“..._se,
todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo arguidos pela lei
como transgressores” (Tiago 2:9, ARA).
O preconceito é uma
atitude ou julgamento formado antecipadamente, sem conhecimento suficiente,
baseado em suposições, estereótipos ou generalizações. Ele geralmente se
manifesta como discriminação ou tratamento desigual de pessoas ou grupos devido
a características como raça, gênero, aparência, condição econômica, deficiência
ou idade.
No contexto
cristão, o preconceito é um pecado, pois fere o mandamento de amar ao próximo
como a nós mesmos e contraria a verdade de que Deus não faz acepção de pessoas.
Essa prática nos distancia do propósito divino de enxergar todos como iguais
perante Deus e dignos de amor e respeito.
A Palavra de Deus é
clara ao nos instruir a não fazermos acepção de pessoas. Tiago 2:1 nos ensina: "Meus
irmãos, como crentes em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, não façam diferença
entre as pessoas, tratando-as com favoritismo." Na igreja de
Jerusalém, essa prática era evidente, especialmente entre ricos e pobres, como
vemos em Tiago 2:2.
O mesmo ainda
acontece em nossos dias, quando julgamos e tratamos as pessoas de forma
diferenciada com base em aparência, condição social ou outros critérios
superficiais. Contudo, Deus nos chama a viver de forma diferente, pois, como
está escrito em Deuteronômio 10:17-18: "Pois o Senhor, o seu Deus, é
o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o grande Deus, poderoso e temível,
que não age com parcialidade nem aceita suborno. Ele defende a causa do órfão e
da viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe alimento e roupa." Essa
passagem não apenas reforça que Deus abomina a parcialidade, mas também que Ele
é um Deus de justiça e compaixão.
O preconceito é uma
afronta ao caráter de Deus porque, ao fazermos acepção de pessoas, assumimos o
papel de juiz, algo que pertence somente a Ele. Tiago 2:8 nos lembra da "lei
régia", que é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a
nós mesmos. Essa lei está acima de todas as outras, pois cumpre a essência do
caráter divino. Quando quebramos esse mandamento, nos tornamos culpados de
transgredir toda a lei. O amor é o alicerce da nossa fé, e é por meio dele que
demonstramos a transformação que Deus opera em nossos corações. Fazer diferença
entre as pessoas por qualquer motivo nos distancia dessa verdade e nos impede
de viver plenamente o propósito de Deus para nossa vida.
O preconceito não é
apenas um comportamento externo, mas uma falha de nossa natureza pecaminosa que
precisa ser transformada por Deus. Queremos reformar o mundo, mas antes
precisamos que Deus reforme o nosso coração. Nossas atitudes e palavras
refletem o que está em nosso interior, como Jesus nos ensina em Mateus 12:34: "Pois
a boca fala do que está cheio o coração."
Devemos tomar
cuidado especial com nossas ações e palavras, inclusive nos comentários feitos
em redes sociais, onde o preconceito pode se manifestar de forma sutil, mas
igualmente prejudicial. Além disso, a acepção de pessoas pode ocorrer em
situações mais íntimas, como na criação de filhos. Precisamos evitar
favoritismos que possam causar mágoas ou divisões, pois amar sem distinção
reflete o caráter de Deus em nós.
Tiago 2:12 nos
lembra de que seremos julgados pela "lei da liberdade". Embora
sejamos salvos pela graça de Deus, nossas obras serão cobradas, especialmente
no que diz respeito à maneira como tratamos o próximo. Essa "lei da
liberdade" não é apenas um conceito abstrato, mas a atuação do
Espírito Santo em nós, nos ensinando a viver de acordo com os princípios de
Cristo. Quando permitimos que o Espírito Santo transforme nosso coração,
passamos a refletir a misericórdia de Deus em nossas ações. Como Tiago 2:13 declara,
"a misericórdia triunfa sobre o juízo". Esse é o
chamado para todo cristão: agir com compaixão, sem favoritismos, e tratar todas
as pessoas como iguais perante Deus.
Ao examinarmos o
preconceito sob a luz das Escrituras, percebemos que ele não apenas fere o
próximo, mas também desafia diretamente os ensinamentos de Deus. A acepção de
pessoas é uma atitude que precisa ser eliminada de nossa vida, pois nos impede
de refletir o caráter de Cristo.
Em vez disso, somos
chamados a viver pelo amor, a demonstrar misericórdia e a buscar justiça, pois
é assim que revelamos ao mundo que fomos transformados pelo Espírito de Deus.
Que possamos, pela graça de Deus, reformar nosso coração e viver de maneira que
glorifique ao Senhor em tudo o que fazemos. Somente assim seremos testemunhas
fiéis de Seu amor e alcançaremos o propósito divino de sermos luz em meio às
trevas.
Que Deus, nosso
Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.
Pr. Décio
Fonseca
07_sex_fev_25
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