O EVANGELHO COMEÇA NA PORTA DE CASA
“O segundo
mandamento é este: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Não existe mandamento
maior do que estes.” Marcos 12:31 (NAA)
Nasci e cresci em
uma comunidade simples, onde aprendi bem cedo o valor de ter vizinhos. Alguns
eram uma bênção: ajudavam nas horas difíceis, emprestavam o que faltava,
ofereciam companhia, segurança e até amizade verdadeira. Outros, porém, traziam
problemas: brigas, barulho, fofocas, invasões de privacidade e até rivalidade.
Foi nesse contexto que percebi como a convivência pode ser uma espada de dois
gumes: capaz de gerar alegria ou tristeza, paz ou conflito.
A Bíblia nos mostra
que vizinho não é apenas quem mora ao lado. Quando Jesus foi questionado sobre
quem seria o próximo, Ele respondeu com a parábola do bom samaritano (Lucas
10:25-37). Ali entendemos que vizinho é qualquer pessoa que cruza o nosso caminho
e precisa de compaixão.
Podemos enxergar
pelo menos três tipos de vizinhos. O vizinho imediato, que mora ao lado
de nossa casa ou no mesmo bairro. O vizinho circunstancial, que
encontramos no ônibus, no trabalho, na universidade ou até na fila do mercado.
E o vizinho social, que não está fisicamente perto, mas com quem nos
conectamos de alguma forma — especialmente pelas redes sociais, que ampliam
nossos relacionamentos. Cada um deles é uma oportunidade que Deus nos concede
para exercitarmos o amor e refletirmos o caráter de Cristo no cotidiano. É um
campo já preparado para a semeadura do evangelho.
No segundo
mandamento de Jesus encontramos um chamado desafiador: amar o próximo.
Muitas vezes imaginamos isso como algo distante, ligado a missões em outros
países ou a pessoas que talvez nunca conheceremos. No entanto, Jesus começa
pelo mais próximo — literalmente — aqueles que estão ao lado da nossa porta. E
a grande pergunta que fica é: como tenho tratado os meus vizinhos? Tenho
demonstrado cuidado por eles? Tenho sido uma verdadeira testemunha de Cristo
ou, pelo contrário, tenho envergonhado o evangelho com meu comportamento dentro
de casa? Tenho orado por eles?
A Bíblia traz
exemplos claros sobre essa convivência. O bom samaritano nos ensina que o
próximo é qualquer pessoa que precisa de ajuda, mesmo que seja alguém diferente
de nós. Abraão e Ló também nos dão um grande exemplo: quando os pastores de
ambos começaram a disputar pastagens, Abraão disse: “Não haja contenda
entre mim e você, nem entre os meus pastores e os seus, porque somos irmãos”
(Gênesis 13:8). Ele escolheu a paz em vez da briga, mostrando sabedoria no
trato com o vizinho mais próximo, que era seu próprio parente.
Outro exemplo
inspirador está em 2 Reis 4. Diante da necessidade, a viúva foi orientada a
pedir vasilhas emprestadas aos vizinhos. Eles atenderam ao seu pedido, e aquele
gesto simples de solidariedade se tornou parte do milagre que transformou sua
vida. Se ela fosse uma mulher briguenta e de má convivência, certamente teria
encontrado muitas portas fechadas. Essa história nos ensina que a boa relação
com os vizinhos pode se tornar uma ponte para a provisão de Deus.
O livro de
Provérbios também nos adverte: “Não diga ao seu próximo: ‘Volte amanhã, e
eu lhe darei algo’, se pode ajudá-lo hoje. Não planeje o mal contra o seu
próximo, que confiantemente mora perto de você.” Provérbios 3:28-29
(NAA). Essas lições se destacam: não adiar o bem e buscar viver em paz.
Na prática, amar o
vizinho pode começar de forma simples. Cumprimentar, sorrir, oferecer ajuda em
pequenas coisas. Ter uma palavra de paz, abrir a porta da hospitalidade,
mostrar interesse verdadeiro. E, acima de tudo, orar por eles —
inclusive pelos mais difíceis. Nosso testemunho se mostra, antes de tudo, na
convivência diária.
Amar a Deus e amar
ao próximo são mandamentos inseparáveis. O evangelho não começa em púlpitos,
nem em missões distantes. Ele começa na porta de casa. Quando tratamos os
vizinhos com bondade, mostramos que a fé não é só discurso, mas vida.
Embora nossos
vizinhos devam sempre estar em nossa lista diária de oração, neste mês em
especial nossa igreja tem sido despertada a interceder por eles de maneira
ainda mais intencional. Oramos para que experimentem o amor de Deus que já
transformou a nossa vida, para que conheçam o mesmo Jesus que conhecemos e
sejam alcançados pela esperança bendita da Sua vinda. Afinal, o maior presente
que podemos oferecer aos que moram ao nosso redor não é apenas simpatia,
amizade ou ajuda material, mas a oportunidade de também se tornarem
participantes da graça salvadora de Cristo.
É sempre bom
lembrar que o evangelho se torna real não apenas nas palavras ditas de longe,
mas no amor vivido de perto — começando justamente com aqueles que Deus colocou
ao lado da nossa porta.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
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