A DISPOSIÇÃO EM OUVI-LO SEM MURMURAR.

“Todos se admiravam da sabedoria e das respostas que lhe dava.”  Lucas 2:47 (NAA)

Jesus foi plenamente homem e plenamente Deus. Ele se revelou como profeta, sacerdote e rei, e Sua sabedoria sempre foi inigualável. Ainda menino, aos doze anos, já se assentava entre os doutores da Lei no templo, ouvindo e fazendo perguntas, causando admiração em todos que o escutavam. Desde cedo, ficava claro que Suas palavras carregavam autoridade, verdade e vida. Onde Jesus estava, multidões se ajuntavam para vê-lo, tocá-lo e, principalmente, ouvi-lo.Nunca alguém falou como este homem.” João 7:46 (NAA)

No entanto, nem todos que se aproximavam de Jesus o faziam com o mesmo propósito. Os primeiros versículos de Lucas 15 revelam algo profundamente atual: existem pessoas que se aproximam para ouvir e outras que se aproximam para murmurar. O texto bíblico diz: “Todos os publicanos e pecadores estavam se aproximando de Jesus para o ouvir.” Lucas 15:1 (NAA). Logo em seguida, lemos: “E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: ‘Este recebe pecadores e come com eles.’” Lucas 15:2 (NAA).

A distância física era a mesma. Todos estavam perto de Jesus. Mas a distância espiritual era completamente diferente. Uns se aproximavam com sede, outros com julgamento. Uns queriam ouvir, outros queriam criticar. Isso nos ensina que estar próximo de Jesus, frequentar ambientes religiosos ou participar de reuniões não garante transformação. O que faz a diferença é a intenção do coração.

Jesus conhece profundamente o coração humano. Ele não se impressiona com aparência, posição ou discurso religioso. Um coração contrito é aquilo que Ele busca. Jesus procura pessoas dispostas a ouvir, aprender e mudar. Por isso, Ele afirma que Deus busca adoradores que o adorem em espírito e em verdade. Quem se aproxima com humildade encontra graça. Quem se aproxima com soberba encontra confronto. “Pois o Senhor vê não como o ser humano vê; o ser humano vê o exterior, porém o Senhor vê o coração.” 1 Samuel 16:7 (NAA)

A murmuração é algo que Jesus abomina porque ela revela um coração orgulhoso e incrédulo. Quem murmura resiste à graça, questiona o cuidado de Deus e enfraquece a comunhão. Diferente de quem se aproxima para ouvir e ser transformado, quem murmura se coloca como juiz, fecha o coração para o arrependimento e impede a ação restauradora do Senhor. A murmuração não nasce da contrição, mas da soberba, e por isso se opõe diretamente ao amor, à misericórdia e ao propósito de Deus de salvar e restaurar vidas.

Jesus está sempre pronto a falar, e ouvi-lo transforma. Já a murmuração endurece. Quem se aproxima para ouvir reconhece que precisa aprender, crescer e ser alcançado pela graça. Quem murmura já chega com opiniões formadas, julgando, resistindo e tentando justificar a si mesmo. Isso continua acontecendo nos nossos dias. É possível estar em cultos, reuniões, estudos bíblicos e, ainda assim, escolher murmurar em vez de ouvir. O coração pode estar fechado mesmo quando o corpo está presente.

A graça de Jesus atrai os humildes e confronta os orgulhosos. Jesus não mudou Sua postura; quem reagiu de forma diferente foram as pessoas. A mesma graça que acolheu publicanos e pecadores expôs o orgulho dos fariseus. Hoje não é diferente. A presença de Jesus continua atraindo quem reconhece sua necessidade, mas incomodando quem se sente dono da verdade, da doutrina ou da moral.

Muitas vezes, a murmuração vem disfarçada de zelo espiritual. Os fariseus não murmuravam por incredulidade declarada, mas por se julgarem espiritualmente superiores. Em nossos dias, a murmuração pode aparecer como “preocupação com a obra”, “defesa da doutrina” ou “zelo pela igreja”, quando, na verdade, esconde falta de amor, ausência de escuta e um coração não tratado. Nem toda crítica nasce da verdade; muitas nascem do orgulho ferido.

Lucas 15 começa com uma escolha que continua atual. Aproximar-se de Jesus para ouvir ou para criticar. Essa pergunta permanece viva para cada um de nós. Toda vez que abrimos a Bíblia, participamos de um culto, entramos em oração ou caminhamos em comunhão com outros irmãos, somos confrontados por essa decisão: estou aqui para ser transformado ou apenas para confirmar minhas próprias opiniões?

Jesus continua falando. A questão é como nos aproximamos dEle.

Não é a proximidade com Jesus que transforma, mas a disposição do coração em ouvi-lo sem murmurar.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

16/dez/25

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