FIDELIDADE QUE DEUS VÊ, MESMO QUANDO NINGUÉM VÊ
Vivemos tempos em
que servir a Deus com fidelidade nem sempre é fácil. Muitos cristãos enfrentam
pressões no trabalho, na família, na escola e até dentro da própria sociedade.
Às vezes, seguir a Cristo significa “remar” contra a corrente, ficar em
silêncio quando todos gritam ou manter a fé quando o ambiente não ajuda. A
história de Obadias nos mostra que Deus continua tendo servos fiéis mesmo
quando o cenário espiritual parece totalmente contrário.
Obadias vivia em um
contexto muito difícil. Ele era administrador do palácio do rei Acabe, um rei
que havia se afastado do Senhor e se deixado dominar pela influência de
Jezabel. Jezabel perseguia os profetas de Deus e promovia a idolatria em
Israel. Servir ao Senhor naquele tempo não era apenas desconfortável, era
perigoso. Mesmo assim, a Bíblia registra algo precioso sobre Obadias: ele
temia ao Senhor desde jovem (1 Reis 18:3). Sua fé não dependia das
circunstâncias. Ela vinha do coração.
Quando Jezabel
decidiu matar os profetas do Senhor, Obadias poderia ter se omitido. Poderia
ter pensado primeiro em sua posição, em sua segurança ou em seu futuro. Mas ele
escolheu fazer o que era certo diante de Deus. Ele escondeu cem profetas em
cavernas e os sustentou com pão e água. Ele fez isso em silêncio, longe dos
holofotes, correndo riscos reais. Sua fidelidade não foi vista pelo povo, mas
foi vista por Deus. E Deus usou essa fidelidade para preservar vidas.
Muitas vezes,
pensamos que servir a Deus significa sempre estar em destaque, falar em público
ou enfrentar grandes confrontos. Mas a história de Obadias nos mostra que o
Reino de Deus também avança nos bastidores. Avança quando alguém ajuda em
segredo. Quando alguém protege, sustenta e cuida, mesmo sem reconhecimento.
Hoje isso acontece quando um cristão permanece honesto em um ambiente corrupto,
quando alguém ora em silêncio por outros ou quando alguém escolhe fazer o bem
mesmo sem aplausos.
Mais tarde, Obadias
encontra o profeta Elias. Nesse encontro, vemos o lado humano de Obadias. Ele
sente medo. Ele teme ser morto se Elias desaparecer novamente, como já havia
acontecido antes. Obadias não é apresentado como um herói sem falhas. Ele é um servo
fiel que também enfrenta conflitos internos. Ainda assim, ele obedece. Ele
confia na palavra do Senhor e vai até Acabe anunciar a presença de Elias.
Essa parte da
história nos ensina algo muito importante: fidelidade não é ausência de medo.
Fidelidade é obedecer mesmo com medo. Muitas vezes, achamos que só servimos bem
a Deus quando estamos totalmente seguros e confiantes. Mas Deus usa pessoas
reais, com limitações, medos e lutas. O que Ele procura é um coração disposto a
obedecer.
Obadias nos lembra
que nem todos são chamados para confrontos públicos como Elias. Alguns são
chamados para sustentar a obra em silêncio – na oração. Ambos são importantes.
Deus usa os Elias, que aparecem diante do povo, e usa os Obadias, que trabalham
nos bastidores. O Reino de Deus cresce tanto no púlpito quanto fora dele.
Hoje, Deus continua
olhando para o coração. Ele vê o cristão que permanece fiel no trabalho, mesmo
sendo pressionado a agir errado. Ele vê a mãe ou o pai que ensina os filhos no
caminho do Senhor em um mundo confuso. Ele vê o jovem que decide seguir a Cristo
mesmo sendo zombado. Nada disso passa despercebido aos olhos do Senhor.
A história de
Obadias nos encoraja a permanecer firmes. Onde Deus nos colocar, ali devemos
servi-lo com temor, integridade e coragem. Mesmo que ninguém perceba, Deus
percebe. Mesmo que pareça pequeno, Deus usa. A fidelidade que nasce no coração
sempre produz frutos no tempo certo.
A fidelidade que
Deus mais usa nem sempre é a que aparece, mas a que permanece firme quando só
Ele está
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
31/jan/26
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