QUANDO DEUS TRANSFORMA A DOR EM PROPÓSITO

 “Agora, pois, não fiquem tristes nem irritados contra vocês mesmos por terem me vendido para cá, porque foi para a preservação da vida que Deus me enviou adiante de vocês.” Gênesis 45:5 (NAA).

Por vezes, é muito difícil compreender uma luta enquanto estamos passando por ela. Quando a dor chega, nossa visão fica limitada ao momento presente. Perguntamos por que aquilo aconteceu, por que Deus permitiu determinada situação e até quando teremos de suportá-la. Queremos respostas imediatas, mas nem sempre elas chegam no momento em que desejamos. Há situações que só começam a fazer algum sentido quando o tempo passa e Deus nos permite olhar para trás.

Foi assim com José. Quando foi vendido pelos próprios irmãos, ele não recebeu uma explicação dizendo como tudo terminaria. Foi arrancado de sua casa, levado para uma terra estranha, tornou-se escravo, sofreu uma falsa acusação e acabou na prisão. Em vários momentos, sua história poderia parecer ter saído completamente do controle. Entretanto, Deus continuava presente. Anos depois, José conseguiu enxergar aquilo que antes não podia ver: Deus havia transformado o caminho de sofrimento em instrumento para preservação de muitas vidas.

Isso não significa que o pecado dos irmãos tenha deixado de ser pecado. Eles agiram com inveja, crueldade e injustiça. José não chamou o mal de bem. O que ele compreendeu foi algo muito maior: a maldade humana não conseguiu impedir o propósito de Deus. Aquilo que os irmãos fizeram para prejudicá-lo foi usado pelo Senhor dentro de um plano que eles jamais poderiam imaginar.

Talvez também existam acontecimentos em nossa vida que hoje não conseguimos compreender. Uma porta profissional se fecha justamente quando mais precisávamos dela. Um projeto construído durante anos desmorona. Alguém em quem confiávamos nos decepciona. Uma enfermidade muda completamente os planos de uma família. Fazemos perguntas, choramos e, muitas vezes, não encontramos explicações. Nessas horas, precisamos lembrar que não compreender o que Deus está fazendo não significa que Ele tenha perdido o controle.

A tribulação é real, e ninguém precisa fingir que sofrer é agradável. Entretanto, a Palavra mostra que Deus pode produzir algo em nós até durante os períodos difíceis. Paulo escreveu: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança, a perseverança produz experiência e a experiência produz esperança.” Romanos 5:3-4 (NAA).

Veja a sequência: tribulação, perseverança, experiência e esperança. A luta que poderia simplesmente nos derrubar pode, nas mãos de Deus, ensinar-nos a permanecer. E aquele que aprende a perseverar começa também a descobrir, pela experiência, que Deus continua fiel mesmo nos dias difíceis.

José certamente conheceu esse aprendizado. O menino lançado numa cisterna tornou-se o homem que permaneceu firme na casa de Potifar, na prisão e, finalmente, diante de Faraó. Quando chegou o momento em que possuía autoridade suficiente para se vingar dos irmãos, escolheu outro caminho. Poderia tê-los castigado, mas recebeu-os, chorou com eles e reconheceu a mão de Deus acima de toda a sua história.

Talvez uma das maiores demonstrações de que nossas feridas estão sendo tratadas seja quando deixamos de usá-las como justificativa para ferir os outros.

E não encontramos exemplo maior disso do que em Jesus. Ele foi rejeitado, traído, acusado injustamente, humilhado e levado à cruz. Mesmo ali, em meio ao sofrimento, disse: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” Lucas 23:34 (NAA).

A cruz parecia, aos olhos humanos, o fim. Mas aquilo que parecia derrota tornou-se o caminho da nossa salvação. Séculos antes, Isaías havia profetizado: “Todavia, ao Senhor agradou esmagá-lo, fazendo-o sofrer. Quando ele der a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do trabalho de sua alma e ficará satisfeito.” Isaías 53:10-11 (NAA).

Isso não significa que todo sofrimento terá uma explicação clara nesta vida, nem que devemos chamar de bom aquilo que nos feriu. Significa que podemos confiar que nenhuma dor está acima da soberania de Deus. Ele pode restaurar, ensinar, amadurecer, abrir novos caminhos e fazer nascer esperança onde enxergávamos apenas perdas.

Talvez hoje você esteja vivendo exatamente o meio da história. Ainda não consegue entender por que determinadas coisas aconteceram e não sabe como tudo terminará. José também passou muitos anos sem enxergar o final. Continue confiando.

Pode chegar o dia em que você olhará para trás e perceberá que Deus estava presente até nos capítulos que você menos compreendeu. O sofrimento não é necessariamente o fim da história. Nas mãos de Deus, até uma cicatriz pode se tornar testemunho de que a graça nos sustentou, a perseverança nos fez continuar e o Senhor jamais perdeu o controle do caminho.

Nem sempre conseguimos entender Deus enquanto atravessamos a dor; muitas vezes, somente depois descobrimos que aquilo que parecia interromper nossa história estava sendo usado por Ele para conduzi-la a um propósito maior.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

14/ago/26

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