QUANDO A SOLIDÃO
ENTRA EM CASA
Nunca estivemos tão próximos fisicamente e, ao mesmo tempo,
tão distantes emocionalmente. A solidão, hoje, muitas vezes caminha no meio da
multidão e, não raramente, se instala dentro do próprio lar. Pessoas dividem o
mesmo teto, dormem na mesma casa, sentam-se no mesmo sofá, mas vivem em mundos
diferentes, desconectadas umas das outras.
É comum, em nossos dias, cada um chegar em casa, pegar o
celular e ir para um canto. O pai, a mãe, os filhos — todos mergulhados em
telas, mensagens, vídeos e redes sociais. O silêncio toma conta da casa, não um
silêncio de paz, mas de ausência. Estamos juntos, mas desligados. Presentes
fisicamente, porém emocionalmente distantes.
Antigamente, as famílias se reuniam em torno das fogueiras.
Ali compartilhavam os acontecimentos do dia, as alegrias, as dificuldades, os
medos e as esperanças. Mais recentemente, esse encontro passou a acontecer ao
redor da mesa do jantar. A refeição era um momento sagrado de conversa, escuta
e convivência. Hoje, muita coisa mudou. A mesa continua ali, mas o diálogo foi
substituído pelas telas. O olhar foi trocado pelas notificações. A escuta foi
interrompida pela pressa.
Essa desconexão cotidiana tem produzido uma solidão
silenciosa dentro dos lares. Crianças crescem sem serem ouvidas. Casais
convivem sem se encontrar de verdade. Pais e filhos dividem o espaço, mas não o
coração. A solidão, assim, deixou de ser apenas um problema individual e se
tornou um sério problema emocional e social, afetando a saúde, o ânimo e a
esperança de muitas famílias.
A solidão machuca porque toca áreas sensíveis da alma. Ela
gera um desamparo emocional profundo, como se ninguém percebesse o que está
sendo vivido por dentro. Há lares cheios de gente, mas vazios de afeto. Pessoas
que sorriem fora de casa, mas se sentem invisíveis dentro dela. Ainda assim, a
Palavra de Deus nos traz consolo e direção: o Senhor não abandona os que
clamam, mesmo em silêncio.
O salmista declara algo forte e real: “Ainda que o meu
pai e a minha mãe me abandonem, o Senhor me acolherá.” Salmos 27:10
(NAA). Ele reconhece que até os relacionamentos mais próximos podem falhar.
Famílias falham, lares falham, pessoas falham. Não por maldade, mas por
limitação humana. Porém, acima de todas as relações, existe uma presença
constante, fiel e acolhedora: Deus.
Muitas vezes, a solidão no lar nasce quando cada um passa a
buscar satisfação em coisas que não preenchem o coração. Espera-se que o
celular distraia, que a televisão silencie o vazio, que a internet substitua o
relacionamento. No entanto, o vazio permanece. A Bíblia nos ensina que só Deus
consegue ocupar o lugar mais profundo da alma humana.
O Senhor se apresenta como aquele que está presente mesmo
quando o diálogo acaba e o silêncio pesa. Ele não observa a dor de longe; Ele
se aproxima. O profeta Isaías nos lembra disso com palavras de esperança: “Não
tema, porque eu estou com você; não fique com medo, porque eu sou o seu Deus;
eu o fortaleço, e o ajudo, e o sustento com a minha mão direita vitoriosa.” Isaías
41:10 (NAA). Essa promessa reafirma que, espiritualmente, nunca estamos
sozinhos.
Jesus reforça essa verdade de forma clara e definitiva. Ele
declarou: “E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos.”
Mateus 28:20 (NAA). Essa presença não depende do clima dentro de casa, da fase
da família ou das falhas humanas. Cristo continua presente, pronto para
restaurar vínculos, curar feridas e reacender o diálogo.
Para quem está começando na fé, essa verdade é essencial.
Seguir Jesus não elimina automaticamente os conflitos familiares ou a solidão,
mas muda a forma como lidamos com eles. Agora, não caminhamos mais sozinhos. Há
um Deus que entra em nossas casas, senta-se à mesa conosco e nos ensina a amar,
ouvir e cuidar.
Deus não promete lares perfeitos, mas promete Sua presença
fiel. Quando Ele ocupa o centro, a solidão perde espaço, o diálogo retorna e o
coração encontra descanso. Mesmo quando todos parecem desconectados, existe um
lugar seguro onde a alma pode repousar: a presença do Senhor.
A solidão cresce quando o diálogo se cala, mas perde força
quando Deus volta a ocupar o centro do lar.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
25/jan/26
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