JULGANDO COM O
CORAÇÃO
“Não considere impuro aquilo que Deus purificou.” Atos 10:15 (NAA)
Julgar os outros é algo que fazemos quase sem perceber.
Basta vermos uma atitude ou ouvirmos uma palavra, e logo criamos uma opinião.
Parece fazer parte da natureza humana. O nosso cérebro está acostumado a dar
sentido ao que acontece ao redor, tentando entender o mundo e se proteger.
Julgar é um reflexo automático, uma forma de organizar o que vemos e reagir com
base no que já vivemos e sentimos. Mas, por mais natural que seja, nem sempre
esses julgamentos são justos. Por isso, aprender a compreender antes de
concluir é sinal de maturidade, sabedoria e fé.
O capítulo 10 do livro de Atos mostra muito bem isso. Pedro
vive uma experiência que muda completamente sua maneira de enxergar as pessoas.
O texto revela uma verdade profunda: o julgamento humano é diferente do
julgamento de Deus. Enquanto o homem olha a aparência, Deus vê o coração.
Cornélio é o exemplo perfeito dessa lição. A Bíblia o
descreve como “um homem piedoso e temente a Deus com toda a sua família.”
(Atos 10:2, NAA). Mesmo sendo romano — e, portanto, parte do povo que dominava
e oprimia os judeus —, ele buscava a Deus com sinceridade. Cornélio era um centurião,
um oficial do exército responsável por comandar cerca de cem soldados. Para os
judeus, um homem como ele seria, no mínimo, um inimigo. Mas, para Deus,
Cornélio era um servo em busca da verdade.
Quantas vezes fazemos o mesmo tipo de julgamento? Às vezes
olhamos para alguém e, sem conhecer sua história, já pensamos: “Esse aí não tem
jeito”, ou “aquela pessoa nunca vai mudar”. Mas Deus vê além. Ele conhece o
coração, a intenção, o desejo de transformação. E o que Ele purifica, ninguém
tem o direito de chamar de impuro.
O mesmo capítulo nos ensina também sobre adoração verdadeira.
Quando Pedro chega à casa de Cornélio, o centurião se ajoelha diante dele em
sinal de respeito. Mas Pedro logo o levanta e diz: “Levante-se, que eu
também sou homem.” (Atos 10:26, NAA). A atitude de Cornélio mostrava
humildade, mas Pedro sabia que a adoração pertence somente a Deus. Esse é um
princípio básico da fé cristã: não adoramos homens, nem anjos, nem imagens, mas
somente o Senhor. Mesmo sendo apóstolo, Pedro não aceitou um gesto que tirasse
a glória de Deus.
Outra lição marcante está na disposição de Cornélio em ouvir
a voz divina. No versículo 33, ele diz a Pedro: “Agora, pois, estamos
todos aqui na presença de Deus, prontos para ouvir tudo o que o Senhor te
mandou dizer.” Atos 10:33 (NAA).
Cornélio não esperava apenas uma visita — ele esperava uma palavra do céu.
Tinha fome de Deus. Essa atitude é um exemplo para nós: devemos estar sempre
prontos para ouvir o que Deus tem a falar, com o coração aberto e o espírito
atento.
Nos dias de hoje, isso se aplica de forma prática. Quantas
vezes estamos tão cheios de opiniões, pressa e distrações que não paramos para
ouvir? Deus continua falando, mas precisamos silenciar um pouco o barulho da
nossa mente para escutá-Lo. Às vezes Ele fala por meio da leitura da Bíblia, de
uma pregação, de uma conversa ou até de uma situação difícil.
Esse acontecimento confirma que a salvação não depende de
tradição, rótulo ou origem. Depende da fé em Cristo e da transformação que o
Espírito Santo faz em cada coração. É o mesmo poder que continua agindo hoje,
alcançando pessoas em lugares e situações que talvez muitos julgariam
impossíveis.
O capítulo termina com todos glorificando a Deus,
maravilhados com Sua graça. E nós também devemos aprender com isso. O Espírito
de Deus não se limita às nossas fronteiras, ideias ou preconceitos. Ele sopra
onde quer, e age em quem quer.
Por isso, antes de julgar alguém, lembre-se: Deus pode estar
trabalhando naquela vida de um jeito que você ainda não entendeu.
Quem vê só com os olhos, julga; quem vê com o coração,
entende que Deus ainda está escrevendo a história.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
12/nov/25
Nenhum comentário:
Postar um comentário