Há momentos na vida
em que as respostas humanas já não são suficientes. Conversamos, lemos,
buscamos explicações, tentamos entender o que está acontecendo, mas, mesmo
assim, o coração continua inquieto. Isso acontece com muita gente hoje.
Pessoas que
trabalham, estudam, cuidam da família e alcançam muitas conquistas, mas, ainda
assim, sentem um vazio difícil de explicar. Foi exatamente isso que aconteceu
com Tolstói, um escritor russo muito conhecido e respeitado em seu tempo.
Apesar do sucesso, da fama e do reconhecimento, ele chegou a um ponto em que se
fez uma pergunta simples e profunda: por que continuar vivendo?
Tolstói percebeu
algo que muitas pessoas só aprendem depois de muito sofrimento. A mente, a
ciência e as experiências que compartilhamos podem explicar muitas coisas, mas
não conseguem cuidar do coração nem suprir as necessidades da alma. Pensar
ajuda, estudar ajuda, conversar ajuda, mas nada disso preenche o vazio interior
quando a vida perde o sentido. É como alguém que tem tudo por fora, mas sente
um peso grande por dentro.
Quando chegamos a
esse ponto, entendemos que não precisamos apenas de explicações, mas de
esperança. E a Bíblia nos mostra que essa esperança está em Jesus Cristo. Não
se trata de um pensamento positivo ou de uma ideia bonita para confortar a
mente, mas de um apoio firme que sustenta a vida. É por isso que a Palavra de Deus
nos ensina: “Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem
cuidado de vocês.” 1 Pedro 5:7 (NAA). É nesse momento que a fé aparece.
Não como uma regra difícil de seguir ou um discurso religioso complicado, mas
como algo necessário para continuar vivendo.
Tolstói observou
que pessoas simples, sem grandes explicações, seguiam em frente. Elas
trabalhavam, enfrentavam dificuldades, amavam, choravam, erravam, acertavam e
não desistiam da vida. Essas pessoas não tentavam entender tudo com a mente.
Elas recebiam a vida como um presente de Deus. Para elas, a fé não era teoria,
era sustento diário. Como a Bíblia diz: “Porque vivemos por fé e não pelo
que vemos.” 2 Coríntios 5:7 (NAA)
A grande mudança
acontece quando entendemos que fé não é o contrário de pensar. A fé começa
quando percebemos que nem tudo conseguimos explicar. Crer não é fingir que as
perguntas não existem, mas decidir confiar em Deus mesmo quando as respostas
não aparecem. É reconhecer que não damos conta de tudo sozinhos. É aceitar que
precisamos de algo maior do que nós mesmos para seguir em frente.
Tolstói passou a
compreender que a fé é aquilo que devolve sentido à vida. Não se trata de uma
fé reduzida a costumes religiosos ou a regras externas, mas de uma fé viva,
capaz de reconectar o ser humano ao seu Criador. Ele encontrou esse caminho nas
palavras simples e profundas de Jesus, especialmente no Sermão do Monte,
registrado em Mateus, capítulos 5 a 7 — leitura que sempre merece atenção
cuidadosa. Ali estão ensinamentos que não servem apenas para explicar a vida,
mas para nos ensinar a vivê-la no cotidiano, com amor, humildade, perdão e
confiança em Deus.
Essa confissão
também exige humildade. Tolstói reconheceu que sua incredulidade não era
neutralidade, mas orgulho. Ao rejeitar a fé, ele havia colocado a si mesmo no
centro. Crer, ao contrário, é sair do centro. É reconhecer limites. É aceitar
que o sentido da vida não nasce em nós, mas nos é dado por Deus. Como a
Escritura afirma: “Pois nele vivemos, nos movemos e existimos.” Atos
17:28 (NAA)
No fim, Tolstói não
disse que todas as dúvidas desapareceram. A fé não elimina todas as perguntas.
Ela apenas devolve o chão. Ensina-nos a caminhar mesmo sem enxergar tudo com
clareza. Ensina-nos a viver confiando antes de compreender completamente.
Hoje, esta palavra
nos convida a uma confissão simples e sincera: nós não nos sustentamos
sozinhos. Precisamos de Deus para continuar vivendo com sentido. A fé não é a
ausência de crises, mas a presença de esperança no meio delas. Ele é quem nos
sustenta, dia após dia.
A fé começa
quando reconhecemos que não damos conta sozinhos e escolhemos confiar em Deus,
mesmo quando nem tudo faz sentido.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
16/jan/26
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