“‘Todas as
coisas são permitidas’, mas nem tudo convém. ‘Todas as coisas são permitidas’,
mas nem tudo edifica.” 1 Coríntios 10:23 (NAA)
Um dos grandes
presentes que o evangelho traz para a vida do cristão é a liberdade. Quando
alguém encontra a Cristo, deixa de viver preso ao pecado, à culpa e ao medo. A
graça de Deus nos liberta para viver uma nova vida. Porém, essa liberdade não
significa que agora podemos viver de qualquer maneira. A Bíblia mostra que a
liberdade cristã precisa ser vivida com responsabilidade.
O apóstolo Paulo
aborda esse assunto de forma muito clara em 1 Coríntios 10. Ele escreve para
uma igreja que vivia em uma cidade cheia de influências culturais, religiosas e
morais. Muitos cristãos estavam aprendendo a lidar com a nova vida em Cristo e
surgiam dúvidas sobre o que era permitido ou não.
Foi nesse contexto
que Paulo declarou: “Todas as coisas são permitidas, mas nem tudo convém.
Todas as coisas são permitidas, mas nem tudo edifica.” 1 Coríntios
10:23 (NAA).
Essa frase resume
um princípio muito importante. O cristão não vive apenas perguntando: “Eu
posso fazer isso?” A pergunta mais importante é: “Isso convém? Isso
edifica?” Nem tudo que é permitido é proveitoso. Nem tudo que é possível
fazer contribui para uma vida espiritual saudável. A liberdade cristã não é uma
licença para viver sem limites. Pelo contrário, ela nos chama a viver com
maturidade.
Paulo continua
ensinando que o cristão não deve pensar apenas em si mesmo. Ele diz: “Ninguém
busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem.” 1 Coríntios 10:24
(NAA).
Isso significa que
nossas escolhas devem considerar também o impacto que elas têm na vida das
outras pessoas. A consciência passa a ter um papel importante nesse processo. O
cristão aprende a avaliar suas atitudes à luz da Palavra de Deus e do cuidado
com o próximo.
Por exemplo, algo
pode não ser pecado em si mesmo, porém pode se tornar um problema se causar
tropeço para alguém que está começando na fé. Nesse caso, o amor fala mais alto
que a liberdade.
Esse princípio
continua extremamente atual. Em nossos dias existem muitas situações em que os
cristãos discutem o que pode ou não pode ser feito. Algumas pessoas defendem a
liberdade absoluta, enquanto outras vivem cheias de regras.
Vivemos em uma
cultura que muitas vezes confunde liberdade com libertinagem. Para muitos, ser
livre significa poder fazer qualquer coisa, sem limites e sem responsabilidade.
Há quem diga que, se Deus é amor, então Ele simplesmente tolera qualquer tipo
de comportamento. Porém essa ideia não corresponde ao ensino das Escrituras. O
amor de Deus não ignora o pecado, nem transforma a liberdade em permissão para
viver de qualquer maneira. Pelo contrário, o amor de Deus nos chama para uma
vida transformada, marcada por responsabilidade, consciência e compromisso com
aquilo que é correto.
Paulo apresenta um
caminho mais equilibrado. A pergunta não é apenas se algo é permitido, mas se
aquilo contribui para o crescimento espiritual e para o testemunho cristão.
Pense em situações
do cotidiano. O uso das redes sociais, por exemplo. Não há nada de errado em
usar a tecnologia. Porém o cristão precisa perguntar: o que estou
compartilhando edifica? O que publico ajuda ou prejudica meu testemunho?
Outro exemplo se
revela na forma como tratamos as pessoas. Muitas vezes, alguém pode dizer: “Tenho
liberdade para falar o que penso.” No entanto, a liberdade cristã nos
ensina que nossas palavras devem edificar, e não ferir. Devem ser usadas para
construir pontes, e não levantar muros. A liberdade em Cristo nos convida a
viver guiados pelo amor. A verdadeira liberdade não é dizer tudo o que se
pensa, mas saber dizer aquilo que edifica.
Paulo termina essa
orientação apresentando um princípio muito profundo: “Portanto, quer
vocês comam, quer bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória
de Deus.” 1 Coríntios 10:31 (NAA).
Essa frase amplia o
entendimento da vida cristã. Não se trata apenas de evitar o pecado. Trata-se
de viver de forma que Deus seja honrado em todas as áreas da vida.
Quando alguém vive
assim, suas decisões passam por um filtro espiritual. A pergunta deixa de ser
apenas “isso é permitido?” e passa a ser “isso glorifica a Deus?”
Paulo ainda
acrescenta outro princípio importante: “Não se tornem motivo de tropeço
nem para judeus, nem para gregos, nem para a igreja de Deus.” 1
Coríntios 10:32 (NAA). Isso mostra que nós cristãos devemos pensar no
testemunho que oferecemos ao mundo. Nossa liberdade nunca deve se tornar motivo
de escândalo ou de afastamento para outras pessoas.
A verdadeira
liberdade cristã não está em fazer tudo o que queremos. Ela está em viver de
maneira que nossa vida reflita o caráter de Cristo.
Quando a
consciência é guiada pela Palavra de Deus e pelo amor ao próximo, aprendemos a
usar nossa liberdade da maneira correta. Assim, em vez de destruir, nossa
liberdade passa a construir. Em vez de afastar pessoas de Deus, nossa vida
passa a aproximá-las.
A verdadeira
liberdade cristã não é fazer tudo o que é possível, mas escolher sempre aquilo
que glorifica a Deus e edifica as pessoas.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio Fonseca
25/mar/26
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