CORAÇÃO QUEBRANTADO

“Quando os apóstolos saíram da reunião do conselho, estavam alegres porque Deus os havia considerado dignos de sofrer humilhação pelo nome de Jesus.” Atos 5:41 NVT

É surpreendente e paradoxal, não é mesmo? A capacidade de algumas pessoas de encontrar alegria e esperança mesmo após passarem por situações dolorosas e traumáticas é algo que desafia nossa compreensão. No caso dos apóstolos, sua fé inabalável e a convicção de que estavam cumprindo um propósito divino foram alicerces dessa resiliência. Afinal, a mensagem que compartilhavam sobre Jesus como o Cristo, o Filho do Deus vivo, era profundamente significativa para eles.

A humilhação é um tema sensível. É um ataque que, quando atinge o alvo, faz doer o fundo da alma, fragiliza e atormenta o ferido coração. Faz a vítima sentir-se como se carregasse um enorme peso, uma carga indesejada da qual deseja se desfazer.

A questão é: como suportar a humilhação recebendo-a como bênção em nossas vidas? Como servos, a resposta a esse questionamento precisa ser entendida à luz do princípio contido na Palavra que diz: “E sabemos que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam e que são chamados de acordo com seu propósito.” Romanos 8:28 NVT. No caso em questão, o olhar de Deus marcava os apóstolos e os distinguia como dignos, e isso era o bastante para alegrar seus corações.

O propósito de Deus é a palavra-chave para iniciar a compreensão de cada situação. Embora entender esse propósito possa ser difícil à mente humana, a oração do salmista aponta para uma segurança encontrada na Palavra de Deus, mesmo em tais circunstâncias. “Não permitas que zombem de mim e me desprezem, pois tenho obedecido a teus preceitos.” Salmos 119:22 NVT. As dores causadas pela humilhação tendem a desvanecer e serem esquecidas para aqueles que permanecem com Cristo e obedecem à Sua lei. Somente Deus é capaz de curar as feridas mais profundas da alma e do coração causadas pela humilhação sofrida.

Verdadeiramente, ninguém gosta de ser humilhado, e quem afirma não se importar com tal situação ou condição parece estar à margem do convívio social, ou até mesmo fora da esfera humana

Muitas vezes, nos precipitamos e, com esforço próprio, tentamos buscar uma solução que acreditamos trazer alívio imediato à alma. Entretanto, quando agimos de forma impensada e imprudente, colhemos apenas fracasso, o que nos leva a ficar mais indignados e frustrados com o insucesso de nossas vãs tentativas

Não há sequer uma pessoa que possa se esquivar e ficar imune ao processo aviltante da humilhação que é uma experiência universal e atinge a todos, independentemente de posição social ou status. Até mesmo reis e líderes enfrentaram momentos de humilhação. O exemplo de Davi, registrado na Bíblia, ilustra como ele foi alvo de insultos e agressões verbais por parte de Simei enquanto seguia seu caminho.  Assim, Davi e seus homens prosseguiram em seu caminho. Simei os seguia pela encosta de um monte próximo, amaldiçoando Davi e atirando pedras e terra contra ele.” 2 Samuel 16:13 NVT. Essa passagem nos lembra da vulnerabilidade humana diante das adversidades e da importância de buscar força e consolo em Deus durante esses momentos difíceis. 

Em uma ocasião, quando me vi envolvido em uma situação que me causou humilhação, recebi um conselho amigo: permitir que minha causa fosse analisada pelo tribunal celestial. Deixar que o Juiz por excelência exercesse o justo juízo. Como diz em Isaías 33:22: “Porque o Senhor é o nosso juiz, o Senhor é o nosso legislador, o Senhor é o nosso Rei; ele nos salvará.”

As feridas do coração e da alma, causadas pela humilhação, devem ser tratadas e curadas por alguém que compreenda a frágil estrutura humana. Somente Jesus possui as ferramentas capazes de penetrar nos lugares onde os maiores especialistas deste mundo jamais alcançarão. Como diz o salmista: “Ele cura os de coração quebrantado e enfaixa suas feridas.” Salmo 147:3 NVT

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca


 

PALAVRA DE DEUS: VERDADE ABSOLUTA

“Jesus disse aos judeus que creram nele: ‘Vocês são verdadeiramente meus discípulos se permanecerem fiéis a meus ensinamentos. Então conhecerão a verdade, e a verdade os libertará’." João 8:31-32

Nos últimos dias, temos debatido amplamente os significados e as aplicações das verdades absoluta e relativa. Esses conceitos filosóficos nos conduzem à reflexão sobre a natureza da realidade e a linguagem que utilizamos para expressá-la. De forma clara e objetiva, entendo que a verdade absoluta é aquela que não está sujeita ao tempo nem a quaisquer opiniões pessoais. Por outro lado, a verdade relativa está sempre condicionada a fatores subjetivos e contextuais.

Vivemos em uma sociedade cética e materialista, na qual frequentemente nos deparamos com pessoas que só acreditam no que podem ver, tocar ou experimentar através dos cinco sentidos tradicionalmente reconhecidos. Essa mentalidade materialista muitas vezes nos afasta da fé fazendo-nos valorizar excessivamente o tangível e o visível.

Paulo faz referência à existência de indivíduos que rejeitam as verdades do Espírito. Essas verdades são absolutas e, aos olhos daqueles a quem ele se refere como “homens naturais”, podem parecer loucura por não serem compreendidas. No entanto, somente aqueles que receberam o Espírito de Deus, e não o espírito deste mundo, podem discernir as coisas maravilhosas que Deus nos tem dado gratuitamente. Essas verdades são avaliadas adequadamente por aqueles que têm discernimento espiritual. (1 Coríntios 2:14)

Para os céticos, aqueles que fundamentam sua fé na verdade absoluta são frequentemente considerados supersticiosos, acreditando em coisas intangíveis. No entanto, é interessante observar que Jesus confrontou Tomé, proporcionando-lhe o conhecimento dessa verdade inquestionável. Esse episódio bíblico nos lembra que a fé transcende o material e o visível, abrindo espaço para uma compreensão mais profunda da realidade. "Você crê porque me viu. Felizes são aqueles que creem sem ver".  João 20:29

Maria Madalena também enfrentou essa situação. Como seguidora de Jesus, certamente ouviu de Sua boca que era necessário seguir para Jerusalém e sofrer nas mãos dos líderes do povo, dos sacerdotes e dos mestres da lei. Jesus também lhe disse que morreria, mas que ressuscitaria no terceiro dia. (Mateus 16:21)

O relato bíblico em João 20:11-16 apresenta Maria Madalena à porta do sepulcro, fazendo considerações com base em verdades relativas para compreender a situação. Ela inicialmente suspeitou que alguém havia roubado o corpo do Mestre e, ao vê-lo após a ressurreição, acreditou estar conversando com o jardineiro. Maria não apenas ignorou as informações que Jesus havia dado sobre Sua própria ressurreição, mas também buscou explicações fundamentadas no raciocínio humano, ou seja, verdades relativas.

A verdade relativa se apresenta de forma subjetiva e variável, dependendo do contexto, das crenças individuais e das experiências pessoais. No entanto, por meio das Escrituras acreditamos que Deus determina o que é verdade e certo. Esses que se apegam à posição relativa acreditam que o homem é capaz de fazer sua própria mudança, mas a visão cristã sustenta que a verdade objetiva ou a absoluta, é revelada por Deus.

Na perspectiva da Palavra de Deus, a verdade absoluta é fundamental. A Bíblia esclarece que a verdade não é apenas um conceito relativo ou uma opinião pessoal. Jesus ao se apresentar como a Verdade deixa bem claro que a verdade absoluta é um atributo do próprio Deus. Deus é imutável, e Sua verdade transcende as mudanças culturais e as perspectivas humanas. O que é verdade para Ele é verdade para todas as pessoas, em todos os lugares e em todos os tempos. “Pois a palavra de Deus é viva e poderosa. É mais cortante que qualquer espada de dois gumes, penetrando entre a alma e o espírito, entre a junta e a medula, e trazendo à luz até os pensamentos e desejos mais íntimos.” Hebreus 4:12

A Bíblia, como nossa única regra de fé e prática, contém a verdade absoluta. Essa verdade transcende as flutuações culturais e as opiniões humanas, servindo como um padrão seguro e imutável para orientar nosso viver diário. Devemos estar atentos para não sermos enganados por filosofias vazias e invenções enganosas que se originam do raciocínio humano e utilizam verdades relativas para guiar nossas vidas espirituais. Nossas raízes devem estar aprofundadas no Senhor Jesus, aquele que é a nossa Verdade. Sobre Ele edificaremos nossas vidas, e nessa Verdade, nossa fé será fortalecida, fazendo-nos transbordar em gratidão.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

 

FARINHA NA VASILHA E AZEITE NO JARRO

"Tão certo como vive o Senhor, seu Deus, não tenho um pedaço sequer de pão em casa. Tenho apenas um punhado de farinha que restou numa vasilha e um pouco de azeite no fundo do jarro. Estava apanhando alguns gravetos para preparar esta última refeição, e depois meu filho e eu morreremos". 1 Reis 17:12 NVT

Nessa passagem bíblica, Elias recebe a ordem de Deus para ir a Sarepta, onde uma viúva lhe daria alimento. Ao chegar lá, ele encontra a viúva apanhando gravetos e lhe pede água e pão. A viúva, em extrema necessidade, revela que tem apenas um punhado de farinha e um pouco de azeite para fazer sua última refeição para si e seu filho. Mesmo assim, ela obedece à ordem de Deus e compartilha o pouco que tem com Elias.

Olhando pela razão humana, parece-nos, a princípio, haver uma incoerência em ordenar que alguém que nada tem sustente uma pessoa que de igual modo necessita de ajuda. Nesses momentos, a generosidade e a providência divina frequentemente se manifestam de maneira surpreendente, apesar da aparente contradição O princípio básico que rege a questão é: primeiro você precisa plantar a semente para depois ter a colheita. “Os que semeiam com lágrimas colherão com gritos de alegria. Choram enquanto lançam as sementes, mas cantam quando voltam com a colheita.” Salmos 126: 5-6 NVT

A providência divina refere-se a uma intervenção de Deus, como ser supremo e criador dos céus e da terra, que está constantemente envolvido e cuidando de todas as coisas que acontecem, não só em nosso entorno, mas também em todo o mundo. É a certeza que temos de que Deus tem um plano e uma vontade para cada aspecto de nossas vidas e que Ele intervém, de maneira ativa, para garantir que esse plano seja cumprido.  Isso nos faze entender que a ação providencial de Deus é constante e abrange todos os aspectos da nossa jornada espiritual e material “O Senhor fez dos céus o seu trono, de onde reina sobre todas as coisas.” Salmos 103:19. NVT

Se Deus prometeu que providenciará o que precisamos para viver, podemos confiar: certamente Ele cumprirá com suas promessas. “Deus não é homem para mentir, nem ser humano para mudar de ideia. Alguma vez ele falou e não agiu? Alguma vez prometeu e não cumpriu?” Números 23:19 NVT. Não há porque nos preocuparmos com nossa vida diária, se teremos o suficiente para comer, beber ou vestir. O Pai celestial bem sabe o que nós precisamos.  (Mateus 6:25-33)

Quando atravessamos tempos difíceis, é muito fácil concentrarmos apenas em nossas próprias necessidades. No entanto, o que podemos fazer de melhor durante os períodos desafiadores que vivemos é parar de pensar somente em nós mesmos e auxiliar aqueles que estão ao nosso redor.  Quando a viúva que nada tinha se propôs a ajudar o profeta, esse foi o ponto de partida para o Senhor começar a operar o milagre. A generosidade e o cuidado com os outros, mesmo quando enfrentamos desafios pessoais, são atitudes valiosas que podem trazer conforto e fortalecer nossos relacionamentos, além de mover a ação de Deus em nosso favor. “Se alguém tem recursos suficientes para viver bem e vê um irmão em necessidade, mas não mostra compaixão, como pode estar nele o amor de Deus? Filhinhos, não nos limitemos a dizer que amamos uns aos outros; demonstremos a verdade por meio de nossas ações." 1 João 3:17-18

Ao desviar a atenção de suas próprias necessidades e focar na necessidade do profeta, a viúva experimentou algo sobrenatural. O poder de Deus foi ativado por meio da atitude dela. Isso nos lembra que, quando enfrentamos problemas, não devemos nos concentrar apenas em nossas próprias necessidades; em vez disso, devemos considerar o tipo de semente que podemos plantar. Lembra-se você precisa plantar a semente para depois ter a colheita.

A promessa do Senhor era que sempre haveria farinha na vasilha e azeite no jarro, até o dia em que o Senhor enviaria chuva. Na obediência da viúva, a Palavra nos relata que tiveram alimento para muitos dias. Sempre havia farinha na vasilha e azeite no jarro, exatamente como o Senhor tinha prometido por meio de Elias.

Aquela mulher foi obediente e colocou sua confiança em Deus, mesmo quando as circunstâncias lhe pareciam impossíveis. Plantou uma semente extraordinária e colheu uma safra abundante.

Às vezes, Deus nos pede para agir de maneira contraintuitiva, como compartilhar nossa última refeição ou recursos com os outros. Quando obedecemos, Deus realiza o milagre e supre nossas necessidades de maneiras inesperadas.

Que excelente exemplo a viúva nos deixou. Uma história que nos lembra acerca da importância de obedecer a Deus, mesmo quando Sua ordem nos parece ilógica. Ela confiou em Deus e experimentou Sua provisão extraordinária. Deus é fiel em cumprir Suas promessas.  Apeguemo-nos firmemente, sem vacilar, à esperança que professamos, porque Deus é fiel para cumprir sua promessa.” Hebreus 10:23 NVT

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

 

DEUS NÃO ESTÁ DISTANTE

"Tu me vês quando viajo e quando descanso; sabes tudo que faço." Salmos 139:3 NVT

Há momentos na vida em que nos sentimos isolados, como se estivéssemos caminhando por um deserto espiritual. Nessas horas, pode parecer que Deus está distante, que nossas orações são palavras perdidas ao vento, incapazes de ultrapassar o teto que nos separa do trono da graça de Deus.

O salmista expressou esse sentimento de abandono de forma crua e honesta e clamou em alta voz: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? Por que estás tão distante de meus gemidos por socorro?" Salmos 22:1 NVT. Essas palavras ecoam a dor e a perplexidade que muitos de nós enfrentamos quando as circunstâncias da vida nos sobrecarregam e a presença de Deus parece uma memória distante.

No entanto, é importante lembrar que a sensação de abandono que sentimos não equivale à realidade da presença de Deus em nossas vidas. Muitas vezes, é na escuridão que aprendemos a valorizar a luz, e é no silêncio que começamos a ouvir com mais atenção. Deus pode usar esses momentos de aparente distância para nos ensinar sobre fé, perseverança e dependência d'Ele.

O Salmista, após um período de reflexão e introspecção, chega à compreensão de que, embora a intervenção divina possa não ser imediata, existe uma esperança no eventual socorro do Senhor. Essa esperança é fortalecida pela experiência transmitida por seus antepassados, que testemunharam a fidelidade de Deus em tempos de angústia. “Nossos antepassados confiaram em ti, e tu os livraste. Clamaram a ti e foram libertos; em ti confiaram e jamais foram envergonhados.” Salmos 22:4-5 NVT

O próprio Jesus citou o Salmo 22 na cruz, identificando-se com nossas lutas e solidão. Mas a história não termina com o grito de abandono; ela culmina na ressurreição e na promessa de que nunca estamos verdadeiramente sozinhos. “... E lembrem-se disto: estou sempre com vocês, até o fim dos tempos". Mateus 28:20 NVT

Assim como o salmista continua seu salmo com uma nota de esperança e louvor, somos convidados a confiar que Deus está conosco, mesmo quando não sentimos Sua presença.

Os vales sombrios da vida e os desertos espirituais pelos quais passamos são capítulos de uma jornada maior que nos molda e nos prepara para abraçar a plenitude da presença de Deus. O clamor do Salmista e o eco de sua fé através dos séculos nos lembram que, mesmo nas profundezas do desespero, não estamos abandonados. “Não tenha medo, pois estou com você; não desanime, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; com minha vitoriosa mão direita o sustentarei.” Isaías 41:10. NVT. A promessa de Deus é de proximidade e socorro; uma promessa que transcende o tempo e as circunstâncias.

Portanto, mesmo diante de um horizonte onde as respostas parecem se perder e o céu permanece em um silêncio profundo, é possível encontrar repouso na inabalável, certeza de que Deus está ativamente operando em nosso favor. “Porque desde o começo do mundo, nenhum ouvido ouviu e nenhum olho viu um Deus semelhante a ti, que trabalha em favor dos que nele esperam.” Isaías 64:4 NVT

Dessa forma, nossa fé se fortalece nos assegurando que cada momento de espera e cada oração silenciada são, na verdade, os ingredientes de uma obra maior que está sendo elaborada pelo Criador, cuja melodia final será uma sinfonia de redenção e graça. Esta certeza invade nossos corações não apenas pelas experiências passadas, nas quais fomos envolvidos pelos cuidados de um Deus que nunca nos abandonou, mas também pela convicção inabalável na ressurreição de Cristo.

A continuidade da esperança e os testemunhos vivos que permeiam nossa jornada são a prova concreta de que, ao final de tudo, seremos acolhidos nos braços eternos do amor divino, uma realidade sublime onde a solidão não encontra espaço.

Que Deus, nosso Pai, o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Decio Fonseca

 

 

 

 

 

 DOIS FILHOS PERDIDOS: UMA REFLEXÃO

“Cobradores de impostos e outros pecadores vinham ouvir Jesus ensinar. Os fariseus e mestres da lei o criticavam, dizendo: "Ele se reúne com pecadores e até come com eles!" Lucas 15:1 NVT

A parábola do filho pródigo é profundamente significativa em seu conteúdo profético. A cada releitura do texto, guiados pelo Espírito Santo, novas aplicações se revelam. Nas vezes em que preguei sobre esse texto, destaquei o retorno do filho pródigo, as bênçãos da casa do pai e o amor incondicional do pai que acolheu o filho perdido, citando exemplos contidos na narrativa do texto. No entanto, quero trazer um enfoque menos explorado, mas igualmente relevante, acerca dessa parábola contada por Jesus

Nesta reflexão, exploraremos os dois grupos presentes na plateia de Jesus, associando-os aos comportamentos dos dois filhos na parábola. De um lado, temos os cobradores de impostos e outros pecadores, trilhando o caminho do autoconhecimento, assim como o filho mais novo, denominado “pródigo”. Do outro, os fariseus e mestres da lei, representando o caminho da moralidade, semelhante ao irmão mais velho. Ambos os grupos tinham argumentos para justificar suas ações, mas nenhum deles atendia ao que Deus requer para o alcance da vida eterna. Vamos explorar essa rica narrativa e suas implicações. 

Cada um dos grupos tinha fortes argumentos para a defesa de seus comportamentos, acreditando que apenas o seu modo de agir poderia resolver os problemas do mundo. O que se depreende da história é que os dois filhos, por meio de suas ações, estavam indiscutivelmente perdidos, assim como ambos os grupos estavam equivocados em suas posições

O irmão mais novo, ao tomar a atitude de requerer sua parte na herança, o fez movido pela busca de prazeres, rejeitando o próprio pai. Aquele jovem tinha sua própria verdade e sabia apenas o que era certo ou errado para si mesmo. Vivendo do jeito que queria, entre altos e baixos, tentava encontrar a felicidade. Sua vida era conduzida pela realidade que seus olhos conseguiam alcançar. "O coração humano é mais enganoso que qualquer coisa e é extremamente perverso; quem sabe, de fato, o quanto é mau?” Jeremias 17:9 NVT

O irmão mais velho, embora considerado o “bom filho” pelos padrões tradicionais, fez o pai passar por uma situação humilhante. Quando convidado pelo pai a participar da festa, ele foi aos limites da ira e recusou-se a entrar na festa. Afinal, o pai era o senhor das terras e o anfitrião da festa. Ao permanecer do lado de fora, ele demonstrou publicamente que não apoiava a atitude do pai. Embora não fizesse o que queria, estava preso às expectativas da tradição e da comunidade. “Ouça seu pai, que lhe deu vida, e não despreze sua mãe quando ela envelhecer.” Provérbios 23:22 NVT

A história é rica em detalhes que apontam não apenas para um filho em dificuldade, mas para dois filhos perdidos. Ao negar-se a entrar na festa, o filho mais velho permaneceu seguro em suas tradições e retidão moral, mas continuou perdido. Por que ele não entrou para a festa? A resposta está no orgulho em seu coração, o que nos leva ao seguinte questionamento: Como poderia ele abrir mão do amor do Pai por causa da bondade do Pai? O orgulho muitas vezes nos impede de reconhecer e desfrutar da bondade que nos é oferecida. No caso do filho mais velho na parábola, seu orgulho o cegou para a generosidade e amor do pai. Ele preferiu manter sua posição e ressentimento em vez de se render à graça e à misericórdia. Parece-nos contraditória tal decisão. Ele queria, assim como o irmão mais novo, os bens do pai, mas não o pai e seu amor incondicional.

Ambos os irmãos tinham o coração igualzinho. Havia hostilidade em ambas as decisões. Eles não queriam se dobrar à autoridade do pai e procuravam formas de evitá-la. Ambos se rebelaram contra o pai. “Abominação é ao Senhor todo o altivo de coração; não ficará impune mesmo de mãos postas.” Provérbios 16:5 ACF

No ensino de Jesus, nenhum dos filhos amava o pai pelo que ele era. Ambos usavam o pai para alcançar seus objetivos egoístas, em vez de amá-lo, gozar de sua companhia e servi-lo sem interesse. Os dois filhos estavam errados, mas a história não termina igual para os dois.

Os cobradores de impostos e outros pecadores que vinham ouvir Jesus ensinar e se deixavam transformar pelo poder da palavra de Jesus, como Zaqueu, Mateus e outros alcançaram a salvação, assim como o filho mais novo. Entretanto, na análise comparativa do texto, o filho mais velho, assemelhando-se aos fariseus e mestres da lei, se perderam em sua falsa moralidade. Jesus censurou impiedosamente os escribas e os fariseus por sua hipocrisia. Embora fossem os responsáveis pelo ensino das Escrituras e da Lei, eles impunham medidas rigorosas aos outros, mas não as seguiam eles mesmos. Jesus criticou sua pretensão de possuir a verdade exclusiva, bem como sua incoerência, exibicionismo e insensibilidade ao amor e à misericórdia. “Então Jesus disse às multidões e a seus discípulos: "Então Jesus disse às multidões e a seus discípulos: Os mestres da lei e os fariseus ocuparam o lugar de intérpretes oficiais da lei de Moisés. Portanto, pratiquem tudo que eles dizem e obedeçam-lhes, mas não sigam seu exemplo, pois eles não fazem o que ensinam.” Mateus 23: 1-3 NVT

Em resumo, a parábola do filho pródigo nos ensina que tanto o caminho do autoconhecimento quanto o da moralidade, quando analisados nesse contexto, podem nos levar à perdição se não estiverem alinhados com o amor e a graça de Deus. Ambos os filhos erraram, mas a misericórdia do Pai estava disponível para ambos

O filho mais novo, ao reconhecer sua necessidade e voltar para casa, encontrou perdão e restauração. Os cobradores de impostos e pecadores que ouviam Jesus também tiveram essa oportunidade de transformação. Por outro lado, o filho mais velho, apesar de sua aparente retidão moral, estava preso ao orgulho, ao falso moralismo e à falta de compreensão do amor do Pai. Os fariseus e mestres da lei, assim como ele, também precisavam reconhecer sua necessidade de salvação.

Na parábola do filho pródigo, vemos a graça e a misericórdia do Pai sendo estendidas tanto ao filho mais novo quanto ao mais velho. Ambos tinham suas falhas e necessidades, e a mensagem é que todos precisam reconhecer sua dependência do amor e da redenção divina. Deus nos ama incondicionalmente e está sempre disposto a nos receber de volta. Que possamos aprender com os dois filhos e buscar a verdadeira felicidade no relacionamento com o Pai Celestial. 

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca


 DEUS É REAL 

“Pois o Senhor, seu Deus, está em seu meio; ele é um Salvador poderoso. Ele se agradará de vocês com exultação e acalmará todos os seus medos com amor; ele se alegrará em vocês com gritos de alegria!". Sofonias 3:17 NVT

 “Eu só acredito vendo” é um ditado popular frequentemente usado para expressar ceticismo ou a necessidade de evidências visuais antes de aceitar algo como verdadeiro. Embora seja natural questionar e buscar evidências, também é importante manter a mente aberta para outras formas de conhecimento, como a fé, a confiança e a esperança. Afinal, não podemos enxergar a radiação, mas conhecemos seus efeitos danosos; da mesma forma, não vemos o ar, mas simplesmente respiramos.

Muito embora ninguém possa ver a Deus, contemplamos todos os dias os efeitos de Sua presença em nossas vidas. Em uma oração atendida, quando uma porta se abre em resposta a uma súplica elevada aos céus, vivenciamos diariamente coisas que só podem ser obras das mãos de Deus.

Os discípulos testemunharam de forma inequívoca da existência e da presença de Deus nas palavras e atos de Jesus, quando Ele se fez carne e habitou entre nós. Coxos andaram, cegos viram, mortos foram ressuscitados, a água foi transformada em vinho e muitos outros milagres aconteceram. Se todos esses eventos fossem registrados, suponho que nem o mundo inteiro poderia conter todos os livros que seriam escritos (João 21:25). As muitas operações realizadas no passado por Jesus servem para avivar nossa esperança no que Ele pode fazer hoje em nossas vidas.

Em nossos dias, milhares de pessoas são alvos da misericórdia do Senhor vivendo experiências gloriosas. Alcançadas com libertações, curas e uma série de milagres motivados por orações que sobem ao torno da graça do nosso Deus, operações essas que só podem ser atribuídas a Jesus, pois o nosso Senhor e Salvador é o mesmo ontem, hoje e será eternamente. (Hebreus 13:8).

Porém o maior dos milagres é a salvação. Quando Cristo toca as pessoas e as liberta do pecado e da culpa Ele opera de uma forma profunda, transformando-as em novas criaturas. Isso ninguém pode fazer. A transformação espiritual que ocorre quando nos entregamos a Jesus é verdadeiramente extraordinária. Somos renovados, restaurados e capacitados a viver uma vida alinhada com o propósito divino. “Logo, todo aquele que está em Cristo se tornou nova criação. A velha vida acabou, e uma nova vida teve início!” 2Coríntios 5:17 NVT

Como Sofonias destacou, sem vermos, cremos que o Senhor, nosso Deus, está no nosso meio. Sua presença é real, mesmo quando nossos olhos físicos não O percebem. A fé nos conecta ao invisível e nos leva a confiar na promessa de que Ele está conosco, guiando, sustentando e transformando nossas vidas. Ele é um Salvador poderoso. Sua graça e misericórdia alcançam os confins da terra. Seu amor redentor resgata nossa alma do poder da escuridão, nos livra do pecado e nos conduz à vida eterna. “Ele nos resgatou do poder das trevas e nos trouxe para o reino de seu Filho amado, que comprou nossa liberdade e perdoou nossos pecados.” Colossenses 1:13-14 NVT

Um Deus que tem se agradado de seu povo com exultação, acalmando todos os nossos medos com amor. Sua alegria faz-nos transbordar de júbilo quando nos aproximamos dEle, e Seu amor é como um bálsamo suave que abranda nossas inquietações e ansiedades.  A alegria desse Deus invisível, mas presente, é tão intensa que se manifesta em brados de júbilo, como manifestou o profeta. “Alegrem-se sempre no Senhor. Repito: alegrem-se!” Filipenses 4:4 NVT

Imagine uma alegria tão profunda que não pode ser contida. Uma exultação que transcende as palavras e enche o coração com um contentamento indescritível. É assim que o Deus intangível, mas real, se alegra conosco, celebrando nossa redenção, nossa transformação e nossa comunhão com Ele. 

Como bem escreveu o poeta sacro: “Se eu fosse contar o que de alguém ouvi poderia um detalhe esquecer. Pois quando se conta algo que não se viu muita gente talvez não vá crer. Mas o que senti com o toque da fé e até com os olhos da alma eu vi; Dê um tempo e escute, verás afinal que o Deus que eu achei é real.” (Vencedores por Cristo – Deus é real – ano de 1973)

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca


O ABANDONO DA FÉ

“O povo respondeu: "Jamais abandonaríamos o Senhor para servir outros deuses!” Josué 24:16 NVT

Milhares de pessoas estão abandonando sua fé, justificando alguns que a mudança de perspectiva coincidiu com o momento em que saíram de casa e foram expostos a novas ideias. Estatísticas trazem conclusões que mostram que, em especial, os países do Leste Asiático apresentam uma das taxas mais elevadas, tanto de pessoas que abandonam quanto de pessoas que trocam de religião. O abandono da fé vivenciada por seus pais pode ser uma jornada pessoal e complexa, influenciada por diversos fatores. Cada pessoa tem sua própria história e razões para seguir ou abandonar uma fé específica. (1)

O que a Palavra de Deus fala sobre essa questão: o abandono da fé.

Um encontro verdadeiro com Jesus nos conduz à busca de um coração puro e um espírito inabalável. É uma operação que se processa na mente e no coração, deixando marcas de amor tão profundas, incapaz de serem apagadas por qualquer pensamento filosófico ou ideológico. Estamos plenamente abertos à obra transformadora de Deus em nossas vidas. “Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus.” Gálatas 6:17 NAA

A graça nos constrange, e por ela somos impulsionados a experimentar o grande amor de Cristo. Esse amor inigualável e sublime é profundamente significativo, pois exerce uma influência poderosa sobre nós, servos do Senhor. Esse amor é evidenciado através da morte sacrificial de Jesus na cruz, lembrando-nos da profundidade do Seu sacrifício feito em nosso favor. Na cruz do Calvário, Jesus demonstrou um amor infinito por todos aqueles que Nele creem. “Vejam como é grande o amor do Pai por nós, pois ele nos chama de filhos, o que de fato somos!” 1 João 3:1 NVT

Quando dizemos que o amor de Cristo nos constrange, reconhecemos que esse amor nos atrai, domina e nos envolve carinhosamente, de forma abundante e generosa. Somos impulsionados por esse amor quando Cristo nos transforma em novas criaturas. Cercados pelo amor do Pai, que é profundamente único e incomparável, somos incapazes de escapar de sua influência transformadora. “Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre o pescoço e me inclinei para dar-lhes de comer." Oséias 11:4 NAA

Agora, não vivemos mais para nós mesmos. Somos chamados a viver para Aquele que nos amou primeiro e por nós morreu e ressuscitou. Somos motivados a viver uma vida alinhada com Seus propósitos e vontade. A nova criatura que nos tornamos a partir do toque de Jesus, não deseja experimentar outros amores, pois o amor do nosso Senhor nos basta. Pode parecer incompreensível à ótica do mundo, mas alegra-nos sobremaneira servir ao nosso Deus em fidelidade. “Portanto, devemos ser considerados simples servos de Cristo, encarregados de explicar os mistérios de Deus. De um encarregado espera-se que seja fiel.” 1 Coríntios 4:1-2 NVT

Sermos constrangidos pelo amor de Cristo significa que não podemos permanecer indiferentes a Ele. Esse amor nos move, nos transforma e nos direciona para uma vida centrada em Jesus. “De qualquer forma, o amor de Cristo nos impulsiona” 2 Coríntio 5:14 NVT

Nossa escolha em permanecermos na presença do Senhor deve-se ao fato de que recebemos gratuitamente um reino inabalável. Com gratidão, O adoramos por tão grande graça e salvação. Atua em nós o poder de Deus, e como seus filhos, experimentamos a cada dia o operar de Deus, que tem para nos ofertar infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos.  (Hebreus 12:28)

Entretanto, para permanecer em Jesus é necessário vida de comunhão. Tenho que partilhar dos sofrimentos de Jesus, combater o bom combate, guardar a fé e ser fiel ao chamado. Comer da carne e beber do sangue do Senhor Jesus é algo mais profundo, implicando numa entrega total a Ele. Assim como nos alimentamos fisicamente para sustento do nosso corpo físico, precisamos nos alimentar espiritualmente de Cristo. Isso envolve confiança, submissão e íntimo relacionamento com Ele. “Você, porém, deve manter a sobriedade em todas as situações. Não tenha medo de sofrer. Trabalhe para anunciar as boas-novas e realize todo o ministério que lhe foi confiado.” 2 Timóteo 4:5 NVT

Muitos não desejam se comprometer com o trabalho na obra de Deus. É mais cômodo se sentar em um banco de igreja, participar do culto ouvindo a mensagem e cantar louvores, apenas para voltar para casa sem qualquer envolvimento mais profundo com a obra de Deus. No entanto, devemos lembrar que essa atitude não é a que o Senhor espera de nós. Quando Jesus confrontou seus seguidores sobre o necessário engajamento na obra, a resposta deles foi direta e chocante: “Sua mensagem é dura. Quem é capaz de aceitá-la?” João 6:60 NVT

Hoje quando lemos na mídia a notícia de que muitos estão abandonando sua fé embasando essa decisão em verdades relativas e em prazeres efêmeros, percebemos que bênçãos eternas estão sendo trocadas por pratos de lentilhas. Isso não nos surpreende, porque os fatos anunciados hoje há muito já estavam profetizados na Palavra de Deus. Vivemos o tempo em que as pessoas já não escutam o ensino verdadeiro, seguindo seus próprios desejos, buscando mestres que lhes digam apenas aquilo que agradam seus ouvidos. Rejeitaram a verdade e correm atrás de mitos.  (2 Timóteo 4:3-4)

A pergunta que Jesus nos faz hoje foi a mesma que Ele fez aos discípulos: "Vocês também vão embora?" Definidos e seguros de nossa escolha, respondemos como Pedro: “Para quem iremos? Somente Tu, Senhor, possuis as palavras da vida eterna.”

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

1 - https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx88zz8jdx7o


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