CRIADOS PARA PENSAR, SENTIR E ESCOLHER
“Amarás o
Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu
entendimento.” Mateus 22:37 (NAA)
Deus nos criou como
seres completos. Dentro de nós, existem três dimensões muito importantes:
razão, emoção e vontade. A razão nos ajuda a pensar, entender e discernir o
caminho certo. A emoção nos permite sentir alegria, tristeza, compaixão e amor,
revelando nossa humanidade. E a vontade nos dá a capacidade de escolher, de
decidir seguir ou não ao Senhor. Nenhuma dessas partes foi feita para funcionar
separada. Todas precisam estar unidas, em harmonia, para a glória de Deus.
O problema é que o
pecado afetou cada uma delas. A mente se tornou cega, incapaz de discernir
claramente a verdade. As emoções se corromperam, tornando-se muitas vezes
egoístas, descontroladas ou guiadas apenas pelos desejos passageiros. E a
vontade se inclinou para o mal, buscando o próprio caminho em vez da vontade de
Deus. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e
desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” Jeremias 17:9 (NAA)
Basta olhar ao
nosso redor para perceber como isso é real. Pessoas com grande inteligência
podem usar sua mente para enganar ou explorar os outros. Emoções como o amor,
que deveriam trazer vida, muitas vezes são distorcidas em paixões desordenadas.
E a vontade, que foi criada para obedecer a Deus, tantas vezes se rebela contra
Ele.
Mas em Cristo,
somos restaurados. A mente é iluminada pela Palavra de Deus, que abre os olhos
do entendimento e traz sabedoria. As emoções são curadas pelo Espírito Santo,
que nos ensina a amar de verdade e a encontrar alegria na presença do Senhor. E
a vontade é transformada, rendendo-se ao querer de Deus, aprendendo a dizer
“seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”. Dessa forma, passamos a
amar o Senhor com tudo o que somos: mente, coração e escolhas. Isso nos leva a
viver de maneira plena e equilibrada.
Dizer que o ser
humano é formado por razão, emoção e vontade não é uma frase tirada diretamente
da Bíblia, mas é uma explicação usada por muitos estudiosos para entendermos
melhor como funcionamos. Nós não somos só pensamento, nem só sentimento, nem
apenas ação. Somos um conjunto dessas três áreas, criados por Deus para pensar,
sentir e agir de forma que mostre a Sua glória.
A razão é a
capacidade de pensar, analisar e compreender. É pela razão que avaliamos as
coisas, distinguimos o certo do errado e buscamos conhecimento. Quando um
estudante se esforça para aprender, ou quando um trabalhador busca soluções
para problemas do dia a dia, está exercendo a razão que Deus lhe deu.
A emoção é o campo
dos sentimentos e afetos. É por meio dela que reagimos à vida: rimos de
alegria, choramos de dor, nos compadecemos de alguém em necessidade, ou nos
enchemos de amor por aqueles que fazem parte da nossa vida. A emoção dá cor e
intensidade às nossas experiências. Imagine como seria a vida sem sentir o
abraço caloroso de um filho, sem se emocionar ao ouvir uma música que toca a
alma, ou sem chorar diante de uma perda. Deus nos deu a emoção como parte da
nossa humanidade.
A vontade, por sua
vez, é a faculdade de escolher e decidir. É o lugar onde razão e emoção se
encontram e se traduzem em ação. É pela vontade que alguém decide perdoar,
mesmo quando a emoção pede vingança. É pela vontade que um jovem diz não a uma
tentação, mesmo que o coração e a mente estejam divididos. A vontade é o campo
das decisões, e nela assumimos responsabilidade pelas escolhas que fazemos.
Pode parecer
complicado, mas muitos autores cristãos usaram essa tríade — razão, emoção e
vontade — para explicar a alma, em contraste com o corpo (que se relaciona com
o mundo físico) e o espírito (que se relaciona diretamente com Deus). A visão
bíblica, no entanto, não coloca o ser humano em “gavetas” isoladas. A Bíblia
apresenta o homem como um ser integral. Ainda assim, é possível identificar
sinais dessas dimensões ao longo das Escrituras. “Sobre tudo o que se
deve guardar, guarde bem o seu coração, porque dele procedem as fontes da
vida.” Provérbios 4:23 (NAA)
A razão aparece no
chamado de Paulo: “Não se conformem com este século, mas transformem-se
pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar
a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2 – NAA). A
emoção é clara nos salmos, que estão cheios de expressões de alegria, dor,
confiança e esperança. Davi, por exemplo, não tinha medo de chorar diante de
Deus nem de cantar com toda intensidade sua alegria. Já a vontade se manifesta
nas palavras de Jesus: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si
mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” Mateus 16:24 (NAA). A decisão de
seguir a Cristo é um ato da vontade, que envolve entrega e obediência.
Essa visão nos
ajuda a entender que precisamos buscar equilíbrio. Não podemos viver apenas
pela razão, de forma fria e calculista, sem deixar espaço para os afetos.
Também não podemos viver só pela emoção, sendo guiados apenas pelos sentimentos
do momento. Nem é possível viver apenas pela vontade, como se bastasse “forçar”
decisões sem refletir ou sentir. Precisamos unir as três dimensões. Quando
nossa mente é guiada pela Palavra, nossas emoções são controladas pelo Espírito
e nossa vontade é submetida a Deus, então refletimos verdadeiramente a imagem
do Criador. “Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele
mesmo não é julgado por ninguém.” 1 Coríntios 2:15 (NAA)
Nos dias de hoje,
isso é um grande desafio. Vivemos em uma sociedade que muitas vezes valoriza
demais a razão, exaltando o conhecimento científico, mas desprezando os
sentimentos. Outras vezes, somos levados a viver só pela emoção, buscando
prazer imediato sem pensar nas consequências. Ou ainda vemos pessoas que usam a
força da vontade apenas para satisfazer seus próprios interesses. Como
cristãos, somos chamados a um caminho diferente: o caminho do equilíbrio em
Cristo.
Fomos criados por
Deus como seres integrais, com mente, coração e vontade; e somente quando essas
três dimensões se rendem a Cristo, encontramos a verdadeira plenitude da vida
para a glória de Deus.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
12/out/25
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