CLAME — DEUS AINDA RESPONDE.

“Clame a mim, e eu responderei e lhe anunciarei coisas grandes e ocultas, que você não sabe.” Jeremias 33:3 (NAA)

Esse versículo é um dos convites mais diretos e amorosos que Deus faz ao ser humano. Ele nos chama para um relacionamento vivo, próximo e constante. Ao longo do nosso dia, nos relacionamos com muitas pessoas — marido, esposa, filhos, amigos, colegas de trabalho e vizinhos. Conversamos, ouvimos, ajustamos atitudes e cultivamos proximidade. Sabemos, por experiência própria, que nenhum relacionamento cresce sozinho; ele precisa de cuidado, presença e dedicação.

Com Deus não é diferente. Todo relacionamento verdadeiro exige tempo. Não se constrói intimidade com pressa nem apenas em momentos ocasionais. Pense em um casal que quase não conversa ou em um amigo que só aparece quando precisa de ajuda — esse vínculo dificilmente será profundo. Da mesma forma, surge uma pergunta necessária: quanto tempo temos dedicado ao Senhor? Temos separado momentos reais para estar com Ele ou apenas tentamos encaixar Deus nos intervalos do dia?

Relacionamento também exige atenção. Não basta estar perto; é preciso estar inteiro. Quantas vezes alguém fala conosco e, mesmo assim, nossa mente está longe? Com Deus, a atenção se revela quando paramos, silenciamos o coração e nos colocamos diante dEle sem distrações. Jesus ensinou algo semelhante ao dizer que devemos entrar no quarto e fechar a porta — um convite a um encontro pessoal e sincero. É nesse silêncio intencional que a comunhão se aprofunda e o coração aprende a reconhecer a voz do Senhor.

Além disso, relacionamento exige disposição. Nem sempre é fácil manter uma vida de oração. Há dias de cansaço, dias em que as palavras parecem não sair e momentos em que a mente se dispersa. Ainda assim, quem decide permanecer descobre que a intimidade não nasce apenas das emoções, mas da constância. Relacionamentos saudáveis sobrevivem porque existe uma decisão consciente de permanecer, investir e cuidar.

É aqui que entendemos melhor o significado de “Clame a mim”. A oração não é falar ao acaso nem lançar palavras ao vento. Oramos a um Deus vivo, presente e atento. A Bíblia afirma: “Clamam os justos, e o Senhor os ouve e os livra de todas as suas tribulações.” Salmos 34:17 (NAA). E também declara: “O Senhor está perto de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade.” Salmos 145:18 (NAA). Essas promessas trazem descanso ao coração — não estamos falando sozinhos.

Quando Deus diz “eu responderei”, Ele revela sua fidelidade. A resposta nem sempre chega da forma ou no tempo que imaginamos, porém ela vem. Às vezes Deus responde com direção, outras vezes com paz, e em certos momentos Ele muda primeiro o nosso coração antes de mudar as circunstâncias. Nenhuma oração sincera passa despercebida.

Clamar é um ato de confiança. É reconhecer nossa dependência e admitir que só Deus tem palavras de vida, consolo e orientação. Assim como um filho corre para os braços do pai quando precisa de ajuda, nós também somos convidados a nos aproximar do Senhor com liberdade.

A vida diária mostra o quanto essa verdade é necessária. Quantas pessoas tentam carregar tudo sozinhas — decisões, medos, preocupações — até que o peso se torna insuportável. Outras vivem no barulho constante, sem nunca parar para ouvir Deus. Porém, quando alguém aprende a orar, descobre um lugar de descanso em meio à correria.

A oração é o combustível da vida espiritual. Sem ela, até o serviço a Deus se torna pesado e mecânico. Com ela, encontramos força renovada, direção e sensibilidade. É como um veículo que precisa de combustível para continuar a viagem — sem oração, o coração perde o vigor; com oração, seguimos adiante com esperança.

Clamar a Deus não significa apenas pedir ajuda. É buscar intimidade, abrir o coração, compartilhar alegrias, dores, dúvidas e decisões. O relacionamento cresce quando há sinceridade e entrega. Mais do que responder pedidos, Deus deseja caminhar conosco diariamente.

Na segunda parte do versículo, o Senhor promete anunciar “coisas grandes e ocultas”. Isso fala de verdades que não alcançaríamos sozinhos. Há direções que só se tornam claras na presença de Deus, decisões que amadurecem na oração e consolos que chegam de maneira silenciosa. Muitas vezes, Deus nos mostra não apenas o que queremos saber, mas o que precisamos aprender.

As coisas grandes” apontam para o agir poderoso de Deus e para seus planos. Já “as coisas ocultas” revelam aquilo que nossos olhos não percebem — caminhos que devemos evitar, mudanças necessárias e respostas que só o Espírito Santo pode trazer ao coração.

Quando separamos tempo para estar com Deus, algo começa a mudar dentro de nós. A ansiedade dá lugar à confiança. A dúvida abre espaço para a fé. O coração inquieto encontra descanso. Nem sempre Deus fala com barulho, mas sempre fala com clareza ao coração atento.

Por isso, vale uma pergunta simples e sincera: como está o nosso relacionamento com Deus? Temos aprendido a ouvir sua voz ou nossa vida espiritual tem se resumido a pedidos rápidos, feitos apenas nos momentos de necessidade?

O convite continua aberto. Deus ainda chama, ainda ouve e ainda responde. Quem aprende a clamar descobre que nunca caminha sozinho e quem separa tempo para Deus nunca perde tempo — encontra direção para a vida inteira.

“A oração não apenas nos leva a Deus — ela nos mantém caminhando com Ele.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

15/fev/26

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