“Mas longe
esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela
qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo.” Gálatas
6:14 (NAA)
John Stott nos
lembra de uma verdade profunda: ao se entregar no Calvário, Cristo deu origem a
uma nova comunidade, formada por aqueles que Lhe pertencem. Os membros desse
povo são chamados a amar-se mutuamente com zelo sincero e a viver com o
propósito de servir e anunciar o evangelho da salvação.
Essa comunidade é
uma unidade renovada, reunida sob a liderança de Cristo, que é o Cabeça. Essa
comunidade é a Igreja de Cristo. Ela não nasce de afinidades humanas nem de
fronteiras culturais, mas da obra redentora de Jesus. Por isso, é formada por
pessoas de todas as partes do mundo, de todas as culturas e de todas as
histórias.
Para que essa nova
comunidade existisse, Cristo precisou trilhar o caminho da solidão. Ele morreu
sozinho — rejeitado pelos seus e abandonado até pelos discípulos mais próximos.
Quando foi levantado no madeiro, carregou sobre si o peso do pecado e, ao mesmo
tempo, passou a atrair para si homens e mulheres pecadores, arrancados de uma
geração corrompida e sem esperança.
Da cruz nasceu um
povo. No Pentecostes, essa nova sociedade foi confirmada e tornada visível pelo
poder do Espírito Santo. A Igreja surgiu como uma alternativa ao mundo, não
moldada por seus valores, mas centrada em Cristo, vivendo sob a sua autoridade
e para a sua glória.
Assim, a Igreja não
é apenas uma reunião de pessoas, mas uma comunidade redimida, reconciliada e
conduzida pelo Senhor ressuscitado, chamada a viver de modo distinto em meio a
um mundo quebrado.
Duas marcas
essenciais definem essa comunidade e não podem ser separadas: a fidelidade
pessoal a Jesus e a participação ativa na vida em comunidade. Juntas, elas
formam o testemunho vivo dessa nova sociedade que Ele criou.
O Novo Testamento
dedica boa parte de seu conteúdo para descrever essa nova realidade: suas
crenças, valores, padrões, deveres e destino. Essa comunidade é conhecida como
a Igreja Fiel, mas poderíamos, sem receio, chamá-la de “a comunidade da cruz”.
Ela nasceu por meio da cruz e continua a viver, até o dia do arrebatamento,
pela cruz e sob a sua autoridade.
A cruz governa a
perspectiva e o comportamento desse povo, transformando radicalmente todos os
seus relacionamentos — com Deus, consigo mesmo e com as pessoas, sejam elas de
dentro ou de fora da comunidade. A cruz não é apenas um símbolo que identifica,
mas um estandarte sob o qual milhares de pessoas, rendidas a esse evangelho,
marcham lado a lado. É a bússola que aponta o caminho em um mundo desorientado
e a luz que guia em meio às densas trevas.
Para essa igreja, a
cruz é mais que um acontecimento histórico; é o centro de sua identidade e
missão. Ela apresenta a solução para os maiores problemas que afligem o mundo:
a violência, o sofrimento, a falta de amor e, acima de tudo, a necessidade de
vida eterna. Por isso, viver como parte dessa comunidade significa carregar,
com alegria e compromisso, a mensagem da cruz, anunciando-a com palavras e
demonstrando-a com atitudes.
Assim, a comunidade
da cruz não existe para exaltar a si mesma, mas para exaltar Cristo. É formada
por pessoas que compreenderam que seu valor, propósito e destino não são
definidos pelo que o mundo diz, mas pelo que foi conquistado no Calvário. E,
enquanto marcham juntas, sustentadas pela graça, têm um só alvo: que todos
conheçam Aquele que morreu e ressuscitou para formar um povo exclusivamente
Seu, zeloso de boas obras — um povo de mente renovada, que experimenta, a cada
passo, a boa, agradável e perfeita vontade do Senhor.
E você? Já conhece
essa comunidade? Faz parte dela? Gostaria de fazer? A porta de entrada está
aberta e o convite é pessoal: arrependa-se, creia no evangelho e una-se ao povo
que vive para a glória de Cristo, caminhando sob a bandeira da cruz até o dia em
que Ele voltar para buscá-lo.
A comunidade da
cruz nasceu no Calvário, vive sob a autoridade de Cristo e caminha unida para
tornar conhecido, em todo o mundo, o poder transformador da cruz.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
11/jan/26
Nenhum comentário:
Postar um comentário