O SOFRIMENTO NÃO CALA O TESTEMUNHO

“E vos acontecerá isso para testemunho.” Lucas 21:12,13 (ARC)

Vivemos dias em que muitas pessoas estão enfrentando sofrimentos profundos. Há quem lute contra enfermidades que parecem não ter fim, quem esteja sufocado por dificuldades financeiras, quem carregue dores emocionais silenciosas ou enfrente crises familiares e espirituais. Em momentos assim, surgem perguntas difíceis: vale a pena continuar crendo? Onde está Deus no meio de tudo isso? O que fazer quando as forças parecem acabar? A Palavra de Deus não ignora essas perguntas, e Lucas 21 nos ajuda a enxergar o sofrimento por uma perspectiva diferente.

Jesus nunca prometeu aos seus discípulos uma vida sem dor. Pelo contrário, Ele foi honesto ao dizer que haveria perseguições, rejeições, prisões e perdas. Antes de falar sobre o fim dos tempos, Jesus afirma: “Antes, porém, de todas essas coisas, lançarão as mãos sobre vocês e os perseguirão” (Lucas 21:12, NAA). Em seguida, Ele faz uma declaração surpreendente: “E isto lhes acontecerá para testemunho” (Lucas 21:13, NAA). Ou seja, aquilo que parece derrota, Deus pode transformar em testemunho.

Isso muda completamente a forma como olhamos para o sofrimento. Jesus não romantiza a dor, mas também não a trata como algo inútil. Ele revela que as provações podem se tornar palco da manifestação da fé. Não é apenas sobre falar de Deus, mas sobre revelar quem Deus é por meio de uma vida que permanece fiel mesmo quando tudo parece contrário.

Nos dias de hoje, vemos isso com clareza. Penso em um filho que acompanha sua mãe em um leito de CTI — uma realidade que temos vivido de perto em nossa igreja — e que, ainda assim, escolhe continuar confiando em Deus. Ou em uma família que passa por dificuldades financeiras, mas escolhe manter a honestidade, a fé e a esperança. Ou ainda em alguém injustiçado, que poderia revidar com ódio, mas decide responder com graça. Essas atitudes falam mais alto do que muitos discursos. Elas se tornam testemunho vivo.

Mais adiante, Jesus diz algo ainda mais profundo: “É na perseverança que vocês ganharão a sua alma” (Lucas 21:19, NAA). Aqui, Ele não está falando de merecer a salvação por esforço próprio, mas do resultado de uma fé que permanece firme. Perseverar não é ser passivo, nem fingir que não dói. Perseverar é continuar confiando, mesmo chorando; é seguir em frente, mesmo com medo; é permanecer em Deus, mesmo sem entender tudo.

O mundo diz: “Salve-se como puder, custe o que custar.” Jesus diz o oposto: “Permaneça fiel, custe o que custar.” No Reino de Deus, a vida verdadeira não é preservada pela fuga do sofrimento, mas pela fidelidade a Deus no sofrimento. Pode-se perder bens, segurança, status e até a própria liberdade, mas quem persevera não perde a alma.

Essa verdade tem uma ligação direta com a cruz. Aos olhos humanos, a cruz foi o maior fracasso da história. Um Messias crucificado parecia o fim de tudo. Mas foi ali que Deus revelou Seu maior testemunho de amor, justiça e redenção. Jesus perseverou até o fim. Ele entregou tudo. E, por meio da cruz, veio a ressurreição. Aquilo que parecia derrota tornou-se vitória eterna.

Assim, Jesus ensina aos seus discípulos — a mim e a você — que o sofrimento não precisa ser o fim da história. Ele pode ser o lugar onde Deus se revela de maneira mais profunda. Quando tudo vai bem, a fé passa despercebida. Quando tudo vai mal e, ainda assim, alguém permanece fiel, isso testemunha algo que palavras não conseguem explicar. Enquanto o mundo espera desespero, Cristo produz esperança.

Lucas 21 nos revela uma lógica invertida do Reino. A vida não se ganha segurando tudo, mas entregando. Quem confia totalmente em Deus aprende a perseverar. Quem persevera testemunha. E quem caminha por essa estrada descobre que a alma, guardada por Deus, jamais se perde. O sofrimento não cala o testemunho. Pelo contrário, ele o amplifica.

Quando a fé permanece em meio à dor, o sofrimento deixa de ser derrota e se transforma em testemunho vivo da esperança que só Cristo pode gerar.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

21/dez/25

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