O PERDÃO QUE PRECISA SER ESCOLHIDO TODOS OS DIAS

“Pelo contrário, sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando uns aos outros, como também Deus, em Cristo, perdoou vocês.” Efésios 4:32 (NAA)

Perdoar nunca foi fácil. Na verdade, o perdão quase sempre dói mais em quem perdoa do que em quem é perdoado. Basta olhar para a cruz para entender essa verdade. Nós recebemos o perdão, mas foi Jesus quem sofreu. Nós fomos beneficiados, mas foi Cristo quem carregou o peso dos nossos pecados. O perdão que recebemos custou ao Senhor a humilhação, os sofrimentos e a morte no Calvário. Isaías 53:5 diz: “Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e esmagado pelas nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos sarados.”

Quando fazemos a pergunta: “Quem sofreu mais, o perdoador ou o perdoado?”, a resposta está diante da cruz. O perdoador sofreu. Foi Cristo quem pagou o preço para que nós pudéssemos ser reconciliados com Deus.

Da mesma forma acontece em muitos relacionamentos. Quando alguém nos ofende, nos decepciona ou nos machuca profundamente, perdoar não apaga imediatamente a dor. Muitas vezes, quem perdoa continua carregando as marcas daquilo que aconteceu. O perdão não muda o passado, mas muda a forma como escolhemos viver a partir dele.

Muitas pessoas acreditam que o perdão acontece em um único momento. Fazem uma oração, tomam uma decisão diante de Deus e pensam que nunca mais terão que lidar com aquela situação. Porém, a realidade costuma ser diferente. Algumas feridas cicatrizam rapidamente. Outras deixam marcas que levam tempo para desaparecer.

Talvez você já tenha vivido isso. Você decidiu perdoar alguém, mas semanas ou meses depois uma lembrança voltou à sua mente. Uma palavra, uma fotografia, uma conversa ou até mesmo um lugar trouxe de volta sentimentos que pareciam já resolvidos. Nesses momentos, não significa que seu perdão foi falso. Significa apenas que a cura ainda está acontecendo.

Perdoar não é fingir que nada aconteceu. Também não é dizer que a ofensa foi pequena. O perdão reconhece que houve dor, mas escolhe não permitir que essa dor governe a vida. É entregar a Deus o direito de julgar e recusar alimentar a amargura dentro do coração.

Jesus ensinou essa verdade quando falou sobre perdoar repetidamente.  “Jesus respondeu: — Não digo a você que perdoe até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” Mateus 18:22 (NAA)

O Senhor não estava estabelecendo uma quantidade exata de vezes para perdoar. Ele estava ensinando que o perdão deve ser uma disposição constante do coração. Existem situações em que precisamos renovar nossa decisão de perdoar muitas vezes.

É como alguém que sofreu uma traição no casamento. A pessoa decide perdoar, mas as lembranças ainda aparecem. Ou alguém que foi injustiçado no trabalho e continua encontrando diariamente quem o feriu. Ou ainda um filho que guarda mágoas profundas de palavras que ouviu durante a infância. Em todos esses casos, o perdão pode precisar ser reafirmado diversas vezes.

Por isso, o perdão não é apenas um sentimento. Se dependesse dos sentimentos, dificilmente conseguiríamos perdoar. O perdão é uma decisão espiritual. É uma escolha feita pela fé, mesmo quando as emoções ainda estão em processo de cura.

Quando a lembrança da ofensa voltar, talvez seja necessário fazer novamente uma simples oração: “Senhor, eu já entreguei isso em Tuas mãos, e hoje escolho perdoar mais uma vez.” Essa decisão repetida não demonstra fraqueza. Pelo contrário. Demonstra que a graça de Deus continua trabalhando no coração.

A falta de perdão nos mantém presos ao passado. Faz com que revivamos constantemente a mesma dor. O perdão, porém, abre as portas para a liberdade. Nem sempre ele apaga as lembranças, mas impede que elas continuem controlando nossa vida.

Talvez seja por isso que o perdão seja uma das atitudes que mais nos aproximam do caráter de Cristo. Cada vez que escolhemos perdoar, refletimos algo daquilo que Jesus fez por nós na cruz. Estamos abrindo mão do direito de cobrar continuamente uma dívida e colocando a situação nas mãos de Deus.

Com o passar do tempo, aquilo que hoje provoca lágrimas poderá se tornar apenas uma lembrança da fidelidade do Senhor. A dor perderá sua força, a ferida cicatrizará e você perceberá que Deus esteve presente em cada etapa do processo.

O verdadeiro milagre do perdão não acontece apenas no dia em que decidimos perdoar. Ele acontece todas as vezes que escolhemos continuar perdoando quando a dor tenta voltar ao coração.

O perdão tem um preço, e quase sempre ele é pago por quem perdoa. Foi assim na cruz, onde Cristo sofreu para nos dar salvação. Por isso, perdoar não é apenas um ato de um dia, mas uma escolha renovada sempre que a dor tenta ocupar o lugar que pertence ao amor de Deus.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

18/jun/26

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