VIVENDO DIANTE DA TUA PORTA 

“Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, será salvo. Entrará, sairá e achará pastagem.” João 10:9 (NAA)

No Antigo Testamento, a lei dizia que, quando um escravo completava o tempo de serviço e recebia a liberdade, ele podia fazer uma escolha surpreendente. Se amasse o seu senhor e não quisesse ir embora, podia declarar: “Não sairei livre.” Então, seu senhor o levava diante de Deus, isto é, perante os juízes, e a cerimônia acontecia na porta da casa: sua orelha era furada no batente, e ali ele se tornava servo para sempre (Êxodo 21:6).

A imagem é forte. A porta da casa não era um detalhe qualquer. No hebraico, a palavra usada é deleṯ (porta) ou mezûzâ (ombreira), as mesmas usadas quando Israel marcou as ombreiras com o sangue do cordeiro na Páscoa (Êxodo 12:7). A porta era símbolo de identidade, proteção e pertencimento. Ao furar a orelha na ombreira, o escravo dizia: “Estou unido a esta casa para sempre.”

No Novo Testamento, Jesus se apresenta como a Porta. Diferente do escravo, que podia escolher ficar ou não, nós fomos libertos do pecado por meio de Cristo e agora escolhemos nos unir voluntariamente a Ele. Somos livres, mas usamos nossa liberdade para permanecer na presença de Deus. O homem liberto do pecado olha para Cristo e declara: “Quero ser servo para sempre.”

Naquele tempo, o escravo não podia tomar sua decisão sozinho. Era preciso que os juízes estivessem presentes como testemunhas oficiais, confirmando que sua escolha era séria e definitiva. Eles representavam a autoridade de Deus no meio do povo e davam ao ato um caráter público e solene.

Hoje, já não temos juízes sentados às portas da cidade, mas temos algo semelhante: a comunidade da fé – a nossa igreja. Quando alguém decide seguir a Cristo, não o faz em segredo, mas diante dos irmãos, no batismo, na confissão e no testemunho diário. A igreja é essa assembleia que confirma e celebra a escolha de viver para sempre unido ao Senhor. Também contamos com líderes espirituais — pastores, presbíteros, diáconos e mestres — que acompanham essa caminhada. Eles não substituem nossa decisão pessoal, mas se tornam testemunhas e guias, lembrando-nos de que a vida cristã não é vivida sozinhos. E, acima de tudo, cada escolha de permanecer em Cristo é registrada diante do Juiz eterno, que é o próprio Deus.

Assim como no passado o escravo tinha sua orelha marcada diante das testemunhas, hoje nós temos o coração selado pelo Espírito Santo, que confirma que pertencemos para sempre ao Senhor. E há ainda um detalhe precioso: em hebraico, a palavra para “ouvir” (shamá) também significa “obedecer”. Ao ter a orelha perfurada, o escravo dizia que seus ouvidos estariam para sempre atentos à voz do seu senhor. Em Cristo, essa figura ganha novo sentido. Jesus declarou: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” João 10:27 (NAA). Não temos a orelha marcada por uma sovela, mas temos o coração marcado pelo Espírito, pronto para ouvir e obedecer.

A verdadeira liberdade não está em viver distante de Deus, mas em escolher permanecer com Ele para sempre. A liberdade que Cristo nos concede é a oportunidade de termos ouvidos atentos à Sua voz e corações prontos para obedecê-Lo em cada dia.

Agradecemos ao Senhor que nos libertou do pecado. Hoje usamos a liberdade que recebemos para permanecer unidos a Ele, vivendo diante da Tua Porta, que é Cristo, e servindo-Te para sempre. Marca os nossos ouvidos para ouvirmos a voz do Bom Pastor e sela os nossos corações para obedecermos com fidelidade à Tua direção.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

15/out/25

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