A PENA QUE ANUNCIA A PALAVRA VIVA

“O meu coração transborda de belas palavras. Ao rei consagro o que compus; a minha língua é como a pena de um hábil escritor.” Salmos 45:1 (NAA).

Hoje, 25 de julho, celebra-se o Dia Nacional do Escritor. Para quem recebeu de Deus o desejo e a capacidade de escrever, esta é uma oportunidade especial de agradecer ao Deus provedor, aquele que inspira, sustenta e capacita.

Escrever é um privilégio, mas também uma grande responsabilidade, pois cada palavra registrada pode ensinar, consolar, corrigir, despertar a fé e permanecer guardada no coração de alguém por muitos anos.

Eu me alegro porque o Senhor tem me capacitado para escrever. Não considero isso apenas uma habilidade pessoal, mas uma oportunidade concedida por Deus para falar de Jesus. Quando escrevi meu primeiro livro, experimentei uma realização muito especial. Aquilo que antes existia apenas em pensamentos, lembranças e anotações ganhou forma e chegou às mãos de outras pessoas.

Foi emocionante perceber que uma palavra escrita em um lugar poderia alcançar alguém distante. Uma reflexão preparada em silêncio poderia consolar uma pessoa em um hospital, fortalecer alguém que enfrentava uma crise familiar ou levar esperança a quem estava pensando em desistir. O escritor nem sempre conhece todos os caminhos percorridos por suas palavras, mas Deus conhece.

Habacuque recebeu uma orientação do Senhor: “..._Escreva a visão, torne-a bem legível sobre tábuas, para que possa ser lida até por quem passa correndo.” Habacuque 2:2 (NAA).

Esse versículo mostra que a mensagem precisava ser escrita com clareza. Não deveria ser confusa nem compreendida apenas por pessoas muito instruídas. Até quem passasse correndo deveria conseguir lê-la. Esse princípio continua importante. Quando escrevemos sobre Deus, devemos procurar usar palavras simples, verdadeiras e acessíveis, para que todos possam entender.

A Bíblia apresenta grandes homens usados por Deus por meio da escrita. Moisés registrou acontecimentos fundamentais sobre a criação, a formação do povo de Israel e os mandamentos recebidos do Senhor. Davi transformou suas alegrias, medos, arrependimentos e experiências com Deus em salmos que ainda hoje consolam milhões de pessoas.

Salomão escreveu sobre sabedoria, escolhas, família, trabalho e o sentido da vida. Os profetas registraram advertências, promessas e mensagens que chamavam o povo ao arrependimento. Lucas pesquisou cuidadosamente os acontecimentos e escreveu para que seus leitores conhecessem com segurança a história de Jesus e o início da Igreja.

Paulo escreveu cartas enquanto viajava, enfrentava perseguições e, em alguns momentos, estava preso. Mesmo assim, suas palavras atravessaram os séculos. Ele chegou a ser algemado, mas reconheceu que “a palavra de Deus não está algemada”. 2 Timóteo 2:9 (NAA).

João também escreveu sobre aquilo que viu, ouviu e experimentou. Ele não transmitiu apenas uma teoria religiosa. Falou de uma vida que se manifestou em Jesus Cristo. Suas palavras foram registradas para que outros também conhecessem essa vida e tivessem comunhão com Deus.

Esses homens possuíam personalidades, histórias e maneiras diferentes de escrever. Entretanto, foram usados pelo mesmo Deus. A Bíblia declara: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça.” 2 Timóteo 3:16 (NAA).

Isso nos ensina que a Palavra de Deus não é apenas uma coleção de pensamentos humanos. Deus usou pessoas reais, com seus estilos e experiências, para transmitir sua verdade. Por isso, quem escreve sobre a fé precisa tratar essa missão com humildade, oração e fidelidade às Escrituras.

As palavras têm muita força. Uma frase dita ou escrita sem cuidado pode ferir profundamente. Uma mentira pode destruir uma reputação. Uma mensagem compartilhada sem verificação pode espalhar medo e confusão. Por outro lado, uma palavra de esperança pode levantar alguém. Um testemunho pode despertar a fé. Um pedido de perdão pode restaurar uma relação.

Nos dias atuais, escrevemos o tempo todo. Enviamos mensagens pelo celular, publicamos comentários, respondemos em grupos e compartilhamos pensamentos nas redes sociais. Talvez algumas pessoas não se considerem escritoras, mas diariamente deixam palavras registradas diante de outras pessoas.

Por isso, todos precisamos perguntar: minhas palavras aproximam as pessoas de Deus ou aumentam a confusão? Elas curam ou ferem? Revelam amor ou alimentam discussões? Transmitem verdade ou apenas repetem aquilo que ouvi sem verificar?

Para o escritor cristão, existe uma responsabilidade ainda maior. Não basta produzir textos bonitos. É necessário apontar para Jesus. Nossa escrita não deve buscar apenas elogios, reconhecimento ou sucesso. Deve carregar uma mensagem capaz de conduzir o coração humano ao Salvador.

João começa seu Evangelho com uma declaração maravilhosa: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” João 1:1 (NAA). Jesus é o Verbo, a Palavra viva. Isso torna a escrita cristã ainda mais preciosa. Escrevemos palavras para falar daquele que é a própria Palavra. Escrevemos sobre esperança porque Ele é nossa esperança. Falamos sobre perdão porque Ele perdoa. Anunciamos vida porque nEle está a vida.

Sei que, algum dia, os livros que escrevi envelhecerão. Suas páginas poderão amarelar, e uma publicação que compartilhei talvez desapareça rapidamente em meio a tantas outras. Contudo, uma palavra usada pelo Espírito Santo pode permanecer no coração de alguém por toda a vida, porque a Palavra que procede de Deus jamais volta vazia: ela sempre cumpre o propósito para o qual foi enviada.

Parabéns a todos nós, escritores, por este dia! Que o Senhor continue capacitando aqueles que receberam o dom e a responsabilidade de escrever. Que nossa pena, como diziam os antigos — ou, em nossos dias, o teclado — jamais seja guiada pelo orgulho, pela vaidade ou pelo desejo de ferir. Que cada palavra seja colocada nas mãos de Deus e usada para transmitir graça, verdade, consolo, esperança e salvação.

Escrever sobre Jesus é mais do que formar frases. É lançar sementes. Talvez não vejamos todos os frutos, mas podemos confiar que Deus conduzirá cada palavra ao coração que necessita recebê-la.

Quando seu instrumento de escrita — seja a pena, seja o teclado — é colocado nas mãos de Deus, as palavras deixam de ser apenas letras sobre uma página e se transformam em sementes de fé, consolo, esperança e eternidade.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

25/jul/26

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