QUANDO A CIDADE PARA E SÓ DEUS PERMANECE

“Olho à minha direita e vejo; não há quem me reconheça; refúgio me falta; ninguém se importa comigo.”  Salmos 142:4 (NAA)

Nos últimos dias, nossa querida Juiz de Fora, bem como a cidade de Ubá e toda a região viveram momentos que jamais serão esquecidos. As chuvas fortes caíram sem trégua. Ruas ficaram alagadas, bairros isolados, famílias inteiras tiveram de deixar suas casas às pressas. Alguns perderam bens. Outros perderam o lar. E, com muita dor no coração, sabemos que houve também perdas de vidas.

A cidade, que costuma viver seu ritmo normal, de repente parou. Sirenes, alertas, medo e incerteza tomaram conta de muitos lares. Em horas assim, o sentimento que surge em muitos corações se parece muito com as palavras de Davi: “refúgio me falta; ninguém se importa comigo.”  Salmos 142:4 (NAA).

O Salmo 142 nasceu em um cenário de extrema aflição. Davi se encontrava escondido em uma caverna, fugindo e sem apoio humano. Ele não disfarçou a dor. Não tentou parecer forte. Ele simplesmente abriu o coração diante de Deus. A Bíblia registra: “Derramo diante dele a minha queixa, à sua presença exponho a minha tribulação.” . Salmos 142:2 (NAA).

Esse salmo fala diretamente conosco neste momento. Quantas famílias, nestes dias, se sentiram exatamente assim? Pessoas olhando ao redor e vendo a água subir. Gente sem conseguir voltar para casa. Mães aflitas tentando proteger seus filhos durante a madrugada sem energia elétrica. Idosos sendo retirados às pressas de lugares onde viveram por tantos anos.

Em situações como essa, percebemos o quanto somos frágeis. Aquilo que parecia seguro pode mudar de um dia para o outro. Porém há uma verdade que continua firme: Deus não perde o controle.

Davi declarou algo precioso: “Quando dentro de mim esmorece o espírito, conheces a minha vereda.” Salmos 142:3 (NAA). Mesmo quando ninguém mais vê, Deus vê. Mesmo quando as águas sobem, o Senhor continua presente. Mesmo quando a cidade para, Ele continua trabalhando.

Talvez você tenha passado por momentos de medo nesses últimos dias. Talvez tenha visto de perto o perigo, ou tenha chorado ao ver o sofrimento de alguém próximo. Saiba de uma coisa: o Senhor continua sendo refúgio seguro.

O salmo avança e nos mostra a virada do coração de Davi. Em meio à caverna, ele declara: “A ti clamo, Senhor, e digo: tu és o meu refúgio, o meu quinhão na terra dos viventes.”  Salmos 142:5 (NAA). A caverna ainda existia. O perigo ainda rondava. Mesmo assim, a fé encontrou um lugar firme.

Essa continua sendo nossa esperança hoje. Nem sempre Deus impede a tempestade. Muitas vezes, Ele sustenta seus filhos no meio dela. Quantos, nestes dias em Juiz de Fora, podem testemunhar livramentos claros? Quantas famílias conseguiram sair a tempo? Quantas vidas foram preservadas pela misericórdia do Senhor?

Isso não diminui a dor de quem perdeu. Pelo contrário, nos move à compaixão, à oração e ao cuidado uns com os outros. Como igreja e como povo de Deus, somos chamados não apenas a confiar, porém também a estender a mão.

Davi termina com um clamor cheio de esperança: “Livra-me da minha prisão, para que eu dê graças ao teu nome.”  Salmos 142:7 (NAA). Ele cria que Deus ainda escreveria novos capítulos.

Nós também cremos. A cidade vai se levantar. As famílias serão consoladas. A ajuda chegará. E, acima de tudo, o Senhor continuará sendo nosso abrigo seguro.

Se seu coração ainda se encontra apertado por tudo que vimos nesses dias, faça o que Davi fez: fale com Deus. Abra sua dor. Apresente sua ansiedade. O mesmo Deus que ouviu na caverna continua ouvindo hoje.

Em tempos em que não há para onde correr, descobrimos algo precioso: sempre existe um lugar seguro — a presença do Senhor.

Quando as águas sobem e os caminhos se fecham, quem se abriga em Deus descobre que o verdadeiro refúgio nunca desmorona.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

25/fev/26

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