CEIA DO SENHOR, UM ENCONTRO VIVO COM CRISTO

“Pois quem come o pão ou bebe o cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor. Examine-se, pois, cada um a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si.”  1 Coríntios 11:27-29 (NAA)

Esta semana, em algumas de nossas igrejas, o povo do Senhor foi convidado pelo próprio Senhor a nos assentamos à Sua mesa para participar da Ceia. Este é um dos momentos mais profundos da vida cristã. Não se trata apenas de um ritual da igreja nem de um costume que repetimos por tradição; é um memorial vivo que nos conduz ao sacrifício de Cristo, fortalece a comunhão do Seu povo e reacende em nós a esperança da Sua volta.

Ao nos aproximarmos da mesa, somos convidados a lembrar, com reverência e gratidão, do amor que nos alcançou na cruz. A Ceia nos chama a desacelerar o coração, a examinar a vida e a renovar nossa fé naquele que se entregou por nós. Mais do que um ato litúrgico, é um encontro espiritual — um momento em que a graça nos reúne, a esperança nos sustenta e o amor de Cristo nos recorda que pertencemos a Ele.

O apóstolo Paulo foi muito claro ao corrigir a igreja de Corinto porque muitos participavam da Ceia sem entender o seu verdadeiro sentido. Ele usou uma expressão forte: “discernir o corpo”. Isso significa reconhecer que a Ceia nos faz olhar para o passado, lembrando a cruz, para o presente, vivendo a unidade como igreja, e para o futuro, proclamando com fé que Jesus voltará para nos buscar.

Discernir o corpo significa perceber espiritualmente o que está acontecendo ali. O pão não é apenas um pedaço de alimento, e o cálice não é apenas uma bebida. Eles representam a entrega de Cristo na cruz, sua morte em nosso lugar, e ao mesmo tempo lembram que nós, a igreja, somos o corpo de Cristo unidos pela fé e que aguardamos Sua volta. Participar da Ceia sem compreender isso é tratá-la como algo comum, vazio, sem reverência e sem esperança no futuro prometido por Cristo.

No tempo de Paulo, a Ceia acontecia em meio a refeições comunitárias. Cada família levava algo para compartilhar, mas em Corinto os mais ricos comiam em excesso e até se embriagavam, enquanto os mais pobres ficavam sem nada. Essa falta de consideração feria a comunhão e desrespeitava o sentido da Ceia. Paulo então os repreendeu e disse: “Se alguém tem fome, coma em casa.”  1 Coríntios 11:34(NAA) Ele queria deixar claro que a Ceia não era para satisfazer o estômago, mas para recordar Cristo, afirmar a unidade da igreja e reafirmar a esperança de sua volta.

Esse problema não ficou no passado. Ainda hoje corremos o risco de participar da Ceia sem discernir o corpo. Podemos nos acostumar tanto ao momento que o fazemos de forma automática, sem reflexão. Há quem veja apenas como uma tradição, um rito repetido, mas não como um encontro profundo com Cristo e com a expectativa da sua vinda. Outros participam sem examinar o coração, sem confessar pecados, sem lembrar que ali renovamos nossa fé na obra da cruz e reafirmamos nossa esperança na volta de Jesus.

Discernir o corpo também significa reconhecer a unidade da igreja. Paulo nos lembra que não podemos participar da Ceia enquanto desprezamos nossos irmãos. O cálice que partilhamos é o mesmo para todos, e o pão que comemos aponta para um só corpo. Isso nos ensina que não há lugar para divisões, rancores ou indiferença. Quando um cristão participa da Ceia guardando mágoa contra outro, ou ignorando o sofrimento do próximo, ele não está discernindo o corpo, nem vivenciando a esperança da vinda do Senhor.

Nos dias de hoje, isso pode ser visto em atitudes como desprezar os irmãos mais simples, alimentar rivalidades dentro da igreja, ou até mesmo participar da Ceia sem se importar com a vida comunitária. É como se disséssemos que estamos em comunhão com Cristo, mas não com o corpo que é a sua igreja e sem olhar para a promessa de sua volta. O apóstolo João nos lembra: “Aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.”  1 João 4:20 (NAA)

A palavra usada por Paulo no grego é “diakrinó”, que significa distinguir, perceber e compreender espiritualmente. Não é apenas um ato racional, mas uma percepção espiritual que reconhece o valor da Ceia, que nos conecta ao sacrifício de Cristo, à unidade do corpo e à expectativa de sua vinda. É olhar para o pão e o cálice e ver além dos elementos físicos, enxergando Cristo crucificado e aguardando sua volta.

Discernir o corpo é, portanto, um chamado a participar com fé, gratidão e reverência. Antes de tomar do cálice, somos convidados a examinar nossa vida diante de Deus. Não se trata de afastar-nos da mesa do Senhor por causa da nossa indignidade, mas de nos aproximarmos em arrependimento, reconhecendo nossa necessidade da graça. A Ceia não é para os perfeitos, mas para aqueles que confessam sua fraqueza, dependem do sacrifício de Cristo e esperam a sua vinda.

Podemos pensar em exemplos práticos para os nossos dias. Imagine alguém que, no momento da Ceia, está distraído com o celular, preocupado apenas com a pressa do culto terminar. Ele não está discernindo o corpo nem proclamando a esperança da volta de Cristo. Ou uma pessoa que participa apenas porque todos ao redor estão participando, sem refletir sobre o significado do pão e do cálice. Também não está discernindo o corpo. Por outro lado, quando alguém se ajoelha em oração, pedindo perdão pelos pecados, agradecendo pela cruz e lembrando que Cristo voltará, ele participa com discernimento. Quando uma igreja celebra a Ceia cuidando uns dos outros, lembrando-se dos mais fracos e acolhendo a todos, ela discerne o corpo.

Participar da Ceia do Senhor é um ato de fé que nos conecta à obra de Cristo, à vida em comunidade. É um momento de renovar nossa esperança, reafirmar nossa união com os irmãos e celebrar que pertencemos a um só corpo. Paulo queria que os coríntios e também nós entendêssemos que a Ceia não é apenas um símbolo, mas um encontro real com a graça de Deus e um anúncio vivo da vinda de Jesus.

Que possamos nos aproximar sempre da mesa do Senhor com reverência, discernindo o corpo de Cristo. Assim viveremos a Ceia não como um hábito vazio, mas como um memorial vivo que nos fortalece, nos une, nos lembra do amor que nos salvou e nos mantém firmes na esperança de que Jesus voltará.

A Ceia do Senhor não é apenas um rito, mas um encontro vivo com Cristo e com o corpo da igreja; participar dela com discernimento é reconhecer a cruz, confessar nossa dependência da graça, viver em comunhão verdadeira com os irmãos e anunciar com fé a esperança da sua vinda.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

11/fev/26

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