OS SETE MERGULHOS DA TRANSFORMAÇÃO
“Então
desceu, mergulhou no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem de Deus, e
a sua pele se tornou como a de uma criança, e ficou limpo.” 2 Reis 5:14
(NAA)
Naamã era um homem
poderoso. Comandante do exército da Síria, respeitado e admirado, desfrutava de
fama e autoridade. No entanto, por trás da armadura e das vitórias, havia uma
ferida oculta: ele era leproso. A lepra, naquele tempo, era uma sentença cruel,
marcada pela dor e pelo isolamento. Nada do que possuía podia mudar essa
realidade.
Um dia, uma jovem
israelita, serva de sua esposa, contou que em Israel havia um profeta capaz de
curá-lo. Movido pela esperança, Naamã foi até lá com uma carta do rei da Síria.
O rei de Israel, ao ler a carta, ficou aflito, pois não podia fazer o que era
pedido.
Ao saber da situação,
Eliseu, o profeta, mandou chamar o grande general. Naamã esperava uma cerimônia
grandiosa, talvez um toque de mãos ou palavras especiais, mas recebeu apenas
uma simples instrução: “Vá e mergulhe sete vezes no rio Jordão.”
Naamã se irritou.
Aquilo lhe pareceu humilhante. Como um homem de tanta importância se submeteria
a um banho num rio estrangeiro? Contudo, persuadido pelos servos, decidiu
obedecer. E, a cada mergulho, algo mais profundo acontecia do que a limpeza da
pele: Deus tratava seu coração.
O primeiro mergulho
foi o do orgulho. Naamã precisou compreender que, diante de Deus, nenhum título
ou mérito humano nos torna superiores. O poder e o prestígio não curam as
feridas da alma. Assim como ele, precisamos entender que “Deus resiste aos
soberbos, mas dá graça aos humildes.” Tiago 4:6 (NAA).
O segundo mergulho
foi o da autossuficiência. Naamã necessitava entender que a graça de Deus não
se compra com ouro, prata ou influência. A bênção divina é um presente
gratuito, concedido aos que creem e se humilham diante do Senhor. O que
precisamos entender é que pela graça nós somos salvos, mediante a fé, e isso
não vem de nós; não é por mérito nosso, é presente de Deus. Efésios 2:8 (NAA).
O terceiro mergulho
foi o das expectativas humanas. Naamã esperava um milagre do seu jeito — com
gestos, pompa e cerimônia. Ele tinha sua própria agenda, mas Deus não age
segundo a nossa agenda. O Senhor trabalha de formas simples, e a fé verdadeira
nasce quando aprendemos a aceitar os meios que Ele escolhe. “Os meus
pensamentos não são os pensamentos de vocês, e os caminhos de vocês não são os
meus caminhos, diz o Senhor.” Isaías 55:8 (NAA). Deus age de maneiras
que muitas vezes não entendemos, e a fé genuína consiste em confiar n’Ele mesmo
quando o Seu método foge à nossa lógica ou expectativa.
O quarto mergulho
foi o do preconceito. Naamã desprezou o rio Jordão, julgando-o inferior aos
rios da Síria. O coração dele precisou ser purificado do sentimento de
superioridade. Só quando venceu essa barreira pôde ver que Deus não escolhe
lugares ou aparências, mas corações sinceros. “O Senhor, porém, disse a
Samuel: ‘Não atente para a aparência nem para a altura da estatura, porque o
rejeitei; porque o Senhor não vê como o ser humano: o ser humano vê o exterior,
mas o Senhor vê o coração.’” 1 Samuel 16:7 (NAA). Deus não se
impressiona com aparência, status ou origem. Ele olha para o interior — e só
quando o coração é purificado da soberba e do preconceito é que se pode
experimentar a verdadeira ação divina.
O quinto mergulho
foi o da rebeldia. Naamã quase desistiu. Obedecer parecia absurdo. Mas a fé
genuína começa quando a razão se cala. Ele precisou descer, literalmente e
espiritualmente, para que o milagre acontecesse. “Confie no Senhor de
todo o seu coração e não se apoie no seu próprio entendimento.”
Provérbios 3:5 (NAA). A verdadeira fé exige submissão. Naamã precisou abandonar
sua lógica e confiar na palavra do profeta — um passo de obediência que abriu
caminho para o milagre.
O sexto mergulho
foi o da incredulidade. Mesmo tendo viajado até Israel, ainda duvidava que algo
tão simples pudesse funcionar. Mas, ao confiar, descobriu que o poder está na
obediência e não na complexidade do ato. “Bem-aventurados
os que não viram e creram.” João 20:29 (NAA). A fé verdadeira não
depende de provas visíveis ou de algo extraordinário. Naamã precisou aprender
que confiar em Deus é obedecer mesmo quando o milagre parece simples demais
para ser real.
E o sétimo mergulho
foi o da adoração. Curado, Naamã voltou diferente. A lepra do corpo havia ido
embora, mas, acima disso, o coração fora transformado. Ele declarou com fé: “Agora
sei que não há Deus em toda a terra, senão em Israel.” (2 Reis 5:15 –
NAA). Necessário, não apenas agradecer por um milagre físico, mas render-se em
adoração sincera ao Deus verdadeiro, reconhecendo Sua soberania e poder.
A cura física foi
apenas o sinal visível de uma cura interior. Naamã mergulhou não apenas em
águas, mas na graça de Deus. O homem orgulhoso que chegou em um carro de guerra
saiu dali humilde e grato, reconhecendo que o verdadeiro poder está na fé e na
obediência.
Assim também é
conosco. Quantas vezes nos aproximamos de Deus levando nossas próprias
expectativas, pedindo que Ele faça tudo conforme o nosso roteiro? Mas o Senhor
não segue a nossa agenda — Ele segue o Seu propósito. Às vezes, antes de operar
o milagre, Ele quer operar em nós.
O que precisa ser
retirado de mim e de você para que a ação de Deus seja completa? Talvez o
orgulho, a impaciência, o medo, ou a necessidade de controlar tudo. O processo
pode ser desconfortável, mas é necessário.
Naamã mergulhou
sete vezes, e cada descida o levou um pouco mais fundo na obediência e na fé.
Ao final, saiu das águas não apenas limpo, mas renovado. O mesmo Deus que curou
Naamã quer nos transformar hoje — se estivermos dispostos a mergulhar, não
apenas nas águas, mas na confiança total em Sua vontade.
“Deus não cura apenas a pele, cura o coração.
Cada mergulho de fé é um passo mais fundo na graça que transforma o orgulho em
obediência e a dor em adoração.”
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
30/out/25
Nenhum comentário:
Postar um comentário