mostra que precisamos mudar de direção. Uma placa dizendo “caminho errado” talvez não seja aquilo que queremos encontrar, mas pode evitar que avancemos ainda mais para longe do lugar onde deveríamos estar.

Há, porém, algo muito importante: não basta possuir um exemplar da Bíblia. Também não basta lê-la rapidamente apenas para cumprir uma obrigação. Precisamos desejar compreender o que Deus está dizendo e permitir que Sua Palavra alcance nossas escolhas, pensamentos e atitudes.

É nesse ponto que dependemos também da ação do Espírito Santo. Paulo declarou: “Deus, porém, revelou isso a nós por meio do Espírito. Porque o Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as profundezas de Deus.” 1 Coríntios 2:10 (NAA).

O Espírito Santo não substitui a Bíblia nem acrescenta um caminho contrário ao que Deus já revelou. Ele ilumina nosso entendimento, mostra-nos Cristo e nos ajuda a compreender e aplicar a verdade. Jesus disse: “Porém, quando vier o Espírito da verdade, ele os guiará em toda a verdade.” João 16:13 (NAA).

Por isso, antes de ler a Bíblia, podemos fazer uma oração simples: “Senhor, ensina-me o caminho que devo seguir. Mostra-me aquilo que preciso aprender, aquilo que preciso corrigir e aquilo que preciso abandonar.”

Naquela montanha, meus amigos e eu precisávamos apenas reencontrar uma trilha. Na vida, porém, uma direção errada pode atingir nossa família, nossa fé, nossos relacionamentos e nosso futuro. Por isso, não precisamos caminhar apenas pelo que sentimos ou pelo que os outros dizem.

Deus conhece o terreno inteiro. Nós vemos apenas alguns metros à nossa frente.

Não se contente, portanto, em passar os olhos pelas páginas da Bíblia. Leia, ore, medite e peça ao Espírito Santo entendimento. Quando não souber por onde seguir, lembre-se da promessa: “Eu o instruirei e lhe ensinarei o caminho.”

Quando não conseguimos enxergar a direção, Deus não nos abandona diante das muitas trilhas da vida: Ele nos ensina o caminho por Sua Palavra e, pelo Espírito Santo, nos ajuda a discernir onde devemos colocar os próximos passos.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

28/set/26

 

A PALAVRA QUE GUIA, SUSTENTA E TRANSFORMA

“Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho.” Salmos 119:105 (ARC).

A Palavra de Deus é uma fonte inesgotável de sabedoria e direção. Em suas páginas encontramos orientação para todas as áreas da vida, ajudando-nos a trilhar nossa jornada espiritual de maneira segura e plena. Desde decisões importantes, como a escolha do cônjuge para compartilhar a vida, até a criação de filhos, os estudos ou a profissão, nada escapa ao cuidado do Pai Celestial. Ele deseja nos conduzir com amor e propósito para que experimentemos o melhor em todas as áreas, seja espiritual, sentimental ou profissional.

Um único texto bíblico pode conter várias lições para diferentes situações. Isso reflete a natureza dinâmica de um Deus vivo, que fala de maneira prática e relevante a cada geração. Ele nos deixou uma mensagem viva e eficaz, que penetra o mais profundo do coração e transforma vidas. Como a Escritura declara: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes.” Hebreus 4:12 (ARC).

Essa Palavra é alimento sólido e indispensável, capaz de fortalecer e alegrar todo aquele que dela se alimenta. Como participantes de Sua Igreja fiel, somos por ela sustentados, edificados e fortalecidos. Além de iluminar nossos passos e renovar nossa esperança, a Palavra de Deus nos conduz com segurança em meio às incertezas da vida, oferecendo direção quando não sabemos por onde seguir e firmeza quando nossas forças parecem faltar.

Jesus afirmou: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.” Mateus 4:4 (ARC). Assim, compreendemos que, da mesma forma que o corpo necessita de alimento para viver, nossa alma precisa continuamente da Palavra que vem de Deus.

Somos chamados a guardar a Palavra em nosso coração e buscá-la com diligência, pois ela é como um calçado espiritual que protege nossos passos e nos separa da impureza do mundo. A Palavra nos conduz à santidade e nos fortalece em nossa caminhada de fé. Nela encontramos o evangelho da paz, que guia nossos passos com propósito, como ensina a Escritura: “..._e calçados os pés na preparação do evangelho da paz.” Efésios 6:15 (ARC). Caminhar com a Palavra é refletir o caráter de Cristo em todos os aspectos da vida.

A Palavra de Deus é doce como mel em nossos lábios, trazendo consolo e esperança. No entanto, ao penetrar em nosso interior, pode ser amarga, pois confronta nossas falhas e nos desafia à mudança. Essa dualidade demonstra seu poder transformador: consolar e corrigir, moldando-nos à imagem de Cristo. O apóstolo João descreve essa experiência: “E tomei o livrinho da mão do anjo e comi-o; e na minha boca era doce como mel; e, havendo-o comido, o meu ventre ficou amargo.” Apocalipse 10:10 (ARC).

Para o jovem, a Palavra é um guia que purifica o caminho e ajuda a viver com integridade diante de Deus. Como o salmista pergunta e responde: “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra.” Salmos 119:9 (ARC). Para aqueles perseguidos injustamente, ela é um refúgio, sempre fiel e eterna, firmada nos céus como promessa inabalável: “Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu.” Salmos 119:89 (ARC).

O salmista vê a Palavra como herança eterna e a alegria de seu coração. Ele declara seu amor profundo por ela, considerando-a mais preciosa do que o ouro fino. Essa devoção demonstra que a Palavra não é apenas um livro, mas um tesouro que conduz à vida e à comunhão com Deus. Como ele afirma: “Os teus testemunhos tenho eu tomado por herança para sempre, pois são o gozo do meu coração.” Salmos 119:111 (ARC).

Além disso, o salmista reconhece que a Palavra de Deus não apenas ilumina o caminho, mas também aponta para a salvação que ele aguarda com expectativa. Seu amor profundo pela Palavra reflete sua confiança inabalável na fidelidade de Deus e no poder transformador das Escrituras. Ele compreende que viver de acordo com os mandamentos do Senhor é uma expressão de sua devoção e esperança. Suas palavras deixam clara essa certeza: “SENHOR, tenho esperado na tua salvação e tenho cumprido os teus mandamentos. A minha alma tem observado os teus testemunhos; amo-os extremamente.” Salmos 119:166-167 (ARC).

A Palavra de Deus é mais do que um guia; ela é uma companheira em cada etapa de nossa jornada. Ela ilumina nosso caminho, consola nosso coração e nos transforma dia após dia. Por meio dela, experimentamos a graça e o amor de Deus de forma tangível, encontrando força, sabedoria e direção para todas as circunstâncias.

Assim, somos convidados a abrir nossos corações para receber essa Palavra viva e eficaz, permitindo que ela guie nossas ações, renove nossa mente e nos leve a uma comunhão mais profunda com o Senhor.

Que a Palavra de Deus seja a lâmpada para os nossos pés e a luz para o nosso caminho, nos direcionando com segurança até a presença do Pai. Que possamos amá-la, vivê-la e proclamá-la com alegria.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

27/set/26

 

QUANDO O CORAÇÃO NÃO SABE O QUE FAZER COM O AMANHÃ

“Que o coração de vocês não fique angustiado; vocês creem em Deus, creiam também em mim.” João 14:1 (NAA).

Há momentos em que o coração fica inquieto porque não sabemos o que acontecerá amanhã. Uma notícia inesperada, um diagnóstico médico, a perda de alguém, dificuldades dentro de casa ou simplesmente a sensação de que estamos perdendo o controle podem trazer medo e insegurança. Foi em um momento assim que Jesus disse aos discípulos: “Que o coração de vocês não fique angustiado.” Ele sabia que eles estavam prestes a enfrentar acontecimentos que não compreenderiam. Sua morte se aproximava, e aqueles homens ainda não conseguiam imaginar como continuariam sem a presença física do Mestre.

Jesus não lhes disse que não haveria motivos para preocupação. Também não prometeu que tudo seria fácil. Em vez disso, apontou para o lugar onde a fé deveria descansar: “vocês creem em Deus, creiam também em mim.” A resposta para um coração angustiado não seria conhecer antecipadamente todos os acontecimentos, mas confiar nEle mesmo quando não conseguissem entender o caminho.

Logo depois, Jesus lhes deu uma esperança que ultrapassava aquela noite: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu já lhes teria dito. Pois vou preparar um lugar para vocês.” João 14:2 (NAA). Ele não falava apenas de um lugar distante, mas da certeza de que aqueles que pertencem a Ele têm um destino junto do Pai.

É como alguém que precisa viajar para uma cidade desconhecida, mas recebe a notícia de que existe um lugar preparado esperando por sua chegada. Talvez não conheça todas as estradas, nem saiba exatamente como será a viagem, mas sabe que não chegará a um lugar estranho e vazio. Há Alguém esperando por ele.

Jesus foi ainda mais longe: “E, quando eu for e preparar um lugar, voltarei e os receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, vocês estejam também.” João 14:3 (NAA). A maior esperança do céu não são ruas, paisagens ou qualquer outra coisa que possamos imaginar. A grande esperança é estar com Cristo. O lugar é precioso porque Ele estará lá.

Tomé, porém, ainda não havia compreendido. Queria saber para onde Jesus iria e qual seria o caminho. Então recebeu uma das declarações mais profundas de toda a Bíblia: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14:6 (NAA).

Jesus não disse apenas: “Eu conheço o caminho.” Ele disse: “Eu sou o caminho.” Não afirmou simplesmente conhecer a verdade; Ele é a verdade. Também não veio apenas ensinar como viver melhor; Ele é a vida.

Isso continua sendo essencial em nossos dias. Muitas pessoas procuram segurança no dinheiro, na profissão, na família, no conhecimento ou até na religião. Todas essas coisas podem ter seu valor, mas nenhuma delas pode nos conduzir ao Pai. A salvação não é uma estrada que construímos até Deus; é Deus vindo ao nosso encontro em Cristo.

Filipe ainda fez outro pedido: queria que Jesus lhe mostrasse o Pai. Jesus respondeu: “Quem vê a mim vê o Pai.” João 14:9 (NAA). Não significa que o Pai e o Filho sejam a mesma Pessoa, mas revela a perfeita unidade entre Eles. Em Jesus vemos o caráter, o amor, a misericórdia e a vontade do Pai sendo manifestados.

Por isso, Jesus pôde dizer: “Você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?” João 14:10 (NAA). Suas palavras e obras não eram independentes do Pai. Havia perfeita comunhão entre Eles. Quando Jesus curava, acolhia, perdoava, ensinava e restaurava, o coração do Pai estava sendo revelado.

Ele também prometeu que Seus discípulos continuariam Sua missão. Disse que aquele que cresse nEle faria as obras que Ele fazia e até obras maiores, porque Ele iria para junto do Pai. João 14:12. Isso não significa que os discípulos se tornariam maiores do que Cristo. Depois de Sua ressurreição, ascensão e da vinda do Espírito Santo, o Evangelho alcançaria povos e lugares muito além da região onde Jesus havia realizado Seu ministério terreno.

Pense na diferença entre aqueles poucos discípulos reunidos com medo e a mensagem de Cristo chegando hoje a milhões de pessoas em diferentes países e línguas. A obra continuou porque o Senhor não abandonou os Seus.

Talvez hoje você não saiba como algumas coisas terminarão. Talvez haja perguntas para as quais ainda não encontrou resposta. Jesus não prometeu explicar antecipadamente todos os detalhes do caminho. Ele ofereceu algo maior: Sua própria presença, a certeza de que existe um lugar junto do Pai e a promessa de que Ele voltará para receber os Seus.

Por isso, a paz cristã não nasce de sabermos tudo sobre o amanhã. Ela nasce de sabermos Quem estará conosco quando o amanhã chegar.

Quando o coração se angustia porque não consegue enxergar o amanhã, Jesus nos lembra que não precisamos conhecer todo o caminho; precisamos conhecer Aquele que é o Caminho e confiar que, no fim da jornada, estaremos com Ele junto do Pai.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

26/set/26

 

A FORÇA QUE NÃO NASCE EM NÓS

“Quanto ao mais, sejam fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.” Efésios 6:10 (NAA).

Há momentos em que percebemos que nossa própria força não é suficiente. Podemos ser determinados, experientes, disciplinados e até acostumados a enfrentar dificuldades, mas existem situações que ultrapassam aquilo que conseguimos suportar sozinhos. Uma doença inesperada, a perda de alguém querido, uma crise familiar, problemas financeiros, uma decepção profunda ou uma longa espera podem nos mostrar como somos limitados.

Paulo conhecia muito bem essa realidade. Quando escreveu aos cristãos de Éfeso, não lhes disse simplesmente: “Sejam fortes.” Ele foi muito mais preciso: “sejam fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.” A diferença é enorme. A vida cristã não é um chamado para descobrirmos dentro de nós uma força escondida capaz de vencer qualquer dificuldade. É um chamado para dependermos da força que vem de Deus.

Pense em uma pessoa que precisa carregar uma mala muito pesada. Enquanto insiste em levantá-la sozinha, seus braços começam a doer e suas forças diminuem. Então chega alguém muito mais forte e diz: “Deixe-me ajudá-lo.” Continuar recusando essa ajuda não seria coragem; seria insistência desnecessária. Muitas vezes fazemos exatamente isso espiritualmente. Oramos pedindo ajuda a Deus, mas continuamos tentando resolver tudo como se dependesse somente de nós.

Paulo sabia que o cristão enfrentaria batalhas. Logo depois, escreveu: “Vistam-se com toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo.” Efésios 6:11 (NAA). Observe que a armadura é de Deus. A força é dEle. Os recursos para permanecer firme vêm dEle. Nossa responsabilidade é recebê-los e utilizá-los.

Isso é importante porque até aquilo que deveria nos proteger pode parecer pesado quando tentamos carregá-lo apenas com nossas próprias forças. Há pessoas que começam a enxergar a oração como uma obrigação cansativa, a leitura da Bíblia como um peso e o serviço na igreja como mais uma tarefa em uma agenda já sobrecarregada. O problema, muitas vezes, não está nessas coisas, mas no fato de estarmos tentando viver a vida espiritual sem renovar nossas forças no Senhor.

Podemos encontrar isso também no cotidiano. Uma mãe que cuida de toda a família pode chegar ao ponto de pensar que precisa resolver todos os problemas de todos. Um homem que enfrenta dificuldades financeiras pode passar noites acordado tentando encontrar sozinho uma saída. Alguém que acompanha durante meses uma pessoa enferma pode sentir-se culpado simplesmente porque está cansado. Até quem serve a Deus com alegria pode chegar a um momento de esgotamento.

A Bíblia não nos manda fingir que somos fortes quando não somos. Paulo conheceu sua própria fraqueza e ouviu do Senhor: “A minha graça é o que basta para você, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.” 2 Coríntios 12:9 (NAA). Isso muda nossa maneira de compreender a força espiritual. Fraqueza não significa necessariamente derrota. Às vezes, é justamente quando reconhecemos que não conseguimos sozinhos que finalmente abrimos espaço para depender verdadeiramente de Deus.

Ser fortalecido no Senhor também não significa que todos os problemas desaparecerão. Paulo não disse que, usando a armadura, nunca haveria batalha. Pelo contrário, ele falou sobre resistir “no dia mau” e, depois de tudo, permanecer firme. Efésios 6:13. A promessa não é uma vida sem luta, mas a presença dos recursos de Deus para atravessarmos a luta sem abandonar a fé.

Talvez hoje alguém esteja dizendo: “Eu não sei se consigo continuar.” A resposta bíblica não precisa ser: “Você precisa ser mais forte.” Talvez seja justamente o contrário: você precisa parar de procurar apenas em si mesmo a força que somente Deus pode fornecer.

Isaías escreveu: “..._mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.” Isaías 40:31 (NAA). A força é renovada enquanto esperamos no Senhor. Isso significa continuar confiando quando ainda não temos todas as respostas, orar quando não sabemos o que acontecerá e permanecer perto de Deus quando nossas emoções dizem que não conseguiremos.

Existem dias em que teremos força para correr. Em outros, conseguiremos apenas caminhar. E haverá momentos em que talvez nossa maior vitória seja simplesmente não desistir. Em todos eles, a fonte continua sendo a mesma.

Por isso, antes de perguntar: “Será que sou forte o suficiente para enfrentar isso?”, talvez devêssemos perguntar: “Estou tentando enfrentar isso com a minha força ou com a força que vem do Senhor?”

A vida cristã não foi feita para gigantes espirituais que nunca se cansam. Foi feita para pessoas comuns que aprenderam onde buscar força quando as suas próprias forças terminam.

A verdadeira força não está em nunca nos sentirmos fracos, mas em descobrir que, quando nossas forças chegam ao limite, podemos continuar firmes sustentados pelo poder de Deus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

25/set/26

 

QUANDO A ESPERANÇA ADOECE, CUIDAR DA VIDA TAMBÉM É FÉ

“Por que você está abatida, ó minha alma? Por que se perturba dentro de mim? Espere em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.” Salmos 42:5 (NAA).

Há pessoas que deixam de cuidar da saúde por medo de médico, falta de tempo ou receio de descobrir alguma doença. Mas existe também uma situação mais silenciosa. Depois de muitas perdas, frustrações, solidão ou longos períodos de tristeza, algumas pessoas começam a perder não apenas a alegria, mas também a vontade de cuidar da própria vida.

Elas não dizem necessariamente que querem morrer. Continuam trabalhando, conversando com a família, indo à igreja e cumprindo suas tarefas. Entretanto, por dentro, alguma coisa mudou. Sabem que precisam controlar a pressão, fazer um exame, tomar corretamente um medicamento ou investigar um sintoma, mas sempre deixam para depois. Às vezes, por trás dessa negligência existe uma pergunta que nunca foi pronunciada: “Será que ainda vale a pena cuidar de mim?”

A Bíblia mostra que pessoas de fé também podem atravessar períodos de profundo abatimento. Elias, depois de uma grande vitória no monte Carmelo, recebeu uma ameaça de Jezabel, teve medo, fugiu para o deserto e chegou ao limite de suas forças. Debaixo de uma árvore, declarou: “Basta, Senhor! Tira a minha vida.” 1 Reis 19:4 (NAA). A Bíblia não nos autoriza a afirmar que Elias estivesse sofrendo de depressão no sentido clínico moderno, porque o texto não faz esse diagnóstico. O que ela deixa claro, porém, é que naquele momento ele estava profundamente exausto, assustado e tão abatido que já não desejava continuar vivendo.

A maneira como Deus cuidou dele é muito significativa. O Senhor não começou com uma longa repreensão. Elias dormiu, recebeu alimento e água, descansou novamente e tornou a comer. Depois, Deus tratou de outras questões e mostrou que sua história ainda não havia terminado. Elias precisava ouvir a voz de Deus, mas também precisava dormir e se alimentar. Precisava de direção espiritual, mas seu corpo igualmente necessitava de cuidado.

Isso nos ensina algo muito simples: oração e cuidado com a saúde não são inimigos. Procurar um médico não demonstra falta de fé. Fazer um exame não significa confiar menos em Deus. Tomar corretamente uma medicação, quando prescrita, não diminui nossa dependência do Senhor. Da mesma forma, buscar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra quando necessário não significa abandonar a vida espiritual. Podemos orar por uma pessoa e acompanhá-la ao médico. Podemos pedir a cura e, ao mesmo tempo, utilizar com gratidão os recursos que Deus permite que estejam disponíveis.

Imagine uma senhora que perdeu o marido depois de cinquenta anos de casamento. Antes, cuidava da saúde porque desejava estar bem para viver ao lado dele. Depois da perda, começou a dizer: “Para que fazer tantos exames?” Ou pense em alguém que se aposentou, viu os filhos saírem de casa e começou a sentir que seus dias já não têm tanta utilidade. Há também quem enfrente uma doença crônica e, depois de tantas consultas e tratamentos, esteja simplesmente cansado. Essas pessoas talvez não precisem primeiro de cobrança. Precisam ser lembradas de que a vida delas continua tendo valor.

Paulo escreveu: “Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo, que está em vocês e que vocês receberam de Deus, e que vocês não pertencem a vocês mesmos?” 1 Coríntios 6:19 (NAA). O contexto imediato fala de santidade sexual, mas o princípio permanece importante: nosso corpo não é algo sem valor. Também pertencemos ao Senhor corporalmente.

Por isso, marcar uma consulta, fazer um exame preventivo, melhorar a alimentação, descansar adequadamente ou aceitar um tratamento pode ser também uma forma de dizer: “Senhor, agradeço pela vida que recebi de Ti e quero cuidar dela enquanto estiver sob minha responsabilidade.” Cuidar-se não significa pensar que nunca morreremos; significa não desprezar os dias que Deus ainda nos concede.

O salmista estava abatido, mas falou à própria alma: “Espere em Deus, pois ainda o louvarei.” Salmos 42:5 (NAA). Existe uma palavra preciosa aí: ainda. Ainda haverá louvor. Ainda haverá abraços. Ainda haverá alguém precisando de uma palavra nossa. Ainda podemos aprender, ensinar, amar, pedir perdão, perdoar, servir e fazer diferença na vida de alguém.

Talvez, para alguém, a palavra de hoje seja muito prática: vá ao médico, faça o exame, aceite ajuda, tome corretamente sua medicação e cuide de você. E, se o problema estiver também na alma, não esconda. Converse com alguém de confiança e procure acompanhamento profissional. Se alguém disser que não deseja mais viver ou estiver em risco, isso deve ser levado a sério e requer ajuda imediata.

Elias achou que havia chegado ao fim, mas Deus ainda tinha caminho para ele. Talvez hoje você não consiga enxergar muito longe. Não precisa enxergar. Cuide do dia que está diante de você. Há momentos em que continuar vivendo começa com coisas muito simples: levantar-se, alimentar-se, pedir ajuda, marcar uma consulta e permitir que alguém caminhe ao nosso lado.

Quando a esperança adoece, até cuidar da própria vida pode parecer sem sentido; mas, quando Deus reacende em nós a esperança do amanhã, cuidar do corpo e aceitar ajuda tornam-se também maneiras de agradecer a Ele pela vida que ainda nos concede.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

24/set/26

 

ENTRE AS MÃOS, OS PÉS E A PALAVRA DE DEUS

“Na verdade, amas os povos; todos os teus santos estão na tua mão; postos serão no meio, entre os teus pés, cada um receberá das tuas palavras.” Deuteronômio 33:3 (ARC).

O nosso texto básico, Deuteronômio 33:3, faz parte da bênção que Moisés deu aos filhos de Israel antes de sua morte e nos apresenta uma bela sequência sobre a relação de Deus com Seu povo.

Ele inicia falando do grande amor de Deus pelo povo, amor que se estende incondicionalmente hoje à Sua igreja. “Na verdade, amas os povos” —disse Moisés.

Na verdade, tudo começa no amor de Deus. A Igreja não existe porque decidiu procurar Deus primeiro, mas porque foi alcançada por Seu infinito amor. Antes de haver serviço, adoração, conhecimento ou caminhada, existe o amor divino.

Não uso este espaço para falar de placa de igreja nem de denominação; falo da Igreja fiel do Senhor Jesus. Somos povo de Deus porque Ele nos amou, nos chamou e nos separou para Si. Isso também impede qualquer sentimento de superioridade espiritual: se estamos perto dEle, é única e exclusivamente pela graça.

A Igreja que compreende o quanto é amada aprende também a amar. O amor que recebe de Deus precisa transbordar para os irmãos, para os necessitados e para aqueles que ainda não conhecem Cristo. “Nós amamos porque ele nos amou primeiro.” 1 João 4:19 (NAA).

Em um segundo momento, o versículo nos mostra que aquele que pertence a Deus está seguro: “todos os teus santos estão na tua mão”. Estar nas mãos de Deus fala de cuidado, proteção, direção e pertencimento.

A Igreja atravessa crises, perseguições, enfermidades, perdas e momentos em que não consegue compreender o que está acontecendo, mas jamais está abandonada.

Jesus utiliza uma imagem semelhante quando fala das Suas ovelhas: ninguém pode arrancá-las de Sua mão (João 10:28). Isso não significa ausência de lutas; significa que nenhuma luta é capaz de nos tirar do cuidado e da soberania de Deus. Podemos perder coisas, oportunidades e até pessoas queridas, mas continuamos sustentados pela mão dEle. O mundo pode parecer inseguro, mas o lugar da Igreja continua seguro: nas mãos de Deus.

Dando prosseguimento ao que Moisés disse ao povo, encontramos a imagem de uma Igreja aos pés do Senhor: “postos serão no meio, entre os teus pés”. Aqui temos uma imagem belíssima de humildade, reverência e adoração.

A Igreja que está nas mãos de Deus também precisa aprender a permanecer aos Seus pés. Aos pés do Senhor não há espaço para orgulho, competição, busca de posição ou desejo de aparecer. É lugar de submissão.

Adorar não é apenas cantar; é reconhecer: “Tu és Senhor, e eu dependo de Ti.” Talvez muitos problemas da Igreja comecem quando ela quer ocupar o lugar de destaque, quando deveria permanecer aos pés de Cristo. Quanto mais entendemos quem Ele é, menos precisamos provar quem somos. Vejam, por exemplo, Maria, que estava “assentada aos pés do Senhor, ouvia o seu ensino.” Lucas 10:39 (NAA). Mais adiante, Jesus declarou: “Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.” Lucas 10:42 (NAA).

Por fim, observamos uma Igreja que aprende para poder caminhar: “cada um receberá das tuas palavras”. Quem permanece aos pés do Senhor precisa estar disposto a ouvir. Não basta estar perto; é preciso receber Sua Palavra. Ela corrige nossos caminhos, fortalece nossa fé, mostra o perigo e revela a vontade de Deus. Como diz o salmista, a Palavra é lâmpada para os pés e luz para o caminho, Salmo (119:105).

Observe a ordem das bênçãos que decorrem da presença do Senhor: primeiro, Deus ama; depois, guarda os Seus em Sua mão; então, Seu povo se coloca aos Seus pés; finalmente, recebe Suas palavras.

Em uma sequência gloriosa, vemos o amor a nos alcançar, a mão a nos sustentar, os pés a nos ensinar humildade e a Palavra a nos mostrar por onde caminhar. São esses os quatro lugares espirituais em que a verdadeira Igreja vive: no amor de Deus, em Suas mãos, aos Seus pés e à luz de Sua Palavra.

A verdadeira segurança da Igreja está em ser alcançada pelo amor de Deus, sustentada por Suas mãos, ensinada aos Seus pés e conduzida pela luz de Sua Palavra.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

23/set/26

 

MORRER COM A CURA AO ALCANCE

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” Romanos 6:23 (NAA).

Imagine alguém recebendo um diagnóstico terrível. Depois de vários exames, o médico lhe diz que existe em seu organismo uma doença fatal e que, se nada for feito, o resultado será inevitavelmente a morte. Essa notícia mudaria completamente sua maneira de olhar para a vida.

Há, porém, um mal ainda mais profundo, invisível aos olhos e absolutamente mortal. A ciência nunca encontrou, e jamais encontrará, um medicamento capaz de vencê-lo, porque não se trata de uma enfermidade do corpo. A Bíblia dá a esse mal um nome: pecado.

Esse é um problema que alcança todas as pessoas, sem distinção de idade, cultura, condição financeira ou posição social. A Bíblia declara: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” Romanos 3:23 (NAA).

O pecado não é apenas cometer alguns erros ou possuir certas fraquezas. Ele nos separa de Deus e produz uma consequência que não conseguimos resolver por nós mesmos. Ninguém pode olhar para outra pessoa e dizer: “Ela precisa de salvação, mas eu não.” Todos recebemos o mesmo diagnóstico.

Se a história terminasse aqui, nossa situação seria desesperadora. Mas justamente aqui começa a beleza do Evangelho: Deus não apenas revelou a doença; Ele providenciou a cura. Ele poderia simplesmente nos mostrar nossa condição e anunciar a consequência do pecado. Porém, em Seu amor e misericórdia, fez muito mais. Deus providenciou aquilo que nós jamais conseguiríamos produzir.

Romanos 6:23 apresenta as duas realidades na mesma frase. Primeiro vem o diagnóstico: “o salário do pecado é a morte”. Depois vem a maravilhosa notícia: “mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus”. A pequena palavra “mas” muda completamente o destino daquele que crê. O pecado trouxe a morte, mas Deus ofereceu vida. Estávamos condenados, mas Deus providenciou salvação.

E quanto custou esse remédio? Para nós, nada; para Deus, custou Seu próprio Filho. Jesus disse: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16 (NAA). Cristo é a resposta de Deus para aquilo que o pecado produziu.

Imagine agora que alguém receba do médico o medicamento capaz de salvar sua vida, leve-o para casa, coloque-o sobre a mesa e nunca o tome. Pode conhecer o nome do medicamento, ler sua bula, explicar como ele funciona e até recomendá-lo a outras pessoas. Mas, se continuar recusando-se a recebê-lo, todo esse conhecimento não produzirá a cura.

Algo semelhante pode acontecer espiritualmente. Há pessoas que conhecem histórias sobre Jesus, possuem uma Bíblia em casa, frequentam cultos e até sabem repetir versículos, mas nunca entregaram verdadeiramente sua vida a Ele. Saber que existe um remédio não é a mesma coisa que recebê-lo. João afirma: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” João 1:12 (NAA).

No deserto aconteceu algo que ajuda a compreender essa verdade. Em Números 21, serpentes venenosas atacaram o povo de Israel, e muitos estavam morrendo. Deus ordenou que Moisés levantasse uma serpente de bronze. Quem havia sido mordido deveria olhar para ela e viveria. O povo não conseguia retirar o veneno do próprio corpo; Deus providenciou o meio de salvação.

Séculos depois, Jesus explicou o significado daquela cena: “E assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.” João 3:14-15 (NAA). Havia veneno, mas havia provisão. Havia morte, mas Deus oferecia vida. Quem olhava, vivia. Hoje, quem olha para Cristo com fé encontra nEle a salvação.

Chegamos, então, à parte mais triste dessa comparação: morrer recusando a cura. Jesus disse a algumas pessoas: “Contudo, vocês não querem vir a mim para ter vida.” João 5:40 (NAA). Não era porque não existisse vida. A Vida estava diante delas. O problema estava na recusa em vir a Ele.

Isso continua acontecendo em nossos dias. Muitos dizem: “Um dia pensarei nisso”, “ainda tenho muito tempo”, “não estou preparado para mudar de vida”. Enquanto isso, continuam adiando justamente aquilo que diz respeito à eternidade. É como alguém gravemente doente segurando nas mãos o medicamento capaz de salvá-lo e dizendo: “Talvez amanhã eu tome.”

O pecado é a doença que nos conduz à morte. Cristo é a cura providenciada por Deus. A graça coloca essa cura diante de nós, e a fé a recebe. A maior tragédia não é descobrir que somos pecadores, porque existe perdão para pecadores. A maior tragédia é permanecer longe de Cristo quando Deus, por Sua graça, oferece gratuitamente a vida.

O pecado trouxe a doença que conduz à morte, mas Deus colocou a cura ao nosso alcance em Cristo; a verdadeira tragédia é morrer recusando a Vida que Ele oferece gratuitamente.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

22/set/26

 

A FRASE QUE NINGUÉM QUER OUVIR DE JESUS

“Então lhes direi claramente: ‘Eu nunca conheci vocês. Afastem-se de mim, vocês que praticam o mal.’” Mateus 7:23 (NAA).

Poucas palavras de Jesus são tão fortes quanto estas: “Eu nunca conheci vocês.” Talvez, ao lê-las pela primeira vez, alguém se pergunte: Como Jesus pode dizer que não conhece uma pessoa? Deus não conhece todas as coisas? Não sabe quem somos, onde vivemos, o que pensamos e tudo o que fizemos?

É claro que sim. Deus conhece perfeitamente cada ser humano. Portanto, quando Jesus diz “Eu nunca conheci vocês”, Ele não está falando de conhecimento no sentido de informação. Não significa que aquelas pessoas eram desconhecidas para Ele. A palavra “conhecer”, nesse contexto, fala de relacionamento, comunhão e pertencimento. É como se Jesus estivesse dizendo: “Vocês falaram a Meu respeito, usaram o Meu Nome, fizeram coisas religiosas, mas nunca tiveram uma verdadeira vida comigo.”

Isso se torna ainda mais sério quando observamos o contexto. As pessoas mencionadas por Jesus não eram ateias. Elas O chamavam de “Senhor”. Algumas haviam profetizado, expulsado demônios e realizado obras impressionantes em Seu nome. Mesmo assim, Jesus mostra que atividades religiosas não substituem um relacionamento verdadeiro com Ele.

Esse alerta continua muito atual. Uma pessoa pode frequentar uma igreja durante muitos anos, conhecer hinos, participar da Ceia, ensinar uma classe bíblica, ocupar um cargo, cantar no louvor ou até pregar a Palavra e, ainda assim, precisar examinar sinceramente como está sua relação com Cristo. Podemos aprender a linguagem da igreja sem permitir que Jesus transforme nosso coração.

Hoje existe ainda outra possibilidade. Alguém pode publicar versículos todos os dias nas redes sociais, compartilhar mensagens cristãs, escrever “Deus é fiel” em suas postagens e até ser conhecido por todos como uma pessoa religiosa. Nada disso é necessariamente errado. O problema começa quando nossa aparência cristã se torna maior do que nossa comunhão com Cristo.

Paulo escreveu: “Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido por ele.” 1 Coríntios 8:3 (NAA). Que expressão maravilhosa: “conhecido por Ele”. Existe uma diferença enorme entre saber muitas coisas sobre Deus e viver pertencendo a Deus. Podemos conhecer teologia, histórias bíblicas, doutrinas e versículos e, ainda assim, perder de vista Aquele para Quem toda a Escritura aponta.

Jesus apresenta essa relação de maneira muito simples quando diz: “Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem.” João 10:14 (NAA).

A ovelha pertence ao Pastor. Ela reconhece Sua voz, depende dEle e O segue. É essa relação que Jesus deseja conosco. Não uma religião mantida apenas pelas aparências, mas uma vida ligada a Ele.

Isso não significa que o verdadeiro cristão nunca erre. Pedro errou. Davi errou. Muitos homens e mulheres usados por Deus tiveram momentos de fraqueza, e a própria Bíblia não procura esconder as falhas de nenhum deles. Pelo contrário, registra seus erros para nos mostrar que a vida com Deus não é feita de perfeição humana, mas de arrependimento, restauração e graça.

A diferença é que quem pertence ao Senhor não deseja permanecer distante dEle. Quando cai, volta. Quando peca, reconhece. Quando é corrigido pela Palavra, permite que Deus trate seu coração.

Por isso, essa passagem não foi dada para nos fazer viver aterrorizados, perguntando todos os dias se Deus vai nos abandonar. Ela foi dada para nos impedir de construir uma falsa segurança baseada apenas em atividades religiosas. Nossa esperança não está em podermos dizer: “Senhor, veja tudo o que fiz para Ti.” Nossa esperança está em Cristo, em Sua graça e na transformação que acontece na vida daqueles que verdadeiramente Lhe pertencem.

Paulo escreveu também: “O Senhor conhece os que lhe pertencem.” 2 Timóteo 2:19 (NAA).

Talvez, portanto, a pergunta mais importante não seja: “As pessoas me consideram cristão?” Nem mesmo: “Há quanto tempo frequento uma igreja?” A pergunta é mais profunda: Eu pertenço verdadeiramente a Jesus?

Há uma enorme diferença entre conhecer o Nome de Jesus e caminhar com Ele; entre falar dEle e viver nEle; entre ter aparência religiosa e ter um coração transformado pela Sua presença.

Um dia estaremos diante dEle. Nesse momento, títulos, cargos, reputação, aplausos e aparência perderão todo o valor. Que não estejamos entre aqueles que tentarão apresentar suas realizações, mas entre aqueles que serão recebidos por Aquele a Quem aprenderam a amar, seguir e obedecer.

Porque a maior bênção da eternidade não será apenas podermos dizer: “Eu O conheço.” Será ouvir, pela graça, a confirmação de que somos dEle e somos conhecidos por Ele.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

21/set/26

 

AMANHÃ DE MANHÃ É SEGUNDA-FEIRA

“Jesus dizia a todos: — Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.” Lucas 9:23 (NAA).

C. S. Lewis escreveu uma frase pequena, mas profundamente provocadora: “A cruz vem antes da coroa, e amanhã de manhã é segunda-feira.” À primeira vista, parece estranho colocar na mesma frase a cruz, a coroa e uma simples segunda-feira. Mas talvez seja justamente aí que esteja a beleza de seu pensamento.

A primeira parte é fácil de entender: a cruz vem antes da coroa. Foi assim com Jesus. Antes da ressurreição houve o Calvário. Antes da glória houve sofrimento, rejeição, dor e obediência. O caminho de Cristo passou pela cruz, e Ele nunca prometeu aos Seus discípulos uma vida sem dificuldades. Segui-Lo também envolve renúncia, perseverança e fidelidade, mesmo quando obedecer a Deus tem um preço.

Mas Lewis poderia ter parado na coroa. Teríamos uma bela frase sobre sofrimento presente e glória futura. Entretanto, ele acrescentou algo surpreendentemente comum: “amanhã de manhã é segunda-feira.” E a segunda-feira nos traz de volta à realidade.

Depois do culto de domingo, o despertador toca. É preciso levantar, preparar o café, pegar o ônibus, enfrentar o trânsito, abrir a loja, chegar ao escritório, cuidar dos filhos, limpar a casa, voltar à escola, resolver problemas e encontrar novamente pessoas com quem nem sempre é fácil conviver. As contas continuam chegando, o telefone toca, as mensagens se acumulam e aquela situação que nos preocupava no sábado talvez ainda esteja nos esperando. É nesse mundo comum que Jesus nos chama para carregar a cruz.

Talvez seja relativamente fácil cantar no domingo que entregamos tudo ao Senhor. O verdadeiro desafio aparece quando descobrimos, na segunda-feira, que esse “tudo” inclui também nosso temperamento, nosso orgulho, nossa língua, nossos desejos, nosso dinheiro, nosso tempo e a maneira como tratamos as pessoas.

Carregar a cruz pode acontecer quando alguém nos ofende no trabalho e decidimos não responder com a mesma agressividade. Pode acontecer quando recebemos um troco maior e o devolvemos, mesmo sabendo que ninguém perceberia. Pode acontecer quando poderíamos espalhar pelo WhatsApp uma informação que prejudicaria alguém, mas escolhemos ficar em silêncio. Pode acontecer dentro de casa, quando pedimos perdão mesmo achando difícil dar o primeiro passo.

Há cruz quando perdoamos enquanto nosso coração ainda está ferido. Há cruz quando falamos a verdade, embora uma mentira pareça facilitar nossa vida. Há cruz quando continuamos fazendo o que é certo sem receber reconhecimento. Há cruz quando ajudamos alguém que talvez nunca nos agradeça. Há cruz quando renunciamos a uma vantagem porque sabemos que ela seria injusta. Por isso Jesus colocou duas palavras importantes em Seu chamado: “dia a dia”.

A vida cristã não acontece somente em grandes decisões. Ela é construída nas pequenas escolhas que fazemos todos os dias. Não seguimos Jesus apenas durante uma pregação, uma oração emocionante ou um momento especial diante de Deus. Seguimos Jesus quando ninguém está olhando e quando nenhuma música está tocando ao fundo.

A fé do domingo precisa sobreviver à segunda-feira.

Isso não significa que nossa vida será apenas sofrimento. A frase de Lewis também fala da coroa. Existe uma esperança diante de nós. Paulo, próximo do fim de sua caminhada, pôde dizer: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Desde agora me está guardada a coroa da justiça, que o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda.” 2 Timóteo 4:7-8 (NAA).

Paulo enxergava a coroa, mas também sabia tudo o que havia enfrentado até chegar ali. Entre o chamado de Deus e aquele momento houve viagens, naufrágios, perseguições, prisões, lágrimas, incompreensões, cansaço e incontáveis dias comuns. Houve muitas segundas-feiras.

Também será assim conosco. Talvez nunca enfrentemos uma grande perseguição. Talvez nunca sejamos chamados a realizar algo que impressione multidões. Mas todos os dias somos chamados a seguir Jesus justamente onde estamos.

Na família. No trabalho. Na igreja. No trânsito. Diante do computador. Com o telefone nas mãos. Quando estamos sendo observados e quando ninguém está vendo. A coroa está adiante, mas a cruz é carregada hoje.

Por isso, quando o culto terminar, quando a emoção diminuir e quando amanhã de manhã chegar, lembre-se: a segunda-feira não interrompe nossa vida com Deus. Ela é justamente um dos lugares onde mostramos que realmente estamos seguindo Jesus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

20/set/26

  A MAIS BELA MELODIA “Afastem de mim o barulho dos seus cânticos, porque não ouvirei as melodias das suas liras.” Amós 5:23 (NAA). Aqu...