OBEDECER A DEUS É, ANTES DE TUDO, AMÁ-LO.

“Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar.” — 1 Samuel 15:22 (NAA)

Acompanho o crescimento do meu netinho todos os dias — agora com um olhar mais terno e atento do que tinha quando meus filhos eram pequenos. Talvez porque, nesta fase da vida, o tempo tenha outro valor. Já não há pressa nem cansaço, apenas a chance rara de observar cada gesto com a serenidade de quem sabe o quanto tudo passa depressa.

Ele vive a fase da oposição: testa limites, mede reações e busca o “não” para afirmar que existe. A obediência? Quase nenhuma. Ainda assim, em cada teimosia há um pedido silencioso por direção. E, enquanto o ensino, eu mesmo reaprendo: obedecer é mais do que cumprir regras — é confiar em quem ama.

A Bíblia nos mostra que obediência verdadeira nasce de um coração transformado. Não vem do medo nem da obrigação, mas da gratidão. Jesus disse: “Se vocês me amam, guardarão os meus mandamentos.” — João 14:15 (NAA). Quando entendemos o que Cristo fez por nós, obedecer deixa de ser peso e se torna prazer. É na obediência que a comunhão se aprofunda e a liberdade floresce, porque a vontade de Deus é sempre boa, agradável e perfeita.

Na vida real isso aparece nas escolhas simples: dizer a verdade quando seria mais fácil exagerar; pedir perdão quando o ego grita; desligar-se do que contamina a mente; cumprir o combinado mesmo sem ninguém olhando. Obediência é amor colocado em prática.

A Escritura também alerta: obediência “pela metade” não é obediência. A história do rei Saul ilustra isso com sobriedade. Deus deu a ele uma ordem clara: “Vai, pois, agora e fere a Amaleque, e destrói totalmente a tudo o que tiver; nada lhe poupes.” — 1 Samuel 15:3 (NAA). Saul venceu a batalha, mas poupou Agague, o rei, e guardou “o melhor das ovelhas e dos bois” — 1 Samuel 15:9. Aos olhos humanos, parecia uma boa ideia: afinal, havia vitória e havia oferta. Aos olhos de Deus, era desobediência.

A palavra do Senhor foi direta: “Arrependo-me de haver posto a Saul como rei; porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras.” — 1 Samuel 15:11 (NAA). Quando Samuel o confronta, chega a sentença que atravessa séculos: “Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar.” — 1 Samuel 15:22 (NAA).

A lição é atual. Obediência parcial é desobediência disfarçada. Às vezes tentamos compensar áreas que não queremos entregar com outras em que obedecemos com entusiasmo. É a “psicologia da compensação”: ajudamos, servimos, ofertamos, mas guardamos aquele ressentimento, mantemos aquele hábito oculto, evitamos aquele passo de reconciliação. Tiago nos sacode: “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos.” — Tiago 2:10 (NAA). Não se trata de perfeccionismo, mas de inteireza. Deus não quer uma lista grande de acertos para encobrir uma área que nos recusamos a entregar; Ele quer o coração todo.

Na prática, obedecer a Deus aparece nas pequenas escolhas do dia a dia. No trabalho, sendo honesto com o tempo, com o que faço e com o que prometo, mesmo que outros façam diferente. Em casa, mantendo a palavra e cuidando das pessoas, mesmo quando o mais fácil seria ficar calado. Na internet, vigiando o que vejo e o que falo, lembrando que Deus vê tudo, até o que é feito no escuro. No dinheiro, agindo com integridade. Nos relacionamentos, escolhendo perdoar, mesmo sem vontade — não deixo de perdoar só porque já fiz isso muitas vezes. Obedecer completamente não é ser duro, é viver de acordo com o amor que dizemos ter.

Talvez você diga: “Mas é difícil.” E é mesmo. Por isso, a obediência cristã não vem da nossa força, mas da graça de Deus. Pedro falou de pessoas que sofreram por crer, mas permaneceram firmes porque foram sustentadas pelo Senhor: “Para que, embora julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus.” — 1 Pedro 4:6 (NAA). O mesmo Espírito que os fortaleceu vive em nós e nos ajuda a obedecer, mesmo quando queremos o contrário. Obedecer é obra de Deus em nós — por isso oramos, pedimos ajuda e voltamos sempre à Palavra para alinhar o coração.

Obedecer não é nunca errar, mas levantar-se rápido quando caímos. Davi errou feio, mas se arrependeu de verdade; Saul tentou se justificar. O arrependimento abre de novo o caminho da obediência. Quando falhamos, não inventamos desculpas — voltamos para Deus, confessamos e recomeçamos. Ele não rejeita um coração sincero. A verdadeira obediência é humilde, dependente e perseverante.

Percebo com meu netinho que a firmeza com amor traz segurança. Quando digo “não” com carinho e explico o motivo, ele chora menos e confia mais. Com Deus é assim também. Seus mandamentos não são exigências, são cuidados. Ele diz “não” ao que nos machuca e “sim” ao que nos faz crescer. Ao obedecer, não perdemos vida — ganhamos. Não perdemos liberdade — encontramos a verdadeira. E, quando erramos, Seu amor nos traz de volta, porque obedecer a Deus é, antes de tudo, amá-Lo.

Hoje é um bom dia para olharmos para dentro de nós. Há algo em que temos obedecido só pela metade? Um perdão que ainda não demos? Um hábito que precisamos abandonar? Algo que devemos acertar? Conversemos sobre isso com Deus. Peçamos ao Espírito Santo que nos dê um coração disposto a obedecer por inteiro. Ele sempre responde quando somos sinceros. Depois, demos o próximo passo: pedir perdão, enviar uma mensagem, tomar a decisão certa, dizer “sim” ao que Deus já pediu.

Obedecer é andar devagar, mas firme — e cada passo traz mais paz. “Quem tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama.” — João 14:21 (NAA)

“Obedecer é amar em movimento: quando o coração confia, a vida caminha na direção da vontade de Deus — inteira, simples e livre.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

27/out/25

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