O MONTE DA VITÓRIA
FINAL
Nestes quatro versículos do capítulo 25 de seu livro, o
profeta Isaías fala de um monte especial, onde Deus realiza algo grandioso:
prepara um banquete, remove o véu que cobre todos os povos, destrói a morte e
enxuga as lágrimas de todos os rostos. Embora o nome do monte não seja
mencionado, o contexto nos leva ao Monte Sião, em Jerusalém, frequentemente
citado pelos profetas como o lugar da presença de Deus, da salvação e da
restauração para o Seu povo.
Mas quando olhamos esse texto à luz de Cristo, é impossível
não pensar no Monte Calvário. Foi ali que Jesus entregou sua vida. Foi ali que
Ele venceu a morte, rasgou o véu que nos separava de Deus e preparou o caminho
para um banquete eterno. O que Isaías anunciou em linguagem profética se
cumpriu de forma concreta e poderosa na cruz e na ressurreição de Jesus.
Antes de morrer, Jesus instituiu a Ceia, um sinal visível de
algo profundo e eterno. Ele partiu o pão e deu o cálice aos discípulos, dizendo
que aquele seria o Seu corpo e o Seu sangue, oferecidos por amor. Mas também
disse algo mais: que não voltaria a beber do fruto da videira até o dia em que
o fizesse novamente com os seus no Reino de seu Pai. Com essas palavras, Jesus
nos apontava para o futuro — para o grande banquete prometido, quando Ele
voltará e estaremos à mesa com Ele para sempre. Essa promessa ecoa no texto de
Apocalipse 19:9: “Felizes os convidados para o banquete do casamento do
Cordeiro!”
Enquanto Jesus morria no Calvário, o véu do templo se
rasgava de alto a baixo. Era mais que um sinal físico. Era o cumprimento do que
Isaías profetizou: o véu foi removido. Em 2 Coríntios, Paulo explica que esse
véu representa a separação espiritual entre Deus e os homens, e que ele só é
tirado em Cristo. A cruz nos dá acesso direto ao Pai. Não há mais barreiras. A
presença de Deus agora habita conosco e em nós.
Isaías também diz que, nesse monte, a morte seria vencida.
Isso se cumpre com perfeição na ressurreição de Jesus. Ao terceiro dia, Ele
ressuscitou pelo poder do Espírito Santo. A morte não teve a última palavra. O
túmulo não conseguiu segurá-Lo. Como declara Paulo em 1 Coríntios 15:54: “A
morte foi destruída pela vitória.” É sobre essa vitória que nossa fé se
firma. Se Ele não tivesse ressuscitado, nossa fé seria inútil. Mas Ele vive, e
por isso vivemos também.
Por fim, Isaías fala do clamor de alegria dos que reconhecem
a salvação: “Este é o nosso Deus, nós confiamos nele, e ele nos salvou!”
Essa é a expressão de um povo que esperou com fé e agora contempla o Salvador.
Ele é o Deus que nos ouviu, nos alcançou e nos libertou. Ele é o Senhor em quem
esperamos. E por isso, mesmo em meio às lutas, podemos nos alegrar e exultar em
Sua presença.
Embora Isaías estivesse olhando para o Monte Sião como
símbolo da ação redentora de Deus, o Calvário é o lugar em que essa promessa se
cumpriu de forma definitiva. Foi ali que Deus derrotou a morte, rasgou o véu e
ofereceu salvação a todos os povos. O monte da profecia se tornou realidade
quando Jesus estendeu os braços na cruz.
Hoje, nós vivemos entre a Ceia e o Banquete. Participamos da
mesa como memória da cruz e antecipação do grande dia. E, enquanto isso,
anunciamos, assim como Isaías o fez no verso 9 deste capítulo 25: “Este é
o nosso Deus. Ele nos salvou!”
“No alto do Calvário, Deus cumpriu a promessa do monte:
rasgou o véu, venceu a morte e preparou o banquete eterno para todos os que
nEle confiam.”
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
06/jun/25
Nenhum comentário:
Postar um comentário