NO MEIO DA BABILÔNIA, PERMANEÇA DE PÉ
“E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os
transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a boa,
agradável e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12:2 (NAA)
A história do povo de Deus nos ajuda a entender como o
ambiente em que vivemos pode mudar quem somos, se não estivermos atentos. Na
Bíblia, vemos o que aconteceu com Israel quando foi levado para a Babilônia.
Antes do cativeiro, os judeus falavam hebraico. Depois de muitos anos vivendo
em meio a outra cultura, costumes e religiões, passaram a falar aramaico. É
como alguém que muda de país e, com o tempo, começa a pensar e falar como
aquele povo. Eles não apenas mudaram de idioma; aos poucos, começaram a mudar
internamente. A Babilônia não só dominou o corpo, mas também tentou moldar a
mente.
Há uma palavra que explica esse perigo: mescla. A mescla
espiritual é quando misturamos nossa fé com valores, crenças e práticas que não
vêm de Deus. O coração, que deveria ser exclusivo do Senhor, se divide. Aquilo
que era claro se torna relativo. O que antes era firme se torna frágil. E,
pouco a pouco, o adorador se distancia de seu propósito: servir ao Deus vivo
com entrega total. Jesus disse: Mateus 6:24 (NAA) “Ninguém pode servir a
dois senhores.”
Os assírios, um povo que dominou Israel antes dos
babilônios, tinham uma estratégia cruel para destruir a identidade das nações.
Eles misturavam povos. Quando venciam uma nação, tiravam as pessoas do seu
território e colocavam gente de outros países para morar naquela terra. Assim,
uma cultura se misturava à outra até não ser mais possível saber quem era quem.
A Bíblia diz: 2 Reis 17:24 (NAA) “O rei da Assíria trouxe gente da
Babilônia, de Cuta, de Ava, de Hamate e de Sefarvaim, e os fez habitar nas
cidades de Samaria, em lugar dos israelitas.” Eles sabiam que, quando
um povo perde sua língua, sua memória, suas tradições e sua fé, ele perde
também sua alma.
Quando os medo-persas venceram Babilônia e deram liberdade
para os judeus voltarem para casa, muitos não quiseram. Tinham negócios,
propriedades, conforto na Babilônia. Era mais fácil ficar do que voltar e
recomeçar. Eles formaram a Diáspora, os judeus que se espalharam pelo mundo.
Podemos julgá-los, mas será que não fazemos o mesmo? Quantas vezes Deus chama
para um recomeço, mas o conforto fala mais alto?
Ao mesmo tempo, algo surpreendente aconteceu. Mesmo vivendo
na capital dos ídolos, os judeus fiéis não se curvaram. Eles foram colocados no
meio de uma cultura pagã, mas não deixaram o paganismo entrar neles. Sobre esse
tipo de pessoa a Bíblia diz: “Pelo contrário, seu prazer está na lei do
Senhor, e nessa lei ele medita dia e noite. Ele é como árvore plantada junto a
corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto.” Salmos 1:2–3
(NAA). No meio da idolatria, eles foram curados da idolatria. No meio da
infidelidade, permaneceram fiéis. No meio da imoralidade, permaneceram puros.
Saíram do cativeiro mais fortes do que entraram.
Isso tem tudo a ver com os nossos dias. Hoje, não estamos em
uma Babilônia física, mas vivemos em um mundo que tenta nos moldar. A cultura
muda nossa linguagem espiritual. Antes, falar de Jesus era natural. Hoje,
muitos têm vergonha ou evitam. A sociedade relativiza valores. O que era certo
e errado agora depende da opinião da maioria. Há mistura de crenças. Muitas
pessoas dizem “tenho fé”, mas essa fé está cheia de autoajuda, misticismo,
espiritualidade de internet, sem cruz, sem Bíblia, sem Cristo. O conforto
também nos prende. Assim como os judeus que ficaram na Babilônia porque tinham
dinheiro e negócios, há quem permaneça longe de Deus por causa da carreira, da
rotina ou de um estilo de vida que não quer abandonar.
Romanos 12:2 (NAA) diz: “E não vivam conforme os
padrões deste mundo…” ou seja, não deixe o mundo te formar por fora.
Deus quer transformar você por dentro. Hoje, Babilônia é tudo aquilo que tenta
redefinir quem somos. O perigo não é viver no mundo. O perigo é deixar o mundo
viver dentro de nós. A cura está em permanecer um povo que pertence ao Senhor.
Se decidirmos guardar a fé, viver com disciplina espiritual
(oração e Palavra), caminhar com irmãos em Cristo e lembrar que somos luz,
então mesmo dentro de uma Babilônia moderna, continuaremos de pé. Porque nossa
identidade não vem do lugar onde estamos, mas do Deus a quem pertencemos.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
22/jan/26
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