LEVADOS PARA FORA
“Então Jesus os levou até as proximidades de Betânia
e, erguendo as mãos, os abençoou.” Lucas 24:50 (NAA)
A obra que Deus realiza em nós é feita de detalhes. Às
vezes, ao ler a Bíblia, nos deparamos com versículos que nos fazem perguntar: “Por
que Jesus fez assim? Por que Ele levou alguém para tal lugar? Por que esse
cenário?” Um desses textos está em Lucas 24:50 – texto básico.
Jesus estava com os discípulos em Jerusalém, mas decide
tirá-los de lá e conduzi-los até as proximidades de Betânia, no Monte das
Oliveiras. Nesse lugar específico, Ele os abençoa e é elevado ao céu. Esse
detalhe do gesto nos faz perguntar: por que não subiu ao céu na própria
Jerusalém? Por que levar os discípulos para outro lugar para que a ascensão
acontecesse?
A Bíblia não traz uma explicação direta, mas quando juntamos
detalhes bíblicos, geográficos e proféticos, percebemos algo profundo. Uma das
razões é o cumprimento de profecia. Deus vela por Sua Palavra e nada do que Ele
faz é por acaso.
O Antigo Testamento já havia anunciado um momento em que os
pés do Senhor estariam sobre o Monte das Oliveiras. Está escrito em Zacarias
14:4 (NAA): “Naquele dia, os seus pés estarão sobre o Monte das
Oliveiras, que está diante de Jerusalém, para o lado leste…” Esse texto
profético aponta para a manifestação final do Senhor. Quando Jesus sobe aos
céus naquele monte, Ele está colocando um marco: o mesmo lugar de onde Ele
subiu é o lugar onde Ele voltará, como Atos 1:11–12 afirma.
Outro elemento que chama atenção é o contraste simbólico
entre Jerusalém e o Monte. Jerusalém representa rejeição, dor, julgamento e
sistema religioso. Foi ali que Jesus foi condenado, humilhado, rejeitado e
crucificado. O Monte, por sua vez, representa separação, visão e envio. Ser
levado para fora das muralhas para ser exaltado comunica uma verdade
espiritual: a glória de Deus não está presa às estruturas humanas, mas à
própria presença de Cristo. É como se Jesus dissesse: “Vocês viram o que
fizeram comigo dentro dos muros; agora vejam quem Eu sou fora deles.”
Esse movimento também ecoa a história do povo de Deus no
Antigo Testamento. Assim como no Êxodo o Senhor chamou Israel para fora do
Egito, Jesus tira seus discípulos para fora da cidade. Ele os retira para
formar um novo começo, inaugurar uma nova era (a Igreja) e marcá-los como
enviados ao mundo. A própria palavra “igreja” vem de “eklesia”, que significa “chamados
para fora”.
Além disso, a ascensão fora da cidade reforça a missão. Em
Lucas 24:47–49, Jesus afirma que a mensagem do arrependimento e do perdão dos
pecados seria anunciada “a partir de Jerusalém…”. Eles deveriam voltar
para Jerusalém para esperar o Espírito Santo, mas antes precisavam ser tirados
dali. Eles foram removidos do lugar da rejeição para receber a bênção no lugar
da promessa.
Cada vez que Jesus tira os discípulos de um lugar, Ele faz
isso para ensiná-los. Ele os faz começar em Jerusalém — lugar marcado pela dor,
pela memória da cruz e pelo medo — e então os conduz ao Monte, um lugar
elevado, onde a visão se amplia e a esperança renasce. Ali, distante dos muros,
dos sistemas e das lembranças que feriram a alma, Ele os abençoa. Somente
depois disso eles retornam, mas não mais os mesmos — voltam transformados,
fortalecidos e cheios de alegria, como Lucas 24:52 (NAA) registra: “Então
eles o adoraram e voltaram para Jerusalém com grande alegria.” Assim,
aprendemos que antes de enviar, Jesus retira para revelar; e depois, retorna
para capacitar — o que se consumou no Pentecostes, quando o Espírito Santo os
revestiu de poder.
A escolha do Monte das Oliveiras não foi por acaso. Jesus
subiu ao céu daquele lugar para deixar uma marca profética sobre Sua volta e
para mostrar que Deus não depende de templos, tradições ou aparência humana. A
glória não está em paredes ou estruturas, mas na própria pessoa de Cristo. Ele
saiu da cidade que O rejeitou para ser exaltado no alto, onde qualquer pessoa,
de qualquer lugar, pode levantar os olhos e lembrar: Ele reina. Como diz Salmos
121:1 (NAA): “Elevo os olhos para os montes: de onde virá o meu socorro?”
E assim Jesus também age conosco. Ele nos retira do “mundo”
— nem sempre fisicamente, mas retirando nossos afetos, nossa identidade, nossa
confiança em coisas terrenas — e nos chama para mais alto, para o “monte da
fé”, onde a visão fica limpa e o coração aprende. Lá Ele nos revela quem Ele é
e, então, nos envia de volta ao cotidiano — para nossas famílias, nossos
trabalhos, nossas cidades — não mais como quem teme, mas como quem carrega a
missão do Cristo vivo.
Jesus primeiro nos leva para fora dos lugares da dor e da
confusão, para então, em Sua presença, abrir nossos olhos, abençoar nossa vida
e nos enviar de volta ao mundo como testemunhas cheias de alegria.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
30/dez/25
Nenhum comentário:
Postar um comentário