QUANDO A SOLIDÃO ENTRA EM CASA

Ainda que o meu pai e a minha mãe me abandonem, o Senhor me acolherá.”
Salmos 27:10 (NAA)

Nunca estivemos tão próximos fisicamente e, ao mesmo tempo, tão distantes emocionalmente. A solidão, hoje, muitas vezes caminha no meio da multidão e, não raramente, se instala dentro do próprio lar. Pessoas dividem o mesmo teto, dormem na mesma casa, sentam-se no mesmo sofá, mas vivem em mundos diferentes, desconectadas umas das outras.

É comum, em nossos dias, cada um chegar em casa, pegar o celular e ir para um canto. O pai, a mãe, os filhos — todos mergulhados em telas, mensagens, vídeos e redes sociais. O silêncio toma conta da casa, não um silêncio de paz, mas de ausência. Estamos juntos, mas desligados. Presentes fisicamente, porém emocionalmente distantes.

Antigamente, as famílias se reuniam em torno das fogueiras. Ali compartilhavam os acontecimentos do dia, as alegrias, as dificuldades, os medos e as esperanças. Mais recentemente, esse encontro passou a acontecer ao redor da mesa do jantar. A refeição era um momento sagrado de conversa, escuta e convivência. Hoje, muita coisa mudou. A mesa continua ali, mas o diálogo foi substituído pelas telas. O olhar foi trocado pelas notificações. A escuta foi interrompida pela pressa.

Essa desconexão cotidiana tem produzido uma solidão silenciosa dentro dos lares. Crianças crescem sem serem ouvidas. Casais convivem sem se encontrar de verdade. Pais e filhos dividem o espaço, mas não o coração. A solidão, assim, deixou de ser apenas um problema individual e se tornou um sério problema emocional e social, afetando a saúde, o ânimo e a esperança de muitas famílias.

A solidão machuca porque toca áreas sensíveis da alma. Ela gera um desamparo emocional profundo, como se ninguém percebesse o que está sendo vivido por dentro. Há lares cheios de gente, mas vazios de afeto. Pessoas que sorriem fora de casa, mas se sentem invisíveis dentro dela. Ainda assim, a Palavra de Deus nos traz consolo e direção: o Senhor não abandona os que clamam, mesmo em silêncio.

O salmista declara algo forte e real: “Ainda que o meu pai e a minha mãe me abandonem, o Senhor me acolherá.” Salmos 27:10 (NAA). Ele reconhece que até os relacionamentos mais próximos podem falhar. Famílias falham, lares falham, pessoas falham. Não por maldade, mas por limitação humana. Porém, acima de todas as relações, existe uma presença constante, fiel e acolhedora: Deus.

Muitas vezes, a solidão no lar nasce quando cada um passa a buscar satisfação em coisas que não preenchem o coração. Espera-se que o celular distraia, que a televisão silencie o vazio, que a internet substitua o relacionamento. No entanto, o vazio permanece. A Bíblia nos ensina que só Deus consegue ocupar o lugar mais profundo da alma humana.

O Senhor se apresenta como aquele que está presente mesmo quando o diálogo acaba e o silêncio pesa. Ele não observa a dor de longe; Ele se aproxima. O profeta Isaías nos lembra disso com palavras de esperança: “Não tema, porque eu estou com você; não fique com medo, porque eu sou o seu Deus; eu o fortaleço, e o ajudo, e o sustento com a minha mão direita vitoriosa.” Isaías 41:10 (NAA). Essa promessa reafirma que, espiritualmente, nunca estamos sozinhos.

Jesus reforça essa verdade de forma clara e definitiva. Ele declarou: “E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos.” Mateus 28:20 (NAA). Essa presença não depende do clima dentro de casa, da fase da família ou das falhas humanas. Cristo continua presente, pronto para restaurar vínculos, curar feridas e reacender o diálogo.

Para quem está começando na fé, essa verdade é essencial. Seguir Jesus não elimina automaticamente os conflitos familiares ou a solidão, mas muda a forma como lidamos com eles. Agora, não caminhamos mais sozinhos. Há um Deus que entra em nossas casas, senta-se à mesa conosco e nos ensina a amar, ouvir e cuidar.

Deus não promete lares perfeitos, mas promete Sua presença fiel. Quando Ele ocupa o centro, a solidão perde espaço, o diálogo retorna e o coração encontra descanso. Mesmo quando todos parecem desconectados, existe um lugar seguro onde a alma pode repousar: a presença do Senhor.

A solidão cresce quando o diálogo se cala, mas perde força quando Deus volta a ocupar o centro do lar.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

25/jan/26

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