QUE DEUS É ESSE?

"Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:16, NVI).

A genialidade da história bíblica está no que ela nos revela sobre o próprio Deus. Mais do que relatos históricos, ela desvenda-nos o caráter divino: Sua santidade, amor, justiça e misericórdia. Cada narrativa, profecia e ensinamento aponta para um Deus que deseja se relacionar comigo e com você, culminando em Seu plano redentor realizado em Jesus Cristo. É essa profundidade teológica, unida à capacidade de transformar vidas, que faz da história bíblica uma obra singular e eterna.

Esse Deus é Aquele que se sacrifica, na morte, por amor aos Seus inimigos. Jesus Cristo, o Filho de Deus, entregou-Se voluntariamente à cruz, carregando os pecados da humanidade e pagando o preço que nós jamais poderíamos pagar. Ele amou não apenas os justos, mas também aqueles que estavam distantes, rebeldes e hostis a Ele. Como Paulo escreve em Romanos 5:10: "Se, quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida!" Esse sacrifício é a essência do evangelho: um amor que transforma inimigos em filhos, revelando a profundidade da graça divina.

É também um Deus que prefere experimentar a morte que nós merecemos a estar separado das pessoas que Ele criou para o Seu deleite. Em Jesus Cristo, Deus escolheu o caminho do sacrifício, suportando a cruz para reconciliar a humanidade consigo mesmo. Ele enfrentou a separação, a dor e a humilhação para restaurar o relacionamento quebrado pelo pecado. Como 2 Coríntios 5:19 proclama: "Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não levando em conta os pecados dos homens." Esse ato sublime mostra um amor que não mede esforços para trazer de volta ao Seu coração aqueles que Ele criou para desfrutar da Sua glória eternamente.

Além disso, é um Deus que suportou Ele mesmo a nossa semelhança, experimentou nossa condição de criaturas e carregou nossos pecados. Em Jesus, Deus assumiu a forma humana, tornando-Se vulnerável às limitações e dores que enfrentamos, sem abrir mão de Sua divindade. Ele viveu entre nós, sentiu nossas angústias e, em Sua compaixão, tomou sobre Si a culpa e as consequências de nossos pecados. Isaías 53:4-5 descreve com clareza: "Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças; contudo, nós o consideramos castigado por Deus, por Deus atingido e afligido. Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados." Por meio desse sacrifício, Ele nos oferece perdão e reconciliação, restaurando nossa comunhão com Ele.

Esse é o Deus que não nos deixou ir, mas nos perseguiu com Sua graça — todos nós, até mesmo os piores dentre nós. Ele é o Pastor que deixa as noventa e nove ovelhas para buscar a perdida, o Pai que corre ao encontro do filho pródigo, o Deus que não desiste de Suas criaturas. Sua busca não é movida por obrigação, mas por um amor imensurável, que deseja restaurar cada um à comunhão plena com Ele. Como Ezequiel 34:16 declara: "Procurarei as perdidas, trarei de volta as desviadas, enfaixarei as feridas e fortalecerei as fracas." É o Deus que nos resgata e nos cura, trazendo-nos de volta ao lar do Seu coração.

Em Cristo Jesus, esse Deus identificou-Se para sempre com Suas criaturas amadas, mostrando um compromisso eterno com a humanidade. Na encarnação, Deus não apenas visitou a humanidade, mas uniu-Se a ela, tornando-Se como nós para nos salvar. Hebreus 2:17 diz: "Por essa razão era necessário que ele se tornasse semelhante a seus irmãos em todos os aspectos, para se tornar sumo sacerdote misericordioso e fiel com relação a Deus, e fazer propiciação pelos pecados do povo." Essa identificação não termina na cruz; ela continua viva na ressurreição, pois Jesus permanece nosso mediador, fiel em cada circunstância.

Por tudo isso, Ele passou a ser reconhecido e louvado como "o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo". Essa expressão, em 1 Pedro 1:3, reflete a íntima relação entre o Pai e o Filho e o papel central de Cristo no plano de redenção. O apóstolo declara: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Conforme a sua grande misericórdia, ele nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos." Esse louvor celebra o amor do Pai, que enviou Seu Filho para nos tornar herdeiros da vida eterna.

Diante de tudo isso, é impossível não perguntar: Que Deus é esse?

É o Deus que nos ama tanto que Se sacrificou na cruz, tomando sobre Si nossos pecados. É o Deus que prefere morrer em nosso lugar a perder a comunhão com aqueles que criou por amor. É o Deus que nos busca com Sua graça, mesmo em nossa rebeldia, para nos restaurar.

É o Deus que Se identificou conosco, tornando-Se Emanuel, Deus conosco. Sua glória está na reconciliação e na salvação, revelando um amor incompreensível e eterno. Um Deus digno de todo louvor e entrega, que transforma vidas e nos chama à eternidade com Ele.

Esse é o nosso Deus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

 

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