FERIDAS
INVISÍVEIS, GRAÇA INCOMPARÁVEL
“Ele cura os de
coração quebrantado e trata das suas feridas.” (Salmos 147:3 – NVI)
A ferida da alma é algo real — e ela não escolhe idade,
posição social ou até mesmo o nível de fé da pessoa. Todos nós, em algum
momento da vida, já sentimos uma dor que não aparece por fora, mas que machuca
por dentro. É aquela dor silenciosa, que fica no coração. Pode vir por causa de
uma decepção, uma perda, uma injustiça, abandono... ou até por palavras que
foram ditas — ou que nunca foram. Essas coisas marcam a gente mais fundo do que
a gente imagina.
É natural que a gente queira se livrar logo desse tipo de
dor. Ninguém gosta de sofrer por dentro. Por isso, muita gente acaba se
agarrando a frases que parecem consolo, mas que no fundo não curam de verdade. Uma
das mais conhecidas é: “O tempo cura todas as feridas.”
Mas será que isso é mesmo verdade? A Bíblia mostra que não.
O tempo pode até amenizar a dor, como se fosse uma anestesia que passa depois
de um tempo. Mas só o tempo não cura a alma. As feridas mais profundas do
coração não são curadas com distância dos problemas, mas com a proximidade da
graça de Deus. É só quando nos aproximamos d’Ele, com sinceridade e fé, que a
cura começa de verdade.
O próprio Jesus nos faz um convite cheio de amor e cuidado: “Venham
a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a
vocês.” (Mateus 11:28 – NVI). Ele não está falando de um alívio
rápido ou passageiro. Ele oferece descanso de verdade. Uma paz que a gente nem
consegue explicar, mas que acalma a alma. Uma cura que vai lá no fundo, onde
ninguém mais pode tocar. O tempo pode esconder a dor por um tempo, mas só Jesus
tem poder para restaurar por completo.
Dois exemplos bíblicos nos mostram como as dores da alma
podem permanecer vivas, mesmo com o passar dos anos. O primeiro é o de Jacó.
Após enganar seu irmão Esaú, Jacó foge de casa e passa vinte anos longe.
Durante esse período, constrói família, adquire riquezas e vive muitas
experiências. No entanto, quando decide voltar, já com 97 anos, o medo e a
culpa ainda o acompanham. A Escritura relata: “Então Jacó teve muito medo
e angústia...” (Gênesis 32:7a – NVI).
O tempo não havia curado a ferida causada por sua atitude
enganosa. Os anos passaram, mas a dor continuava ali, viva e presente. Somente
o reencontro com o irmão, permeado pela graça de Deus, trouxe a restauração que
ele tanto precisava.
O segundo exemplo é o de José e seus irmãos. Depois de ser
vendido como escravo, José passa mais de duas décadas no Egito. Quando
reencontra os irmãos, eles não o reconhecem de imediato. Mas o texto mostra que
a culpa ainda pesava sobre eles.
“Sem dúvida fomos castigados pelo que fizemos a nosso
irmão...” (Gênesis 42:21 – NVI).
Mesmo passados vinte e dois anos, a ferida ainda sangrava. O
tempo não havia apagado o que foi feito. A dor continuava viva dentro deles. A
cura não veio com o passar dos dias, mas com o perdão oferecido por José. Um
perdão que refletia a graça de Deus. Foi isso que iniciou o processo de cura e
reconciliação naquela família.
Essas histórias revelam algo muito profundo: o tempo pode
disfarçar a dor, mas só a graça de Deus pode transformá-la. A graça não ignora
o que machuca. Pelo contrário — ela vai ao encontro da nossa dor. Enquanto o
tempo apenas adormece a alma ferida, a graça faz algo mais completo. Ela
confronta com amor, revela com ternura e trata com verdade. A graça expõe o que
está escondido — não para nos envergonhar, mas para nos curar. Porque Deus não
quer apenas tapar feridas, Ele quer restaurar por completo.
A verdadeira cura começa quando permitimos que Deus toque
onde dói, quando paramos de fugir ou esconder as feridas e nos entregamos ao
cuidado do Pai. E Ele, que é rico em misericórdia, não nos rejeita. Pelo
contrário, nos acolhe com braços abertos. Jesus disse: “Aquele que vem a
mim, de modo nenhum o lançarei fora.” (João 6:37b – NVI). Essa é a
segurança que temos: podemos nos achegar, sem medo, e encontrar graça para
ajudar no tempo oportuno.
Mais do que aliviar a dor, a graça de Deus oferece perdão
que restaura e reconciliação que cura. Esse é o verdadeiro bálsamo para a alma
ferida. Muitas das dores emocionais estão ligadas à culpa, ao ressentimento ou
à falta de perdão. Mas a graça não apenas nos perdoa em Cristo — ela também nos
dá força para perdoar os outros. Jacó encontrou paz quando foi surpreendido
pelo abraço de Esaú. Os irmãos de José foram libertos da culpa ao ouvirem dele:
“Não tenham medo. Estou eu no lugar de Deus?” (Gênesis 50:19 – NVI). Em ambos os
casos, foi a reconciliação — e não o tempo — que trouxe leveza ao coração.
Se você está enfrentando uma dor profunda, não adie mais.
Não confie em soluções paliativas. Vá direto à fonte da cura: vá até Jesus.
Ele conhece cada ferida, até aquelas que você esconde dos outros — ou de si
mesmo. “Clame a mim e eu responderei...” (Jeremias 33:3 – NVI).
Ele está pronto para restaurar o que o tempo jamais seria capaz de curar.
Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça
e paz.
Pr. Décio Fonseca
08/ter/abr/25
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