“Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como uma criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo.” Salmos 131:2 (NAA)
O
Salmo 131 faz parte dos chamados Cânticos de Degraus, entoados pelo povo de
Israel durante as subidas a Jerusalém para as grandes festas. Jerusalém ficava
em região elevada, e cada peregrinação exigia esforço, tempo e perseverança.
Mas essa subida não era apenas física; ela simbolizava uma jornada espiritual.
À medida que o povo se aproximava do templo, o coração precisava ser preparado
para estar diante de Deus.
É
nesse contexto que o Salmo 131 se destaca. Ele não fala de pedidos, milagres ou
grandes feitos, mas de algo ainda mais profundo: o estado do coração. O
salmista declara que seu coração não é soberbo, que seus olhos não são altivos
e que sua alma foi aquietada. Isso nos ensina que não se chega à presença de
Deus com pressa, orgulho ou ansiedade, mas com humildade e descanso.
Vivemos
em um tempo marcado pela inquietação. Muitos carregam o coração acelerado, a
mente sobrecarregada e a alma cansada. Mesmo servindo a Deus, é possível estar
interiormente agitado. Por isso, este salmo nos convida a uma pausa espiritual.
Ele nos chama a olhar para dentro e a perguntar: como está a minha alma hoje?
Querido,
faça agora esse exercício diante de Deus. Seu coração está ansioso? Ferido?
Magoado? Cansado? Carregado por preocupações que poucos conhecem? Não tenha
medo de reconhecer isso. Deus não se assusta com o que encontramos dentro de
nós. Pelo contrário, Ele nos convida a trazer tudo à Sua presença.
A
imagem usada pelo salmista é poderosa: a criança desmamada nos braços da mãe.
Essa criança já não chora por alimento. Ela aprendeu que a mãe é mais do que
provisão; ela é presença, segurança e cuidado. Essa imagem fala de maturidade
espiritual. É a alma que já não se aproxima de Deus apenas para pedir, exigir
ou reclamar, mas para descansar nEle.
Quantas
vezes nossa oração é agitada? Cheia de palavras, listas, explicações e
ansiedade. O Salmo 131 nos ensina que existe uma oração mais profunda: a oração
do silêncio confiante. Às vezes, orar é apenas estar diante de Deus, sem
pressa, sem argumentos, sem exigências. É permitir que Ele aquiete aquilo que
nós não conseguimos controlar.
Esse
salmo, portanto, é um modelo de coração e, por consequência, um modelo de
oração. Um coração aquietado gera uma oração simples e verdadeira. Uma oração
madura nasce de um coração humilde. A peregrinação espiritual acontece quando,
ao longo do caminho, Deus vai tratando nosso interior, silenciando disputas,
curando feridas e nos ensinando a confiar.
A
maturidade espiritual não está em grandes realizações, nem em compreender todos
os mistérios de Deus. Ela se revela quando aprendemos a descansar nEle. Quando
deixamos de competir, de nos comparar e de tentar controlar tudo. Quando
reconhecemos que Deus é suficiente.
Talvez
hoje o Senhor esteja te convidando a isso: calar a alma, aquietar o coração e
descansar. Não é desistir da caminhada, mas aprender a caminhar com confiança.
Não é negar a dor, mas entregá-la. Não é deixar de orar, mas orar com o coração
rendido.
Que possamos nos colocar diante do
Senhor como essa criança desmamada, aquietada nos braços do Pai, confiando que
Ele cuida, sustenta e conduz. Porque quem aprende a descansar em Deus encontra
paz, mesmo em meio às subidas da vida.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
19/jan/26
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