OFERTA SEM VIDA NÃO AGRADA A DEUS

“Afaste de mim o som das suas canções! Não quero ouvir a música das suas liras.” Amós 5:23 (NVI)

Sem sombra de dúvidas, para Deus o ofertante é mais importante do que a oferta. Antes de aceitar qualquer coisa que lhe apresentamos, o Senhor quer aceitar a nós mesmos. O texto de Amós 5:21-23 nos mostra isso de maneira contundente. Ali vemos um povo que mantinha uma fachada de religiosidade — um culto cheio de cânticos, ofertas e rituais — mas cuja vida estava distante da santidade e da justiça que Deus requer.

Há momentos em que a prática religiosa é intensa, mas falta uma vida verdadeiramente comprometida com Deus. Existe uma aparência de devoção, mas os corações permanecem distantes do Senhor. E Deus, que vê além das palavras e das aparências, não se agrada de um culto vazio e sem sinceridade.

Israel, nos dias do profeta Amós, vivia exatamente essa situação. Cantavam belamente, ofereciam sacrifícios e seguiriam as práticas religiosas, mas Deus rejeitava tudo aquilo. Por quê? Porque o seu caráter não refletia o caráter de Deus. Havia injustiça, opressão e pecado. Eram carismáticos, mas não eram santos. Tinha-se o talento, mas faltava transformação. Cantavam bonito, mas não tocavam o trono de Deus.

A advertência de Amós permanece atual. Que tipo de culto estamos apresentando ao Senhor? Temos nos preocupado mais com a estética do culto — a música, a liturgia, a apresentação — ou com a integridade de nossa vida diante de Deus? Não basta frequentar a igreja, cantar com emoção, levantar as mãos ou participar ativamente das atividades. Se nossa vida, de segunda a sábado, não está em sintonia com os princípios da Palavra, o culto de domingo perde seu valor diante do Senhor.

O culto que agrada a Deus nasce de um coração rendido, de uma vida em constante busca por santidade e justiça. Deus quer adoradores que o adorem em espírito e em verdade (João 4:23-24). Isso significa que a verdade do nosso viver deve acompanhar a sinceridade do nosso louvor. Não se trata de perfeição, mas de autenticidade. Deus não busca performances impecáveis, mas corações humildes e quebrantados.

O que fazemos na igreja precisa estar conectado com o nosso dia a dia. Não podemos separar o culto do viver. Nossas atitudes no trabalho, em casa, nas relações pessoais devem refletir o caráter de Cristo. Se cantamos sobre amor, precisamos praticar o amor. Se exaltamos a justiça de Deus, precisamos buscar a justiça em nossos relacionamentos. Se falamos de perdão, precisamos ser perdoadores. Caso contrário, o som de nossas canções será apenas barulho vazio aos ouvidos do Senhor.

Como diz um cântico da atualidade: Deus não vem à igreja para ouvir nossas músicas bem cantadas — afinal, Ele já tem um louvor muito mais especial no céu. Deus rejeitou os cânticos de Israel não porque a música fosse má, mas porque os músicos estavam distantes de Sua vontade.

É um alerta para nós. O culto genuíno não é medido pela beleza externa, nem pela performance vocal ou instrumental, mas pela sinceridade do coração. A canção que realmente agrada a Deus é aquela que nasce de um coração que O busca com verdade e que O serve em todas as áreas da vida. Não é a arte que impressiona o céu — é a vida consagrada por trás do louvor.

Assim, antes de oferecermos qualquer coisa a Deus, devemos nos apresentar a Ele. Mais do que o que temos a dar, Ele deseja quem somos. Ele quer o nosso coração, a nossa vida, a nossa entrega diária. Quando isso acontece, então nossas ofertas, nossos cânticos, nossas orações sobem como aroma agradável ao trono da graça.

Que possamos examinar nosso culto e nosso viver. Que nosso louvor na igreja seja um reflexo de uma vida consagrada fora dela. Que nosso testemunho brilhe no mundo e confirme as palavras que entoamos no templo.

Lembre-se: Deus não quer apenas a canção; Ele quer o cantor. Deus não quer apenas a oferta; Ele quer o ofertante.

O culto que agrada a Deus nasce de um coração íntegro e de uma vida rendida — quando há sintonia entre o louvor dos lábios e o testemunho diário.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

06/jul/25

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