“Ensina-nos a
contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.”
Salmos 90:12 (NAA)
Quem nunca ouviu
alguém dizer: “Tenho tanta coisa para fazer que bem que o dia poderia ter
mais quatro horas”? Esse é o desejo de ter tempo acrescentado — mas para
nós, simples mortais, isso é impossível. A Bíblia nos mostra com clareza que o
tempo está nas mãos de Deus, e que nós, seres humanos, não temos poder de
controlá-lo. Entre as medidas que conhecemos na vida — altura, largura e
profundidade — o tempo é a que mais nos escapa. Ele avança sem pedir licença e,
a cada dia, nos lembra da nossa fragilidade.
Quando o pecado
entrou no mundo, passamos a viver aprisionados dentro desse espaço chamado
tempo. Antes da queda, Adão e Eva desfrutavam de plena comunhão com Deus no
Éden. O ciclo dos dias já existia (Gênesis 1:5,14), mas não havia o limite
imposto pela morte. O homem vivia no tempo, mas não estava preso a ele. Com o
pecado, tudo mudou. A desobediência trouxe consigo a morte (Romanos 5:12), e
foi a morte que transformou o tempo em prisão. Desde então, os dias passaram a
ter limite, e a vida, um fim. Não podemos voltar ao passado para corrigi-lo,
nem avançar ao futuro para contemplá-lo; estamos restritos ao presente, e essa
limitação nos lembra constantemente de nossa dependência de Deus.
A Bíblia nos mostra
três dimensões da morte: a física, que todos enfrentamos (Hebreus 9:27); a
espiritual, que separa o homem de Deus desde o Éden (Efésios 2:1); e a eterna,
a condenação final da qual Cristo nos livra (Apocalipse 20:14-15). Em todas as
suas formas, a morte é consequência do pecado. Mas a boa notícia é que, em
Cristo, recebemos a dádiva da vida eterna. Ele disse: “Eu sou a
ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.” João
11:25(NAA). Em Cristo, o tempo deixa de ser prisão e se torna preparação para a
eternidade.
E a Escritura
registra que o Senhor, soberano sobre o tempo, pode intervir nele quando
quiser. Em Josué 10:12-13, o sol parou até que Israel vencesse a batalha. Em 2
Reis 20:9-11, o relógio de Acaz retrocedeu dez graus como sinal a Ezequias.
Esses milagres mostram que o tempo não nos pertence, mas está inteiramente nas
mãos do Criador.
Não se trata de
dois tempos diferentes, mas de duas perspectivas: o nosso tempo, limitado pela
finitude, e a eternidade de Deus, onde Ele governa todas as coisas. Nós
contamos os dias, mas é o Senhor quem os administra de acordo com Seu propósito
perfeito. Salomão declarou: “Para tudo há uma
ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu.” Eclesiastes
3:1 (NAA). E Davi reconheceu: “Em tua mão estão os meus dias.”
Salmos 31:15 (NAA). O tempo é criação de Deus, mas Ele não é limitado por ele:
“Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim.”
Apocalipse 22:13 (NAA).
Até a ciência
aponta para nossa limitação. A teoria da relatividade mostra que, quanto mais
próximo um objeto se move da velocidade da luz, mais o tempo desacelera para
ele em relação a quem está parado. Esse fenômeno é chamado de dilatação do
tempo. No limite, se algo pudesse atingir a velocidade da luz, o tempo para
esse objeto pararia. Para nós, o tempo flui linearmente; mas para Deus, que é
eterno, ele é apenas instrumento. A física sugere que o tempo é relativo; a fé
nos lembra que o tempo está totalmente nas mãos do Senhor.
O pecado nos
aprisionou ao tempo e trouxe a morte. Mas em Cristo, essa prisão é quebrada.
Ele é a Luz, e viver com Ele é viver além do tempo, rumo à eternidade, é viver
no tempo de Deus. Nele, a contagem dos dias deixa de ser desespero e se torna
sabedoria. Como orou Moisés: “Ensina-nos a contar os nossos dias para que
o nosso coração alcance sabedoria.” Salmos 90:12 (NAA). O tempo passa,
mas em Cristo temos destino certo: a eternidade com Deus.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
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