OS AMIGOS NO
TELHADO
“De fato, sem fé é impossível agradar a Deus,
porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe
e que recompensa os que o buscam.” Hebreus
11:6 (NAA)
O versículo 20 de Lucas 5 nos revela algo extraordinário,
algo que muitas vezes esquecemos em meio às nossas lutas diárias: a fé coletiva
também alcança o necessitado.
Naquela cena tão conhecida da Bíblia, um paralítico recebeu
cura e perdão não porque tivesse demonstrado fé com palavras ou atitudes, mas
porque seus amigos creram por ele. Eles o carregaram até onde Jesus estava,
enfrentaram a multidão e, quando viram que não havia espaço para entrar,
subiram ao telhado, removeram as telhas e o desceram diante do Mestre. É comum
lermos passagens em que Jesus diz: “a tua fé te salvou”, mas aqui
acontece algo diferente e poderoso. O texto afirma: “Vendo-lhes a fé…”
Lucas 5:20. A fé que Jesus viu não era apenas do paralítico, mas daquelas
quatro pessoas que se recusaram a desistir.
Esse episódio nos lembra que há momentos da vida em que
alguém precisa ser carregado pela fé dos outros. Nem sempre temos força para
orar, acreditar, esperar ou nos levantar sozinhos. Às vezes, o sofrimento
sufoca a esperança, a dor confunde, o cansaço pesa. E é exatamente nesses
momentos que Deus usa amigos, irmãos, familiares e até desconhecidos para nos
sustentar. É a fé que intercede, a fé que insiste, a fé que rasga telhados
quando todas as portas parecem fechadas.
A carta aos Hebreus descreve a fé como “o firme
fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem”
Hebreus 11:1 (NAA). Essa firmeza não nasce do mundo; nasce da eternidade. É por
isso que nenhuma oposição pode abalá-la. A fé verdadeira não é construída sobre
sentimentos, circunstâncias ou força humana. Ela nasce em Deus e se sustenta em
Deus. E por isso, ainda que obstáculos se levantem, ela não desiste.
Os amigos do paralítico encontraram a casa cheia, a porta
bloqueada e nenhuma forma natural de entrar. Era como quando, nos dias de hoje,
buscamos ajuda para alguém e tudo parece travado: exames que demoram, portas
profissionais que se fecham, crises emocionais que ninguém entende, ou aquele
filho que se afasta de Deus sem vontade de voltar. Nessas horas, a fé natural
se esgota. Mas a fé verdadeira — aquela que vem do alto — desperta alternativas
que não estavam à vista. Ela não recua; ela se reinventa. Ela sobe no telhado
quando não dá mais para entrar pela porta.
O que esses homens fizeram foi exatamente isso. Eles não
discutiram, não reclamaram, não voltaram para casa. Eles criaram um caminho
novo. Hoje, isso pode acontecer quando alguém carrega o amigo em oração, mesmo
quando esse amigo não acredita mais; quando uma mãe ora pelo filho todos os
dias, mesmo sem ver mudanças; quando um marido intercede pela esposa em
silêncio; quando uma igreja decide jejuar por alguém que está sem forças. Às
vezes, nossa fé é o telhado que abrimos para alguém que já não consegue nem
levantar os olhos para Deus.
Quando o paralítico foi colocado diante de Jesus, algo ainda
mais profundo aconteceu. O texto diz que Jesus viu a fé deles e, então, disse
ao paralítico: “Homem, os seus pecados estão perdoados.” Lucas
5:20 (NAA). Perceba a ordem: primeiro veio o perdão, depois a cura. Era como se
Jesus dissesse: “Eu não vejo apenas sua paralisia do corpo; vejo a do
coração”. E tudo começou porque alguém o carregou.
Assim também acontece conosco. Quantas vezes recebemos cura,
direção, proteção ou consolo porque alguém nos apresentou a Jesus em oração?
Quantas vezes a fé de outros abriu portas que não poderíamos abrir sozinhos? A
fé intercessora atrai o olhar do Senhor. Quando carregamos alguém até Ele, não
apenas ajudamos o necessitado; participamos do milagre.
A fé dos amigos gerou duas bênçãos: perdão e cura. É assim
na vida real também. Uma mãe que ora pelo filho pode ver não apenas a
restauração dele, mas a cura emocional da própria família. Um amigo que carrega
outro nos ombros espirituais pode vê-lo reconciliado com Deus. Uma igreja que
intercede pode ser o canal pelo qual Deus transforma vidas que jamais chegariam
sozinhas até Cristo.
Esse texto nos lembra que ninguém caminha sozinho. Em alguns
dias, somos o paralítico; em outros, somos os amigos no telhado. O importante é
que, em ambos os papéis, Deus continua operando.
“Quando nos faltam forças para chegar a Jesus, Deus envia
pessoas cuja fé abre telhados e nos coloca diante do milagre.”
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
01/dez/25
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