O TOQUE QUE JESUS RECONHECEU

“Então Jesus lhe disse: — Filha, a sua fé salvou você. Vá em paz e fique livre desse mal.” Marcos 5:34 (NAA).

Havia uma grande multidão ao redor de Jesus. As pessoas caminhavam muito próximas, apertando-o por todos os lados. No meio daquele povo estava uma mulher que carregava uma dor havia doze anos. Ela sofria de uma hemorragia que não parava. Durante todo aquele tempo, procurou muitos médicos, enfrentou tratamentos dolorosos e gastou tudo o que possuía. Mesmo assim, não melhorou. Pelo contrário, seu estado ficou ainda pior. Marcos 5:25-26

Doze anos é muito tempo para conviver com uma enfermidade. Imagine acordar todos os dias sentindo a mesma fraqueza, a mesma preocupação e a mesma frustração. A cada novo tratamento, talvez surgisse uma esperança. Porém, quando nada mudava, vinha mais uma decepção. Além da dor física, aquela mulher provavelmente enfrentava vergonha, solidão e afastamento das pessoas.

Talvez ela tivesse chegado ao ponto de pensar que não existia mais solução. O dinheiro havia acabado, os tratamentos não haviam funcionado e sua força estava diminuindo. Entretanto, certo dia, ela ouviu falar de Jesus. Alguém lhe contou que o Senhor curava enfermos, libertava os oprimidos e acolhia aqueles que todos rejeitavam. Uma pequena esperança nasceu em seu coração.

Ela não podia perder aquela oportunidade. Jesus estava passando, mas havia uma multidão entre ela e o Senhor. Mesmo enfraquecida, entrou no meio das pessoas e avançou como pôde. Em seu coração, repetia que, se apenas tocasse na roupa de Jesus, seria curada.

Aquela mulher não confiava em um tecido mágico. O poder não estava na roupa. Sua fé estava em Jesus. Ela acreditava que nele havia poder suficiente para mudar uma situação que ninguém mais conseguira resolver.

Muitas pessoas tocavam em Jesus naquele momento. Algumas esbarravam nele por causa do movimento da multidão. Outras caminhavam ao seu lado apenas por curiosidade. Mas o toque daquela mulher foi diferente. Ela não tocou apenas com a mão; tocou com fé. No mesmo instante, a hemorragia parou, e ela percebeu em seu corpo que estava curada.

Então Jesus parou e perguntou: — Quem tocou na minha roupa?

Os discípulos acharam aquela pergunta estranha. Havia tanta gente apertando Jesus que seria quase impossível saber quem o havia tocado. Mas o Senhor não estava falando de um contato comum. Ele havia reconhecido o toque de alguém que se aproximara crendo.

Essa cena nos ensina que é possível estar perto de Jesus sem realmente buscá-lo. Uma pessoa pode frequentar a igreja, conhecer hinos, ouvir mensagens e até carregar uma Bíblia, mas nunca abrir verdadeiramente o coração para Cristo. A multidão estava perto, mas somente aquela mulher se aproximou reconhecendo sua necessidade e confiando no poder do Senhor.

Quando percebeu que não poderia permanecer escondida, a mulher se aproximou com medo e tremendo. Prostrou-se diante de Jesus e contou toda a verdade. Talvez esperasse uma repreensão, pois havia tocado nele sem pedir autorização. Contudo, Jesus não a humilhou. Ele a recebeu com amor. Jesus a chamou de “filha”.

Depois de tantos anos sendo conhecida por sua enfermidade, ela recebeu uma nova palavra sobre sua vida. Para as pessoas, talvez fosse apenas “a mulher doente”. Para Jesus, ela era filha. O Senhor não queria apenas curar seu corpo; queria restaurar sua dignidade, trazer paz ao seu coração e mostrar que ela não precisava mais viver escondida.

Ainda hoje existem pessoas como aquela mulher. Algumas enfrentam uma doença há muitos anos. Outras gastaram grande parte de seus recursos em tratamentos. Há quem sofra com ansiedade, tristeza profunda, crises familiares, vícios ou feridas que ninguém consegue ver. Muitas tentaram de tudo e chegaram ao ponto de pensar que não há mais esperança.

Buscar Jesus não significa abandonar médicos, medicamentos ou tratamentos. Deus também pode agir por meio da medicina e dos profissionais de saúde. A fé verdadeira não despreza os recursos disponíveis. Ela reconhece, porém, que nossa segurança final não está nos recursos humanos, mas no Senhor.

Também precisamos entender que nem sempre Jesus responderá exatamente como desejamos. Nem toda enfermidade será curada imediatamente. Contudo, nenhuma pessoa que se aproxima sinceramente de Cristo permanece da mesma forma. Ele pode curar o corpo, fortalecer a alma, renovar a esperança, conceder paz e sustentar-nos durante a caminhada.

Talvez você se sinta perdido no meio da multidão. Talvez pense que Jesus não perceberá sua presença porque existem muitas pessoas ao redor dele. Mas o Senhor conhece sua história. Ele sabe há quanto tempo você sofre, quantas lágrimas derramou, quantas tentativas fez e quanto cansaço existe em seu coração.

A mulher queria apenas tocar e sair em silêncio. Jesus, porém, desejava dar-lhe muito mais. Ela recebeu cura, salvação, paz e uma nova identidade. Entrou naquela multidão como uma mulher ferida e saiu de lá chamada de filha.

Aproxime-se de Jesus com sinceridade. Conte-lhe toda a verdade. Não esconda suas dores, seus medos nem suas fraquezas. O mesmo Senhor que reconheceu o toque daquela mulher continua percebendo o coração que o procura com fé.

A fé não é uma mão que obriga Deus a fazer o que desejamos; é o coração que atravessa a multidão, toca em Jesus e descobre que, antes mesmo de receber a resposta, já foi visto, acolhido e chamado de filho.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

17/jul/26

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