“Diga ao povo
que marche.” Êxodo 14:15 (NAA)
A vida é feita de
escolhas, e muitas delas são decisões sobre qual tempo iremos habitar. Há
momentos em que nos encontramos exatamente como o povo de Israel diante do mar
Vermelho: o passado atrás de nós, o presente nos pressionando e o futuro ainda
invisível, sustentado apenas pela promessa de Deus. Foi nesse cenário que o
Senhor disse algo aparentemente simples, mas profundamente desafiador: “Diga
ao povo que marche.” Êxodo 14:15 (NAA). Não havia estrada, não havia
ponte, não havia explicação lógica. Havia apenas uma palavra e a necessidade de
confiar.
Essa ordem foi dada
quando o mar ainda estava fechado, o exército de Faraó se aproximava e o medo
dominava o coração do povo. Deus não mandou o povo reclamar, nem negociar com o
passado, nem esperar que tudo se resolvesse sozinho. Ele disse: marche. Marchar,
naquele momento, não era um gesto de coragem humana, mas um ato de fé. Era
obedecer mesmo sem entender, era avançar mesmo sem ver, era confiar que Deus
agiria enquanto o povo se movia.
Diante do mar
Vermelho, Israel estava cercado por três tempos bem definidos. O passado era o
Egito, lembrado com saudade pelas “cebolas”. Era uma memória seletiva, pois ali
havia alimento, mas também havia escravidão, dor e humilhação. O passado era
conhecido, previsível, mas aprisionador. Quantas vezes acontece o mesmo
conosco? Pessoas que preferem voltar a velhos hábitos, relacionamentos tóxicos
ou situações que machucam, apenas porque são conhecidas e dão uma falsa
sensação de segurança.
O presente, por sua
vez, era assustador. O povo olhava para frente e via o mar. Olhava para trás e
via o inimigo. Ficar parado parecia mais seguro do que avançar, mas, na
verdade, permanecer ali significava morrer. O presente, quando vivido sem fé,
se torna um lugar de paralisia, medo e desespero. É assim também hoje quando
alguém se sente preso a uma crise financeira, a um diagnóstico difícil ou a uma
situação familiar complicada. O medo faz parecer que não há saída.
O futuro, porém,
era diferente e desconhecido. Ainda invisível, ainda distante, mas sustentado
pela promessa de Deus. Canaã representava liberdade, identidade e uma nova
história. Não era um futuro baseado em circunstâncias, mas na fidelidade do
Senhor. Confiar nesse futuro exigia fé, pois implicava avançar sem garantias
visíveis. Deus estava chamando o povo a não viver prisioneiro do passado nem
refém do medo do presente, mas sustentado pela esperança do que Ele havia
prometido.
Em dois desses
tempos tudo era conhecido. O passado já havia sido vivido: no Egito, eles
haviam construído túmulos, as pirâmides, símbolos de morte e opressão para
glorificar faraós. O presente, se fosse escolhido como permanência, também se
tornaria um lugar de morte, pois ficar parado diante do mar seria como
construir o próprio túmulo. O futuro, porém, era o lugar onde não seriam
erguidos túmulos, mas altares. Altares de adoração ao Deus vivo, o Deus de
Israel. Escolher o futuro da promessa era escolher a vida, a liberdade e a
adoração.
Mas como marchar
sem caminho? Como obedecer quando tudo parece impossível? Marchar significava
ver o invisível, confiar na Palavra antes do milagre e crer na promessa antes
da abertura do mar. O milagre não veio antes da obediência; ele veio depois. A
Bíblia nos mostra que Deus agiu quando Moisés respondeu à ordem do Senhor: “Então
Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar-se o mar por um forte
vento oriental toda aquela noite, e o mar se tornou em terra seca, e as águas
se dividiram.” Êxodo 14:21 (NAA). O princípio é claro: o povo só
marchou porque confiou.
Esse ensinamento
continua atual. Muitas pessoas querem ver o caminho aberto antes de obedecer,
querem segurança antes da fé, querem garantias antes da entrega. Mas Deus
continua dizendo: marche. Dê o primeiro passo. Confie. O caminho se abre
enquanto caminhamos. A vida avança quando escolhemos viver guiados não pelo
medo do agora nem pela saudade do que passou, mas pela fidelidade daquele que
prometeu estar conosco.
A fé não é escolher
o passado conhecido nem se render ao medo do presente, mas marchar em direção
ao futuro que Deus prometeu, confiando que o caminho se abre para quem decide
obedecer.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
28/dez/25
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