PEREGRINOS QUE CAMINHAM POR FÉ
“Amados, peço
a vocês, como peregrinos e forasteiros, que se abstenham das paixões carnais,
que fazem guerra contra a alma.” — 1 Pedro 2:11 (NAA)
Ser um peregrino é
viver com a consciência de que estamos apenas de passagem por este mundo. A
palavra vem do latim peregrinus, que significa “viajante estrangeiro”
— alguém que não pertence ao lugar onde está, mas segue em direção a um destino
maior. No sentido espiritual, o peregrino é aquele que reconhece que a vida
terrena é temporária e que o verdadeiro lar está com Deus.
A Bíblia usa essa
imagem para descrever os servos do Senhor como estrangeiros e forasteiros na
terra. Isso quer dizer que o cristão vive neste mundo, mas não se conforma com
ele. “..._porque eles não são do mundo como Eu também não sou”
João 17:14b. Caminha, sim, pelas estradas da vida, mas com os olhos voltados
para o céu. O peregrino aprende a lidar com as pressões do tempo presente sem
perder de vista o futuro eterno.
A primeira carta de
Pedro é riquíssima em ensinos práticos para esses peregrinos que somos nós. Ela
mostra que a santidade é o princípio básico da vida cristã — e essa santidade
se manifesta no seu caminhar. Ser peregrino é entender que cada passo é parte
de uma jornada espiritual feita de fé, aprendizado e esperança. É seguir em
frente, mesmo com perdas e com dor, porque o coração sabe que há um destino
eterno preparado por Deus.
No caminho do
peregrino há atitudes que precisam ser praticadas. Uma delas está em 1 Pedro
1:13 (NAA): “Portanto, estejam com o pensamento preparado, sejam sóbrios
e esperem inteiramente na graça que lhes está sendo trazida na revelação de
Jesus Cristo.” A primeira orientação é “estejam prontos para agir” –
com o pensamento preparado. Isso fala de vigilância. O peregrino deve estar
atento para não tropeçar, vigilante para não ser surpreendido pelo inimigo,
firme para não cair em tentação e desperto para que o dia do Senhor não o
encontre despreparado.
O segundo passo é a
esperança. O peregrino caminha com um objetivo: alcançar o destino prometido.
Pedro nos lembra que essa esperança deve estar totalmente colocada em Cristo: “Ponha
toda a sua esperança na bênção que será dada a vocês quando Jesus Cristo for
revelado.” 1 Pedro 1:13 (NAA).
Essa revelação não se refere à encarnação de Cristo, mas à Sua volta gloriosa.
O apóstolo fala do futuro, quando Cristo será revelado em glória, completando a
salvação dos que O aguardam. Por isso, nossa esperança não é uma ideia nem uma
simples expectativa — é uma pessoa: Jesus Cristo. Ele é a nossa âncora
segura em meio às incertezas do caminho.
O terceiro passo do
peregrino é a obediência. Pedro nos ensina que, durante a caminhada, precisamos
deixar para trás o passado e suas antigas paixões. O cristão não deve permitir
que sua vida antiga o domine novamente. Como Jesus disse a Pedro, quando era
jovem, ele fazia o que queria, mas o tempo viria em que outro o guiaria (João
21:18). Assim é conosco: à medida que amadurecemos na fé, aprendemos a ser
guiados pelo Espírito, e não pelos impulsos do coração.
O quarto passo é a
santificação. “Sejam santos em tudo o que fizerem, porque Ele é santo.”
1 Pedro 1:15 (NAA). O peregrino é
chamado a refletir o caráter do Santo que o acompanha na jornada. A santidade
não é um peso, mas um privilégio. É viver separado do pecado e consagrado a
Deus, sabendo que o sangue de Cristo nos comprou para uma vida nova. Pedro
lembra que não fomos resgatados por ouro ou prata, coisas que perecem, mas pelo
sangue precioso de Cristo, o Cordeiro sem defeito. Esse preço revela o quanto
valemos para Deus.
No caminho da fé, o
peregrino também não anda só. É parte de um povo — um exército espiritual
marchando pelo deserto da vida. Por isso, Pedro exorta: “Amem
sinceramente uns aos outros de todo o coração, pois vocês foram regenerados não
de uma semente perecível, mas imperecível, mediante a palavra viva e permanente
de Deus.” 1 Pedro 1:22–23 (NAA).
Amar os irmãos é caminhar em comunhão. É olhar para o lado e perceber que a
jornada se torna mais leve quando é compartilhada.
Nesta peregrinação,
precisamos estar firmados na Palavra. Ela é nossa bússola e nossa rota segura.
Sem a direção das Escrituras, o peregrino se perde. O Espírito Santo é o selo
que garante que chegaremos ao destino. Ele nos lembra das promessas, fortalece
a fé e consola o coração cansado.
Caminhemos, pois,
com firmeza e esperança. Nossa terra não é aqui. Somos peregrinos a caminho de
um lar eterno, onde não haverá mais dor, cansaço nem lágrimas. Até lá, seguimos
de fé em fé, sustentados pela graça e guiados pela luz da Palavra.
“O peregrino não
caminha por instinto, mas por fé. Ele sabe que o deserto é passagem, não morada
— e que o destino final é o lar preparado por Deus.”
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
22/out/25
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