QUANDO O FIM VALE MAIS QUE O COMEÇO
“Melhor é o
fim das coisas do que o seu começo; melhor é o paciente do que o orgulhoso.”
— Eclesiastes 7:8 (NAA)
Vivemos em uma
cultura apaixonada por começos. Celebramos lançamentos, inauguramos projetos,
aplaudimos o primeiro passo e nos empolgamos com promessas de um novo tempo. É
comum ouvir que o importante é começar bem. No entanto, a sabedoria bíblica nos
convida a olhar mais longe. O escritor de Eclesiastes nos lembra que o valor
real de qualquer jornada não se revela no início, mas no fim. Não é o
entusiasmo da largada que define uma vida bem vivida, e sim a fidelidade que a
sustenta até o término.
No começo de um
novo ano, por exemplo, fazemos planos, traçamos metas e alimentamos
expectativas. Muitas delas nascem boas e legítimas. Ainda assim, quando não são
acompanhadas de paciência e perseverança, facilmente se transformam em
ansiedade. Começamos dietas, cursos, projetos espirituais e compromissos com
Deus cheios de energia. Com o passar do tempo, surgem os desafios, as demoras e
as frustrações. É nesse ponto que o ensino de Eclesiastes se torna prático: o
que realmente importa não é apenas iniciar, mas permanecer fiel até o fim.
O texto também nos
conduz a uma reflexão sobre o coração. Ao afirmar que o paciente é melhor do
que o orgulhoso, a Escritura aponta para duas posturas opostas diante da vida.
A paciência aprende a esperar, aceita processos e confia que o tempo faz parte da
obra de Deus. O orgulho, por sua vez, se apoia na pressa, na autoconfiança
exagerada e na aparência do começo. Ele quer resultados imediatos,
reconhecimento rápido e sucesso visível. Muitas vezes, essa postura faz a
pessoa desistir no meio do caminho, justamente quando o caráter está sendo
formado.
Isso se aplica de
forma clara à caminhada cristã. A vida com Deus não se constrói em momentos
isolados de empolgação, mas em uma obediência diária, silenciosa e
perseverante. Há quem comece bem na fé, frequente a igreja com alegria e abrace
responsabilidades com entusiasmo. Contudo, quando as respostas não chegam no
tempo esperado ou quando surgem provações, a caminhada perde força. A Palavra
nos orienta a lidar com a ansiedade de outra forma, lançando sobre Deus nossas
preocupações, confiando que Ele cuida de nós, como aprendemos em 1 Pedro 5:7.
No cotidiano, vemos
exemplos claros desse princípio. Um casamento não se sustenta apenas pela
emoção do início, mas pela paciência de quem aprende a amar nos dias difíceis.
Uma carreira profissional não se consolida apenas pelo primeiro emprego, mas
pela constância, ética e perseverança ao longo dos anos. Da mesma forma, um
ministério não se mede pelo impacto inicial, e sim pela fidelidade ao chamado
ao longo do tempo. O fim revela o caráter; o começo apenas anuncia intenções.
Deus se agrada mais
da constância do que do brilho inicial. Ele observa o coração que permanece
humilde, dependente e disposto a aprender. A paciência, nesse sentido, não
representa passividade, mas confiança ativa. É continuar caminhando mesmo
quando os resultados ainda não aparecem, sabendo que o Senhor trabalha nos
processos tanto quanto nos resultados.
Eclesiastes 7:8 nos
convida a uma mudança de perspectiva. Em vez de viver ansiosos por começos,
somos chamados a viver comprometidos com finais honrosos. Em vez de orgulho
pela largada, somos chamados à humildade que sustenta a caminhada. Quem aprende
a esperar em Deus descobre que o fim, quando entregue ao Senhor, sempre carrega
mais sentido do que o início mais promissor.
Deus não
avalia a nossa vida pelo entusiasmo do começo, mas pela fidelidade que nos
conduz até o fim.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
08/jan/26
Nenhum comentário:
Postar um comentário