O ALTAR NÃO PODE FALTAR

 Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas.” Mateus 6:33 (NAA)

Todos nós estamos construindo algo. A pergunta não é se estamos edificando — é o que estamos colocando em primeiro lugar na construção da nossa vida. Essa construção não tem a ver com paredes, telhados ou qualquer obra visível. Trata-se da arquitetura invisível da alma — aquilo que forma nosso caráter, influencia as pessoas ao nosso redor e aponta para a eternidade.

A Bíblia nos mostra um contraste muito claro entre dois homens que caminharam juntos por um tempo: Abraão e Ló. Enquanto Abraão levantava tendas e altares, Ló levantava apenas tendas. A tenda fala da vida na terra — do lugar onde moramos, trabalhamos e organizamos nossa rotina. O altar fala do céu — do lugar onde reconhecemos que Deus está no controle de tudo.

Em Gênesis, vemos que Abraão tinha o hábito de edificar altares por onde passava. “Abraão mudou as suas tendas e foi morar nos carvalhais de Manre, que estão junto a Hebrom; e edificou ali um altar ao Senhor.” Gênesis 13:18 (NAA). Antes de se sentir totalmente instalado em um lugar, ele estabelecia um espaço de adoração. Era sua forma de declarar: “Deus vem primeiro.”

A tenda podia ser desmontada a qualquer momento, mas o altar representava uma decisão permanente do coração.

Ló, por sua vez, parecia mais atento às oportunidades visíveis. Quando surgiu um conflito entre os pastores, ele escolheu a campina do Jordão porque era bem regada e tinha aparência de prosperidade. “Ló levantou os olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada.” Gênesis 13:10 (NAA). Seus olhos decidiram o caminho.

Aqui aprendemos algo importante: nem tudo que parece bom é direção de Deus. Nem toda oportunidade é propósito. O altar mantém nosso coração alinhado; sem ele, nossas escolhas passam a ser guiadas apenas pela conveniência.

O texto bíblico diz ainda que Ló “armou as suas tendas até Sodoma.” Gênesis 13:12 (NAA). Primeiro ele olhou, depois se aproximou, e quando percebeu já estava vivendo dentro de uma cidade marcada pela corrupção. A queda quase nunca acontece de uma vez — geralmente começa com pequenas aproximações.

O altar nos mantém a uma distância segura. Sua ausência torna a adaptação ao mundo algo quase imperceptível. A distância entre o altar e Sodoma costuma revelar a saúde da nossa alma.

Deus chamou Abraão para algo muito maior do que prosperidade. “Sê tu uma bênção.” Gênesis 12:2 (NAA). Sua vida não seria apenas sobre possuir terras, mas sobre transmitir vida às próximas gerações. Abraão entendeu que sucesso verdadeiro não é apenas conquistar coisas — é deixar um legado espiritual.

Ló prosperou por um tempo, mas sua história não deixou a mesma marca. Isso nos leva a uma pergunta necessária: estamos construindo apenas patrimônio ou também estamos construindo legado?

O altar não era apenas um monte de pedras. Era um sinal visível de dependência. Mostrava que Deus vinha antes da segurança, antes dos planos e antes da estabilidade. A tenda abrigava o corpo; o altar guardava o coração.

Talvez o maior risco da vida espiritual não seja rejeitar Deus, mas simplesmente não lhe dar o primeiro lugar.

Isso continua extremamente atual. Há pessoas construindo carreiras brilhantes, mas perdendo a família. Outras acumulam bens, porém vivem vazias por dentro. Também há aquelas que decidiram priorizar Deus — e essas constroem algo que o tempo não consegue destruir.

Jesus contou uma parábola que ilustra bem essa verdade. “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha.” Mateus 7:24 (NAA). O problema nunca foi construir — ambos os homens da parábola construíram. A diferença estava no fundamento.

A vida que teremos amanhã está sendo construída nas decisões que tomamos hoje. Construímos uma história por meio das nossas escolhas, um caráter nas provas silenciosas e uma influência que alcança nossos filhos, amigos e irmãos na fé. Mesmo quem não ocupa posição de liderança influencia alguém.

Filhos observam mais do que escutam. Amigos percebem nossas prioridades. A igreja enxerga onde colocamos nosso coração. Por isso, nunca subestime o poder silencioso da sua influência.

O altar define o futuro, porque revela quem ocupa o primeiro lugar. Uma vida sem altar pode até crescer por fora, mas começa a esvaziar por dentro.

No fim das contas, não seremos lembrados pelo tamanho das tendas que levantamos, mas pelo altar que nunca deixamos cair. Tendas abrigam a vida presente; altares sustentam a vida inteira.

Todos somos construtores — a diferença está naquilo que escolhemos levantar. Há quem construa uma carreira e perca a alma. Há quem construa conforto e perca o propósito. Mas há quem construa um altar — e esses nunca constroem em vão.

Porque, quando Deus ocupa o centro, todo o resto encontra o seu lugar.

“A tenda revela onde vivemos; o altar revela a quem pertencemos.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

18/fev/26

Nenhum comentário:

Postar um comentário

  O ALTAR NÃO PODE FALTAR   “ Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescenta...