“Quando
Moisés levantava a mão, Israel vencia; quando, porém, ele abaixava a mão, os
amalequitas venciam.” Êxodo 17:11 (NAA).
Israel estava
atravessando o deserto quando foi atacado pelos amalequitas. Moisés ordenou que
Josué escolhesse alguns homens e fosse ao campo de batalha. Enquanto Josué e os
soldados enfrentavam o inimigo no vale, Moisés subiu ao alto do monte levando
consigo o bordão de Deus. Arão e Hur também o acompanharam.
Aquela cena
apresentava duas partes da mesma batalha. No vale, havia homens lutando com
espadas. No monte, havia um homem com as mãos levantadas diante de Deus. Josué
precisava agir com coragem, mas a vitória não dependia apenas de sua habilidade
militar. Moisés precisava interceder, mas também não podia ignorar a
necessidade de homens dispostos a entrar na batalha.
Quando Moisés
mantinha a mão levantada, Israel prevalecia. Quando o cansaço o fazia
abaixá-la, os amalequitas avançavam. Isso não significa que existisse algum
poder mágico nas mãos de Moisés. O gesto representava dependência, oração,
entrega e confiança no poder do Senhor. A vitória vinha de Deus, mas todos
precisavam ocupar seu lugar.
Essa passagem nos
ajuda a compreender como a Igreja deve funcionar. Nem todos exercem a mesma
tarefa, mas todos são importantes. Há quem esteja na linha de frente pregando,
evangelizando, ensinando ou visitando. Há quem permaneça em oração, sustentando
espiritualmente aqueles que estão enfrentando grandes lutas. Há também quem
ofereça uma palavra de ânimo, uma ajuda material, um abraço ou simplesmente sua
presença.
A Bíblia compara a
Igreja a um corpo: “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros,
e todos os membros, mesmo sendo muitos, constituem um só corpo, assim também é
com respeito a Cristo.” 1 Coríntios 12:12 (NAA).
Um corpo não é
formado apenas pelas partes que aparecem. Alguns membros são mais visíveis,
outros trabalham silenciosamente, mas todos são necessários. Do mesmo modo, a
obra de Deus não pertence somente ao pastor, aos diáconos e obreiros, ao
professor ou ao dirigente. Toda a Igreja precisa estar envolvida.
Na batalha contra
os amalequitas, Josué não poderia dizer que venceria sem Moisés. Moisés também
não poderia afirmar que venceria sem Josué. Além disso, nenhum dos dois poderia
desprezar Arão e Hur. Cada um ocupou uma posição diferente, mas todos participaram
da mesma vitória. Moisés, porém, cansou-se.
Esse detalhe é
muito importante. Ele era um grande servo de Deus, mas continuava sendo humano.
Seus braços ficaram pesados. Sua força chegou ao limite. A Bíblia diz que Arão
e Hur colocaram uma pedra debaixo dele e sustentaram suas mãos, um de cada
lado, até o pôr do sol. Êxodo 17:12
Isso nos ensina que
até os líderes mais experientes precisam de apoio. Pastores se cansam. Pais e
mães se cansam. Pessoas que cuidam de familiares enfermos se cansam. Quem está
enfrentando o desemprego, uma separação, um luto ou uma longa enfermidade também
pode chegar ao limite.
Reconhecer o
cansaço não é falta de fé. Moisés não deixou de ser um homem de Deus porque
seus braços enfraqueceram. Naquele momento, ele precisava permitir que outros o
ajudassem.
Há pessoas que têm
dificuldade de receber auxílio. Elas sempre cuidaram de todos e acreditam que
precisam continuar fortes o tempo inteiro. Entretanto, chega o momento em que
também necessitam de uma pedra para se sentar e de mãos amigas para sustentá-las.
Arão e Hur nos
mostram que ajudar alguém a permanecer firme também é participar da vitória.
Eles não estavam no vale, empunhando espadas, nem receberam o mesmo destaque de
Josué. Ainda assim, sua participação foi indispensável, pois, sem o apoio
deles, Moisés não teria conseguido manter as mãos levantadas até o fim. O que
também fica evidente nessa passagem é a participação de todo o corpo nas lutas
enfrentadas pela Igreja.
Podemos sustentar
as mãos de alguém por meio de uma ligação, uma visita, uma oração ou uma
palavra de esperança. Podemos preparar uma refeição para uma família que
atravessa um momento difícil, acompanhar alguém ao médico ou simplesmente
ouvi-lo sem julgamento. Às vezes, a pessoa não precisa de uma grande resposta;
precisa apenas saber que não está sozinha.
A Palavra nos
orienta: “Levem as cargas uns dos outros e, assim, estarão cumprindo a
lei de Cristo.” Gálatas 6:2 (NAA).
Também precisamos
compreender que, quando um membro sofre, o sofrimento não deveria ser tratado
como problema apenas dele. “De maneira que, se um membro sofre, todos
sofrem com ele; e, se um deles é honrado, todos os outros se alegram com ele.”
1 Coríntios 12:26 (NAA).
A vitória vem do
Senhor, mas Ele frequentemente usa pessoas para nos manter de pé. Enquanto uns
lutam, outros oram. Enquanto uns avançam, outros oferecem apoio. Enquanto
alguns estão cansados, outros se aproximam para sustentar suas mãos.
Na Igreja de
Cristo, ninguém deveria lutar sozinho. Também ninguém deveria considerar
pequena a função que recebeu. Toda oração, todo gesto de amor e todo serviço
sincero têm valor diante de Deus.
Quando cada membro
ocupa seu lugar, o corpo permanece firme, os cansados são fortalecidos e a
batalha deixa de ser de uma única pessoa. Torna-se a batalha de todos,
enfrentada em unidade e vencida pelo poder do Senhor.
Deus concede a
vitória, mas muitas vezes escolhe realizá-la por meio de um povo unido, no qual
alguns lutam, outros intercedem e outros sustentam as mãos cansadas.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
29/jul/26
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