A JORNADA E O DESTINO: UMA FÉ QUE CAMINHA COM OS OLHOS NO CÉU

"Prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus." Filipenses 3:14 (NVI)

Ouvi uma frase que me fez pensar muito — e que pode conter armadilhas fatais. A frase é: “quando a jornada importa mais do que o destino.” Confesso que, por um bom tempo, questionei o sentido por trás desse pensamento.

À primeira vista, a ideia pode até parecer inofensiva — até meio poética. Mas, se não for entendida à luz da Palavra, pode nos levar a interpretações perigosas. Por outro lado, essa mesma ideia pode nos levar a uma reflexão importante: será que temos prestado atenção na forma como estamos vivendo, enquanto caminhamos em direção ao céu? Afinal, a vida cristã não é só sobre o destino, mas também sobre quem estamos nos tornando ao longo do caminho, enquanto andamos com Deus.

Na fé cristã, somos frequentemente lembrados de que temos um destino glorioso: a eternidade com Deus. No entanto, a Palavra também nos mostra que a jornada não pode ser desprezada. É nela que somos moldados, provados, ensinados e transformados à imagem de Cristo. O destino é o céu. A jornada é o deserto onde Deus revela quem Ele é — e quem somos nós.

Não podemos ignorar que, muitas vezes, o propósito de Deus vai além de simplesmente nos conduzir a um destino. Ele deseja nos transformar ao longo do caminho. Israel saiu do Egito com a promessa da Terra Prometida, mas o Senhor não os levou pelo caminho mais curto (Êxodo 13:17). Em vez disso, conduziu o povo pelo deserto, que se tornou uma escola de dependência e lapidação espiritual. Como está escrito: “Durante estes quarenta anos, o Senhor, o seu Deus, os guiou no deserto, para humilhá-los e prová-los, a fim de saber o que estava no coração de vocês e se guardariam ou não os seus mandamentos.” (Deuteronômio 8:2, NVI)

Não dá pra negar: nossa caminhada de fé existe para nos revelar a presença de Deus. No caminho para Emaús, os discípulos sentiam seus corações arderem enquanto ouviam Jesus falar da Palavra. Mas foi só no destino, quando Ele partiu o pão, que seus olhos se abriram e eles O reconheceram. “Perguntaram-se um ao outro: Não estava queimando o nosso coração enquanto ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras?” (Lucas 24:32 – NVI). A estrada se torna sagrada não só pelo percurso, mas por causa de quem encontramos nela.
Mesmo quando não percebemos, Jesus está ao nosso lado, caminhando conosco.

Sim, o céu é inegavelmente glorioso. A eternidade com Cristo será indescritivelmente maravilhosa. Mas é na caminhada — árdua, longa, às vezes silenciosa — que aprendemos as maiores lições da fé: paciência, dependência, humildade e amor. O apóstolo Paulo nos lembra: "Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam..." (Romanos 8:28, NVI). Isso inclui o sofrimento, a espera, as lágrimas, as orações sem resposta aparente.

Falar da importância da caminhada não é diminuir o valor do céu. Pelo contrário, é lembrar que é no caminho que Deus nos prepara para ele. A jornada é parte do plano — é nela que somos transformados à semelhança de Cristo. A glória será revelada — mas o caráter é forjado agora. O caminho é parte do milagre. O deserto nos prepara para a Terra Prometida.

A Bíblia nos mostra que o céu é o alvo supremo (Filipenses 3:14) e que a jornada é o caminho da santificação (Hebreus 12:14). Inegavelmente, Jesus é tanto o caminho quanto o destino (João 14:6). A jornada não é um detalhe — é essencial. É nela que somos moldados à imagem do Filho.

Cuidado com a armadilha da frase: “quando a jornada importa mais que o destino.” Se a gente entender isso de forma errada, pode parecer que o céu não é tão importante assim, e que o que vale mesmo é só o processo da caminhada. Essa ideia soa bonita, até moderna — mas se aproxima mais de um pensamento humanista e subjetivo do que da verdade bíblica. A Bíblia nos ensina que sim, o caminho com Deus importa, mas o nosso destino eterno com Ele é fundamental. Não podemos tratar isso como algo secundário.

A verdade é que não se trata de escolher entre um e outro. O céu é o destino inegociável. A jornada é o processo inadiável. Um sem o outro é incompleto. O céu é a meta (Fp 3:14). A santificação é o caminho (Hb 12:14). E Jesus é tanto o caminho quanto o destino (Jo 14:6).

Talvez seja mais sábio dizer: “A jornada importa porque nos prepara para o destino — e o destino (o céu) é o que dá sentido à jornada.

Ou ainda: “Quando o destino é o céu, a jornada se torna sagrada — porque nela somos moldados para habitar a eternidade.”

A questão que pode parecer confusa é, na verdade, muito simples: A salvação é pela graça. O céu é o destino preparado. Mas a jornada é o lugar onde essa graça nos transforma, para que nela possamos experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. (Romanos 12:2)

Quem ama o céu, cuida da caminhada. Quem caminha com Cristo, anseia pelo céu.
Ambos são inseparáveis na fé cristã. Um sem o outro é incompleto.

E você, como está caminhando hoje?

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

09/qua/abr/25

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