PESADO NA BALANÇA DE DEUS

“Que Deus me pese numa balança justa, e saberá que não tenho culpa.” (Jó 31:6 – NVI)

Meditando nesse trecho da Bíblia hoje, me vi muito parecido com Jó. Ao olhar para minha vida, minhas decisões e lutas, senti como se estivesse ao lado dele naquela jornada difícil. Suas palavras mexeram comigo.

Assim como Jó, também já me coloquei diante de Deus com perguntas sinceras, orações choradas e até tentando explicar o que vai no meu coração. Não porque me ache certo em tudo — muito pelo contrário —, mas porque tem hora que tudo o que a gente mais quer é ser compreendido por Deus, não é verdade?

A gente deseja saber que Ele vê o que ninguém vê: as intenções, as dúvidas, os bastidores das nossas decisões, aquelas lutas internas que nem sempre conseguimos explicar. Que Ele entende até mesmo quando as palavras faltam. “Tu me sondas e me conheces. Sabes quando me sento e quando me levanto; de longe percebes os meus pensamentos.” (Salmos 139:1-2 – NVI)

Nesse capítulo em especial, Jó faz uma defesa firme da sua vida. Ele fala sobre como tem tentado andar certo diante de Deus e das pessoas. Ele não diz isso com orgulho, mas com o coração apertado, buscando entender o porquê de tanto sofrimento, mesmo tentando viver com integridade.

E aí surge uma pergunta difícil, mas necessária: será que nossas orações, nossas tentativas de fazer o que é certo, nossas dores e até nossas virtudes têm algum peso diante da graça de Deus? Ou será que a graça d’Ele é totalmente independente de tudo isso?

A Bíblia diz, em Isaías 64:6, que até os nossos melhores atos de justiça são como trapos de imundícia. Isso nos lembra que não podemos "comprar" a atenção ou a misericórdia de Deus com boas ações. Mas então… o que Ele faz com todo o choro de Jó? E com os nossos? Todos os nossos atos de justiça são como trapos de imundícia...” (Isaías 64:6 – NVI)

A resposta não é simples, mas uma coisa é certa: Deus não ignora um coração sincero. Ele vê a verdade por trás das palavras e conhece a intenção de quem ora, mesmo quando a oração vem entre lágrimas. Jó não tentou fazer um acordo com Deus — ele queria entender. E no fim, Deus não o repreende por ter perguntado, mas por não reconhecer plenamente quem Deus é: soberano, santo e digno de confiança mesmo no silêncio.

A graça de Deus não é fria, mas também não é uma moeda de troca por merecimento. Ela não chega porque a gente “fez por onde”, mas porque Deus é bom e Sua misericórdia dura para sempre. Ela alcança justamente quem reconhece que, sozinho, não dá conta.

No final do livro, Jó se arrepende — não por ter buscado justiça, mas por não ter enxergado a grandeza e a fidelidade de Deus em meio à dor. Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram.”  (Jó 42:5 – NVI). Quando a graça nos alcança, os olhos da alma se abrem. E tudo muda.

Os últimos versos do capítulo 31 são muito fortes: “Se a minha terra me acusar de tê-la explorado, e se os seus sulcos chorarem, se comi os seus frutos sem pagar, ou fiz seus donos perderem a esperança, que em vez de trigo cresçam espinhos, e em vez de cevada, ervas daninhas!” (Jó 31:38-40 – NVI). Aqui, Jó mostra que sua integridade ia além do espiritual. Ele era justo com as pessoas e até com a terra que cultivava. Ele não queria apenas ser compreendido por Deus — ele estava disposto a ser julgado com justiça, e até a colher as consequências se tivesse feito algo errado.

Isso nos ensina muito. Jó não buscava perfeição, mas vivia com responsabilidade. E sabia que, no fim das contas, só Deus pode pesar nosso coração com justiça verdadeira.

Talvez você, assim como Jó, esteja atravessando um tempo de dor, de perguntas sem resposta, ou até de injustiças. Talvez esteja tentando entender por que tudo parece tão difícil, mesmo quando você tem procurado fazer o certo.

Saiba que Deus não se esqueceu de você — nem de mim. Ele vê o que está aí dentro, nos bastidores do nosso coração, nas intenções que às vezes ninguém entende. E mais do que isso: Ele pesa tudo com justiça, mas também com misericórdia.

Não tenha medo de se apresentar diante d’Ele. Ore. Fale. Chore se for preciso. Confie que Ele está vendo e sabe como agir — no tempo certo, do jeito certo. O Senhor é bom, um refúgio em tempos de angústia. Ele protege os que nele confiam.”  (Naum 1:7 – NVI)

E se você sente que precisa recomeçar, que precisa da graça d’Ele sobre sua vida hoje, não hesite. Volte-se para Ele com sinceridade. Ele é justo, mas também é cheio de compaixão.

Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo lhes deem graça e paz.

Pr. Décio Fonseca

06/dom/abr/25

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