A CEIA DO SENHOR: MEMÓRIA E ESPERANÇA
“Porque,
todas as vezes que comerem este pão e beberem o cálice, vocês anunciam a morte
do Senhor, até que ele venha.” 1 Coríntios 11:26 (NAA)
Cada pessoa ou
denominação pode ter sua própria maneira de compreender a Ceia do Senhor — o
momento certo para celebrá-la, o seu significado e a importância que ela tem
para si e para a igreja. Reconheço que este é um assunto sensível, próprio de
cada comunidade de fé, e não tenho a intenção de mudar a prática de ninguém,
criar polêmicas ou levantar dúvidas.
Meu objetivo não é
apresentar uma nova doutrina sobre o assunto — quem sou eu para tentar ordenar
aquilo que o Espírito já definiu? Que o Senhor me livre disso! Nada pode ser
acrescentado e nada deve ser retirado do que já foi estabelecido e direcionado por
Ele.
Meu desejo é
convidar os irmãos a refletirem sobre este momento tão especial e mostrar que a
Ceia do Senhor revela, pelo menos, cinco maneiras pelas quais está diretamente
ligada ao sacrifício de Cristo no Calvário, conforme Paulo nos ensina —
inspirado pelo Espírito Santo e registrado em 1 Coríntios 11:17-34.
O primeiro ponto é
que a Ceia nos conduz à lembrança do sacrifício de Jesus: “Fazei isto em
memória de mim”. O pão representa o corpo de Cristo, ferido pelos
açoites no caminho até o Calvário e pelos cravos que traspassaram Suas mãos e
pés. O vinho simboliza o sangue derramado naquele lenho maldito em nosso favor.
É um convite para que, com gratidão e reverência, jamais nos esqueçamos da dor
que Ele suportou e do amor que nos garantiu a salvação. “Traspassaram-me
as mãos e os pés.” — Salmo 22:16 (NAA)
O segundo ponto é
que a Ceia do Senhor é também um momento de participação real nos benefícios da
obra de Cristo, conforme 1 Coríntios 10:16. Por isso, muitos a chamam de “Santa
Comunhão”. Ela vai além da simples recordação histórica: é um ato vivo de
comunhão espiritual com Jesus e, ao mesmo tempo, de unidade com os irmãos, pois
todos participam do mesmo pão e do mesmo cálice, como membros de um só corpo.
Esse gesto simboliza que, assim como compartilhamos do mesmo Salvador, também
compartilhamos da mesma vida, da mesma fé e do mesmo propósito, fortalecendo os
laços que nos unem no amor de Cristo.
O terceiro ponto é
que, na Ceia, proclamamos o sacrifício de Jesus (1 Coríntios 11:26). O fato
aconteceu há mais de dois mil anos, mas a sua mensagem ainda é viva e
necessária hoje. Ao participar, olhamos para trás, lembrando a cruz e o sangue
derramado; e olhamos para frente, esperando Sua vinda e o arrebatamento. É
memória e esperança ao mesmo tempo — lembrança da dor e antecipação das Bodas
do Cordeiro, que acontecerão no céu, entre a Sua primeira e a Sua segunda
vinda.
O quarto ponto é a
unidade no sacrifício de Cristo. Não participamos da Ceia sozinhos, em casa,
porque ela não é uma experiência individual e isolada. Paulo diz que ela
acontece quando nos reunimos (1 Coríntios 11:20), pois é o
momento em que a igreja, como um só corpo, compartilha os benefícios do
sacrifício de Cristo. “Porque nós, embora muitos, somos unicamente um
pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão” (1 Coríntios
10:17). A Ceia nos une como família de Deus.
O quinto e último
ponto é a gratidão, que se expressa não apenas em palavras, mas em entrega
total a Deus. Ao participar da Ceia, não estamos apenas recordando o sacrifício
de Cristo, mas respondendo a Ele com nossa própria vida, oferecendo-nos como “sacrifício
vivo, santo e agradável a Deus” (Romanos 12:1). Significa que nossa
adoração precisa ir além de palavras ou rituais, refletindo-se em nossas
atitudes, escolhas e no modo como conduzimos nossa vida diariamente, de forma a
honrar o Senhor.
O momento da Ceia
deve nos conduzir a uma profunda reflexão sobre a gratidão pela cruz. Essa
gratidão nos desafia a viver de modo coerente com o evangelho, rejeitando o
pecado, servindo com amor e colocando nossos dons, talentos e recursos a
serviço do Reino. É um chamado para que cada ato, palavra e escolha revelem que
a obra de Cristo em nós não é apenas lembrada, mas vivida diariamente.
Ao participarmos da
Ceia e ingerirmos os elementos, é como se disséssemos, de forma prática e
sincera: “Senhor, minha vida Te pertence, porque Tu Te entregaste por mim”.
Essa postura torna a Ceia um momento de renovação de compromisso e de
consagração, no qual reafirmamos que tudo o que somos e possuímos é para a
glória de Deus.
Por isso, creio —
como também cria o apóstolo Paulo, a menos que alguém me mostre, pela própria
Escritura, o contrário — que, sempre que celebramos a Ceia, fazemos mais do que
comemorar uma vitória na vida da igreja: participamos do sacrifício de Cristo
como o fundamento da nossa unidade. Nesse ato, proclamamos e reconhecemos Sua
obra, fortalecemos os laços como corpo, e somos movidos pelo Espírito Santo a
responder com gratidão, adoração e renovado compromisso de viver para a glória
de Deus.
O relato bíblico
nos ensina que a Ceia do Senhor não deve ser tratada como um evento raro,
reservado apenas para ocasiões especiais ou momentos marcantes na vida da
igreja, como alguns fazem de forma muito espaçada. Sobre esse ponto, Paulo não
estabeleceu uma data específica nem determinou um número exato de vezes que ela
deve ser celebrada, mas afirmou: “Todas as vezes...” (1 Coríntios
11:25-26). Essa expressão deixa claro que a prática deve ser contínua e
carregada de significado. Por isso, a Ceia precisa ser celebrada com
frequência, sempre reconhecendo sua profundidade, seu alcance e a importância
vital que tem para a vida e a comunhão da igreja.
Em resumo, entendo
ser a Ceia do Senhor um ato de profunda riqueza espiritual e de valor eterno.
Não deve se limitar a ocasiões especiais, mas ser celebrada com frequência e
reverência, como parte indispensável da nossa fé e comunhão. É, ao mesmo tempo,
memória e esperança: nos leva de volta à cruz para recordar o preço impensável
que foi pago, nos une em um só corpo pelo amor de Cristo e acende em nós a viva
expectativa do dia glorioso em que, finalmente, nos assentaremos à mesa com nosso
amado Salvador, nas Bodas do Cordeiro. Até lá, cada vez que partimos o pão e
tomamos o cálice, renovamos nossa entrega, reafirmamos nossa unidade e
proclamamos em alta voz, com gratidão e reverência: “Vem, Senhor Jesus!”
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
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