ENTRE AS MÃOS, OS PÉS E A PALAVRA DE DEUS
“Na verdade,
amas os povos; todos os teus santos estão na tua mão; postos serão no meio,
entre os teus pés, cada um receberá das tuas palavras.”
Deuteronômio 33:3 (ARC).
O nosso texto
básico, Deuteronômio 33:3, faz parte da bênção que Moisés deu aos filhos de
Israel antes de sua morte e nos apresenta uma bela sequência sobre a relação de
Deus com Seu povo.
Ele inicia falando
do grande amor de Deus pelo povo, amor que se estende incondicionalmente hoje à
Sua igreja. “Na verdade, amas os povos” —disse Moisés.
Na verdade, tudo
começa no amor de Deus. A Igreja não existe porque decidiu procurar Deus
primeiro, mas porque foi alcançada por Seu infinito amor. Antes de haver
serviço, adoração, conhecimento ou caminhada, existe o amor divino.
Não uso este espaço
para falar de placa de igreja nem de denominação; falo da Igreja fiel do Senhor
Jesus. Somos povo de Deus porque Ele nos amou, nos chamou e nos separou para
Si. Isso também impede qualquer sentimento de superioridade espiritual: se estamos
perto dEle, é única e exclusivamente pela graça.
A Igreja que
compreende o quanto é amada aprende também a amar. O amor que recebe de Deus
precisa transbordar para os irmãos, para os necessitados e para aqueles que
ainda não conhecem Cristo. “Nós amamos porque ele nos amou primeiro.”
1 João 4:19 (NAA).
Em um segundo
momento, o versículo nos mostra que aquele que pertence a Deus está seguro: “todos
os teus santos estão na tua mão”. Estar nas mãos de Deus fala de
cuidado, proteção, direção e pertencimento.
A Igreja atravessa
crises, perseguições, enfermidades, perdas e momentos em que não consegue
compreender o que está acontecendo, mas jamais está abandonada.
Jesus utiliza uma
imagem semelhante quando fala das Suas ovelhas: ninguém pode arrancá-las de Sua
mão (João 10:28). Isso não significa ausência de lutas; significa que nenhuma
luta é capaz de nos tirar do cuidado e da soberania de Deus. Podemos perder
coisas, oportunidades e até pessoas queridas, mas continuamos sustentados pela
mão dEle. O mundo pode parecer inseguro, mas o lugar da Igreja continua seguro:
nas mãos de Deus.
Dando
prosseguimento ao que Moisés disse ao povo, encontramos a imagem de uma Igreja
aos pés do Senhor: “postos serão no meio, entre os teus pés”.
Aqui temos uma imagem belíssima de humildade, reverência e adoração.
A Igreja que está
nas mãos de Deus também precisa aprender a permanecer aos Seus pés. Aos pés do
Senhor não há espaço para orgulho, competição, busca de posição ou desejo de
aparecer. É lugar de submissão.
Adorar não é apenas
cantar; é reconhecer: “Tu és Senhor, e eu dependo de Ti.” Talvez muitos
problemas da Igreja comecem quando ela quer ocupar o lugar de destaque, quando
deveria permanecer aos pés de Cristo. Quanto mais entendemos quem Ele é, menos
precisamos provar quem somos. Vejam, por exemplo, Maria, que estava “assentada
aos pés do Senhor, ouvia o seu ensino.” Lucas 10:39 (NAA). Mais
adiante, Jesus declarou: “Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será
tirada.” Lucas 10:42 (NAA).
Por fim, observamos
uma Igreja que aprende para poder caminhar: “cada um receberá das tuas
palavras”. Quem permanece aos pés do Senhor precisa estar disposto a
ouvir. Não basta estar perto; é preciso receber Sua Palavra. Ela corrige nossos
caminhos, fortalece nossa fé, mostra o perigo e revela a vontade de Deus. Como
diz o salmista, a Palavra é lâmpada para os pés e luz para o caminho, Salmo (119:105).
Observe a ordem das
bênçãos que decorrem da presença do Senhor: primeiro, Deus ama; depois, guarda
os Seus em Sua mão; então, Seu povo se coloca aos Seus pés; finalmente, recebe
Suas palavras.
Em uma sequência
gloriosa, vemos o amor a nos alcançar, a mão a nos sustentar, os pés a nos
ensinar humildade e a Palavra a nos mostrar por onde caminhar. São esses os
quatro lugares espirituais em que a verdadeira Igreja vive: no amor de Deus,
em Suas mãos, aos Seus pés e à luz de Sua Palavra.
A verdadeira
segurança da Igreja está em ser alcançada pelo amor de Deus, sustentada por
Suas mãos, ensinada aos Seus pés e conduzida pela luz de Sua Palavra.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
23/set/26
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